O que jogar com o tempo que se tem

Por Gustavo Hitzschkytempo

Faz tempo que não escrevo aqui no Hadouken, fato. Porém hoje li um post muito interessante que me motivou a tecer no blog alguns comentários e oferecer quem sabe um outro ponto de vista sobre o assunto, que já antecipo não contar com um lado certo e um errado, pois se trata de opinião.

A Suzana Bueno, que posta no blog dos nossos comparsas Continue, discorre sobre a falta de paciência e tempo que vem experimentando com jogos mais longos, aqueles que porventura demoram a engatar, e diz que tem optado por games que trazem uma diversão mais rápida e total desde os primeiros minutos – por favor, leiam o texto na íntegra porque ficou bem bacana e para ver toda a argumentação.

Vou tentar não ser muito prolixo, e no entanto gostaria de fazer um preâmbulo antes de abordar o tema em si. Para quem não sabe, depois de me formar em jornalismo comecei a fazer Letras, e agora estou estudando os contos do Machado de Assis com o professor Alcides Villaça, mestre dos mestres. No conto “A cartomante”, Machado, entre outras coisas, fala também, ainda que de forma velada, da dificuldade de contar estórias já no século 19, antevendo uma tendência que dominaria a literatura do século seguinte. Isso porque o mundo moderno e a lógica acelerada das modificações tornam praticamente impossível a existência e o relato de algum fato relevante, especialmente pela sucessão frenética de acontecimentos.

A partir disso, o narrador não tem mais causos a expor, acaba se voltando para dentro de si e passa a criar os romances com um caráter mais psicológico – basta pensar no fluxo de consciência tão utilizado por Clarice Lispector, por exemplo. Hoje, mais do que nunca, com tantas descobertas em áreas tecnológicas e médicas, vemos como tudo é dotado de uma aura absolutamente efêmera. Nós, como produtos do meio em que vivemos, acabamos por refletir essa tendência. Queremos que as coisas tenham um objetivo imediato, uma aplicação efetiva, uma razão de ser.

Acho esse tosco comentário sobre a literatura propício porque encaro os videogames também como uma manifestação artística. E imagino que isso aconteça conosco quando estamos jogando. Tenho um amigo que não gosta de Shadow of the Colossus porque diz que não tem nada para fazer naquele mundo imenso. Ou seja, para que criar um universo tão extenso e farto em termos de dimensão se ele não tem um objetivo imediato, uma aplicação efetiva ou uma razão de ser? Prefiro ecoar a pergunta e não respondê-la porque seria me desviar mais do assunto do que já estou fazendo.

Pego o elo do Shadow of the Colossus para tentar chegar ao que fala a Suzana. Certamente envelhecemos e com isso houve o acúmulo de responsabilidades. De fato, é difícil encontrar tempo para terminar um RPG de dezenas de horas, pelo menos para aqueles que querem finalizar games em uma semana a fim de já partir para outro título que aguarda para ser concluído. Quantas vezes não reclamamos que a pilha de jogos só aumenta? E ainda assim, embora eu também sofra com a escassez de horas vagas para me divertir com os meus consoles, posso afirmar que aprecio – falando de forma geral, já que também curto alguns games mais casuais e descompromissados – bem mais o investimento de longo prazo nas obras que valem a pena que a felicidade de poucos minutos de um produto mais casual.

Para ajudar na minha argumentação, alguém poderia falar, “Mas e a molecada de 10, 12 anos, que está começando a jogar seriamente hoje? Eles têm tempo, por que não passar o abundante tempo livre para se divertir com títulos mais longos e que demandam entrega?” Acontece que hoje a oferta de jogos com esse viés é bem menor do que aquela que havia 15 ou 20 anos atrás. Muita gente começou com RPGs e adventures que nos sugavam a vida e o cérebro. Porém, atualmente a garotada cresce e inicia a vida de gamer na geração Wii, com sensor de movimento e telas de toque, numa época em que games simples e de baixo orçamento imperam e dominam as listas dos mais vendidos.

Reitero, não repudio esses jogos. Simplesmente prefiro, de novo, falando generalizadamente, os games mais extensos. Particularmente, penso que a diversão proporcionada pelos primeiros seja muito mais efêmera do que os últimos. Não sei quando voltarei a jogar WarioWare: Touched! pois me enchi após poucas semanas. Mas dificilmente vou ter preguiça de começar a jogar algum Resident Evil (os que saíram antes do 4) mais uma vez, ou então algum Final Fantasy, mesmo que, para levar a cabo a aventura, eu não consiga jogar nada além deles.

Essa lógica imediatista sobre a qual falei acaba sendo, no meu ponto de vista, uma armadilha para os próprios jogos de diversão rápida e casual. Uma vez que essa solução simples engendra também o verme do enjoo rápido, o desinteresse por parte do público vem a galope. Consequentemente, é necessário estar sempre produzindo um game genial, fácil e ligeiro de ser apreciado e jogado para ocupar esse vazio que logo se instala. É como estava conversando com uma amiga minha sobre o que acontece hoje: parece que quanto mais enchemos o mundo de avanços em todas as áreas de conhecimento, mais vazio ele fica. Tendo uma visão bem pessimista das coisas (e tenho total consciência de que sou assim), parece que nada permanece mais aqui no que diz respeito à arte. Precisamos consumir sem cessar a fim de saciar esse apetite infinito que é próprio do homem. E às vezes nos esquecemos do mais importante: prestar atenção àquilo que vemos, fazemos, jogamos.

O último game que terminei e que me furtou dezenas de horas foi o BioShock. Sinceramente, não me arrependo de nenhum momento em que fiquei à frente da TV. Claro, tenho aqui ainda Resident Evil 5, Tomb Raider Underground, Killer 7, No More Heroes, Professor Layton and the Diabolical Box, Batman: Arkham Asylum e tantos outros que devem me subtrair a vida toda até que eu os finalize. Com todo respeito aos que pensam de forma diferente, não trocaria a minha pilha pelos games com o outro viés. Reconheço a tendência que eles têm de dominação, mas, como disse para o maestro Alexei em algumas ocasiões, quando o assunto é videogame, tenho olhado cada vez mais para trás, e não para frente. Isto é, os jogos que me interessam são os que foram lançados há mais tempo, porque, confesso, estou bem por fora do que tem saído por aí ultimamente.

Não sei se consegui expor os meus pensamentos de forma clara para vocês. Gostaria de pedir, encarecidamente, que se houver comentários nesse post, por favor mantenham um nível elevado nas discussões e não tentem transformar opiniões em verdades ou criar picuinhas. Curti mesmo o post da Suzana a ponto de até escrever – certo, estou fazendo um contraponto ao que ela defende, mas espero ter mostrado que em nenhum momento desqualifiquei as ideias dela e que respeito o que ela disse. E não tem essa de “sou do time da Suzana” ou “sou do time do Hitzman”. Ambos curtimos games com abordagens mais hardcore e casuais, portanto encerro pedindo que não façam uma divisão maniqueísta das coisas.

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15 Responses to “O que jogar com o tempo que se tem”


  1. 1 Gustavo Oliveira 07/11/2009 às 4:25 pm

    Bom, eu vou comentar algo e não sei se vou me fazer entender.

    Esse tipo de falta de tempo e falta de interesse por coisas extensas não é contaminado só no ramo dos games.

    TUDO está contamindado hoje em dia.

    Eu mesmo sou um exemplo disso: Não tenho mais paciência para ver um filme muito grande, não tenho mais paciência para ler um livro muito grande e não tenho paciencia para ouvir uma música de 17 minutos do Pink Floyd.
    A internet trouxe muito dessa nossa falta de paciência, vide como exemplo as pessoas que escrevem “vc”, “tbm” e “blz”, entre outros, na preguiça (ou seja lá o que for) para escrever “você”, “também” e “beleza”.
    Acredito que até mesmo as relações pessoais estão passando por essa contaminação: Quem pega mais em menos tempo, leva a medalha de ouro. (Acredito que tenham entendido o que eu quis dizer)

    Quando comecei a dar aulas no meio do ano, percebi que as crianças e os adolescentes são ainda mais contaminados com essa falta de paciência com histórias extensas. O nosso cérebro precisa de estímulo 100% do tempo nos ultimos anos…

    Nós, infelizmente, não somos diferentes.

    Talvez, até tenhamos um pouco mais de paciência que as crianças, já que crescemos jogando coisas grandes…

    Sei, lá. Comenta alguém aí e quem sabe eu escrevo mais um pouco, não consegui desenvoler a idéia toda ainda…

  2. 3 Radical Dreamer 07/11/2009 às 6:03 pm

    Muito bem escrito esse artigo, Gustavo. Não sei dizer exatamente de quem eu me aproximo mais, se de você ou de Suzana, por isso vou explicar mais ou menos o que eu sinto em relação a esse assunto, incorporando a ele as mudanças que têm ocorrido na minha vida. Espero não soar bobo ou qualquer coisa assim.

    Desde que eu atingi a adolescência, a minha visão do mundo mudou sobremaneira, mais porque esse choque com a verdadeira realidade acaba tirando alguma coisa de nós, de uns mais e de outros menos. Desde então, as cobranças que vêm não só dos outros, como os estudos e as relações sociais, mas de nós mesmos e da nossa vontade de realizar aquilo que mais nos é querido, aumentam, e o tempo que era infinito de repente se vê limitado.

    A razão por eu ter escrito esse sentimento é para mostrar que quando eu não estou envolvido com tais obrigações, procuro ao máximo me divertir e me descontrair, e as maneiras que melhor me satisfazem são a leitura, o cinema e os videogames. Portanto, nesse tempo pequeno e restrito eu procuro aquele sentimento que me levava àquela felicidade extrema que, tenho certeza, todos nós reconhecemos quando temos aquele frio na barriga e a nostalgia ataca para nos fazer felizes e tristes ao mesmo tempo.
    Por isso, fico sempre na esperança de encontrar a razão de ser, o objetivo imediato que me faça sentir alguma coisa nesse espaço de tempo, para que a vida não perca a sua graça e se torne insossa.

    Concordo com o que você falou sobre a vida acelerada e a pouca observação daquilo que fazemos ou presenciamos. Porém, por mais que eu veja esse estilo de vida como algo insatisfatório, quando tomei consciência do mundo a minha volta, percebi que já estamos a bordo de um trem em movimento, e aqueles que não se adaptarem podem ser chutados para fora. Pode parecer um pessimismo, e não posso dizer que ele não passou a fazer parte da minha vida, mas a minha preferência se voltou para jogos mais curtos (e originais) que atingem mais rapidamente o seu clímax. Por exemplo, se não fosse o Masashi Hamauzu, Final Fantasy XIII estaria longe do meu foco de atenção.

    Bem, é assim que eu me sinto em relação a esse assunto. Espero ter-me feito entender. Mais uma vez, parabéns pelo artigo.

  3. 4 Dário 07/11/2009 às 10:40 pm

    Também tenho pouco tempo para jogar games tipo RPG/adventure que consuma muitas horas…geralmente recorro a um Walkthrough (quando empaco) ou em emuladores uso o “save state”… ae alguém vai dizer: “mas ae perde a magia”. Hugh, quero ver nenguim dizer isso quando passar dos 30 anos e ter que se virar em 10 pra dar conta de: casa, familia, emprego, pós, concurso, projetos..etc…

  4. 5 Batboy 08/11/2009 às 1:00 am

    Ótimo post Gus! Acho que uma das coisas que estão matando o replay e até a curtição dos jogos são os troféus/achievements. Muitos gamers que caem nesse conto de disputa de achievements começam a acumular horas de prêmios que não valem nada! E com isso os games de histórias longas vão sofrendo em detrimento aos games rápidos que te dão mais troféus por segundo. :P

  5. 6 Marcio 08/11/2009 às 8:40 pm

    Uau…..obrigado. Há tempos os questionamentos feitos pela Suzana estavam me assombrando e quando li o texto dela, não me senti sozinho. E agora, lendo seu texto, relembrei que há muito tempo atrás, quando este vazio de não ter tempo suficiente para um jogo me consumia no início da minha vida cheia de responsabilidades, descobri que valia muito a pena jogar um jogo e apreciá-lo, sem ter pressa de terminá-lo. Ico deu-me esta sensação, afinal demorei 3 meses para zerá-lo com 15 horas de jogo. Okami também fez o mesmo. Todavia, eu havia esquecido disso…E para não ser assombrado, eu também me afastei dos jogos: começava um e não continuava, começava outro…porque jogar?
    Como tudo na vida: aprender inglês, academia, ler uma revista, mudanças exigem tempo e dedicação. O mesmo pode ser dito para jogar.
    Valeu!

  6. 7 Zacarias 09/11/2009 às 8:51 am

    Posso estar errado, mas pelo que entendi do Post da Suzana a idéia é que eram ruins os jogos que demoram a engrenar e não apenas jogos longos. Quando ela disse “Quero que ele seja legal agora.”, o que me veio na cabeça direto foi o World of Warcraft, onde muitos dizem que o jogo só começa de verdade depois que é atingido o nível máximo (e, consequentemente, ter perdido alguns meses de vida).

    Tu citou o Bioshock. Eu joguei Bioshock e achei o jogo muito bom também, mas não acho que ele se encaixe na idéia de jogo que demore a engrenar, pq desde o primeiro segundo de jogo ele já está nos mostrando o que é divertido ali e nos deixa neste clima até o final do jogo, assim como o Dead Space: embora ambos sejam jogos longos, eles são concisos e divertidos à sua maneira.

    Enfim, creio que diversão rápida e direta não se ligue apenas a jogos casuais e, digamos, superficiais, mas sim a jogos que não tem rodeios para mostrar o que eles tem de divertido. Como disse a Suzana, não quero chegar no level 99, matar 1000 zumbis, pegar a melhor arma ou chegar no último nível. Eu quero aprender rapidamente a mecânica do jogo e me divertir com ela logo no início e até o fim (vide “Mirror’s Edge” e “Left4dead”, por exemplo).

    Era isso, concordo basicamente com tudo que tu disse, só acho que tua argumentação não vai de encontro ao que a Suzana disse e sim complementa de alguma maneira o que foi dito.

    Até mais e sucesso o/

  7. 9 Max 09/11/2009 às 9:15 am

    Ótimo post mesmo, dá para perceber que você está fazendo Letras, mas não se esqueça da formação como Jornalista (só quem não é um ‘casual reader’ vai ler tudo…)! O mercado de videogames se dividiu e muito com a chegado do Nintendo Wii. A diferença entre estas classes (casual e “hardcore”) ficou extremamente acentuada. Não acho que foi prejudicial, apenas criou esta divisão entre o povo que busca entretenimento eletrônico. É claro que as produtoras querem é dinheiro, então vão buscar o console que dá mais lucro. Torço para que os 3 consoles desta geração se deêm bem. Há espaço para todos!

  8. 10 Marques 10/11/2009 às 4:14 pm

    Ambos ótimos posts(da Suzana e do Gustavo) que mostram um dos maiores problemas dos jogadores.
    Eu, muitas vezes, faço o que a Suzana mencionou em seu texto: Vou todo motivado jogar um “grande” título no XBox ou no computador e depois me pego jogando algum Peggle da vida ou fazendo outras coisas no computador(lendo, escrevendo, ouvindo, assistindo).
    Além do problema do tempo mencionado, há também a preguiça: “Pra que jogar uma longa “partida” de Fallout, se podemos nos divertir em poucos minutos em um título esportivo”. E quando o pouco tempo se alia com a prequiça, o problema aumenta de forma assustadora.
    Ah, e sobre as pilhas de games, espero terminá-los…algum dia…se possível…

  9. 11 Uehara 10/11/2009 às 4:47 pm

    Posso dizer que concordo com os dois posts. Gosto de jogos que podem me prender na frente da TV por horas, mas que sejam divertidos desde o começo.

    Uma coisa que todo jogo deveria permitir também é a possibilidade de partidas rápidas, sem longos intervalos entre os save points. Joguei Muramasa recentemente e é um jogo que me agradou, porque é divertido, rápido e você pode salvar o jogo sem problemas, o que me permitiu jogar mesmo quando eu tinha pouco tempo, mesmo depois de 5 ou 10 minutos de jogo.

    Agora, estou com Metroid Prime Trilogy pra jogar, mas o espaço entre os saves são muito grandes, o que atualmente está me impedindo de progredir no jogo.

    Resumindo, eu acho que o jogo ideal te permite jogar por quanto tempo você quiser, sem te penalizar por isso.

  10. 12 Danilo 11/11/2009 às 8:55 am

    O que jogar com o tempo que se tem?

    Pergunta totalmente cabível. O que se busca ao jogar alguma coisa?
    Diversão? Records? Cultura? Prazer? Tudo junto?

    Eu nem sei o que cada um busca, mas eu busco tudo junto! Difícil seria encontrar tudo em um jogo só, existe, mas é raro.

    Cada jogo de alguma maneira irá suprir o que estamos procurando ao longo do tempo. Sejam eles hardcore ou softcore.

    Os jogos mais softs possuem a simples função de entreter, chamar a galera, pegar os instrumentos do Rock Band e tocar, gritar METAL!!!! pra dar o especial e o batera alucinado fazer a “viradinha” da bateria pra ativar o especial. E que venham 5 estrelas, porém nunca demos 100% em uma música. Mas a diversão é garantida. Afinal que banda tem o nome de Uivos do Caos, hehehehe.

    E ao mesmo me pego jogando pela quarta vez um Metal Gear Solid 4, um jogo em que na minha opinião, possui cultura, diversão, prazer e tudo junto. É jogo Hardcore!! Entender a história de MGS é entender o mundo em que vivemos, em que tudo gira em torno da guerra e de fontes de energia. A economia da guerra existe sim! Existe sim empresas de mercenários, legalizadas e com CNPJ! Uma delas deu até um livro, que estou lendo por sinal, empresa Blackwater USA.

    Mas este não é o foco do post. O foco é jogue o que for sadio o que te faz bem. Jogos de video game são experiências únicas, mesmo sendo efêmeros ou não.

    Como disse uma vez no girls of War, eu encaro jogos como mais uma mídia para adquirir cultuta, como um filme, um documentário ou um bom livro.

  11. 13 Igor 12/11/2009 às 2:22 pm

    Belíssimo post, Gustavo. Partilho da sua opinião de que jogos são – ou podem ser, ao menos no campo teórico -, uma manifestação artística, mas acho que não há meios de concretizar esse anseio, de realizar um verdadeiro jogo-arte, em meio à lógica de mercado que existe. Isso não é só nos jogos de videogame, toda a cultura, na medida em que o sistema transforma arte em produto, tende a degenerar. Não que eu discorde que grandes mestres sejam reconhecidos, aí incluindo o âmbito financeiro, mas se deve realizar a arte antes por ela, por um impulso criativo próprio, do que observando tendências de mercado, encarando-a, enfim, como um produto. Isso, somado a falta de tempo e dinheiro, me afastou quase que por definitivo do mercado.

    Por outro lado, o comentário sobre a narrativa é muito interessante. De fato, a tendência a penetrar no interior do homem parece cada vez mais ser definitiva; de Homero à Dostoiévski muito mudou. Mas também acredito que são apenas formas diferentes com um mesmo alvo: no fim, sabemos tanto do homem lendo a Ilíada quanto lendo Irmãos Karamázov, guardadas as devidas proporções. Isso – agora é uma digressão minha, mas que gostaria de expor -, é um diferencial nos jogos. Não é possível criar um protagonista esférico sem retirar a própria alma do médiu artístico: a interação. Acho que se pensa muito pouco a respeito disso: como fazer da interação o elemento definidor da experiência estética. A história, entenda-se o enredo, este pode figurar em um filme, livro etc., um jogo que tem muitos diálogos e, consequentemente, uma “boa história”, é um bom jogo ou um filme com minigames no meio? Isso que me faz muito pensar no Metal Gear, que é um jogo que adoro, e que tem coisas bastante interessantes nesse sentido, mas, ainda sim, é muito limitado, na minha opinião.

  12. 14 trigun50 16/11/2009 às 8:32 am

    Olha tenho uma noticia chata, acho que o mercado de games ta pra mostrar que ate o casual pode ser bom temos ai o Gears of war no mercado foi criado pra ser casual eu ultimamente tenho dado mais tempo pra jogos antigos, e longos consequir varios jogos dremcast aliais acho que da geracao passada foi o mais inovador, gasto 2 horas dias. e seis finais de semana pros detonados e aliais to ate pensando e reviver o master system afinal tem jogos muito longos nele e muitos casuais agora play 3 ainda nao ta no meu orcamento e wii logo to pegando um espero que ele possa superar minhas espectativas e nao seja mais um N64 que quaze passou batido

  13. 15 Rebeca 20/11/2009 às 5:09 am

    Que texto lindo, bem escrito e bem argumentado! Dá prazer ler algo assim. Muito bom o texto da Suzana também! ^__^

    Como alguém comentou aí acima, também entendi que ela quis se referir a jogos que demoram a engatar, independente de serem longos ou não. Então não encarei seu post como um contraponto ao dela, mas como se você tivesse aproveitado o “gancho” para falar sobre o tema que abordou. xD

    Comentando sobre seu texto, eu sinto exatamente o mesmo sobre a dinâmica do mundo “moderno”. Hoje em dia, para a maioria das pessoas, a satisfação só vem com os resultados, por isso o desespero em alcançá-los com rapidez. Ninguém mais se atém aos detalhes, sentindo prazer também nos processos. =(

    Eu sou o contrário, principalmente em relação aos games. Sinto mais satisfação no processo, me divertindo com o que estou realizando e torcendo para que demore a acabar. Assim como qualquer gamer adulto, enfrento o mesmo problema de falta de tempo, mas prefiro jogar games longos um pouquinho de cada vez e demorar semanas a terminar, do que pegar um jogo rápido e casual só para fechá-lo rápido. ;-)


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