Gyakuten Kenji Original Soundtrack: investigando as músicas originais


Por Alexei barros

Finalmente! Dia 16 de fevereiro, o primeiro spin-off da série Ace Attorney de nome Gyakuten Kenji, conhecido por aqui como Ace Attorney Investigations: Miles Edgeworth, foi lançado nos Estados Unidos. Impressionante que o tempo que demorei para escrever o post, visto que o álbum Gyakuten Kenji Original Soundtrack saiu em 24 de junho de 2009, não foi suficiente para ficar defasado. Levou quase um ano para a localização ser consumada (a versão japonesa é de 28 de maio de 2009). Nada de anormal, o problema é que ficamos mal acostumados com o Justice for All e o Trials and Tribulations que foram lançados para DS em 2007.

Falemos das músicas. Na verdade é a segunda vez, porque já comentei sobre o pacote promocional Gyakuten Kenji Orchestra & Video Album, que antecipava dois segmentos orquestrados. É um caso curioso, não raro, de conhecermos as versões arranjadas antes das originais. Naquela ocasião se sabia que Noriyuki Iwadare era o compositor. Com o advento do álbum, foi confirmada também a inesperada participação da ex-Zuntata (estúdio e banda da Taito) Yasuko Yamada, que assinou trilhas de jogos como Bubble Symphony (Arcade) e Deep Sea Adventure: Kaitei Kyuu Panthalassa no Nazo (PlayStation).  Com isso, repete-se o costume de usar colaboradores externos e não compositores da Capcom, como aconteceu em todos os episódios menos no Trials and Tribulations, que é do Iwadare. Apesar de tantas pessoas já terem se envolvido, o nível de inspiração sempre foi elevado (um pouco menos no Justice for All, a bem da berdade).

Entretanto, o encarte comete o pecado – muito frequente nos álbuns do Mega Man – de não trazer os créditos de cada faixa. Não sei por que ainda fazem isso. Não custa nada falar quem compôs o que, ora bolas. Além do mais, na Gyakuten Saiban 4 OST há a informação. A única dica foi liberada pelo Iwadare em recente entrevista ao SEMO: “Acredito que fiz mais da metade da trilha sonora”, diz. “Realmente não conseguiria dizer quais faixas compus exatamente, mas por favor ouça as músicas e descubra quais tem o estilo Iwadare”. Espero que um dia os detalhes venham à baila porque não sou nada familiarizado com o estilo da Yasuko Yamada, e mesmo do Noriyuki Iwadare, que conheço um pouco melhor, não arriscaria dizer. E mesmo que um dia consiga quero ter a confirmação de fato. Mais triste, nem sempre os compositores anotam as faixas que criaram, e podem acabar esquecendo no decorrer dos anos. Serei obrigado a pentelhar o Iwadare todos os dias no Twitter?

Você que ainda não jogou ou não conhece a série muito provavelmente não achará as músicas tão impressionantes assim (em parte pelas limitações do DS), mas pelo menos comigo todas as faixas melhoraram depois que comecei a me aventurar nas investigações (fantásticas, como não poderia deixar de ser). De toda forma serve para se habituar com as melodias, já vislumbrando um novo álbum arranjado ou concerto da série.

“Confrontation ~ Moderato 2009”

Primeira versão do tema dos confrontos. Aos poucos o piano aparece em meio ao som que lembra uma guitarra, com os momentos de silêncio fomentando o suspense que ronda os mistérios do início de cada caso.

“Tricks and Gimmicks”

Logo na primeira oportunidade em que ouvi a “Testimony – Lying Coldly Full Orchestra Arrange”, fiquei absorto com um breve excerto rebuscado que começava em 1:02 e terminava em 1:21. Depois que notei como era a original, digo sem medo que o arranjo é  digno de Yuzo Koshiro, ou seja, coisa de gênio. É altamente provável que o Iwadare tenha já pensado na orquestração na hora de compor – já concluindo que ele é o autor da faixa –, mas mesmo assim notar como esta faixa minimalista e misteriosa ficou fiel em uma sobreposição de instrumentos de sopro é incrível. E outra: jamais outra faixa similar, de mistério, dos episódios anteriores foi arranjada anteriormente, como “Logic and Trick” (PW: AC) ou “Trance Logic” (AJ: AC).

“Confrontation ~ Allegro 2009”

Versão, como diz o nome, com andamento mais vivo, com o timbre de guitarra aparecendo ainda mais do que o do piano. O clima está esquentando…

“Confess the Truth 2009”

Na hora da verdade, o piano permeia a música que recebe o acompanhamento de um órgão, guitarra, baixo e bateria.  O destaque é a referência ao tema de Miles Edgeworth “Great Revival ~ Reiji Mitsurugi” em 0:47.

“Confrontation ~ Presto 2009”

Na mais acelerada e empolgante interpretação do tema há até espaço para alguns solos ocasionais de piano que não parecem deslocados. Empolgante? É porque você não ouviu a próxima.

“Pursuit ~ Lying Coldly”

É a outra original que completa a “Testimony – Lying Coldly Full Orchestra Arrange”, aparecendo antes e depois da “Tricks and Gimmicks”. Tem toda a energia dos temas Cornered anteriores somado a um quê de Yuzo Koshiro em Streets of Rage como já comentado.

“Shiryu Ro ~ Speak up, Pup!”

Três palavras: Shinsekai Gakkyoku Zatsugidan. O tema do personagem Shi-Long Lang (estreante neste capítulo) tem todos os elementos que consagraram os reclusos compositores da SNK nas trilhas dos jogos de luta da casa e excepcionalmente interpretadas nos álbuns com versões arranjadas: timbres de órgão hammond e  guitarra proeminente, proporcionando a base para o saxofone brilhar. Seria um novo representante da série de tempestade saxofonística?

“Ittetsu Bado ~ The Truth isn’t Sweet”

De novo Shinsekai? Diria mais, os timbres de guitarra também tem um quê de Mega Man. Mais uma para o Gyakuten Meets Jazz Fusion.

“Himiko Kazura ~ Let Me Laugh at the Cool”

Como podem ter lançado o Gyakuten Saiban Jazz Album antes desta faixa? Mais Iwadare impossível, com timbres de metais, bateria e solos de teclado. Tocaria a música em um cassino?

“Two Embassies ~ The Lands of the Butterfly and the Flower”

Timbres de cravo e violinos compõem uma bela composição que revive o período barroco, que até então nunca havia sido reverenciado na série.

“Solution! ~ Splendid Deduction”

Essa harpa que prevalece durante a faixa me lembra muito Kenji Ito em Romancing SaGa. Parece repetitiva, mas não é.

“Reiji Mitsurugi ~ Great Revival 2009”

Nova versão do tema de Miles Edgeworth originário do Justice for All. A exemplo do que aconteceu com duas músicas mencionadas, também conhecemos antes a orquestrada “Reiji Mitsurugi ~ Great Revival 2009”. É, enfim, uma reinvenção da faixa, menos grandiosa e mais acelerada. Uma mudança necessária para o personagem que era antagonista (ou não?) e virou protagonista. Só acredito que não precisava ter tantas repetições, somando 7 minutos e meio de duração. A arranjada é mais na medida, com quase 5 minutos.

“Carnage Onred ~ The Enemy Who Surpasses the Law”

Provavelmente devo ter dito “como queria ver orquestrada” em quase todas os comentários, mas gostaria de salientar que neste tema mais do que nunca. Uma música sombria e ao mesmo tempo imponente, que precisa ser executada com toda a pompa dos tímpanos e órgão de tubo – o trecho de 1:05 a 1:29 clama por isso.

“Prosecutor’s Murmur ~ Promise to Meet Again”

Possivelmente o tema de encerramento, e muito bonito por sinal. Ficaria ainda melhor em uma versão jazzística com saxofone.

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5 Responses to “Gyakuten Kenji Original Soundtrack: investigando as músicas originais”


  1. 1 Geraldo Figueras 22/02/2010 às 8:36 pm

    Rebbutal:

    Confrontation – Moderato: acho uma faixa mais sutil, que não se compara com respectivas do Ace Attorney e Trials & Tribulations. Ainda assim, supera o Justice e o Appolo por, ao meu ver, melhor se adaptar ao clima do jogo. A faixa não carrega o mesmo drama e tensão das fantásticas Examination 2001 e 2004, mas justamente condiz mais com a atmosfera menos soturna deste Investigations.

    Tricks and Gimmicks: esta sim, uma faixa que combate de frente as magistrais e já citadas Logig and Trick e Trance Logic. Todas na mesma linha, de elementos sutis que sonorizam através das batidas a passagem de tempo urgente de um cronômetro.

    Confrontation ~ Allegro: ainda que semelhante a sua contraparte Moderato, e mesmo baseados nas justificativas “climáticas” que já citei, acredito ser uma faixa banal e que prejudica a construção do clima policial.

    Confrontation ~ Presto e Pursuit ~ Lying Coldly: são temas magistrais em Ace Attorney, e que desde então seguiram uma linha mais alegre e colorida. Mas sem a injusta comparação, soam interessantes e com uma linha melódica alegre, que se aproximam a temas retrôs e me lembram A LOT o trabalho do Yu Suzuki.

    Shiryu Ro: a descrição do Mestre é precisa, a faixa fica entre um tema de personagem de um fighter da SNK ou um curto segmento de um estágio de Final Fight. Casa perfeitamente com o personagem, sua arrogância e sua divertida neurose com os detalhes de sua equipe.

    Ittetsu Bado: faixa com características semelhantes, que talvez fuja um pouco da característica desse personagem de movimentos dúbios e intimidante postura.

    Himiko Kazura: realmente, é um primor de jazz, e casa perfeitamente com a construção da personagem que, ao meu ver, tem a mania mais irritante já vista nesta bizarra série.

    Two Embassies: chegamos na segunda cidade um Dragon Quest? Um belo barroco, uma descrição fidedigna do local e um destaque de timbres na limitada capacidade sonora do portátil.

    Solution: linda. O tom épico de um final feliz, já observado em todas as semelhantes faixas das trilhas da série tem aqui outro grande momento, e clama por uma pomposa orquestração.

    Reiji Mitsurugi: é realmente longa demais, e não parece ter a estrutura de uma tema de personagem, o que dirá de um protagonista. Para mim, passa despercebida nessa excelente trilha, e remete a sensação de que o tema deveria ter sido deixado em paz.

    Carnage Onred – concordo mestre, esta imponente marcha deve, inclusive, ter nascido com o propósito de orquestração desde o início. O perfeito tema para este bizarro personagem.

    Prosecutor’s Murmur: traz o tona o lado mais humano do Edgey-poo, e encerra com maestria a construção do personagem que começou no original AA.

    Agora, permita-me comentar a minha grande favorita deste trabalho.

    Confess The Truth 2009: uma faixa grandiosa, tensa, que carrega os melhores momentos dramáticos do jogo. O acelerado piano contrapondo-se a cadenciada bateria, o harmônico que constrói o teclado, e guitarra e baixo no mesmo riff, tudo amarrado de maneira a conduzir o jogador àquelas grandes e inesquecíveis descobertas que coroam a série. Eureka!

  2. 2 Alexei Barros 23/02/2010 às 12:22 am

    É… curti bastante o seu Cross-Examination Rebbutal. Até precisei ouvir novamente as músicas dos episódios anteriores para me situar melhor. Coloque os links também para facilitar.

    Confrontation – Moderato: concordo quase que plenamente. A “Examination ~ Moderate 2001” e a “Examination ~ Moderate 2004” também são as minhas preferidas. A “Examination ~ Moderate 2002” fica bem aquém das duas, mas acho que a correspondente do Investigations empata com a “Examination ~ Moderate 2007”, porque tem um certo apreço por esta.

    Tricks and Gimmicks: esqueci de mencionar a “Trick and Magic” do Justice for All que, de novo, nem se compara com as outras três mencionadas. Só fiquei na dúvida: o Trials and Tribulations não tem uma faixa similar? Não encontrei e nem me recordo.

    Confrontation ~ Allegro: não havia encarado desta forma e talvez comece a pensar que de fato não combina muito nos momentos de mistério em que aparece.

    Confrontation ~ Presto e Pursuit ~ Lying Coldly: concordo de novo com a comparação. Enfim, podemos resumir que ambas têm uma levada Sega do final dos anos 1980 e começo dos 1990.

    Shiryu Ro: realmente também tem um quê de Capcom. Do pouco que acompanhei do personagem ao momento reflete mesmo a soberba dele.

    Ittetsu Bado: nada mais a acrescentar.

    Himiko Kazura: opa! Ainda não cheguei lá! Essa aqui apostaria que é do Noriyuki Iwadare.

    Two Embassies: claro! Como que não citei Dragon Quest? Já me sinto dentro de um palácio.

    Solution: orquestração é o que falta mesmo. Falando nisso, se não me engano, nenhuma das músicas de final de caso foi arranjada ainda.

    Reiji Mitsurugi: para um tema principal, concordo mesmo que fica sobrando, ainda mais se compararmos com as antecessoras “Ryuuichi Naruhodou ~Objection! 2001” e “Housuke Odoroki ~ A New Trial is in Session!”.

    Carnage Onred: também estou para conferir o personagem.

    Prosecutor’s Murmur: exatamente!

    Agora… ARGH! Não sei porque na minha cabeça achava que a “Confess the Truth 2009” era uma nova versão de uma correspondente anterior – bem como a faixa spoilenta 8 do disco 2 que tem trechos familiares -, mas me enganei completamente. Ainda que meus comentários nem de longe lembrem a precisão e a maestria geraldina, resolvi adicionar ao menos uma menção ao tema.

    Ah, por fim.. apesar dos dois segmentos orquestrados do álbum promocional serem excelentes, ainda queria uma suíte no formato do álbum Meets Orchestra e do concerto, enfeixando os temas Trial, Moderato, Allegro e Cornered. O problema é que não há uma faixa exatamente similar do primeiro tipo no Investigations (a não ser pela citada música no parágrafo anterior).

  3. 3 Geraldo Figueras 24/02/2010 às 1:15 am

    De uma maneira geral parece que fechamos com a opinião semelhante. Agora tenho que ouvir as faixas orquestradas com calma, algo que ainda não fiz desde que comecei a jogar o Investigations. Ao trabalho!

    E um detalhe: sempre concordamos que o Justice for All era inferior aos demais, mas agora comparando faixa a faixa fica ainda mais gritante as diferenças. O único caso que supera é a Detention Center ~ Security Camera’s Elegy (que foi importada para o Trials depois), e a Investigation ~ Core 2002 faz bonito. Mas os destaques da trilha ficam mesmo em tiros originais, como Lock on the Heart, Kurain Village, Eccentric, e, claro, Great Revival ~ Miles Edgeworth.

  4. 4 Alexei Barros 24/02/2010 às 1:34 am

    É verdade, tem razão. Não espanta muito, já que concordávamos quase em absoluto na preferência das trilhas da série.

    Falando do Justice for All, acho curioso como o Akemi Kimura/Naoto Tanaka que se mostrou não muito inspirado no jogo simplesmente destruiu no Rise from the Ashes.

    Dei uma ouvida de novo nas mencionadas e concordo que sejam as melhores mesmo do segundo jogo. Ainda acrescentaria a “Investigation ~Middle Stage 2002”.

  5. 5 Geraldo Figueras 24/02/2010 às 9:22 am

    Realmente! Os temas do Ashes são tão inspirados que fluem como parte da trilha do AA, e nem se nota a mudança.

    Bem lembrad, Middle 2002 é um excelente tema.


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