Omega Catastrophe: o melhor álbum de fãs com músicas da Sega já lançado

Omega Catastrophe
Por Alexei Barros

Você sabe, há tempos bato na tecla de que as bandas de fãs japonesas são melhores que as ocidentais. Com o passar dos tempos, essa tecla ficou amarelada, empoeirada e engordurada. Mesmo completamente imunda, volto a repetir: as bandas de fãs japonesas são melhores que as ocidentais. Agora há mais um álbum para mostrar essa discrepância. Omega Catastrophe, que traz algo incomum no meio doujin: músicas da Sega.

Japonês que é japonês costuma ser nintendista. Sem se delongar muito com explicações, como já falei no post anterior sobre o concerto de Phantasy Star, o Sega Mark III (como o Master System ficou lá conhecido) perdeu feio para o Famicom e, na geração seguinte, o Mega Drive acabou ficando atrás até do PC Engine. Ironicamente, o Saturn se deu bem no Japão, mas talvez já fosse tarde demais. Isso sem contar os arcades da Sega sob a liderança magistral do Yu Suzuki, é claro, máquinas de grande sucesso no arquipélago japonês. Não quero dizer que o Japão não gosta da Sega, não é isso, só que, em linhas gerais, a maioria dos álbuns doujin pega músicas da Squaresoft e jogos da Nintendo, ficando atrás somente do fenômeno Touhou Project.

Fora desses padrões temos o Omega Catastrophe, mais um álbum do selo doujin Dangerous Mezashi Cat. Eu já os conhecia desde o CD Megalomania (com músicas do Mega Man), imaginando que fosse uma obra única. Quando fui ver eles já tinham lançado mais de uma dezena de discos. Dos que ouvi, todos são recomendadíssimos pelos arranjos focados na guitarra (com um timbre afiado) que se fazem passar por profissionais, coisa que raramente ou quase nunca acontece com bandas ocidentais. Na minha torpe opinião, evidentemente. Apesar de o trabalho doujin ser quase inexistente nas homenagens à Sega, há boas referências profissionais: S.S.T. Band e [H.]. O que é mais incrível: falando como fã das duas, afirmo sem medo que em alguns momentos os arranjos conseguem suplantar versões que considerava imbatíveis. Sério, seriíssimo. Os arranjos, aliás, são feitos por diferentes nomes desconhecidos neste lado do mundo, e há somente um guitarrista que atende pela alcunha Namihei.

O foco do Omega Catastrophe é de jogos de Mega Drive e não apenas títulos da Sega como veremos a seguir. Só não encare isso como uma obra que procura arranjar os maiores medalhões do 16-bit da Sega porque há algumas ausências fortes, como as séries Sonic, Golden Axe, Streets of Rage, Shining Force e por aí vai.

Depois do Hadouken, minha visita por todas as faixas, algumas de maneira mais sucinta que o normal.
01 – “Fall into the Darkside” (The Revenge of Shinobi)
Original: “Long Distance”

Com um andamento mais lento que a original, o arranjo consegue passar menos ação e mais emoção. Ficou bom, mas mais rápido talvez ficasse melhor. As rápidas pinceladas no piano são dignas de nota.

02 –  “Load of Vermilion” (Sword of Vermilion)
Original: “Title”

O tema de abertura do Sword of Vermilion é um clássico da S.S.T. Band, e é mesmo difícil competir com aquela versão do Game Music Festival ’93 em que o público rouba a cena. Mas no mínimo se equipara com a primeira parte do arranjo do Mickey (as guitarras são até mais proeminentes no início). No próximo álbum, por favor façam uma versão da “Last City”.

03 – “Transcend both the fear and the despair” (Castlevania: Bloodlines)
Original: “Calling from Heaven”

Na primeira faixa de um jogo não da Sega, a música escolhida não é das mais inusitadas, mas também não é incomum. O violino aparentemente sintetizado, porém convincente, alterna momentos brilhantes com a guitarra em um arranjo esplendoroso que honra as tradições da série Castlevania.

04 – “Future Of Light” (Phantasy Star II)
Original: “Rise or Fall”

Do pouco que eu sei, minto, do nada que eu sei sobre Phantasy Star, o segundo episódio não parece ser uma escolha preferencial entre os arranjadores por aí. Deixando a guitarra em segundo plano para se concentrar no teclado, esta versão faz o melhor proveito da excelente melodia. Mesmo assim, a guitarra tem momentos de destaque em solos incríveis.

05 – “Dance in the Crimson Sky” (Cyber Troopers Virtual-On)
Original: “Fade to Black”

A série de combate de robôs Cyber Troopers Virtual-On não é das mais conhecidas no Ocidente realmente. Com timbres de violão, violino e até umas castanholas, o arranjo é menos impressionante que os demais, mas é apreciável.

06 – “Passionate Squash” (OutRun)
Original: “Splash Wave”

Opa! Aqui a coisa começa a esquentar, com uma sequência de clássicos do Hiro. O timbre de guitarra infalível, as breves participações do piano… Acho que podemos pedir licença para a versão da “Splash Wave” do Jun Senoue (veja só o nível) dar lugar para esta no título de melhor arranjo da “Splash Wave”.

07 – “Attack The Power Gale” (Power Drift)
Original: “Like the Wind”

Minha faixa preferida do disco, com um arranjo irretocável que deixou para trás versões da “Like the Wind” da S.S.T. Band e da “Like the Wind” do Scream no Hito. A guitarra dá um verdadeiro show com a fantástica melodia da música.

08 – “Shooting down star collection” (After Burner II)
Original: “Final Take Off”

Uma nova amostra de talento do guitarrista em um dos mais empolgantes temas da série After Burner.

09 – “Do you Fly? or Dash?” (Fantasy Zone)
Original: “START ~ OPA-OPA!”

O samba de Fantasy Zone parece não combinar com guitarras, mas o arranjo provou o contrário, superando as minhas expectativas. Mais próximo do final (a partir de 3:11), o guitarrista mostra criatividade em um solo inesperado que se encaixou muito bem.

10 – “The Gate of The ASURA” (Shura no Mon)
Original: “Battle Theme 1”

Shura no Mon? Desconhecia a procedência: jogo lançado só no Japão aparentemente bem obscuro. Surpresa total com um arranjo empolgante, sobretudo pelo vigor guitarrístico, com aparições do baixo slap e sintetizador.

11 – “Curced Destiny” (Elemental Master)
Original: “Cursed Destiny (Visual Scene 1)”

Shmup que não era de meu conhecimento (sim, sou uma fraude, pois não tive Mega Drive), Elemental Master é homenageado em um arranjo que enaltece as raízes do gênero de navinha – é uma música que seria difícil de imaginar em outro estilo. A introdução parece que o baixo vai dominar, mas é a guitarra quem toma conta.

12 – “Barrelfire Desperado” (Thunder Force III)
Original: “Back to the fire (Stage1)”

Muda o jogo, mantém-se o compositor Toshiharu Yamanishi com o tema da primeira fase do Thunder Force III. Sintetizador e guitarra fazem uma dupla em mais um tema estilo “mais shmup impossível”.

13 – “Stardust Paradice” (Target Earth)
Original: “Main Theme”

Target Earth, primeiro jogo da série de robôs side-scrolling Assault Suits arrebenta com um arranjo que lembra a faixa do Elemental Master. O baixo começa, mas a guitarra chega para destruir tudo o que vem pela frente. Melodia imbatível.

14 – “The Rust Machine gun” (Fantasy Zone)
Original: “Boss”

Fantasy Zone retorna com o repetitivo tema de chefe que aqui ganhou diferentes nuances da guitarra.

15 – “EXTREAM ET from S.H” (Space Harrier)
Original: “Main Theme”

A pior faixa do disco que destoa de todo o resto com um arranjo eletrônico dos mais infelizes. Quem consegue ouvir isso por mais de 30 segundos? Só imagino o que não seria a música se ela fosse arranjada como as demais…

10 Responses to “Omega Catastrophe: o melhor álbum de fãs com músicas da Sega já lançado”


  1. 1 Marcelo Martins 07/06/2013 às 2:41 pm

    Alexei,

    Não conhecia essa banda e gostei de que ouvi. O ponto forte é realmente a criação de novos arranjos, algo que é difícil quando a gente cai nos clichês do rock/metal com bumbo duplo e tempo acelerado. Eles se arriscam a usar outros instrumentos e mudar um pouco as características das músicas, como fizeram com Revenge of Shinobi. Isso é muito corajoso.

    De todas que ouvi, curiosamente gostei muito justamente da que usa synth como instrumento da melodia principal (Phantasy Star II).

    Sou muito fã de Out Run e a guitarra da intro de Splash Wave ficou muito legal. Belo efeito de guitarra para um riff maravilhoso.

    Esse clima alegre de algumas músicas de videogame combina muito bem com J-Rock e talvez seja por isso que os japoneses conseguem fazer arranjos deste tipo com mais competência do que os ocidentais.

    Aproveito o espaço para recomendar um disco muito legal do Marty Friedman (ex-guitarrista do Megadeth que hoje mora no Japão) em que ele faz arranjos rock/metal de bandas J-Pop. A quinta música do álbum Tokyo Jukebox (Polyrhythm) mistura diferentes compassos na mesma canção, algo raríssimo no pop. A versão original é de uma banda chamada Perfume e é excelente também.

  2. 2 Guilherme 07/06/2013 às 4:19 pm

    Muito obrigado! Sério, muito obrigado!

  3. 3 Lucas Cantino 08/06/2013 às 11:17 am

    posso estar cometendo uma baita injustiça ,mas as homenagens que vi no ocidente nao passavam de meros “rockinhos”

  4. 4 jejepinheiro 10/06/2013 às 1:44 am

    Mais um trabalho incrível deles, né? :)
    Adorei! E nem escutei tudo ainda, mas precisei parar e comentar aqui, que a grande sacada (e palmas pela coragem!) nesse álbum é justamente dar destaque aos títulos menos conhecidos da Sega.
    Até então gostei demais da faixa dedicada ao Thunder Force, apesar de que eu sou suspeita para falar, já que este é meu shmup favorito, hahaha! :P

  5. 5 Rafael Fernandes 10/06/2013 às 9:26 pm

    Esse álbum é sensacional. Ouço direto. Dá uma chinelada nesses rearranjos mequetrefes por aí se dizem mais pesados, mas não passam de barulheira descompassada.

  6. 6 Alexei Barros 11/06/2013 às 5:43 pm

    @ Marcelo

    Falou tudo! O mais legal é que essa coragem e ousadia mostrada nos arranjos mostra não só criatividade como conhecimento musical. Não é qualquer um que pensa em fazer uma coisa diferente e soa bem (bom, exceção à última música :P).

    A música do Phantasy Star II focada no synth mostram também que eles não são simplesmente um bando de gente tocando junto, mas uma banda mesmo (embora, pelos créditos, eu acho que a maioria dos instrumentos seja sintetizada).

    Boa a dica do Marty Friedman, ouvi pouca coisa dele – só sabia que ele coleciona várias participações em trilhas de games e também concertos como o Luxendarc Kikou, que ainda preciso comentar por aqui. Também de nome já tinha ouvido falar da Perfume e escutei algumas poucas coisas (incluindo a Polyrhythm).

    Reuvi a original e conheci agora a arranjada… Genial! Vou procurar ouvir o álbum todo agora. Valeu pela recomendação!

    @ Guilherme

    Disponha! Meu único objetivo objetivo em posts como esse é passar a mensagem “cara, você precisa ouvir isso”.

    @ Lucas Cantino

    Bem por aí mesmo. Teve um post que eu fiz em 2010 falando de arranjos do Mega Man 2 que um rapaz, o Eric, escreveu um comparativo bastante interessante entre bandas japonesas e ocidentais.

    @ Jejé

    Sou uma fraude de Thunder Force e outros shmups de Mega Drive, por isso tive uma boa surpresa quando conheci as originais. Espero que um dia eles lancem uma continuação, por assim dizer, desse álbum, com mais música da Sega. Afinal, tem tanta coisa ainda…

    @ Rafael Fernandes, ex-00Agent

    Assinado: Alexei Barros

  7. 10 Alexei Barros 18/06/2013 às 5:53 am

    Pois é, sou uma fraude do Mega. =( E o pior que você não é a primeira a me falar isso. Se é que é preciso dizer, fantástica a música, atmosférica e ao mesmo tempo melódica. Incrível os milagres que conseguiam fazer com o chip do Mega Drive.


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