Avatar, 3D e joguinhos de videogame

Por Claudio Prandoni

Nesta última sexta-feira finalmente consegui assistir ao Avatar. Em 3D, claro. Se o James Camarão Cameron levou 12 ou sei lá quantos anos pra fazer o bendito filme porque queria em 3D vou eu não assistir em 3D?

Gostei bastante do filme. A história é uma compilação bem amarrada de clichês eficientes que empolgam e emocionam na medida e momento que devem, as imagens de natureza são lindas, personagens carismáticos (para o bem ou mal) e as lutas intensas. Só teria deixado um pouco mais curtinho, com início e fim mais aceleradinhos, mas beleza.

Enfim, como um apaixonado por joguinhos, alguém que lida profissionalmente com o assunto e também curioso por tecnologia, não pude deixar de associar a tecnologia 3D do filme o tempo todo a games. Óbvio, não dá para ignorar também toda a questão da convergência multimídia, a aproximação cada vez maior entre cinema e games e todo aquele lance de interação e tal.

Que seja, nos parágrafos seguintes – logo após o Hadouken – me dedico a expor minhas impressões sobre o tema.

Gostei do efeito tridimensional. Mas não me impressionei. Minha experiência prévia no cinema era o lastimável Beowulf: história ruim e uma sensação 3D ridícula, parecia que tinha 2 ou 3 planos de folhas de cartolina se sobrepondo e é isso aí.

Avatar é mais refinado, delicado e ousado. No começo tenta impressionar, com efeitos de gotinhas se destacando no espaço e tal. Pra ser sincero, até a metade do filme pouco me encantei com o 3D, achando mais uma firula inútil do que parte positiva da experiência.

Conforme a trama avançou e deu lugar a cenários mais amplos e detalhados, assim como situações mais interessantes, a coisa mudou.

Achei fantástica a sensação espacial que o 3D proporciona em ambientes amplos e orgânicos. Minha primeira imagem gamer lançando mão disso foi logo Uncharted. Acho que a série da Naughty Dog se beneficiaria demais da tecnologia. Ora, atualmente os principais trunfos da série são a narrativa e a ambientação e o 3D intensifica justamente isso: a ambientação. A sugestão de cenário. Plantas saltam aos olhos, como se estivessm ali na sala, penhascos parecem mais íngremes e selvas ainda mais densas.

Meio por aí

Por outro lado, me incomodei muito quando outros elementos pipocam em cenas, elementos artificiais – como é bem demonstrado quando o protagonista grava videologs. Os objetos do HUD (indicadores de tempo, bateria ou que seja) saltam para frente de forma artificial e incômoda, chamando a atenção mais do que o restante da cena quando não deveriam – afinal, são apenas elementos complementares. Atrapalham a contemplação. Ou seja, é o tipo de coisa que funcionaria bem em jogos que dispensam elementos complexos de HUD ou possuem apenas os bem simples, como Uncharted novamente ou Gears of War.

Já emendo outro detalhe: o 3D é algo que funcionaria em jogos mais cadenciados, que não demandam precisão e rapidez absurdas. O efeito tridimensional é perceptível, mas sutil em boa parte do tempo, exigindo concentração para, de fato, surtir efeito. Risco assim da lista jogos tradicionais de FPS, de esporte (que geralmente também dependem de elementos indicativos na tela), puzzles e RPGs de maneira geral – incluindo ação, turno, estratégia e tal.

Mas faço ressalva: em RPGs o efeito 3D seria absolutamente fantástico para as cutscenes. Queria muito eu que a Square Enix investisse nisso para os próximos episódios principais de Final Fantasy (afinal, MMOs não existem para os Toperas do Hadouken e, convenhamos, eles quase não possuem cenas de corte). Imagino aberturas de FF e Chronos novos (por que não sonhar, né?) encantando ainda mais ao envolver o jogador com o efeito 3D.

Tempos atrás testei essa parada; clicae

 Até agora balancei de um lado pro outro, falando que aquilo é legal, mas aquele outro negócio é chato, mas no final peso pra um lado de maneira decisiva: apesar de achar o 3D muito bacana, principalmente nas situações hipotéticas que citei, ainda acho a tecnologia inviável para ser adotada de pronto nos games por causa da exigência de óculos especiais.

Sim, por um lado já estamos habituados a usar um controle, à necessidade de um periférico para jogar videogame. Mas para por aí – um acessório já é o bastante. Qualquer acessório é encarado com vista grossa, principalmente quando é algo complementar e não um objeto que altere de forma decisiva a experiência de jogo. A menos que um Shigeru Miyamoto, Will Wright ou Jordan Mechner da vida arranje um jeito de integrar o 3D de forma vital à experiência de jogo, vejo a tecnologia sendo usada como mera perfumaria.

Volto pro Avatar. Assistir ao filme em 3D é diferente do que da maneira convencional? Sim, e muito. Principalmente pela maneira como deixa a narrativa mais potente.

Exclusivo: eu + óculos 3D do Avatar

Por isso mesmo acho que funcionaria de forma soberba em jogos que focam nesse aspecto (à la Uncharted, em que as sequências interativas constroem a trama tanto quanto cenas de corte) ou usam de forma intensa (a exemplo de Final Fantasy).

Não tenho ideia se há possibilidade de fazer um efeito 3D decente com a tecnologia atual. Ou mesmo se isso se tornaria comercialmente viável em pouco tempo, mas acredito que o 3D só se popularizará e será aceito de vez no mundo dos games quando for algo independente de periférico. Emendo rapidinho outra questão: da forma que é, cada pessoa apreciando a experiência (seja filme, jogo ou receita de bolo) precisa de um óculos.

Para mim, neste caso, facilitar e/ou tornar acessível é essencial para popularizar.

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5 Responses to “Avatar, 3D e joguinhos de videogame”


  1. 1 Luis 21/02/2010 às 9:10 am

    Eu também já vi esse filme e adorei. Para quem ainda não o viu aconselho a ver em 3D para tirarem o máximo partido do filme.
    Passem em meu blog :www.lpconsolas.blogspot.com

  2. 2 DGC 21/02/2010 às 12:19 pm

    Vc vai me desculpar, mas de carismáticos os personagens de Avatar não tem nada.
    Aliás, só é todo esse “grande filme” por ser em 3D. Pois verdade seja dita, é acima de tudo um filme (e um bom filme sim, mas nada impactante ou tão significativo como foi Matrix por exemplo) para promover tal tecnologia e Hollywood está fazendo de tudo para isso (até dizer que é a maior bilheteria de todos os tempos, o que pelo q andei sabendo, não é).
    Agora, a pergunta deveria ser…
    Fará fundamentalmente diferença na maneira como vemos filmes no cinema?
    Talvez sim.
    No entanto, mesmo lá os óculos são um problema para quem já usa óculos de verdade.
    Fora que pessoas mais velhas simplesmente não podem captar de fato todo o efeito 3D com seus olhos por uma visão já deteriorada.
    Enfim, há estas e outras questões que parece ninguém querer levar em consideração.

    Quanto ao 3D nos games…
    É no mínimo ingênuo pensar que fará alguma diferença ou que sequer vire uma tendência (não importa o quanto Sony e Cia queiram) tão cedo.
    E não só pela questão, ou melhor, pelo inconveniente dos óculos especiais, mas sim pq não mudará fundamentalmente em nada a experiência de jogar!
    Os games já tiveram sua revolução 3D.
    Além de estar mais óbvio que nunca nesta geração de consoles que as pessoas não jogam jogos por seus visuais sofisticados.
    O público entusiasta à se importar de fato com tal coisa, não passa de um nicho.

  3. 3 Daniel Trezub 21/02/2010 às 3:15 pm

    Eu recomendo a todo mundo assistir outros filmes em 3D também. A experiência é diferente, e os técnicos em 3D ainda estão aprendendo como fazer disso a melhor experiência possível. Acho que quem está realmente mais à frente nesse sentido é a Pixar, que alías relançou Toy Story e Toy Story 2 em estereoscópico (que é o nome real da tecnologia, porque 3D confunde com “imagens em 3D geradas por computador”).
    A Pixar tem toda uma preocupação de fazer a estereoscopia ajudar a contar a história, e não simplesmente dizer “olha, a gente sabe fazer”, como já vi várias pessoas falarem de Avatar, estudando, inclusive, quais as profundidades máximas e mínimas que se pode utilizar para não causar desconforto, para a tecnologia não desviar a atenção da história e outras coisas.


  1. 1 De volta para o futuro: Primeiras impressões de StarCraft 2 « Trackback em 26/02/2010 às 2:12 pm
  2. 2 Play3D « Hadouken Trackback em 14/04/2010 às 11:41 pm

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