Symphonic Legends: o melhor presente de aniversário para uma produtora lendária


Por Alexei Barros

A Nintendo é paradoxal. Ao mesmo tempo em que a abrangência se manifesta ao atingir novos horizontes nesta geração com o Nintendo Wii, a restrição com as músicas é imensa. Por conta da baixa vendagem dos álbuns nos últimos anos, os lançamentos das trilhas originais são escassos e das arranjadas inexistentes. Quando ocorrem, visam a promover o jogo, não as composições, como os CDs promocionais da Club Nintendo. Se um concerto obtém a licença para executar faixas de direitos autorais da produtora e cria novos arranjos, a performance não pode acontecer sem prévia aprovação das partituras. Tal cuidado se justifica pela supremacia das franquias da Nintendo, é claro, e pelo que as trilhas representam no imaginário gamer, com melodias incrustadas na memória graças ao vasto repertório musical criado por muitos compositores geniais em quase 30 anos.

A Nintendo foi introduzida aos concertos na série Orchestral Game Concert (1991-1995), citada tantas vezes por aqui não por acaso, porque exerce influência até hoje. Os tempos eram outros, e as cinco apresentações foram publicadas em CD. Depois disso, arranjos inéditos surgiram com maior visibilidade nas séries Symphonic Game Music Concert (2003-2007) e Press Start (de 2006 em diante), a primeira sem álbuns oficias e a outra sem nada da Nintendo no primeiro disco, Press Start The 5th Anniversary. Fora esses, alguns casos raros no Games in Concert e PLAY! A Video Game Symphony. A única iniciativa recente que gerou um álbum foi o Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert (2002), concerto com músicas orquestradas do Super Smash Bros. Melee, ou seja, com muitas franquias da produtora.

Toda esta introdução para dizer que: sendo a Nintendo tão restrita e as músicas tão raras em apresentações, parece uma lenda que uma récita caprichada como o Symphonic Legends – music from Nintendo tenha ficado à livre apreciação no dia 23 de setembro de 2010, data em que a produtora completou 121 anos de fundação. E que presente de aniversário!

Ainda sem nome e nem temática, o concerto foi anunciado previamente em 24 de setembro de 2009 para exatamente um ano depois, graças à excelente recepção do Symphonic Fantasies. A data foi antecipada para o dia 23 de setembro, e o nome revelado: Symphonic Legends. Em março deste ano ocorreu a confirmação de que a Nintendo seria a homenageada. Detalhe: antes que as pessoas soubessem disso, 90% dos ingressos estavam esgotados. Posteriormente, foi comunicado que o formato seria uma mescla das inovações implementadas pelos concertos antecessores, trazendo arranjadores convidados de primeiríssimo nível, para mais tarde sabermos que jogo cada um foi incumbido.

Dois japoneses, dois alemães, dois finlandeses. Compositor de trilhas de animes como One Piece e Ah! My Goddess, Shiro Hamaguchi é conhecido nos videogames pelos principais arranjos de Final Fantasy nos concertos recentes da série. Hayato Matsuo, um dos discípulos de Koichi Sugiyama e compositor de Ogre Battle, orquestrou os temas de abertura e encerramento de Final Fantasy XII, entre outros arranjos, como do Shenmue Orchestra Version. Ambos do estúdio Imagine, recentemente participaram do Monster Hunter 5th Anniversary Orchestra Concert e do A Night in Fantasia 2009.

Nascido em Munique, Masashi Hamauzu, compositor de jogos como Unlimited SaGa, Sigma Harmonics e Final Fantasy XIII, foi a maior surpresa entre os convidados, já que é raro vê-lo arranjar músicas que não são de autoria dele, e quando aconteceram foram para solos de piano, não orquestrados. Também da Alemanha, mas da cidade de Dresden, Torsten Rasch é um compositor de música erudita contemporânea que morou 15 anos no Japão criando trilhas de filmes. No mundo dos games, fez um arranjo para o obscuro álbum Psychic Detective Series – The Best (1991) e mais recentemente a releitura para piano da “A Place to Call Home” do Benyamin Nuss Plays Uematsu.

Da Finlândia, Jonne Valtonen, o principal arranjador do Symphonic Shades e Symphonic Fantasies, desta vez dedicou-se exclusivamente ao poema sinfônico de Zelda. Por último, o conterrâneo Roger Wanamo, o mais jovem dos seis, tendo nascido em 1981, que foi quem mais me impressionou. Sua inventividade pôde ser mostrada já na “Fantasy III: Chrono Trigger/Chrono Cross”, em que foi coarranjador, com o uso constante de polifonias, transições fluidas e minúcias que exigem muita atenção para serem percebidas. Desta vez, Wanamo se superou com os dois segmentos de Mario, o que não é pouca coisa pelas composições serem do Koji Kondo, e pelo Encore, que é um emaranhado de faixas de diversos jogos da Nintendo.

Arranjadores de grande envergadura pedem por intérpretes igualmente competentes. O maestro sueco Niklas Willén conduziu mais de 125 pessoas: cerca de 80 integrantes da WDR Radio Orchestra, e mais 45 do coral State Choir Latvija. Como de praxe, Benyamin Nuss no piano e Rony Barrak na percussão foram os instrumentistas-solo. Diferentemente dos anos anteriores, não houve convidados japoneses para autógrafos, não que isso faça muita diferença para quem não esteve no Cologne Philharmonic Hall.

A ideia do produtor Thomas Boecker era apresentar as músicas da Nintendo com arranjos criativos. Para tal, foi dada total liberdade aos arranjadores. “É interessante ver como eles usaram essa liberdade. Porque há um momento em que é melhor trabalhar de maneira fiel à música original, e há um momento em que você pode introduzir diversas ideias próprias”, afirmou ao SEMO. Sou favorável à iniciativa de arranjos orquestrados que tragam uma nova ideia, desde que as músicas ainda possam ser reconhecidas. E isso aconteceu? É o que veremos adiante.

Antes de comentar individualmente segmento, vale destacar a escolha de jogos do repertório. Levando em conta que o Press Start é o único na atualidade a tocar arranjos novos da Nintendo, o programa do Symphonic Legends é uma benção pelas novidades, visto que Star Fox, F-Zero, Pikmin, Donkey Kong e Metroid jamais foram executados na série japonesa (Star Fox não em um segmento exclusivo). Há quem tenha sentido falta de outras franquias, como Fire Emblem, Mother, Kirby e Pokémon. Além de serem necessárias mais algumas horas de apresentação para poder incluir tudo, nem todas são populares na Europa, leve isso em conta. Dentre as ausências, só lamentei que Hirokazu Tanaka não fora representado pela importância que tem na história musical da Nintendo, ainda que a maioria dos jogos 8-bits seja difícil de imaginar com um número próprio.

Infelizmente, o streaming de vídeo não funcionou na hora do concerto conforme prometido anteriormente, e acabou restrito aos residentes na Alemanha. Mas todo o espetáculo pôde ser conferido de qualquer parte do mundo pelo rádio ao vivo, o que me trouxe boas lembranças do Symphonic Shades em 2008. Poucas horas depois sete dos dez segmentos podiam (e ainda podem) ser vistos no YouTube.

Depois do Hadouken muito mais sobre o Symphonic Legends, com links para os vídeos do YouTube e do Goear (a referência para quando mencionar a numeração de trechos específicos). Sobre o poema sinfônico do Zelda, ficarei devendo as faixas originais detalhadas (algumas foram citadas no texto), já que há muitos temas sobrepostos e variações, o que dificultou a listagem precisa.

Primeiro ato

01 – “Fanfare for the Common 8-Bit Hero”
Composição: Jonne Valtonen

Enquanto a “Fanfare Overture” do Symphonic Fantasies buscava se distanciar da Square Enix, esta fanfarra de abertura igualmente composta por Valtonen e previamente anunciada em vídeo busca o oposto: aproximar-se do estilo preponderante da Nintendo com uma música mais jovial sem abandonar a pompa.

02 – “Star Fox (Space Suite)”
Originais”: “Opening” (Star Fox 64) ~ “BGM (Corneria)” (Star Fox)

Composição: Koji Kondo e Hajime Hirasawa
Arranjo: Shiro Hamaguchi

Como se imaginava, o requinte de Hamaguchi e as músicas de Star Fox combinaram perfeitamente. O que me surpreendeu, no entanto, foi o proveito do State Choir Latvija, que, nesta suíte, é uma das melhores maravilhas do mundo moderno. Ao menos com Final Fantasy ele não costumava adicionar coral em músicas que não apresentavam timbres de vozes.

A abertura maravilhosa da orquestra fica mais espetacular quando o coro entoa em latim a “Opening” do Star Fox 64, pouco em seguida desenvolvida com a riqueza da orquestra. O coral retorna lentamente, e a velocidade da peça aumenta para uma viagem sem volta à Corneria, no momento em que lanço a pergunta: o que é esse coral? O excerto correspondente à “BGM (Corneria)” ficou assombroso, e o coro empolga como nunca no final, que o diga o trecho de 3:49 a 3:55. Indubitavelmente o melhor arranjo de Star Fox já feito.

03 – “Super Mario Bros. (Retro Suite)”
Originais: “Dire, Dire Docks” (Super Mario 64) ~ “Athletic” (Super Mario Bros. 3) ~ “Underworld” (Super Mario Bros.) ~ “Athletic” (Super Mario Bros. 3) ~ “Castle” ~ “World Clear” ~ “Overworld” (Super Mario Bros.) ~ “Main Theme” (New Super Mario Bros.) ~ “Overworld” (Super Mario Bros.)

Composição: Koji Kondo
Arranjo: Roger Wanamo

Possivelmente o arranjador Nobuo Kurita não imaginaria que a “Super Mario Bros.” do Orchestral Game Concert seria reprisada inúmeras vezes mesmo quase duas décadas depois por tantos concertos mundo afora. Cansou há muito tempo. Pior, quando se tem tantas músicas tão boas das continuações. Raríssimas foram as vezes em que se tentou fugir do básico, como, por exemplo, a “Super Mario Bros. Suite” do PLAY! A Video Game Symphony. No Symphonic Legends as seleções foram muito mais substanciais (magistrais eu diria), com temas icônicos, mas pouco aproveitados.

A belíssima “Dire, Dire Docks” dos estágios aquáticos do Super Mario 64 ficou perfeitamente ambientada com as cordas singelas, e depois os solos de flauta e violino reproduzindo a melodia encantadora. Aos poucos surgem reminiscências de um tema bastante familiar lutando para sair do cano. “Dire, Dire Docks” bem que tenta, e é superado pelo tema seguinte. Nada menos do que “Athletic” do Super Mario Bros. 3! Um parêntesis, para destacar a ojeriza dos concertos com SMB2 e 3. O segundo da série posso até compreender, haja vista a origem japonesa duvidosa (Doki Doki Panic) e o modo como foi lançado lá (Super Mario USA), agora SMB3, um dos melhores e mais vendidos jogos de todos os tempos, não consigo conceber como demorou tanto.

Voltando para a suíte, a instrumentação da “Athletic” é perfeita, captando a alegria e a diversão do tema nas cordas e nas madeiras. No meio dela, basta os metais graves tocarem três segundos para reconhecermos a “Underworld”. Até que surge o pânico da “Castle” do SMB, faixa ausente da mencionada “Super Mario Bros.” do OGC que ficou vertida para orquestra de maneira muito convincente. Chegada a ponte, o Mario pula o Bowser, pega o machado e vem a “World Clear”, que mal acaba e é logo emendada na “Overworld”. A transição ocorre de maneira perspicaz reparando atentamente. Se a “World Clear” acabasse e depois viesse a próxima haveria um vazio. Wanamo conseguiu aproveitar aquela altura da nota próxima do final da fanfarra para unificar as faixas. No entremeio, um solo de trompete evoca a “Main Theme” do New Super Mario Bros. com desenvoltura, voltando para a melodia mais famosa dos videogames com uma orquestração rica sem esquecer do fator lúdico.

04 – “F-Zero (Race Suite)”
Originais: “Mute City” ~ “Big Blue” ~ “Mute City”

Composição: Yumiko Kanki e Naoto Ishida
Arranjo: Shiro Hamaguchi

Como F-Zero não foi lembrado pela série OGC, imaginava que as músicas do jogo não pudessem ser orquestradas satisfatoriamente. A única tentativa anterior foi a “Big Blue” do “Smash Bros. Great Medley” do Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert que voltarei a falar em instantes. Sendo assim, é o primeiro segmento próprio de F-Zero, a estreia da “Mute City” orquestrada, e ainda com releitura de Shiro Hamaguchi. Tinha tudo para ser um dos melhores números do concerto. Porém, ficou longe de ser o arranjo dos meus sonhos. Apenas bom.

A peça começa com um solo de Rony Barrak, que, além da darbuka, desta vez estava equipado com uma bateria eletrônica. Depois de uma abertura difícil de associar com F-Zero pelo tom de suspense (de 2:31 a 3:01), a orquestra conflui na melodia de “Mute City” (sem aquela abertura até 0:19 na original), mas o intermédio (3:20 a 3:44) atravanca o crescimento do tema que volta com tudo na sequência, no diálogo entre flauta e trompa, e depois os trompetes em um raro momento em que o arranjo consegue acompanhar a satisfação da faixa sintetizada. Vem um trecho centrado na percussão (4:23 a 4:53), e a “Big Blue” é ouvida nas cordas brevemente e ainda sem a introdução (até 0:15), com uma roupagem formosa que não traz a empolgação da original. Para fechar, parte da “Mute City” é lembrada mais uma vez com instrumentação similar à primeira oportunidade.

O segmento é curto e suave demais. Não foi capaz de transmitir a agitação musical inerente a um jogo de corrida, quanto mais um jogo de corrida com veículos a 1000 quilômetros por hora. A origem próxima do rock das faixas clama por uma abordagem mais contundente, mais impactante, e nem acho que seria essencial uma guitarra para isso acontecer. Nesse aspecto, a versão do Shogo Sakai da “Smash Bros. Great Medley”, por sua vez baseada na “Big Blue” do Super Smash Bros. Melee, foi muito mais feliz (ouça o trecho especificamente aqui), inclusive fazendo nos metais a introdução ignorada no arranjo do Shiro Hamaguchi.

Além de incluir outros temas de pistas, desejaria que a suíte seguisse a ordem dos acontecimentos do jogo, como é, por exemplo, a “The Great Giana Sisters (Suite)” do Symphonic Shades. Ou seja, começando pela “Opening Theme” (tela-título) e assim por diante – a “Title” do álbum doujin F-Zero The Graded Driver 2201 dá uma amostra do que quero dizer.

05 – “Super Metroid (Suite: Samus Aran – Galactic Warrior)”
Originais: “Space Warrior – Samus Aran’s Theme” ~ “Planet Zebes – Arrival on Crateria” ~ “Brinstar – Red Soil Wetland Area” ~ “Ancient Ruins (Norfair Area)” ~ “Tourian” ~ “Theme of Super Metroid” ~ “Escape” ~ “Space Warrior – Samus Aran’s Theme” ~ “Theme of Super Metroid”

Composição: Kenji Yamamoto e Minako Hamano
Arranjo: Torsten Rasch

São poucas as vezes em que Metroid figurou em concertos, e nessas ocasiões optou-se pelo caminho seguro de selecionar os temas mais melódicos, e o melhor exemplar dessa vertente é o medley “Theme~Space Warrior Samus Aran’s Theme~Big Boss BGM~Ending” (Super Metroid) de oito minutos do OGC4 em arranjo de Toshihiko Sahashi. Desta vez, foram exploradas as faixas de ambiente para uma adaptação modernista que expressasse a solidão, medo e angústia de Samus nos planetas inóspitos.

Por isso, o mais polêmico número do concerto pode ser definido como “Metroid encontra BioShock”. Após a abertura caótica, surge um oboé típico de uma cena cinematográfica de suspense. Em seguida solo de violino e harpa fazem dupla à moda de “Welcome to Rapture” de BioShock. Flautas e trompetes trilham por caminhos dissonantes, depois as cordas intensificam a tensão. O coral faz uma participação assustadora. “Theme of Super Metroid” é executada como se estivesse simulando uma vitória sofrida. Mas a batalha ainda não está vencida. A percussão alerta para um perigo maior, com o coro mais uma vez provocando temor no entremeio. Por fim, a “Theme of Super Metroid” é invocada com a ajuda do coral numa interpretação de extrema dissonância. Comparado com a musicalidade do restante do programa, o segmento destoa; assim como a própria série Metroid é o oposto do que se costuma encontrar nos jogos coloridos da Nintendo.

A única crítica que faço não é o estilo, de fato incomum para concertos com game music japonesa e que recentemente vem sendo introduzido na game music ocidental por jogos como BioShock e Dead Space. Meu senão é pela dificuldade de reconhecer as músicas do jogo especialmente na primeira metade, com algumas exceções. Apesar de combinar com o universo da série, parece mais uma nova composição baseada em Metroid do que um arranjo propriamente dito.

06 – “Donkey Kong Country (Aquatic Ambience)”
Original: “Aquatic Ambience”

Composição: David Wise
Arranjo: Masashi Hamauzu

Não perco a oportunidade de elogiar David Wise por criar uma música genial que é a “Aquatic Ambiance”, fazendo dele o único compositor ocidental em meio a tantos mestres japoneses da Nintendo. Isso já havia acontecido na “Water Music” do OGC5 que, na verdade é um medley em que a “Aquatic Ambiance” é entremeada pela “DK Island Swing”. Inevitável a comparação, e é fascinante perceber como a mesma faixa pode proporcionar dois arranjos bastante díspares, cada um encantador ao seu modo. Do OGC5, há um colorido maior da orquestra, aqui no Symphonic Legends, a obra-prima new age ganhou contornos de ternura e serenidade em releitura impressionista de Masashi Hamauzu. Em um dos seus primeiros trabalhos como ex-funcionário da Square Enix, abdicou dos instrumentos de sopro para centralizar toda a atenção nas cordas, e mais ainda no violino de Juraj Cizmarovic e no piano de Benyamin Nuss.

De pé, Cizmarovic inicia a peça com um solo de cortar o coração, enquanto as cordas auxiliam a climatização. O piano começa a desabrochar. Nesse momento (1:04 a 1:36), dá para sentir forte influência da “Final Fantasy XIII – The Promise”. Quando o violino retorna aos holofotes, Nuss passeia por excertos virtuosísticos sublimes. Mais para frente, em dueto de puro entrosamento, pianista e violinista demonstram habilidade. Mais fascinante é como Cizmarovic sustentou a nota aguda no violino antes do desfecho melancólico. É Masashi Hamauzu se revelando também um excepcional arranjador. Como curiosidade, vale mencionar que ele ficou com receio de que Nuss acharia o arranjo muito difícil, mas ficou aliviado quando soube da resposta do pianista: “Está um pouco fácil, quero mais difícil”.

07 – “Pikmin (Variation on a World Map Theme)”
Original: “A Panoramic View”

Composição: Hajime Wakai
Arranjo: Hayato Matsuo

O debute de Pikmin em concertos (nem mesmo figurou nos japoneses) representa a escolha mais inusitada do set list, porque não é uma série tão popular como as demais, embora seja merecedora do espaço, representando a era mais moderna da Nintendo. Bem como a “Radical Dreamers Symphony” do A Night in Fantasia 2009, Matsuo se concentra em somente uma música para apresentá-la sob diferentes nuances da orquestra. “A Panoramic View” nasce alegremente, e o solo de oboé anuncia o amanhecer, seguido da tuba e das trompas, uma marca do arranjador. Mais adiante os trompetes remetem ao tema do filme Rocky (em 2:06), e os metais graves surgem com força novamente, alternando com os clarinetes e flautas. No final, pura singeleza, com a indefectível harpa de Matsuo. Uma agradabilíssima surpresa no fim das contas.

08 – “Super Mario Galaxy (Galactic Suite)”
Originais: “Overture” ~ “Starbit Festival” ~ “Attack! Koopa’s Fleet” ~ “Catastrophe” ~ “Peach’s Castle Stolen” ~ “Egg Planet” ~ “Battle Rock” ~ “Floater Land” ~ “Galaxy Plant”~ “Egg Planet” ~ “Wind Garden” ~ “Arch Nemesis King Koopa” ~ “Battle for Grand Star” ~ “Wind Garden” ~ “Super Mario Galaxy”

Composição: Koji Kondo e Mahito Yokota
Arranjo: Roger Wanamo

De tão diferente musicalmente do restante da série, Super Mario Galaxy ganhou uma suíte exclusiva, sendo a única de uma trilha naturalmente orquestrada, como todas as selecionadas foram tocadas pela Super Mario Galaxy Orchestra. Recriando a experiência de jogo, Wanamo interligou os temas com naturalidade inacreditável.

Apenas o começo da “Overture” é tocada porque você não quer perder tempo na tela-título e jogar logo. “Starbit Festival” surge espontaneamente, e é tragada pelo terror da “Attack! Koopa’s Fleet”, com o aditivo do coral imponente, e tem um significado especial por ser originalmente a “Airship” do Super Mario Bros. 3. “Catastrophe” e “Peach’s Castle Stolen” completam o clima catrastrófico.

Acalmam-se os ânimos para entrarmos na memorável “Egg Planet”, que, prestes a atingir o ápice conflui na maravilhosa “Battle Rock”, e ainda teima a aparecer nas cordas. Muda sutilmente para a “Floater Land”, com a flauta fazendo a voz do timbre agudo da original. O trompete evoca brevemente a “Galaxy Plant”, as cordas “Egg Planet”, e a “Wind Garden” floresce pela primeira vez, mas é esmagada pela “Arch Nemesis King Koopa” e pouco depois a “Battle for Grand Star”, ainda mais bombásticas com o reforço do coral, à moda da “Fateful Decisive Battle” do Super Mario Galaxy 2. A batalha está ganha, e a “Wind Garden” ganha um novo significado com o coro em latim. Para fechar, um trechinho da “Super Mario Galaxy”.

Jamais ouvi o medley com quatro faixas do Press Start 2008, mesmo arranjada pelo próprio Mahito Yokota, e ainda assim declaro desde já a melhor performance do Super Mario Galaxy. O restante é de músicas únicas – “Wind Garden” no PLAY! A Video Game Symphony e “Egg Planet” no Games in Concert 3.

Segundo ato

09 – “The Legend of Zelda (Symphonic Poem)”

I. Hyrulian Child
II. Dark Lord
III. Princess of Destiny
IV. Battlefield
V. Hero of Time

Composição: Koji Kondo e Toru Minegishi
Arranjo: Jonne Valtonen

Quem poderia prever que um ano depois do concerto que apresentou as maravilhas dos segmentos de 18 minutos, teríamos já um número com o dobro de duração? Suíte é suíte e poema sinfônico é poema sinfônico. Não são a mesma coisa, apesar de ambas contarem uma história. Neste caso aqui é como se fosse uma ópera, mas sem letra. Em vez de uma ideia central, há cinco temas, ou estrofes, por assim dizer, para narrarem momentos da epopeia de Link. Há uma distinção clara entre os temas, e cada faixa é desenvolvida de maneira ainda mais rica do que nas suítes, para colocar à prova a criatividade de Jonne Valtonen.

Comecemos então com Hyrulian Child. A “Overworld”, ou tema principal da série como preferir, atinge proporções inimagináveis se arranjada para orquestra – sinceramente duvido que Koji Kondo pensou nisso quando a compôs. Sob o som de sussurros, a música é executada de maneira faustosa em diferentes vibrações. Após o caos das cordas, a “Kokiri Forest” cintila, e o pizzicato me dá a impressão de que a fada Navi está sobrevoando a floresta até dar de cara com o personagem, como na começo de Ocarina of Time. O tema é repetido e desenvolvido exaustivamente. A interpretação majestosa quase emenda no tema, quando viraremos a página para o segundo movimento Dark Lord.

A perversidade de Ganondorf é exprimida no solo do contrafagote, logo ampliada para toda a orquestra em um momento sombrio em que o coral realiza a primeira e explosiva intervenção. É a “Ganondorf’s Theme”, que, mesmo tão simples e curta, foi recriada de maneira incrível, com o coral ainda mais impactante.

No terceiro movimento, Princess of Destiny, usa-se com frequência a celesta para climatizar a realeza de Zelda no Reino de Hyrule. Rapidamente se ouve a “Kokiri Forest” no oboé, e a orquestra explode no esplendor de “Hyrule Castle”. A delicadeza da “Zelda’s Theme” é sentida na flauta e no flautim. E quando entram as cordas então? Que espetáculo! Mais adiante, vem de novo a “Kokiri Forest” em combinação com a “Zelda’s Theme”. Tudo se apazigua, fica um suspense no ar, o coral aparece, e o quarto movimento, Battlefield, se inicia de maneira tranquila e se ouve apenas uma voz…

Que coisa mais fabulosa é essa? Possivelmente o momento mais belo de todo o poema quando a soprano Dita Tarvida entoa a “Light Spirits Theme”, em alternância com o coral. Causou imenso espanto na hora, como o Shades e o Fantasies não utilizaram solos vocais. A partir daí surge uma sucessão alucinante de temas de batalha, em que Ronny Barrak concede maior dinamismo na performance. Até a “Dark World” aparece numa interpretação com andamento bem rápido. Trecho de pura tensão em que se destaca o piano.

Mais uma vez conquista-se a vitória e o quinto movimento Hero of Time inicia-se com o violino de Juraj Cizmarovic. Rapidamente escutam-se “Zelda’s Theme” no fagote e “Kokiri Forest” no oboé, e o tema principal surge primeiro com a orquestra e depois o coral irrompe, rumando até o final grandiloquente.

Provavelmente por não ser um profundo conhecer das trilhas mais recentes da série, acabei sentido falta de algumas músicas icônicas da velha guarda, o que geralmente é o oposto do que acontece, quando prefiro as novidades. Por exemplo, “Kakariko Village” e “The Goddess Appears”. Mas nada fatal. Que se trata de um arranjo sem precedentes, pisando em um terreno onde nenhum concerto de games jamais esteve pela complexidade e ambição, não tenho a menor dúvida. Contudo, pela minha limitadíssima experiência com obras do período romântico, que é a fonte de inspiração do arranjo e nascedouro do formato de poema sinfônico, achei que o número de Zelda exige uma dedicação dos ouvintes maior que o habitual. Como parece ser uma constante nos trabalhos do Jonne Valtonen, é ao longo do tempo, após muitas apreciações, que se consegue absorver tudo.

10 – “Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)”
Originais: “Staff Credits” (The Legend of Zelda: The Wind Waker) ~ “Ending Staff Roll” (Metroid Prime 3: Corruption) / “A Panoramic View” (Pikmin) ~ “Ending Staff Roll” (Metroid Prime 2: Echoes) ~ “Ending Staff Roll” (Metroid Prime) ~ “Theme of Super Metroid” (Super Metroid) ~ “Super Mario Galaxy” (Super Mario Galaxy) ~ “Opening” (Star Fox 64) ~ “Super Mario Galaxy” (Super Mario Galaxy) ~ “Overworld” (The Legend of Zelda) / “Big Blue” (F-Zero) ~ “Ending” (Super Mario Bros. 3) ~ “Super Mario Galaxy 2” (Super Mario Galaxy 2)

Composição: diversos
Arranjo: Roger Wanamo

Já vacinado com o bis do Symphonic Fantasies, eu tinha um pressentimento de que haveria um segmento extra. Só não imaginava que traria tantas surpresas, e ainda tão recentes. O tema celta “Staff Credits” de Wind Waker é reproduzido no piano de Nuss, que substitui o timbre de banjo da original, e no darbuka de Ronny Barrak, com direito a solos de flauta e violino, no momento em que entra o State Choir Latvija. Antes mesmo de o tema terminar, o coral entoa nada menos do que a “Ending Staff Roll” do Metroid Prime 3 (com Pikmin bem ao fundo) e a “Ending Staff Roll” do Metroid Prime 2 continuamente para deixar muitos fãs sedentos em relação ao que pode ser feito com as trilhas mais recentes da série. Não acabou ainda a primazia: repare a partir de 1:56 o piano e as flautas tocando a “Ending Staff Roll” do primeiro Metroid Prime!

Com um piano muito mais em evidência que a original, a “Super Mario Galaxy” aparece, com breves intervenções da “Opening” (Star Fox 64) (2:56 a 3:00) e “Big Blue” (2:29 a 3:31) nos trombones. Simultaneamente os trompetes tocam o tema principal de Zelda e de novo a “Big Blue” nas flautas. Amigo, a música na sequência é para enfartar. “Ending” do Super Mario Bros. 3, mesmo tão diminuta, executada com coral em latim. Poderia acabar por aqui, estaria imensamente feliz. Daí me vem com Super Mario Galaxy 2! Isso que o jogo saiu em maio de 2010. Na hora nem reparei dada a emoção: trata-se do trecho da “The Starship Travels” de Mahito Yokota do tema dos créditos “Super Mario Galaxy 2”, mais uma vez com a implementação do coral. Assim que ouvi a suíte do Super Mario Galaxy fiquei sonhando o que o Wanamo não faria com SMG2, cuja trilha gostei mais ainda que a do primeiro. Não poderia imaginar que isso aconteceria no mesmo concerto minutos depois. O final é genial, com o coral entoando “Nintendo”.

Lenda viva dos concertos

A meu ver, a criatividade artística do Symphonic Legends deu um passo além nas experimentações dos predecessores, o que causou reações variadas no público local e em apreciadores de diversas procedências. O produtor Thomas Boecker já sabia disso como comentado em entrevista ao SEMO realizada antes do espetáculo. “Eu nunca quero jogar seguro escolhendo apenas as músicas favoritas dos fãs, e ir pelo caminho mais fácil com arranjos simples o mais próximo possíveis dos originais, apenas para evitar que alguém fique chateado”, diz. “Há sempre espaço para discussões polêmicas – basta voltarmos a pensar no Turrican II do Symphonic Shades ou em todo o conceito do Symphonic Fantasies. Há o risco de que certas pessoas podem não gostar, mas eu prefiro uma discussão saudável sobre os meus concertos do que declarações como ‘bem, ficou bacana’ cada dia”.

Em parte isso é uma consequência natural de o programa ser tão diversificado ao abarcar tantos jogos e estilos dentro da coerência do concerto como um todo. Foi uma ideia bastante arrojada para músicas de jogos da Nintendo, uma produtora essencialmente nostálgica. Digo isso porque é essa nostalgia é muitas vezes evocada em determinadas apresentações de forma superficial e simplória, sem conteúdo.

Enquanto isso, o Symphonic Legends se apresentou como uma substancial jornada pelas principais franquias da Nintendo com momentos de puro êxtase difícil de imaginar em outro concerto, como o coral avassalador de Star Fox, a seleção genial de músicas do Mario, o duo violino e piano de Donkey Kong Country, a soberba viagem galáctica do Super Mario Galaxy, o solo vocal de Zelda, e o tema de encerramento do Mario no número final, para falar de algumas. Tantos momentos memoráveis não acontecem todos os dias em um mesmo concerto de semelhante qualidade de performance, e penso que a maioria dos segmentos deve ser tocada pelo menos alguma vez no Japão.

O lançamento de um CD parece mais improvável do que nunca pelas restrições da produtora, mas caso um dia venha a acontecer será um registro muito bem-vindo de uma das mais formidáveis homenagens musicais que a Nintendo já recebeu.

Agradecido ao Thomas Boecker por todas as informações, ao Fabão pelo detalhe sobre o Twitter do Masashi Hamauzu, e ao Radical Dreamer e DGC pela ajuda na decifragem de faixas executadas.

[imagens via SEMO]

21 Responses to “Symphonic Legends: o melhor presente de aniversário para uma produtora lendária”


  1. 1 Fabão 09/10/2010 às 10:38 pm

    Bravo, Maestro, bravíssimo! Ouvi cada segmento mais uma vez, com o mesmo êxtase da primeira, e li cada palavra embevecido. Obrigado por mais este registro histórico. ^^

  2. 3 Douglas 10/10/2010 às 12:55 am

    Ouvir outra vez, agora sem toda aquela empolgação do momento, dá outro nível ao negócio. Mas não muda a impressão que tive no dia, ao vivo: a suíte do Mario Galaxy foi a melhor parte do concerto! Quando entra a Wind Garden com o coral… Foi difícil segurar.

    Btw, eu tinha lido uns comentários em alguns vídeos que o concerto foi transmitido em vídeo, sim… mas bloquearam IPs de fora da Alemanha (e por isso os vídeos foram para o YouTube tão rápido). Se for verdade, é uma sacanagem sem tamanho. =(

    • 4 Alexei Barros 10/10/2010 às 7:07 am

      Concordo totalmente, Douglas, acho que as músicas são tão complexas e profundas que precisam de novas audições para ter pleno apreciação.

      Assino embaixo sobre Super Mario Galaxy, e especificamente sobre quando a Wind Garden aparece com coral. Aliás, para mim o Mario foi muito bem representado nesse concerto, talvez como nunca foi feito antes.

      Pelo que li em fóruns parece que foi isso o que aconteceu mesmo, apenas os alemães conseguiram acompanhar ao vivo em vídeo, sequer outros países da Europa. Mais estranho é que comentaram que o apresentador disse na hora que o mundo inteiro podia ver o concerto…

      Embora o Symphonic Fantasies tenha nos deixado muito mal acostumado com a transmissão em vídeo, ainda sim uma ocasião rara ouvir um concerto ao vivo de outro continente. De todo modo, espero que tudo volte ao normal com o Symphonic Odysseys ano que vem caso seja confirmado o streaming.

  3. 5 Radical Dreamer 10/10/2010 às 9:26 pm

    Repito aqui os meus elogios que já tinha feito no post sobre o Symphonic Fantasies: excelente e muito completo post, Alexei! Estou torcendo de verdade para a Nintendo liberar o lançamento de um CD; tamanha produção em sua homenagem não pode deixar de ser registrada de alguma forma definitiva. E se lançarem, eu vou comprá-lo, de qualquer jeito, assim como aguardo o lançamento internacional do CD do Symphonic Fantasies.

    “Apesar de combinar com o universo da série, parece mais uma nova composição baseada em Metroid do que um arranjo propriamente dito.”
    Alguém conseguiu por em palavras o que eu sentia, hahaha! Não estava sabendo me expressar, mas é exatamente isso: uma música que parece Metroid, mas não aquele que nós conhecemos. Mesmo assim, tenho gostado mais dela depois de ouvir mais vezes.

    Não tem jeito, a “Aquatic Ambience” é, no geral, a minha peça favorita, por mais que eu ame os excelentes arranjos do Pikmin, do Super Mario Galaxy e do Pomea Sinfônico. Se o “Encore” contar (e deve ser contado XD), então é outra das minhas favoritas, mais alegria do que nesse número não senti em nenhum outro.

    Infelizmente, na minha opinião, o Poema Sinfônico não é a perfeição que eu achei que seria. Tem algumas partes que não soam característias da série. A segunda metade do 3º movimento, com a reprise (talvez desnecessária) da “Kokiri Forest”, parece mais uma composição para um filme do Harry Potter do que para um jogo como Zelda. Já que o movimento é dedicado a Princesa Zelda (cujo tema, aliás, recebeu o seu arranjo mais tocante até hoje), podiam muito bem ter colocado “Hyrule Castle” inteira, já que ela apareceu brevemente no começo. E eu não consigo afastar a idéia de que o arranjo do Roger Wanamo, no “Encore”, do tema principal, não importa a beleza e refino do arranjo do Jonne Valtonen, capturou mais o espírito de aventura e a vida que eu associo à série. Fora isso, o Poema Sinfônico é belíssimo, e um marco na história de concertos de game music. Que venha o Symphonic Odysseys!

  4. 6 fezones 10/10/2010 às 11:25 pm

    Se lançarem o CD do Symphonic Legends não podem deixar de colocar um encarte com esse post na integra. Ouvir novamente acompanhado dele enriquece demais a experiência. Valeu Maestro!

    Assim como o Radical Dreamer, “Aquatic Ambience” foi a peça que me conquistou, mas não fica muito a frente do encore, da suíte retro de Mario e de Mario Galaxy. Roger Wanamo: o cara fodão.

    Agora, o Poema sinfônico de Zelda, pooooxa, esperava mais. Melhor, esperava outra coisa. Minha expectativa era que teríamos aquela variedade gigantesca de faixas, tipo as suítes do Symphonic Fantasies, só que com uma duração monstruosa. Ainda tenho que dar uma segunda chance para ele e confirmar se “é ao longo do tempo, após muitas apreciações, que se consegue absorver tudo.” Fato é que se tivesse alguma coisinha de Majora’s Mask no meio teria morrido de amores xD

    E já sabemos, ano que vem é só usar um proxy da Alemanha para não perdermos nada do Symphonic Odysseys!

  5. 7 Alexei Barros 11/10/2010 às 12:02 am

    @ Radical Dreamer

    Valeu mais uma vez pelos comentários, RD!

    Aquela história de sempre. Não imaginaria que haveria um CD do Symphonic Legends como o produtor do PLAY!, o Jason Michael Paul, disse que a Nintendo não permite CDs com músicas das franquias da produtora. Mas se o Video Games Live: Level 2 conseguiu, e ainda com faixas de outras concorrentes, não vejo por que não agora. Porém, devo salientar que o concerto ficou com 88 minutos de duração. Se for em um único disco algum segmento pode acabar caindo fora.

    “Mesmo assim, tenho gostado mais dela depois de ouvir mais vezes.”

    É o meu caso também. Uma pena que muito provavelmente a maioria das pessoas que não gostou tenha desistido quando escutou pela primeira vez. De todo modo, eu acho que combina com Metroid, apesar da relação que fiz com BioShock.

    Não me surpreende que a “Aquatic Ambiance” tenha sido a sua favorita, haja vista a sua admiração pelo Masashi Hamauzu. Achei sublime, mas ainda assim tenho uma leve preferência pelo arranjo do OGC4 que usou instrumentos de sopro. Pikmin ficou excelente mesmo, tomara que o Thomas chame o Hayato Matsuo em outras oportunidades. SMG não preciso nem dizer. E claro que conto o Encore, sim, foi uma das coisas mais emocionantes aquele final com o tema de encerramento do Mario e depois o SMG2. Isso sim é saber usar a nostalgia com propriedade!

    De pleno acordo sobre o que você disse sobre o Poema Sinfônico. Concordo que a parte da “Kokiri Forest” eu achei que cansou um bocado (e falo ainda da primeira aparição, quanto mais na segunda), a despeito de todo o desenvolvimento da música. Sou pouco familiarizado com as trilhas do Harry Potter, e vi muitas pessoas comentarem isso. Soube que o Jonne Valtonen vai ser entrevistado no SEMO especificamente sobre o Poema Sinfônico. Vamos ver se ele diz algo nesse gênero. E maravilhoso o tema da Zelda, assino embaixo. Interessante o que você disse sobre a música principal de Zelda no Encore, não parei para pensar sobre isso. Tendo a concordar.

    “Que venha o Symphonic Odysseys!” (2)

    @ fezones

    Ô louco, fezones, muito obrigado pelo comentário! Fico honrado.

    Fico feliz que assim como o Radical Dreamer tenha gostado da “Aquatic Ambiance”. Não sei se vocês chegaram a ver em outros sites, blogs e afins, mas o arranjo não foi unanimidade. Alguns mais exaltados chegaram a dizer que ficou irreconhecível, o que discordo completamente.

    Sobre o Roger Wanamo, isso de colocar duas músicas ao mesmo tempo (e ficar excelente) e ainda colocar fragmentos das melodias espalhados pelas faixas eu não vi ninguém fazer.

    Isso que você falou que esperava outra coisa de Zelda creio que é justamente a diferença de formato da suíte para poema sinfônico mesmo. Mais ainda acho que o conceito de suíte daria muito certo com Zelda. De fato não apareceu nada do Majora’s Mask. Esses jogos meio diferentes ou spin-offs é meio difícil de lembrarem, e coloco no mesmo caldeirão Super Mario Bros. 2 e Zelda II, ambos com trilhas sensacionais.

    Quanto ao Symphonic Odysseys, espero que não precisemos de tais artimanhas, mas caso ocorra o mesmo problema é bom ficar de alerta.

  6. 8 DGC 11/10/2010 às 5:17 pm

    Primeiramente eu gostaria de parabenizar você, Alexei “maestro” Barros.
    Diferente do seu agradecimento, e veja só… à mim também (e com o qual fico lisonjeado, mas vc bem sabe que não foi nada), nós que frequentamos o Hadouken é que só temos a agradecer!
    Obrigado por nos deixar cientes deste que foi um maravilhoso concerto e por sua impecável descrição do mesmo aqui.

    Pude apreciar ao vivo e diversas vezes posteriormente pelo Youtube e agora o goear (breve em MP3s? heheh), eis algumas considerações minhas:

    Passada a Fanfare, que abriu dignamente o espetáculo, a primeira música que me fez praticamente verter lágrimas foi a divina e emocionante suíte de Star Fox…
    Simplesmente PERFEITA!

    Começa maravilhosamente com Star Fox64, mas fica imensuravelmente É-P-I-C-A quando chega no Star Fox original. Pelos deuses!!!
    Não me lembrava o quão superior era (ou sequer imaginava como poderia vir a ser) o tema de Corneria!
    A partir de 2:05 transmite algo distante e triste, em 2:50 fica difícil segurar as lágrimas, em 3:05 somos transportados ao ápice de uma batalha espacial (e aquilo, se bem me lembro é o tema espacial emendado de uma das fases seguintes à Corneria no Star Fox original) e por fim triunfante em 3:50 o tema crescendo de uma maneira simplesmente heroica.

    Lindo, quase uma ópera espacial… Bravo, bravíssimo, ISTO É STAR FOX!

    E então o clássico dos clássicos, Super Mario…
    Na minha opinião, não poderia começar melhor com a emotiva Dire, Dire Docks, mas o Alexei já disse tudo afinal.
    Perfeito também! Nada a acrescentar.

    F-Zero simplesmente não empolgou e demorou demais pra tentar engrenar após um começo praticamente irreconhecível.
    Vida longa ao trecho da Smash Bros. Grand Medley que é ainda a melhor orquestração de F-Zero que já ouvi.

    A suíte de Super Metroid foi pra mim a ovelha negra do concerto e quase não se salva.
    Dissonante e caótica, mesmo!
    Talvez o melhor foram as partes em coral, só. Mas achei o pior foi acabar repentino demais.

    Sublime e apaixonante a Aquatic Ambiance do DKC original.
    Me pergunto como será que D. Wise se sentiu, pois ao menos conhecimento provavelmente tomou.

    Encantadora!
    Faço das do caro Alexei as minhas palavras sobre a suíte de Pikmin.

    A “Suíte Galáctica” de Super Mario Galaxy ficou totalmente sem palavras!
    Conseguiram melhorar aquilo que já estava originalmente perfeito! [+ coral fenomenal!]
    Incrível como ela traduz o jogo, com cada música descrevendo um momento “quase” tão perfeitamente como o próprio Alexei faz destrinchando o concerto aqui.

    “Vim, vi e venci” entoa o coral pomposo (em latim: veni, vidi, vici) a partir de 7:15, claramente descrevendo a jornada galáctica de Mario.
    Simplesmente emocionante!

    E por fim… A Lenda…. magnífica, majestosa (um pouco arrastada também)…. mais épica do que nunca, de Zelda.

    O segundo movimento é simplesmente de arrepiar e faz jus ao maior vilão já concebido pela Nintendo.
    Achei o terceiro movimento, mais precisamente a partir de 3:12, algo digno de John Williams! Embora, devo confessar, a Kokiri Forest tenha me ficado um pouco cansativa.
    Mas então… que coisa mais DIVINA, ouvir o triste cântico dos Espíritos da Luz do Twilight Princess… lágrimas.
    Destaque também para em 5:25 no tema da luta com Ganondorf, mais uma vez do Twilight Princess, aparecendo com toda força.
    O quarto movimento foi pra mim, no geral, o mais belo e emocionante de todos.
    Por fim… no quinto movimento somos presenteados com o tema imortal da série, cantado!
    Lindo de doer!!

    Nunca tinha ouvido nada que traduzisse tão epicamente uma de minhas séries de jogos favoritas.

    Enfim… no fabuloso Encore… eu enfartei.
    … “NIN-TEN-DO”

    Meu TOP 5 do Symphonic Legends:
    – Encore
    – Star Fox
    – Mario Galaxy
    – Zelda
    – Aquatic Ambiance

    • 9 Alexei Barros 11/10/2010 às 6:53 pm

      Que isso, DGC, eu que agradeço a paciência por sempre acompanhar tudo e pelo seu comentário!

      Compartilho em 100% os comentários que você fez a respeito de Star Fox, isso que não conheço nada da série. Foi um dos melhores segmentos do concerto a dita ópera espacial, e me pergunto como ninguém teve a ideia de combinar as músicas com coral. Aquela sequência da metade para o final que você descreveu muito bem é simplesmente maravilhosa. Pena que o Shiro Hamaguchi parece ter usado a maior parte do combustível de inspiração para Star Fox, deixando pouco para o F-Zero. Acho que o arranjo ficou abaixo dos outros e inferior ao nível elevado de arranjos dele, pelo fato de haver esses trechos pouco reconhecíveis, isso levando em conta da proposta do arranjo, que não é experimental como os demais.

      Nossa! Fantástico o detalhe da letra do Super Mario Galaxy. Como seria possível imaginar que a frase do Imperador Júlio César fosse combinar tão bem com a “Wind Garden”?

      Sobre o Poema Sinfônico, a inspiração do John Williams, por sua vez se iluminou no Tchaikovsky, foi explanada nesse recente entrevista publicada agora há pouco no SEMO. Legal que tem as letras latim e as traduções em inglês também, além de outros detalhes sobre a concepção do arranjo. O movimento dos temas de combate me deu um nó na cabeça porque foi o mais difícil de tentar decifrar, e falhei miseravelmente. Gostei do seu Top 5; o meu é mais ou menos por aí, mas arranjaria um espaço para o Mario retrô, pois achei sensacional a seleção de faixas, fugindo dos temas óbvios que eu não aguento mais ouvir (claro que o tema principal não teria como fugir, e que ficou excelente na nova interpretação do Wanamo).

      Em linhas gerais, concordo com o que você disse sobre o restante.

      • 10 Radical Dreamer 11/10/2010 às 7:13 pm

        O que eu achei mais estranho, na entrevista, foi o comentário de que a maioria dos compositores da Nintendo se inspirou demais em John Williams. Mas, se é assim, como é que pode haver tanta gente que cresceu ouvindo as músicas de Zelda e achar que algumas partes do arranjo simplesmente não soam como Zelda? É que nem o arranjo do Symphonic Fantasies de “A Fight to the Death”, que mais lembra a Marcha Imperial do que uma música da Shimomura. O que me parece é Valtonen é muito inspirado em John Williams, e, de fato, os seus arranjos não provam o contrário.

        Nossa, demais as letras do Super Mario Galaxy. Na entrevista do SEMO que o Alexei mencionou revelaram as do Zelda, e faltam agora as do Metroid, Star Fox e principalmente do Encore. Esta é a que mais quero ler.

        • 11 Alexei Barros 11/10/2010 às 8:00 pm

          A inspiração do Jonne Valtonen no John Williams pode mesmo ser comprovada no arranjo da “Grand Monster Slam (Opening Fanfare)” do Symphonic Shades nesta palestra aqui e na composição “Fanfare Overture” do Symphonic Fantasies nesta entrevista aqui falando de casos mais específicos. Não sei se foi intencional no exemplo da “A Fight to the Death”.

          Interessante o dilema que você destacou. Eu como não conheço as trilhas originais tão bem quanto gostaria, fico na dúvida, já que muitas pessoas acharam que não soa como Zelda como você disse.

          O mais curioso disso tudo é que para mim a “Main Theme” arranjada pelo Yuzo Koshiro para o Super Smash Bros. Brawl ficou totalmente John Williams. E eu pelo menos achei que combinou com o espírito aventureiro da série.

          Igualmente curioso para saber as traduções das letras em latim dos demais segmentos, se é que um dia serão revelados.

  7. 12 captain falcon 29/01/2011 às 12:15 am

    ótima matéria, como de praxe.
    estou meio atrasado, eu sei, mas ta valendo.
    tem como baixar do goear, ou o maestro pode disponibilizar pra download como fez no symphonic fantasies?


  1. 1 Tweets that mention Symphonic Legends: o melhor presente de aniversário para uma produtora lendária « Hadouken -- Topsy.com Trackback em 09/10/2010 às 7:42 pm
  2. 2 LEGENDS: a presença de Masashi Hamauzu « Hadouken Trackback em 28/02/2011 às 2:02 pm
  3. 3 Symphonic Odysseys: de última hora, a estreia mundial de The Last Story « Hadouken Trackback em 01/03/2011 às 11:07 am
  4. 4 Pikmin e Zelda despontam em concerto alemão de música erudita « Hadouken Trackback em 13/04/2011 às 5:32 pm
  5. 5 LEGENDS: à moda antiga dos Marios da velha guarda « Hadouken Trackback em 03/05/2011 às 7:43 pm
  6. 6 Novidades do programa do Symphonic Odysseys; confirmadas suítes de Final Fantasy e Lost Odyssey « Hadouken Trackback em 13/06/2011 às 4:07 pm
  7. 7 Symphonic Odysseys: 2011: Uma Odisseia do Uematsu « Hadouken Trackback em 22/07/2011 às 4:29 am

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




RSS

Twitter

Procura-se

Categorias

Arquivos

Parceiros

bannerlateral_sfwebsite bannerlateral_gamehall bannerlateral_cej bannerlateral_girlsofwar bannerlateral_gamerbr

%d blogueiros gostam disto: