Posts Tagged 'The Legend of Zelda: Ocarina of Time'

“The Legend of Zelda 25th Anniversary Medley” – série The Legend of Zelda (VGL 2011 no Rio de Janeiro)

Por Alexei Barros

Há muitos anos achava que o segmento de Zelda do Video Games Live – baseado no arranjo do Orchestral Game Concert 1 referente ao A Link to the Past –, deveria dar lugar a um número que fizesse por merecer toda a série e não reduzisse tudo a uma única faixa, mesmo que a mais famosa. Coube ao Rio de Janeiro, cidade que iniciou a excursão brasileira de 2011, receber a estreia mundial do novo arranjo da série elaborado pela Laura Intravia, que já havia apresentado um número cômico tocando flauta em 2009. A indumentária de Link e o instrumento se mantêm, mas se trata de uma iniciativa mais séria, por assim dizer. Honestíssima, devo adiantar.

O problema é o debute acontecer só agora, em 2011, quando já foram feitos os medleys orquestrados “The Legend of Zelda Medley 2006″ no Press Start 2006 (e reprisado em 2007), dois no Play! A Video Game Symphony (o primeiro do Jonne Valtonen baseado no The Legend of Zelda: Ocarina of Time Hyrule Symphony e o outro do Chad Seiter), um Poema Sinfônico no Symphonic Legends/LEGENDS e, para completar, uma turnê só de Zelda. Não tem muito o que se surpreender a essa altura do campeonato.

Para mim, todas as transições ficaram decentes – para você ver que eu não reclamo por reclamar. A icônica “Title Theme” do Ocarina of Time é uma escolha excelente para o solo de flauta, afinal a composição original procurava simular a impressão de que uma ocarina estava sendo tocada no meio da floresta. Utilizando a melodia do despertar do dia do Ocarina é feita a emenda para o tema principal, trecho em que Intravia não toca, mas o público sempre faz questão de cantarolar. Numa variação o clima fica mais carregado, viajando para a tristeza de “Midna’s Theme”, seguida pela popular “Princess Zelda’s Rescue”, ambas com a decisiva participação da flauta. The Wind Waker é lembrado com a “Dragon Island” e Twilight Princess com a “Hyrule Field Main Theme”, que enfim recebeu a orquestração que merece, não aquela versão em MIDI. De maneira muito apropriada, parte do “Staff Credits” do Twilight Princess é utilizado para o encerramento do segmento. Atrasado, mas com substância.

Grato ao Thales Nunes Moreira pela consultoria Zeldística no reconhecimento das faixas.

“The Legend of Zelda 25th Anniversary Medley”

“Title Theme” (The Legend of Zelda: Ocarina of Time) ~ “Overworld” (The Legend of Zelda) ~ “Midna’s Theme” (The Legend of Zelda: Twilight Princess) ~ “Princess Zelda’s Rescue” (The Legend of Zelda: A Link to the Past) ~ “Dragon Island” (The Legend of Zelda: The Wind Waker) ~ “Hyrule Field Main Theme” ~ “Staff Credits” (The Legend of Zelda: Twilight Princess)

“Game Medley” – Zelda, Tetris, Street Fighter II, Sonic e Mario (Game Music Brasil)

Por Alexei Barros

E então… Game Music Brasil. Durante o festival de músicas de jogos realizado 8 de abril, um dia antes do Video Games Live no Rio de Janeiro, foi apresentado um medley preparado especialmente para o evento. O autor do arranjo é o Lucas Lima, músico integrante da Família Lima que tem relação com videogames: além de jogador, chegou a compor as trilhas dos títulos para computador Winemaker Extraordinaire e Avalon desenvolvidos pelo estúdio nacional Overplay.

Como a performance foi da Orquestra Simphonica Villa Lobos, que executou toda a turnê brasileira do VGL em 2011, com imagens sincronizadas de jogos no telão, a miscelânea regida pelo Lucas Lima meio que serviu para mostrar, grosso modo, como seria um Video Games Live totalmente feito no Brasil, a não ser, claro, pela origem japonesa (e russa) dos jogos homenageados.

O problema é que… há muitos problemas. Por favor, sem indulgências ufanistas. Para começo de conversa, é aleatório a peça ter simplesmente o tema “videogame” ou “jogos que todo mundo conhece” ou ainda “jogos preferidos do Lucas Lima”. Repare que em todos os medleys que publiquei, amadores, pró-amadores ou profissionais, sempre teve um elemento comum: gênero, série, produtora, plataforma, compositor, mesmo que o número não apresente uma coerência e seja uma mera sucessão de melodias. Qual o sentido em juntar Mario e Sonic? Tetris e Street Fighter II? Já que foram somente cinco séries escolhidas (as quatro mencionadas e Zelda), preferiria pequenos segmentos para cada uma, em vez de um gigante, de 18 minutos.

Na maioria das mudanças de música, não há transições e sim vazios entre uma faixa e outra. Para mim, isso só é tolerável quando há o intento de recriar a experiência de jogo, afinal de contas a composição de fundo muda abruptamente de um cenário para outro em um Mario da vida.

Prova disso é abrir com “Overworld” de Zelda e pular para a “Type A” do Tetris logo na abertura. A parte que vem na sequência, do Street Fighter II, até que ficou interessante, porque “Title” e “Player Select” (bacanas as linhas graves nos violoncelos), que considero essenciais, não estão no “Street Fighter II Medley” do VGL, além da “Here Comes a New Challenger” e “Chun-Li Stage”. A lembrança de músicas não arranjadas anteriormente também salvou a seção seguinte, do Sonic: não há a “Special Stage” (bela nas cordas e flautas) na obra-prima “Sonic the Hedgehog: Staff Credits” do Richard Jacques. Só que a vinheta “Sega” instrumental perdeu toda a graça sem coral. O sentimento de novidade, apesar de tantos títulos famosos, repete-se com a fatia Mario, pela alusão ao vilipendiado Super Mario Bros. 2. De resto, nada de mais, com tantas interpretações melhores por aí, e o mesmo vale para as seleções do Ocarina of Time que fecharam o extenso medley.

A proximidade da organização do VGL fez com que o GMB importasse um dos pontos negativos (do meu ponto de vista) do afamado show-concerto: a gritaria. De novo, os berros de êxtase nostálgico são exagerados, mais pelo telão do que propriamente pelas lembranças das faixas. Como temia, o VGL deixou o público mal acostumado para apresentações com orquestra, nas quais se deve primeiro ouvir para depois urrar e aplaudir, não tudo simultaneamente, gerando uma salada de sons indecifráveis.

Em contrapartida, a execução abdicou do detestável subterfúgio do VGL: o playback, o que escancarou algumas deficiências:  a falta de sincronia (aqui, momento em que os violinos embolaram legal; ou aqui, instante em que o xilofone se perdeu) e desafinação (atente para os violinos) em alguns momentos. Estranhamente, a Villa Lobos, que, segundo o release do VGL, possui 43 integrantes, parecia estar representada por ainda menos gente pelo que se nota nos vídeos e nas fotos. Inclusive é possível ver uma violinista se assentar quando a performance já havia começado (repare na esquerda do palco). Mais autêntico que o VGL, mas carente de muito polimento.

- “Game Medley”

“Overworld” (The Legend of Zelda) ~ “Type A” (Tetris) ~ “Title” ~ “Player Select” ~ “Ryu Stage” ~ “Chun-Li Stage” ~ “Here Comes a New Challenger” ~ “Guile Stage” (Street Fighter II) ~ “Title” ~ “Green Hill Zone” ~ “1UP” ~ “Green Hill Zone” ~ “Stage Clear” ~ “Special Stage” ~“Green Hill Zone”“Boss” (Sonic the Hedgehog) ~ “Overworld” ~ “Underwater” (Super Mario Bros.) ~ “Overworld” ~ “Invincible” (Super Mario Bros. 2) ~ “Overworld” ~ “Underworld” (Super Mario Bros. 3) ~ “Overworld” (Super Mario World) ~ “World Clear” (Super Mario Bros.) ~ “Hyrule Field Main Theme” ~ “Zelda’s Theme” ~ “Great Fairy’s Fountain” (The Legend of Zelda: Ocarina of Time) ~ “Overworld” (The Legend of Zelda)

The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony: Kousuke Yamashita está envolvido nos arranjos

Por Alexei Barros

Como a divulgação do The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony está fragmentada, demorei um tanto para comentar todas as novidades confirmadas até o momento. O problema é que eu esperei demais para fazer o post…

Mas, enfim, digo o que foi dito de novo em relação à nota anterior:

- Além das apresentações em Tóquio (10/10) e Los Angeles (21/10), foi apregoado um concerto em Londres para o dia 25 de outubro no HMV Hammersmith Apollo. Ao que tudo indica, o programa inglês será similar ao americano. Interessante que, de uma hora para a outra, a Inglaterra passou de um país morto para espetáculos de games a muito ativo: 5 de novembro o Distant Worlds fará uma visita à mesma cidade.

- No site japonês, Mahito Yokota confirmou a presença de dois segmentos. A memorável “Gerudo Valley” de The Legend of Zelda: Ocarina of Time é uma boa escolha, porque, por incrível que pareça, a faixa jamais foi tocada em um concerto, e representa um desafio para orquestração satisfatória. Só chegou a ser arranjada por Ryuichi Katsumata para cordas no álbum The Legend of Zelda: Ocarina of Time Hyrule Symphony. O outro é um medley de temas de batalhas contra chefe, sendo que as faixas selecionadas foram mantidas em segredo. A única iniciativa similar é o ato IV. Battlefield do “The Legend of Zelda (Symphonic Poem)” do Symphonic Legends, o qual foi estendido em quatro minutos para o LEGENDS.

- De acordo com Yokota, a performance em Tóquio terá uma orquestra de 100 instrumentistas e um coral de 50 vozes, marca que, se não me falha a memória, não tem precedentes em concertos de games japoneses.

- E a novidade que mais me deixou empolgado é a informação da capa da partitura da sessão de gravações dos dias 23 e 24 de agosto em Seattle (imagino que para o prometido álbum) compartilhada pelo produtor Jason Michael Paul no Twitter: a participação de Kousuke Yamashita em três arranjos, complementando o trabalho de Chad Seiter. Para o Press Start, Yamashita fez a orquestração da “Metal Gear Solid 2 Main Theme” (2006) e os arranjos “Ys – Ys II” (2006 e 2008) e “Suikoden” (2009), este baseado na partitura da “Into a World of Illusions” do álbum Genso Suikoden Music Collection Produced by Kentaro Haneda. Isso entre os arranjos creditados, porque ainda não consegui descobrir todos. Ultimamente, pude comprovar a genialidade dele como compositor em diferentes mídias, como a assombrosa “The Awakening of Time” do Nobunaga’s Ambition Tendou (PC, Xbox 360 e PlayStation 3), a fantástica “Battle in Digital World” do anime Digimon Xros Wars ou a memorável “Embracing Hope” do filme Kurosagi. Não sei como a JMP Productions chegou ao nome dele, tampouco se os três arranjos farão parte da apresentação japonesa.

- Os mais atentos vão reparar também que a capa da partitura da foto credita apenas a composição ao Koji Kondo. Eu não desistiria tão cedo de ouvir músicas de outros compositores, como o Toru Minegishi, já que acontece com frequência em concertos de apenas o Kondo estar creditado, mesmo que outros tenham se envolvido na composição. Como, por exemplo, o “Encore (Currendo, Saltando, Ludendo)” no site do LEGENDS que resume faixas de diferentes autorais ao Koji Kondo.

[via GoNintendo]

LEGENDS: as 100.000 notas lendárias de Zelda

Por Alexei Barros

Antes do Symphonic Fantasies, eram raros segmentos de dez minutos em concertos de games. As suítes de 18 minutos de duração pavimentaram o caminho para que o produtor Thomas Boecker e o arranjador Jonne Valtonen idealizassem algo ainda mais ambicioso, um poema sinfônico de Zelda que contava uma história por meio dos 36 minutos de música no Symphonic Legends. História esta que vai ser contada de novo no LEGENDS.

“O Poema Sinfônico conta a lenda de Zelda por uma sinfonia em cinco atos. É uma história de como Link, a jovem princesa cresce, eles se encontram e aceitam o destino para finalmente confrontar o pior inimigo”, diz Valtonen. “Com esta peça eu quis inspirar o ouvinte para encontrar a sua própria história. A melhor coisa sobre a música é quanto menos se explica mais pessoal e única é a experiência”.

Após discutir com Boecker os objetivos e discutirem a seleção de faixas, Valtonen levou mais de seis meses para concluir o trabalho, alcançando uma marca incrível. “Um total de 100.000 notas foram escritas na partitura, e eu trabalhei cuidadosamente em cada uma delas. Todos conhecemos a música original e, com o meu arranjo, eu tento expandir o universo de The Legend of Zelda. Eu quis criar novos lugares e situações que não existiam  antes.  E acima de tudo eu quis descobrir lugares onde eu nunca estive antes – talvez lugares que você já tenha visitado”, comenta.

Pensa que acabou aí?  O Poema Sinfônico foi totalmente revisado para o LEGENDS e, como se não bastasse tamanho perfeccionismo, o quarto ato, “IV. Battlefield”, ganhou em torno de dois a quatro minutos adicionais em relação ao que foi apresentado em Colônia. Outra diferença é que desta vez Rony Barrak não participará da performance.

Não deixe de ler a entrevista do SEMO feita em outubro de 2010 com Thomas Boecker e Jonne Valtonen sobre o processo de confecção do Poema Sinfônico. Depois do Hadouken, publico de novo a gravação do número.

[via Facebook]

Concerto germânico terá arranjos inéditos de Zelda e Super Mario Galaxy

Por Alexei Barros

E não para! Apenas pelas recentes apresentações da WDR Radio Orchestra a Alemanha tem uma quantidade generosa de concertos de games – ombreando com a Suécia e atrás do Japão –, agora então a conta só aumenta.

Dia 7 de junho a Bayer Philharmoniker (daquela mesma Bayer dos analgésicos e do time Bayer Leverkusen) tocará no Bayer Kulturhaus uma récita centrada na game music japonesa, especificamente Square Enix e Nintendo. Três números da série Kingdom Hearts serão executados, aqueles mesmos arranjos da Natsumi Kameoka do álbum drammatica e do Sinfonia Drammatica e mais quatro partituras do Shiro Hamaguchi de faixas conhecidas de Final Fantasy – ainda assim, destas somente a “One-Winged Angel” foi tocada anteriormente em solo alemão no Fourth Symphonic Game Music Concert (2006).

A melhor parte é a da Big N: quatro segmentos de Zelda e três de Mario inéditos preparados pelo talentoso Roger Wanamo, o autor das suítes “Super Mario Bros. (Retro Suite)” e “Super Mario Galaxy (Galactic Suite)” do Symphonic Legends. Desde já conclamo pela boa vontade do público em compartilhar essas maravilhas no YouTube. A icônica “Kakariko Village” sempre achei uma tremenda injustiça ser tão pouco lembrada… e o que dizer da “The Legend of Zelda – A Link to the Past Suite”? Imagina se tiver a “Dark Mountain Forest”?

Abaixo o set list completo, sendo que os arranjos novos estão com as músicas originais, evidentemente.

Kingdom Hearts
“Destati” (Kingdom Hearts)
“The Other Promise” (Kingdom Hearts II)
“The 13th Anthology” (Kingdom Hearts I, II e Chain of Memories)

The Legend of Zelda
“Death Mountain”
“Hyrule Field”
“Kakariko Village”
– “The Legend of Zelda – A Link to the Past Suite”

Super Mario Galaxy
– “Luma & The Star Festival
“Rosalina in the Observatory”
– “Egg Planet & Wind Garden

Final Fantasy
“Zanarkand” (Final Fantasy X)
“Don’t be Afraid”  (Final Fantasy VIII)
“Theme of Love” (Final Fantasy IV)
“One-Winged Angel” (Final Fantasy VII)

[via Bayer Kultur]

Nintendo Game Music Live: os incríveis shows com uma talentosa banda nintendista

Por Alexei Barros

O evento Nintendo World 2011 aconteceu nos dias 8, 9 e 10 de janeiro e só falo dele agora. Por que a demora? Porque custei a acreditar que, por um milagre da natureza, acontecessem apresentações de game music da Nintendo e, mais inacreditável, que fossem gravada oficialmente por diversas câmeras para futuras apreciações no site sabe se lá até quando. A desculpa é esfarrapadíssima, eu sei. Enfim o post.

Enquanto Sega, Taito, Capcom, Konami e outras produtoras foram representadas na saudosa série Game Music Festival com bandas que marcaram época, a Nintendo jamais possuiu um grupo similar. A trinca de álbuns Nintendo Sound Selection e Touch! Generations Sound Track trazem a performance de alguns compositores da casa em versões arranjadas, mas, até onde é de meu conhecimento, nunca saiu do estúdio.

Para surpresa total, uma banda no Nintendo Game Music Live tocou nos três dias. Afora as participações especiais dos compositores, todos os instrumentistas são convidados. Músicos profissionais que participaram de diversas gravações de trilhas de jogos e animes como o VGMdb me deixou saber.  Nesse sentido, me vem à mente instantaneamente a Shinsekai Gakkyoku Zatsugidan Special Band que se apresentou no Game Music Festival ’94 e teve uma seleção de faixas registrada no Neo•Geo Super Live! 1994. Sem compositores da SNK, todos convidados.

Os escolhidos para a banda não são tão conhecidos, mas a performance mostra uma intimidade com os instrumentos que, imagino, talvez os músicos da Nintendo não teriam.

São esses:

Teclado: Yasutaka Mizushima
Guitarra: Kazuya Takayama
Bateria: Atsuo Okubo
Baixo: Tooru Hebiishi
Sax & Flauta: Yoshinari Takegami
Trombone: Eijiro Nakagawa

O que mais me agradou foi a levada jazz fusion que permeia todos os arranjos preparados especialmente para o show pelo Yasutaka Mizushima, o tecladista, trazendo boas memórias de álbuns antigos da discografia da Nintendo, como o esplendoroso F-Zero ou o emblemático Super Mario World. A maioria deverá sentir falta de guitarronas pesadas e batidas aceleradas. Por isso, vale o aviso: nada de chifrinhos metaleiros aqui.

Foram quatro apresentações apresentadas pela Yumi Takanashi nos três dias, variando na ordem das músicas e participações especiais. Mahito Yokota, o principal compositor de Super Mario Galaxy e Super Mario Galaxy 2 fez o segundo teclado no medley de Zelda no dia 8 de janeiro; Kazumi Totaka, dublador do Yoshi e autor de trilhas como Wave Race 64 e Wii Sports, tocou vibrafone no medley de Animal Crossing nos dois shows do dia 9; e, finalmente, Koji Kondo, você sabe muito bem quem, acompanhou a banda no teclado durante o medley do Mario e ainda apresentou, como número exclusivo do dia 10, um solo de piano com seleções da série (diferentes do medley do VGL 2009 em Tóquio).

Dá gosto de ver Donkey Kong voltar à ativa de outros tempos, graças ao Donkey Kong Country Returns. Ainda mais com a música “DK Island Swing”, herança da Rare e do David Wise, com forte participação do trombone e intervenções de guitarra e sax. Mario teve uma seleção bem básica, presa aos hits do jogo original. Pelo menos foram apresentados de uma forma diferente da que estamos acostumados. Claro que a “Overworld” é tocada com ênfase de música latina, mas a “Underworld” ganhou um novo sentido por conta dos solos alternados de sax à la Shinsekai e trombone. O saxofone mais uma vez brilha na “Overworld” do Zelda, o que mostra como a composição é incrivelmente versátil: nunca havia escutado uma rendição convincente do tema nesse estilo. “Gerudo Valley” ficou meio Rainha da Sucata no início, porém logo vêm solos de guitarra e trombone alucinantes. Mas o meu preferido de todos é o Animal Crossing, talvez pela surpresa (não conhecia nenhuma das faixas), talvez porque as composições do Totaka já pendem para o fusion. Depois da “Title” (Animal Crossing: Wild World) ser magnificamente entoada pelo sax, a banda emenda três músicas do cachorro cantor K.K. Slider (personagem baseado no Totaka): “K.K. Funk” com geniais metais jazzísticos, “K.K. Bossa”, com a flauta de Yoshinari Takegami fazendo a vez do assobio da original, e a “K.K. Samba”, com o trombone como estrela principal.

No mais, que esses shows não sejam acontecimentos isolados e venham muitos outros nos próximos anos.

Depois do Hadouken, os set lists detalhados de cada dia, com os tempos em que as músicas são tocadas. Clicando no fake player você será redirecionado para o player do site da Nintendo.

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Symphonic Legends: o melhor presente de aniversário para uma produtora lendária


Por Alexei Barros

A Nintendo é paradoxal. Ao mesmo tempo em que a abrangência se manifesta ao atingir novos horizontes nesta geração com o Nintendo Wii, a restrição com as músicas é imensa. Por conta da baixa vendagem dos álbuns nos últimos anos, os lançamentos das trilhas originais são escassos e das arranjadas inexistentes. Quando ocorrem, visam a promover o jogo, não as composições, como os CDs promocionais da Club Nintendo. Se um concerto obtém a licença para executar faixas de direitos autorais da produtora e cria novos arranjos, a performance não pode acontecer sem prévia aprovação das partituras. Tal cuidado se justifica pela supremacia das franquias da Nintendo, é claro, e pelo que as trilhas representam no imaginário gamer, com melodias incrustadas na memória graças ao vasto repertório musical criado por muitos compositores geniais em quase 30 anos.

A Nintendo foi introduzida aos concertos na série Orchestral Game Concert (1991-1995), citada tantas vezes por aqui não por acaso, porque exerce influência até hoje. Os tempos eram outros, e as cinco apresentações foram publicadas em CD. Depois disso, arranjos inéditos surgiram com maior visibilidade nas séries Symphonic Game Music Concert (2003-2007) e Press Start (de 2006 em diante), a primeira sem álbuns oficias e a outra sem nada da Nintendo no primeiro disco, Press Start The 5th Anniversary. Fora esses, alguns casos raros no Games in Concert e PLAY! A Video Game Symphony. A única iniciativa recente que gerou um álbum foi o Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert (2002), concerto com músicas orquestradas do Super Smash Bros. Melee, ou seja, com muitas franquias da produtora.

Toda esta introdução para dizer que: sendo a Nintendo tão restrita e as músicas tão raras em apresentações, parece uma lenda que uma récita caprichada como o Symphonic Legends – music from Nintendo tenha ficado à livre apreciação no dia 23 de setembro de 2010, data em que a produtora completou 121 anos de fundação. E que presente de aniversário!

Ainda sem nome e nem temática, o concerto foi anunciado previamente em 24 de setembro de 2009 para exatamente um ano depois, graças à excelente recepção do Symphonic Fantasies. A data foi antecipada para o dia 23 de setembro, e o nome revelado: Symphonic Legends. Em março deste ano ocorreu a confirmação de que a Nintendo seria a homenageada. Detalhe: antes que as pessoas soubessem disso, 90% dos ingressos estavam esgotados. Posteriormente, foi comunicado que o formato seria uma mescla das inovações implementadas pelos concertos antecessores, trazendo arranjadores convidados de primeiríssimo nível, para mais tarde sabermos que jogo cada um foi incumbido.

Dois japoneses, dois alemães, dois finlandeses. Compositor de trilhas de animes como One Piece e Ah! My Goddess, Shiro Hamaguchi é conhecido nos videogames pelos principais arranjos de Final Fantasy nos concertos recentes da série. Hayato Matsuo, um dos discípulos de Koichi Sugiyama e compositor de Ogre Battle, orquestrou os temas de abertura e encerramento de Final Fantasy XII, entre outros arranjos, como do Shenmue Orchestra Version. Ambos do estúdio Imagine, recentemente participaram do Monster Hunter 5th Anniversary Orchestra Concert e do A Night in Fantasia 2009.

Nascido em Munique, Masashi Hamauzu, compositor de jogos como Unlimited SaGa, Sigma Harmonics e Final Fantasy XIII, foi a maior surpresa entre os convidados, já que é raro vê-lo arranjar músicas que não são de autoria dele, e quando aconteceram foram para solos de piano, não orquestrados. Também da Alemanha, mas da cidade de Dresden, Torsten Rasch é um compositor de música erudita contemporânea que morou 15 anos no Japão criando trilhas de filmes. No mundo dos games, fez um arranjo para o obscuro álbum Psychic Detective Series – The Best (1991) e mais recentemente a releitura para piano da “A Place to Call Home” do Benyamin Nuss Plays Uematsu.

Da Finlândia, Jonne Valtonen, o principal arranjador do Symphonic Shades e Symphonic Fantasies, desta vez dedicou-se exclusivamente ao poema sinfônico de Zelda. Por último, o conterrâneo Roger Wanamo, o mais jovem dos seis, tendo nascido em 1981, que foi quem mais me impressionou. Sua inventividade pôde ser mostrada já na “Fantasy III: Chrono Trigger/Chrono Cross”, em que foi coarranjador, com o uso constante de polifonias, transições fluidas e minúcias que exigem muita atenção para serem percebidas. Desta vez, Wanamo se superou com os dois segmentos de Mario, o que não é pouca coisa pelas composições serem do Koji Kondo, e pelo Encore, que é um emaranhado de faixas de diversos jogos da Nintendo.

Arranjadores de grande envergadura pedem por intérpretes igualmente competentes. O maestro sueco Niklas Willén conduziu mais de 125 pessoas: cerca de 80 integrantes da WDR Radio Orchestra, e mais 45 do coral State Choir Latvija. Como de praxe, Benyamin Nuss no piano e Rony Barrak na percussão foram os instrumentistas-solo. Diferentemente dos anos anteriores, não houve convidados japoneses para autógrafos, não que isso faça muita diferença para quem não esteve no Cologne Philharmonic Hall.

A ideia do produtor Thomas Boecker era apresentar as músicas da Nintendo com arranjos criativos. Para tal, foi dada total liberdade aos arranjadores. “É interessante ver como eles usaram essa liberdade. Porque há um momento em que é melhor trabalhar de maneira fiel à música original, e há um momento em que você pode introduzir diversas ideias próprias”, afirmou ao SEMO. Sou favorável à iniciativa de arranjos orquestrados que tragam uma nova ideia, desde que as músicas ainda possam ser reconhecidas. E isso aconteceu? É o que veremos adiante.

Antes de comentar individualmente segmento, vale destacar a escolha de jogos do repertório. Levando em conta que o Press Start é o único na atualidade a tocar arranjos novos da Nintendo, o programa do Symphonic Legends é uma benção pelas novidades, visto que Star Fox, F-Zero, Pikmin, Donkey Kong e Metroid jamais foram executados na série japonesa (Star Fox não em um segmento exclusivo). Há quem tenha sentido falta de outras franquias, como Fire Emblem, Mother, Kirby e Pokémon. Além de serem necessárias mais algumas horas de apresentação para poder incluir tudo, nem todas são populares na Europa, leve isso em conta. Dentre as ausências, só lamentei que Hirokazu Tanaka não fora representado pela importância que tem na história musical da Nintendo, ainda que a maioria dos jogos 8-bits seja difícil de imaginar com um número próprio.

Infelizmente, o streaming de vídeo não funcionou na hora do concerto conforme prometido anteriormente, e acabou restrito aos residentes na Alemanha. Mas todo o espetáculo pôde ser conferido de qualquer parte do mundo pelo rádio ao vivo, o que me trouxe boas lembranças do Symphonic Shades em 2008. Poucas horas depois sete dos dez segmentos podiam (e ainda podem) ser vistos no YouTube.

Depois do Hadouken muito mais sobre o Symphonic Legends, com links para os vídeos do YouTube e do Goear (a referência para quando mencionar a numeração de trechos específicos). Sobre o poema sinfônico do Zelda, ficarei devendo as faixas originais detalhadas (algumas foram citadas no texto), já que há muitos temas sobrepostos e variações, o que dificultou a listagem precisa.
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