The Last Story Original Soundtrack: senta que lá vem a última história hollywoodiana


Por Alexei Barros

Pela rapidez com que The Last Story foi adicionado nos repertórios do Symphonic Odysseys e do Press Start 2011, precedendo a localização ocidental (que não foi anunciada), eu imaginava – já que enrolei para ouvir – que seria, no mínimo, a melhor das trilhas do Nobuo Uematsu para jogos da Mistwalker, superando Blue Dragon, Lost Odyssey e, não podemos esquecer, dos títulos para portáteis Blue Dragon Plus, Blue Dragon: Awakened Shadow e Away: Shuffle Dungeon.

Terminada a apreciação, a sensação foi inversa: achei a menos inspirada de todas da Mistwalker, prevalecendo estranhamento se o que ouvi era para um RPG e não para um Metal Gear Solid. A resposta de minha hesitação veio em uma declaração do Nobuo Uematsu ao site Eurogamer.de. “As primeiras três faixas que eu compus para o jogo foram: o tema principal, o tema de batalha e a música de fundo para a cidade. Todas as três foram rejeitadas”, afirma. “Então tentei pelo princípio de tentativa e erro muitas abordagens diferentes. Depois de hesitar, eu finalmente tentei me orientar com o som de uma trilha de Hollywood.”

Aproveito para fazer uma confissão: minha estima por game music não se estende, com algumas exceções, às trilhas de filmes. Em parte, é explicado pela preponderância em jogos de compositores japoneses, que focam suas obras na melodia. E quando um dos principais nomes do meio, reconhecido justamente pelo poder de criar melodias fantásticas se limita a imitar o estilo cinematográfico? É como se Hideo Kojima tivesse chamado Uematsu para um Metal Gear. E de fato um dos arranjadores do álbum colaborou para a série: direto do estúdio GEM Impact, Yoshitaka Suzuki, com participações em Metal Gear Solid Portable Ops e Metal Gear Solid 4 Guns of the Patriots. Mesmo assim, faixas do velho Uematsu sobreviveram e imagino que nessas os arranjos dos concertos. O que considero necessário: uma das maiores decepções é que a trilha faz uso reduzido de instrumentistas (entre no VGMdb se quiser ler mais detalhes), abusando de faixas sintetizadas que emulam timbres sinfônicos. Não há desculpa de limitação do espaço de mídia, muito menos de orçamento para a contratação de uma orquestra ou de musicistas avulsos, como foi o caso da Lost Odyssey Original Soundtrack.

Após o Hadouken, comento as músicas que mais gostei da The Last Story Original Soundtrack, formada por três discos com 15, 14 e 13 faixas que, dizem, não abarcam todas as músicas do jogo.

1-01 – “Theme of The Last Story”

A atmosfera sombria dos minutos iniciais oferece um panorama do que seria se o Nobuo Uematsu compusesse a trilha inteira do Final Fantasy XII. Em 1:32, a faixa dá uma virada, incorporando a alma Metal Gear Solid de ser. Se fosse um medley, daria para considerar como uma passagem brusca em 2:24, quando a música propaga ares de esperança. De 2:54 a 3:02 um trecho destoante, de novo, com cara de MGS. Deve ilustrar uma cena de corte específica para ter tantas alternâncias assim.

1-02 – “Is That Road Justified?”

A falta de tempero da ambiência é compensada pelas intervenções do trompete e, em raros momentos, da guitarra.

1-06 – “Bonds”

Uematsu à moda antiga, com o tema reproduzido por violino e violão típico de uma cidade tranquila, no melhor estilo Final Fantasy e Makai Toushi SaGa.

1-08 – “Exposed to Light”

À primeira vista, a faixa não impressiona muito até os metais sintetizados ecoarem uma melodia que parece ter saído do Final Fantasy IV.

1-09 – “When Hearts Connect”

Solo de piano misterioso, climático, quase assustador.

1-10 – “Toberu mono (Instrumental)”

Quando ainda nem se sabia quem era o compositor do jogo, esta faixa maravilhava quem entrasse no site oficial. O solo de violino da amostra não aparece logo no início, apenas na repetição da melodia. E não à toa o violino é o principal responsável pela emotividade: é o único instrumento de verdade, o resto é sintetizado, o que prejudica a plena apreciação da música. Com uma orquestra completa seria outra história. É minha aposta para o Symphonic Odysseys.

1-11 – “Hearts Bounce Loudly”

Valsa que remete a Final Fantasy VIII. A flauta e especialmente as cordas seriam melhores se fosse uma orquestra real tocando.

1-15 – “Just Being Near You”

Violino e violão, instrumentos que se destacaram na “Bonds”, são reforçados pela flauta para puro encantamento.

2-04 – “Castle Ruri”

Piano praticamente fantasmagórico. A flauta e as cordas lá de fundo ajudam a quebrar a tensão.

2-05 – “Fallen Nobles”

Violino e flauta pontuam a decadência da nobreza de forma pungente.

2-08 – “Being Congenial”

Nobuo Uematsu não é exatamente um especialista de jazz e, aos poucos, vem enveredando no estilo, como na Anata wo Yurusanai Original Soundtrack e na faixa “10” do Final Fantasy XIV Alpha. Aqui é um agradável jazz suave, com saxofone e as batidas leves no prato da bateria. Só perde um pouco por não ser totalmente interpretada por instrumentos reais.

2-09 “Bout of Arena ~ Battle Banquet”

Flamenco com um formidável solo de violino, seguido por solos de flauta e castanholas. Violão apenas tímido. Deixa no ar um estilo similar ao do álbum Genso Suikoden Music Collection Produced by Hiroyuki Namba, por faixas como “Withered Earth”.

2-10 – “Glorify the King”

O título passa a impressão de uma música com quê de Dragon Quest, que passe o sentimento de realeza de um castelo, mas a composição transmite outra ideia, de que o rei é um tirano opressor.

2-13 – “Declining Nobles”

Novamente o declínio na flauta e violino, desta vez com intervenções da guitarra.

2-14 – “Pub for Gathering”

Música de estilo andino pelo uso recorrente da flauta tradicional, com toques do bouzouki irlandês, este tocado pelo Koichiro Tashiro. Na trilha do Final Fantasy XIV Uematsu já havia subido nos Andes na faixa que ficou conhecida como “3C” no vazamento da versão alpha.

3-01 – “Invitation to Madness”

Nem sempre consigo me satisfazer com o rock emplacado pelo Uematsu, mas aqui é diferente pela mistura infalível de guitarra com violino, mescla que poderia ser usada pela Earthbound Papas como a jdk Band faz magistralmente.

3-04 – “Death Dance”

Rock progressivo à The Black Mages, com guitarra e teclado efervescentes.  Não é nada fora de série, ainda que empolgue em alguns momentos.

3-07 – “The One Ruling Everything”

O que é essa coisa pavorosa no início? Passado o susto, hard rock para ilustrar, suponho, a batalha final – sem o acompanhamento do coral em latim –, apenas instrumental… isso até regressar aquela voz gutural do princípio e uns gritos ainda mais escabrosos.

3-08 – “New Days”

Música esperançosa, ilustrando que o pior já passou. De novo lamento a beleza da composição não ser sentida com o poder de uma orquestra.

3-09 – “Joyful Voices Can Be Heard”

Faixa que dá continuidade ao ambiente promissor estabelecido pela anterior, começando com um tom militar por conta da percussão.

3-10 – “Toberu mono”

Pelo que consegui entender no tradutor automático, é a canção que será executada no Press Start 2011. Com versos alternados em japonês e inglês escritos por Hironobu Sakaguchi, a música é interpretada por Kanon, que Uematsu conheceu na trilha do anime Guin Saga. O irmão da cantora é fanático por Final Fantasy, o que acabou motivando o lançamento do álbum A New Story, que inclui, além de versões da série da Square Enix, uma a presença idêntica deste tema de encerramento do The Last Story. Com vocal a faixa ganhou um clima etéreo, mas não troco aquele violino por nada. Sou mais a “Toberu mono (Instrumental)”.

4 Responses to “The Last Story Original Soundtrack: senta que lá vem a última história hollywoodiana”


  1. 1 Wesley Pires 24/06/2011 às 4:42 pm

    Terei que ouvir primeiro antes de deixar um feedback, mestre. Fiquei deveras interessado.

  2. 2 erikamth 24/06/2011 às 4:44 pm

    Gostei da faixa do solo de piano. Quanto as outras, são boas mas de fato deixam a desejar um pouco.
    Glorify the King tbm é interessante, me lembra FF6 e Kefka.

    E o q foi aquilo em “The One Ruling Everything”? Ah, vou ouvir Ys (q é bem melhor) para tirar essa coisa pavorosa da cabeça! Credo!

  3. 3 Alexei Barros 24/06/2011 às 10:22 pm

    @ Wesley

    E esteja avisado que a trilha não é o estilo do Uematsu que todos se acostumaram. E não se acanhe de fazer um post no Violão se assim tiver vontade.

    @ Erika

    Não passou pela minha cabeça um paralelo da “Glorify the King” com o Final Fantasy VI – a faixa esconde um certo ar retrô pelo estilo da composição de fato.

    E eu alertei sobre o potencial para causar pesadelos da “The One Ruling Everything”, haha… só imagino que coisa horrível deve ser o chefão.


  1. 1 O programa do Symphonic Odysseys « Hadouken Trackback em 04/07/2011 às 12:26 pm

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