“Main Theme” – L.A. Noire (Games in Concert: The Greatest Hits)

Por Alexei Barros

L.A. Noire é um jogo que considero um tanto controverso. Trata-se de uma superprodução, mas uma superprodução cheia de problemas. Uma certa reviravolta inexplicável na história, um final no mínimo estranho e mistérios policiais que se resolvem sem exigir quase nenhum esforço do jogador… Ainda assim, o jogo tem méritos, como as expressões faciais simplesmente absurdas dos personagens (graças ao uso da tecnologia MotionScan), o comportamento extremamente convincente dos NPCs e sobretudo a ambientação que recria a Los Angeles dos anos 40 com perfeição. Nesse último item, claro, a trilha sonora tem grande importância, com músicas da época (como se esquecer da impagável “Smoke! Smoke! Smoke! (That Cigarette)” tocando na rádio nos momentos mais inapropriados?) e peças jazzistas especialmente compostas para o jogo – os temas de perseguição automobilística são empolgantes.

A “Main Theme” é um dos destaques da parte musical: um jazz relaxante que se ouve na tela-título. Essa música foi a única seleção inédita do Games in Concert: The Greatest Hits, que marcou o retorno desse subestimado e pouco conhecido espetáculo realizado na Holanda em 2014. Até então, eu sabia apenas da existência do vídeo do ensaio dessa faixa, mas felizmente encontrei esta gravação em ótima qualidade. Como sempre, a Metropole Orchestra tirou a música de letra, apesar de algumas diferenças em relação à composição original. O solo de trompete não é tão pausado como na versão do jogo, que aguarda as intervenções do piano e ainda dialoga com o saxofone. Mas essas cordas majestosas, a bateria suave com baquetas vassourinhas, além do baixo elétrico (na original é baixo acústico) e da guitarra (instrumento ausente na original)… uma pintura. Ironicamente, a única imperfeição da performance que consegui detectar é justamente do trompetista. Em 0:58 dá para notar uma engasgada no solo. Apesar disso, é mais uma performance de alto nível dessa orquestra maravilhosa que é a Metropole Orchestra.

4 Responses to ““Main Theme” – L.A. Noire (Games in Concert: The Greatest Hits)”


  1. 1 Felipe 05/12/2014 às 1:44 pm

    “Tell St. Peter at the Golden Gate that you hates to make him wait, but you just gotta have another cigarette.” Ah, lembranças… eu costumava cantar essa parte.

    Poxa, Alexei, não concordo que as reviravoltas são inexplicáveis. Mas sim, os mistérios se resolvem meio que sozinhos. E o final… bom, digamos que uma das coisas mais difíceis que existe é achar um game (ou qualquer mídia, na verdade) com um final realmente bom. Três grandes decepções que me vem à mente são GTA V, Beyond: Two Souls e The Last of Us.

    Curioso, nunca tinha prestado muita atenção na Main Theme, talvez por ela ser mais… hum… ambiente? Não sei definir direito! Em todo caso, deve ser bem difícil equilibrar os timbres da orquestra para tocar uma peça desse tipo. Ficou muito bom mesmo!

    • 2 Alexei Barros 05/12/2014 às 3:12 pm

      Hahaha! Essa música é impagável mesmo…

      Talvez “reviravoltas inexplicáveis” no plural tenha sido um exagero. Pensei mais na parte em que [SPOILER] o protagonista trai a esposa com a cantora. Essa atitude não condiz com a conduta do personagem e a forma com que o jogo expõe isso é meio mal explicado. Enfim, achei estranho. Um colega meu que me chamou a atenção para isso e concordei plenamente depois. [SPOILER]

      Argh! Ainda não terminei os três jogos que você citou para poder concordar ou discordar, mas imagino… O problema é que o final do L.A. Noire passou do limite mesmo…rs

      Engraçado que depende do caso também para mim. No caso do Dark Souls e demais jogos da série, eu não me incomodo muito com o desfecho, já que o que importa mesmo é o “durante”, ou seja, a experiência com toda a jornada.

      Pior que na geração retrasada eu me lembro de jogos com finais que eu pelo menos julgo excepcionais, como Metal Gear Solid 3 e Shadow of the Colossus.

      Sobre a música, acho que é bem por aí mesmo… Não é uma música tão melódica. Não me considero um grande apreciador de jazz tradicional, mas uma performance assim, com todas as dificuldades que a original impõe, é algo que me fascinou, apesar dos errinhos aqui e ali.

      • 3 Felipe 06/12/2014 às 3:27 pm

        Ah, sim, nessa parte concordo. Pensei que você estava colocando no pacote todas as reviravoltas da história, ou seja, as dos casos também. Estes achei bem construídos.

        Putz, foi mal criticar os jogos que você nem terminou! Mas veja bem que sou muito chato quando o assunto é enredo, então não se preocupe muito com minha crítica. Pelo menos não contei nada… :)

        E com certeza, Metal Gear Solid 3 e Shadow of the Colossus tem finais maravilhosos. Não é impossível encontrar bons finais, mas acho muito difícil. Creio ser possível numerar nos dedos das duas mãos os grandes enredos da sexta geração de consoles.

        De fato, como você disse, depende também do caso. Além do Demon’s/Dark Souls, nunca me importei muito, por exemplo, com as histórias da série GTA. Mas no GTA V, senti que o enredo era parte importante da experiência do jogo.

        Alexei, mudando bruscamente de assunto, o que você achou das trilhas do Beyond: Two Souls e do The Last of Us? Chegou a ouvir? Elas tem um estilo hollywoodiano, bem diferente das melodias marcantes dos games japoneses. Fiquei curioso pra saber o que você acha do resultado, pra experiência do jogador. Sei que esse tipo de trilha não é novidade nos games, mas seria interessante conhecer o ponto de vista de alguém que é apaixonado por game music e entende bem do assunto.

        • 4 Alexei Barros 07/12/2014 às 2:08 am

          Ah, legal que você concordou. Não, as demais reviravoltas são incríveis [SPOILER] Por exemplo, aquele lance de jogar com o Kelso em algumas missões achei sensacional. [SPOILER]. Para não ter mais dúvidas, deixei o texto agora no singular…=p

          Tranquilo, criticar as histórias, que isso… Você não falou nada especificamente. Fora que eu li muito material sobre esses jogos. O problema é que sou demorado mesmo… =/

          GTA V é outro que estou para conferir também. Interessante você ter achado que o enredo desse jogo era mais parte da experiência do que nos outros títulos da série. Confesso que até curtia as histórias dos demais jogos. Nada de outro mundo, mas achava bacana.

          Agora, engraçado isso que você falou sobre os finais ruins… Será que os produtores estão errando a mão mesmo ou nós que ficamos mais exigentes com a evolução dos jogos e aumento dos valores de produção?

          Sobre as trilhas do Beyond: Two Souls e do The Last of Us, vergonhosamente eu ainda não as ouvi na íntegra. Dei uma zapeada aqui e ali nas músicas, mas acabei me esquecendo.

          Pensei em finalmente escutar ambas e dar o feedback para você aqui, mas lembrei de uma coisa… Tenho encontrado várias performances interessantes que ainda não publiquei aqui e esbarrei em vídeos desses dois jogos. Quando publicar essas gravações eu procuro comentar melhor o que achei dessas trilhas. Valeu a indicação e o lembrete!


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