Tommy Tallarico: uma interessante entrevista sobre o Video Games Live


Por Alexei Barros

Fazia tempos que não lia uma entrevista como essa feita pelo site Nintendo Gal. Não pelas perguntas, até lacônicas. Pelas respostas detalhadas e gigantescas que o Tommy Tallarico deu sobre o Video Games Live. Interessante, mais no sentido de esclarecedora do que empolgante. Empolgação, aliás, é o que não tenho há muito tempo em relação ao VGL.

Separei alguns tópicos que me chamaram a atenção, e não estranhe se tudo convergir no quesito repertório, afinal é o cerne. Segmentos interativos, vídeos no telão, efeitos de luzes e concursos de cosplayers não passam de perfumarias que estão nas últimas colocações de prioridade. De certa forma até servem para desviar o foco, meio que querendo dizer: “olha, não atualizamos a música do Mario, mas o vídeo é novo”.

Se você se quiser ler a entrevista na íntegra em inglês, confira aqui.

- Quantidade de shows por ano

“… Então nós fizemos três shows em 2005, 11 em 2006, 29 em 2007; ano passado nós fizemos 47 shows em todo o mundo”. Cerca de 50 apresentações não parece um número mais do que ideal?  “Tentaremos fazer de 60 a 70 shows nesse ano, 90 a 100 no próximo ano e quem sabe nós podemos ampliar”. A quantidade é vista como algo positivo, ignorando que a qualidade é inerente. Não sei qual é a rotina, mas fazendo quase que um show a cada três dias por ano não me parece possível manter o nível. Seja como for a qualidade, VGL quebrará recordes de público e fará os primeiros concertos de games em muitos países.

- Novidades no repertório

“Para 2009, nós estamos atualmente trabalhando em um bando de novos segmentos como Mega Man, Chrono Cross, Chrono Trigger, Earthworm Jim, Shadow of the Colossus e Super Smash Bros.”. Essas adições já foram comentadas tantas vezes que se for o que eu estou com receio (os fraudulentos solos de teclado), minha decepção será ainda maior. Nessa mesma entrevista, Tallarico diz que cada arranjo normalmente leva duas semanas para ficar pronto. Quero ver se ele está se referindo às orquestrações mesmo.

- Renovação do set list a cada visita

“Nós voltamos algumas vezes três, quatro anos sucessivamente em alguns lugares e nós nunca tocamos o mesmo show duas vezes. Até quando nós voltamos, nós mudamos o set list 50-60%”. Certo. Vamos às contas. Na segunda vez que veio o Brasil, em 2007, o VGL tocou 22 faixas, das quais seis foram novas em relação a 2006 (estou sendo misericordioso ao contar o segmento picareta de Chrono Cross no teclado). Isso dá 27%. No VGL 2008, 24 músicas tocadas. Comparando com o ano anterior, são sete inéditas (considerando Brawl no teclado; vocês não querem que eu contabilize o segmento interativo do Guitar Hero como inédito, querem?), o equivalente a 29%. Pois então… Nem fazendo muita força chega à metade nova de um show.

- Mario, Zelda, Final Fantasy, Halo e Warcraft fixos no repertório

“Para nós, todo mundo quer os mais populares como Mario, Zelda, Halo, Final Fantasy e Warcraft. O que seria um concerto de videogame sem esses? Então ano a ano nos tentamos incorporá-los no show. Nós nunca tocamos um concerto sem Mario e Zelda. O modo com que incorporamos pode mudar ano a ano também”. Nada contra a obrigatoriedade desse quinteto, o problema é que conforme os segmentos de Halo e Warcraft (até menos, mas cito as apresentações do VGL na BlizzCon, que inclui outras além da “Warcraft Suite”) são atualizados, Mario e Zelda permanecem estáticos no tempo, ignorando os jogos posteriores. Super Mario Galaxy? Twilight Princess? Hã? Até perdi a conta de quantas vezes falei isso. “Não quero que toquemos um show sem o tema do Mario de algum jeito, de alguma forma”, comenta. Nada contra, acontece que o manjado tema do Mario poderia ser incorporado de um jeito bem menos óbvio que o atual. Exemplo: em um medley. Já Final Fantasy eu prefiro nem comentar.

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9 Responses to “Tommy Tallarico: uma interessante entrevista sobre o Video Games Live”


  1. 1 Eric 30/01/2009 às 2:53 pm

    Se adicionarem UMA música de Shadow of the Colossus (podem começar com essa http://br.youtube.com/watch?v=x-g1ncoKihw), eu compro os ingressos. Mesmo mantendo todo o resto igual.

  2. 2 Alexei Barros 30/01/2009 às 7:12 pm

    Também estou bastante curioso para saber qual música dentre as inúmeras fabulosas da franquia vão selecionar. Se confirmar mesmo eu pretendo fazer um comparativo com as seleções dos outros concertos – praticamente todos do mundo já executaram Shadow, menos o VGL.

  3. 3 Vinicius 31/01/2009 às 9:48 pm

    Mas sejamos coerentes: é complicado desenvolver uma setlist diferente para cada localidade. E não é porque não se esforçam. Em 2006 eu até me surpreendi ao colocarem Liberi Fatali (já esperava por One Winged Angel ser apresentada pois vi uma reportagem do Jornal da Globo e mostraram o ensaio).

    Mas é bem verdade que está na hora de uma mudança drástica. Um novo medley (ou novas melodias à Arcade Medley) daria um novo ânimo ao show (um medley de abertura e outro de encerramento seria um bom mote), e incluir trilhas menos comerciais (torço imensamente por Shadow of the Colossus ser tão grandiosa como o game). E um ponto muito importante (que parece que só o Jack Wall fez): MR TALLARICO, EXPLORE MAIS SEU PRÓPRIO TALENTO! O cara fez inúmeras OSTs, e todas com qualidade e influência. Não é possível que não sobre tempo (e vontade) pra elaborar uma apresentação digna! Coloca na mão do Richard Jacques que ele resolve a parada, hehehe… XD

  4. 4 Alexei Barros 01/02/2009 às 3:03 pm

    “Mas sejamos coerentes: é complicado desenvolver uma setlist diferente para cada localidade. E não é porque não se esforçam”.

    Vou discordar, Vinicius. Nessa mesma entrevista, o próprio Tallarico disse: “What we try to do is each show and each region we go into, we really try to specialize and customize it”. Não que seja fácil fazer um show-concerto como o VGL ou que tenham de montar um set list 100% diferente para cada localidade, mas acontecem ocorrências inexplicáveis. Por exemplo, tocarem em 2008 Harry Potter e otimitirem BioShock, que faz parte do repertório.

    “Mas é bem verdade que está na hora de uma mudança drástica. Um novo medley (ou novas melodias à Arcade Medley) daria um novo ânimo ao show (um medley de abertura e outro de encerramento seria um bom mote)…”

    Isso é mesmo interessante. Gosto de medleys de jogos clássicos, e outros concertos já fizeram isso: PLAY! (games do Commodore 64 e Amiga), Press Start 2006 (puzzles e arcades da Namco), 2007 (shmups) e 2008 (títulos da linha Touch! Generations e de trabalhos antigos do Nobuo Uematsu).

    “E um ponto muito importante (que parece que só o Jack Wall fez): MR TALLARICO, EXPLORE MAIS SEU PRÓPRIO TALENTO!”

    Vou te dizer: respeito muito mais o Tallarico compositor do que o Tallarico produtor do VGL. Também ele não pode exagerar senão vira um Tallarico in Concert… XD

    “Coloca na mão do Richard Jacques que ele resolve a parada, hehehe… XD” (2)

    P.S.: Estava visitando o fórum de sugestões do VGL – aliás, lá tem cada sugestão esdrúxula, não que as minhas não sejam… :D -, e me deparei com esse tópico: o Tallarico pede especificamente sugestões de músicas do Mario e Zelda, porque quer atualizar esses segmentos nintendísticos. O que tenho a dizer: ALELUIA!!!

  5. 5 R. 09/02/2009 às 9:42 am

    Nossa, até que enfim achei alguém que também acredita que o VGL é mequetrefe.

    Tem muita coisa chata nas apresentações, como Too Human ou o próprio Halo, que é orquestrado e tudo mais, porém totalmente “sem vida”. Não há um resquício de melodia memorável nestes dois, assim como no segmento do Harry Potter. O mesmo dá pra falar daquela tentativa de tocar guitarra do Tallarico na One Winged Angel. Se for pra usar só distorção (um péssimo hábito dos piores guitarristas), até eu consigo.

    Outra coisa que é extremamente falcatrua é o fato de eles tocarem com uma orquestra local sempre. Os caras basicamente desembarcam com uma equipe de no máximo 4 pessoas nas cidades e saem “alugando” orquestras que não têm tempo suficiente de ensaio e que são obrigadas a sobrepor as músicas que estão sendo tocadas em play-back (e às vezes serem sobrepostos, isso acontece frequentemente durante o “show” e o exemplo mais gritante é o segmento do Metal Gear, uma vez que todos os efeitos eletrônicos estavam presentes, mas não havia mesa de som de onde eles poderiam sair, e o povo dos violinos me pareceu nem encostar nas cordas).

    Enfim, eu achava que povo gamer tinha uma cultura e um discernimento superior ao restante, por isso encarei a VGL com altas espectativas, mas descobri que eu é que sou exceção à regra. Todo mundo que tem um pingo de inteligência deveria ficar longe do evento e evitar ser engambelado.

  6. 6 Alexei Barros 09/02/2009 às 10:51 am

    R., seu comentário é de uma lucidez impressionante. Verdade seja dita, músicas chatas é o que não faltam! E Tron então que nem é de jogo? Olha que nem acho tão ruim a performance guitarrística da “OWA”. A guitarra que eu não aprecio mesmo é a da “Castlevania Rock”. O timbre é muito insípido.

    No segundo parágrafo do seu comentário você tocou na ferida com maestria. As orquestras contratadas são reduzidas (coisa de 20 a 30 instrumentistas) e incompletas, sem piano acústico (no máximo teclado), sem bateria e sem muita variedade de madeiras. Além da ausência de baixo elétrico, que encaixaria perfeitamente em muitas músicas. Exatamente por ter uma equipe limitada de cerca de quatro pessoas eu acredito que eles nunca vão tocar faixas que possuem vocais mais complexos (por exemplo: uma “Snake Eater”) ou que precisem determinados instrumentistas de maior perícia para solos (o violino de “Scars of Time” ou o violão de “Zero”). A utilização de playback é uma fraude, algo que me dei conta há pouco tempo, e ainda estou tentando digerir. Pelo preço salgado do ingresso o mínimo que se pode esperar é que as músicas sejam tocadas 100% ao vivo, oras.

    Estou no aguardo pelas novidades de repertório de 2009, mas, sinceramente, não tenho grandes expectativas.

  7. 7 R. 11/02/2009 às 9:14 am

    Bem lembrado Alexei, “Castlevania Rock” ficou sinistra (no mau sentido).

    Já sobre as orquestras, é exatamente o que você comentou. Se eles não podem utilizar uma orquestra maior, então que toquem “no vivo”, sem playback, mas de forma honesta. Eu acho que daria mais realismo e credibilidade ao evento.

    Acredito que muitas vezes o “pouco” não é sinal de pobreza sonora, basta saber adaptar e se adaptar (me dei conta disso depois de ouvir uma versão incrível da “Promise” do Silent Hill 2 em apenas dois violões. Você já deve ter ouvido mas em todo caso vai o link: http://www.youtube.com/watch?v=nd8rBt0OUQQ).

    Apesar disso, subtrair demais também pode ser problema: eu ainda tenho sequelas mentais pelo que fizeram com a “Scars of Time” no solinho de piano, snif :*(

    Enfim, tenho certeza que o evento surgiu de forma apaixonada, mas não acho que evoluiu a contento.

  8. 8 Alexei Barros 11/02/2009 às 11:54 am

    R., em fóruns de game music eu vi o Tallarico se defender dessa acusação, afirmando que o playback era utilizado para deixar a performance mais próxima possível da versão original. Usou como exemplo os loopings de bateria na “Metal Gear Solid Main Theme” e os instrumentos raros de percussão na “Civilization IV Medley”.

    É respeitável a filosofia – embora discorde, preferiria que tudo fosse reproduzido ao vivo, para dar mais realismo e credibilidade como você falou, mesmo que não ficasse exatamente idêntico -, o problema é que o playback passou a ser adotado, pelo que li em relatos da apresentação brasileira, com instrumentos normais, para tapar os buracos das orquestras incompletas.

    Não tinha ouvido essa versão da música do Silent Hill 2 nos violões, muito interessante. Nessa performance sobra algo que falta no VGL: criatividade. Os solos de teclado são uma fraude. Como já comentei em outras oportunidades, é incrível como há várias e belíssimas composições feitas especialmente para piano que não são tocadas: “Waterside” e “Dearly Beloved” para citar duas.

    “Enfim, tenho certeza que o evento surgiu de forma apaixonada, mas não acho que evoluiu a contento”. Perfeito.


  1. 1 VGL 2009: Cada vez mais show, cada vez menos concerto, todo mundo se alegra e eu não me contento « Hadouken Trackback em 12/10/2009 às 5:49 pm

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