“Chrono Trigger & Cross Medley” – Chrono Trigger & Cross (VGL 2009 em Tóquio)

Por Alexei Barros

Fiquei intrigado nos relatos japoneses (alguns não muito felizes) do Video Games Live em Tóquio que na listagem das músicas do “Chrono Trigger & Cross Medley” havia uma menção à “Battle with Magus”, música que não existia na primeira versão do segmento. Imaginei que a partir de então seria o arranjo tocado nas apresentações posteriores, mas por algum motivo bizarro, essa adaptação foi executada exclusivamente no Japão, já que nos shows em Augusta e na turnê brasileira retornou o medley antigo sem a “Battle with Magus”. Aliás, no Brasil a “Scars of Time” vem sendo tocada com um violão em vez de dois, já que o Jack Wall não veio.

No mais, o medley japonês é, como antes, uma reciclagem da orquestração da Natsumi Kameoka do “Chrono Trigger Medley ~Orchestra Version~”, novamente excluindo a “Guardia Millenial Fair”, o que causa uma passagem violenta entre “A Premonition” e “Wind Scene”. Como na versão anterior, a “Frog’s Theme” é um pouco estendida em relação ao Chrono Trigger Extra, transitando para a supracitada “Battle with Magus”.

Então vem a “Scars of Time”… precisa mesmo que o próprio maestro toque violão? É para chamar a atenção? Parece que funcionou como se notam as palmas, mas é totalmente precário e sem sentido no meu entendimento. Não vejo o menor objetivo. Já comentei isso antes, enfim. Diferentemente da outra versão, o Tallarico não acompanhou no violão como fazia em todo o medley. A bem da verdade, a “Scars of Time” ficou menos pior (não há aqueles excertos irreconhecíveis de antes), apesar da minha birra quanto ao abandono da regência no fim, o que não tira o fato de ser o segundo mais fraco dos medleys de Chrono – o primeiro é o segmento  tocado nos outros países com dois violões e sem a “Battle with Magus”. O que Yasunori Mitsuda, que acompanhou a performance na plateia, deve ter achado?

“Chrono Trigger & Cross Medley”

“A Premonition” ~ “Wind Scene” ~ “Frog’s Theme” ~ “Battle with Magus” (Chrono Trigger) ~ “Scars of Time” (Chrono Cross)

P.S.: Como é bom ver vídeos sem berros tresloucados por tão pouca coisa. Pronto, falei.

11 Responses to ““Chrono Trigger & Cross Medley” – Chrono Trigger & Cross (VGL 2009 em Tóquio)”


  1. 1 Orakio "O Gagá" Rob 02/10/2009 às 8:58 am

    “precisa mesmo que o próprio maestro toque violão? É para chamar a atenção?”

    É como eu digo, o VGL não é um concerto, é um “show”. Tallarico fazendo piadinha, maestro que toca violão… qualquer dia vai ter até atirador de facas. É que nem show da Ivete Sangalo, o cara vai para curtir a bagunça, não para se deliciar com os arranjos — embora eu, particularmente, deteste a Ivete Sangalo :)

    Eu mesmo quando fui ao VGL achei o maior barato, fiquei cantarolando uns “tã-nã-nãs”, bate uma nostalgia, mas nem dá para comparar com um Symphonic Fantasies da vida. É só curtição mesmo, o negócio não é sério. Quero dizer, acho que a intenção deles era que fosse sério, mas não é. Gostei muito do show que eu assisti porque foi divertido e interessante, mas não chego a ter vontade de assistir novamente, muito menos de comprar CD e coisa e tal. Ainda assim, imperdível para os gamers brasileiros que não podem assistir a outros concertos.

  2. 2 Alexei Barros 02/10/2009 às 10:31 am

    Perfeitamente, Orakio, cada vez mais estou convencido disso, de que é uma festa de games. Eu acho que tudo isso no entorno do show, como concurso de cosplayer, competições e exposições, junto com os segmentos interativos, piadas e participações especiais durante a apresentação são todos bacanas e resumem essa festividade do VGL.

    Contudo, por mais que eu e você estejamos cientes disso, aposto que o Yasunori Mitsuda, outros compositores convidados e o público japonês esperavam uma coisa mais séria, não no sentida de chata, mas de bem feita, que fossem performances ao menos respeitáveis por serem o primeiro espetáculo de games estrangeiro a se apresentar no Japão. E isso de o próprio maestro tocar violão, da forma com que foi feita, não consigo engolir. Talvez só eu tenha ficado com essa imprensão. Fiquei com a sensação de feito nas coxas, algo como “não podemos contratar um violonista, mas não tem problema, o nosso próprio maestro sabe tocar violão, veja, veja!”

    Resumo: deve continuar acontecendo VGL todos os anos no Brasil (tomara que em outras cidades ainda não visitadas), mas não diria o mesmo do Japão. =P

  3. 3 Radical Dreamer 02/10/2009 às 2:24 pm

    Concordo com ambos. Quando eu fui no VGL em São Paulo (acho que em 2007), fiquei extasiado pela abertura, que foi o tema do Metal Gear, e pela suíte do Sonic, que é até hoje a melhor coisa que o VGL já realizou na minha opinião (créditos para Richard Jacques). Diverti-me muito na primeira parte, mas na segunda entraram aqueles segmentos interativos e um discurso gigante do Tommy Tallarico que me deixaram bem entediado, ainda mais porque vieram depois os segmentos do Myst e World of Warcraft (muito génericos, pelo menos para mim). O excesso de tempo entre as duas partes do show e a constante interrupção para comentários me davam a impressão de que a música era um adicional e não a razão fundamental de estarmos ali. Mesmo assim, no final achei e ainda acho que aquele foi um bom show.

    Agora mais tempo se passou e conheci outras apresentações, como os muitos concertos só do Final Fantasy, todos os organizados por Thomas Böcker, A Night in Fantasia e o Play!. Enxergo essas mudanças no VGL, como presença de playback, sem dúvida para encaixar tantos shows em um período de tempo tão curto para arrecadar o máximo possível, e a desnecessária exposição dos dois organizadores, como medidas extremamente porcas e sem a menor moral para servirem de exemplo como o melhor que os videogames têm a oferecer. E o pior é fazer um show desses no Japão, o lar da game music, que constantemente assiste a espetáculos de qualidade e variedade impressionantes. Fico imaginando o Yasunori Mitsuda, que assistiu a pouco tempo o Symphonic Fantasies, engolindo essa suíte copiada do Chrono Trigger Orchestra Version com o maestro querendo se mostrar tocando violão. É um choque de realidades.

  4. 4 Alexei Barros 02/10/2009 às 3:30 pm

    Eu me identifiquei bastante com o seu depoimento, Radical Dreamer. A chegada do VGL em 2006 coincidiu com a época em que estava aumentando a minha fascinação por game music, por isso fiquei realmente empolgado com o advento do show, e no geral gostei do que ouvi, apesar do excesso de jogos ocidentais com músicas pouco melódicas. Nessa apresentação, me lembro bem, ainda não haviam incorporado totalmente essa identidade de festa, tinha mais cara de concerto mesmo, tanto que nenhum segmento daquela época, nem mesmo Halo ou “One-Winged Angel”, foram tocados com guitarra. Não que um concerto não possa ter guitarra é claro, mas em nenhum outro tem o guitarrista correndo pelo palco como um show de rock. Ao menos a orquestra da ocasião tinha um número respeitável de instrumentistas (confesso que não lembro exatamente), e o playback aparentemente era utilizado somente para fazer os efeitos eletrônicos no Metal Gear Solid 2, entre outras coisas. Detalhe: o VGL estava começando e tinha feito 11 shows em 2006.

    Porém, na ocasião eu conhecia os concertos de Final Fantasy e o PLAY!, na época com a colaboração do Thomas Boecker (hoje não está mais envolvido, e tem a produção do Jason Michael Paul), e pelo pouco que via já achava melhor pela participação frequente dos compositores nas performances e set list muito mais rico, com Chrono Trigger & Cross, Silent Hill 2, Shenmue e eventualmente Shadow of the Colossus e “Dancing Mad”. Naquele mesmo ano, depois do VGL, conheci o Press Start por meio daquele bootleg que está linkado na categoria, e fiquei extasiado com as seleções, uma mais fantástica que a outra. Depois vieram o A Night in Fantasia, a série Symphonic Game Music Concert, com aqueles vídeos da Michiru Yamane e da “Dancing Mad”, o Games in Concert mais recentemente com orquestra e banda completa (bateria, baixo e guitarra) e arranjos jazzísticos e fiquei me perguntando qual o motivo para o VGL ter tanta fama.

    Lamento profundamente que muitas pessoas ainda classificam o VGL como “perfeito! extraordinário!” com tão pouca coisa, e algumas chegam a um nível de paixão pelo show que são incapazes de admitir que há diversas falhas na performance e que há apresentações muito melhores. Tenho ficado chocado com essa questão do playback para instrumentos convencionais. Pelo que estou vendo nos vídeos dessa turnê brasileira parece que a Symphonica Villa-Lobos, que tem 43 instrumentistas, que já não é um número ideal para músicas grandiosas como God of War, está numa formação ainda mais reduzida.

    Antes dizia que o a suíte do Sonic era a melhor do VGL. Hoje digo que a suíte do Sonic é boa demais para o VGL. Não sei quem está fazendo esses arranjos novos (Chrono, Mega Man, Shadow of the Colossus), mas a maior parte é feita de uma maneira muito porca, com músicas picotadas e amontoadas sem o menor sentido, como já comentei nos posts de cada segmento.

    Mais revoltante, e é uma questão que o Chris Greening enfoca bastante (na época em que atacava diretamente os organizadores, hoje prefere ficar mais na dele), como você deve ter visto, é o fato de o VGL adquirir uma fama tal no mundo inteiro a ponto de chutar os outros concertos, a exemplo do que aconteceu em 2008, quando deveria ocorrer o Sixth Symphonic Game Music Concert na Alemanha, mas não teve por causa do VGL. Isso é apenas um caso confirmado, porque rondam muitos outros boatos. Supostamente o Hyper Game Music Event, que é um show, não aconteceu esse ano como em 2007 e 2008 porque o VGL tocou antes da TGS. Além disso, repare que todos os Press Start anteriores aconteceram em setembro e nesse ano foi em agosto, talvez por causa do VGL. Precisa fazer tantas apresentações por ano? Precisa mesmo de tantos shows nos EUA? Pior de tudo é que querem aumentar para 70 em 2010. Ridículo.

    O que você falou do Yasunori Mitsuda estava me segurando para não falar, haha.

  5. 5 Orakio "O Gagá" Rob 02/10/2009 às 3:40 pm

    Rapaz, a gente tinha que fazer um abaixo-assinado para o Alexei entrevistar o Tallarico no VGL do ano que vem, ia ser hilariante :)

  6. 6 Alexei Barros 02/10/2009 às 3:40 pm

    @ Orakio

    Ahahahah! Eu não, hein! Tô fora! :D

    Melhor dizendo, nada contra… Não preciso ser fã da pessoa para entrevistá-la, mas é que várias ponderações precisaram ser feitas como no comentário acima, hehe.

  7. 7 Radical Dreamer 02/10/2009 às 4:18 pm

    Nem me diga. Pensar que o Symphonic Game Music Concert foi cancelado me deixa bem desapontado, apesar de saber que as chances de ouvir qualquer coisa dele seriam remotas. Essa do Hyper Game Music Event é nova para mim. Também fiquei desapontado com a sua ausência esse ano, ainda mais porque o CD do 2007 é muito bom (o arranjo do Yuzo Koshiro da “Brave New World” é fantástico). É uma pena que esses não-sei-quantos shows do VGL tenham que vir em sacrifício de dois dos mais originais espetáculos da game music, se não houver mais casos ainda não descobertos.

  8. 8 Alexei Barros 02/10/2009 às 4:25 pm

    Não é confirmada essa história do Hyper Game Music Event, mas é bem provável pelo que li. Antes disso achei estranho que até agora não saiu o volume 2 e nem o DVD que tinham sido anunciados. O show de 2008 então ninguém falou nada. Ah, também curti o volume 1 especialmente pela performance da [H.], que sou fã inveterado.

    Sobre o Symphonic Game Music Concert, o Thomas me falou que seria possível sim fazer o Sixth SGMC e o Symphonic Shades em 2008. Só era chato, como você disse, que é quase impossível para quem não está lá conhecer a apresentação. Ainda bem que o fim da série SGMC coincidiu com a parceria com a WDR que tem proporcionado as melhores experiências de concertos de game music para quem não está presente com essas transmissões ao vivo.

  9. 9 Jessica Pinheiro 07/09/2013 às 11:14 pm

    “O que Yasunori Mitsuda, que acompanhou a performance na plateia, deve ter achado?”

    Pegando carona no que o Gagá (aliás, saudades!) comentou ali e respondendo também a essa questão: mais do que ver o Alexei entrevistando o Tallarico, gostaria de vê-lo entrevistando o próprio Mitsuda para perguntar especialmente esta questão aí, hahaha.

    • 10 Alexei Barros 14/09/2013 às 3:31 pm

      Hahahaha! XD O problema de entrevistar caras famosos como o Tallarico e especialmente o Mitsuda é que eles já deram dezenas (no caso do Talarico, milhares) de entrevistas, e é difícil de sair alguma informação diferente.


  1. 1 Video Games Live: cadê os dez segmentos novos? « Hadouken Trackback em 30/12/2009 às 8:44 pm

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