Músicas que não podem faltar no VGL – Parte 14

Por Alexei Barros

Não sei você, mas as músicas de Warcraft, Starcraft, Myst, Tron (?) do VGL a mim não causam tanto impacto. Talvez por não conhecer tão bem os jogos. E com certeza porque há peças muito melhores que essas. Peças de compositores japoneses que exprimem sensibilidade em suas faixas. Kow Otani em Shadow of the Colossus é o caso mais emblemático. Falarei, entretanto, de Paulinho Keiki Kobayashi. Na verdade, já comentei antes acerca da sua genialidade, expressa sobretudo em “The Unsung War” (Parte 1), “Megalith ~ Agnus Dei” (Parte 2) e “Zero” (Parte 5), um dos mais subestimados de todos os tempos. E, como não poderia deixar de ser, não há apenas a trinca magnífica. Ouvindo as trilhas de ponta a ponta sempre aparecem outras obras de inspiração ímpar.

“Rex Tremendae” (Ace Combat 04 shattered skies)

Perdão. Quando falei da “Megalith ~ Agnus Dei” , inacreditavelmente inédita em grandes concertos de game music, não mencionei “Rex Tremendae”. Na verdade, ela é homônima a um dos movimentos da última obra de Wolfgang Amadeus Mozart, Requiem, até com a mesma letra em latim. Espécie de prelúdio, é cantado a cappella (sem acompanhamento instrumental) em apenas 30 segundos e é BELÍSSIMA!!! Se eu ainda não o convenci, basta ouvir para sofrer uma catarse. Que fique claro: só se justificaria ser tocada caso viesse na seqüência “Megalith ~ Agnus Dei”. Em tempo, “Agnus Dei” também é o nome de outro movimento da Requiem.

“Razgriz” (Ace Combat 5: The Unsung War)

Se eu conferisse notas para OSTs, certamente daria a pontuação máxima para a trilha de AC5. Peça majestosamente tocada pela Orquestra Filarmônica da Varsóvia, “Razgriz” evoca em muitos momentos a melodia da fabulosa “The Unsung War” – ouça antes a segunda para depois escutar a primeira. A percussão confere uma atmosfera militar e os metais tocam com perfeição até mesmo nas notas mais agudas. A marcha final, com os trompetes tocando de maneira intermitente, é simplesmente avassaladora.

“Ace Combat 6 Main Theme” (Ace Combat 6: Fires of Liberation)

Esperava que a OST de Ace Combat 6 trouxesse outra música pomposa como as da tríade que falei na introdução. Kobayashi preferiu algo menos suntuoso e mais singelo. Bom sinal, quer algo diferente, apesar do resultado ter ficado meio insípido com a “Chandelier”, cantada em latim pelo Trinity Boys Choir. Então escolho o tema principal, tocado pela Orquestra Sinfônica da Bulgária. Para você ver, Kobayashi viajou até lá para acompanhar a gravação destas duas e da “Ace Combat 6 Ending Theme ‘A Brand New Day’”. Exato, saiu do Japão para a Bulgária a fim de coordenar três músicas. Isso sim é empenho. “Ace Combat 6 Main Theme” me lembra muito Medal of Honor ou Call of Duty, mas talvez seja ainda melhor, com alternâncias de momentos sinistros e pomposos.

Olha só. Já são seis músicas. Vai me dizer que não dava para fazer um concerto só de Ace Combat? O que Keiki Kobayashi está esperando?

17 Responses to “Músicas que não podem faltar no VGL – Parte 14”


  1. 1 Pablo Raphael 12/04/2008 às 10:33 am

    Puxa, mas um concerto como o VGL sem musicas de Warcraft e Starcraft..

    Mesmo que não sejam obras-primas da Game Music, são jogos amados por muitos jogadores em todo o mundo e no Brasil não é diferente. Por isso é que eles estão lá.

    Agora, que a trilha de Unsung War é muito boa.. com certeza!

  2. 2 Alexei Barros 12/04/2008 às 10:44 am

    De fato, Pablo. É mais uma birra pessoal mesmo:P.

    Mas que não pode faltar Shadow of the Colossus e Ace Combat, ah, isso não podia…

  3. 3 Fabão 12/04/2008 às 2:01 pm

    Disparates videogameslivísticos à parte, você levantou uma questão interessante sobre a qual tenho refletido recentemente: os diferentes efeitos da música sobre quem tem e quem não tem uma lembrança para associar a ela. Sem dúvida que ela será muito mais significativa se o ouvinte tiver vivido uma passagem sonorizada por essa música, mas creio também que é possível julgar melhor a qualidade de uma faixa caso ela não tenha nenhum significado especial para você – digo, o mérito como música isoladamente, não, por exemplo, a capacidade de tonalizar determinada ação ou momento. O que você acha, mestre?

  4. 4 ryunoken 12/04/2008 às 6:55 pm

    Eu quero ver quando vão ter coragem de tirar OWA do encerramento da VGL… Agora um Off-Topic rápido, vocês viram o novo personagem de SFIV, o Rufus? http://ryunoken.wordpress.com/2008/04/12/novo-personagem-de-street-fighter-iv-rufus-video/

  5. 5 Alexei Barros 12/04/2008 às 9:46 pm

    @ ryunoken

    Bem improvável mesmo. A “OWA” aparece em praticamente todos os concertos de game music atualmente. Sério. Mas você disse “tirar OWA do encerramento da VGL”… Tecnicamente isso já aconteceu, interessantemente. Nas apresentações recentes o show tem acabado com o medley de Castlevania tocado na guitarra pelo que vi em uns set lists por aí. Mas a “OWA” continua no repertório de qualquer jeito.:P

    Numa boa, acho até que o Winston Prandoni 51 ainda fará um post sobre isso, mas eu estou achando esses personagens novos do SFIV bobos demais…

    @ Fabão

    QUE QUE ISSO? Até tu, mestre Fabão, me chamando de mestre?:P

    Concordo plenamente! A maior prova disso é o próprio post. Devo confessar que sou uma negação completa de Ace Combat. Acho que joguei uns cinco minutos…Da série inteira. Após ver um usuário de um fórum elogiar a “Megalith ~ Agnus Dei” e pouco depois a “The Unsung War” e ouvi-las, passei a pesquisar sobre outros trabalhos do Keiki Kobayashi e admirá-lo cada vez mais.

    Por conta da excelência musical já até me deu vontade de conhecer os jogos. E isso já aconteceu comigo com Radiata Stories, Romancing SaGa e Tales of Legendia. Eu fiquei muito mais a fim de jogá-los depois de escutar as respectivas trilhas.

    Não-gamers também podem servir de termômetro quando desprovidos de eventuais preconceitos. Será que se você mostrar para alguém que aprecia música erudita a trilha do Shadow of the Colossus ela não vai achá-la épica, memorável e emocionante? Até já vi o tópico em fórum com o assunto “Got recommendation of Classical VGM for non-gamers?”, cuja intenção do rapaz era promover secretamente game music entre não-gamers.

    Já fugi um bocado da discussão, mas para corroborar o que você disse sobre o fato de as músicas se tornarem mais signficativas após a vivência de determinadas passagens, eu já tinha ouvido o álbum Gyakuten Meets Orchestra e tinha achado ótimo. Depois que peguei sério o Phoenix Wright: Ace Attorney, conheci as versões sintetizadas originais e ouvi novamente apenas as faixas orquestradas desse primeiro episódio, meu conceito do CD cresceu exponencialmente.

    Além disso, esse comentário na análise do Fable do seu xará Fabio Loureiro no Finalboss me deixou intrigado. Mostra que a questão é bem complexa e parece depender de cada jogo e compositor. Enfim, é um tema a ser amplamente discutido.

    “Assim como Nobuo Uematsu, da série Final Fantasy, existe em Elfman uma clara intenção de se fazer “música grande” (seja lá o que você entenda por isso, eu simplesmente não encontrei o adjetivo), diferente de músicos como Koji Kondo (o mago da Nintendo), por exemplo, que parece entender como ninguém músicas que funcionam apenas no universo dos videogames. Não que isto seja ruim, muito pelo contrário. Mas existem jogos que pedem essa universalidade musical, e Fable é um deles”.

  6. 6 Fabão 13/04/2008 às 1:15 pm

    Que isso, Mestre! Em Game Music eu sou apenas um entusiasta juvenil. Ainda não desenvolvi ouvidos educados como os seus. ^_^
    E que comentário, mano! Isso dá uma tese, ou pelo menos um artigo. E achei muito curiosa a idéia de expor não-gamers apreciadores de boa música a Game Music de qualidade. Seria uma experiência proveitosa. ^_^

  7. 7 Alexei Barros 13/04/2008 às 3:32 pm

    Haha! Magina, Fabão! Se você é um entusiasta juvenil, eu sou então um entusiasta infantil!:D

    Certamente o tema é bem complexo e merece ser aprofundado. Com certeza minhas escolhas de game music para não-gamers seriam, entre outras, essas músicas do Keiki Kobayashi, Shadow of the Colossus e Actraiser Symphonic Suite.

  8. 8 Claudio Prandoni 13/04/2008 às 3:47 pm

    Não tenho a carga teórica e tanta vivência em Game Music como os maestros acima – o que provavelmente me coloca na categoria de entusiasta dente-de-leite – mas ultimamente tenho pegado apreço pelo gênero, muito por conta do Alexei que me apresentou os meandros deste universo.

    Antes considerava a música dos jogos apenas como um aspecto secundário, mas agora passei a dar mais atenção, inclusive tentando levar em conta essa questão do impacto da obra quando inserida no contexto de experiência de jogo e quando apreciada somente como música.

    Incrível como alguns se sustentam sozinhas, caso bem elucidado pelo maestro Barros com as trilhas da série Ace Attorney.

    Prevejo uma futura série de posts do Axelay meio no pique “Game Music para não-gamers” e deixo aqui os meus pitacos: além dos jogos de advocacia da Capcom (em especial no arranjo Jazz), gosto muito das composições e remixes do Shinji Hosoe – que se tocassem em baladas o Alexei e o Fabão iriam em todas, se pá até chamando a polícia, pegando comida do chão e com miniaturas de navinhas de shmups, visto que o Hosoe faz muitas trilhas de jogos do gênero.

    Acho que outra boa pedida para um possível concerto com o tema seriam os temas da série Metal Gear Solid. Quem não conhece as aventuras de Solid Snake e família com certeza pensaria que se trata de música de filme de espionagem.

  9. 9 Alexei Barros 13/04/2008 às 4:05 pm

    @ Apollo Prandoni

    Haha, que dente-de-leite o quê, mestre!

    “…gosto muito das composições e remixes do Shinji Hosoe – que se tocassem em baladas”

    Elas já foram tocadas. Lembra-se do “Nessa balada eu ia”, sobre o Game Music Club Event com a participação do Yuzo Koshiro? Então, o Shinji Hosoe também se apresentou nesse evento.

    Assino embaixo sobre Metal Gear Solid e conta muito nesse caso o fato de o Harry Gregson-Williams ser primariamente compositor de filmes. E não tenho dúvidas que se você mostrar “Snake Eater” para uma pessoa não-gamer, certamente ela perguntará: “essa é a música de abertura de qual James Bond que eu não me lembro?”

  10. 10 Werther 16/04/2008 às 11:46 am

    Entrando na discussão um pouco atrasado… Na minha opinião, existem alguns obstáculos para que a Game Music venha a ser apreciada livremente por quem não tem um vínculo emocional com o jogo:

    1 – Game Music não é um gênero em si. São músicas compostas para jogos que cobrem todos os gêneros musicais, de acordo com o jogo. Embora isto seja óbvio, é bom ter em mente que as pessoas em geral criam afinidade com determinados gêneros musicais. A primeira reação de um “não gamer” a ser apresentado a uma música nova é pedir uma referência (qual é o gênero? É tipo o quê?). E essa referência geralmente é decisiva na tomada de decisão quanto a escutar ou não a música.

    2 – Nem todas as trilhas são focadas em melodia. Grande parte (sobretudo as de compositores americanos) são focadas em ambiência. Até porque, na maioria das vezes não se deseja que a música tenha “personalidade” o suficiente para desviar a atenção do jogador.
    Em suma, quando você não tem uma melodia para memorizar, fica mais difícil criar um vínculo com a música.

    3 – As músicas de jogos não seguem formas fixas de composição (verso-refrão-ponte, por exemplo). A indústria musical se estrutura em torno destas fórmulas, que são o que o público em geral gosta e espera escutar.

    Estes são alguns das barreiras entre a Game Music e o não gamer. É inegável, entretanto, que para o gamer o vínculo emocional é muito mais forte quando ele vivenciou emoções acompanhadas por uma melodia específica. E é por isto que a VGM tem crescido tanto, e também é por isto que em geral os compositores japoneses (que não exitam em criar trilhas focadas em melodia) são mais apreciados.

    Espero que uma opinião um pouco mais técnica contribua para a discussão! :)

  11. 11 Alexei Barros 16/04/2008 às 2:16 pm

    Werther, é uma honra ter um comentário como esse no Hadouken. Ainda que tente compensar com pesquisa, faz muita falta para mim ter mais conhecimento técnico das músicas a fim de poder comentá-las com propriedade.

    Muito interessante sobre o que você falou sobre o fato de os compositores nipônicos privilegiarem a melodia. Finalmente encontrei a principal resposta por gostar mais dos trabalhos dos japoneses do que dos americanos.

    Valeu!

  12. 12 Werther 17/04/2008 às 11:43 am

    Alexei, você já compensa bastante com pesquisa! Até conhecer este blog eu pensava que entendia de VGM. :) Agora sou assinante do RSS principalmente pelos seus posts (embora os outros tb sejam ótimos)!

    Continue o bom trabalho e espero poder dar um pitaco construtivo de vez em quando.

  13. 13 Alexei Barros 17/04/2008 às 11:57 am

    “Até conhecer este blog eu pensava que entendia de VGM.” Magina!

    Valeu, Werther! Será sempre muito bem-vindo! O Audiobit inclusive já foi adicionado no Blogroll.

  14. 14 Werther 17/04/2008 às 6:27 pm

    Valeu Alexei! E obrigado pelo link… quando eu fizer uma seção de links no site da Audiobit (oq deve ser em breve), o Hadouken também estará lá.

  15. 16 rafael 05/05/2009 às 5:35 pm

    ai cara se vc acha que essas musicas sao boas experimente jogar ouvindo essa aki banda:dream evil musica:the chosen ones escuta ela assistindo esse video:


  1. 1 Echoes of War: a eminência da Blizzard « Hadouken Trackback em 28/11/2008 às 12:22 pm

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