Literatura Gamer: Mérau Guíar? Edition

Por Claudio Prandoni

Snake. Solid Snake.

Confesso que não sei por qual motivo, razão ou circunstância deixei de falar deste livro, mas tento compensar agora. Há pouco mais de um mês foi lançada nos EUA a novelização oficial do primeiro Metal Gear Solid.

De autoria de Raymond Benson, mas com o aval de Hideo Kojima e uma galera da Konami, o livro de bolso – ou nem tanto, já que ele até que é grandinho e maior do que outros do tipo – narra os eventos do incidente em Shadow Moses com adições mais do que bem vindas e insights deliciosos.

Afinal, era algo necessário. Não bastasse ser uma história já com dez anos, o MGS original conta com um remake, homenagens mil em MGS4 e as lembranças babonas de um zilhão de jogadores. Sendo assim, o livro inclui passagens sequer imaginadas no game e outros momentos que elucidam melhor acontecimentos paralelos a eventos chave da trama.

Isso acaba vindo a um preço: certas seqüências são drasticamente alteradas e mesmo as instalações descritas diferem por vezes bastante do jogo em si. Acabei de finalizar o capítulo no qual Solid Snake se defronta com Ocelot, sendo que o velho Shalashaska profere uma frase que não existe no game e, mesmo se estivesse lá, não faria o menor sentido à época. Transcrevo ela abaixo:

   “I’ve been looking forward to meeting you, Solid Snake,” Ocelot said. “You have quite a reputation to live up to. You know, it really is amazing how much you resemble Big Boss. I met him once.”
    “Did you?” Snake kept his hand on the SOCOM, ready to blast the guy once he finished reminiscing.
    “I first met him in the sixties! We had a duel.” Ocelot laughed. “Big Boss beat me, too, fair and square. Your daddy was quite the warrior. Do you measure up to him?”

Traduzindo…

    “Há muito tempo que quero me encontrar com você, Solid Snake,” disse Ocelot. “Você tem uma bela reputação a zelar. Sabe, é impressionante o quanto você é parecido com Big Boss. Eu o encontrei uma vez.”
    “Sério?” Snake manteve a mão na SOCOM, pronto para fuzilar o cara uma vez que ele parasse de divagar.
    “Eu o encontrei pela primeira vez nos anos 60! Duelamos.” riu Ocelot. “Big Boss me venceu, também, justo e limpo. Seu papai era um grande guerreiro. Você está à altura dele?”

Novamente, trago à baila aquela teoria que discorri acerca de MGS3, sobre como ele é visto sob a ótica de quem já acompanhou tudo que veio antes dele em termos de MGS – e vale o mesmo agora para o livro.

Enfim, a dica veio a princípio do Kotaku e depois dos mestres Hitz e Fabão, que adquiriram o livro. Eu depois acabei encomendando o meu também, um tanto quanto cético a princípio, imaginando que leria tudo que eu já sabia, mas agora plenamente satisfeito e surpreso com o tratamento dado até agora.

Para atiçar a curiosidade dos MGSmaníacos, escaneei o primeiro capítulo da obra, capaz de arrepiar os cabelos dos fãs mais fervorosos – e com alguns pequeniníssimos spoilers de MGS4. Sério mesmo!

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2 Responses to “Literatura Gamer: Mérau Guíar? Edition”


  1. 1 Fabão 23/07/2008 às 12:35 am

    New Skane neles! Ha! :P
    Estou quase no final do livro e confesso que tenho uma impressão mista até aqui. Apesar de o autor mostrar um conhecimento de armamento bélico e uma preocupação em tornar isso crível maior até do que teria Hideo Kojima e seu consultor Motosada Mori, ele peca por se estender demais em trechos irrelevantes para a trama. Por exemplo, a infiltração na base de Shadow Moses, do momento em que se sai do elevador até quando Snake chega na câmara com o tanque Abrams, incluindo a travessia do heliporto, vai um capítulo inteiro. Como é um livro, não um jogo, o poderoso Benson (ha! essa é só pros mais velhos :P) poderia ter resumido os trechos em que os jogadores estariam interagindo e se concentrado nas partes de narrativa. Compreendo que isso reforça a contextualização para quem não conhece a saga, mas acho que fica massante mesmo assim.
    Como nerd que sou, e MGSmaníaco também, notei que ele optou por não fazer uma partida Big Boss, ou seja, Snake não se preocupa em não matar inimigos e, por mais que tente, é visto por eles vez ou outra (pã!). Estava muito curioso por como o autor conduziria a batalha com o Psycho Mantis, que, no jogo, quebra a quarta parede, e daí todo o seu poder de perpetuação na memória. Confesso que gostei da alternativa pela qual ele seguiu, desviando-se criativamente do jogo e explorando a psique de Snake.
    A relação do soldado com o Master Miller é mais enfatizada que no jogo, pelo que me lembro dele, e chega a ficar estranho até em determinados trechos (“se tenho que entrar num covil de raposas, não tem outro homem com quem estaria mais feliz de fazer isso”, ou algo assim).
    É importante notar também que Benson faz algumas emendas na trama, a fim de trazê-la para a realidade contemporânea – afinal, o jogo foi escrito antes de 1998, o livro, este ano. Há um trecho, quando Snake está escalando as torres de comunicação, em que o autor faz referência ao 11 de setembro. Isso é perfeitamente aceitável, já que a trama se passa em 2005, o episódio aconteceu em 2001 e não teria como Kojima citá-lo em 1998.
    Entre bocejos e surpresas, vou continuando a leitura, mas estou gostando no geral. Quando concluir, pretendo fazer uma análise no Gamer Lifestyle. ^_~

  2. 2 Hunterpiro 23/07/2008 às 2:06 pm

    OUTRA VEZ, MR PRANDA?!?!?!!!!

    Seu banner pra promoção Nintenerds + Hadouken tá só com o link pra foto – não pra postagem, i-g-u-a-l-z-i-n-h-o aquele do GTA IV!

    :P


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