Symphonic Selections: seleções magistrais em um novo concerto na Alemanha


Por Alexei Barros

Após o fim da tetralogia “Symphonic” de concertos alemães – Shades, Fantasies, Legends e Odysseys – com a WDR Radio Orchestra, a equipe de Thomas Boecker se dedicou à produção do concerto Final Symphony, realizado em maio de 2013 com outras orquestras em três apresentações. Quem pensou que neste ano pararia por aqui se enganou, porque haverá outro espetáculo com a WDR Radio Orchestra: o Symphonic Selections, no dia 22 de novembro de 2013, no Koelner Philharmonie, sob a regência de Wayne Marshall. A transmissão ao vivo não está confirmada, mas torço para que possamos apreciar os promissores segmentos sinfônicos.

Assim como o Soundtrack Meets Cologne, que ocorreu em 2012, a récita mistura arranjos novos e reprises de concertos passados, o que inclui não só os concertos tributo de 2008 a 2011, mas também a saudosa série Symphonic Game Music Concert, realizada de 2003 a 2007 antes da Games Convention, a qual foi só pôde ser escutada por gravações da plateia. Para quem acompanha o Facebook do Spielemusikkonzerte, sabe da confirmação de alguns números. O set list nem foi totalmente revelado, mas até agora me agradou bastante (especialmente, porque reinam músicas japonesas):

– Shenmue: “Sedge Tree”
– Blue Dragon: “Waterside”
– Final Fantasy XIV: “On Windy Meadows”
– Monster Hunter: “Proof of a Hero”
– Shadow of the Colossus: “Epilogue (Those Who Remain)”*
– Super Mario Galaxy: ” Galactic Suite”
– The Legend of Zelda: The Wind Waker: “Concerto for Spark and Orchestra”*
– Super Metroid: “Into Red, Into Dark”*

*Arranjos inéditos.

Primeiro, sobre os números já conhecidos. Composição do Takenobu Mitsuyoshi, a “Sedge Tree” foi tocada pela primeira vez em concertos lá no First SGMC de 2003 e, curiosamente, nunca apareceu em uma apresentação japonesa. Os números de Blue Dragon e Final Fantasy XIV são reprises muito bem-vindos do Symphonic Odysseys e chamam a atenção por ser de dois jogos que não estão muito em voga. A “Waterside” ficou belíssima no arranjo de cordas e a “On Windy Meadows” é bem exótica. Uma escolha que achei muito interessante é a “Proof of a Hero”. Ela já foi tocada em muitas outras oportunidades: no Press Start 2006 e 2008 e também no três concertos de Monster Hunter (o terceiro, realizado em 2012, eu acabei não mencionando por aqui inclusive). Porém, ainda é inédita em concertos ocidentais. Proveniente do Symphonic Legends, a “Galactic Suite” é soberba, simplesmente e o melhor arranjo já feito do Super Mario Galaxy e nunca é demais um repeteco desse segmento.

Quanto às novidades, haverá um novo arranjo da obra-prima “Epilogue (Those Who Remain)”. O tema de encerramento do Shadow of the Colossus já foi tocado no Fourth SGMC, mas era uma versão similar à ouvida no jogo. Como será possível melhorar algo já estupendo? Curioso desde já. O Zelda: The Wind Waker é outro jogo que será agraciado com um arranjo inédito: a “Concerto for Spark and Orchestra” terá pelo menos 15 minutos de duração e contará com a participação do grupo instrumental sinfônico Spark, formado por piano, violino, violoncelo e duas flautas doces. E para terminar, “Into Red, Into Dark” do Super Metroid. Apesar de manter o nome do arranjo preparado pelo Jonne Valtonen para o LEGENDS, na verdade será uma nova partitura. Quem sabe não se torne a releitura sinfônica definitiva do jogo que vai comemorar 20 anos de vida em 2014.

Caso você esteja na Alemanha em novembro e esteja interessado, os ingressos estão à venda aqui.

[via symphonicselections.com]

13 Responses to “Symphonic Selections: seleções magistrais em um novo concerto na Alemanha”


  1. 1 Marcelo Martins 19/07/2013 às 3:02 pm

    Alexei,

    Obrigado por compartilhar informações tão detalhadas sobre o concerto. Além de ficar informado, conheço novas músicas com os links que você publica.

    Nunca joguei Blue Dragon, mas gosto muito da Waterside. É uma música belíssima e com o clima de JRPG clássico. Me falaram que o jogo é bom, vou experimentar jogar se um dia eu tiver um Xbox 360.

    Proof of Hero tem uma inspiração MUITO FORTE da trilha de Superman à partir de 0:25. Até a forma da música é semelhante e isso é muito bom. Mais pessoas precisam se inspirar e ter a possibilidade de criar coisas como John Williams.

    Onde dá pra ouvir a Galactic Suite?

    • 2 Alexei Barros 19/07/2013 às 3:46 pm

      Como sempre, é um prazer, Marcelo!

      Como falei para você no outro post, joguei quase nada de RPGs nesta geração, mas, coincidentemente, o Blue Dragon foi um dos poucos que joguei (sem avançar muito). Além da “Waterside” no solo de piano, na própria trilha original tem a magnífica “Waterside ~for Piano and Orchestra~”. Aliás, recomendo, se for de seu interesse, ver estar performance da música de um concerto italiano que cheguei a fazer um post em 2008.

      Não sei se você ouviu a “Waterside” do Symphonic Odysseys, mas achei incrível terem feito um arranjo sublime com uma abordagem diferente das versões da trilha (até por não ter piano).

      Muito bem observado, a “Proof a Hero” é John Williams total!

      Que falha minha não ter linkado a “Galactic Suite”… É uma das coisas mais fantásticas, soberbas e magníficas já feitas em concertos de game music… Vídeo abaixo da apresentação do Symphonic Legends:

  2. 3 Matheus 19/07/2013 às 3:06 pm

    Novo vídeo no meu canal galera! É a parte 4 da série de Cube World. Eu ficaria muito feliz se vocês dessem um Like para ajudar na divulgação do vídeo! Muito obrigado! http://www.youtube.com/watch?v=cDzsjkc0mVM&feature=c4-overview&list=UU8_9anoYLq3s8-gG8KxdTfQ

  3. 4 Marcelo Martins 19/07/2013 às 4:40 pm

    Alexei,

    Muito obrigado pela resposta e por compartilhar esses vídeos bônus! Eu acho que virei ainda mais fã da trilha de Blue Dragon depois de ouvir essas versões. O arranjo no symphonic Odyssey é deslumbrante. O que eles fazem à partir de 4:00 com esses linhas melódicas um pouco dissonantes é fantástico e causa uma sensação de estranheza perfeita para a volta da melodia sublime em 5:25.

    O vídeo de 2008 é muito bom também. Essa música tem uma melodia que me traz melancolia e alegria em doses homeopáticas. Eu não sei onde ela toca no jogo, mas será que tem alguma coisa a ver com lembranças do passado ou personagem voltando pra casa? Que negócio bonito retado.

    Agora, esse vídeo do Galactic Suíte é inacreditável. O que é essa transição em 1:00? Eles saem de uma música sublime e calma para uma coisa brutal de uma forma magnífica. Eu precisei ouvir 3 vezes pra entender o que está acontecendo e foi uma das coisas mais geniais que ouvi nos últimos anos. Aí continuei ouvindo e percebi que TODAS as transições são inacreditavelmente boas.

    Eu já tinha acompanhado o trabalho de Valtonen e Wanamo, mas o que eu ouvi aqui realmente mudou minha concepção sobre approach pra arranjos. Os caras lidam com dissonância de uma forma muito natural e corajosa. Eu não me lembro de ter ouvido isso em nenhuma outra trilha de videogame e só tenho exemplos desse tipo em música orquestral mais vanguardista.

    Eu PRECISO ter essa trilha em mãos.

    • 5 Alexei Barros 19/07/2013 às 9:59 pm

      Olha, eu gosto da trilha do Blue Dragon, mas ainda curto ainda mais a do Lost Odyssey.

      Exatamente! Eu acho que esse arranjo transmite a mensagem de fluência das águas… Não por acaso, o Valtonen, arranjador dessa peça, disse algo nessa linha nesta entrevista:

      “Trying to find a brilliant and working concept for an arrangement takes time. At least for me that is. Lets take the Blue Dragon Waterside arrangement as an example. This is an arrangement I wrote for Symphonic Odysseys and which I´m really the most proud of. After some time thinking of how to approach the arrangement I saw visually waves washing the chords of the music away. I pondered the idea for a week or so and then decided that this would be my approach. I wanted to use only the strings, because that way I felt I could get the most “water” out of the piece. The WHOLE string section is playing individual (solo) lines and since strings are quite homogeneous from the lowest C to the highest high note it was almost like operating with sine waves (additive synthesis).

      At first the original melody is played conventionally, then you have a transition and the chords start gradually getting washed away from below so that in the end you´re left only with the melody on the 1st strings. After that the same accomp. that was playing earlier comes back, but now it’s blurred, sort of like under the water and you have the main melody on top of this. So it’s like melody is on top of the water and the accomp. is under water. After that the music gets out of the water washed out and you have a violin solo playing the melody once more. This is propably the best idea and execution I’ve ever done and it took me three weeks to do. One week to come up with the idea and two to write down the notes. I could’ve done this in couple of days but it would´ve been WAY less than what it´s now…”

      Se não me engano, a “Waterside” solo de piano toca bem no começo do jogo e, se a ordem da trilha original acompanhar o jogo, creio que a versão com orquestra deve ficar mais para o final mesmo.

      Sobre a “Galactic Suite”, pois é, isso mesmo. É incrível como o Roger Wanamo conseguiu ligar as melhores músicas do jogo de maneira incrivelmente natural. As outras suítes que ouvi do jogo nem de longe tem essa mesma cadência. Essa transição que você citou em 1:00… Ela remete diretamente ao jogo, e é legal como poucos segundos antes fica a sensação de que a aeronave do Bowser está chegando. Só uma pena que a “Floater Land” aparece muito brevemente (3:54 a 4:20 mais ou menos no arranjo), sem a parte que considero a melhor da música (mais ou menos a partir de 1:10 da original). Mas nem de longe isso é um problema, até porque talvez se tivesse o referido trecho poderia atrapalhar a transição… Agora só imagino um arranjo desse nível com as músicas do Super Mario Galaxy 2, que considero ainda mais inspiradas…

      Concordo plenamente com o que você disse sobre a dupla de finlandeses. Até quando o arranjo não me agrada (o que é bem raro, confesso), nota-se uma finesse incomum para arranjos de game music.

      • 6 Marcelo Martins 20/07/2013 às 12:21 am

        Alexei,

        Muitíssimo obrigado pela resposta completa.

        Fiquei muito impressionado com a resposta do Valtonen e entendi a ideia dele. O que ele descreve faz muito sentido, mas deve ter sido um inferno pra fazer funcionar. Só que funcionou e é algo muito, muito avançado. Você lembra onde saiu essa entrevista? Eu queria ler mais.

        Inclusive, ele fez uma coisa semelhante nessa transição em 1:00 da Galactic Suite. Basicamente, a harmonia da música do Bowser aparece e vai ganhando volume lentamente (a ideia da nave se aproximando, que você falou muito bem). Enquanto isso, a melodia da música anterior continua.

        Um detalhe importante é essas linhas não são exatamente funcionais, assim como na do Blue Dragon. Não tenho a partitura aqui pra saber com detalhes, mas dá pra perceber claramente que algumas notas se “chocam” e causam desconforto (a tal da dissonância). Mas, ele ignora isso e simplesmente segue com a sua ideia. Não sei se por falta de tempo na Galactic Suite ou simplesmente porque ele resolveu fazer assim mesmo.

        Só que aí tem o toque genial que as notas se coincidem no momento em que inicia a música do bowser em 1:01.

        Nunca ví ninguém caprichar tanto em uma transição deste tipo.

        E, como você, aguardo um trabalho semelhante com a trilha de SMG2. Se eles trabalharem como fizeram até agora, dificilmente vai ficar ruim.

        • 7 Alexei Barros 21/07/2013 às 1:24 am

          Ah, eu linkei ali em cima a entrevista, Marcelo. De qualquer forma é esta entrevista aqui:
          http://vgmlounge.de/2013/07/07/in-the-lounge-jonne-valtonen/

          Ah, o arranjo da Galactic Suite é do Wanamo, aliás. A especialidade dele é sobrepor as melodias, explorando diferentes instrumentos da orquestra. Um dos arranjos que ele mais se destacou com essa característica é do Chrono Trigger e Cross do Symphonic Fantasies, não sei se você chegou a conferir.

          Ele faz bastante isso que você falou desse choque entre algumas notas de fato.

          • 8 Marcelo Martins 21/07/2013 às 1:29 am

            Muito grato! Esses dois são muito sabidos. :-)

            Não cheguei a ouvir os arranjos do chrono cross/trigger. Darei uma olhada.

            • 9 Alexei Barros 21/07/2013 às 1:41 am

              Ah, então separe 17 minutos para escutar, mas vale a pena:

              Um detalhe interessante é que esse acredito que foi o único ou um dos poucos que foi feito pelo Valtonen e o Wanamo. Se não me engano, o Wanamo ainda não fazia parte da equipe e o Valtonen acabou chamando ele para ajudar. Em uma entrevista inclusive eles falam que não conseguiriam dizer que parte do arranjo cada um fez..

  4. 10 Marcelo Martins 22/07/2013 às 11:36 am

    Alexei,

    Não só valeu a pena, mudou totalmente a minha percepção sobre medleys. Aliás, fiquei tão emocionado que nem percebi que você tinha publicado o link pra entrevista antes. Desculpe! ;)

    Uma característica muito marcante do trabalho deles é que eles se apropriam das músicas e não têm medo de mexer na composição original. Porém, eles fazem isso e ainda consegue manter as características que tornam as originais tão marcantes. É um balanço muito frágil e fácil de dar errado. Só que eles são muito bons nisso e tudo fica na medida certa. Esse medley do Chrono Trigger/Cross é mais um excelente exemplo.

    Essa coisa dos créditos e de saber quem fez qual parte é bem comum se você trabalha em dupla/equipe. Às vezes, é tanta coisa pra fazer que nem dá pra lembrar exatamente quem colocou uma nota em tal lugar.

    Em algumas bandas de rock, os créditos de composição nem sempre refletem a realidade. Algumas bandas colocam que todos os membros participam da produção da música para ter uma distribuição mais igualitária de royalties. Pode ser que isso aconteça na game music também…

    • 11 Alexei Barros 23/07/2013 às 4:10 pm

      Que isso, Marcelo, magina!

      Exatamente! Sobre essa liberdade de fazer os arranjos, eu já li muitas vezes que o produtor Thomas Boecker dá mesmo carta branca para eles mexerem nas músicas.

      Tem toda a razão isso que você falou sobre os trabalhos em equipe. Isso é muito comum inclusive em trabalhos antigos, especialmente jogos japoneses, em que os compositores eram creditados apenas com o nome do estúdio. Em muitos casos, só é possível saber a autoria das músicas por meio de entrevistas, isso se eles tiverem anotado ou então se lembrarem.


  1. 1 Symphonic Selections: confirmada transmissão online em vídeo | Hadouken Trackback em 30/07/2013 às 4:25 am
  2. 2 Symphonic Selections: segmento de Zelda: The Wind Waker terá 20 minutos; novidades de Super Metroid e Shadow of the Colossus | Hadouken Trackback em 21/09/2013 às 2:25 pm

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