Press Start Paris: report in loco do primeiro concerto da série na Europa

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Por Alexei Barros

Sempre imaginei o Press Start como um concerto restrito ao Japão, com uma ou duas apresentações anuais e olhe lá. No dia 11 de abril, no entanto, o espetáculo deu sinais de expansão, com duas performances no La Mutualité em Paris, França, conforme anunciado no Press Start 2014. Antes disso, somente a China havia recebido o concerto em 2007 e 2008. Portanto, pela primeira vez o Press Start aterrissou no continente europeu. Para sorte dos presentes, Yasunori Mitsuda, Yoko Shimomura e Nobuo Uematsu estiveram na ocasião.

O repertório do Press Start é notório pela diversidade de jogos. A quantidade de companhias representadas no set list foi bem limitada na apresentação em Paris: Square Enix, Nintendo, Level 5 e Konami. Isso pode deixar a impressão de que faltou variedade no programa, mas não chega a ser um problema quando essas quatro empresas possuem uma grande variedade de franquias com ampla tradição musical. Chrono, Xenogears, Final Fantasy, Kingdom Hearts pelo lado da Square Enix; e Zelda, Mario, Super Smash Bros. no que diz respeito à Nintendo.

DSCF0183Também foram executados três medleys temáticos; o “Famicom (NES) Medley” foi alterado em relação ao Press Start 2009 e 2010 para incluir somente jogos da Nintendo ou Konami; o “Classical Music Medley”, originalmente tocado no Press Start 2011; e o “Puzzle Game Medley”, que também tem algumas diferenças se comparado com a miscelânea do Press Start 2006 , como a exclusão de  Meteos e Panel de Pon. Curiosamente, esse medley contém músicas de Columns e Puyo Puyo, jogos relacionados diretamente com a Sega, mas no encarte consta apenas a marca registrada da Nintendo.

Também vale destacar os números de Professor Layton and the Curious Village (direto do Press Start 2008), cuja sonoridade tem tudo a ver com a Europa, e Castlevania, com um medley compacto e supremo do Press Start 2007. Em relação à performance, não houve coral nem solistas, apenas a orquestra com pouco mais de 60 integrantes.

Se este fosse um post convencional, minhas impressões sobre o Press Start Paris acabariam aqui. Porém, para minha surpresa, o Acid, que escreveu aquela biografia do Yuzo Koshiro que serviu de base para praticamente todos os artigos sobre o compositor, não só viu o concerto in loco, como ainda teve a bondade de compartilhar fotos e permitir que eu reproduzisse o seu relato no Hadouken! Imagino como deve ter sido a experiência descrita pelo Acid – melhor que isso só se o Koshirão também estivesse por lá.

Foram feitos alguns registros em vídeo e, por ora, este foi o melhor que encontrei, com excertos de Xenogears, Zelda, Super Mario Galaxy e “Zanarkand”.

Clicando nos links do “Ato I” e “Ato II” é possível ver as fotos do programa. Depois do set list detalhado com links para as faixas originais, o report do Acid.

Ato I
01. Chrono Trigger & Chrono Cross Medley 2010: “A Premonition” ~ “Chrono Trigger” ~ “Wind Scene” ~ “Frog’s Theme” ~ “Decisive Battle with Magus” ~ “Epilogue ~ To Beloved Friends” (Chrono Trigger) ~ “Frozen Flame” ~ “Marbule: Home” ~ “Scars of Time” (Chrono Cross)
02. Xenogears: “Knight of Fire” ~ “In a Prison of Peace and Regret” ~ “Flight”
03. The Legend of Zelda Medley 2006: “Title” (The Legend of Zelda) ~ “Dark World” (The Legend of Zelda: A Link to the Past) ~ “Zelda’s Theme” ~ “Overworld” (The Legend of Zelda: Ocarina of Time) ~ “Title” (The Legend of Zelda)
04. Super Mario Galaxy 2008: “Overture” ~ “Chico” ~ “Egg Planet” ~ “Wind Garden”
05. Final Fantasy X: “Zanarkand”
06. Professor Layton and the Curious Village: “Puzzle” ~ “Professor Layton’s Theme”
07. Famicom (NES) Medley: “Overworld” (Super Mario Bros.) ~ “Operation Intrude N313” ~ “Theme of Tara” (Metal Gear) ~ Yie Ar Kung-Fu ~ “Reaper Theme” ~ “Game Over” (Kid Icarus) ~ “Fever” (Dr. Mario)
~ “Starker (tower BGM)” (Castlevania) ~ “Title” (Zelda II: The Adventure of Link) ~ “Title” (The Legend of Zelda) ~ “Start-up Theme” (Disk System Theme)

Ato II
08. Classical Music Medley:
– Beethoven: “Symphony No. 5: First movement”
– Mozart: “Eine kleine Nachtmusik”
– Bizet: “L’Arlésienne”
– Meacham: “American Patrol”
– J.S. Bach: “Toccata and Fugue in D minor, BWV 565″
– Mozart: “Requiem in D Minor K.626 Dies Irae”
– Bizet: “Carmen: Prelude Act 1″
– Chopin: “Piano Sonata No. 2: Marche funèbre”
– Mendelssohn: “A Midsummer Night’s Dream”
– Schubert: “Military March”
– Tchaikovsky: “Piano Concerto No. 1 in B-flat minor”
– Wagner: “Ride of the Valkyries”
– Offenbach: “Orpheus in the Underworld: Overture”
– Beethoven: “Symphony No. 9 (choral): Fourth movement”
– Tchaikovsky: “The Nutcraker: March”
– Rossini: “William Tell Overture”
09. Puzzle Game Medley: “Fever” (Dr. Mario) ~ “Tokoton” (Puyo Puyo) ~ “Clotho” (Columns) ~ “Korobuchika” (Tetris – Game Boy) ~ “Chill” (Dr. Mario) ~ “It’s a been a long time since we passed through space! (Arles theme)” (Puyo Puyo) ~ “Technotris” (Tetris – NES, Bullet Proof Software) ~ “Game Over” ~ “Troika” (Tetris – arcade)
10. Super Smash Bros. Medley: “Jungle Level” (Donkey Kong Country) ~ “Tortimer Island Medley” (Animal Crossing: New Leaf) ~ “Battle! (Trainer Battle)” (Pokémon X e Y) ~ “Theme of Samus Aran, Space Warrior” (Super Metroid) ~ “Dark Pit’s Theme” (Kid Icarus: Uprising)
11. Akumajou Dracula Medley (Castlevania): “Prologue” ~ “Vampire Killer” (Castlevania) ~ “Bloody Tears” (Castlevania II: Simon’s Quest) ~ “Prelude” ~ “Beginning” ~ “Clockwork” (Castlevania III: Dracula’s Curse) ~ “Bloodlines” (Castlevania: Rondo of Blood) ~ “Ending” (Castlevania III: Dracula’s Curse)
12. Kingdom Hearts: “Hikari”“Dearly Beloved” ~ “Fragments of Sorrow” ~ “Traverse Town”
13. Super Mario Bros.: “Overworld” ~ “Underwater” ~ “Underworld” ~ “Overworld”
14. Final Fantasy: “Main Theme”

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Por Acid

O Press Start é um concerto criado em 2006 por pessoas da indústria de games (entre eles o próprio Nobuo Uematsu) e que até então ficou só no Japão. Essa foi a primeira vez na Europa, e por isso mesmo vieram 3 compositores de peso pra participar e dar autógrafos: Nobuo Uematsu (Final Fantasy), Yoko Shimomura (Street Fighter II, Kingdom Hearts) e Yasunori Mitsuda (Chrono Trigger).

O formato do Press Start é um pouco diferente dos demais, pois aqui o compositor não fica sentado na platéia escutando as músicas, mas sim participa de mini-entrevistas ou brincadeiras no palco. A cada 3 ou 4 músicas o apresentador chamava um compositor (ou os três) para conversar.

O show começou com o tema de abertura de Chrono Trigger, tocado e arranjado com perfeição. Depois emendaram um medley das outras músicas (Wind, Frog theme, Magus) que ou não ficaram muito bem arranjadas ou que passaram muito rápido. Essa coisa do medley foi meu único problema com o Press Start: funciona pra encaixar o máximo de música e agradar todo mundo, mas deixa a pessoa que verdadeiramente ama aquela música com um gostinho de “poderiam ter feito melhor”. Não por coincidência as músicas que mais me tocaram foram as que tinham começo e fim e não estavam num medley, como por exemplo o tema de Zelda e o “Jungle”, de Donkey Kong Country.

Achei o palco pequeno, onde a orquestra ficou se acotovelando. Enquanto a harpa e o tambor, cada um de um lado, soavam perfeitos por terem uma parede por trás, os metais ficaram no fundo do palco, junto às cortinas e o som ficou abafado, fraco. Mais violinos também teriam ajudado. Mas isso só atrapalhou mais as músicas de Mitsuda, que exigem uma orquestração mais elaborada de metais. O Super Mario Galaxy ficou simplesmente perfeito com gongos e tambores em abundância.

Após um medley de Chrono Cross e Xenogears, Yasunori Mitsuda foi chamado ao palco. Falou que de Chrono Trigger sua música preferida era o tema e do Sapo. O apresentador perguntou “todos aqui gostam do tema do Sapo?” e a maioria gritou em aprovação.

Fiquei com pena do Yasunori Mitsuda, pois ele parecia o menos querido ali. Quando ele entrou no palco todos o aplaudiram, mas alguns poucos de pé. Já quando o Nobuo Uematsu entrou parecia estádio de futebol na hora do gol. Tudo bem que Nobuo já veio a Paris não tem 2 meses, é o mais conhecido e o prestígio dele é o de um popstar mesmo. E o cara se garante. Ele adora brincar com a platéia, e logo que entrou apontou pra alguém que estava com a camisa da banda de rock dele, o Earthbound Papas, e apontou pro próprio peito pra mostrar que gostou da camisa. Depois olhou pra minha (Com o Darth Vader e a legenda “Keep Calm and use the force”) e começou a rir e fez o mesmo gesto. Com esse carisma ele ganha as pessoas facilmente. No final, na hora de posar para a foto, todo mundo ficava mais do lado de Nobuo que no centro (eu incluso, e olhe que não foi intencional).

DSCF0190-Já o Mitsuda era o mais solícito, humilde, se virava pra agradecer após os fãs tirarem as fotos, era o mais deslumbrado com tudo aquilo. Yasunori Mitsuda tá na casa dos 40, mas ainda parece (e age como) um meninão. De fato, era o caçula ali. Uma hora o apresentador francês perguntou aos compositores (através de um intérprete) que eles contassem as suas experiências de trabalhar com o Nintendinho 8-bit. Nobuo e Shimomura falaram das limitações, e tal, e quando chegou na vez do Mistuda ele falou que nessa época ele ainda estava na escola. Todo mundo riu. Depois ele completou que a experiência dele com o Nintendinho era jogar Final Fantasy. Questionado quais as melhores músicas do Nintendinho, Yasunori falou sem sem hesitar Dragon Quest e Final Fantasy. Shimomura falou Final Fantasy e Mario (Uematsu se curvava em agradecimento a cada mênção a Final Fantasy) e Uematsu citou Mario Bros como melhor trilha.

Da primeira vez que Yoko Shimomura foi chamada ao palco o maior tiete dela ali era o apresentador. Ele começou logo falando que se sentia intimidado de estar na presença dela. Assustada, ela perguntou porque. Ele respondeu que foi porque a música de Street Fighter II mexeu pra sempre com a vida dele. Ela tomou um susto, ficou toda sem jeito. Ele pediu então pra que ela falasse do tempo em que ela trabalhou nesse jogo. Ela respondeu que fazia muito tempo, que ela era muito jovem, estava apenas começando, ainda não levava muito jeito pra compor… parecia que tava se desculpando por uma das trilhas de jogos mais icônicas do mundo!

O apresentador perguntou pra Shimomura se ela voltaria a fazer música pra Street Fighter. Ela arregalou os olhos e fez cara de horror, como se dissesse “Deus me livre”, depois se recompôs e falou que se a chamassem ela faria, mas preferia não porque muita gente boa veio depois dela fazendo música pra série e ela acha que não poderia fazer melhor. Eu não sei se ela estava só sendo polida ou se ela não tem consciência do impacto das músicas de Street Fighter na vida das pessoas (ambos podem ser verdadeiros, porque por algum motivo os japoneses não têm curiosidade em saber o que se passa fora do Japão, mesmo que seja o fruto do seu trabalho. Shimomura mesmo não sabia do sucesso da música do Guile na internet, até ser questionada sobre isso numa entrevista, e considerando que só após mais de 10 anos foi que ela botou no CV que tinha feito Street Fighter II, acho que ela é meio avoada, mesmo), mas o apresentador ficou tão indignado que falou pra ela não ter modéstia, que o trabalho dela era perfeito e que mexeu com a vida de muita gente, inclusive a dele. A indignação do apresentador era também a minha.

Uemtasu falou que quando terminou de compor o tema de Final Fantasy X ele parou e pensou: “isso vai ser um sucesso”. E aparentemente foi, mesmo. Eu nunca tinha escutado antes e fiquei encantadíssimo.

Foi um dos momentos musicais mais mágicos da noite, só superado por uma outra música de Uematsu, a que encerrou o concerto: O tema de Final Fantasy. Mais lágrimas. Fim.

Pra mim começava a segunda parte, a mais emocionante, que era conhecer esses ídolos da adolescência/fase adulta. Esperava por isso desde novembro, quando comprei os ingressos, e pra os autógrafos comprei um livro que vi numa loja nerd, o VGM: Histoire de la musique de jeu video, com mini-biografias de todos os compositores famosos. Perfeito! O livro foi uma sensação entre eles. O primeiro a quem entreguei foi Nobuo Uematsu, que ficou admirando a página com a foto e biografia dele, e logo a Shimomura ficou “uau” ao lado, olhando. Quando Uematsu terminou eu virei algumas páginas e entreguei pra Shimomura, aberto no capítulo dela. Ela ficou ainda mais surpresa e falou pro Yasunori algo do tipo “eu também estou aqui!”; incrédula, ela olhou a capa, contra-capa, folheou, o que só parece confirmar o quanto ela não tem mesmo idéia do seu sucesso fora do Japão. Quando virei a página e entreguei pro Yasunori no capítulo dele foram risos gerais. Consegui também um autógrafo de Yasunori na capa de um CD de Chrono Trigger. Fiquei tão emocionado que quase esqueço de fazer o que eu pensava em fazer desde novembro: apertar a mão de cada um deles. Mãos que nos deram verdadeiras preciosidades musicais, que nos acompanharam nos bons momentos da vida e que permanecem conosco em nossos corações. A eles meu Arigato Gozaimasu.

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Mais uma vez agradeço ao Acid pelo report e pelas fotos do concerto parisiense.

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