Akumajo Dracula Tribute Vol.1 e 2: tributo sem tribulação

Por Alexei Barros

Vasta, rica e altamente qualificada: é a discografia de Castlevania. Qualquer tributo a composições antigas deve ser justificado, para ombrear álbuns do nível de Drabula Battle Perfect Selection I e II. Se for um tributo preguiçoso, como o Gradius Tribute, com alguns arranjadores praticamente desconhecidos no meio, é melhor nem fazer. A Konami aprendeu a lição e publicou a dupla Akumajo Dracula Tribute Vol.1 e Akumajo Dracula Tribute Vol.2, ambos 13 de janeiro de 2011, emprestando as músicas vampirescas para nomes de primeiro gabarito. Entre outros, Motoi Sakuraba, Masashi Hamauzu e Hiroki Kikuta.

Não que todas as 26 faixas (13 de cada disco) sejam magistrais, pelo contrário – “Vampire Killer ~Castlevania (Nintendo Entertainment System)~” é digno do detestável Perfect Selection Dracula. Por isso, passei rapidamente apenas pelas que mais me agradaram, ignorando o fato que os dois discos saíram em janeiro e comento só agora.

Akumajo Dracula Tribute Vol.1

04 – “Beginning ~Castlevania III: Dracula’s Curse (NES)~”
Original: “Beginning”
Arranjo: Motoi Sakuraba

Das sete releituras de Sakuraba para o Super Smash Bros. Brawl, o característico rock progressivo não combinou muito com algumas composições, como a “Jungle Level Ver.2” do Donkey Kong Coumtry. Aqui a situação é diferente, e o estilo casou perfeitamente com a música escolhida, concentrando a atenção nos teclados amparados por baixo e bateria e sem guitarra.

05 – “Clockwork ~Castlevania III: Dracula’s Curse (NES)~”
Original: “Clock Work”
Arranjo: Aki Hata

Ex-Konami, Aki Hata não é um nome muito comentado, mas é uma compositora, arranjadora e letrista prolífica, colecionando participações em diversos animes e jogos, como, por exemplo, Soul Edge. Além disso, é tecladista e vocalista da banda Tsukihiko, e convocou dois companheiros do grupo para a performance: o violinista Teppei Okada (aquele que gravou diversos vídeos tocando o instrumento à medida que apareciam as cenas de jogos) e o guitarrista Koichi Namiki (sim, o mesmo antológico da S.S.T. Band). A forma com que violino e guitarra se interagem é magistral, digna da nova jdk Band.

12 – “New Messiah ~Castlevania The Adventure II: Belmont’s Revenge (Nintendo Game Boy)~”
Original: “New Messiah”
Arranjo: MANYO

MANYO é como assina Tomomi Teratani, compositor famoso no gênero visual novel, e seu arranjo pode ser considerado uma mistura das releituras do Motoi Sakuraba e da Aki Hata, com guitarra (belo solo, aliás), violinos afiados e até um baixo slap. Só me desapontou um bocado o timbre do teclado por quase emular um chiptune – talvez até tenha sido a intenção, mas não achei que colou junto com instrumentos reais.

13 – “Voyager ~Castlevania (NES)~”
Original: “Voyager”
Arranjo: Tenpei Sato

O compositor mais conhecido pela série Disgaea surpreendeu com um arranjo etéreo, baseado nas cordas, em vocais femininos e em solo soprano.

Akumajo Dracula Tribute Vol.2

03 – “Requiem for the Nameless Victim ~Castlevania: Bloodlines (Genesis)~”
Original: “Requiem for the Nameless Victim”
Arranjo: Soyo Oka

Depois de um começo fúnebre – não se podia esperar outra coisa de um réquiem –, com um órgão e um coral sombrio, surge um violão (tocado por Hiroyuki Taneda) que transforma tudo. A parte orquestrada é sintetizada na verdade, mas fica sensacional a partir da virada em 2:26, quando se mistura com o violão. Adiante até surgem solos de guitarra e piano. A compositora de Super Mario Kart, Sim City (SNES) e Pilotwings mostra mais uma vez o quanto perdemos o tempo em que ela se afastou da game music. E, com todo respeito ao arranjo “Requiem for the Nameless Souls” da Michiru Yamane no Akumajo Dracula Best Music Collections Box, a versão da Soyo Oka desbanca fácil.

04 – “Union ~Castlevania The Adventure II: Belmont’s Revenge (Game Boy)~”
Original: “Union”
Arranjo: Masato Kouda

Na falta de uma coletânea de piano oficial de Castlevania, Kouda se dedicou a fazer um solo – ele que é o arranjador e intérprete da “Vampire Killer” no Pia-Com II. Sem exageros na atuação, é um arranjo sucinto e bem acabado.

05 – “Ending Theme ~Super Castlevania IV (SNES)~”
Original: “Ending Theme”
Arranjo: Hiroki Kikuta

A visão do tema de encerramento de Kikuta é épica e tendia a ficar monótona até a guinada (1:07) dar uma acelerada na música e aparecerem flautas (sintetizadas) e timbres reminiscentes de Secret of Mana.

08 – “Concert Hall without Applause ~Castlevania: Lament of Innocence (PS2)~”
Original: “Concert Hall without Applause”
Arranjo: Kumi Tanioka

Na falta de um álbum de piano oficial de Castlevania, eis outro solo – parece até combinado. A interpretação consegue manter a aura de mistério da original, aditivada por uma dose de imponência. Uma obra-prima, enfim.

09 – “An Empty Tome ~Castlevania: Order of Ecclesia (Nintendo DS)~”
Original: “An Empty Tome”
Arranjo: Hideki Sakamoto

Uma das melhores músicas da Michiru Yamane da fase mais recente da série ficou um primor no arranjo do sempre competente Hideki Sakamoto. Além da participação das cordas, com o violino em evidência, os casuais efeitos eletrônicos e principalmente o acompanhamento do baixo elétrico e da bateria são os responsáveis pelo enlevo.

12 – “Finale ~Deep Translucent Moonlit Night~ ~Castlevania: Dawn of Sorrow (DS)~”
Original: “Finale ~Deep Translucent Moonlit Night~”
Arranjo: Masashi Hamauzu

Decisão sábia de Hamauzu de sair da Square Enix porque assim pôde mostrar a sua aptidão nos arranjos, haja vista o Symphonic Legends e o que promete fazer no LEGENDS, e ainda continuar lidando com as séries de sua antiga casa, a exemplo do Final Fantasy IV After Years. Utilizando os instrumentos que sabe usar como poucos – piano e cordas –, ele nos brinda com um arranjo sublime, justificando toda a expectativa (minha pelo menos).

14 Responses to “Akumajo Dracula Tribute Vol.1 e 2: tributo sem tribulação”


  1. 1 Wagner 08/05/2011 às 9:22 am

    Indeed, a discografia do Castlevania é uma das melhores que eu já ouvi, a minha favorita foi a do Symphony of the Night, simplesmente inesquecivel

    • 2 Lugus 08/05/2011 às 1:35 pm

      Nossa, arrepios ao ouvir as faixas desse disco!!
      Sobre as músicas, symphony é supremo(graças em muito ao uso de cd), mas a trilogia do DS tem obras primas também. Babo com o serviço de Yuzo Koshiro no portrait, e a trilha “delicada” de ecclesia, combinando bastante com a personagem.

  2. 3 Farley 08/05/2011 às 10:27 am

    Já estava sentindo falta desse tipo de post, adoro :D

    Eu sinceramente nem sabia da existência desse album… Fiquei mais ‘preocupado’ em ir atrás de Epic of Zektbach – Masinowa- e ROCKMAN ZERO COLLECTION SOUNDTRACK – résonnant vie – (recomendo muito os dois), e também torcendo pro lançamento da OST do Layton mais recente… E pelo pouco que ouvi aqui parece um ótimo tributo.

    Dei mais atenção às canções que já conhecia e/ou compositores que já conhecia:
    -Beginning pelo Sakuraba ficou ótimo, felizmente não ficou muito parecido com Valkyrie Profile/Tales of como costuma ficar os arranjos dele. Pelo jeito Resonance of Fate fez um bem ótimo pra ele;
    -Clock Work pela Aki Hata ficou algo bem interessante, conseguiu manter bem a atmosfera da original com uma guitarra bem marcante;
    -Voyager pelo Tempei Sato eu fui ouvir mais pela curiosidade do que você descreveu, já que o único trabalho dele que ouvi com cuidado (Phanton Brave) eu achei bem chato e repetitivo, sem contar que não conhecia a música original em questão. Gostei, os violinos e vocais éteros ficaram bem interessantes;
    -An Empty Tome pelo Hideki Sakamoto foi a minha favorita. Ok, isso é bem justificável por eu já gostar muitíssimo da original… Colocar um violino em destaque e um baixo elétrico como contrapeso ficou excelente;
    -Finale ~Deep Translucent Moonlit Night~ pelo Masashi Hamauzu ficou bem interessante, mas achei que ficou um pouco distante demais da original.

    Depois vou tentar ouvir os álbuns completamente para formar uma opinião mais concreta :)

  3. 4 Alexei Barros 08/05/2011 às 5:52 pm

    @ Wagner

    Uma pena que as duas do Symphony of the Night não estão entre as melhores do álbum – na minha opinião, é claro.

    @ Farley

    Opa, Farley, fico feliz de ler isso, muito porque andava com bastante preguiça de fazer posts assim. Tenho uma lista de sete ou oito álbuns que já saíram e gostaria de comentar mais detalhadamente.

    Sobre as sugestões, estão anotadas. Estava ligado no Zektbach, mas nem sabia do Rockman Zero Collection. É uma questão de tempo para sair a OST do Mask of Miracle, e vamos ver o quanto a trilha vai soar diferente no 3DS.

    – Beginning: muito bem lembrado. Embora discorde do Valkyrie Profile, pois gosto dos temas de combate e algumas músicas imponentes, sem dúvidas está mais inspirado que o que conheço de Tales of.
    – Clock Work: isso aí mesmo. Além da guitarra e violino excelentes, o arranjo conseguiu absorver a inspiração da original.
    – Voyager: para falar a verdade, conheço bem pouco das trilhas do Tenpei Sato. Do que ouvi achei bem isso mesmo, e o excesso de artificialismo na sonoridade dos instrumentos me incomodou.
    – An Empty Tome: a original é um primor de fato, e você não foi o primeiro a comentar para mim que é a preferida.
    – Finale ~Deep Translucent Moonlit Night~: vou confessar que quando escrevi o texto não tinha ouvido a original de novo, e concordo que ficou bem diferente a sensação que a música passa. A sintetizada até me lembrou Romancing SaGa.
    Não hesite em comentar se conseguir ouvir os dois de ponta a ponta, vai que tem alguma que você gostou e acabei não mencionando.

    @ Lugus
    Concordo, coincidentemente ou não muitos arranjos que selecionei são dos episódios para DS. Lamento que as composições do Yuzo Koshiro não tenham sido selecionadas e também não o terem chamado.

  4. 5 DGC 09/05/2011 às 12:47 pm

    Um muito obrigado ao maestro Barros por mais este excelente, e de fato um tanto sumido (sem preguiça vai… heheh), tipo de post.
    Fazia tempo que procurava por um álbum assim para minha singela coletânea de Castlevania.
    Das que ouvi aqui, gostei de praticamente tudo.

    • 6 Alexei Barros 09/05/2011 às 1:57 pm

      Sem dúvidas é um belo adendo ao box que saiu no ano passado e a todos os álbuns arranjados de Castlevania que já saíram na década de 1990.

      E valeu pelo comentário, serve de incentivo para eu não demorar a escrever dos próximos álbuns que separei.

  5. 7 Farley 09/05/2011 às 2:51 pm

    @Alexei
    Fiquei curioso em saber qual seria essa lista de albuns… pode falar alguns? E fiquei surpreso de você conhecer Zektbach, já que é algo mais na linha do eletrônico e você parece ser apreciador de instrumentos reais…

    E me expressei mal quando falei de Valkyrie Profile, assim como você gosto muitíssimo dos temas de batalha, mas ao meu ver quando o Sakuraba cria novos arranjos para canções já existentes ele acaba puxando um pouco pro estilo de Valkyrie Profile/Star Ocean/Tales of. Não sei o motivo dele não usar tanto o estilo que ele utilizou em Baten Kaitos, por exemplo…

    Ouvi completamente os dois albuns e concordo com você, o que eu gostei não é muito diferente da sua lista não, por mais que eu tenha gostado também de Cross Your Heart e Bloodlines, do Vol 1.

    ~

    Ah, algo meio offtopic: Algum de vocês aqui do Hadouken já está com o 3DS? Já faz um tempinho que estou com ele (até escrevi minhas impressões) e queria mais Friend Codes :)

    • 8 Alexei Barros 09/05/2011 às 6:07 pm

      Não seja por isso, eis a lista inteira:

      Distant Worlds: music from Final Fantasy Returning Home
      Gyakuten Kenji 2 Orchestra Arrangement Collection ~Kanaderareshi Gyakuten~
      Ni no Kuni: Shikkoku no Madoushi Original Soundtrack
      Myth The Xenogears Orchestral Album
      The Last Story Original Soundtrack
      Gyakuten Kenji 2 Original Soundtrack
      Dissidia 012[duodecim] Final Fantasy Original Soundtrack
      Octave Theory
      El Shaddai: Ascension of the Metatron Original Soundtrack

      Conhecia o Zektbach pelo álbuns do GuitarFreaks e Drummania, como tava ligado que era um dos pseudônimos do Tomosuke Funaki – claro que o VGMdb colaborou muito para que soubesse do lançamento.

      Ah, entendi. Verdade que no Baten Kaitos ele tem uma dose maior de inspiração e fez composições com violino e guitarra, dois instrumentos que não costumam aparecer no Valkyrie Profile e Star Ocean.

      As duas que você mencionou eu curti também, embora não tenha gostado tanto quanto as que destaquei no post. Só não entrarem por detalhes: um dos timbres das guitarras da “Cross Your Heart” não me agradou e a “Divine Bloodlines” achei interessante a ideia de usar chiptune, mas acharia melhor se fosse uma mais recente, visto que a original era sintetizada.

      Sobre o 3DS, legal o relato, foi bem ao encontro do que li em revistas. Por enquanto, o Claudio é o único do Hadouken com o portátil e o Friend Code dele é 0430-8310-7459. Em curto prazo, não penso em comprar, mas vai ser difícil resistir quando sair o Professor Layton vs. Ace Attorney.

      • 9 Farley 10/05/2011 às 11:45 am

        Interessante a lista de albuns, depois vou dar uma conferida em alguns.

        Já Zektbach eu descobri jogando Pop’n Music e depois também que descobri que era um dos piseudônimos do Tomosuke Funaki. Não sei, mas na minha cabeça você deve apreciar mais o album The Epic of Zektbach -PIANO COLLECTION-, hahaha…

        E o 3DS eu acabei comprando mesmo pela oportunidade de conseguir barato, senão nem ligava de ir atrás. Sim, meu relato não foge muito do que a mídia especializada anda falando, já que é isso mesmo o que o 3DS oferece no momento. Pois pra mim no futuro não tem nada de muito interessante ainda não, por mais que eu esteja muito interessado no Megaman Legends 3 Prototype Version.

        • 10 Alexei Barros 10/05/2011 às 3:25 pm

          Não conhecia ninguém que tivesse jogado o Pop’n Music, bom saber. Também vou anotar a sugestão desse álbum solo de piano – um dos dois com certeza vou gostar pelo que já ouvi do Tomosuke Funaki.

          Exatamente o que você disse que me desanima, por enquanto, de comprar o 3DS: não tem nenhum jogo exatamente indispensável. Além disso, tanta, mas tanta coisa que ainda queria jogar de DS que prefiro esperar um pouco…talvez o suficiente para a Nintendo ensaiar o lançamento de um 3DS Lite… =P

  6. 11 Júlio 02/08/2011 às 9:19 am

    Primeiro, tenho de parabenizar por mais um belo post do “Hadouken”. Certamente ignoraria essa belo espetáculo musical.

    Segundo, ainda não ouvi tudo, mas esse arranjo – nova composição do Masashi Hamauzu, é absurdamente linda, emocionante, estou quase chorando aqui, hehehe.

    Hideki Sakamoto também arrepiou. E o Sakuraba foi muito bem.

    E que nós sejamos novamente bem agraciados no Final Fantasy XIII-2

    Abração!

    • 12 Alexei Barros 02/08/2011 às 12:09 pm

      A melhor coisa que poderia acontecer para o Masashi Hamauzu foi ter saído da Square Enix, para aumentar a variedade de participações. Não só para trilhas, como para concertos. Ele fez três arranjos para o LEGENDS e um para o Symphonic Odysseys. E o melhor, sem deixar de colaborar com a antiga casa.

      Se me permite uma correção, o que o Hamauzu fez neste álbum foi um arranjo, mesmo porque a composição é de autoria da Michiru Yamane.

      • 13 Júlio 04/08/2011 às 6:26 am

        Alexei, concordo, foi uma boa a saída do Hamauzu. Eu mesmo fiquei temeroso, mas me surpreendo cada vez mais. Por sinal, ouvi uma música do próprio retirada do FFXIII-2 que é formidável.

        Quanto à correção, foi uma brincadeira, pois apesar da versão original do DS ser muito boa, esse arranjo do Hamauzu se distancia, parecendo uma novidade plena.

        Eu ainda estou devendo ouvir os trabalhos Legends e Symphonic Odisseys. Vou pesquisar com cuidado e carinho.

        Gostei também da “The sinking old sanctuary”, que é uma que eu já adorava em seu momento original e a versão do Azusa Chiba ficou bem interessante!

        Abração!!!


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