Textos categorizados 'Koji Kondo'

Press Start 2012 anunciado; supremacia portátil na primeira meia-dúzia de seleções

Por Alexei Barros

Vem ano, passa ano e chega essa época temos o quê? Anúncio de uma nova edição da série japonesa de concertos Press Start. Em 2012, isso aconteceu mais de um mês atrás, mas venho reparar essa falta. Para não ficar um post muito grande com todos os números do programa anunciados até agora, vou respeitar a ordem de atualizações em posts avulsos.

Como em 2011, serão três apresentações. As duas primeiras vão ocorrer em Tóquio no Bunkamura Orchard Hall dia 23 de setembro, às 14h00 e 18h30 locais, ambas com Taizo Takemoto na regência da Tokyo Philharmonic Orchestra. A última vai ser bem depois, dia 10 de novembro, em Nagoya, no Chukyo University Civic Center Cultural Hall. Takemoto voltará à condução, regendo a Nagoya Philharmonic Orchestra.

Como sempre há jogos japoneses recentes no programa, e a primeira rodada de atualizações serve quase como um parâmetro de tendências da indústria nipônica de games: quatro dos seis selecionados são de títulos para portáteis.

- “Save the Princess Famicom Medley”

Diria que a equipe organizadora do Press Start já foi mais criativa nas temáticas dos medleys – gostava especialmente dos que agrupavam jogos por gêneros ou produtoras. Neste segmento, a intenção é reunir músicas de jogos do Famicom que tenham o mote de salvar a princesa. Seria leviano dizer que são todos daquela saudosa geração dos 8-bit ou a maioria, mas, sem forçar a memória, dá para lembrar uma infinidade. Entre os títulos, temos “surpresas”, como Super Mario Bros. e The Legend of Zelda. Sinceramente, consegui compreender pouca coisa aproveitável do texto de revelação do Kazushige Nojima. A única informação, talvez não tão interessante assim, é que alguns desses jogos são conversões de arcades da época.

- Kid Icarus: Uprising: “Chapter 12: Wrath of the Reset Bomb”

Kid Icarus, o original de NES, foi tocado no bis em 2011, uma lembrança em virtude da iminência do lançamento de Kid Icarus: Uprising. O jogo do Nintendo 3DS veio, tirou 40/40 na Famitsu, a desenvolvedora Project Sora acabou e a trilha sonora é formidável. Não poderia ser diferente, considerando os envolvidos. Só a nata: Noriyuki Iwadare, Motoi Sakuraba, Masafumi Takada, Yasunori Mitsuda e Yuzo Koshiro. Dentre tantas músicas magistrais, a escolhida é assinada por este último, o Koshirão para os mais íntimos. A “Chapter 12: Wrath of the Reset Bomb” já é orquestrada por natureza e valerá a experiência para quem estiver lá in loco mesmo. Pelo pouco que entendi no texto do Masahiro Sakurai, a mente por trás do Uprising, ele enalteceu o fato de que a música muda de pegada ao longo das viagens aéreas. Para representar isso, a faixa selecionada não poderia ser melhor, porque parece que são umas cinco músicas em uma tamanha a variação de motivos na mesma peça. Confesso que, das que me recordo, a “Chapter 15: Mysterious Invaders”, também do Koshiro, foi a que mais me impressionou, mas poderia perder graça ao vivo sem os efeitos eletrônicos.

- Gravity Rush

Conhecido por Gravity Daze no Japão, o jogo do PS Vita acabou empolgando tanto o Shogo Sakai que ele quase se esqueceu de falar da trilha sonora no texto do anúncio. Como nenhuma música foi citada especificamente, tudo leva a crer que será um medley. O autor, Kouhei Tanaka, é pródigo em fazer faixas que misturam orquestra e banda não só em jogos (as trilhas da série Alundra são dele), como também em animes e tokusatsus. Inclusive ele é o compositor do Flashman, e a espetacular “Star Condor, Take off!!” mostra bem isso o que comentei da mescla de instrumentos. O número do Gravity Daze promete. Faixas boas não faltam: a faixa-título “Gravity Daze” (bela virada com a entrada da bateria), “Clearly Dangerous” (guitarras em destaque… e o que é aquele saxofone rouco?), “Trump Card” (a pompa, a glória), entre outras. O jogo inclusive já foi tocado no Video Games Unplugged: Symphony of Legends.

- God Eater: “God and Man Vocal Ver.”

Curioso esse jogo só aparecer agora, sendo que, no Japão, foi lançado em 2010. Apesar de não considerar a obra-prima do talentoso compositor Go Shiina, é uma boa escolha. Embora eu ache que seleção melhor, depois do Tales of Legendia, seria o Mr. Driller Drill Land. Mas uma coisa de cada vez. A canção escolhida é a maravilhosa “God and Man Vocal Ver.”, interpretada pela australiana Donna Burke, que havia cantado a “Heaven’s Divide” (MGS: Peace Walker) no Press Start 2010. De acordo com Masahiro Sakurai, a música foi usada em comerciais e até foi nomeada na categoria “Melhor canção original de videogame” no Music Award Hollywood 2010. Isso pode ser considerado uma façanha para uma composição japonesa, visto que esse tipo de premiação ocidental ignora o oriente, como se, atualmente, apenas compositores americanos e europeus fossem bons.

- The Legend of Zelda: Skyward Sword: “Skyward Sword Main Theme”

De novo Zelda, mas, pela primeira vez, Skyward Sword. Ainda na onda dos 25 anos da série comemorados no The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony, o Press Start 2012 vai mostrar a “Skyward Sword Main Theme” (aquela do trailer, da Zelda’s Lullaby ao contrário), executada como bis no concerto comemorativo. O maestro Taizo Takemoto, que assinou a revelação, foi quem regeu inclusive a apresentação no Japão da turnê. Muito legal isso tudo, só não entendo por quê, falando da Nintendo, a resistência às músicas de Metroid e Donkey Kong.

- Nora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo

Assim como o Super Nintendo, o DS possui uma safra gigante de J-RPGs nunca lançados no ocidente, o que também ajuda a criar a sensação nesta geração de que há uma escassez desse gênero que foi tão prolífico no PlayStation. Lançado em 2011, Noora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo é um RPG da Atlus o qual nunca tinha ouvido falar antes do Press Start 2012, mesmo constatando que a trilha sonora é criada pela Michiko Naruke, a compositora principal da série Wild Arms. As faixas têm estilo celta e, sabendo você que não me embeveço tanto com esse tipo de música (claro, sempre há exceções), ouvi a OST inteira, mas não arriscaria apontar uma que se destaque. Tá bom, uma vai: “Everyday Lifestyle”. Pela paz e serenidade, fica no ar um clima bem pastoral, do campo. Uma novidade? Não entendi o que o Shogo Sakai disse no site. De todo modo, foi uma boa seleção para dar variedade ao programa.

[via PRESS START]

“Great Fairy’s Fountain Theme” (The Legend of Zelda: A Link to the Past – The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony)

Por Alexei Barros

A Nintendo liberou mais um vídeo da gravação do CD The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony na Bastyr Chapel, em Kenmore, Washington. Assim como a “The Legend of Zelda Main Theme Medley”, o arranjo da “Great Fairy’s Fountain Theme” é do Kousuke Yamashita. E não é nenhuma surpresa a competência das releituras orquestradas dele para quem já ouviu alguma das composições geniais do talentoso japonês.

Eu queria entender por que a “Select Screen” (como é originalmente intitulada) do The Legend of Zelda: A Link to the Past pôde ficar tanto tempo sem um arranjo oficial. E não falo isso pela primeira vez, uma vez que a faixa foi adicionada para o bis do concerto na Suécia LEGENDS na versão que ficou conhecida como “Healing”, em mais um belo trabalho do finlandês Jonne Valtonen. Nem vou me arriscar a comparar como não há gravação oficial dessa.

Só sei que o arranjo do Yamashita ficou esplêndido, simplesmente arrepiante. Como o timbre da sintetizada sugere, a harpa reproduz a singela melodia. O detalhe é que são duas, criando um efeito mágico. A flauta pede licença, alternando com o oboé. Parece impossível, mas a música fica melhor na entrada do coral e das cordas. A dupla de harpas volta a se destacar, terminando com as cordas.

Não precisa de mais nada.

Skyward Sword inclui CD promocional baseado na turnê de Zelda; primeira apresentação de 2012 confirmada nos EUA


Por Alexei Barros

É tanto Zelda, tanta bruxa… bom, houve o tempo em que foi tanto Final Fantasy. Para você não se perder com a enxurrada de informações, separarei em tópicos:

- The Legend of Zelda: Skyward Sword, o jogo tido por muitos como o responsável pelas pessoas ainda não se desfazerem do Wii (não é o meu caso; tanta coisa para jogar de GameCube ainda… =(), será lançado nos EUA dia 20 de novembro. Alguns veículos brasileiros, como o UOL Jogos, já receberam o jogo, confirmando que o bundle da edição limitada inclui um Wii Remote Plus dourado e o disco promocional The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony – Orchestra Concert Special CD. Também existe uma versão normal que inclui o CD, mas não vem com o controller.

- O álbum é baseado no programa da turnê que já passeou por Tóquio, Los Angeles e Londres com oito das 16 faixas do set list – ou seja, apenas uma seleção de segmentos do repertório. A vantagem do disco, considerando os gritos que aconteciam durante a execução das músicas nos espetáculos ocidentais, é ter sido gravado em estúdio, ou melhor, na Bastyr Chapel, em Kenmore, Washington nos dias 23 e 24 de agosto (como comprova aquela foto).

- A Nintendo inclusive liberou um vídeo da gravação do “The Legend of Zelda Main Theme Medley”, que corresponde ao 14º número do set list da turnê, com “Title” e “Overworld” do primeiro Zelda e “Title” (estranhamente não mencionada no encarte) e “Overworld” do A Link to the Past. A regência é da maestrina Eímear Noone, a mesma das apresentações em Los Angeles e Londres. Se os créditos naquela foto não estiverem errados, o arranjo é do Kousuke Yamashita.

- Em 2012, a The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony continuará, mas rebatizada de The Legend of Zelda: Symphony of the Goddesses, excursão por enquanto restrita aos EUA. A primeira apresentação foi confirmada para 10 de janeiro, em Dallas, com a Dallas Symphony Orchestra sob a batuta da Eímear Noone. A maior novidade será a inclusão dos dois movimentos para se somarem às duas já mostradas, do The Wind Waker e do Twilight Princess. Só não precisava o site da Dallas Symphony Orchestra dizer que “The Legend of Zelda: Symphony of the Goddesses será o primeiro concerto de games a apresentar uma sinfonia completa de quatro movimentos”. E o Symphonic Fantasies?

Agradecido ao Felipe Carettoni pelas informações do CD e ao Thales Nunes Moreira pela dica do vídeo.

“The Legend of Zelda 25th Anniversary Medley” – série The Legend of Zelda (VGL 2011 no Rio de Janeiro)

Por Alexei Barros

Há muitos anos achava que o segmento de Zelda do Video Games Live – baseado no arranjo do Orchestral Game Concert 1 referente ao A Link to the Past –, deveria dar lugar a um número que fizesse por merecer toda a série e não reduzisse tudo a uma única faixa, mesmo que a mais famosa. Coube ao Rio de Janeiro, cidade que iniciou a excursão brasileira de 2011, receber a estreia mundial do novo arranjo da série elaborado pela Laura Intravia, que já havia apresentado um número cômico tocando flauta em 2009. A indumentária de Link e o instrumento se mantêm, mas se trata de uma iniciativa mais séria, por assim dizer. Honestíssima, devo adiantar.

O problema é o debute acontecer só agora, em 2011, quando já foram feitos os medleys orquestrados “The Legend of Zelda Medley 2006″ no Press Start 2006 (e reprisado em 2007), dois no Play! A Video Game Symphony (o primeiro do Jonne Valtonen baseado no The Legend of Zelda: Ocarina of Time Hyrule Symphony e o outro do Chad Seiter), um Poema Sinfônico no Symphonic Legends/LEGENDS e, para completar, uma turnê só de Zelda. Não tem muito o que se surpreender a essa altura do campeonato.

Para mim, todas as transições ficaram decentes – para você ver que eu não reclamo por reclamar. A icônica “Title Theme” do Ocarina of Time é uma escolha excelente para o solo de flauta, afinal a composição original procurava simular a impressão de que uma ocarina estava sendo tocada no meio da floresta. Utilizando a melodia do despertar do dia do Ocarina é feita a emenda para o tema principal, trecho em que Intravia não toca, mas o público sempre faz questão de cantarolar. Numa variação o clima fica mais carregado, viajando para a tristeza de “Midna’s Theme”, seguida pela popular “Princess Zelda’s Rescue”, ambas com a decisiva participação da flauta. The Wind Waker é lembrado com a “Dragon Island” e Twilight Princess com a “Hyrule Field Main Theme”, que enfim recebeu a orquestração que merece, não aquela versão em MIDI. De maneira muito apropriada, parte do “Staff Credits” do Twilight Princess é utilizado para o encerramento do segmento. Atrasado, mas com substância.

Grato ao Thales Nunes Moreira pela consultoria Zeldística no reconhecimento das faixas.

“The Legend of Zelda 25th Anniversary Medley”

“Title Theme” (The Legend of Zelda: Ocarina of Time) ~ “Overworld” (The Legend of Zelda) ~ “Midna’s Theme” (The Legend of Zelda: Twilight Princess) ~ “Princess Zelda’s Rescue” (The Legend of Zelda: A Link to the Past) ~ “Dragon Island” (The Legend of Zelda: The Wind Waker) ~ “Hyrule Field Main Theme” ~ “Staff Credits” (The Legend of Zelda: Twilight Princess)

“Super Mario Medley” – Super Mario Bros. e Super Mario World (Video Game Music)

Por Alexei Barros

É, alguma coisa está muito errada. Ao ver os vídeos do Video Game Music, concerto ocorrido nos dias 13 e 14 de outubro em Limeira, sinto que deveria ter viajado 148 quilômetros daqui da capital de São Paulo até a cidade do interior no final de semana passado. Diferentemente de certas turnês, este espetáculo não usa playback, não tem gritos ensandecidos da plateia e possui uma orquestra de tamanho condizente com as partituras executadas, de pouco mais de 50 pessoas. Importante: o ingresso custou irrisórios 10 reais.

Há um telão para quem tem essa necessidade tremenda de ver a projeção dos jogos, mas as imagens são um mero detalhe, não o foco. Alguém realmente se importa com o fato de as cenas não serem sincronizadas? O cerne foi a performance musical. Mais incrivelmente, o arranjo é próprio. E com algumas músicas que nunca tinham sido orquestradas.

A “World Clear” é usada sabiamente como abertura, seguida pela “Overworld” nos trompetes e trombones, com o flautim fazendo o efeito de som da coleta de moedas – surpreendentemente, o número de risadas das pessoas que reconheceram a melodia foi pequeno perto do que costuma acontecer. A passagem foi um pouco brusca para a seguinte, uma faixa esquecida: “Underwater” do Super Mario World. Nas cordas, ficou majestosa. Daí me vem uma ótima transição para… ah, não. Não brinca. Arranjaram a “Castle” do SMW! Morri. Com a base das cordas, a tuba e o trombone criam todo o pavor de uma das maiores (e pouco executadas) obras-primas do Koji Kondo.

De novo um tanto bruscamente, vem a conhecida “Athletic” – fiquei com a impressão de que os fagotes e clarinetes se atrapalharam um pouco. O flautim toca a melodia, com o acompanhamento essencial da bateria, guiando para a “Invincible”, na qual os metais voltam a brilhar. Melhor ainda são as participações dos metais e da bateria lembrando a batida da “Underworld” na versão do Super Mario Bros. 3. O tema do Mario regressa, com uma nova alusão da “Underworld” no solo de tuba, seguido por todos os metais. Sensacional! A “Overworld” retorna em uma variação, mostrando a criatividade do arranjo, com flautas em destaque. De uma transição um pouco abrupta surge a “Castle” do primeiro Mario, para a consagração da “Overworld”, com a bateria cada vez melhor e cordas maravilhosas. O desfecho é com a “Game Over”.

Quando poderia acreditar que isso um dia ocorreu no Brasil?

- “Super Mario Medley”

“World Clear” ~ “Overworld” (Super Mario Bros.) ~ “Underwater” ~ “Castle” ~ “Athletic” (Super Mario World) ~ “Invincible” (Super Mario Bros.) ~ “Underworld” (Super Mario Bros. 3) ~ “Overworld” (Super Mario Bros.) ~ “Underworld” (Super Mario Bros. 3) ~ “Overworld” (Super Mario Bros.) ~ “Castle” ~ “Overworld” ~ “Game Over” (Super Mario Bros.)

“Game Medley” – Zelda, Tetris, Street Fighter II, Sonic e Mario (Game Music Brasil)

Por Alexei Barros

E então… Game Music Brasil. Durante o festival de músicas de jogos realizado 8 de abril, um dia antes do Video Games Live no Rio de Janeiro, foi apresentado um medley preparado especialmente para o evento. O autor do arranjo é o Lucas Lima, músico integrante da Família Lima que tem relação com videogames: além de jogador, chegou a compor as trilhas dos títulos para computador Winemaker Extraordinaire e Avalon desenvolvidos pelo estúdio nacional Overplay.

Como a performance foi da Orquestra Simphonica Villa Lobos, que executou toda a turnê brasileira do VGL em 2011, com imagens sincronizadas de jogos no telão, a miscelânea regida pelo Lucas Lima meio que serviu para mostrar, grosso modo, como seria um Video Games Live totalmente feito no Brasil, a não ser, claro, pela origem japonesa (e russa) dos jogos homenageados.

O problema é que… há muitos problemas. Por favor, sem indulgências ufanistas. Para começo de conversa, é aleatório a peça ter simplesmente o tema “videogame” ou “jogos que todo mundo conhece” ou ainda “jogos preferidos do Lucas Lima”. Repare que em todos os medleys que publiquei, amadores, pró-amadores ou profissionais, sempre teve um elemento comum: gênero, série, produtora, plataforma, compositor, mesmo que o número não apresente uma coerência e seja uma mera sucessão de melodias. Qual o sentido em juntar Mario e Sonic? Tetris e Street Fighter II? Já que foram somente cinco séries escolhidas (as quatro mencionadas e Zelda), preferiria pequenos segmentos para cada uma, em vez de um gigante, de 18 minutos.

Na maioria das mudanças de música, não há transições e sim vazios entre uma faixa e outra. Para mim, isso só é tolerável quando há o intento de recriar a experiência de jogo, afinal de contas a composição de fundo muda abruptamente de um cenário para outro em um Mario da vida.

Prova disso é abrir com “Overworld” de Zelda e pular para a “Type A” do Tetris logo na abertura. A parte que vem na sequência, do Street Fighter II, até que ficou interessante, porque “Title” e “Player Select” (bacanas as linhas graves nos violoncelos), que considero essenciais, não estão no “Street Fighter II Medley” do VGL, além da “Here Comes a New Challenger” e “Chun-Li Stage”. A lembrança de músicas não arranjadas anteriormente também salvou a seção seguinte, do Sonic: não há a “Special Stage” (bela nas cordas e flautas) na obra-prima “Sonic the Hedgehog: Staff Credits” do Richard Jacques. Só que a vinheta “Sega” instrumental perdeu toda a graça sem coral. O sentimento de novidade, apesar de tantos títulos famosos, repete-se com a fatia Mario, pela alusão ao vilipendiado Super Mario Bros. 2. De resto, nada de mais, com tantas interpretações melhores por aí, e o mesmo vale para as seleções do Ocarina of Time que fecharam o extenso medley.

A proximidade da organização do VGL fez com que o GMB importasse um dos pontos negativos (do meu ponto de vista) do afamado show-concerto: a gritaria. De novo, os berros de êxtase nostálgico são exagerados, mais pelo telão do que propriamente pelas lembranças das faixas. Como temia, o VGL deixou o público mal acostumado para apresentações com orquestra, nas quais se deve primeiro ouvir para depois urrar e aplaudir, não tudo simultaneamente, gerando uma salada de sons indecifráveis.

Em contrapartida, a execução abdicou do detestável subterfúgio do VGL: o playback, o que escancarou algumas deficiências:  a falta de sincronia (aqui, momento em que os violinos embolaram legal; ou aqui, instante em que o xilofone se perdeu) e desafinação (atente para os violinos) em alguns momentos. Estranhamente, a Villa Lobos, que, segundo o release do VGL, possui 43 integrantes, parecia estar representada por ainda menos gente pelo que se nota nos vídeos e nas fotos. Inclusive é possível ver uma violinista se assentar quando a performance já havia começado (repare na esquerda do palco). Mais autêntico que o VGL, mas carente de muito polimento.

- “Game Medley”

“Overworld” (The Legend of Zelda) ~ “Type A” (Tetris) ~ “Title” ~ “Player Select” ~ “Ryu Stage” ~ “Chun-Li Stage” ~ “Here Comes a New Challenger” ~ “Guile Stage” (Street Fighter II) ~ “Title” ~ “Green Hill Zone” ~ “1UP” ~ “Green Hill Zone” ~ “Stage Clear” ~ “Special Stage” ~“Green Hill Zone”“Boss” (Sonic the Hedgehog) ~ “Overworld” ~ “Underwater” (Super Mario Bros.) ~ “Overworld” ~ “Invincible” (Super Mario Bros. 2) ~ “Overworld” ~ “Underworld” (Super Mario Bros. 3) ~ “Overworld” (Super Mario World) ~ “World Clear” (Super Mario Bros.) ~ “Hyrule Field Main Theme” ~ “Zelda’s Theme” ~ “Great Fairy’s Fountain” (The Legend of Zelda: Ocarina of Time) ~ “Overworld” (The Legend of Zelda)

The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony: Kousuke Yamashita está envolvido nos arranjos

Por Alexei Barros

Como a divulgação do The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony está fragmentada, demorei um tanto para comentar todas as novidades confirmadas até o momento. O problema é que eu esperei demais para fazer o post…

Mas, enfim, digo o que foi dito de novo em relação à nota anterior:

- Além das apresentações em Tóquio (10/10) e Los Angeles (21/10), foi apregoado um concerto em Londres para o dia 25 de outubro no HMV Hammersmith Apollo. Ao que tudo indica, o programa inglês será similar ao americano. Interessante que, de uma hora para a outra, a Inglaterra passou de um país morto para espetáculos de games a muito ativo: 5 de novembro o Distant Worlds fará uma visita à mesma cidade.

- No site japonês, Mahito Yokota confirmou a presença de dois segmentos. A memorável “Gerudo Valley” de The Legend of Zelda: Ocarina of Time é uma boa escolha, porque, por incrível que pareça, a faixa jamais foi tocada em um concerto, e representa um desafio para orquestração satisfatória. Só chegou a ser arranjada por Ryuichi Katsumata para cordas no álbum The Legend of Zelda: Ocarina of Time Hyrule Symphony. O outro é um medley de temas de batalhas contra chefe, sendo que as faixas selecionadas foram mantidas em segredo. A única iniciativa similar é o ato IV. Battlefield do “The Legend of Zelda (Symphonic Poem)” do Symphonic Legends, o qual foi estendido em quatro minutos para o LEGENDS.

- De acordo com Yokota, a performance em Tóquio terá uma orquestra de 100 instrumentistas e um coral de 50 vozes, marca que, se não me falha a memória, não tem precedentes em concertos de games japoneses.

- E a novidade que mais me deixou empolgado é a informação da capa da partitura da sessão de gravações dos dias 23 e 24 de agosto em Seattle (imagino que para o prometido álbum) compartilhada pelo produtor Jason Michael Paul no Twitter: a participação de Kousuke Yamashita em três arranjos, complementando o trabalho de Chad Seiter. Para o Press Start, Yamashita fez a orquestração da “Metal Gear Solid 2 Main Theme” (2006) e os arranjos “Ys – Ys II” (2006 e 2008) e “Suikoden” (2009), este baseado na partitura da “Into a World of Illusions” do álbum Genso Suikoden Music Collection Produced by Kentaro Haneda. Isso entre os arranjos creditados, porque ainda não consegui descobrir todos. Ultimamente, pude comprovar a genialidade dele como compositor em diferentes mídias, como a assombrosa “The Awakening of Time” do Nobunaga’s Ambition Tendou (PC, Xbox 360 e PlayStation 3), a fantástica “Battle in Digital World” do anime Digimon Xros Wars ou a memorável “Embracing Hope” do filme Kurosagi. Não sei como a JMP Productions chegou ao nome dele, tampouco se os três arranjos farão parte da apresentação japonesa.

- Os mais atentos vão reparar também que a capa da partitura da foto credita apenas a composição ao Koji Kondo. Eu não desistiria tão cedo de ouvir músicas de outros compositores, como o Toru Minegishi, já que acontece com frequência em concertos de apenas o Kondo estar creditado, mesmo que outros tenham se envolvido na composição. Como, por exemplo, o “Encore (Currendo, Saltando, Ludendo)” no site do LEGENDS que resume faixas de diferentes autorais ao Koji Kondo.

[via GoNintendo]

The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony: turnê terá número de 18 minutos de Twilight Princess


Por Alexei Barros

Desde a E3 2011 não falei mais sobre a The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony, a turnê comemorativa da série que excursionará por Japão, Europa e EUA, mas provavelmente você foi mais atento que eu e não perdeu os detalhes. Relembro apenas o que já havia dito: a primeira apresentação acontecerá dia 10 de outubro, no Sumida Triphony Hall em Tóquio, com performance da Tokyo Philharmonic Orchestra e regência de Taizo Takemoto. Os ingressos só poderão ser adquiridos se antes você comprar o The Legend of Zelda Ocarina of Time 3D. Que coisa, não?

Agora as novidades apregoadas nesse meio tempo:

- Dia 21 de outubro ocorrerá uma apresentação em Los Angeles, EUA, no Pantages Theatre. Sem informações sobre orquestra e maestro.

- Embora o site nipônico da turnê seja diferente do americano, tudo leva a crer que a excursão inteira, em âmbito mundial (ou melhor, do hemisfério norte) e não somente as apresentações no ocidente como eu achava, é produzida pela Jason Michael Paul Productions. Sinceridade? Não sei por que a Nintendo o procurou, tendo em vista as inconstâncias do Play! A Video Game Symphony.

- Concluo assim, porque neste tuíte, Chad Seiter disse que ele e Koji Kondo são os arranjadores. Para quem não se recorda, Seiter é o responsável pelos novos números de Mario, Zelda, Metroid e Castlevania, entre outros, do Play! Apesar da boa impressão inicial da releitura vampiresca, achei as versões da Nintendo em um nível inferior. E outra: estranha a informação que o Kondo também vai arranjar, a não ser que ele, Seiter, faça a orquestração – não me lembro de arranjos para orquestra do Kondo. De toda forma, fico surpreso por Mahito Yokota não estar envolvido de alguma maneira como é o orquestrador número 1 da Nintendo. Talvez revelem depois.

- A única informação verdadeiramente empolgante e relevante é a revelação neste tuíte de que o segundo movimento do concerto será de um segmento enfocado no The Legend of Zelda: Twilight  Princess com 18 minutos. Essa extensão lembra alguma coisa? Symphonic Fantasies, Symphonic Odysseys? Aliás, o tempo é metade dos 36 minutos do Symphonic Poem de Zelda do Symphonic Legends, estendidos para 40 no LEGENDS. Vamos ver como será um número extenso que não é produzido na série germânica Symphonic. Não é só enfileirar várias músicas aleatórias como acontece nos medleys de orquestras amadoras que publico; para ser uma suíte é necessário que o segmento conte uma história, com começo, meio e fim, que seja cativante durante todo esse tempo e que mantenha um equilíbrio entre estilos de músicas.  Sabendo o quanto os concertos alemães demandam de ensaios, em apresentações únicas, realizadas no máximo no mesmo dia ou final de semana, fico com o receio por não haver tempo hábil para treinos, como se trata de uma turnê, ainda que poucas visitas tenham sido marcadas. Não contente em soltar a informação, o tuíte também linkou para uma imagem de uma janela de um software utilizado para o arranjo, corroborando a presença da “Midna’s Theme”.

Fico atiçado para mais novidades, só espero que a divulgação seja um pouco mais organizada com notas no site em vez de novidades no Twitter.

[via My Nintendo News]

“Super Mario Medley” – Super Mario Bros., Super Mario Bros. 3, New Super Mario Bros., Super Mario Galaxy e Super Mario Galaxy 2 (Play! 2011 em Vienna)

Por Alexei Barros

Foi só eu clamar pelos bootleggers que eles brotaram: se os concertos em Seattle do Play! A Video Game Symphony mal foram gravados, a apresentação em Vienna no último dia 8 de julho foi mais bem registrada, com vídeos dos números novos. Ainda não é ideal pela qualidade meia-boca do áudio, o que impede de analisar a qualidade da performance da National Symphony Orchestra. Por isso, eu me limito a comentar o arranjo e a seleção de faixas.

Evidentemente, Mario fazia parte do repertório da turnê desde o início. Em vez de reaproveitar o arranjo do Nobuo Kurita do OGC1 como fizeram muitos concertos, foi feito um novo exclusivo, “Super Mario Bros. Suite”, preparado por Jonne Valtonen. Com as mudanças promovidas nas últimas apresentações, o segmento de Mario foi reformulado e desta vez foi arranjado de Chad Seiter. Logo de cara afirmo sem medo: não gostei.

Por mais que eu entenda que uma excursão tende a focar em seleções mainstream, não consigo engolir a primeira parte referente ao Super Mario Bros. cumprida de maneira muito igual a tudo o que foi feito dezenas de vezes em outros espetáculos, sem nenhuma novidade ou resquício de criatividade. Tem um “Main Theme” do New Super Mario Bros. ali (1:14) e a “Airship” (Super Mario Bros. 3) aqui (2:17), mas ambas já são conhecidas e poderiam dar lugar para tantas músicas boas nunca executadas antes – o que as pessoas têm contra “Enemy Battle” e “Fortress Boss”? Se você me permitir contundência maior, a rendição da “Castle” do Super Mario Bros. ficou ridícula; além de estupidamente curta, tanto a entrada (1:41) quanto a saída (1:50) são abruptas. O medley ganha pontos por executar a magnificente “Fateful Decisive Battle” do Ryo Nagamatsu do Super Mario Galaxy 2, com coral como na original. Antes ainda tem a “Egg Planet” do primeiro SMG e um trecho de 4:26 a 4:39 que não faço ideia de onde veio.

Mas há um bom motivo para nunca terem tocado os Marios antigos e os Marios Galaxy em um mesmo segmento: são de estilos diferentes. Em uma peça não há um sentido de unidade. Sinceridade? Fiquei com saudade de alguns arranjos amadores que publiquei por aqui…

Outra coisa que me incomodou sobremaneira foi a reação do público às cenas dos jogos no telão durante a execução. A forma banal com que a nostalgia é evocada me faz perguntar se estou ficando velho demais para não me extasiar mais com frases tão “desconhecidas” como “Thank You Mario! But Our Princess Is In Another Castle!”. Será que a turnê vai ter que mudar o nome para Play! A Video Games Live Symphony? Espero que não aconteça a fusão.

- “Super Mario Medley”

“Course Clear” ~ “Overworld” (Super Mario Bros.) ~ “Main Theme” (New Super Mario Bros.) ~ “Castle” ~ “Underworld” (Super Mario Bros.) ~ “Airship” (Super Mario Bros. 3) ~ “Underwater”(Super Mario Bros.) ~ “Egg Planet” (Super Mario Galaxy) ~ “Fateful Decisive Battle” (Super Mario Galaxy 2)

“Super Mario Medley” – Super Mario Bros., Super Mario Bros. 3, Super Mario World e Super Mario 64 (Last Elixir Wind Orchestra)


Por Alexei Barros

Mais um arranjo da banda de sopro japonesa Last Elixir Wind Orchestra, mais seleções sapientes. Não obstante a simplicidade do medley, nota-se um esforço maior em elaborar transições. Abrir com Super Mario Bros. dá a impressão que vai ser uma daquelas performances básicas. Não se engane, é apenas o começo. E mesmo com músicas tão famosas a LEWO consegue proporcionar uma sensação diferente. É o caso da “Overworld” do Mario 1, em que cada tipo de instrumento toca a melodia alternadamente. Depois de um vazio, vem a “Underworld” embalada pelas batidas da bateria. Em seguida, o medley é só alegria: a essencial “Overworld” do Mario 3 surge e acelera para embarcar no ritmo da “Athletic”. A sequência do  Super Mario World, cumprida com bom encadeamento, para mim ficou especial por escolher duas faixas que sempre almejei arranjadas após o trio “Title”, “Map 1 (Yoster Island)” e “Overworld”: “Bonus Screen” (perfeita a percussão) e “Map 4 (Native Star)” (que poderia ficar um pouco mais rápida até). Paralelamente é tocada a  “Powerful Mario”, emendando na “Main Theme”, que parece ter sido criada para uma big band, e na “Slider”, que transita para a “Course Clear Fanfare” do Super Mario World com desenvoltura.

- “Super Mario Medley”
“Overworld”~ “Underworld” (Super Mario Bros.) ~ “Overworld” ~ “Athletic” (Super Mario Bros. 3) ~ “Title” ~ “Map 1 (Yoster Island)” ~ “Overworld” ~ “Bonus Screen” ~ “Map 4 (Native Star)” ~ (Super Mario World) ~ “Powerful Mario” ~ “Main Theme” ~ “Slider” (Super Mario 64) ~ “Course Clear Fanfare” (Super Mario World)


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