Considerações sobre o Video Games Live: Level 3


Por Alexei Barros

Desde novembro de 2011 não faço um post sobre o Video Games Live, afinal não valia a pena repetir as mesmas coisas que cansei de falar em outras oportunidades. O que me motivou a voltar a abordar o VGL foi um fato novo, que me causou suprema estranheza: a notícia de que Tommy Tallarico usaria o Kickstarter para financiar coletivamente o terceiro CD da turnê. Daí eu pergunto: Kickstarter do Video Games Live? Quê? Como pode quase ninguém achar isso estranho?

Como o próprio nome já sugere, o Kickstarter é uma ferramenta bastante útil para dar aquele “pontapé inicial” em um projeto que não conseguiria ser financiado pelos métodos convencionais que exigem grande investimento. Quando o Tim Schafer teve a ideia de usar o Kickstarter para bancar o seu adventure, o projeto foi um sucesso avassalador de arrecadação, atingindo 834% do valor necessário para produzir o jogo. Foi como se as portas se abrissem para qualquer jogo novo que não podia sair do papel por falta de apoio das grandes publishers.

A partir daí, o Kickstarter mostrou também a sua validade para quem já era experiente, mas prefere atuar de maneira independente e quer obter mais liberdade em suas decisões. Com isso, designers de jogos que estavam fora dos holofotes voltaram a dar as caras e séries meio que sepultadas, como Carmageddon, Shadowrun e Tex Murphy, puderam voltar graças ao Kickstarter. Mais incrível ainda, um console surgiu via Kickstarter, o Ouya. Onde eu quero chegar: por um acaso, uma Electronic Arts, uma Blizzard, uma Activision ou uma Nintendo usam o Kickstarter para financiar seus projetos? Óbvio que não. O Kickstarter não é voltado para projetos mainstream ou para alguém esteja já na praça, fazendo sucesso.

Considerando tudo isso, simplesmente não via o menor sentido no fato de o Video Games Live precisar do Kickstarter para financiar o seu terceiro álbum. O VGL não tem nada de independente (por mais ambígua que hoje seja a definição de projeto independente) e tampouco saiu da berlinda desde a primeira apresentação datada de 2005 (e não 2002, como o emblema ao lado sugere, citando o ano de criação da turnê). Ou seja, o VGL se apresenta há oito anos e, segundo o seu próprio site, enchia muitas casas de espetáculo pelo mundo (estranhamente, a informação “Sold lots!”/”Sold out!” de vendas de ingressos foi excluída de praticamente todas as apresentações na tabela de shows do site oficial). Além disso, para completar, já foram lançados dois álbuns do VGL, um em 2008 e outro em 2010, sem depender do Kickstarter ou coisa do tipo. É como se a Nintendo lançasse o Metroid Prime, fizesse o Metroid Prime 2: Echoes graças ao sucesso do original e, do nada, decidisse usar o Kickstarter para bancar o Metroid Prime 3: Corruption.

Ressabiado, muito mais do que o normal, assisto ao vídeo de apresentação do projeto já vacinado com todos os exageros que permeiam o show. Logo no começo do vídeo, Tallarico justifica esse estranhamento natural, falando que a indústria musical está em baixa e as empresas não acreditam que as pessoas  ainda estejam dispostas a pagar por músicas de jogos se elas podem ouvi-las no YouTube ou baixá-las de graça na internet. De acordo com ele, o Video Games Live: Level Two, que corresponde ao segundo CD e primeiro DVD e Blu-ray, só atingiu 75% do valor investido (especialmente porque a gravação em vídeo deve ter sido uma nota). Além disso, ele não queria limitar a qualidade do projeto por causa de um orçamento pequeno. Digamos que essa explicação me convenceu, já que as coisas andam meio difíceis no mercado ocidental de game music – quem sou eu para questionar a viabilidade comercial de um CD desses.

Mas daí chegamos na segunda metade e parte mais crítica deste post, parte sobre a qual me revoltou muito mais do que questionamento do uso do Kickstarter. O projeto do Video Games Live: Level 3 começou no dia 14 de agosto com diversas faixas de preço para os financiadores e as recompensas das mais variadas possíveis. Tudo explicado nos mínimos detalhes: os custos de cada parte inerente à produção do álbum, que, felizmente, será uma gravação em estúdio, sem os gritos fora de hora do Level 2 que não se justificam em um CD; orquestra de 60 a 72 pessoas e coral de 60 ou mais vozes; e um total de 15 a 18 faixas que seriam escolhidas dentre uma vasta seleção de franquias listadas.

Entretanto, os detalhes talvez seja excessivos, com quilômetros de texto, o que pode ter afastado as pessoas mais ocupadas ou impacientes, mesmo com um vídeo procurando esclarecer melhor as coisas. Não sei se foi porque ninguém liga para isso ou ninguém leu (aliás, ninguém lê nada mesmo), mas o que eu quero chamar atenção é para a seguinte frase publicada no primeiro post do projeto: “Cada segmento musical do Video Games Live é pessoalmente arranjado e orquestrado pelos compositores originais e também usa contribuições dos próprios designers de jogo, produtores, desenvolvedores e publishers.”

De cara, antes mesmo das atualizações do conteúdo do álbum, dava para dizer que isso é inviável, simplesmente porque nem todos os compositores de game music sabem arranjar e orquestrar. Aliás, muito poucos. Para citar alguns nomes: é extremamente raro ver o Nobuo Uematsu fazer arranjos para orquestra; isso só aconteceu, até onde eu sei, no Orchestral Game Concert 2.  Da mesma forma, não me recordo de o Koji Kondo orquestrar músicas, e é por isso que quem cuida dessa área nos jogos recentes do Mario e Zelda é o Mahito Yokota. Sendo mais rigoroso, é um absurdo o Tetris estar na lista de jogos representados do CD e falar que o compositor original do título vai arranjar pessoalmente o segmento, porque a “Type A” é uma música folclórica russa. “Larga a mão de ser chato”, você pensa. Mas o texto diz “cada segmento” e não “a maioria dos segmentos”. Ah, se Tetris fosse o único problema…

Na sexta atualização, foi postado um mock-up do arranjo do Street Fighter II, que já é conhecido da turnê e inclusive estreou no Brasil em 2010, em meio aos berros da torcida para o Blanka vencer as lutas. Quem compôs as músicas do Street Fighter II foi a Yoko Shimomura. Que participação ela teve nesse arranjo? De novo: “cada segmento musical do Video Games Live é pessoalmente arranjado e orquestrado pelos compositores originais…”

Outra atualização duvidosa foi a décima: “Estou orgulhoso em anunciar que o Shadow of the Colossus e o Beyond Good & Evil vão ser parte do Video Games Live Level: 3. Ambos os arranjos são completamente exclusivos do Video Games Live e esta vai ser a primeira e única gravação profissional dessas versões! Nós trabalhamos exclusivamente com ambos compositores para criar arranjos únicos que capturam a essência de cada projeto.” Aqui não é nem o caso de questionar a participação dos compositores originais – até porque, o Tommy Tallarico se encontrou pessoalmente com o Kow Otani em 2009 no Japão –, mas o completo exagero sobre o arranjo do Shadow of the Colossus, que também não é inédito e estreou justamente nessa apresentação em Tóquio em 2009. Eu não chamaria uma colagem simples de duas faixas, com uma terrível transição entre elas e com a mesma instrumentação das originais, de “arranjo único”. Questão de opinião.

Mas nada se compara com a 13ª atualização, que vai de encontro àquela frase já repetida. “Esta é a primeira vez que este arranjo vai ser ouvido por qualquer pessoa no mundo…incluindo a Nintendo. Minha esperança e sonho é que esse projeto seja financiado para que possamos mostrar esse arranjo à Nintendo para uma possível inclusão na nossa turnê e no álbum. Eles ainda não me deram a permissão até este momento (já que eles ainda precisam ouvir!) e absolutamente não há garantia que o arranjo vai entrar no projeto final.” Se é que preciso questionar: como que o Koji Kondo arranjou pessoalmente se a Nintendo não ouviu? “Você leva tudo a ferro e fogo”, você questiona novamente. Mais uma vez: “Cada segmento musical do Video Games Live é pessoalmente arranjado e orquestrado pelos compositores originais e também usa contribuições dos próprios designers de jogo, produtores, desenvolvedores e publishers.” Essa não é uma frase dita por alguém que se empolgou, mas se confundiu. É uma afirmação que deveria ser proferida com plena garantia de realização.

Não obstante, justiça seja feita: o arranjo do Super Mario World é o primeiro em muitos anos que remete aos primórdios do VGL (2005~2007, mais ou menos). Nessa época, parecia haver um padrão de qualidade muito maior das partituras, com arranjos mais elaborados, haja vista o arranjo do Sonic do Richard Jacques, tocado desde a estreia em 2005. Como cansei de dizer, muitos segmentos recentes pecam pelas transições grosseiras ou então reciclam arranjos já existentes, como Metroid e Chrono Trigger e Cross. Salvo alguma transição um pouquinho mais abrupta ou outra, devo reconhecer que esse medley do Super Mario World é competente, seja lá quem tenha feito – a única certeza é que não foi feito pelo Koji Kondo.

Se você sobreviveu por aqui, meus parabéns, porque acabaram as ponderações mais contundentes – isso que nem entrei no mérito de o Tallarico exaustivamente citar todos os seus feitos e pioneirismos na indústria de games nos posts do Kickstarter. Só me chamou a atenção, mesmo com os milhares de fãs, a fama do VGL e a capacidade de aliciar pessoas do Tallarico, a imensa dificuldade de conseguir arrecadar os US$ 250 mil necessários para o projeto, que, segundo ele, ainda não bancam todas as despesas. O valor só foi alcançado a menos de 48 horas do prazo final, que é hoje, dia 13 de setembro. Enquanto isso, guardadas as devidas proporções e diferenças de propostas, o Kickstarter do Mighty No. 9, novo projeto do Keiji Inafune, alcançou a meta de US$ 900 mil em apenas dois dias e provavelmente vai quebrar o recorde de arrecadação do adventure do Tim Schafer de mais de US$ 3 milhões. Na semana passada, confesso ter achado que a meta não seria alcançada, o que seria um vexame de proporções cavalares. Fiquei com a impressão que, no início, o projeto foi tocado sem muita preocupação, na confiança de que seria pago em pouco tempo e, na base do desespero, mais para o término do prazo, várias atualizações foram feitas na correria.

Por fim, lamento que tantas pessoas vejam esse terceiro álbum como algo inovador e promissor; não tenho o mesmo otimismo, considerando que os dois primeiros CDs não foram grande coisa, apenas álbuns que você escuta e não fica com vontade de ouvir de novo, o que é diferente de outros discos com músicas orquestradas muito mais competentes e caprichados por aí.

19 Responses to “Considerações sobre o Video Games Live: Level 3”


  1. 1 Fulano 13/09/2013 às 12:47 pm

    Ótima postagem, Alexei, como sempre.
    Tommy Tallarico é um showman. Teve lá seus grandes feitos e é um cara que bota pra fazer e faz. Mas esse lance do VGL já está sendo sobrevalorizado a muito tempo.
    Quando vi o cara (Tommy) dublar com caras e bocas o som de uma guitarra pré-gravada desanimei um tanto. Usar samples é uma coisa comum e muito válida quando acrescenta algo que não seria possível executar, mas fazer caras, bocas, poses como se estivesse executando algo que não está é bem brochante.
    Quanto aos arranjos, você não está sendo exagerado, Alexei, realmente não convence em sua grande maioria. Orquestrar temas de jogos até a geração 16-bits acaba sendo mais fácil, porque qualquer tema tocado por um instrumento “real” já representa uma “novidade” em comparação com o original. Mas fazer apenas a adaptação de um formato (chiptunado) para outro (orquestrado) não me parece digno de tanto orgulho se outros elementos não forem colocados de forma a atrair a atenção do ouvinte atencioso. Até o próprio OCRemix já percebeu isso há algum tempo e mudou um pouco a sua “política” de análise de arranjos, dando maior atenção àqueles que contribuem com mais elementos somados aos temas originais. Inclusive o OCR também estava ajudando na corrida desesperada por atingir a meta do VGL no Kickstarter. Não ficou tão claro o motivo mas parece óbvio que é por interesses marketeiros, tendo também o Tallarico gravado um arranjo (que o OCR pagou um pau danado sei lá por qual motivo!!!) junto com Dweezil Zappa para o site (http://www.youtube.com/watch?v=LN1tb2qPkF4). Ficou bacana a gravação mas pelos comentários no próprio OCR eu esperava algo mais.

    Lembro do BGS de 2011 no Rio, onde fizeram o Game Music Brasil, e bem de última hora o Lucas Lima compôs alguns arranjos pra fazer a abertura do evento e que ficaram tão bons quando alguns tocados pelo VGL (guardadas as devidas proporções, claro, já que Lucas tinha à disposição uma pequena orquestra de câmara).

    Por fim, os shows deles no Brasil vêm sendo subsidiados pela lei de incentivo fiscal não sei desde que ano nem até que ano. 2009, por exemplo: http://www.cultura.rj.gov.br/leidoincentivo/docsli/edital016.pdf. Com valores em torno de R$ 550.000,00 e a diferença para Kickstarter é que não temos direito a algo mesmo o show sendo pago, de certa forma, por nós, já que a empresa que apóia fica isenta de impostos nos valores aprovados. O fato é que ainda é cobrado um preço não tão popular para a entrada no evento.
    E sem prolongar, é mais ou menos isso. Uma sobrevalorização que ainda estou pra entender já há muito tempo…

  2. 2 Radical Dreamer 14/09/2013 às 10:11 am

    Excelente post Alexei. Não vou me estender em considerações sobre os excessos de valorização própria e sobre a falta de qualidade geral do VGL porque isso já são questões batidas e novamente muito bem expostas no artigo. Fica a indignação especial para as alegações falsas e contraditórias a respeito dos arranjos e dos compositores. Nem vou questionar a questão do Kickstarter, porque também não entendo como está a situação financeira interna desse mercado e dos produtores, mas espero mesmo que as pessoas ao investirem num projeto como esse tenham a noção de pesquisar sobre o que investem. Sem dúvida se promete algo muito melhor do que o produto que será entregue.

  3. 3 Alexei Barros 14/09/2013 às 4:26 pm

    @ Fulano

    Essa questão do playback já deu o que falar mesmo. Ainda mantenho a opinião: acho que nada da performance deveria usar elementos pré-gravados, nem mesmo a percussão eletrônica no caso do Metal Gear Solid. O fato de você saber que parte do show não está acontecendo ao vivo, cria em você uma desconfiança para tentar descobrir o que é pré-gravado e não é. Acho que ao usar playback o show perde totalmente a credibilidade. Em espetáculos com orquestra é tão incomum que todos os outros concertos de games não usam (até onde eu sei). Sobre a guitarra especificamente, você não é o primeiro a falar isso e também já pude desconfiar de algo assim em um vídeo recente.

    Perfeito o que você falou sobre a facilidade em orquestrar temas sintetizados. Pior ainda, em muitos casos a guitarra é usada como muleta para a orquestração simplória, como, para mim, é o o arranjo do Mega Man.

    Confesso não ser um grande entusiasta do OCRemix por questão de gosto, mas também não tenho ouvido trabalhos mais recentes da comunidade com devida a atenção. Até onde eu sei, o OCRemix está apenas retribuindo o apoio que o Tallarico dá para o site. Ele curte para caramba essas comunidades e também bandas de fãs. Além disso, aquela cantora Jillian Aversa que agora faz parte da equipe do VGL surgiu do OCRemix.

    Muito interessante o link falando sobre a lei de incentivo, estava totalmente por fora disso.

    Apesar de tudo, acho que há indícios de que a popularidade do VGL está em uma descendente em escala mundial. Muitas pessoas já devem ter se enchido de ouvir as mesmas coisas e as mesmas falas de sempre. A quantidade de shows é menor que outros tempos, o site oficial não informa a venda de ingressos na tabela de shows e na página principal atualmente também só há links para as versões brasileira, taiwanesa e alemã do site, o que é bizarro, porque só teve VGL na Alemanha em 2008. Olha como era em 2010. Nem existem mais as versões japonesa, chinesa, francesa e por aí vai do site. As apresentações na Europa são meio raras também.

    E, mais do que tudo, apesar da meta ter ultrapassado 25 mil dólares, essa demora em atingir o valor é o maior indício de que as pessoas não ligam mais tanto para o VGL. Em 2009, se existisse Kickstarter, acho que eles alcançavam esse valor em uma semana.

    @ Radical Dreamer

    Valeu, RD! Acho uma pena que poucas se interessem em saber quem são os arranjadores, já que um dos principais fatores para se ter um grande espetáculo é justamente a forma com que as músicas foram adaptadas para orquestra. E pensar que no início ele tinha o Richard Jacques e outros como arranjadores…

    Sobre a promessa de qualidade, eu me lembro que numa dessas eternas e antigas discussões com o Chris do SEMO no Gaming Force, ele reclamava que o Tallarico exagerava demais na empolgação dos releases. Daí o Tallarico justificou dizendo que releases são cheios de marketing e hype. Isso é uma coisa. Outra é falar que os compositores e arranjadores vão pessoalmente arranjar etc., etc., etc.

    Vamos lembrar que não é a primeira vez que isso acontece. Como se esquecer do post que dizia que o Yasunori Mitsuda fez o arranjo do Chrono para o show no Japão e a atualização que trocava o nome dele pela Natsumi Kameoka?

  4. 4 Fulano 14/09/2013 às 10:10 pm

    Alexei,
    o playback ou os samples é uma questão à parte mesmo. Levando mais ao pé da letra, o playback é (por mim também) abominável. Encenar como se estivesse fazendo é uma piada (bem das sem graças). O sample é mais complicado falar, já que podemos considerar que apertando a tecla de um teclado podemos ter o som de um tambor e isso já é sample. Já entraria num lance de a tecnologia possibilitar o uso de sons que limitações técnicas, humanas, financeiras, enfim, impossibilitariam. No caso em questão a coisa complica mais porque a pessoa está lá, a guitarra está lá, as caras e bocas estão, porém é muito fake pra passar batido. Alguém que toca poderia perceber por vários vídeos, mas no caso falo porque estive presente na passagem de som de um dos espetáculos quando vi a forma que fazem. Depois que fui reparar nos vídeos. Então, no caso nem estou supondo. É fato mesmo.

    E o lance da guitarra nos arranjos é outro ponto interessante que você colocou. Engraçado como trocar alguns timbres por guitarra parece ser a “solução de todos os problemas”. Pra qualquer um que ouça a trilha do Mega Man e se propõe a fazer um arranjo, a primeira coisa que vem em mente é “Poxa! Isso é puro heavy metal!”. O desafio, acredito, é transpor essa barreira do óbvio e transformar de fato o arranjo ainda que mantendo o “texto” original. Na maioria das vezes dá pra sacar que a intenção do compositor era colocar uma guitarra executando um tema que limitações de hardware não permitiram. Assim como vários temas em Super Mario, por exemplo, inspirados no Ragtime e que eu poderia supor facilmente que foram pensados para piano ou para a orquestração do estilo.

    Sobre o OCR, dessa forma que você falou consigo entender melhor o fato de eles endorsarem a causa.

    Sobre a lei de incentivo fiscal, acho válido usarem os recursos oferecidos por ela porque não deixa de ser um espetáculo de estrutura bacana. Não sei também os detalhes da prestação de contas do projeto mas, no VGL que fui, não foi barato, estava lotado e a equipe do Tallarico que viaja para as turnês é relativamente pequena, visto que as orquestras que tocam são locais. Poderia pelo menos então ser mais acessível. Falo por mim que teria pouca grana sobrando pra aproveitar… Sobre existir o site brasileiro, pode ser algo integrado a esse lance do projeto pra lei, pois deve servir de material para a aprovação de um novo projeto a cada ano.

    Acho que o Brasil não seria um bom país pra se usar como termômetro pra esse fato do Kickstarter. Aqui é capaz de não ter público o bastante pra sustentar o espetáculo por tantos anos (entra novamente o projeto que arrecada fundos pra esse fim), mas até na gringa eles custarem a conseguir é que é foda. Dos motivos você já falou super bem na postagem.

    • 5 Alexei Barros 15/09/2013 às 4:00 am

      Opa! Daí o negócio da guitarra ser fake é sério mesmo. Valeu pelo depoimento!

      Isso que você falou dos samples, tem toda a razão. Pelo menos se um cara tocasse o teclado para simular instrumentos diferentes seria algo ao vivo, muito mais digno do que abusar do playback.

      Quando o VGL se propunha a fazer, digamos, algo mais “sério” (no sentido de respeitável) lá no começo do projeto, a guitarra era só uma cereja do bolo para a orquestra, aparecendo em um ou dois segmentos e só lá no final da apresentação. Hoje parece que a guitarra é a estrela principal, e a orquestra um mero pano de fundo.

      Depois que te falei sobre o OCR, me ocorreu algo também. O Tallarico apoia com muito fervor essas comunidades porque sabe que assim ele cria uma empatia muito maior com os fãs de game music, já que outros de produtores dos concertos não costumam fazer isso. E ai de você querer fazer alguma contestação em um lugar desses. Cito como exemplo o Chris Greening, o editor do site Square Enix Music Online. Hoje o Chris está de bem com o Tallarico, mas no passado eles travavam altas discussões em qualquer lugar da internet, especialmente no Gamingforce Interactive Forums. Eu achava as críticas que o Chris fazia extremamente válidas e coerentes (entre elas, o playback), mas 90% das vezes ele era achincalhado pelos outros usuários, que defendiam o Tallarico com unhas e dentes.

      Muito bem observado sobre a lei de incentivo fiscal. Até por isso devem ter dado uma turbinada no site brasileiro. Antigamente só tinha uma galeria de fotos.

      Também concordo sobre esse lance que você falou sobre o Brasil não valer como termômetro. Notei também uma coisa curiosa na conturbada comunidade do VGL Brasil no Facebook. Os posts falando sobre o Kickstarter tiveram pouquíssimos comentários, e alguns desses as pessoas não comentavam nem o projeto e só queriam saber quais cidades no Brasil vão receber o show neste ano.

  5. 6 Fulano 15/09/2013 às 2:40 pm

    É, Alexei, é fake e feio. hahahah Lembro de um vídeo em que alguém (brasileiro) comentou dizendo ter percebido que o que ele estava fazendo não era o que se ouvia. Daí logo abaixo um Tallariquete (brasileiro também) veio com mil pedras nas mãos defender o “super profissional” que T.T. é, que nunca faria isso, e que sei lá o que e sei lá o que… Foda…

    Esse lance da orquestra como pano de fundo tá ficando meio evidente mesmo, você tem toda razão. Sempre tive uma impressão de que o Tommy chamava a atenção para ele mais que para qualquer coisa. Não posso negar que ele bota a galera geral pra cima com aquele jeito “campeão” de ser, mas isso acaba cansando. No início eu era muito mais fã da postura do Jack Wall. O cara tem um ar de humildade, firmeza, competência e sem fazer esforço (se ele realmente tem essas características são outros 500), mas de qualquer forma achava importante a postura do Tommy como “animador” da coisa. Depois do que vi um pouco mais de perto, o cara é marketeiro pra cara…mba. E isso que me deixou com um pé atrás vendo todo aquele auê do OCR sobre o Kickstarter do VGL. A coisa gira muito em torno de $$, Alexei. E querendo ou não, quando apenas o $$ passa a justificar a existência de um projeto, a falta de uma verdade, uma coisa meio de paixão, no que se faz fica mais evidente a todos.

    Agora se ele assumisse prioritariamente o caráter circense para o espetáculo, talvez fosse melhor. Algo meio Cirque du Soleil dos games – lembrando que os músicos desse circo são fodas e, pelo menos quando li por curiosidade em formulários de inscrição para o cargo, não aceitam playbacks. Mas botar um lance teatral, vídeos interativos, etc, e contar com a orquestra como um elemento pra somar a isso tudo poderia ser até a salvação (que ele diz precisar) para o espetáculo.

    E caramba! Não sabia que o lance do playback era tão recorrente. Já vi o Tommy trocando farpas com outras pessoas (até usuários mais “simples”) em outros fóruns e as questões geralmente tinham relação com as críticas bem fundamentadas atingirem o ego do cara. Já sabia que ele não se dava com muita gente por aí, mas que o lance do playback já é falado a tanto tempo, não. E também já tinha reparado que os Tallarico Maníacos são meio retardados mesmo. Eu respeito bastante (muito mais do que parece ahahahahah) o que o Tommy fez enquanto profissional dos games, mas idolatria é retardada em qualquer situação, de Hendrix a Chimbinha.

    Eu saí fora do facebook faz uns meses então não acompanhei mas o que recebi foi um e-mail pedindo pra votar em uma enquete no site sobre as cidades pra acontecerem o espetáculo, citando várias algumas e pedindo pra escolher em qual eu iria. Só ver isso já me deu uma preguiça existencial profunda. Já eles turbinarem o site brasileiro pode ser bem isso mesmo. Pro projeto ser aprovado ele tem que ter um portfolio bem convincente pra justificar a aprovação.

    • 7 Alexei Barros 16/09/2013 às 2:48 am

      “Tallariquete”… Hahahahaha XD

      Concordo o que você falou com o Jack Wall, e acho que, no começo, quando ainda tinha os dois, o próprio Tommy era um showman mais comedido, sem os exageros que ele comete hoje em dia, como dar uma bicuda na cadeira, percorrer o palco ou fazer polichinelo segurando a guitarra…rs

      Sobre o playback, sim, sim… inclusive o próprio Tallarico veio reclamar disso aqui mesmo no Hadouken – veja este post. Confesso ter me arrependido de escrever pelo tom meio agressivo. De qualquer forma, eu acatei os argumentos dele e atualizei o post, embora, confesse para você agora que não me convenceram totalmente. Só não queria ficar comprando briga, nem vale a pena atrair os tais Tallariquetes para ficar me xingando…rs

      Bom, fora isso, aconteceu algo de muito estranho no show do VGL em Porto Alegre em 2011. Contrariando o que o Tallarico comentou no Hadouken de que ele só usa playback para os instrumentos que não estão no palco (aliás, seu depoimento sobre a guitarra também já desmente isso), mais de um site/blog afirmou que a orquestra era playback: veja aqui, aqui, aqui e aqui. Em relação ao último link, eu duvido que essa pessoa tenha sido influenciada por alguma coisa que porventura tenha escrito no blog, ela nem deve conhecer. Por ser instrumentista, ela tem muito mais gabarito para falar do que eu.

      É o que já disse diversas vezes: seja verdade ou não que a orquestra é playback, não haveria essas polêmicas e intrigas se o show não usasse playback de espécie alguma e fizesse tudo ao vivo, como o próprio nome do espetáculo sugere.

  6. 8 Fulano 01/10/2013 às 1:54 pm

    É… Também no intuito de não prejudicar outras pessoas que não tem nada a ver com isso ou ficar atraindo Tallariquete chato que botei o nome de Fulano aqui. hahahaha

    Achei no mínimo engraçado o Tallarico vir reclamar. Eu sei que ele é bem ativo em fóruns e até mesmo as coisas que falo aqui sobre o VGL são provenientes dessa facilidade de acesso a ele. Mas é chato quando o cara sustenta o erro e não assume algo. Bem chato. Perde muito a credibilidade. E eu digo muito mesmo!

    Eu ainda não tinha visto tanta notícia e também não sabia que os playbacks se aplicavam até à orquestra.É realmente incrível ver tantos depoimentos. No evento em que estive presente, o Mart Leung tocou como no vídeo “clássico” vendado. Não era playback, tanto que ele errou em um momento tocando o tema uma tecla à frente do que deveria (nem digo trocando o tom porque não chegou a respeitar as alturas de uma modulação). Foi um erro bem notável e que ele correu pra corrigir. E corrigiu! E digo mais. Isso é um elemento da execução “LIVE”. Todos estamos sujeitos a esses erros e isso que faz a parte humana da coisa ser tão bacana. Posso dizer com toda certeza que esse erro dele não prejudicou em nada o espetáculo e, para mim, foi bacana ver como ele conseguiu voltar rapidamente ainda com as vendas.

    A galerinha dizendo que a orquestra não se sujeitaria a isso. Nunca fingi estar tocando mas imagino ser constrangedor.

  7. 9 Alexei Barros 01/10/2013 às 3:22 pm

    Muito adequada a lembrança do Leung, perfeito o exemplo. Como você falou, é muito mais gratificante ver uma performance ao vivo, mesmo que não perfeita, do que algo artificial.

  8. 10 Thiago Adamo 08/10/2013 às 4:11 pm

    Alexei, ano passado os shows em São Paulo e no Rio de Janeiro aconteceram sem patrocinio(logo sem incentivo fiscal algum), é um fato que pode ser comprovado tranquilamente.

    Sobre o assunto do Kickstarter eu não vou comentar, apenas complementar com a humilde opinião de que sou um cara que estudou música em conservatório e que veio da música eletrônica, eu considero genial um liveset(que possuí sim samples e deve sim ser chamada live, pois o artista CRIA ao vivo) do Eric Prydz/Kraftwerk/Amon Tobin tanto quanto uma orquestra, porém respeito a opinião de vocês.

    Acho estranho o tradicionalismo que existe hoje em dia, dado que a música de games sempre foi ridicularizada/hostilizada nos meios mais tradicionais (nada diferente da música eletrônica), por ser simples ou mesmo “programada”, ainda mais quando falamos de um mercado onde a grande maioria das trilhas possui samples (quem fala isso não sou eu, basta perguntar a Austin Wintory, Jack Wall, Jason Graves e Akira Yamaoka).

    Finalizando posso te falar como alguém participou dos eventos(de forma 100% voluntária) que cifras altas não fazem parte do mesmo e sim esforço voluntário de muitos, diria inclusive que da grande maioria, eu tenho várias criticas ao evento, mas eu resolvi focar em ajudar no momento fui solicitado, pois creio que a nossa cena é tão carente de eventos bons, desunida e cheia de rivalidades (a gande maioria ridiculas), que eu não poderia negar minha ajuda para o evento e não negarei se for chamado novamente.

    Por favor não entenda meu comentário como uma critica ao seu post e sim um ponto de vista diferente, pois creio que este é o objetivo da discussão.

    • 11 Alexei Barros 09/10/2013 às 3:00 pm

      Valeu pelas informações, Thiago. E, claro, pontos de vista diferentes são sempre bem-vindos.

      A respeito dos samples, acredito que estamos falando de coisas distintas. Não entendi muito bem a relação entre os livesets e o VGL. No VGL, até onde eu sei, a parte da performance reproduzida pelo playback não tem nenhuma criação ao vivo como no caso dos artistas que você citou.

      Não saquei também em que esse tradicionalismo pode ser aplicado e a relação dos samples com isso. Se você estiver se referindo a concertos mais eruditos, honestamente não vejo nenhum nenhuma ridicularização nesse sentido. Muito pelo contrário. O que já ouvi é que as orquestras adoram tocar músicas de games porque assim eles conseguem atrair público jovem, que tanto faz falta em apresentações eruditas.

      Eu admiro a sua predisposição para ajudar na organização, mas vejo muitos problemas nesse voluntariado. Se um concerto comercial como o VGL depende “de esforço voluntário de muitos” para ser organizado, se a conta não fecha, tem algo nesse processo que definitivamente não está funcionando. Será que em todos os países que o VGL visita são assim?

      Tudo isso considerando que os preços dos ingressos não são baratos, a casa de espetáculos que vem sendo usada em SP para mim está longe de ser a ideal e a orquestra e coral contratados também estão muito aquém do tamanho e da envergadura de outras orquestras e corais que o próprio VGL usa em outras apresentações pelo mundo. Como alguém disse no Facebook, se o VGL lota todos os anos e ainda assim dá prejuízo no Brasil, eu não sei mais o que pode ser feito para melhorar essa situação.

  9. 12 Thiago Adamo 14/10/2013 às 11:14 am

    Então apesar de não ser uma casa de shows gigante, ou a melhor, é uma das poucas que temos em São Paulo (só temos o Credicard Hall, com a agenda comprometida, e o Via Marquês com estrutura similar, já que o Via Funchal fechou as portas), e definitivamente não é barata, sobre o preço do ingresso basta comparar com qualquer show internacional que ocorre inclusive na mesma casa, os preços praticados pela VGL são mais baratos, essas são informações abertas.

    Lotar um show não é garantia de que ele vai se pagar (não nos moldes das casas e do Brasil) no final das contas, casas são caras (e cada vez mais raras), temos diversas taxas carissimas do ECAD e da OMB(que são obrigatórias), todo o processo para realizar um show Internacional não é barato (e não é choradeira, é apenas constatação), por isso não é raro ver um show internacional acontecer sempre com algum patrocinio, pois este patrocinio que ajuda a conta a fechar, parece estranho, mas é a verdade sobre shows no Brasil, sinceramente essa história de achar que basta marcar o show para ele acontecer é no mínimo simplista demais, conheço diversos eventos e bandas possuem mais público que a VGL e o show não acontece justamente por que o tamanho do evento não paga a realização do show sem patrocinio. Sobre ser voluntário foi uma escolha, esse ano, por exemplo me ofereceram não ser voluntário, e em outras cidades também temos muitos voluntários.

    Sobre o preconceito e tradicionalismo que levantei ele é voltado exatamente a uma parte dos compositores atuais que esquece que a música de games na sua essência era nada mais nada menos do música programada num chip(e que os mesmos músicos tradicionais criticavam e chamavam de música pobre), e isso é no frigir dos ovos a mesma coisa que reclamar de um sample numa trilha, eu vejo que alguns músicos mais tradicionais e parte da imprensa especializada tem esse asco, o que em 2013 é bem preocupante, por que o produtor que trabalha no resultado de uma partitura do compositor esta usando muitos samples adicionados ao trabalho bruto captado dos instrumentos, qualquer produção AAA tem isso e ter samples não é nem de longe desabonam uma produção.

    Sobre o uso de samples ao vivo na VGL, eu vejo a VGL talvez de forma diferente da sua, a VGL é um show para celebração audiovisual, um show de arena e não de teatro (minha opinião), não é um show 100% de orquestra, a orquestra não é o fator principal e sim o show em si, talvez isso tenha se acentuado com a saída do Jack Wall, mas eu tenho visto como o foco da VGL desde o começo, e naturalmente é um foco diferente da VGO, Press Start ou da Distant Worlds, é melhor ou pior? É diferente e atrai sobretudo um público diferente, talvez um público mais leigo musicalmente que as outras três, mas ambas tem seu papel e importância, o ideal seria termos estes shows no Brasil, mas sinceramente acho pouco viável por que se reclamam de um ingresso de 40 Reais como vão pagar 100 Reais (que é o preço minimo médio tirando dias promocionais) numa sala São Paulo? Você pode me dar exemplo de algumas tentativas, mas sinceramente até onde eu tenho informação são tentativas onde arranjos são utilizados sem autorização, onde não se recolhe taxas e eu acho que não é isso que queremos para um evento do tipo no Brasil.

    • 13 Alexei Barros 15/10/2013 às 4:48 am

      Realmente não estava sabendo do fim do Via Funchal, que coisa. Lamento que isso tenha acontecido, porque achava o lugar muito mais apropriado que o HSBC Brasil para o VGL: era mais perto do centro, era mais confortável e tinha acústica melhor. Agora não tem mais jeito mesmo…

      Valeu pelos esclarecimentos a respeito das taxas e custos. Assim que li “ECAD” já me deu uma coceira aqui… Mesmo que a lotação da casa de espetáculos não pague todas as despesas por causa desses malditos impostos, é incrível como patrocinadores não se sintam atraídos por um público cativo e numeroso.

      Essas dificuldades de organização me fazem pensar que o formato de turnê para concertos de game music não é lá muito proveitoso para todos os envolvidos. Acho que alguém sempre vai sair um pouco prejudicado.

      A respeito dos samples, só para não ter dúvida, o meu senão é só para performances ao vivo mesmo. No processo de composição para trilhas originais, não tem problema algum nisso e realmente é muito comum usar samples, seja para qual jogo for AAA, indie, japonês, americano, europeu etc.

      E concordo com a sua comparação com outras apresentações. Inclusive eu comentei algo nessa linha muitas vezes e até havia desistido de falar sempre as mesmas coisas do VGL. Na verdade, esse assunto só veio à tona mais aqui nos comentários, já que fiz o post para falar sobre o Kickstarter.

      A única ressalva que faço é que algumas vezes o VGL é propagandeado como se a orquestra fosse a protagonista do espetáculo. Na grande mídia, geralmente o que as reportagens mais destacam é o fato de haver uma orquestra tocando músicas de videogame. Para uma pessoa leiga, talvez isso é o que mais chame a atenção. Nas declarações do VGL: Level 2, o Jack Wall e o Tallarico realçaram o fato de que pais de crianças agradeceram ao VGL por permitir que eles vissem uma orquestra tocando pela primeira vez. E, no próprio site do VGL, este trecho aqui dá uma exagerada na importância da orquestra no espetáculo a meu ver: “Video Games Live™ bridges a gap for entertainment by exposing new generations of music lovers and fans to the symphonic orchestral experience while also providing a completely new and unique experience for families and/or non-gamers”.

      De todo modo, acho que isso não parece fazer diferença para a maioria da plateia, já que são poucas pessoas que saem insatisfeitas. E a maior parte das críticas geralmente é por causa do set list, o que é normal, afinal todo mundo tem suas preferências.

      Concordo que a saída do Jack Wall tenha sido um divisor de águas e, com isso, todos os holofotes passaram para o Tallarico. Até o próprio logo do VGL mostra isso, já que a silhueta agora é do Tallarico e não mais do maestro.

      Se é que preciso dizer, eu gostava muito mais do formato antigo. Outro dia estava revendo vídeos da apresentação do VGL em 2006 em SP e até parecia outro espetáculo, com a plateia muito mais silenciosa.

      Eu tinha ouvido falar que algumas dessas apresentações tinham pago os impostos, mas não tenho nenhuma confirmação disso. Agora entendo por que eles conseguem esses preços de ingressos… E muita gente acha que é só pegar as músicas e sair tocando…

      De qualquer forma, agradeço mais uma vez todos os esclarecimentos. Acho bastante válido deixar claro todas essas dificuldades para o público como muito fez também um post no Facebook tratando desses temas, porque muitos complicadores para a realização do VGL no Brasil não são de conhecimento geral.

  10. 14 Thiaog Adamo 16/10/2013 às 12:40 am

    Sobre seu sentimento em relação a viabilidade das tours de game music, eu compartilho contigo, basta ver que apesar de uma tentativa singela não foi possivel ter a Distant Worlds no Brasil, mesmo eles passando bem perto (em Junho na Argentina).

    Sobre o ECAD eu nem vou comentar, pois tanto ele quanto OMB/ancine náo resguardam nenhum aspecto dos prometidos e ainda comem uma fatia do bolo que sinceramente(minha opinião) nunca vai chegar ao compositor,

    Uma coisa que nós aqui temos que começar a tentar, até uma sugestão de pauta futura, e eu me incluo nesse bolo é tentar de certa forma fazer o trabalho de remix da forma legal aqui no Brasil, eu venho tentando (com muita dificuldade diga-se de passagem) realizar o licenciamento de remixes junto a labels de fora (como Joypad e Gamechops) ainda tenho esperança em conseguir até por que você bem sabe (caso da Square esta ai para ilustrar) as empresas não toleram ou mesmo valorizam trabalhos de remixes sem consentimento e licenciamento (mesmo que sem valor monetário),o problema é que num cenário onde as vendas não existem como o nosso, esse trabalho se torna ingrato e até certo ponto caro, mas eu acho importante tentarmos(de forma geral) fazer as coisas minimamente dentro da legalidade.

    • 15 Alexei Barros 16/10/2013 às 2:05 am

      Eu fiquei pasmo quando soube da realização desse Distant Worlds na Argentina. Até onde eu sei, nossos hermanos estão numa situação financeira muito pior que o Brasil e mesmo assim eles conseguiram levar a turnê para a Argentina antes do que todo mundo na América Latina. Isso que em setembro, um pouco antes do Brasil, o VGL também passou por lá neste ano como você deve saber.

      Putz… É realmente difícil de acreditar que eles do ECAD repassem o valor para compositores e/ou empresas de fora. =/

      Ah, já ouvi falar do Joypad no VGMdb e de fato muitos arranjadores conseguiram licenciar oficialmente álbuns que até outros tempos atrás não seriam legalizados. Acho que isso é um caminho interessante mesmo.

  11. 16 MajoraMan28 28/10/2013 às 11:14 am

    Alexei, eu procurei por todo o site e não encontrei isto:
    http://www.replay-symphony.com/
    Isto aqui será o sucessor de Play! A videogame symphony.
    O concerto contará uma história de heroísmo, misturando músicas eruditas conhecidas com faixas de Super Mario, The Legend of Zelda, Final Fantasy, Metroid, Bioshock, entre outros.
    Serão os mesmos produtores da obra-prima “Symphony of the Goddesses” que não terá mais shows no ano que vem por causa desta sinfonia.
    Acho que vale a pena escrever um artigo sobre isso, não? :)

    • 17 Alexei Barros 28/10/2013 às 1:29 pm

      Valeu pela novidade, Majora! Realmente vale a pena sim, só pode demorar um pouco porque o tempo anda escasso aqui. =(

      O Play! estava precisando de uma renovada mesmo. Aliás, fico impressionado por saber que a Jason Michael Paul Productions não quebrou ainda, apesar do sucesso da turnê de Zelda. Eles fazem pouquíssimas apresentações.

      • 18 MajoraMan28 29/10/2013 às 7:57 pm

        Entendo! Também ando muito ocupado. :P

        Mas não acho que faz parte da série Play!. Apenas afirmaram que seria um sucessor “espiritual” do famoso show. Será algo bem diferente.
        Sério? Não sabia disso. :( Achei que o pessoal da turnê de Zelda era mais bem-sucedida… Aliás, vc fala alemão?
        Vc conhece alguém que poderia traduzir este artigo. Acho que fala a respeito da Symphonic Selections:
        http://www.ksta.de/philharmonie/wdr-rundfunkorchester-computerspielemusik-in-der-philharmonie,15216238,24756168.html

        • 19 Alexei Barros 30/10/2013 às 1:59 pm

          Ah, sim, você tem razão, o rePlay é um sucessor espiritual do Play!, mas não deixa de ser uma renovação do concerto, por ainda envolver os mesmos nomes e substituir a antiga turnê. Tanto é que se você tenta entrar na URL do Play! o site redireciona para o rePlay.

          Falei da JMP Productions mais pelo Play! mesmo, a turnê do Zelda teve várias apresentações. É que no começo o Play! era visto que uma excelente alternativa ao VGL que no passar dos anos foi ladeira abaixo com uma série de equívocos (o CD meia-boca é o mais grave deles).

          Ô louco, mas nem em sonho eu falo alemão…rs Em casos assim, o que costumo fazer é colocar o site no Google Translator e ver como a página fica traduzida em inglês. Pela proximidade do alemão com o inglês, a perda de informações não é tão grande. Pelo que vi meio por cima, não há nada de muito revelador na notícia. Parece falar mais de maneira geral mesmo.


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