Posts Tagged 'Turrican II: The Final Fight'

“Turrican II – Anthology Suite” – Turrican II: The Final Fight (Soundtrack Cologne – East meets West)


Por Alexei Barros

Nas cinco edições da série Symphonic Game Music Concert, em cada uma delas houve pelo menos um segmento com músicas de Chris Huelsbeck, e a série que mais lembranças recebeu foi Turrican, em especial o segundo jogo. Para completar, quando foi a vez do compositor alemão ser homenageado no espetáculo Symphonic Shades, o Turrican II ganhou um concerto para piano que é uma das grandes obras-primas do arranjador Jonne Valtonen.

Para quem não conhece o jogo, é natural pensar que já estava de bom tamanho tantas performances, mas não foi nenhuma surpresa saber que o Turrican II ganhou uma inédita e bem-vinda releitura para o Soundtrack Cologne – East meets West. O mais bacana é que esse novo arranjo ficou sob os auspícios do Roger Wanamo, que ainda não fazia parte da equipe do Merregnon Studios na época do Symphonic Shades (sua estreia seria no Symphonic Fantasies, na suíte do Chrono). Com isso, o finlandês construiu uma suíte de 11 minutos com vários temas do Turrican II como veremos mais detalhadamente a seguir.

Para um início pomposo, foi perfeita a escolha da “Concerto for Lasers and Enemies” (tema da primeira das três fases de navinha do jogo, a 3-1). O brilho dos metais dão todo o clima John Williams que o tema tem direito. Logo aos 1:10, há uma competente transição para o “The Final Fight” (da tela-título), o tema que Valtonen usou em todo o concerto para piano. Esse trecho explora as cordas e, diferentemente do Symphonic Shades, também faz uso do coral, dando uma sensação bem diferente de outros arranjos do Turrican já feitos. Em meio ao pizzicato dos violinos, há um solo de clarinete bem inesperado, enquanto o coro cria um clima sombrio e imponente. Depois de explorar muito bem esse tema, a viagem vai para a introspectiva “The Great Bath” (ela toca apenas nas áreas aquáticas da fase 2-1). Depois de uma pausa para pensar, o coral entoa a melodia a capella em um momento de pura inspiração, e pouco depois a orquestra se junta em plena harmonia. Aos 8:00, a “Concerto for Lasers and Enemies” retorna brevemente para fazer a ponte até surgir, aos 8:20, a “Freedom” (tema dos créditos), orquestrada pela primeira vez. Em uma bela participação do coral, a melodia genial da música é tocada de maneira magnífica, terminando com o regresso da “The Final Fight” aos 9:47.

Pode parecer brincadeira, mas ainda não acho que o segmento tenha encerrado a cota de músicas do Turrican II que deviam ser orquestradas no meu entendimento. Um dia ainda queria ouvir a surpreendente “Traps” (da fase 1-2) e a envolvente “The Hero” (tela de hi-score), para citar apenas as composições do Turrican II. Se abrirmos para a série toda, a “Wormland”, do Super Turrican 2 é outra indispensável.

- “Turrican II – Anthology Suite”

“Concerto for Lasers and Enemies” ~ “The Final Fight” ~ “The Great Bath” ~ “Concerto for Lasers and Enemies” ~ “Freedom” ~ “The Final Fight”

Symphonic Game Music Concert retorna depois de hiato; Journey e Turrican II: The Final Fight confirmados


Por Alexei Barros

Por melhor que tenham sido os concertos tributo na Alemanha e na Suécia organizados desde 2008, não nego que também gostava muito da série Symphonic Game Music Concert, apesar de acompanhar a distância e por raras gravações amadoras. Organizadas de 2003 a 2007 antes da Games Convention, as apresentações eram bastante ecléticas nas seleções, executando músicas de jogos europeus, americanos e japoneses. Não foram poucos os trabalhos que conheci por meio do set list desses espetáculos, em especial a melódica e majestosa trilha do RTS Anno 1701. Além disso, muitos jogos não se encaixam nesse conceito de tributo a um produtor ou compositor, como, por exemplo, Shadow of the Colossus, tocado em 2006 no Fourth Symphonic Game Music Concert.

O mais legal é que tudo isso vai voltar 16 de novembro. Nesse dia, no mesmo palco do Symphonic Shades, no Funkhaus Wallrafplatz em Colônia, Alemanha, acontecerá o Symphonic Game Music Concert 2012. O time de produção é aquele mesmo competente de sempre: o produtor Thomas Boecker e os arranjadores finlandeses Jonne Valtonen e Roger Wanamo. Os participantes também: WDR Radio Orchestra Cologne e WDR Radio Choir Cologne, com a regência do maestro sueco Niklas Willén. O pianista Benyamin Nuss também está confirmado.

Até o momento, o set list possui dois números. Journey, o jogo vendido na PlayStation Network em março de 2012, já foi adicionado ao programa. A música a ser executada é a sublime “Apotheosis”, uma ótima seleção desta trilha tão climática e atmosférica. A série SGMC manteve a tradição de apresentar todos os anos pelo menos um segmento do compositor alemão Chris Huelsbeck, e neste ano não será diferente, com a “Turrican – Anthology Suite”, em arranjo inédito de Roger Wanamo. A suíte abrange três composições do Turrican II: “The Final Fight” (tela-título), “The Great Bath” (das áreas submersas da fase 2-1) e “Concerto for Lasers and Enemies” (da primeira fase shmup do jogo, a 3-1). Todas já foram arranjadas anteriormente e por isso até desejava a lembrança de outras, como a “Traps” (fase 1-2) e “The Hero” (tela de high score).

De todo modo, essa suíte faz parte de outro projeto relacionado a Turrican que será detalhado no próximo post.

[via Facebook]

Symphonic Shades: o CD do melhor concerto que o Yuzo Koshiro já viu


Por Alexei Barros

O primeiro concerto de game music transmitido ao vivo via rádio. O primeiro concerto de game music de tributo a um compositor*. Symphonic Shades – Huelsbeck in Concert, integralmente devotado ao alemão Chris Huelsbeck, rompeu paradigmas no dia 23 de agosto de 2008. Sucesso de público e de crítica. E o que pensar quando um músico como Yuzo Koshiro disse o que disse? Quando solicitado para falar ao site oficial em uma palavra o que havia achado da apresentação, respondeu “Fantástico!”. Não se deu por feliz e emendou: “E se pudesse falar mais de uma palavra, eu adicionaria: foi o melhor concerto sinfônico que já vi!”.

A história do Symphonic Shades começa em 2007, quando o administrador da WDR Radio Orchestra Cologne, Winfried Fechner, foi convidado para assistir e ficou extasiado com a atmosfera do Fifth Symphonic Game Music Concert, quinta e derradeira edição da série produzida por Thomas Boecker, que foi produtor executivo da turnê promocional de 2006 e consultor em algumas performances de 2007, como em Sydney, Austrália, do PLAY! A Video Game Symphony, mas atualmente não está mais envolvido no projeto. Aficionado pelas músicas de Chris Huelsbeck desde o Commodore 64, a ponto de gravá-las em fitas cassete para ouvi-las a qualquer momento, Boecker exprimiu sua admiração pelo compositor ao incluir em todos os anos pelo menos uma faixa de Huelsbeck em meio aos jogos japoneses e norte-americanos, e assim foi com “Apidya Suite” (First), “Turrican Medley” (Second), “The Great Giana Sisters Suite” (Third), “Turrican 3 Piano Suite” (Fourth), “Turrican II: The Final Fight Suite”, “Commodore 64 Medley” – inclui Shades e The Great Giana Sisters – e “Amiga Medley” – finaliza com Turrican II: The Final Fight – (Fifth).

A ideia de organizar um concerto inteiro com músicas do alemão existia há um bom tempo. “Chris Huelsbeck e eu faríamos esse concerto um dia, só não sabíamos a data exata”, disse Boecker ao SEMO. O produtor sugeriu o conceito a Fechner, que logo gostou do modelo. O Symphonic Shades foi divulgado em 4 de dezembro de 2007 e teve o envolvimento de pessoas de extrema confiança, seja do PLAY!, do SGMC ou do projeto original Merregnon: o maestro Arnie Roth na batuta da WDR Radio Orchestra Cologne e do FILMharmonic Choir Prague, o percussionista libanês Rony Barrak e os arranjadores Jonne Valtonen, Adam Klemens, Takenobu Mitsuyoshi e Yuzo Koshiro para interpretações totalmente inéditas, com exceção de “Turrican 3 – Payment Day (Piano Suite)”, tocada no Fourth SGMC e presente no álbum Number Nine, que foi retrabalhada. Não é todo dia que japoneses e ocidentais, de estilos tão díspares, atuam em harmonia. As melhores músicas de Chris Huelsbeck então foram selecionadas para o repertório. Todas as composições estavam à disposição, e a única limitação era a duração do concerto.

Quando foram colocados à venda os ingressos para a apresentação às 20 horas locais no luxuoso Funkhaus Wallrafplatz – onde foi gravado o álbum drammatica -The Very Best of Yoko Shimomura- – em Colônia, Alemanha, esgotaram-se em uma semana. Devido à grande procura, uma reprise foi confirmada para as 23 horas no mesmo dia, e as vagas acabaram em pouco tempo. Diferentemente da série SGMC, que não pôde ser lançada por problemas de direitos autorais, o CD do Symphonic Shades foi anunciado e, para completar, foi apregoada a histórica transmissão ao vivo via rádio da estação WDR4, que acompanhei pela Internet. Mesmo sem entender alemão, deu para perceber o momento em que o público enviou uma saudação para todos os ouvintes espalhados pelo mundo, e quando Takenobu Mitsuyoshi e Yuzo Koshiro levantaram na plateia.

Depois de longa espera, a data de lançamento do CD foi precisada para 11 de dezembro, sofrendo um pequeno adiamento: saiu dia 17. Somente 1000 unidades foram publicadas, com demanda similar às apresentações. Não por menos. Chris Hülsbeck é celebridade em seu país, onde a cena de games foi completamente diferente da norte-americana e da brasileira, o que explica porque é relativamente pouco conhecido por essas bandas. Enquanto aqui, MSX, os clones de NES e principalmente o Master System foram populares, na Alemanha dominaram o mercado os computadores Commodore 64 e Amiga, plataformas as quais Huelsbeck se destacou. Eventualmente, as adaptações de Turrican e Jim Power para Mega Drive e Super Nintendo permitiram que escutássemos as suas composições. Porém, nem é preciso conhecer os títulos para se encantar com as músicas.

Por isso, falarei separadamente de cada uma das 15 faixas do CD (excluindo o solo de percussão de Barrak, 10 são de jogos e 4 de projetos não-gamísticos), situando os games, uma vez que muitos são obscuros para nós, com links para as músicas originais, as versões orquestradas da transmissão do rádio e vídeos do YouTube da récita – só não ligue para a câmera estática da gravação tal como no cinema primitivo – para reparar como os arranjos são magistrais. Confirmando a impressão que tive ao ouvir os samples, a qualidade que já era excepcional pelo rádio, ficou ainda mais apurada no CD, que mescla o melhor das duas apresentações, dos ensaios e do ensaio final. Além de pequenas mudanças na performance, é possível escutar os graves com maior vivacidade – os contrabaixos reverberando nos ouvidos é uma sensação inigualável. A bem da verdade, não me recordo de outro disco de game music em que pude escutar especificamente esses instrumentos de forma tão nítida. O álbum também vem com uma entrevista em alemão com Chris Huelsbeck, e é adornado por uma simpática ilustração de um maestro Turrican com batuta desenhada por Hitoshi Ariga.

Leia, ouça e veja depois do Hadouken sobre o CD do Symphonic Shades.

* Tecnicamente, o italiano Nobuo Uematsu Show (2007) precedeu o Symphonic Shades, só que, além de todos os arranjos serem reaproveitados de outros concertos, não cobriu a carreira de Uematsu na totalidade, apenas Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey. As diversas récitas de Final Fantasy e Dragon Quest, apesar de terem músicas de um compositor, Nobuo Uematsu e Koichi Sugiyama, respectivamente, representam as séries, não os músicos.

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