Vamos todos chorar: Cry On cancelado

Cry OnPor Alexei Barros

Que me desculpe o histórico de sucesso de Hironobu Sakaguchi: a Mistwalker, até o momento, é uma fraude. Jogos que gozam de tecnologia de ponta, porém, em sua essência, são antiquados e retrógrados. Nomes importantes sozinhos não seguram a excelência de uma obra. Confesso que não sou gabaritado para discorrer com mais profundidade porque joguei algumas horas de Lost Odyssey. Mas faço as minhas palavras do Fabão quando republicou as suas análises de Blue Dragon e ASH: Archaic Sealed Heat. Ainda estou para conferir AWAY Shuffle Dungeon do DS, que saiu em 30 de outubro e parece que ninguém deu muita bola. Descobri a existência esses dias.

O mais novo capítulo de infortúnios que assolam Sakaguchi desde o hediondo Final Fantasy Spirits Within é o cancelamento do RPG de ação para Xbox 360, Cry On. Como em todos os projetos anteriores, o bigodão ex-Square fez questão de elevar a expectativa nas alturas com a declaração “Quero que esse jogo faça você chorar a cada 15 minutos”, em entrevista a EGM, publicada na edição 65 na versão brasileira.

SallyChorar é o que farão os jogadores que o esperavam desde 2005 (!), quando foi anunciado com design de personagens de Kimihiko Fujisaka (Drakengard 2), trilha musical de Nobuo Uematsu e direção do próprio Hironobu Sakaguchi. A princípio, a Mistwalker desenvolveria o jogo com a Cavia (série Drakengard), mas em 2007 foi repassado para a Artoon (Blue Dragon, AWAY Shuffle Dungeon e Yoshi’s Island DS) – talvez aí que degringolou de vez. De acordo com o release de imprensa, “a AQ Interactive decidiu cancelar o projeto após analisar o atual ambiente de mercado e previsões para o futuro. Pedimos desculpas pelo incômodo a quem esperava este lançamento”. Onde está toda a confiança que Sakaguchi expressou em suas afirmativas?

O fato é que somente artes conceituais e bocado da história foram revelados em três anos. O enredo seria assim: Sally, a protagonista, possui a habilidade de carregar o golem Bogle que, além de se comunicar na língua dos humanos, eventualmente pode se agigantar, tornando-se um colosso, para ajudá-la a superar obstáculos tais como árvores ou montanhas. Tinha algo de ICO e, evidente, de Shadow of the Colossus. Duas obras de Fumito Ueda, mestre em evocar sentimentos nos jogadores, que se não fazem chorar a cada 15 minutos, possuem momentos lacrimejantes.

Espero que da próxima vez Hironobu Sakaguchi se certifique que conseguirá finalizar o projeto antes de falar qualquer coisa. E minha maior dúvida: será que Uematsu chegou a completar alguma música? O que vai fazer com as composições?

Obrigado ao Fabão por ter passado a má notícia.

Cry On

[via Famitsu, Finalboss e Gamersyde ]

13 Responses to “Vamos todos chorar: Cry On cancelado”


  1. 1 geraldofigueras 26/12/2008 às 11:29 pm

    A premissa sempre foi boa, mas depois que Blue Dragon e Lost Odyssey foram lançados, passei a considerar o trabalho do Sakaguchi do mesmo nível do Sonic Team.

    Enfim, grandes p****. Mas uma perguntinha: eu li essa notícia como adiado, e não cancelado. Qual confere?

    Chorar a cada 15 minutos… cada uma que me inventam. Das frases embaraçosas eu acho “Ridge Raaaaaaceeeeeeeeeeeeerrrrr” menos vergonhosa que essa.

  2. 2 Alexei Barros 26/12/2008 às 11:40 pm

    Hahaha, comparar com o Sonic Team aí já é pegar pesado. :D

    Depois de todo esse post descendo a lenha na Mistwalker eu que iria chorar se o jogo fosse simplesmente adiado, hehe… Bom, no IGN saiu que foi cancelado, além do site da Famitsu que linkei no post.

    “Das frases embaraçosas eu acho “Ridge Raaaaaaceeeeeeeeeeeeerrrrr” menos vergonhosa que essa”. (2)

    Pois é, imagina? Do jeito que ele falou, um lenço deveria acompanhar o pacote do jogo para evitar de molhar o controle com tantas lágrimas… :D

  3. 3 Fabão 27/12/2008 às 12:32 am

    Não nos esqueçamos: era um projeto de US$ 8,5 milhões. Ousado demais para o cenário atual, com Xbox 360 tímido, embora firme, no Japão, e crise mundial assolando empresas mundo afora. Do ponto de vista econômico, foi uma decisão acertada do pai de Final Fantasy, já que ele toca o seu estúdio super-reduzido (o que? 5 ou 6 pessoas?) sem o comprometimento de gigantes como EA. Só uma pergunta: e o dinheiro que foi gasto até agora, já era mesmo?

  4. 4 Claudio Prandoni 27/12/2008 às 1:17 am

    “Hahaha, comparar com o Sonic Team aí já é pegar pesado.” (2)

    Uma verdadeira pena, mas talvez no fundo uma decisão acertada. Faço coro ao Alexei: até agora a Mistwalker tem sido uma fraude. Eu tinha extrema confiança no Lost Odyssey e me decepcionei demais com a alta camada de mofo que ele exala.

    Ainda tinha certa esperança em relação ao Cry On, principalmente por ser um RPG de ação, gênero em alta nos últimos tempos e que a Mistwalker ainda não tinha se aventurado.

    Será que vem uma fusão entre a Mistwalker e a Prope adiante?

  5. 5 Adney Luís 27/12/2008 às 10:25 am

    É como o Fabão disse: era um projeto de imensa magnitude, sem a garantia de um sucesso imediato e, principalmente, de um retorno financeiro certo (não podemos esquecer que a crise está aí), e capitaneado por uma empresa novata que, apesar de ter profissionais que já mostraram o seu talento, ainda não disse a que veio. Foi a melhor decisão mesmo.

    Agora, quanto a Mistwalker: é bom o Hironobu Sakaguchi produzir algo impactante e bom, ou então ele terá que rever seus conceitos e talvez até voltar para a Squenix, por que não sei se uma empresa iniciante resiste a vários “fracassos”.

  6. 6 Alexei Barros 27/12/2008 às 10:58 am

    @ Fabão / Adney

    Não sabia de todo esse investimento. Aí fico me perguntando: qual o estágio de desenvolvimento o jogo estava, e quanto dinheiro já havia sido gasto para achar mais prudente cancelá-lo em vez de continuar e terminar logo?

    No link do IGN aí em cima, diz: “Sakaguchi did say initially that the game’s scenario was 50% complete and that development would take an additional 1.5 to 2 years”. Teoricamente o Cry On já deveria estar pronto. Minha conjectura é que os atrasos comprometeram o projeto, e foram causados pela mudança de estúdio no desenvolvimento. Talvez sem os adiamentos o jogo saísse antes da eclosão da crise mundial.

    @ Adney

    Acho improvável que Sakaguchi volte para a Square Enix depois de todas as afirmações depreciativas sobre Final Fantasy. Não sei como é atualmente a relação dele com os executivos da empresa.

    @ Propendoni

    Não se esqueça que a Mistwalker já trabalha ativamente com a Artoon, co-fundada pelo Naoto Oshima. Quem sabe não haverá uma tentativa de reviver o Sonic Team original? XD

  7. 7 geraldofigueras 27/12/2008 às 11:04 am

    Esse papo de $8.5 milhões pra mim soa demais como campanha de blockbuster hollywoodiano da década passada, e até disso parece que o Sakaguchi vive do passado. Apesar de concordar que seria um tiro no escuro, caso o bigode esteja com medo do dinheiro, sugiro Blue Dragon Party para o Wii, reaproveitando os modelos já prontos e atirando numa coleção de minigames genéricos. Certamente vai vender que nem água.

    To mal humorado heheeheh

  8. 8 Alexei Barros 27/12/2008 às 11:15 am

    Só faltava a Mistwalker romper a exclusividade com a Microsoft (que vale apenas para os consoles de mesa) e fazer uma dessas! :D

    Mas não acha que é mau humor não. Para mim, é emblemático a Mistwalker cancelar um jogo original para X360 e anunciar um novo Blue Dragon para DS, que deve ser infinitamente mais barato de desenvolver. Prudência ou covardia?

  9. 9 Fabão 27/12/2008 às 2:16 pm

    Prudência. Há uma teoria de que os estúdios que estão indo pro saco são principalmente os que trabalham com projetos dos consoles de alta definição, que envolvem custos e riscos muito mais altos (vide Factor 5 e Free Radical). Se uma empresa não tem margem (dinheiro sobrando em caixa), é muito mais seguro tocar um projeto mais barato para uma plataforma mais modesta tecnologicamente, mas que ainda tem uma base instalada cheia de potencial. Se eu fosse o Sakaguchi, seguiria o conselho do Figueras. :P
    De qualquer forma, o tio “Final Fantasy é passado” fez um post no site da Mistwalker comentando o cancelamento de Cry-On e revelando estar trabalhando em um novo “grande projeto”, cujo console e data de lançamento (hahaha) ainda não pode revelar. E aproveita pra mandar um cartão de Ano Novo pro Pranda. XD

  10. 10 Alexei Barros 27/12/2008 às 2:34 pm

    Pertinente a lembrança da Free Radical, Fabão, ainda preciso fazer um post comentando sobre a derrocada do estúdio. E vergonhosamente não estava sabendo da situação péssima da Factor 5…

    A tendência é os projetos ambiciosos que não sejam de franquias consagradas rarearem. Espero que a crise não engula também os projetos promissores de estúdios menores, como a Platinum Games, que, de cara, anunciou quatro jogos originais, não sei dizer se a custo alto ou não.

    Grande projeto do bigodão? Não consigo imaginar o que ele fará daqui em diante, sinceramente.


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