Seis anos depois de hiato, o inacreditável retorno do Casiopea – com direito a novo DVD

Casiopea
Por Alexei Barros

Uma estatística baseada no puro achismo: se oito em cada dez compositores japoneses de game music foram influenciados pela Yellow Magic Orchestra, os dois restantes tem a banda Casiopea como principal fonte de inspiração. O pioneirismo da YMO ainda está à frente pelo lançamento do álbum homônimo com duas faixas de game music, mas o Casiopea tem a sua importância na história com um jazz fusion altamente melódico e envolvente, hits e medleys de mais de 20 minutos. A rica trajetória da banda que debutou em 1979 foi misteriosamente interrompida em agosto de 2006, passando em branco (a não ser pelo site especial) da comemoração dos 30 anos em 2009.

Quando muitos já tinham perdido as esperanças e se conformavam apenas com as inúmeras coletâneas e os álbuns solo dos seus integrantes, surpreendentemente foi anunciado o retorno em abril de 2012 (é, eu demorei um pouco para fazer o post), com direito a diversos shows e ao DVD, que saiu dia 26 de dezembro. Antes dos detalhes do regresso, os motivos para tanta alegria.

Justamente no ano de 2006 foi quando eu passei a procurar com mais veemência por álbuns de game music oficiais (em 2005 já me interessava mais pelo assunto), praticamente abandonando os poucos arranjos que me agradavam no OverClocked ReMix. Em meio a tantas descobertas, notei que possuía uma predileção pelo gênero jazz fusion, mesmo sem entender a razão. Entre um álbum e outro, acabei conhecendo as bandas Kukeiha Club, da Konami, e S.S.T. Band, da Sega, e todas as histórias ocultas envolvendo o Game Music Festival que já não são mais tão obscuras assim.

Foi então que nesse tópico do Slightly Dark recomendaram a fonte de inspiração delas: T-Square e Casiopea. O T-Square eu já conhecia de nome ao pesquisar a origem de Masahiro Andoh, o guitarrista, por gostar das trilhas de Gran Turismo, mas que nunca tinha conseguido ouvir. As duas bandas tinham feito um show de nome Casiopea Vs The Square não muito tempo antes, lançado em DVD em 2003. Por sorte, havia breves amostras em sample do DVD das faixas “Omens of Love” e “Tokimeki”, entre outras. Bastaram poucos segundos para eu ficar completamente estupefato e virar instantaneamente fã das duas. Então eu mendiguei para um canadense do fórum GamingForce Interactive que havia conseguido todas as faixas do show em um serviço obscuro de compartilhamento de músicas. Escutando tudo, novo choque. Uma música melhor e mais bem tocada que a outra por instrumentistas talentosíssimos. A “Mid-Manhattan” é uma das minhas favoritas até hoje, misturando integrantes do Casiopea e do T-Square. Afinal, duas baterias (e ainda sincronizadas!) só podem ser melhores do que uma…

O Casiopea também sempre me chamou a atenção pela duração de algumas músicas. Alguns medleys passam dos 30 minutos! A respeito de músicas avulsas, a maior de todas é a transcendental “Universe”, do álbum Marble (2004), com 25 minutos.

De maneira voraz, corri atrás das discografias de ambas as bandas, dos álbuns solo dos instrumentistas dessas bandas, das bandas formadas pelos dissidentes e ainda dos projetos paralelos dos músicos dessas bandas (como Trix, Pyramid, Ottottrio e Synchronized DNA que misturam integrantes e ex-integrantes). Haja banda, haja música! O YouTube ainda não era tão popular, e mal conhecia pessoas que ao menos tivessem ouvido falar do Casiopea e do T-Square. Hoje, felizmente, a história é totalmente diferente. Mas, enquanto o T-Square continuava ano após ano na ativa – até hoje –, alimentando em mim certa dose de ansiedade a cada álbum lançado, eu nunca cheguei a ter o mesmo sentimento com o Casiopea.

Nesse meio tempo, não me dei por feliz e procurei pesquisar mais detalhes sobre o Casiopea e, para minha completa surpresa, descobri no site do baixista Tetsuo Sakurai que a banda fez uma turnê brasileira em 1987, visitando as cidades de São Paulo, Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre (veja a propaganda ao lado).

Vasculhando o excepcional Acervo da Folha, encontrei uma reportagem do dia 9 de abril de 1987 sobre a primeira vinda deles, informando que o Gilberto Gil foi o responsável por trazê-los para o Brasil. Tem até uma entrevista (apesar de creditada como se todos os integrantes fossem uma coisa só):

O jazz rock japonês do Casiopea estreia sábado em São Paulo

Trazido ao país por inicativa de Gilberto Gil, o grupo japonês Casiopea chegou ontem de manhã a São Paulo, onde inicia uma turnê por seis cidades brasileiras, com produção do Projeto SP. A estreia, que estava marcada para amanhã foi transferida para o sábado, às 21h, no auditório Elis Regina do Palácio das Covenções do Anhembi. Depois o grupo segue para Salvador (onde se apresenta dia 14), Recife (dia 15), Rio de Janeiro (dias 20 e 21), Curitiba (dia 22) e Porto Alegre (dia 24).

A ideia de promover a vinda do grupo surgiu em 85, na Alemanha, quando Gilberto Gil ouviu pela primeira vez o jazz-rock do Casiopea. A Gege Produções Artísticas promete para breve o lançamento do primeiro disco do grupo no país, Halle, através do selo Geleia Gera, que editou o recente LP de Gil, Em Concerto. No domingo, às 14h, também no Anhembi, o grupo trocará improvisos com músico brasileiros, numa “jam session” que poderá assistida apenas por convidados e pela imprensa. Já estão confirmados os nomes de Nelson Ayres (teclados), Nico Assunção (baixo), Cláudio Celso (guitarra), Lino Simão (sax) e Duda Neves (bateria).

O Casiopea foi formado há dez anos pelos ainda estudantes Issei Noro (guitarra, arranjos e letras), Tetsuo Sakurai (baixo) e Minoru Mukaiya (teclados) que se reuniam para “jam sessions” informais. O comprometimento com o grupo foi crescendo e em 79 gravaram seu primeiro disco, Casiopea. A base da atual formação foi completada no ano seguinte com o ingresso do baterista Akira Jimbo, que também é especializado em sintetizadores.

Em 82, o grupo já era sucesso nacional, fazendo turnês pelo Japão que incluíam mais de cinquenta cidades. O primeiro passo para o lançamento do Casiopea no exterior foi dado em Londres, no ano seguinte, e, em 84, acontecia uma significativa apresentação no Festival de Jazz de Montreux, na Suiça, logo após o show de Miles Davis. As turnês se sucederam: Holanda no North Sea Jazz Festival, em Suécia, Dimanarca, Indonésia e EUA. Além do aval de Gil, a agência de serviços do grupo inclui gravações ao lado de conhecidos músicos norte-americanos como o guitarrista Lee Ritenour e o baterista Harvey Mason, ou mesmo do saxofonista japonês Sadao Watanabe.

Muito interesse pela música brasileira

O Casiopea concedeu uma entrevista exclusiva à Folha, no último fim de semana, pouco antes de deixar o Japão. O “manager” do grupo, Masato Arai, transmitiu as seguintes perguntas ao quinteto japonês:

Folha – Vocês conhecem a música brasileira?
Casiopea  Sim, conhecemos bastante a música brasileira e estamos muito interessados nela. Ouvimos Djavan, Gilberto Gil, Airto Moreira, Milton Nascimento e outros, sempre que conseguimos discos importados no Japão. Na verdade, a seção rítmica do Casiopea está ansiosa por adotar sons brasileiros em nossas composições e arranjos.

Folha – Quais são as influências musicais do grupo?
Casiopea  Todos os ambientes que nos cercam, nossas vidas diárias e as experiências individuais de cada integrante – somos influenciados por tudo isso. Especialmente pelos contatos que fazemos nos lugares que visitamos, já que estamos sempre viajando ou gravando em algum lugar do Japão ou do mundo. Somos influenciados pelas coisas que vemos, pelas coisas que ouvimos. Nesses lugares, às vezes escrevemos uma canção baseada nas comunicações que fazemos com pessoas do local.

Folha – Há elementos tradicionais japoneses na música do Casiopea?
Casiopea  Não estamos particularmente preocupados com isso. De fato somos todos japoneses com características inatas japonesas. Há momentos em que notamos alguns elementos “japoneses” em nossas canções depois de escrevê-las.

Folha – Por que os recursos eletrônicos predominam no trabalho do grupo? Vocês têm algum preconceito contra instrumentos acústicos?
Casiopea  Não temos preconceito contra instrumentos acústicos, ou que quer que seja. Temos interesse em vários instrumentos folclóricos que ouvimos em várias partes do mundo. Estamos simplesmente usando o que está disponível ao nosso redor. Embora utilizemos um método eletrônico, não queremos soar mecânicos e buscamos sempre capturar ou atingir o coração das pessoas. Na realidade, somos seres humanos com corpos vivos, ou seja, existências acústicas, para começar…

Nos dias 17 e 18 de janeiro do ano seguinte, a extinta TV Manchete chegou a exibir o programa “Casiopea Especial”, que mostrava um show gravado no Japão. E, então, em 1988, eles voltaram como parte da turnê mundial, desta vez tocando em São Paulo, Londrina, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Duas músicas apresentadas em São Paulo, “Taiyo-Fu” e “Red Zone”, estão registradas no álbum World Live ’88. Além dessas, a “Palco”, do Gilberto Gil, foi cantada por ele na companhia do Pepeu Gomes  na guitarra, Oswaldinho do Acordeon e do Casiopea, conforme mostra o vídeo. Ao descobrir tudo isso tantos anos depois, me sinto um fã completamente tardio, juvenil e amador, como já havia muitos fãs brasileiros antes de mim (vide o comparsa Eric “Cosmonal” Fraga, do Cosmic Effect).

Nessa segunda visita, a Folha fez outra reportagem no dia 24/06/1988:

Casiopea faz show acompanhando Gil

Um brasileiro influi nos rumos de um grupo japonês. É o que os integrantes do grupo de jazz-rock Casiopea deram a entender ao falar sobre seu último LP, na coletiva que concederam ontem à tarde no Ginásio do Ibirapuera. O grupo está no Brasil para fazer sua segunda turnê pelo país. A estreia da temporada, hoje no mesmo local, contará com a participação do compositor, cantor e candidato à prefeitura de Salvador, Gilberto Gil. O show em São Paulo integra a Expo Brasil/Japão, que prossegue até 3 de julho.

Foi Gil, ausente da coletiva, o responsável pela primeira vinda do grupo, em 87. E foi também o baiano que sugeriu a orientação que o grupo tomou em seu último LP, Euphony, lançado no Japão em abril e o 16º em 11 anos de existência da banda. Segundo o tecladista Minoru Mukaiya, Gil teria aconselhado o grupo a tentar transmitir mais da cultura japonesa contemporânea, para diferenciar o som da banda. Tal feito eles fazem ter alcançado no uso de sons de instrumentos típicos japoneses nos muitos teclados e sintetizadores de última geração que utilizavam. Nos dias 13 e 14 de julho, deverão estar no Rio para a gravação de duas faixas do próximo disco do cantor, com lançamento previsto para outubro.

Sem definição

Atrasados pelo voo, os quatro integrantes do Casiopea (além de Mukaiya, Issei Noro, guitarra, Tetsuo Sakurai, baixo e Akira Jimbo, bateria) só deram respostas gerais às perguntas dos jornalistas. Não definiram quais ou quantas músicas tocarão com Gil, dizendo que a decisão final ficaria para o ensaio de hoje à tarde. Só adiantaram que iriam submeter à aprovação do cantor alguns arranjos, querendo “respeitar as características” de Gil. O repertório da excursão pelo Brasil vai ser só de música instrumental, se concentrando em “Euphony”, e incluindo uma seleção das principais músicas de outros dicos, como Halle, único lançado no Brasil.

Gil não é o único contato dos quatro nipônicos com a música brasileira. Revelam gosto eclético ao desfilarem nomes como Tom Jobim, Milton Nascimento, Gal Costa, Joyce, Djavan e Sergio Mendes. Alguns eles conheceram pessoalmente quando se apresentaram no Rio, ano passado.

Nascidos e criados em Tóquio, os músicos do Casiopea dizem ter recebido influências musicais muito variadas. Antes de formar o grupo, todos tinham preferência por pop e rock. Afirmam ser um dos poucos grupos no Japão atual a insistir na música instrumental e contribuir para impor uma imagem positiva do gênero, quando a maioria se dedica a acompanhar cantores. Também acham que investem na evolução musical ao não se debruçarem sobre as raízes da música de seu país.

Como podemos ver abaixo, a vinda do Casiopea em 1988 atraiu bastante atenção não só da Folha, como de toda a mídia brasileira. Uma façanha, dada a obscuridade de artistas japoneses – o que dirá japoneses de música instrumental!

Para completar, há músicas do Casiopea em português (“Samba Mania”, “Teatro Saudade” e outras) e até o Djavan participou da música “Me Espere” do álbum Platinum (1987). Com toda essa proximidade com o Brasil – isso que não vou me aprofundar nas histórias e participações dos álbuns solo Vida do Issei Noro e Cartas do Brasil do Tetsuo Sakurai –, foi incrível perceber que todos os seus integrantes estavam relacionados de alguma forma com game music. Muitas dessas participações eram em performances de álbuns e, naquela época, não existia o VGMdb, então tentar compilar informações do tipo exigia buscar várias fontes japonesas. Hoje, dá uma alegria ver tudo organizado, reunindo as discografias de cada instrumentista, e saber: que o baterista Akira Jimbo e o baixista Tetsuo Sakurai tocaram em álbuns como Kukeiha Club, Rockman X Alph-Lyla with Toshiaki Ohtsubo e The King of Fighters ’96 Arrange Sound Trax. Ou então que o baixista Yoshihiro Naruse participou do Sorcerian Super Arrange Version. Melhor, que o guitarrista Issei Noro arranjou e tocou a “Rush a Difficulty” no álbum Super Sonic Team -G.S.M. Sega 3- da S.S.T. Band, arranjando músicas nos CDs seguintes e ainda participando como convidado em shows da banda. Como uma espécie de homenagem, a “Galactic Funk” inclusive foi tocada no bis no Game Music Festival 1992.

E, para completar, o tecladista Minoru Mukaiya, que efetivamente compôs trilhas para games, colaborando para Koei para jogos como Romance of the Three Kingdoms III e Romance of the Three Kingdoms II, cujo “Main Theme” inclusive foi tocado no Orchestral Game Concert. Mais do que isso, Mukaiya é o CEO do estúdio Ongakukan, que produz simuladores de trem para videogames. O mundo é pequeno mesmo. Aliás, o bônus de um desses títulos (não me pergunte qual) traz como bônus a performance de uma música do Casiopea (exclusiva do jogo):

Se tamanha contribuição por si só não fosse suficiente, enfim chego ao terreno das influências. Pesquisando a respeito e muitas vezes trombando sem querer com esse detalhe, sei que nomes como Ayako Saso, Motoaki Furukawa, Shoji Meguro, Hiroyuki Iwatsuki e nada menos do que Koji Kondo assumidamente se inspiraram no Casiopea ao longo de suas carreiras.

Dito tudo isso, entre várias novas apresentações, o show do dia 19 de outubro rendeu um DVD, de nome Casiopea 3rd Live Liftoff 2012. Quem achou que a banda voltaria em peso pode se decepcionar um pouco, já que Minoru Mukaiya, o primeiro tecladista da fase profissional da banda (na era amadora, teve antes o Hidehiko Koike, que chegou a participar do show 20th, de 20 anos de aniversário) deixou o Casiopea. Em seu lugar, entrou a Kiyomi Otaka, a primeira mulher do grupo. Fica a torcida para que ele participe dos shows comemorativos de aniversário, como aconteceu com ex-membros em outras ocasiões (como o Tetsuo Sakurai) para tocar algumas de suas composições. Minha sugestão: a “Lucky Stars” do álbum Material (1999), o meu preferido.

Inicia-se, portanto, a terceira fase do Casiopea – daí o “3rd” no nome –, sendo a segunda etapa a iniciada em 1990, quando, na ocasião, Tetsuo Sakurai e Akira Jimbo deram lugar a Yoshihiro Naruse e Masaaki Hiyama para formar a dupla Jimsaku.

Meu único desapontamento é com a falta de novidades do set list do DVD. Aliás, isso eu até esperava, como o último álbum, Signal, é de 2005. Mas o problema é a obviedade das seleções musicais, pegando mais as famosonas, embora eles mereçam um desconto por não tocarem essas músicas juntos há vários anos.

Metade do espetáculo pode ser conferido abaixo, como o show foi transmitido na TV japonesa (inveja? Magina…). Os cabelos do guitarrista Issei Noro deram uma boa esbranquiçada, caso você não o tenha visto durante esses seis anos. Dá para ver que o Yoshihiro Naruse no baixo e o Akira Jimbo na bateria também estão tão bons quanto antes – o que é óbvio. Com a entrada da Otaka, a sonoridade da banda mudou bastante, causando um certo estranhamento, confesso – pudera, depois de 27 anos de Mukaiya não tinha como ser diferente. A maior diferença, além das preferências de timbres, é que a Otaka gosta de centrar as atenções no órgão Hammond e aparentemente ela não se arrisca no vocoder. Todavia, ela já mostrou um grande entrosamento com o restante da banda.

No mais, já na expectativa pelo provável próximo álbum em 2013, inclusive para ver melhor como a nova tecladista vai se sair.

Seja bem-vindo de volta, Casiopea!

19 Responses to “Seis anos depois de hiato, o inacreditável retorno do Casiopea – com direito a novo DVD”


  1. 1 Rafael Fernandes 31/12/2012 às 7:58 am

    Sensacional!

    Eu lembro que conheci a Casiopea graças ao Hadouken, depois das citações naquele brilhante post da SST Band. Por tabela, fui apresentado à T-Square também, e o resto da japonezada louca. Isso já faz uns três ou quatro anos. Como fui descobrindo que eles lançaram 2 milhões de álbuns de 1979 até hoje, não cheguei a me tornar obcecado por obter informações, ou pegar a discografia da banda, ou stalkear os músicos, enfim essas coisas que fiz com a SST – acho que, se fosse por esse mesmo caminho com a Casiopea que nem você, ia enlouquecer. Mas é claro que não dá para deixar de pegar os álbuns mais importantes e ouvir ad infinitum, como os que registram apresentações ao vivo da década de 80.

    Uma coisa que me impressiona até hoje, inclusive, era como as pessoas aqui no Brasil vibraram com a apresentação do Casiopea quando estiveram por aqui. A não ser que tenha rolado uma edição de imagens violenta, parece que as reações são genuínas, e fico incrédulo diante do fato de as pessoas dançarem e pularem para música instrumental japonesa! Até hoje, não acredito!

    Enfim, espero que eles voltem para cá um dia, em uma turnê de despedida, sei lá. Mesmo que seja provável que a banda não venha na formação original, já seria alguma coisa.

    E que o Hadouken continue com sua função social de apresentar novas bandas e músicas a pessoas perturbadas!

    • 2 Alexei Barros 31/12/2012 às 1:47 pm

      Hahaha, que isso! Valeu!

      Eu lembro que conheci a Casiopea graças ao Hadouken, depois das citações naquele brilhante post da SST Band. Por tabela, fui apresentado à T-Square também, e o resto da japonezada louca. Isso já faz uns três ou quatro anos.

      Agradeça ao rapaz francês que fez o tópico… Aliás, inclusive eu até já o agradeci uma vez no VGMdb.

      Como fui descobrindo que eles lançaram 2 milhões de álbuns de 1979 até hoje, não cheguei a me tornar obcecado por obter informações, ou pegar a discografia da banda, ou stalkear os músicos, enfim essas coisas que fiz com a SST – acho que, se fosse por esse mesmo caminho com a Casiopea que nem você, ia enlouquecer.

      É justamente por isso que eu enlouqueci… XD

      Lembro que primeiro eu era mais fã do Casiopea e depois acabei gostando mais do T-Square. Acabou virando uma loucura, porque o T-Square já teve, se não me falhe a memória, mais de 20 integrantes, daí, além de caçar informações e álbuns da própria banda e dos vídeos, eu ainda ia atrás do Masato Honda, do Ottottrio, do Hirotaka Izumi… uma bagunça.

      Uma coisa que me impressiona até hoje, inclusive, era como as pessoas aqui no Brasil vibraram com a apresentação do Casiopea quando estiveram por aqui. A não ser que tenha rolado uma edição de imagens violenta, parece que as reações são genuínas, e fico incrédulo diante do fato de as pessoas dançarem e pularem para música instrumental japonesa! Até hoje, não acredito!

      Isso também me impressiona e me faz pensar “por que eu não fui lá ver eles?” Se bem que com 3,4 ano seria meio difícil. XD

      Essas duas visitas criaram um nicho de fãs nos anos 80, mas eu acho que o eles deveriam ter vindo outras vezes nos anos 90 e 00, porque assim haveria estimularia novas gerações a gostar da banda. Se isso acontecesse, a banda viria até nós e não nós até a banda. Como foram só duas vezes há quase 30 anos, esses shows quase se perdem no tempo (o de 1987 especialmente, por não ter registros oficiais, é pouquíssimo citado).

      Enfim, espero que eles voltem para cá um dia, em uma turnê de despedida, sei lá. Mesmo que seja provável que a banda não venha na formação original, já seria alguma coisa.

      Poooxa, despedida por que, se eles estão voltando logo agora? :P

      Espero que o tio Akira Jimbo convença os demais integrantes a voltar para essa terra subdesenvolvida e abafada.

      E que o Hadouken continue com sua função social de apresentar novas bandas e músicas a pessoas perturbadas!

      Hahahaha! Estou me esforçando….

  2. 5 fezones 02/01/2013 às 11:38 am

    Graças ao Hadouken e os esforços de maestro Barros também fui apresentado ao mundo muito louco do jazz fusion, e mais uma porrada de bandas sensacionais, muito obrigado!

    Ultimamente tenho escutado bastante Casiopeia, e não por acaso. Tem no YouTube um show deles, o Perfect Live de 1986, que foi realizado no dia 27 de dezembro desse mesmo ano. Tipo, não que isso importe muito pra qualquer outra pessoa, mas olha que legal, esse é exatamente o dia em que eu nasci… Tá, não é algo tão legal assim :P

    E por falar em nascimento, este recinto virtual não fez anos a alguns dias atrás? Cadê bolo? Cadê guaraná? Bem, de qualquer maneira, parabéns atrasado Hadouken! \o/

    • 6 Alexei Barros 02/01/2013 às 12:33 pm

      Pô, até tu, fezones? Não sabia que você curtia essa japonesada aí. Fico mais feliz por saber que fui responsável por você gostar desse mundo louco…rs

      Não mudou minha vida saber dessa coincidência, mas muito legal sim…rs Esse show é um dos mais clássicos do Casiopea, apesar de pessoalmente gostar mais das apresentações mais recentes, como o 20th e o 5 Stars Live.

      E, sim, de fato o Hadouken fez 6 anos no final do ano passado. Não vai rolar aquele escalpe maroto porque foram menos posts e, consequentemente, menos pérolas (acho que nenhuma, na verdade). Porém, rolou sim um Hadoukast que o Claudio ainda está para editar e publicar que, por incrível que pareça, não foi tão enrolativo e acabamos falando bastante de games (jogos indie, Wii U, o que cada um jogou etc.).

      Abração!

  3. 7 fezones 03/01/2013 às 9:41 am

    Um Hadoukast? Aí sim! :D

  4. 8 Cosmonal 06/01/2013 às 9:30 pm

    Caramba, Alexei, que mega notícia — acompanhada de uma mega reportagem sua sobre o Casiopea, só lhe digo uma coisa: “obrigado”.

    O incrível aconteceu, em 87 o Casiopea tocar no Teatro Castro Alves em SALVADOR — por sinal, por coincidência cósmica, acabo de voltar de lá literalmente agora de uma apresentação da orquestra da cidade somente com John Williams, olha só que coincidência pois a cidade “do axé” é sempre a última a ter algo diferente “do axé”. Eu nunca tinha escutado uma execução de uma música composta para cinema nessa minha vida. E era um sonho, claro. A poucos minutos, escutei: Superman, Raiders, Star Wars, E.T., Tubarão. Vida devidamente marcada para sempre e lágrimas devidamente derramadas.

    Voltando ao Casiopea (desculpe a leve derrapada no assunto acima, mas é um registro que fico à vontade de fazer aqui no Hadouken ^_^), eu não tinha idade, mas meus dois irmãos foram ao show e viraram fãs instantâneos. Daí, trouxeram “para casa” o vinil — fisicamente aquele vinil do vídeo que você linkou, Alexei (adorei a referência!) — e eu viciei: já ouvia e tocava ao teclado as “músicas de Master System”, então… sem saber o por quê naquele tempo, todas as músicas de World Live 88 e Halle, estranhamente, eram tão boas de ouvir… as melodias davam… vontade de jogar Alex Kidd?! Sim!

    Pô, na época, eu sabia que o Casiopea era japonês, tudo bem, tinha a foto dos caras na capa e os nomes engraçados na contra-capa do disco; mas naquela idade não sabia que os jogos que jogávamos eram em sua maioria japoneses! Acredito que acontecia o mesmo com vocês? Alex Kidd, Mario, Space Invaders… são “coisas” japonesas?? Nota: o primeiro “nome de alguém japonês” que memorizei na vida foi Akira Jimbo. Até hoje, tenho muita dificuldade em associar/lembrar dos nomes dos japas quando escrevemos post, fazemos vídeo, hehe… mas se o cara se chamar “Akira Jimbo”, eu não esqueço, rs…

    Álbum novo ESTE ANO com a formação daquela época? Oh my… quase desmaiei. Sentirei falta de Minoru Mukaiya mas pô, só de escutar os slaps de Tetsuo Sakurai… O sonho é um dia ver ao vivo o final de Super Sonic Movement. Vocês fãs do Casiopea sabem do que estou falando…

    E o “DLC” que é o DVD já nos garante não ficar mendigando por um streaming ao vivo ou alguém no youtube com uma câmera. Casiopea 2013, kit completo.

    Engrosso o coro do Alexei, “seja bem-vindo de volta, Casiopea”.

    Valeu pela mega aula sobre o Casiopea e as inspirações originais da VGM. Estou já procurando pelos diversos nomes citados no seu post, abração Alexei.

    • 9 Alexei Barros 06/01/2013 às 11:47 pm

      Legal que você conseguiu acompanhar o post, Cosmonal, mesmo em meio a esses tempos turbulentos.

      Pô, e o que deve ter sido esse concerto? O John Williams é um MONSTRO, só imagino o que deve ser escutar aquelas composições fantásticas ao vivo.

      Sobre o Casiopea, eu já tinha ouvido essa história que os seus irmãos assistiram ao show in loco…. Aliás, foi em 1987 mesmo ou 1988? Ou ambos os anos? Além disso, ouvi rumores via Rafael de que você tem esse especial que passou na TV Manchete gravado em VHS… Confere?

      Quando conheci o Casiopea vs The Square eu fiquei pasmado, imagino se já conhecesse a banda desde os anos 80, puxa vida. Não à toa, me proclamei um “fã tardio”…rs

      Em relação à formação da banda, na verdade o baixista atual é o Yoshihiro Naruse, Cosmonal. O Tetsuo Sakurai saiu em 1989, mas é legal porque ele sempre aparece nos shows de aniversário. Inclusive recentemente ele formou um duo acústico com o Issei Noro chamado Pegasus. O melhor mesmo é quando o Sakurai toca JUNTO com o Naruse, como na “Juicy Jam” daquele DVD The Mint Session.

      O Mukaiya saiu da banda, mas acho que naquelas, né…=p Recentemente ele andou tocando músicas do Casiopea com outros instrumentistas, não sei se chegou a ver, como a “Halle”:

      A respeito dos compositores influenciados, o que mais se comenta ter sido influenciado é o Hiroyuki Iwatsuki. Uma pena que a maioria das trilhas dele não foi lançada oficialmente, daí é um pouco mais difícil de encontrar. De qualquer jeito, a trilha do Omega Five foi lançada em CD. Ayako Saso tem muita coisa. De cara, dá para citar o Driving Emotion Type-S. Motoaki Furukawa: os álbuns Kukeiha Club e especialmente o Sound Locomotive, ambos com participações de músicos do Casiopea. Koji Kondo, nem preciso dizer. Já o Shoji Meguro eu noto a influência em músicas específicas, como a “Specialist” do Persona 4. Desculpe se alguns você já conhecer, mas pode ser útil para alguém que porventura se interesse.

      • 10 Cosmonal 13/01/2013 às 10:09 am

        Valeu Alexei, pelo “DLC” de informações extras no seu reply, amigo.

        Sim, tenho este VHS. Paguei a um pirata de VHS que tinha aqui na rua. Lembro que também comprei os 5 filmes de “O Planeta dos Macacos” com ele. Eram gravações da Globo, mas não da TV: o cara era pirata MESMO, eram os originais pois não tinham cortes de nenhum tipo, mas os créditos apareciam (“Parte 1”, “O Planeta dos Macacos”, “Sessão da Tarde”).

        Inclusive cheguei a digitalizar o Perfect Live da Manchete. Se for útil, coloco no YouTube pois está em boa qualidade, qualquer coisa me avise. Abração.

  5. 11 Alexei Barros 14/01/2013 às 12:26 am

    Hahaha! Sensacional! Imagino que esse pirateiro deva ter altos contatos…rs

    Tranquilo, se for o Perfect Live que eu estou pensando, até já subiram o show completo de algum DVD que saiu depois. Mas o que você tem é um registro histórico incrível. Nem hoje consigo imaginar algum canal da TV aberta dedicando uma hora da programação para passar o show de uma banda japonesa de música instrumental…

  6. 12 felipe sax 05/07/2013 às 2:12 pm

    Uma Excelente banda. Cada pessoa ouvi diversas bandas para poder identificar-se com uma. Sou músico, saxofonista e já ouvi diversas bandas mundiais, como : Arturo Sandoval, James Carter, Chick Corea, Abe Laboriel, Fourplay e muitas outras. Mais nunca me admirei tanto com uma banda como essa, Casiopea. segundo fontes, é uma mistura de jazz com rock. No entanto, é basicamente uma mistura eclética que envolve diversos ritmos, como samba, bossa, jazz, valsa e até mesmo uns pop´s melancólicos. Ouvi todos os cd´s. E me dá vontade de ouvir mais e mais. Só falta ouvir esse mais novo mais não consigo encontrar. Se tiver uma fonte pra baixar, me dá um alô aí…

    • 13 Alexei Barros 06/07/2013 às 11:11 pm

      Felipe, fico feliz por saber que você também é admirador do Casiopea. Muito interessante a sua definição, porque, mesmo eles mantendo a formação de instrumentistas em todos os shows, eles conseguem passear por vários estilos diferentes. Ainda não cheguei a trombar com esse DVD do retorno. Mas álbum novo, mesmo, ainda estou esperando.

      Aproveitando que você é saxofonista, vale comentar também que acho sensacional quando tocam as músicas do Casiopea com sax, já que não é um instrumento fixo da banda. As faixas do Casiopea vs the Square que tiveram sax, como a “Looking Up”, a “Mid Manhattan”, a “Fight Man” e a “Asayake” ficaram ainda melhores. Chegou a ouvir o Vintage 2002? Esse show foi um dos poucos com a participação de um saxofonista (no caso, o Toshiyuki Honda).

      E vem cá, você chegou a ouvir também os CDs de outros nomes do J-Fusion, como Masato Honda e Kaori Kobayashi? Fora o Dimension, com o Kazuki Katsuta…

      • 14 Felipe Rocha 08/07/2013 às 9:27 am

        Escutei esse cd da junção das bandas Casiopea e T-Square. É simplesmente sensacional. Vários músicos tocando em pegadas diferentes, trazendo uma linguagem muito enriquecedora em termos harmônicos e melódicos e principalmente rítmicos, pois há dois dos melhores bateristas que já ouvi tocar. Sinceramente, fico impressionado o que eles são capazes de fazer com o chimbal da bateria. Quanto ao Masato Honda , confesso que estou curioso em ouvi-lo, mas Kaori Kobayashi, consegui um cd e vou ouvir quando chegar em casa. Mas desde já agradeço a sugestão e indico que ouça os saxofonistas, Gerald Albright e Groover Washington Jr, simplesmente sensacional.

        • 15 Alexei Barros 12/07/2013 às 12:53 am

          Com certeza absoluta. A primeira vez que vi o Casiopea e o T-Square foi justamente nos samples desse show. Como completei no post, fiquei completamente absorto com o que ouvi. Também digo o mesmo sobre os bateristas. Aquele trecho em que o Jimbo e o Noritake tocam sincronizados na “Mid-Manhattan” é algo fora do comum.

          Recomendações são muito bem-vindas! Aaaah, eu me lembrava de nome do Gerald Albright porque ele toca bastante com o Jeff Lorber, que também recomendo fortemente caso não o conheça esse tecladista. Agora que você falou, vou procurar escutar os álbuns solo dele. Dei uma zapeada no YouTube e achei a “Walker’s Theme” sensacional.

          Já o Groover Washington Jr eu não conhecia mesmo. Do pouco que ouvi do álbum Winelight que subiram no YouTube gostei bastante também.

          Valeu pelas indicações!

  7. 16 Thiago Takashina 09/09/2014 às 11:33 pm

    Inicia-se, portanto, a terceira fase do Casiopea – daí o “3rd” no nome –, sendo a segunda etapa a iniciada em 1990, quando, na ocasião, Tetsuo Sakurai e Akira Jimbo deram lugar a Yoshihiro Naruse e Takashi Sasaki para formar a dupla Jimsaku.

    Corrigir, em vez de Takashi Sasaki, o baterista que substituiu Akira Jimbo foi Masaaki Hiyama.

    • 17 Alexei Barros 10/09/2014 às 12:02 am

      Ops, que lapso! Valeu pela correção, Thiago. Você tem toda a razão. O Takashi Sasaki era o baterista anterior ao Akira Jimbo. Como esses dois instrumentistas são os menos conhecidos do Casiopea, acabei me confundindo. Corrigido.


  1. 1 Quando o T-Square veio ao Brasil « Hadouken Trackback em 01/02/2013 às 2:16 pm
  2. 2 O espantoso regresso do Game Music Festival | Hadouken Trackback em 28/06/2013 às 5:01 am

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