“Final Fantasy XII Suite” – Final Fantasy XII (Music in Motion)


Por Alexei Barros

Desde o concerto PROMS: That’s Sound, That’s Rhythm realizado em 2008, as músicas de games entraram de vez nos programas da WDR Radio Orchestra Cologne. Após a conclusão da quadrilogia de espetáculos tributo Symphonic Shades, Fantasies, Legends e Odysseys, essa tradição perdurou com o Soundtrack Cologne – East meets West (2012) e o Symphonic Selections (2013). E em 2014? Neste ano aconteceu o Music in Motion, no qual os games dividiram o espaço com músicas de filmes e animes (aliás, todos os números desse bloco, que inclui algumas composições do Joe Hisaishi, tiveram a orquestração de Roger Wanamo).

Apesar de a apresentação não ter o nível de esmero desses concertos passados, houve algumas surpresas interessantes na parte de games, e uma delas é uma nova interpretação da “Kiss Me Good-bye” do Final Fantasy XII. Ao menos é assim que está creditado no programa – achei mais apropriado chamar o número de “Final Fantasy XII Suite”, já que não se trata de qualquer performance da “Kiss Me Good-bye”. Até porque o segmento não inclui apenas essa canção…

Dá para dizer que a extensa trilha do FFXII foi criada por três frentes, com o trio Hitoshi Sakimoto, Masaharu Iwata e Hayato Matsuo na ponta de lança, sonorizando a maior parte do jogo (especialmente o primeiro), o Nobuo Uematsu com a citada música-tema “Kiss Me Good-bye” e a inesperada participação da dupla Taro Hakase e Yuji Toriyama com a Symphonic Poem “Hope”.

Não é raro ver comentários de que a “Kiss Me Good-bye” destoa do clima sombrio do restante da trilha. E, apesar de a Symphonic Poem “Hope” ter sido inspirada pelo tema principal do Hitoshi Sakimoto como diz os créditos do encarte, é difícil imaginar uma performance dela com outras músicas do jogo. Reunir essas três frentes em um único segmento parece impossível dada a disparidade de estilos… Mas não para o Roger Wanamo, o responsável pelo arranjo. Embora o site da WDR não faça a menor questão de dizer, o número inclui sim fragmentos de músicas do Hitoshi Sakimoto e do Taro Hakase/Yuji Toriyama.

Surgem os segundos iniciais das cordas magistrais da “Overture”, primeiro movimento da Symphonic Poem “Hope” para logo confluir na “Ending Movie” do Sakimoto (na faixa original, corresponde ao trecho a partir de 3:57). A forma com que as músicas foram emendadas chega a ser inacreditável, a ponto de parecer que ela foi originalmente criada assim. Quando o clima dá uma acalmada, é possível ouvir as trompas e o oboé evocando ressonâncias da “Road of Hope”, o terceiro e mais fantástico movimento da Symphonic Poem “Hope”.

Entra em cena a cantora Viviane Essig com sua poderosa voz em um tipo de solo mais pop que não se costuma ver nos concertos de games da WDR. De fundo, não há o piano em destaque como na original (até porque o instrumento foi tocado pela própria Angela Aki, intérprete na versão do jogo), mas as cordas – em especial o contrabaixo. No interlúdio instrumental, inacreditavelmente surge uma nova lembrança da “Road of Hope” em um solo de violoncelo. O estrondo do tímpano interrompe essa música, e volta a melodia da “Kiss Me Good-bye” no trompete. A Viviane Essig torna a participar, desta vez acompanhada pela flauta e depois por toda a orquestra. Depois, surge uma nova e arrebatadora lembrança instrumental da “Kiss Me Good-bye” e a cantora regressa mais uma vez para colocar o fim nessa peça inesperada e surpreendente.

No geral, é interessante notar como a “Kiss Me Good-bye”, uma canção J-pop, ganhou no arranjo uma dose de erudição, até porque a performance não teve baixo elétrico e bateria como acontece originalmente (na versão do Voices, arranjada pela Sachiko Miyano, já não tinha banda mesmo). Realmente não poderia acreditar que as inserções da Symphonic Poem “Hope” e “Ending Movie” pudessem originar um arranjo com esse senso de unidade – tarefa que só um arranjador talentosíssimo como o Roger Wanamo é capaz de fazer.

O Music in Motion chegou a ser transmitido em vídeo quando aconteceu em novembro de 2014, mas soube do streaming somente na hora pelo Twitter e não consegui gravar. Aparentemente, ninguém registrou o vídeo e o site da WDR, ao menos por enquanto, não disponibilizou a gravação como aconteceu com outros concertos. Felizmente, o espetáculo foi reprisado em dezembro – somente o áudio, no entanto –, o qual consegui gravar e compartilho abaixo. Aproveite, porque arranjos novos de Final Fantasy não surgem todos os dias – quanto mais do Final Fantasy XII.

“Final Fantasy XII Suite”
Originais: “Overture” ~ “Ending Movie” ~ “Road of Hope” ~ “Kiss Me Good-bye” ~ “Road of Hope” ~ “Kiss Me Good-bye”

13 Responses to ““Final Fantasy XII Suite” – Final Fantasy XII (Music in Motion)”


  1. 1 Felipe 26/12/2014 às 10:22 am

    Ah, sabia que podia contar com o Hadouken para um grande presente de natal! E põe grande nisso!

    Sou apaixonado pela trilha do FFXII, mas confesso que estou no time dos que reclamam da Kiss Me Good-Bye. Aqui entra um pouco do gosto pessoal, pois não sou muito chegado em canções pop românticas, mas ela de fato destoa, não só da trilha mas do jogo como um todo. Diferente da Eyes on Me do FFVIII, que está perfeitamente inserida no contexto do game.

    Mas deixando a birra de lado, Roger Wanamo fez milagre com esse arranjo. Espero que FFXII apareça mais nos concertos, pois já estou cansando até de FFVIII, que é minha trilha favorita da série (agora estou jogando o VI, vamos ver se ele ganha!).

    Obrigado pelo excelente post, maestro!

    • 2 Alexei Barros 26/12/2014 às 1:01 pm

      Olha, Felipe, vou confessar também que não sou fã número 1 de canções pop românticas em geral. Apesar disso, de todos os temas J-pop da série, provavelmente a “Kiss Me Good-Bye”, sem considerar o contexto do jogo em que está inserido, é o meu favorito.

      Eu honestamente não tenho uma opinião formada se a música combina ou não com o jogo, porque vergonhosamente não cheguei a terminar o FFXII. Não aguento mais essa falha (lá se vão 8 anos!), mas preciso ver se o meu PS2 ainda funciona. A última vez que liguei o console estava uma tristeza… =/

      Agora, sua comparação com a “Eyes on Me” foi perfeita. O clima romântico permeia todo o jogo e combina muito mais mesmo com a história.

      Talvez isso tenha sido um dos motivos para o Uematsu não ter participado da trilha do FFXIII (se não me engano, ele alegou falta de tempo). Vamos ver como será no FFXV.

      Ah, legal que, apesar do que disse, gostou do arranjo também. Eu peguei a transmissão tão em cima da hora que nem entendi direito o que estava acontecendo. Reparei apenas que não era a mesma versão de sempre da “Kiss Me Good-Bye” e de ter ficado com a impressão de ouvir a “Overture” no começo. Só depois, escutando a gravação, que fui reparando nas ressonâncias da “Road of Hope” e ficando cada vez mais maravilhado.

      Feliz por saber que está jogando o FFVI! Não sei se você concorda, mas incrível como ele se mantém atemporal mesmo sem CGs, dublagem etc.

      E eu que agradeço pelo comentário, Felipe! Valeu!

      • 3 Felipe 26/12/2014 às 2:20 pm

        Pois é Alexei, você e tantos outros falaram tão bem de FFVI que a consciência pesou. Acho que não vou conseguir terminá-lo tão rápido quanto Chrono Trigger, mas vou jogando aos poucos. Quanto à ser atemporal, sou suspeito pra dizer pois gosto muito dos games antigos (tá certo que só tenho jogado clássicos, aqueles que não terminei na época). O que achei curioso são as referências à ópera, coisa que todo mundo deve estar cansado de saber, mas que só fui conhecer agora.

        Sobre FFXII, não sou a melhor pessoa pra te animar a terminar, pois achei o final… como direi?… uma b$%#@. Mas foi sem dúvida o Final Fantasy mais imersivo que joguei. Lembro que no review da revista SDP (lembra dela? Eu comprava!) o Fabio Santana disse que o jogo era “100% imersão”. Concordo plenamente! Mas concordo também com o Rodrigo Guerra, que criticou o enredo, em especial a superficialidade dos personagens principais.

        Caramba, você fez um trabalho de garimpeiro buscando os temas nessa Final Fantasy XII Suite! Fico sonhando com o dia em que a Theme of the Empire será arranjada.

        • 4 Alexei Barros 26/12/2014 às 3:06 pm

          Ah, se você gosta de jogos antigos, então você está em casa. É que hoje em dia nem todo mundo se encanta com arte em pixels e tudo mais. Eu também procuro fazer o mesmo e jogar clássicos que passei batido, não importa a época. Puxa, a ópera é apenas um dos grandes momentos do jogo. São tantos…

          Ô se lembro da SDP! Eu comprava direto e cheguei até a participar de algumas edições pouco depois que o Fabão foi para a EGM e o Guerra assumiu a edição. Aquele preview do FFXII do Dougão ficou avassalador.

          A respeito do final, eu já imaginava algo assim, tendo em vista todos os comentários a respeito da até hoje saída misteriosa do Yasumi Matsuno do projeto e o quanto alguns personagens foram mal aproveitados. Mesmo assim, é uma falha que ainda preciso corrigir… Pior que nem para sair para PS Vita como aconteceu com o FFX…

          Ouvi a “Theme of Empire” para refrescar a memória e de fato ela ficaria épica orquestrada. E o arranjo nem precisaria se esforçar muito… O que o Hayato Matsuo não faria com essa música…

          • 5 Felipe 26/12/2014 às 4:16 pm

            Alexei, só pra esclarecer, no FFVI quis dizer as referências que o jogo faz ao mundo da ópera. Sabe, como o fato da família real se chamar Figaro. Eu já sabia sobre a ópera do jogo, mas não sobre essas referências. Achei muito legal explorar South Figaro! O único problema é que, pra mim, é impossível ler “Figaro” e não pensar na bendita Largo al Factotum…

  2. 6 Alexei Barros 26/12/2014 às 4:33 pm

    Aaaah, agora saquei… Confesso que algumas dessas referências eu não havia me dado conta… o.O

    Hehe, a ” Largo al Factotum” é extramamente icônica mesmo… Não dá para disassociar a palavra “Figaro” dela.

  3. 7 Storm 30/12/2014 às 2:55 am

    Belíssimo arranjo, me fez gostar mais da Kiss me good bye (também não morria de amores pela canção).

    Eu sou muito fã do trabalho do Sakimoto, estilo único dele me impressionou desde a época de FFT e Vagrant Story, depois FFXII e Odin Sphere. Dentro da série, eu colocaria ele no mesmo patamar do Uematsu e Hamauzu pela qualidade do trabalho.

    Btw, eu ainda tenho a edição da SPD com o detonado do FFXII japones feita pelo Fabio, com direito a menus e diálogos traduzidos, foi incrível aquilo,usei aquele guia para jogar a edição japonesa até o final. Mas se não me engano, o Fabio só revisou FFXII na EGM, junto com Douglas Pereira e Rodrigo Guerra.

    • 8 Alexei Barros 30/12/2014 às 1:39 pm

      Curioso que eu passei a gostar mais do Sakimoto depois do FFXII. Odin Sphere também me encantou na época. Mas isso porque eu não conhecia muito bem a história dele nos shmups, daí quando ouvi Verytex, Radiant Silvergun, Magical Chase, Gradius V… Putz, ele fez um monte de coisa boa.

      Boa lembrança sobre o detonado do FFXII da SDP! Trouxe lembranças da Gamers. Pior que eu fui teimoso de esperar a versão americana. Talvez se já tivesse jogado a japonesa teria terminado o jogo.

      Sobre o review da EGM, você está correto. Para os padrões da revista da época, já foi de impressionar que a análise do Fabão se estendesse por mais uma página, ocupando uma coluna inteira. Geralmente os reviews da EGM eram bem curtinhos…

      Acho que o review do FFXII na SDP foi feito pelo Douglas na versão japonesa e, se não estiver enganado, pelo Guerra na americana. Quando o Fabão escreveu aquele review monstruoso do Kingdom Hearts II, eu tinha ficado na expectativa por algo semelhante do FFXII. Pena que por falta de tempo ou algum outro problema não rolou.

  4. 9 Storm 30/12/2014 às 5:45 pm

    cheguei a escutar um pouco do Radiant Silvergun, gostei do que ouvi.

    outra participação dele foi no Monster Kingdom: Jewel Summoner, acho que ele só compôs uma faixa para o jogo, mas ela é ótima.

    SPD e EGM me trazem boas lembranças, a primeira acabou logo após abaixar o preço para algo em torno de 5 reais, enquanto a outra se tornou EGW, que sinceramente não me agradou muito…

    • 10 Alexei Barros 30/12/2014 às 5:59 pm

      A trilha do Radiant Silvergun tem um estilo meio incomum para shmups e é um bocado repetitiva, mas ela me agradou quando joguei. Especialmente a “Return”.

      Essa faixa que você linkou do Monster Kingdom: Jewel Summoner eu realmente não conhecia. Algumas características da música não remetem imediatamente ao Hitoshi Sakimoto, mas ela é bem cativante.

      Acompanhei de perto o fim da SDP. Até onde eu sei, por melhor que fosse a SDP, ela nunca foi páreo para Dicas & Truques (atual PlayStation Revista Oficial) e naquela época a editora Futuro estava mal financeiramente. Cheguei a pegar o comecinho da mudança para EGW. Se não me engano, ela aconteceu porque a matriz americana tinha fechado. Porém, faz tempo que não tenho acompanhado a revista.

  5. 11 Felipe 31/12/2014 às 6:42 pm

    Poxa, então minha memória me enganou? Podia jurar que o review que citei estava na SDP, mas não tenho mais as revistas, e como também comprava a EGM posso ter confundido mesmo.

    A propósito, nunca gostei muito da Dicas & Truques. Depois que a SDP acabou e a EGM virou EGW, parei de comprar revistas.

    • 12 Alexei Barros 01/01/2015 às 4:58 pm

      Na verdade, a minha memória é que enganou, Felipe. Desenterrei minhas revistas aqui e fiz um levantamento do que a SDP publicou sobre o FFXII:

      SDP #32 (Capa: Winning Eleven 9): preview FFXII do Douglas
      SDP #34 (Capa:Tomb Raider Levend): review do FFXII japonês do Douglas e primeira parte do detonado do Fabão
      SDP #35 (Capa: The King of Fighters): segunda parte do detonado do Fabão e Douglas
      SDP #36 (Capa: X-Men the Official Game): terceira parte do detonado do Douglas e Fabão
      SDP #40 (Capa: Bully): review da versão americana do Guerra e Fabão

      A frase “100% imersão” foi dita naquele bate-bola após os reviews na SDP #40, em que eles respondiam perguntas específicas.

      Os reviews da EGM saíram na edição #57, e o Douglas, Guerra e Fabão foram quem analisaram o jogo.

      Do que acompanhei, também não gostava muito da Dicas & Truques na época em que ela concorria com a SDP. Mas hoje é uma revista completamente diferente.


  1. 1 “Song of Mana ~Ending Theme~” – Legend of Mana (Music in Motion) | Hadouken Trackback em 23/04/2015 às 2:51 am

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