LEGENDS: a corrida para piano e orquestra de F-Zero

Por Alexei Barros

Nas vésperas do Symphonic Legends proclamei o segmento de F-Zero o mais aguardado por mim, por admirar a trilha e pelo quase ineditismo na orquestração das músicas. Fiquei confiante pela escolha do Shiro Hamaguchi, em decorrência de sua aptidão nos arranjos de Final Fantasy e Monster Hunter.

No momento em que ouvi a transmissão ao vivo da “F-Zero (Race Suite)”, não fui impactado tanto quanto gostaria. “Mute City” ficou devagar. Deveria ser lépida. “Big Blue” ficou formosa. Deveria ser empolgante. Faltou impacto e velocidade. Não que fossem necessariamente obrigatórias, as introduções de ambas (trechos até 0:19 e 0:15 nas originais, respectivamente) nem sequer foram aproveitadas. Para completar, um dos relatos in loco do evento comentou que a percussão eletrônica do Rony Barrak estava mais alta que a orquestra – desnível que não foi tão sentido pelo streaming. Resultado: a suíte é apenas OK, mas OK é pouco para o elevado patamar de releituras estabelecido pelos concertos de games em Colônia.

Acreditava que o número passaria por uma reformulação no LEGENDS, e logo pensei que o Roger Wanamo, até mais que Jonne Valtonen, seria o nome adequado para  verter satisfatoriamente as faixas de F-Zero, pelo que ele já fez no Symphonic Fantasies e no Symphonic Legends. Quem foi o escolhido? Então. Retomei a expectativa.

“Quando me pediram para arranjar F-Zero, a primeira coisa que pensei foi colocar Benyamin Nuss ao piano. Corrida é velocidade – e o piano confrontando a orquestra inteira é a combinação perfeita para traduzir este sentimento para a música”, afirma Wanamo. “Minha peça segue a estrutura de uma corrida intensa de F-Zero em três voltas. Algumas partes do segmento são suaves, enquanto outras contêm viradas rápidas e oferecem grandes oportunidades para ultrapassar o oponente e conquistar a liderança.”

Não esperava por um concerto para piano. Ainda mais do Wanamo, como as releituras não mostravam uma proeminência no instrumento, a não ser por alguns excertos do “Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)”. Porém, vale ressaltar que Wanamo estudou piano e chegou a dar aulas. Agora sim F-Zero tem tudo para chegar a mil por hora com a “Race for Piano and Orchestra”.

[via Facebook]

10 Responses to “LEGENDS: a corrida para piano e orquestra de F-Zero”


  1. 1 Radical Dreamer 09/05/2011 às 2:10 pm

    Sensacional! Contava realmente com uma reformulação, mas não com um piano em evidência. Tem tudo para ser dinâmico como os originais. Até agora só um dos segmentos será o mesmo do Legends ocorrido em Colônia, é quase um concerto inteiro novo (Donkey Kong e Zelda devem receber alterações pequenas). Pena que não irão transmitir ao vivo, vamos ter que contar com a boa vontade dos usuários do Youtube.

    • 2 Alexei Barros 09/05/2011 às 4:17 pm

      Embora não esperasse pelo piano em evidência, acho muito melhor a escolha do instrumento para conferir o dinamismo à peça em vez da percussão pelo estilo das músicas do F-Zero. Sobre o que falou o Wanamo, é difícil de imaginar um diálogo entre piano e orquestra por trechos como o de 0:38 a 0:48 da “Mute City”.

      Eu creio que Super Mario Galaxy também deverá ser o mesmo arranjo do Symphonic Legends. Ainda assim, a quantidade de mudanças está me surpreendendo, ainda mais se levarmos em conta que o Symphonic Odysseys está sendo feito pelo mesmo time quase que ao mesmo tempo.

      Torço de verdade para os espectadores serem bastante solidários para o YouTube, visto que a Nintendo não costuma ser muito favorável para lançamentos em CD.

  2. 3 Radical Dreamer 09/05/2011 às 4:34 pm

    Em relação a um CD, será que teremos um? Lembro que Thomas Boecker disse que o concerto seria gravado de uma forma ou de outra. Só espero que ele não esteja se referindo à gravação da transmissão ao vivo, e sim a alguma forma com qualidade de som melhorada. É que agora, com a maioria das séries recebendo dois arranjos, fica impossível colocar a totalidade deles em um CD. Espero mesmo que essa quantidade não impeça um lançamento definitivo de tantas obras-primas.

    • 4 Alexei Barros 09/05/2011 às 6:43 pm

      Até tinha me esquecido dessa declaração do Thomas:
      “However, having said this we are definitely planning with making the concert permanently available in high quality in one way or another. It is not going to be lost, and there will be options for fans to relive the concert experience as much as they want.”

      Porém, não acho provável o lançamento do CD do Symphonic Legends agora que haverá o LEGENDS com tantos segmentos novos e aperfeiçoados. Cheguei a perguntar outro dia para o Thomas se haveria um álbum, e ele comentou que gostaria, claro, mas a Nintendo não é fácil em questões como essa. Vale lembrar que o Super Mario Bros. 25th Anniversary Special Sound Track Press Start Edition era um disco promocional e o VGL: Level 2… talvez tenham conseguido como as duas faixas já tinha sido licenciadas anteriormente para o OGC1.

      • 5 Alexei Barros 10/05/2011 às 8:02 pm

        Sobre a declaração do Thomas, uma novidade, Radical Dreamer. Ele me disse que acertou com a Nintendo para que o concerto fosse editado e publicado em alta qualidade de vídeo e imagem no Mediathek, que é um serviço de vídeo similar ao YouTube da WDR. Porém, até o momento a WDR não aproveitou a permissão especial e ainda não compartilhou o concerto, infelizmente.

        Não entendo por que a WDR não se mexeu, como não houve vídeo streaming ao vivo e não há gravações dos três primeiros segmentos no YouTube.

  3. 6 Cosmonal 10/05/2011 às 11:08 am

    Opa Alexei, que ótimo poder acompanhar o Legends através de suas análises meu caro.

    Um comentário que pode agregar alguma coisa: você estranhou, ou apenas sentiu falta, do início de Mute City. A sequência de acordes daquele início de Mute City, apesar de incrivelmente empolgante na música sintética (pra mim é a melhor música do SNES – Mute City), ela simplesmente “não combina” com a música arranjada para a “pegada erudita”. É uma opinião de músico (ou “gamer-músico”, rs), mas me colocando nos pés do arranjador e adorando como adoro aquela intro, eu faria o mesmo – descaradamente – mesmo uma menção, tipo, lá no meio da música, com uns horns baixinhos, sem brilhar, segurando (fazendo às vezes de um synthpad – aliás, é o contrário né :P) e talvez umas flautinhas pra adocicar… intuitivamente, falando como arranjador (imaginei várias situações de arranjo aqui e todas elas aqueles acordes soam forçados, para a proposta), ficaria deslocado – a “culpa” seriam simplesmente a sequência de acordes mesmo.

    É curioso e pode parecer estranho, mas muitas vezes melodias absolutas (incluo aí sequências harmônicas também, uma vez que são apenas melodias “multi-layered”) definem sentimentos que os timbres não conseguem descolorir. Já passei por isso várias vezes enquanto arranjador, não só arranjando game music, naturalmente. Claro que estamos falando de música/arte, então a decisão dele pode ter sido simplesmente baseada no fato dele ter decidido espontaneamente ignorar por não achar importante para o todo (e não pelo motivo que citei) ou porque prefere manteiga à margarina :)

    Mas anyway, fica aí mais uma posição.

    Valeu meu caro Alexei! Ah, aproveito e convido pra uma olhadinha numa brincadeira que estou produzindo para a Rise From Your Grave do Altered Beast, lá no Cosmic Effect – talvez você curta :)
    http://cosmiceffect.com.br/2011/04/28/game-music-altered-beast-rise-from-your-grave-unintended-piano-version/

    • 7 Alexei Barros 10/05/2011 às 2:16 pm

      Opa, Eric, eu gosto muito deste formato de revelação dos segmentos com comentários sobre cada arranjo, uma pena que nem sempre os concertos façam assim.

      Extremamente interessante os seus comentários como músico-gamer da introdução da “Mute City” e me fascina saber detalhes sobre os desafios inerentes na tradução do sintetizado para o orquestrado. Reforça minha impressão da dificuldade que é adaptar esta música para a linguagem orquestrada. Já imaginava algo assim porque a “Mute City” (link para a versão destruidora do Super Smash Bros. Melee) foi uma das poucas faixas do jogo que não foi orquestrada no Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert, junto com músicas do Mother/Earthbound e o rap do DK64. Em compensação, a “Big Blue” foi orquestrada no “Smash Bros. Great Medley” com a introdução e de uma maneira muito mais satisfatória do que o Shiro Hamaguchi no Symphonic Legends.

      Mais do que nunca fico curioso para saber se a intro foi aproveitada nesse novo piano para concerto preparado pelo Roger Wanamo.

      P.S.: Vou conferir agora o seu post e o arranjo e daqui a pouco comento lá.^^


  1. 1 LEGENDS: a corrida para piano e orquestra de F-Zero « Hadouken | Link Mundial Trackback em 15/05/2011 às 12:45 am
  2. 2 “F-Zero (Race for Piano and Orchestra)” – F-Zero (LEGENDS) « Hadouken Trackback em 14/06/2011 às 3:10 am
  3. 3 “The Legend of Zelda: A Link to the Past (Healing)” – The Legend of Zelda: A Link to the Past (LEGENDS) « Hadouken Trackback em 14/06/2011 às 11:33 pm

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