Festival Slamdance desclassifica ‘Columbine Massacre’, termina em fiasco

Por André Sirangelo

No ano passado, vendo uma polêmica sem tamanho se formar em torno de um game caseiro chamado “Super Columbine Massacre RPG” e rascunhando o que viria ser a reportagem sobre games políticos que abre a seção Game.Lab da Revista Continue, eu não podia imaginar até onde a controvérsia chegaria. O episódio acabou sendo não só uma aula sobre a importância de se olhar todos os lados de uma questão, como também a base para uma reflexão surpreendente a respeito dos games como forma de expressão artística.

“SCMRPG” foi um dos indicados para a edição 2007 do Slamdance Guerilla Gamemaker Competition, uma premiação paralela ao festival de cinema independente de Slamdance, que acontece todos os anos em Utah, nos EUA.

No início de janeiro, no entanto, o jogo foi desclassificado da competição. A repercussão na blogosfera dava conta de que o fato teria sido motivado por ameaças de corte de patrocínio, mas uma apuração mais cuidadosa revelou que a retirada do jogo teria sido uma decisão do presidente do festival, baseada “em princípios morais” e na “preocupação com o futuro da organização”.

O resultado: em protesto, quase metade dos concorrentes ao prêmio retirou suas inscrições. O Guerilla Games Competition deste ano, programado para acontecer no último fim de semana, acabou em fiasco e nenhum troféu foi entregue. A reputação do festival (e de seu presidente, Peter Baxter) saiu irremediavelmente manchada.

Ian Bogost, do site Watercooler Games, resumiu a história dizendo que Baxter vetou a participação de “SCMRPG” simplesmente por medo de represálias, mostrando-se incapaz de ceder aos games o mesmo espaço para experimentação e ousadia que ele dá aos filmes.

Não vou negar que a minha primeira reação a “Super Columbine Massacre RPG” foi negativa. Que mau gosto tremendo fazer RPG onde você assume o papel dos estudantes que abriram fogo contra os alunos e funcionários da Columbine High School em 99. Certo

De fato não é algo que eu consiga passar muito tempo jogando. Não é algo que se joga por prazer. Mas é somente jogando que se percebe que a intenção do autor foi criar um comentário ácido e pertinente sobre as causas do episódio. Talvez ainda mais pertinente que qualquer filme ou artigo acadêmico sobre o assunto, se levarmos em conta a insistência de certas organizações de culpar os games por atitudes violentas como o massacre de Columbine.

Para um festival tão lado B quanto Slamdance, retirar “SCMRPG” de competição criou um precedente perturbador. Foi a primeira vez em 13 anos que isso aconteceu. Para alguns é como se Cannes tivesse tirado a Palma de Ouro de “Elephant”, de Gus Van Sant, em 2003.

E a pergunta que fica no ar é aquela de sempre.

Por que ainda é tão difícil enxergar os games como veículo de expressão política, social e artística?

[Mais sobre o caso: Kotaku, Watercooler Games, Site oficial Slamdance]

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