Symphonic Legends será enfocado na Nintendo

Por Alexei Barros

No momento em que o sucessor da ilustre estirpe de concertos Symphonic Shades e Symphonic Fantasies foi apregoado lá no dia 24 de setembro de 2009, quando ainda nem nome tinha, eu disse: “Mas que seria fantástico um concerto só (…) da Nintendo (já imaginou suítes de Mario, Zelda, Metroid e Donkey Kong?), seria”. Então em dezembro o título foi revelado, Symphonic Legends, e hoje finalmente se confirmou em entrevista feita pelo SEMO com o administrador da WDR Radio Orchestra, Winfried Fechner,  que a apresentação que ocorrerá dia 23 de setembro de 2010 em Colônia, Alemanha, será, como cogitava, inteiramente voltada para a Grande N. Até antes do público saber disso, 90% dos ingressos foram vendidos.

Não era nenhuma loucura pensar nisso porque faz tempo que o produtor Thomas Boecker mostra grande apreço pela Nintendo, seja pelas récitas educativas Second Chamber Music Game Concert (2006) e Super Mario Galaxy – A Musical Adventure (2010) ou pelos diversos segmentos da produtora na extinta série Symphonic Game Music Concert: “The Great Sea” (The Legend of Zelda: The Wind Waker) no First (2003), “Super Mario Bros. Medley” no Second (2004), “Donkey Kong Arcade Suite” no Third (2005), “The Legend of Zelda Theme” no Fourth (2006) e “End Credits” (New Super Mario Bros.) no Fifth (2007). Se o Symphonic Fantasies era uma iniciativa inédita no conceito de tributo à Square Enix, vale lembrar que já aconteceu um espetáculo da Nintendo, o Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert em 2002. Na teoria era um concerto com as músicas do Super Smash Bros. Melee,  na prática nada mais era do que uma apresentação que passeava por vários clássicos da Big N. Não um concerto, mas se abrirmos o leque para outros estilos também vamos esbarrar no antológico Mario & Zelda Big Band Live.

Nada mais foi dito em relação ao que se sabia, a não ser por um pitaco do Fechner sobre algumas das franquias contempladas: Super Mario Bros., Donkey Kong, Metroid, F-Zero e The Legend of Zelda. Determinadas eram esperadas, agora… F-ZERO??? Morri. Sempre achei as músicas pouco valorizadas. O jogo passou completamente ignorado na série Orchestral Game Concert, que revisitou diversos títulos da Nintendo, porque pelo ano em que foi lançado, 1991, deveria ter aparecido. Curioso como teve até a “Special Tracks” do Stunt Race FX, também de corrida, também com músicas ótimas, e não F-Zero. Em todo esse tempo a única vez em que figurou em concerto foi no próprio Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert com um trechinho da “Big Blue” (5:09 a 6:33) no “Smash Bros. Great Medley”. Aviso: se ouvir a “Mute City” orquestrada é capaz que não sobreviva.

Estou na dúvida em relação a  Star Fox, Fire Emblem, Mother, Pokémon, Pilotwings, Kirby e mesmo Super Smash Bros. Brawl. Se despontariam muito tranquilamente em um concerto japonês, a exemplo do que de fato aconteceu no passado com o Press Start e o OGC, não sei em uma apresentação alemã, voltada primariamente para o público europeu, porque a popularidade de certas franquias foi prejudicada pela localização deficiente.

Além disso, não esperarei muito por jogos da velha guarda da Nintendo, como Kid Icarus, Ice Climber, Dr. Mario, Wrecking Crew, Mach Rider, Balloon Fight, Punch-Out!!, Urban Champion, Duck Hunt, mas o que espero, com todo gosto, é que o quarteto lendário Mario-Zelda-Metroid-Donkey Kong seja homenageado além das óbvias “Overworld” do Mario e Zelda. É claro que por ser um concerto-tributo os temas mais conhecidos vão e devem ser relembrados, mas a mim é um imperativo que músicas esquecidas finalmente brilhem com todo o esplendor em um concerto profissional, como, por exemplo, “Castle” (Super Mario World), “Dark Mountain Forest” (The Legend of Zelda: A Link to the Past) e “Stickerbrush Symphony (Bramble Blast)” (Donkey Kong Country 2).

O único ponto negativo, por mais paradoxal que  possa parecer, é que o Symphonic Legends é um concerto com músicas da Nintendo. De uns tempos para cá, a produtora tem se mostrado uma das mais restritas em tudo que se refere à game music. Por exemplo, a Nintendo precisa aprovar todas as partituras dos arranjos antes da execução, o que não é anormal para uma produtora que possui grifes poderosas a bem da verdade. O que me revolta é que a Nintendo não permite qualquer lançamento da gravação de concertos, seja com músicas só dela ou com outras produtoras, ao menos foi o que disse o produtor do PLAY! Jason Michael Paul em entrevista ao SEMO. Por isso, não vou esperar pelo lançamento do CD e não sei se haverá a tradicional transmissão pelo rádio ou em vídeo como nos anos anteriores. Vamos aguardar.

Em breve o SEMO publicará a segunda parte da entrevista com o Winfried Fechner, e serão reveladas informações sobre os arranjadores convidados do Symphonic Legends, detalhes do concerto da WDR de 2011 e novidades do CD do Symphonic Fantasies, que demorou para ser anunciado. Até lá pretendo formular melhor a minha wishlist, e compartilhá-la no vindouro post.

[via SEMO]

9 Responses to “Symphonic Legends será enfocado na Nintendo”


  1. 2 Pescador Parrudo 19/03/2010 às 1:31 pm

    Ei, Mestre Alexei, já ouviu falar da Rádio Gamerstation?

    http://www.radiogamerstation.com/

    É uma rádio brasileira que só toca músicas de games. Seria bacana se o mestre tivesse um programa lá.

  2. 4 fezones 19/03/2010 às 7:11 pm

    Caramba, tava todo animadão, até a parte do “…não sei se haverá a tradicional transmissão pelo rádio ou em vídeo como nos anos anteriores.”

    …ah, nem vou comentar nada… brochei xD

  3. 5 Alexei Barros 19/03/2010 às 10:21 pm

    @ fezones

    Bom, pessimismo nintedista à parte, nunca se sabe. Não esperava que houvesse transmissão via rádio do Symphonic Fantasies e acabou tendo em vídeo. Mas, calma, no pior das hipóteses poderemos ouvir uma gravação da plateia, porque sei de muitas pessoas de fóruns gringos que vão assistir in loco e com certeza absoluta irão registrar tudo caso não aconteça a transmissão.

  4. 6 Radical Dreamer 19/03/2010 às 11:23 pm

    Meu… Deus! Sinceramente acho que ainda não caiu totalmente a ficha. Pensar em arranjos que não envolvam apenas o óbvio de séries tão ricas musicalmente como Zelda e Mario é bom demais para ser verdade. Assim como você e “Mute City”, Alexei, se eu ouvir a “Ocean” do Wind Waker eu infarto imediatamente (diga-se de passagem, isso pode acontecer com qualquer música da série Zelda). Mas não ficaria tão pessimista em relação à transmissão ao vivo. Se a Square-Enix, que apesar de incentivar bem mais a game music do que a Nintendo, permitiu a transmissão (e na segunda parte da entrevista do SEMO será discutido o lançamento de um CD, ou seja, ele é possível) eu acho que a própria Nintendo pode se surpreender com o resultado e incentivá-lo de uma maneira que não acreditamos ser possível. Estou na torcida!

  5. 7 Alexei Barros 20/03/2010 às 12:39 am

    @ Radical Dreamer

    O meu pessimismo em relação ao lançamento do CD se deve muito à declaração do Jason Michael Paul, e principalmente por causa do Press Start. Eu penso assim: se um concerto que tem na produção o Shogo Sakai, funcionário da HAL Laboratory, subsidiária da Nintendo, e o Masahiro Sakurai está na mesma condição no comando da Project Sora, outra subsidiária, não conseguem convencer a Nintendo, como que alguma produção externa poderia?

    Tá certo que o CD do Symphonic Legends teria só músicas da Nintendo, enquanto que do Press Start de um sem-número de produtoras. Ainda assim, não tenho muitas esperanças disso. Que saudade dos tempos de OGC… :( Ah, da transmissão ao vivo eu concordo que deve existir uma brecha entre as restrições chatas da Nintendo. Não acho impossível, só improvável.

    Comparando com a Square Enix, ao menos com esta é possível driblar algumas limitações, como as músicas do Kingdom Hearts licenciadas pela Disney ou então do Chrono Cross, cujos direitos autorais são do Mitsuda. Acho que o único caso parecido disso com a Big N talvez seja do Pokémon, como é primariamente uma franquia da Creatures, e se não tiver louco o Mother. Eu suspeito que os direitos autorais sejam do Keiichi Suzuki e do Tanaka, como teve a “Snowman” naquele álbum PiA-COM I / PIA-COMS.

    Agora o CD que será mencionado na entrevista é o do Symphonic Fantasies, não?

    E eu apostaria sim na aparição da “Ocean” / “The Great Sea”, como a música foi arranjada no First SGMC. Dá para notar que várias seleções da série foram repetidas no Shades e no Fantasies. Acho isso positivo, já que poucas pessoas conheceram os arranjos no máximo da qualidade naquela época, e agora eles têm condições de fazer arranjos muito melhores pelo que o Thomas já me falou não apenas pelo aprendizado adquirido com tantos concertos, mas porque não há restrições orçamentárias como naquela época.


  1. 1 Symphonic Legends será transmitido ao vivo em vídeo! « Hadouken Trackback em 14/07/2010 às 5:17 pm
  2. 2 Symphonic Legends: o melhor presente de aniversário para uma produtora lendária « Hadouken Trackback em 09/10/2010 às 7:02 pm

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