O melhor remake do melhor Resident Evil

Por Gustavo Hitzschkymansao1.jpg

Vou ter que me desculpar antes mesmo de começar a discorrer, já que lá vem mais um post sobre Resident Evil – vocês podem não se lembrar, mas o jogo foi assunto para bem e para o mal. Há muito tempo, me dei conta de uma coisa: não importa o gênero do game, se tiver alguma coisa a ver com Resident Evil e aquela mansão, vou comprar ou afanar – desconfio até que se lançarem um RTS com o casarão, lá estarei eu para adquiri-lo.

Se o remake para DS foi assunto de rasgados elogios de minha parte no passado, prepare-se, pois a releitura destinada ao GameCube, que chegou ao mercado faz seis anos, em 2002, sofrerá da mesma babação de ovo desenfreada. Entretanto, como sempre, darei um espaço ao meu lado ranzinza a fim de tecer algumas pouquíssimas críticas.

Podem fazer delegacias de polícia, ruas de Raccoon City, laboratório na Europa, vilarejo na Espanha, o raio que for, não tem jeito. Sou fã de Resident Evil 1.Nada, mas nada mesmo, definitivamente, irá superar a ambientação proporcionada pela mansão, guardhouse, porão, subterrâneo e instalações da Umbrella encontrados no RE original. Com uma sensível diferença neste remake: tudo está absurdamente mais sombrio. O casarão está escuro, apavorante, aniquilante, horripilante, cadavericante, terrível, arrepiante. E para aqueles que como eu que acreditavam conhecer os locais, muito cuidado, já que inúmeros objetos mudaram de lugar, puzzles foram substituídos e o fundamental, novos locais foram incorporados.

Imagine o pavor quando, de repente, você se depara com uma porta situada logo depois das escadarias do salão principal da mansão. Pior ainda é entrar lá e encontrar um cemitério. Depois você ainda pega um documento que diz que os zumbis, veja você, não morrem. Era de se desconfiar porque eles não desaparecem quando você transita pelas salas e depois volta, o podrão continua lá. Para se livrar dos infelizes, é necessário arrancar a cabeça ou então queimá-los, e para tanto existem agora galões de querosene espalhados pelo cenário. E o tal dos Crimson Heads, que são mortos-vivos mais rápidos e com garras? E o que fazer quando um deles começa a forçar a fechadura da porta e repentinamente consegue abri-la?

Tudo bem, imagino que isso não seria tanto problema uma vez que o jogador se acostumasse às novidades. Mas tem aquele agravante que eu mencionei acima: o lugar está escuro, não é brincadeira. E a Capcom abusou sobremaneira dos efeitos de luz e sombra, que estão convincentes ao cubo (Game Cubo?). Dá até a impressão de que, vislumbrados e embasbacados com o próprio trabalho magnífico neste quesito, os caras, propositadamente, usaram luz e sombra em todos os cantos possíveis do jogo, com os únicos objetivos de amedrontar os coitados (olha o cagão aí) e de se cumprimentarem à exaustão. Good job.

A bem da verdade é que achei apenas um ponto pior do que o original: as batalhas contra os chefes estão mais fáceis. Dá pra matar a cobra na biblioteca sem tomar uma porrada, o que era humanamente impossível no original, assim como o Tyrant na segunda vez em que o enfrentamos, no heliporto. Entretanto, os outros adversários estão mais ligeiros. Um exemplo são os Crimson Heads. Além deles, os cachorros agora não são arremessados para trás quando levam um tiro de handgun, eles quase nem se abalam; os hunters podem pular de um andar ao outro caso notem a sua presença; os chimeras são ágeis e qualquer vacilo pode fazer com que você erre o tiro.

E ainda tem mais. Não satisfeita com a quantidade de aberrações presentes, que somadas são quase tão grotescas quanto a minha pessoa, a Capcom criou outro ser abominável. Ela é Lisa Trevor, filha do responsável pela construção da mansão, que foi realizada na década de 60. A garota foi pega para experiências e ficou zuada. Ela é lenta, se move meio que arrastando os pés e tem o incômodo costume de produzir um gemido horrendo. Infelizmente, a batalha final contra ela, já que você a encontra mais de uma vez, é tranqüila e sem grandes emoções.

A seguir, um pequeno comentário sobre todas as áreas deste remake para seu deleite ou repugnância.

Aquela mansão

Não tem nem o que falar, jogue e chore. Mesmo com ampla experiência em Resident Evil 1, a mansão, por vezes, está absolutamente irreconhecível. Maior, mais escura, com puzzles inéditos e itens diferentes, é de longe o melhor ambiente do jogo. O posicionamento de câmera, os ruídos ao longe, os raios refletidos nos cômodos, é uma conspiração para que os jogadores evacuem nas próprias indumentárias, com o perdão do eufemismo.

Jardim

Completamente animal. As árvores, plantas e outros elementos naturais balançam ao sabor do vento, e você tem a sensação constante de que está sendo observado. Muito diferente do original, pois agora há a adição de uma área inédita com uma cabana – e lá, um encontro nada agradável. Beleza assustadora, eu diria.

Guardhouse

Mudou pouco, para ser sincero. Destaco a área do tanque dos tubarões, muito maior e mais difícil de ser superada. Decepção no combate contra a planta (pelo menos jogando com a Jill) em que Barry aparece e o jogador pode apenas assistir o companheiro da garota fritando os tentáculos do vegetal.

Porão da mansão

No original, era o lugar que eu mais tinha medo, principalmente por conta da música. Pena que ele é tão curto no remake que você nem sente passando. Em vez de zumbis ou hunters como em incursões passadas da primeira aventura, há apenas aranhas e uns zumbis. Deste eu esperava muito mais.

Subterrâneo

Também mais fácil e com menos sustos. A coisa fica um pouco pior mesmo quando você desce de elevador com o Barry (de novo, jogando com a Jill) e ele, mui covarde, te abandona lá. Outra surpresa nada alegre te espera ali, mas é só usar um pouco a cabeça que fica tranqüilo – até eu consegui passar.

Laboratório da Umbrella

Sujo, feio, com goteiras, escuro, cheio de poças. Passa bem a idéia de que está abandonado há bastante tempo. Curiosidade besta e estúpida é que as três salas que fazem parte do complexo em que se deve acionar o elevador para chegar ao Tyrant estão mais iluminadas do que as do original. Acredito que sejam os únicos lugares em que isso aconteça.

***

A Capcom também nos fez o favor de reformular os diálogos. Não o conteúdo em si, que está praticamente igual, mas as vozes dos atores e a entonação que eliminaram aquela característica de conversas de filme B que o jogo possuía, apesar de eu nunca ter reclamado disso. Quem trepudiava era Claudio Prandoni e Alexei Barros, que odeiam tanto o Resident original quando odeiam a mim.

Ainda preciso jogar com o Chris para me sentir totalmente satisfeito, mas me sinto confortável em afirmar o seguinte: este remake supera o original. É complicado mexer com franquias consagradas como Resident Evil, pois corre-se o risco de dar luz a pérolas como aquela coisa escrota de Gun Survivor. Sem esquecer Dead Aim e Outbreak. Mas o empenho da Capcom nesta releitura é notável, é de fato um jogo para surpreender até mesmo quem conhece os mais obscuros cantos do melhor capítulo da série. Sensacional.

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20 Responses to “O melhor remake do melhor Resident Evil”


  1. 1 Sardo 24/01/2008 às 10:41 am

    Muito boa análise. Mas pra comentar mais detalhadamente, só jogando mesmo. Joguei o de PSOne, e também achei animal. Melhor que os que o sucederam.

    Estou curioso pra ver como ficou agora.

    Parabéns, ótima análise.

  2. 2 Alexei Barros 24/01/2008 às 10:26 pm

    “O melhor remake do melhor Resident Evil”

    Se você falasse que era a versão do DS eu me retiraria.

    “Não satisfeita com a quantidade de aberrações presentes, que somadas são quase tão grotescas quanto a minha pessoa”

    AJHUAHUAHUAHUAHUHA!

    “Quem trepudiava era Claudio Prandoni e Alexei Barros, que odeiam tanto o Resident original quando odeiam a mim.”

    HAUHAUAUHUAHUA 2! Você sabe que quem odeia o RE original é o Faltou o trabalho do Binhotto, maestro.

    Ah, os remakes…Como podem as pessoas serem contra? Ainda mais depois dessa sua poesia em favor do RE e do já sensacional Bionic Commando Rearmed. Ainda farei um post sobre isso…

  3. 3 Rodrigo 25/01/2008 às 4:48 pm

    E lendo um post desses eu sinto o meu bolso ficando cada vez mais vazio…

  4. 4 Evelin 25/01/2008 às 9:32 pm

    Nossa!
    Amo Resident Evil e mal posso esperar para jogar esse.
    A mansão está incrível!

  5. 5 Evelin 25/01/2008 às 9:41 pm

    Cara, nunca vi alguém falar sobre um assunto tão bem quanto nesse post.
    Parabéns.

  6. 6 maepossojogarvideogame 28/01/2008 às 12:25 pm

    Muito bom Gustavo.

    Também sou um grande fã de Resident Evil.

    Todo o clima, toda a trama, tudo no jogo é fantástico. Menos os erros de continuidade, mas estes são superados de longe por toda a qualidade do franquia RE!

    Como vc, eu também acho o RE 1 o melhor de todos os REs. E esse Remake ficou animal.

    Eu não tive o gamecube, logo, só joguei ele uma vez na casa de um amigo.

    Porém agora que tenho o Wii, comprei o RE Umbrella Chronicles e exitesm alguns cenários que são na mansão.

    Minha próxima compra será RE Rebirth do GC! Não tem jeito!!!

    Abraços

    DungaBRRJ

  7. 7 Alexandre 28/01/2008 às 5:26 pm

    Estou recrutando pessoas que gostem de falar sobre jogos para iniciar um projeto e um lançamento de site: http://www.centraljogos.net .

    Além de ter seus blogs divulgados no site, os colaboradores receberão uma porcentagem sobre o lucro do site.

    Caso haja interesse, entre em contato.

  8. 8 Gustavo Hitzschky 28/01/2008 às 5:33 pm

    DungaBRRJ, pode comprar sem a menor dúvida, este jogo vc precisa ter…
    Também queria comprar porque o meu é emprestado do meu truta de blog Claudio Prandoni, mas tá difícil de achar…
    Abraço, cara, valeu pelo comentário.

  9. 9 cristiano campos 04/06/2008 às 10:31 pm

    por favor não estou conseguindo passar nas portas sempre me pede algum emblema so tenho q peguei no começo perto da larera e ai pessoal me da uma dica e tbm q tenho q fazer onde esta akele caixão pendurado,estou com uma chave q abriu algumas portas um diamante azul akele treco de esterco sei lá um livro tipo madeira sem nd escrito me ajudem vcs pode me enviar para rosadaudt@yahoo.com.br,hibridhavem_mortal@yahoo.com.br ou wimback2006@hotmail.com

  10. 10 Natan 21/10/2008 às 10:49 pm

    Gustavo Hitzschky faço minhas as suas palavras. Resident Evil 1, tanto a primeira versão quanto o remake,é o melhor game já feito. Claro que não menosprezo os outros títulos. Resident Evil por si só já é maravilhoso! Sou fã de Resident Evil, mas fã mesmo, não esses que jogam um dia ou um mês e dizem-se fãs, afinal conheço Resident Evil a 8 anos!
    Muito bom o artigo.

  11. 12 Rebeca 01/01/2009 às 6:24 am

    Apesar deste post ser de meses atrás, só agora o descobri. Adorei, Gustavo! Além da sua análise ser ótima, fiquei encantada com o texto extremamente bem escrito. Aliás, este é um dos fatores que fazem o Hadouken ser um de meus blogs favoritos. É tão reconfortante ler um texto bem construído, com vígulas e crases corretamente colocadas, respeito à ortografia… enfim, textos que preservam a informalidade, mas sem assassínios à língua portuguesa! hehehe
    Eu não sou contra o “internetês” (só não suporto o miguxês) que se usa na comunicação virtual, mas que fique para o msn, orkut e afins. Até nos comentários é tranqüilo. Mas em texto, seu uso torna a leitura cansativa. E olha que já vi muito blog com textos enormes cheios de abreviações e termos miguxísticos obscuros, que ao final deram um nó na minha mente. xD

    Parabéns a vocês, redatores do blog, pelo excelente trabalho!

  12. 13 Gustavo Hitzschky 01/01/2009 às 2:17 pm

    Rebeca, muitíssimo obrigado pelos elogios, de coração mesmo.
    Pois é, pode acreditar que os quatro toperas do Hadouken prezam bastante a nossa complicada língua portuguesa, e somos completamente contra essas linguagens que vieram com o advento da Internet. O curioso é que nem precisamos combinar entre nós que não usaríamos abreviações, internetês e muito menos o miguxês, foi tudo natural.
    Gracias pela força!

  13. 14 felippe nepomuceno(lost) 15/09/2009 às 6:51 pm

    Resident evil simplesmente perfeito
    pra mim é a melhor série de jogos!!!XD
    eu joguei o de play 1 no pc (muito bom),mas o remake é ótimo e o 4 também ,já que são dois estilos diferentes

  14. 15 Daniel 13/10/2009 às 4:59 pm

    Sem duvida o 1 é o melhor,falo isso pois sou fa e admirador desde que tinha 13 anos e saiu o re p/ o ps1.
    acho uma pena estarem mudando os rumos do game agora.

  15. 16 ayrton 04/04/2010 às 7:30 pm

    tinha 5 cinco anos quando comecei a jogar 99 o melhor que tem é o 3 pela inovação no combate contra nemesis 2 pela as duas historias interligadas e o 1 pelos eternos jill(bem mais forte que o car que só usa verde)cris por sua dificuldade resident perde a linha no 3 principal mente pela camera que ajudava nos sustos mais não deixa de ser um jogão toda a serie

  16. 17 ayrton 04/04/2010 às 7:31 pm

    principalmente junto rsrsrsrs

  17. 18 Jack 22/01/2018 às 2:01 am

    Pгoperly Ƅoys,? Mommy lasttly stateⅾ after that they had come up
    with a number of silly ideas of wһat Godd did ffor fun, ?What Godd actually likes is when folks
    love each other and handle eаch other liқe we do in our
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  1. 1 Trilha de SSFIITHDR terá remixes de fãs « Hadouken Trackback em 23/07/2008 às 3:11 pm
  2. 2 Escalte Hadouken 2008 | Hadouken Trackback em 09/01/2018 às 1:30 am

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