DKC2 Serious Monkey Business: sérias restrições, mas o saldo é positivo

Por Alexei Barros

Fazia tempo que não ouvia um álbum de ponta a ponta do OCReMix, e isso só voltou a acontecer quando soube da participação do compositor original David Wise e outros nomes conhecidos das comunidades de arranjos. Fui contaminado pelo hype. Fiquei feliz quando saiu para download. E não gostei tanto assim quando ouvi.

Não sei se sou cabeça-dura demais, pouco eclético e intolerante para experimentações desvairadas, mas tem várias faixas que não vejo muito objetivo. A primeira da minha lista de músicas que não vou querer ouvir de novo, a não ser para elencar um top 10 de piores arranjos, é definitivamente a “Trapped in the Minds (Kannon’s Klaim)”. Que raios é isso? Nada contra o hip-hop, que fique bem claro. A próxima é a “Monkeys Disarm Their Kremlings (Crocodile Cacophony)”. Alguns chamam de Death Metal. Eu chamo de lixo. Com todo o respeito (me preparo para comentários ofensivos). O vocal é tão pútrido que perceberam que quase ninguém ia gostar e também colocaram uma versão instrumental  de bônus.

Nem tudo está perdido. Há várias releituras eletrônicas interessantes que não são muito memoráveis para o meu gosto. Por isso, separei somente os arranjos que mais apreciei para comentar. Se não esqueci de nenhum, são:

“Rare Respite (Jib Jig)”
– Original: “Jib Jig”

O arranjo conseguiu transformar uma música simpática em uma performance exemplar com piano, violão e flauta com vários timbres diferentes (suponho que sejam sintetizadas), conferindo um tímido flerte com celta.

“Welcome to the Funky House (Funky the Main Monkey)”
– Original: “Funky the Main Monkey”

Na época em que acompanhava mais do OCReMix, os remixes que mais gostava era do djpretzel, o dono do site, e vejo que ainda tenho uma certa predileção pelo trabalho dele. Fazendo por merecer o nome da música, o arranjo tem todo um estilo funk, o que fica muito claro no timbre do baixo elétrico.

“Pickin’ Out the Fleas (Swanky’s Swing)”
– Original: “Swanky’s Swing”

Guitarra fantástica que combinou perfeitamente com o estilo da composição original. Uma pena que os metais não sejam muito convincentes, comprometendo um pouco o resultado final.

“Bramble Reprise (Stickerbrush Symphony)”
– Original: “Stickerbush Symphony (Bramble Blast)”

Estou para ouvir o arranjo definitivo da melhor música original da trilha, porque ainda não foi desta vez. Joshua Morse aumenta a psicodelia do tema ampliando a gama de efeitos eletrônicos na introdução. Surge uma guitarra solando e depois outros instrumentos, como piano e bateria. Adiante começa a ficar meio repetitiva martelando na mesma sequência continuamente. Melhora um pouco com a guitarra mais incisiva, momento de alegria que dura pouco com uma fuzarca de sons – como se  fosse ouvir três músicas diferentes ao mesmo tempo.

“Re-Skewed (Donkey Kong Rescued)”
– Original: “Donkey Kong Rescued”

Pode me acusar de que apenas dou valor aos profissionais, mas para mim o arranjo do David Wise possui um nível superior de qualidade dos demais pela escolha de timbres dos instrumentos. Quando foi anunciado o seu envolvimento, imaginei que os seus companheiros ex-Rare Grant Kirkhope e Robin Beanland também fariam arranjos. Na verdade os três se uniram para a mesma rara ocasião: Wise no sintetizador, Kirkhope na guitarra afiadíssima e Beanland no saxofone, que estranhamente soa pior do que um sax sintetizado em certos momentos. Nada muito sério que estrague o arranjo que para mim é o melhor do álbum de uma música que não costumava prestar muita atenção.

“Bonus Bop (Token Tango, Bonus Lose, Bonus Win)”
– Originais: “Token Tango”, “Bonus Lose” e “Bonus Win”

Uma grata surpresa é um arranjo do OCReMix inteiramente gravada com instrumentos reais, no caso a The UArts “Z” Big Band. A “Token Tango”, que nada mais é do que a “DK Island Swing” do primeiro DKC, combina perfeitamente com o estilo big band. Tem até uns solos de piano, trompete e bateria. A performance é ótima, mas ainda faltam alguns anos de experiência para chegar no nível de uma The Big Band of Rogues. Haja exigência de minha parte.

14 Responses to “DKC2 Serious Monkey Business: sérias restrições, mas o saldo é positivo”


  1. 1 Fabio Bracht 26/03/2010 às 4:06 am

    Ia fazer um post sobre isso lá no Continue, mas agora que o maestro definitivo fez, não sei se ainda há objetivo. :P

    Até porque eu só ia dizer que também não achei lá essas coisas. As músicas seguem em muitas direções muito diferentes, não há uma unidade, e geralmente me pareceram trabalhadas demais, a ponto de eu nem lembrar da versão original enquanto ouço.

    No fim das contas a minha favorita acabou sendo uma das mais improváveis, a “Us Monkeys Together”, só porque achei o vocal (!) muito fofo.

  2. 2 Geraldo Figueras 26/03/2010 às 4:20 am

    Em resumo, um típico trabalho OC. E experimentalismos a parte, acho difícil engolir que um projeto de rearranjos fique inferior a trilha original. Ora, é justamente a chance de desenvolver melodias já marcantes com tecnologia e conhecimentos musicais a disposição.

    E o trabalho talvez fizesse muito mais sentido se não fosse aleatório. “Ah, vamos gravar um death metal, porque eu gosto”. Não. Algo como “vamos gravar uma cítara em Stickerbush Symphony porque a melodia original remete às sensações etéreas da música tradicional indiana”, por exemplo.

  3. 3 Farley 26/03/2010 às 9:13 am

    Nunca gostei muito das composições do OCReMix, acho que em sua maioria as canções originais são descaracterizadas, logo nem sabia da existência desse album. Prefiro comentar então algumas das que você comentou no post:

    -“Pickin’ Out the Fleas (Swanky’s Swing)”: Foi a que mais gostei das que você selecionou, mas ela se torna cansativa a partir da metade com tantos solos que pra mim não adicionam nada.

    -“Bramble Reprise (Stickerbrush Symphony)”: Até achei agradável, mas ela é cheia de exageros desnecessários (como esses tantos instrumentos simultâneos). E não gostei muito da guitarra que aparece após os 3 minutos, descaracteriza demais a original.

    -“Re-Skewed (Donkey Kong Rescued)”: Concordo completamente no que você falou. Nota-se aqui um nível superior em relação às outras, sem contar que não tem tantos exageros.

    E credo, “Trapped in the Minds (Kannon’s Klaim)” e “Monkeys Disarm Their Kremlings (Crocodile Cacophony)” são pavorosas…

  4. 4 Wesley Pires 26/03/2010 às 10:19 am

    Eu curto o OCRemix por não mistrar apenas musicas arranjadas com outro instrumento que não seja o original, mas cagaram feio nessa ai. Pude ouvir as musicas normalmente e num podcast do Nowloading onde foi usado como trilha de um episódio. Não foi nada agradavel ouvir isso, tirando algumas exceções. Realmente remixar obras primas é complicado, amigo.

  5. 5 Alexei Barros 26/03/2010 às 11:43 am

    @ Bracht

    “Ia fazer um post sobre isso lá no Continue, mas agora que o maestro definitivo fez, não sei se ainda há objetivo. :P

    Até porque eu só ia dizer que também não achei lá essas coisas.”

    Não diga isso, claro que há, só não se sinta obrigado como não curtiu tanto =P. Longe de querer fazer uma análise, apenas dei umas rápidas pinceladas sobre o que menos gostei e o que mais apreciei.

    “As músicas seguem em muitas direções muito diferentes, não há uma unidade, e geralmente me pareceram trabalhadas demais, a ponto de eu nem lembrar da versão original enquanto ouço.”

    Concordo plenamente. Questiono um pouco a abundância de rumos diferentes, porque em vez de fazer com que várias pessoas gostassem de algumas músicas (acho difícil imaginar alguém tão eclético que goste de tudo, sinceramente), poderiam agradar menos pessoas que ficassem feliz com todos os arranjos. Mas daí não sei se o OCReMix seria tão popular como é hoje no caso dos arranjos de uma música. Nesses projetos o mínimo que eles poderiam fazer é tentar agradar os fãs da trilha original, e não acho que consigam isso com hip-hop, por exemplo.

    A questão da descaracterização também assino embaixo. Várias músicas tive que fazer força para sacar qual era (a maioria não consigo relacionar o nome com a melodia).

    “No fim das contas a minha favorita acabou sendo uma das mais improváveis, a “Us Monkeys Together”, só porque achei o vocal (!) muito fofo.”

    Não sou chegado muito em arranjos vocais, mas a “Us Monkeys Together (In a Snow-Bound Land)” concordo que tenha ficado simpática. O estilo da voz me lembrou um pouco o álbum Mother – destaco a “Pollyanna (I believe in you)”.

    @ Figueras

    “Em resumo, um típico trabalho OC. E experimentalismos a parte, acho difícil engolir que um projeto de rearranjos fique inferior a trilha original. Ora, é justamente a chance de desenvolver melodias já marcantes com tecnologia e conhecimentos musicais a disposição.”

    Perfeito!

    “E o trabalho talvez fizesse muito mais sentido se não fosse aleatório. “Ah, vamos gravar um death metal, porque eu gosto”. Não. Algo como “vamos gravar uma cítara em Stickerbush Symphony porque a melodia original remete às sensações etéreas da música tradicional indiana”, por exemplo.”

    Perfeito! (2)
    No caso do hip-hop e death metal em especial, eu questiono a adoção de ambos os estilos, porque quem vai baixar o álbum é alguém que já gostava das músicas do jogo, e na trilha não há nenhum resquício ou ensaio de adoção dos dois estilos.

    @ Farley

    Mais uma vez fico surpreso de ver outra pessoa que não curte também o OCReMix. Não à toa você concordou em geral com que eu achei, com todos os excessos e em especial a estima pelo arranjo do David Wise. Mas vai que ouvindo tudo você acha outro interessante. Isso é um problema recorrente do OCReMix, aliás, ter que ficar garimpando releituras que me agrade. :(

    @ Wesley

    Não acompanhei os últimos para comparar, mas vi algumas pessoas citando esse álbum do DKC2 como o melhor já realizado. No geral, como digo no texto, o saldo foi positivo eu achei, e eles ganharam muitos pontos pela participação do David Wise e dos companheiros raros.

  6. 6 9voltclub 26/03/2010 às 5:57 pm

    tem algumas vaciladas, mas no geral eu gostei da maioria das faixas

  7. 7 Douglas Oliveira 01/04/2010 às 4:45 pm

    Comentário atrasadaço, mas vamos lá.
    Como um cara que jogou muito DK2, sinceramente esperava curtir mais esse trabalho. Confesso que ainda não ouvi todos os remixes(?) e acho que parte disso se deve ao fato do trabalho que algumas melodias me dão, que é saber qual é a música que está tocando. Tem algumas em que o ritmo está um pouco diferente da original ou determinado instrumento se sobrepõe à “batida principal”.
    Concordo com o que o pessoal comentou aí, de que está muito descarecterizado e que não há coesão no álbum. Certamente que com tanta remixagem, nem todas canções seriam acertos, mas esperava ter mais músicas bacanas.

  8. 8 Alexei Barros 01/04/2010 às 4:51 pm

    Não se preocupe com o atraso, Douglas. Comentários de posts novos ou não tão novos assim nós sempre lemos. :D

    Acho que coesão é algo que não existe em nenhum projeto do OCRemix para ser sincero por conta da grande quantidade de pessoas envolvidas. Agora a descaracterização é algo que eles poderiam ter se policiado mais, por que se a pessoa não reconhece a melodia, qual a graça?

  9. 9 Camila Schafer 07/04/2010 às 4:57 pm

    Pra falar a verdade, comecei a ouvir e gostei das primeiras faixas. À medida em que fui ouvindo mais fui me decepcionando também.. hehehe

    As versões com vocais achei péssimas…. sei lá, parece que não combina…. Concordo com as faixas que vc citou como ruins Alexei. Talvez por a gente não gostar de certos estilos incluídos no álbum não tenhamos gostado de algumas músicas, mas enfim… O esforço do OCRemix em juntar os mais diversos estilos é válido, maaaaas….

  10. 10 Alexei Barros 07/04/2010 às 11:23 pm

    Puxa, mais uma vez me surpreendo ao ver mais pessoas concordando sobre a ruindade das duas músicas.

    Camila, estava pensando aqui sobre os vocais… Para ser sincero, seja amador ou profissional, do OCRemix ou de qualquer outro site ou banda, não me recordo de ter gostado de algum arranjo com vocal de uma música originalmente instrumental. Ufa, lembrei… a “Tsuki no Akari -Ending Version-“ do Final Fantasy IV DS. Fora esse, gosto um bocado do Final Fantasy Vocal Collections I -Pray- e Final Fantasy Vocal Collections II “Love Will Grow”.

    “Talvez por a gente não gostar de certos estilos incluídos no álbum não tenhamos gostado de algumas músicas, mas enfim…”

    É exatamente esse o problema. Supõe-se que quem vai baixar o álbum já gosta de game music. E como hip-hop, por exemplo, é bem raro de se ver em jogos, logo se conclui que quem gosta de game music dificilmente gosta de hip-hop. E mesmo assim eles fizeram isso. :(

  11. 11 Victor Cortinaz 12/05/2010 às 2:37 pm

    O fato de você não curtir o extilo não lhe permite comentar sobre o mesmo não acha?
    Por exemplo, pelo que vi você não curti death metal e obviamente considerou a musica Monkeys Disarm Their Kremlings um lixo, onde está a lógica disto?
    a música é boa, você não gostou por que não curte death metal fato!

    A obviamente quem ouviu as musicas do jogo, jamais esperava ouvir um remix igual a Trapped in the Minds, pensemos assim…
    do que adianta um remix se as pessoas vão querer algo muito parecido com o original…

    Claro eu esperava mais, quem não esperaria mais de alguém que criou uma das melhores Soundtrack de todos os tempos…

    Mas acho que os comentários sobre as duas músicas foram exagerados

  12. 12 Alexei Barros 12/05/2010 às 5:51 pm

    Vamos por partes.

    “Claro eu esperava mais, quem não esperaria mais de alguém que criou uma das melhores Soundtrack de todos os tempos…”

    Não entendi. Quem compôs as músicas e as arranjou são pessoas diferentes, com exceção da “Re-Skewed (Donkey Kong Rescued)”. Se o David Wise fosse o responsável pelo projeto inteiro daí sim o seu comentário faria sentido.

    “O fato de você não curtir o extilo não lhe permite comentar sobre o mesmo não acha?

    Por exemplo, pelo que vi você não curti death metal e obviamente considerou a musica Monkeys Disarm Their Kremlings um lixo, onde está a lógica disto?
    a música é boa, você não gostou por que não curte death metal fato!”

    Realmente. Se você ver em um jornal como a Folha de S. Paulo é possível constatar que na área de música há várias pessoas diferentes, cada uma com intimidade em um estilo (erudito, jazz, MPB, techno, pop etc.). Evidentemente isso aqui é um blog qualquer em que apenas exponho as minhas preferências sobre os mais variados gêneros que as músicas de jogos abarcam. Concordo que seja preconceito com os ambos estilos, porque pessoalmente não vejo que virtude (melodia rica, técnica, criativade, por exemplo) o gênero Death Metal possui.

    Eu me abstenho de falar das bandas Death Metal e dos artistas hip-hop em geral, mas não tem como fazer o mesmo se ambos aparecerem em algum jogo.

    “A obviamente quem ouviu as musicas do jogo, jamais esperava ouvir um remix igual a Trapped in the Minds, pensemos assim…
    do que adianta um remix se as pessoas vão querer algo muito parecido com o original…”

    Embora tenha me excedido nos adjetivos, acho que o principal problema não são os estilos, mas a escolha deles para um projeto como esse. Geralmente death metal e hip-hop passam muito longe de game music. Mais importante, passam a quilômetros de distancia do DKC2. Tanto é que mesmo eu não gostando muito de estilos eletrônicos mencionei isso no texto. Por fim, acho que é impossível eu tentar comentar a música sem levar em conta o meu gosto, e não haveria porque ser condescendente se eu não gostei.

  13. 13 Matheus Mendes 07/10/2010 às 9:16 am

    iuasuidhasud peguei a discussão no fim, mas ta valendo

    Primeiro, eu também não curti as duas músicas que foram criticadas no texto, a de Death-Metal e Hip-Hop, o rapaz aqui encima falou corretamente, não a coerência botar Death-Metal em Donkey Kong Country 2, fico imaginando o que autor original das músicas, David Wise, ficou pensando depois que ouviu as duas…

    No mais, eu gostei de todas, eu ouvi todas, destaco
    Simian Soireé de Joren de Bruin;
    Rare Respite, do Patrick Burns, ficou maravilhosamente linda.

    As que faltaram mais qualidade, e as que eu tava dando mais Ibope, saíram um fiasco, que foi Forest Interlude e Bayou Boogie.

    Stickerbrush Symphone(Brambles), ficou no meio termo, ainda sim para mim, foi mais para menos.Me passou uma nostalgia forte, foi ela que mais me deu o sentimento de nostalgia, atrás apenas de
    Rare Respite e Simian Soireé.

    Crystal Swamp, eu gostei também, a música do virt, Dance of the Zinger, também curti. Dead Raggening, do Mazedude, também ficou boa.

    Enfim, boa parte das músicas, conseguiu sim, fazer o que prometeu que foi um remix, a versão da música original de cada autor.

    E ah, a música A New Place, foi a melhor com vocal.


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




RSS

Twitter

Procura-se

Categorias

Arquivos

Parceiros

bannerlateral_sfwebsite bannerlateral_gamehall bannerlateral_cej bannerlateral_girlsofwar bannerlateral_gamerbr

%d blogueiros gostam disto: