“Street Fighter II Medley” – Street Fighter II (VGL 2010 em São Paulo)

Por Alexei Barros

Desde anos atrás mostrei muitas vezes o meu anseio para que as músicas do Street Fighter II, fortemente nostálgicas e poderosas, fossem orquestradas. Vontade que, claro, foi compartilhada por tantos nos comentários dada a supremacia do jogo.

Imaginei que isso viria a acontecer em um concerto nipônico, mas fico com a impressão de que as músicas não são tão populares ainda hoje no Japão como aqui porque são raros os álbuns doujin ou performances amadoras. No hype em efervescência do começo da década de 1990, todavia, foram lançados dezenas de álbuns arranjados e não houve uma apresentação do Game Music Festival com a Alph Lyla, a banda da Capcom, sem que fosse tocada uma música do Street Fighter II.

Atendendo aos diversos pedidos pós-show e nos fóruns, Tommy Tallarico reservou para a turnê brasileira de 2010 a estreia mundial do segmento de SFII do Video Games Live. Quem diria que um dia isso viria a acontecer, hein? Como dito antes, a única vez em que ocorreu um debute do VGL nestas bandas subdesenvolvidas foi a “Liberi Fatali”, tocada no Rio de Janeiro em 2006.

Dada a qualidade bisonha de alguns arranjos recentes, com recortes toscos e colagens sem critério, não demonstrei a menor empolgação quando soube da novidade, embora não deixasse de ter certa curiosidade. Não é que fui surpreendido?

A seleção de músicas me agradou, com os temas dos personagens mais representativos: Guile, Ryu e Ken, respectivamente. Entretanto, fez falta a “Title” (perfeita para começar um medley), ainda mais que o vídeo no telão começa com a cena de abertura. As transições entre as faixas são certinhas, e detalhe que o tema do Ryu é inspirado (para não dizer copiado) na “Hearts Of Fire ~Ryu Stage~” do álbum Street Fighter II Alph Lyla with Yuji Toriyama, uma versão mais vagarosa e emotiva que, apesar de apreciar, quase me fez ser apedrejado em certa oportunidade.

Verdade que a guitarra combina com as músicas, mas como o “Mega Man 2 & 3 Medley”, o instrumento é usado como muleta para a orquestração pobre, ainda que pareça apresentar alguns bons momentos no vídeo. Só que é difícil de tirar uma conclusão. Ainda queria ver o vídeo da performance em outro país. Você sabe, o público brasileiro no VGL é extremamente silencioso, reservado e comportado… até parece.

A baderna generalizada da plateia extrapolou todos os limites de algazarra, provavelmente para extravasar o longo caminho percorrido que se fez necessário até chegar aos recônditos confins da Terra, no antro mais conhecido como HSBC Brasil, numa sexta-feira véspera de feriado, à noite. Desculpe se você se empolgou lá e lê aqui, mas o público chegou ao cúmulo de torcer alucinadamente para o Blanka vencer a luta no telão e bradar para o Ryu soltar um hadouken. Será que haveria tais escândalos sem imagens do jogo e sem o reforço de áudio do além?

Quanto ao comportamento do apresentador na performance da guitarra, é por essas e outras que o show deveria se chamar “Tommy Tallarico Live”.

-“Street Fighter II Medley”
“Guile Stage” ~ “Ryu Stage” ~ “Ken Stage”

21 Responses to ““Street Fighter II Medley” – Street Fighter II (VGL 2010 em São Paulo)”


  1. 1 00Agent 10/10/2010 às 5:16 pm

    Realmente é “brochante” você esperar ouvir algo da música, e não conseguir, nem aqui no Youtube e nem lá. Mas já deveríamos estar acostumados com esses ataques praticamente animalescos. Não irei hoje no show aqui no Rio, mas aguardarei ansiosamente para ouvir mais gritos entremeados com sons de guitarra, hehe

    • 2 Alexei Barros 10/10/2010 às 5:32 pm

      Detalhe que eu nem fui desta vez em SP, mas pude comprovar em 2009 os ataques animalescos (gostei da expressão) em 90% do show, e dá para garantir que ao vivo talvez até seja pior que no YouTube. O que não me conformo é que em 2006 e 2007 não era essa fanfarronice geral…

      Pooooxa, como diria o outro. Achei que você ia na apresentação do RJ, e até já estava imaginando que você faria um post lá no Passagem…

      • 3 00Agent 10/10/2010 às 5:48 pm

        Não, infelizmente os lugares bons já haviam se esgotado, quando me dei conta. Me recuso a assistir a um show de lado, que é onde fica localizada a pista no Canecão. E outra: Corro risco de vida considerável no regresso a meu lar, passando pelas favelas do Vidigal ou da Rocinha, é só escolher. Além disso, ia ser tudo a mesma coisa, nem ia ter nada novo para escrever, rs

        O chato disso tudo é que vou perder o Akira Yamaoka e o CD e DVD, mas dá pra conviver por isso.

        Quem sabe ano que vem com mais preparo logístico e financeiro eu consiga ir!

  2. 4 mcs 10/10/2010 às 6:09 pm

    Aos 00:46 do vídeo: “HEI!!! HEI!!! HEI!!! HEI!!! HEI!!! “.

    Será que a animadora de palco de algum programa dominical como Gugu ou Faustão estava por lá, coordenando a platéia? Depois o Brasil, com toda essa falta de educação, ainda quer ser um país respeitável.

  3. 5 Alexei Barros 10/10/2010 às 10:30 pm

    @ 00Agent

    Também abomino esses assentos de lado – não por menos, preferi assistir de pé no camarote a ficar nessa posição desconfortável, ainda mais com um cabeçudo na minha frente.

    “Corro risco de vida considerável no regresso a meu lar, passando pelas favelas do Vidigal ou da Rocinha, é só escolher.”

    NOSSA! O.O

    Ah, sim, pelo Yamaoka lamento um pouco igualmente. O CD e o DVD deve haver outras maneiras de comprar, acredito que até mais em conta.

    @ mcs

    Mas verdade seja dita que o comportamento animalesco é motivado pelo Tallarico no começo do show. E fato também que os brasileiros conseguem extrapolar tudo. Mais lamentável é a produção ver isso como algo positivo.

  4. 6 Ivan Carlos 11/10/2010 às 1:16 am

    Pqp q povo barulhento, isso é um concerto, não um show de heavy metal. ¬¬

  5. 7 Ivan Carlos 11/10/2010 às 1:18 am

    Que bom que eu não fui, eu ia pagar vip pra sair irritado de lá

  6. 8 Marques 11/10/2010 às 12:04 pm

    Desde da primeira vez que conheci o VGL, num vídeo da apresentação de Sonic em terras brasileiras, percebi o tremendo desrespeito da platéia e, por que não, ignorância em se tratando em como se comportar em concertos. No vídeo em questão, lembro de ouvir de quem gravava um: “Que cara ruim!”, a respeito da performance do telão.
    Claro, uma pequena ou média parte até respeita. E alguns como o Alexei, questionam o show. Sim, no fim tudo não passa de um show magalomaníaco do Talarico.

  7. 9 Alexei Barros 11/10/2010 às 2:39 pm

    @ Ivan

    Eu lamentei um pouco por não ter presenciado o Akira Yamaoka e Gerard Marino ao vivo, mas quando vi esses vídeos e lembrei da reação absurda do público sumiu qualquer arrependimento.

    @ Marques

    “No vídeo em questão, lembro de ouvir de quem gravava um: “Que cara ruim!”, a respeito da performance do telão.”

    Exemplo perfeito que mostra como mostra que no VGL conta muito mais o visual que as músicas. O cara deveria comentar a performance dos instrumentistas, não a performance do jogador no vídeo. -_-

    Agora fico na dúvida se isso é um desrespeito se o próprio apresentador pede para as pessoas não se acanharem. O que me incomoda, na verdade, é a empolgação do público completamente desproporcional à qualidade da performance.

    De todo modo, feliz que muitos concordam comigo, ainda que outros tantos gostem da fórmula mais casual e diferente do que se encontra em concertos de game music.

  8. 10 Adrielisson 11/10/2010 às 3:30 pm

    Eu fui a esse “showcerto” no ano passado, aqui em Salvador, e presenciei a algazarra. Porém, percebo que nas outras cidade foi bem pior que aqui, talvez por estarmos em uma sala própria para concertos com assentos em todos os lugares houve uma desitimulação à atrocidade.
    Eu reparei que a culpa, grande parte pelo menos, é de Tallarico, ele incitava o público toda hora, falava demais e puxava coros.
    Mas, teve um momento em que ele não consegui, este que considero o anticlimax de todo o espetáculo, no momento em que foi tocada a trilha de Halo, com apresentação no palco e tudo, só houveram palmas de educação(detalhe, veio logo após Super Mario).

    • 11 Alexei Barros 11/10/2010 às 4:38 pm

      Extremamente interessante o seu comentário. Se me lembro bem, nas duas primeiras vezes que teve VGL em SP, em 2006 e 2007 no Via Funchal, o público não era barulhento desse jeito. Por quê? Mesmo na pista todas as pessoas permaneciam assentadas.

      Até então, não relacionei que o fato de as pessoas ficarem de pé é um estímulo ao dito comportamento animalesco, que é o que aconteceu na pista do hediondo HSBC Brasil em 2009 e 2010.

      Sim, com certeza o Tallarico incita tal reação.

      Hehe, Halo não caiu nas graças dos brasileiros. Parece que nesse ano finalmente se tocaram disso e excluíram um segmento que até então era tocado religiosamente em todas as apresentações.

  9. 12 Orakio "O Gagá" Rob 15/10/2010 às 7:36 am

    Adoro ler os comentários do Alexei sobre o povão no VGL, sempre anima o meu dia :)

    Para os brasileiros, o VGL é quase uma partida de futebol. Eu confesso que até acho divertido lá na hora… correndo o risco de ser apedrejado, lembro de quando fui ao meu primeiro VGL e rolou o tema do Sonic. A turma ficou cantarolando e… eu cantei junto… AAARGH, vou ser espancado pelo maestro Alexei!

    :)

    Obviamente, é estranho mesmo tanta algazarra enquanto uma orquestra toca. Talvez o Tallarico devesse montar logo uma banda de rock básica, com batera, baixo, guitarra e um tecladinho para tocar essas músicas. Ia sair mais barato fazer os shows, ele ia poder triplicar o número de espetáculos (coisa que ele parece querer fazer mesmo com a orquestra, com resultados desastrosos) e neguinho ia fazer mais zona do que nunca. Fora que ia dar para incluir jogos novos no repertório com muito mais facilidade. Numa boa? Eu acho que a ideia não é ruim.

    • 13 00Agent 15/10/2010 às 8:48 am

      Engraçado, Gagá, eu também pensei na mesma coisa, e ia até mandar um email para o Tallarico sugerindo isso – junto com uns vídeos da SST Band e da Zuntata, pra ver se ele faz direito ;D

      Eu tava vendo aqueles posts polêmicos em que o cara do SEMO discutia com o Tallarico, e se realmente paga quase nada para a orquestra ensaiar só uma vez, é melhor ele fazer uma banda mesmo. Não seria um downgrade, já que a maior parte da galera que berra nos shows não deve dar a menor importância para o fato de uma “brass section” ser de fato real ou apenas simulada num teclado!

  10. 14 Alexei Barros 15/10/2010 às 1:36 pm

    @ Orakio

    Falando sério, fico aliviado que quem lê acaba sentindo mais um tom cômico, porque ao criticar uma coisa que as pessoas elogiam tanto poderia causar certa revolta.

    Hahaha, que isso! E quem sou eu para querer conter a reação das pessoas, como foi a cantoria Gagá no Sonic.

    @ Orakio / 00Agent

    De maneira alguma é uma má ideia essa de abandonar de vez a orquestra. Sem dúvidas seria mais honesto para o público, permitiria mais shows e funcionaria melhor.

    Se você, 00Agent, mandar o e-mail para o Tallarico com a sugestão e ele responder vou ficar curioso para saber a resposta.

    Agora pensei aqui em alguns motivos possíveis para a manutenção da orquestra, apesar de muitas vezes não poder ser ouvida:

    – Uma das graças, por assim dizer, do Video Games Live é a reprodução das músicas ao vivo com o máximo possível de fidelidade das trilhas originais, nem que para tanto seja necessário o uso de playback. Isso evidentemente não vale para os jogos mais velhos, como Mario, Zelda, Sonic, Mega Man e Castlevania. Na cabeça da organização não seria interessante que uma “One-Winged Angel” da vida seja tocada só com banda, e talvez não mexesse tanto com o público.

    – Seria mais fácil incluir alguns jogos, especialmente antigos, mas ao mesmo tempo descartaria vários segmentos 100% sinfônicos do programa, que poderiam não funcionar tão bem apenas com banda: Warcraft, Kingdom Hearts, Metal Gear Solid, Medal of Honor, God of War, BioShock, Crysis, Civilization IV, Advent Rising, Shadow of the Colossus, Afrika, Uncharted II etc. A importância de cada jogo vai de cada um, mas algumas franquias acima são poderosas, e é difícil imaginar eles abrirem mão de marcas mundialmente famosas.

    – A ideia de colocar a orquestra para tocar músicas de videogame dá muita mídia, e não sei se apenas uma banda haveria tanto destaque. Mesmo sendo um conceito existente há mais de 20 anos no Japão, chama muito a atenção dos veículos de comunicação em geral.

    – Para mim, a maior graça da SST Band, Zuntata e tantas outras bandas oficiais que vieram depois, como a recém-extinta The Black Mages, era que, além de serem muito boas, eram formadas pelos próprios compositores das músicas. Isso é totalmente fantástico. Poderia ficar muito interessante, mas acho que não teria o mesmo apelo. A não ser que seja tocado somente Earthworm Jim, Terminator, MDK… =P

    – Essa gritaria toda acontece em muitos lugares, mas é mais absurda no Brasil. Olha a diferença, por exemplo, em Taiwan. Para outros países a orquestra ainda vale a pena. A performance nem é tão boa assim, mas só de lembrar disso aqui

    No fim das contas, no caso do VGL, a orquestra é um engodo. Mas é minha humilde opinião. Muito provavelmente vocês vão discordar dos pontos que mostrei.

    P.S.: Mais incrível é que não terminei de falar do VGL. Farei ainda um post comentando o set list.

    • 15 00Agent 15/10/2010 às 2:06 pm

      Concordei em alguns aspectos que minha mente retrogamer mesquinha não pôde raciocinar, que é no caso das trilhas mais modernas e sinfônicas. A não ser, é claro, que tivéssemos participações especiais, ou os próprios integrantes da banda se revezem em alguns instrumentos – como era aquele grupo gigantesco da Zuntata nos shows de 90 e por aí vai, que uma hora o cara da guitarra aí pro tímpano, enquanto que o outro pegava um trumpet, e por aí vai. Mas, se bobear, isso sai mais caro que pegar a orquestra pra tocar tudo.

      Ou então uma adatapção um pouco mais abrangente de trilhas sinfônicas para o estilo da banda, mas talvez não seja tão bem aceito, e talvez até pouco eficiente. O exemplo que me vem à cabeça é aquela versão do Snake Eater do Hyper Game Music Event 2007 – o arranjo ficou muito bom, mas dá a impressão de que a música fica um pouco multilada mesmo.

      De qualquer forma, cara, seus argumentos foram convincentes o suficiente para largar essa ideia de trocar a orquestra por uma banda. Nem vou mandar e-mail para o Tallarico ;D

      • 16 Alexei Barros 15/10/2010 às 9:18 pm

        “Concordei em alguns aspectos que minha mente retrogamer mesquinha não pôde raciocinar, que é no caso das trilhas mais modernas e sinfônicas.”

        Hahahaha, que isso! Desde o começo do VGL sempre achei que o show fica devendo um pouco no quesito nostalgia, porque acho que a maioria absoluta é de jogos modernos ocidentais.

        “Mas, se bobear, isso sai mais caro que pegar a orquestra pra tocar tudo.”

        Além de ser realmente difícil encontrar instrumentistas tão talentosos e versáteis assim como tem a [H.]

        “Ou então uma adatapção um pouco mais abrangente de trilhas sinfônicas para o estilo da banda, mas talvez não seja tão bem aceito, e talvez até pouco eficiente. O exemplo que me vem à cabeça é aquela versão do Snake Eater do Hyper Game Music Event 2007 – o arranjo ficou muito bom, mas dá a impressão de que a música fica um pouco multilada mesmo.”

        Puxa, não me passou pela cabeça. Mas é um belo exemplo sim essa versão. Seria mais honesto também que houvesse uma banda completa, acompanhada de uma orquestra de câmara, só que para isso acontecer deveriam ser feitos arranjos específicos para uma quantidade menor de instrumentistas. O problema seriam essas músicas grandiosas, e isso nem resolveria a questão da plateia exacerbada.


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