Game music em um concerto de música erudita, de graça, no Brasil


Por Alexei Barros

Apesar da quantidade imensa de jogadores de videogame, a cidade de Porto Alegre costuma ser deixada de lado nos eventos de jogos eletrônicos, haja vista o que disse há três anos (como o tempo passa!) o gaúcho (naturalizado argentino) Geraldo Figueras: “Do jeito que as coisas são em Porto Alegre, se o Nolan Bushnell viesse pra cá e ligasse um Atari 2600 em umas caixas amplificadas, eu já acharia o evento do ano.”

Quem diria que quatro dias depois da capital do Rio Grande do Sul entrar pela primeira vez na rota da excursão do Video Games Live, o que aconteceu na última quarta-feira, dia 12 de outubro, haveria uma orquestra tocando game music em um concerto de música erudita?

Será 16 de outubro, às 11 horas no Salão de Atos da UFRGS, com performance da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e regência do maestro Manfredo Schmiedt. Com entrada franca, o Concerto para Juventude trará no programa a Sinfonia nº 1, de Carl August Nielsen, História del Tango – Night Club 1960, de Astor Piazzolla, West Side Story – Selections for Orchestra, de Leonard Bernstein, e o segmento Play the Game – Clássicos do videogame. Com arranjo de Alexandre Ostrovski Jr., trompista da orquestra, o número trará faixas de Mario, Sonic, Zelda e Top Gear. Tudo bem que pode ser um pouco aleatório ter o videogame como elemento comum da peça – dou um desconto por game music não ser o foco principal do concerto. Também não colocaria Top Gear no mesmo patamar musical das outras séries, mas ficarei na expectativa de algum vídeo pintar no YouTube.

[via OSPA]

12 Responses to “Game music em um concerto de música erudita, de graça, no Brasil”


  1. 1 Figueras 14/10/2011 às 3:32 pm

    Fala Maestro! Realmente caiu o queixo com a notícia, estarei lá pra conferir os arranjos.

    E sobre o meu debut com o VGL… mesmo que tenha proferido tal frase no passado, tenho que confessar que o evento deixa MUITO a desejar. Aliás, estou tão ranzinza com isso que é capaz de eu reclamar mais do Tallarico que o próprio Maestro Barros heeheh

    • 2 Alexei Barros 14/10/2011 às 3:56 pm

      Hahaha! Que coisa, eu nem sabia que você tinha ido ao VGL, master Figueras. Eu até acho que é comum um estado de estupefamento para quem vai pela primeira vez, somado a uma certa complacência pela escassez de eventos similares por aqui, porém não foi mesmo o seu caso.

      Depois da apresentação em São Paulo no sábado eu pretendo fazer um post comentando todo o set list, mas se já quiser externar os seus comentários sinta-se livre, porque eu fiquei curioso de saber se as suas críticas batem com as minhas.

      • 3 Figueras 17/10/2011 às 3:47 pm

        Vou esperar o post pra comentar detalhadamente, mas o negócio que ferra é o Tallarico de blablabla por 5 minutos entre cada música. Além disso, tem peças ali que precisam de uma orquestra com 24924mil musicos. Ao invés de rearranjar ou escolher melhor, a Villa Lobos se vira nos 30 enquanto um playback complementa o resto… e isso foi péssimo.

        No aguardo do reviews :)

        • 4 Alexei Barros 18/10/2011 às 9:43 am

          Ah, foi o que imaginava. O pior do blablabla é que o discurso se repete ao longo dos anos. Eu entendo que sempre tem gente que nunca viu na plateia, mas a apresentação se tornou uma coisa totalmente previsível, enfadonha e burocrática. Isso do playback para mim é uma coisa inadmissível para qualquer apresentação, quanto mais para um espetáculo com orquestra. Agora é superar a preguiça para depois fazer os posts dos segmentos novos e do set list… =/

  2. 5 Cosmonal 14/10/2011 às 4:03 pm

    Alexei, meu caro amigo: experimenta vir morar aqui em Salvador. Não, experimenta mesmo. Aí você vai descobrir um novo sentido para a frase “estou me sentindo ilhado”, meu velho…

    Vou parafrasear o seu amigo, adaptando para a realidade baiana:

    “Do jeito que as coisas são em Salvador, se o Nolan Bushnell viesse pra cá e ligasse um Atari 2600 em umas caixas amplificadas, eu já acharia o evento do MILÊNIO.”

    Isso aí, pode escrever. Ou ainda: “Se Nolan Bushnell viesse ao Brasil, com certeza ele NÃO iria em Salvador. Fazer o quê lá?”.

    Pois é, posso passar o dia inteiro sacaneando minha própria cidade com tudo geek-related, mas vamos à boa notícia: desde 2008, com a chegada da GVT aqui e sua excelente conexão de 10 mbit, minha vida não depende mais dessa cidade. Pois é, bem vindo à Matrix — beeem melhor do que viver na terra do pagode e do axé (argh, desculpa escrever estas palavras aqui neste blog de respeito, Alexei!).

    Abração!

    • 6 Alexei Barros 14/10/2011 às 4:28 pm

      Hahahaha! Imagino como seja a situação toda. Por isso, eu acho que algumas vezes reclamo de boca cheia (ou 1/4 cheia, se compararmos com o que tem lá fora). Mas é curioso que, mesmo sendo essa situação desanimadora aí em Salvador, a cidade recebeu o VGL dois anos antes de Porto Alegre, por isso que fiquei com a impressão que POA era uma capital ainda mais ignorada. Porém, eu imagino que tudo aconteceu por alguma oportunidade única de 2009, sei lá.

      Só acho chato a visita ter acontecido uma única vez, apesar de os ingressos terem esgotado (ao menos é o que o site diz). E, quando perguntado sobre as apresentações em outras cidades além das tradicionais RJ e SP, a organização da Conexão Cultural sempre responde com: “não dá para fazer nada sem patrocínio”. Isso tudo falando de eventos musicais, porque feiras de games também não dá para garantir nada (como o cancelamento da EGS 2011 em SP).

      Mas, enfim, essa conexão ignorante aí já deu o que falar, até o Rafael veio me contar dela, hehe…

  3. 7 E. Shiroma 14/10/2011 às 5:07 pm

    Acho que as orquestras sinfônicas estão cada vez mais se ligando na game music para atrair o público jovem.

    E foi engraçado vocês citarem essa coisa de cidades onde nada acontece, porque de repente descubro ontem que a Orquestra Sinfônica de Limeira faria um concerto de game music! Na minha região (sou de Águas de São Pedro, mas atualmente moro em Assis) acho que isso é algo digno de nota!

    Espero que iniciativas como esta se propaguem, pois games também são cultura!

    • 8 Alexei Barros 14/10/2011 às 5:15 pm

      AAAAH, como assim não fiquei sabendo desse concerto antes? Felizmente, o Jovem Nerd é um site extremamente popular, o que deve ter ajudado na divulgação. E agora fiquei na obrigação de fazer um post sobre a apresentação também.

      Isso de atrair o público jovem é fato mesmo. Comenta-se muito isso nos concertos na Alemanha também.

      Valeu, Shiroma!

  4. 9 Acid 14/10/2011 às 11:35 pm

    Meu sonho é fazer um concerto aqui no Recife, com músicas arranjadas por mim (com a ajuda de alguem que saiba transcrever notas, né?). Um dia ainda faço, aí vou poder colocar musicas q nenhum outro concerto botaria.

  5. 11 Felipe 15/10/2011 às 2:42 pm

    Mario e Nielsen no mesmo concerto? Sonic e Piazzolla?! Caramba, tudo pode acontecer mesmo!
    Será que ouviremos Beethoven e Yoko Shimomura num futuro próximo?


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