Assassin’s Creed 3: não gosto da época, mas curto as possibilidades

Por Claudio Prandoni

Hoje, meio sem querer, mas no final das contas oficialmente, a Ubisoft revelou a ambientação do Assassin’s Creed 3: por volta do final do século XVIII, durante a Guerra de Independência dos EUA.

Curti? Não. Nem um pouco. Não tenho a menor simpatia pela história dos Estados Unidos. Não que seja contra, odeie ou coisa do tipo: simplesmente, não me relaciono e é isso aí.

Claro, isso não significa que essa seja a única época retratada, evidências apontam para o contrário, já que todos os episódios principais de AC mostram ao menos dois períodos – o presente e mais um. Sobra esperança de ver algum dos outros muitos episódios históricos cogitados pelas interwebz nos últimos meses, como a Revolução Industrial na Inglaterra, a Revolução Francesa ou até mesmo a Revolução Chinesa (tópico que seria difícil de lidar, mas ousado por parte da Ubi).

De qualquer maneira, detalhes históricos de lado, acredito que AC3 representa um momento único e importante para a série e os próprios jogos de ação. É hora do salto de qualidade, de subir um degrau e estabelecer novos parâmetros de qualidade. Só para usar um termo recorrente na série, dar um “Leap of Faith”, um salto ousado e perigoso, quase fatal e aparentemente incauto, mas que se bem planeado resulta em sucesso total.

Acompanhe comigo após o salto intergaláctico.

A Ubi parece se prontificar para a causa: no anúncio meio informal e tal de AC3, o CEO da empresa disse que é o projeto mais ambicioso da softhouse francesa e está há uns 3 anos em desenvolvimento. Ou seja, sendo feito em paralelo a Assassin’s Creed 2 e todos seus derivados, crescendo e aprendendo com os erros e acertos de Ezio.

Em breve veremos em parte o resultado da empreitada, mas acredito que veremos um híbrido do mundo aberto típico de AC (por sua vez, forte influência dos Grand Theft Auto da vida) com o roteiro cinematográfico pseudo-interativo de Uncharted e o sistema de desdobramentos de um Heavy Rain. Ao menos, é o que eu gostaria de ver e acho que faria sentido à franquia.

A atual fórmula de mundo aberto ainda funciona, mas já está desgastada. Cansa só de pensar e muito raramente traz surpresas e novidades de impacto. Além disso, o CEO da Ubi já declaro que AC3 representará um jogo de verdade verdadeira for real pra valer de próxima geração e que cria para a série uma forma interativa de contar história.

AC já conta com diversos eventos scriptados, mas acho que cenas grandiosas e épicas ao estilo Uncharted fariam bem, revigorariam e dariam peso e importância à história – até porque ainda não rolou algo do tipo em AC.

Por fim, se realmente vem uma revolução e coisa e tal por aí, para mim faz todo sentido dar ao jogador algum verdadeiro poder de decisão na história. De fato, me ocorre agora que nem precisa ser algo tão intrincado como em Heavy Rain, em que decisões, acertos e erros levam param ramificações radicalmente diferentes, mas que algo mais sutil tal como ocorre em Mass Effect já serviria muito bem, obrigado. Escolher aliados, inimigos, rotas e batalhas.

No final, nem precisa ter finais diferentes, contanto que ofereça ao jogador a possibilidade de traçar caminhos diferentes para chegar lá. Afinal, em um game, boa parte da diversão não é exatamente o fim da aventura, mas a maneira como ela se desenrola.

Enfim, independente de gostar ou não da ambientação do Assassin’s Creed 3, estou bem empolgado com relação à forma dele. Que novidades ele trará? Como pretende inovar e melhorar a narrativa interativa dos games? Respostas, muito em breve… ou assim espero.

Assassin’s Creed 3 tem lançamento marcado para dia 30 de outubro com versões já confirmadas para PC, PlayStation 3 e Xbox 360. Meu palpite é que chega oficialmente aqui no Brasil no meio de novembro, sai também como jogo de lançamento para Wii U e que todas as versões terão legendas em português, a exemplo do AC: Revelations.

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11 Responses to “Assassin’s Creed 3: não gosto da época, mas curto as possibilidades”


  1. 1 Thales 02/03/2012 às 1:09 am

    Não é um tema que está desgastado, é a abordagem dele, lembre-se disso. É só pegar Age of Empires III e Empire: Total War: dois jogos que tratam exatamente do mesmo período (ok, AoE III se estende um pouco pra trás, mas pega o período de Empire também), mas são extremamente diferentes.

    Eu não esperaria tanta influência de decisões no jogo. Eu não vejo muitas reclamações quanto à narrativa de Assassin’s Creed, então acho que não vão fazer muitas alterações nesse sentido. (E, a propósito, o modo como Mass Effect lida com as decisões não é nada sutil). Acho que veremos, na verdade, mais evoluções principalmente na movimentação, algo mais parecido com Splinter Cell: Conviction.

    E não, vai ser Revolução Americana e presente. Foi dito que esse jogo encerraria a história do Desmond (eu não joguei Revelations ainda, então não sei exatamente como termina, mas foi o que disseram, então acho que não deve estar terminada).

    • 2 Claudio Prandoni 02/03/2012 às 1:15 am

      Fiquei curioso pelo seu comentário sobre o Mass Effect, Thales. Só agora comecei a jogar para valer o ME2 então acho que subestimei os esquemas da Bioware.

      Ainda assim, acho que o Heavy Rain é bem mais radical em suas ramificações, acrescentando e retirando personagens da trama (alguns até jogáveis) e mudando bastante o andamento do roteiro.

      Concordo contigo que, pelo sucesso da atual fórmula da série, dificilmente vão mudar muito – mas ainda assim gostaria de ver algo radical rolando. Ficaria meio frustrado se as principais melhorias ficassem para algo mais estético como no Splinter Cell.

      Ainda não terminei o Revelations, mas acho que o arco dele continua no AC3 mesmo. Imagino que, em algum momento, a coisa cresce tanto a ponto de ele ter de assumir uma longa aventura por conta própria, sem ter a necessidade de reviver memórias dos antepassados.

      • 3 Thales 02/03/2012 às 1:34 am

        Espere até chegar ao final de Mass Effect 2…

        Eu acho que são abordagens diferentes. E tudo depende mesmo da forma como você conduz a história. Não dá pra condenar algo por ser o que é. Acho que a forma como a história de Mass Effect é conduzida não requer esse tipo de coisa, até porque é uma trama muito mais expansiva que Heavy Rain. E eu não joguei Heavy Rain, pra ser sincero, mas, pelo que li, com exceção de dois personagens, os personagens raramente se encontram, então é relativamente fácil fazer com que um morra e a história continue. Agora em Mass Effect não. Se um único personagem morrer, a história muda drasticamente em todas as suas instâncias. O Mass Effect 1 tem um momento assim, pode notar. O que eu acho que talvez Heavy Rain seja mais sucedido, mas eu não posso afirmar com certeza por não ter jogado, é em extressar a narrativa através das mecânicas de jogo. Você concorda?

  2. 4 Gabriel Morato 02/03/2012 às 11:17 am

    E mais uma vez vemos o típico preconceito de esquerda de achar que tudo dos Estados Unidos é imperialista e sem alma. Eles são um dos países que mais valoriza a própria história no mundo, mas também tem uma tradição de transformar praticamente em mitologia eventos relativamente recentes.

    Eu estou acostumado a ver isso acontecer primariamente por ignorância ou puro preconceito. Realmente a gente não aprende muito da história americana interessante no Brasil devido à nossa mentalidade academica francesa de esquerda que adora vilificar esse país. Mas eu recomendo a qualquer um passar um dia no Smithsonian de história americana e pesquisar mais sobre não apenas os Founding Fathers, mas as histórias incríveis por detrás de relíquias como o Star Spangled Banner, a Declaração da Independência dos EUA e a Constituição dos EUA. Ler um pouco sobre as vezes que a Casa Branca foi queimada e como a planta de Washington DC foi feita por um francês para ser estrategicamente usada como defesa no caso de ataque. Eles tem uma das mais ricas histórias para um país dessa idade, cheio de personagens e contos incríveis.

    E isso é só o começo. Existem vários personagens secundários incríveis e desdobramentos interessantes que essa ambientação abrem: a Revolução Americana serviu de inspiração para a Francesa – que potencialmente pode aparecer indiretamente. Isso sem falar dos corsários como John Paul Jones… enfim, dado o carinho com o qual os EUA preservou e cultivou sua própria história e cultura, esse é um prato cheio para a série.

    Você diz que seu problema é não se relacionar. Eu acho isso bastante engraçado: de todos os países do mundo, eu diria que os EUA são os que tem uma das histórias mais próximas da do Brasil. Mas você diz se sentir mais relacionado com China e com a Revolução Industrial britânica? Birra ou um triste sinal da herança maldita dos nossos professores de esquerda?

    • 5 Claudio Prandoni 02/03/2012 às 1:12 pm

      Olha, Gabe, em nenhum momento eu falo que a história dos EUA é imperialista ou sem alma. Como digo no texto: não gosto, mas não odeio. Apenas não me diz nada, não me relaciono.

      De quem é a culpa ou falha? Não sei. Talvez do sistema de ensino brasileiro, talvez da minha família, talvez minha mesmo por nunca ter procurado saber mais.

      Também não digo que me sinto mais relacionado com a China ou a Revolução Industrial Britânica.

      Meu ponto aqui é: pelo que conheço destes episódios históricos – e aí dou o braço a torcer, pois sei mais destes dois últimos do que da história americana – acho que ficariam melhor para um jogo de ação e aventura com fortes elementos narrativos como Assassin’s Creed.

      Só isso, acho que tais épocas são melhores do que outras para um jogo de videogame.

      De qualquer maneira, só coloquei aqui a minha opinião com base no pouco que sei do novo jogo e da história americana. Minha expectativa, claro, é que a Ubisoft me surpreenda e cale minha boca com uma história tão sensacional que eu jamais pudesse imaginar algo do tipo.

  3. 6 lucas 02/03/2012 às 1:53 pm

    bem prandoni concordo com vc.n é pra virai jogo d tiro ;s, é medieval

    • 7 BuBBeR 02/03/2012 às 4:37 pm

      Caro amigo, devo lhe informar, mas as Cruzadas (AC1) e Renascimento (AC2, BH e REV) não são medievais. Sugiro consultar um livro de história pra descobrir o que é medieval de fato.

      Grato.

  4. 8 Lucas Souza (@Shirokasi) 02/03/2012 às 4:13 pm

    pra mim AC III tem tudo para ser o melhor da série.

    eu gostei muito da escolha da época, aposto que vamos ter uma ambientação fantástica nela.

    por enquanto, é um dos jogos que mais quero jogar esse ano.

  5. 9 Marcelo Martins 08/03/2012 às 5:41 pm

    Achei muito interessante a discussão apaixonada de vocês sobre a história nos jogos. Eu acredito que ainda seja o elemento que menos evoluiu em relação a todos os grandes avanços que a gente teve na produção de jogos das duas últimas gerações.

    Lógico, existem exceções como vocês citaram, mas eu sinceramente gostaria de ver mais. Também gostaria de ver temas diferentes sendo abordados.

    Eu realmente gostaria de ver uma evolução parruda neste aspecto no AC3. O primeiro é muito bom, o segundo melhorou em vários aspectos, mas não joguei os desdobramentos do segundo porque achei que a fórmula estava ficando um pouco desgastada. Lançar basicamente o mesmo jogo todo ano pode ser lucrativo, mas cansa.

    A Rockstar é muito sábia neste aspecto. Sempre tem um intervalo razoável entre um GTA e outro, dá pra você descansar, respirar e ter vontade de jogar o próximo.

  6. 10 Vinicius 29/05/2012 às 1:48 pm

    Coment aproveitando o tempo: essa mudança de continente pode trazer coisas inesperadas: imagino o Assassin’s Creed 3: *ítulo* se passando aqui no Brasil na época colonial…


  1. 1 Minhas duas Festas do Chá em Boston « Hadouken Trackback em 18/10/2012 às 2:47 am

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