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Symphonic Fantasies Tokyo: as já conhecidas fantasias sinfônicas em interpretações mais que perfeitas na Terra do Sol Nascente


Por Alexei Barros

Por mais tempo que um indivíduo se dedique a uma determinada obra, sempre há espaço para melhorias. Quem é perfeccionista e vê o que foi feito anos depois, fica com vontade de mexer aqui, retocar ali e até, por que não, começar do zero. Isso em qualquer atividade. Nos videogames, esse aperfeiçoamento vem na forma das atualizações online. Na música e, especialmente, nas músicas orquestrais, o trabalho de aprimoramento é muito maior. Já imaginou ter que imprimir todas as partituras dos instrumentistas de novo? Pelo tempo e dinheiro que se gasta com isso, os polimentos são raros nos concertos de games.

Mas, quando o Symphonic Fantasies, originalmente executado em 2009 na Colônia, Alemanha, é frequentemente exaltado – “absoluto” e “impoluto” foram adjetivos frequentes quando me referi ao concerto e depois ao álbum publicado em 2010 –, logo você vai imaginar que a produção do espetáculo se acostumará com os elogios, repousando na confortável zona de conforto das reprises idênticas à primeira apresentação. Porém, nada disso aconteceu quando o Symphonic Fantasies foi mostrado em Tóquio em janeiro de 2012, récita esta registrada no álbum Symphonic Fantasies Tokyo, lançado em 11 de junho deste ano.

O impacto causado pelo Symphonic Fantasies foi muito grande há três anos. De uma só vez, o concerto revolucionou nas suítes gigantes (de cerca de 18 minutos), na transmissão em vídeo ao vivo para todo o mundo e na qualidade impecável da performance. Dessa forma, foram feitos convites para apresentações em outros países, e o próprio Nobuo Uematsu sugeriu levar o Symphonic Fantasies ao Japão. Mas, para chegar nesse nível, foram necessários 14 dias cheios de ensaios. Ter todo esse tempo livre nas agendas de orquestras pelo mundo não é comum.

Enquanto isso, graças ao êxito do Symphonic Fantasies, aconteceram mais dois concertos-tributo em Colônia: o Symphonic Legends, em homenagem à Nintendo, em 2010, e o Symphonic Odysseys, em reverência ao Nobuo Uematsu, em 2011. Ainda no ano passado aconteceu o LEGENDS, uma revisão do Symphonic Legends na Suécia que serviu para o produtor Thomas Boecker tirar a conclusão de que seria possível ter a mesma qualidade apresentada na Alemanha com apenas dois dias de ensaio. “A experiência em Estocolmo com LEGENDS me mostrou que, se as partituras forem bem-feitas e os músicos estiverem motivados e forem bons, vai funcionar”, disse antes da realização do Symphonic Fantasies em Tóquio. Além disso, os arranjos foram ajustados para otimizar a performance. “Quanto mais conhecimento o arranjador tiver, ele pode encontrar soluções para fazer soar bem sem ser MUITO difícil de tocar. Então é isso que vamos fazer. O tempo que vamos ganhar dessa forma será gasto para fazer soar ainda mais emocionante, mais bonito.”

Com isso, Boecker decidiu investir em 2012 no Symphonic Fantasies em Tóquio, no décimo ano consecutivo em que ele produz concertos de games, chegando ao país onde tudo começou. O primeiro dessa dezena, o First Symphonic Game Music Concert, em 2003, foi também primeiro espetáculo de game music fora do Japão. Para tanto, ele contratou a Tokyo Philharmonic Orchestra, a mais antiga orquestra de música erudita nipônica (formada em 1901), e o Tokyo Philharmonic Chorus, ambos recorrentes em álbuns e récitas de jogos eletrônicos. Benyamin Nuss no piano e Rony Barrak na darbuka voltaram ao palco e, no lugar do norte-americano Arnie Roth, o alemão Eckehard Stier assumiu a regência. Foram realizadas apresentações nos dias 7 e 8 de janeiro no Tokyo Bunka Kaikan, o mesmo local do Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert. No primeiro dia, estiveram presentes Hiroki Kikuta (Secret of Mana) e Yasunori Mitsuda (Chrono Trigger e Cross) e, no outro, além dos dois, a mestra Yoko Shimomura (Kingdom Hearts). Para completar o quarteto de compositores da Square que haviam comparecido ao espetáculo em Colônia, só ficou faltando mesmo o Nobuo Uematsu.

Como o Symphonic Fantasies original já tinha sido lançado em CD na Europa e no Japão, não seria de esperar que a versão mostrada em Tóquio também fosse. Eis que inesperadamente em maio de 2012 o álbum Symphonic Fantasies Tokyo foi anunciado e em junho foi lançado – por enquanto, somente com publicação no continente europeu.

A principal diferença é que, enquanto o álbum do Symphonic Fantasies original condensava todo o concerto em um CD e deixava o segmento do bis para lançamento digital, o álbum do Symphonic Fantasies Tokyo cobre o espetáculo na íntegra, forçando a divisão do programa em dois discos. O primeiro, com a abertura e as suítes de Kingdom Hearts e Secret of Mana; o outro com as suítes de Chrono e Final Fantasy e o novo bis.

O encarte, com 20 páginas repletas de fotos das apresentações e perfis dos envolvidos, possui agora um prefácio assinado pelo Masashi Hamauzu, que não teve músicas executadas no concerto, mas vem se tornando cada vez mais frequente nas produções do Thomas Boecker. Aliás, só de ver o nome dele, já me deu vontade de que fosse feita uma suíte da série SaGa – obscura no ocidente, mas popular no Japão –, com os seus trabalhos no SaGa Frontier II e especialmente no Unlimited Saga. Mas essa vontade fica para uma próxima. Outra decisão que achei acertada foi a adoção do inglês no texto, dada a universalidade do idioma, visto que, no álbum gravado na Alemanha, a edição japonesa estava escrita na língua local e, na europeia, em alemão. O único ponto um pouco chato disso é a dificuldade de retirar o encarte da caixa do álbum, porque ficou bastante justo, no limite. Se você conseguiu tirar uma vez, é provável que não vai querer fazer isso de novo com medo de estragar o papel.

Uma grande vantagem do Symphonic Fantasies Tokyo em relação ao Symphonic Fantasies é justamente o fato de o concerto ter sido gravado no Japão. Como dito aqui tantas vezes, o público nipônico é extremamente acanhado e, verdade seja dita, educado. Uma plateia inteligente, que respeita a performance e quer apreciá-la, quer fazer valer o ingresso. Durante os dois CDs não há um pio sequer da plateia e nem mesmo aplausos ao final da execução de cada número, o que dá ao Symphonic Fantasies Tokyo a impressão de ter sido gravado em estúdio tamanho o silêncio. No CD do Symphonic Fantasies dá para ouvir, durante a execução do tema dos Chocobos, um “woow” proferido por um fã tresloucado. Hoje, esse cara deve estar muito por feliz por ter o grito eternizado e arranhado a perfeição da performance. Aqui não há nada disso, muito felizmente. Por isso… viva os japoneses!

Já adianto que, excetuando o Encore, todo o resto da seleção de músicas arranjadas é similar ao primeiro Symphonic Fantasies. Mesmo que continue achando que algumas faixas poderiam entrar (nada vai me tirar da cabeça que fez muita falta a “Danger” no Secret of Mana e talvez mais alguma música animada do jogo), não vou repetir tudo o que já falei. É tudo uma questão de comparações. Se na ocasião do concerto eu confrontei os arranjos orquestrais com as originais e no review do álbum coloquei frente a frente os arranjos da mixagem do CD com a versão transmitida, o cotejo agora será entre os dois álbuns. As novidades do Symphonic Fantasies Tokyo estão nas entrelinhas, nas interpretações, nas sutilezas, portanto vamos revisitar aos poucos, com calma, as histórias contadas pelas suítes no palco do concerto realizado na Terra do Sol Nascente.

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Symphonic Fantasies: as fantasias reais eternizadas em um CD imaculado

Por Alexei Barros

Seis meses de arranjo e orquestração. Catorze dias de ensaios. Para pouco mais de 1 hora e 20 minutos de apresentação. Compensa tanto tempo e labor? Respondo com um decisivo sim (sem esquecer o processo de seleção de faixas, a parte burocrática de licenciamento e a fadiga dos instrumentistas e envolvidos). Vale não apenas pela experiência musical ímpar que se vivencia naquela hora – inesquecível para os 2000 espectadores in loco; memorável para tantos outros mundo afora –, como também porque agora o resultado do processo esmeroso ficou imortalizado em um disco para infindáveis apreciações.

Falo evidentemente do Symphonic Fantasies, concerto em homenagem à Square Enix que foi aclamado em diversas partes do planeta graças à inédita transmissão em streaming de vídeo, a ponto de ser elogiado pelos responsáveis de outras produções, como Tommy Tallarico, do Video Games Live, e Hiroaki Yura, do A Night in Fantasia. A fórmula inovadora delineada pelo produtor Thomas Boecker e idealizada pelo arranjador Jonne Valtonen de coadunar temas das mesmas séries em suítes longas de alto valor artístico se mostrou muito mais acessível do que se poderia imaginar para um público acostumado com arranjos presos aos temas originais, que é o que os concertos de games, em sua imensa maioria, costumam oferecer.

Tudo aconteceu no dia 12 de setembro de 2009, no suntuoso Philharmonic Cologne Hall na cidade de Colônia, Alemanha, com a performance da WDR Radio Orchestra Cologne, com aproximadamente 80 integrantes, e do WDR Radio Choir Cologne, formado por 40 coristas, sob a regência de Arnie Roth. Na plateia, estavam Yoko Shimomura, representando a série Kingdom Hearts; Hiroki Kikuta, Secret of Mana; Yasunori Mitsuda, Chrono Trigger e Chrono Cross; e, finalmente, Nobuo Uematsu, a série Final Fantasy.

Depois de rumores esparsos, o disco foi anunciado pelo administrador da WDR Orchestra, Winfried Fechner, em entrevista ao SEMO realizada em março de 2010. A data de lançamento foi veiculada pelo site da Amazon alemã inicialmente para dia 21 de maio com publicação da Sony Classical Germany. Todavia, tratava-se de um equívoco da loja virtual, que alterou a data para 31 de dezembro. Posteriormente ocorreu a revelação oficial para setembro, desta vez com o selo da Decca (Universal Music). Em seguida, o lançamento alemão foi precisado para o dia 24 e, numa decisão rara, adiantado para uma semana antes, 17 de setembro, pouco mais de um ano depois da realização do concerto. Dois dias antes, a Square Enix publicou o álbum no Japão com número de catálogo SQEX-10202.

O conteúdo musical é o mesmo, a diferença é o encarte. A edição germânica possui na capa um estiloso controle-violino de madeira, ao passo que a japonesa possui a imagem da lateral de uma espécie de enciclopédia com os nomes dos compositores em destaque. No livreto há perfis dos principais envolvidos, mas infelizmente a compreensão do texto é limitada aos entendedores dos dois idiomas locais. Um detalhe que poderia ser acrescentado são as letras em latim e tradução das suítes de Secret of Mana e Final Fantasy como foram escritas especialmente para o concerto de acordo com os universos dos respectivos jogos e séries. Cada suíte tem quatro faixas detalhadas (exatamente as anunciadas antes do concerto), e não seria muito pedir que fossem arroladas todas as músicas homenageadas – a ordem é impossível, eu sei, pelo menos a lista completa, ainda que na maioria dos álbuns a informação não seja divulgada oficialmente.

Apesar de planejado para ser executado ao vivo, o conceito do Symphonic Fantasies está muito mais de acordo com um álbum. Explico. Exceção à suíte de Final Fantasy, que segue formato mais simples de medley, ou seja, faixa A + faixa B + faixa C e assim por diante com devidas transições, as outras três suítes são quebra-cabeças, com idas e vindas, variações, sobreposições de melodias e alusões sutis. É impossível absorver tudo de primeira, por isso é um imperativo novas audições. Por que então ouvir o CD se as gravações estão no YouTube e afins?

Primeiro porque é muito mais recompensador possuir uma recordação material de um espetáculo histórico e caprichado como o Symphonic Fantasies, e outro porque a qualidade está ainda melhor, acredite você, como se não bastasse a perfeição da transmissão ao vivo. Editada e mixada no WDR Radio Studios, a gravação passou pelo crivo do arranjador e dos quatro compositores e foi masterizada no Abbey Road Studios. Parece gravado em estúdio pela nitidez de som estonteante, e só se percebe que é ao vivo pelos aplausos no final de cada um dos cinco números e pelos risos ao fundo acompanhado de um “woow!” de um infeliz da plateia quando é tocado o tema dos Chocobos.

Falei cinco números. O sexto, “Encore (Symphonic Fantasies)”, que era um medley convencional de oito minutos com quatro temas de batalha contra chefe, acabou não cabendo no CD e está somente disponível na versão digital. Embora preferisse dois discos para que fosse registrada a experiência do concerto em sua plenitude, não é uma ausência vital. Não deixa de ser uma decisão ousada, visto que a miscelânea acabava com a “One-Winged Angel”, e não é todo dia que sai um álbum de um concerto relacionado com Final Fantasy sem o tema considerado muitas vezes pelos fãs casuais como obrigatório.

Posto isso tudo, revisitei a abertura e as quatro suítes com o perdão da sua paciência porque há muitos detalhes que vieram à tona com a mixagem do CD. Não mencionei novamente as músicas que senti falta ou então comparei com outros arranjos. Seria redundante, sem falar que um ano depois, passo a compreender a ausência de algumas, porque cada segmento possui a própria vibração e complementa o outro no contexto do concerto, em uma escala gradativa. Foi tudo planejado e equilibrado para não enfastiar ou cansar os ouvidos no decorrer das suítes e na récita como um todo.

Depois do Hadouken você também pode conferir no Goear as suítes nas versões do álbum, mas fica o aviso: nada se compara ao CD, que está superior evidentemente. Um concerto com semelhante perfeição de performance suplica para ser apreciado na melhor qualidade possível.

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Symphonic Fantasies: as fantasias que se tornam realidade

Symphonic Fantasies
Por Alexei Barros

Era bom demais para ser verdade. Um concerto exclusivo da Square Enix com arranjos 100% inéditos presenciado por quatro dos principais compositores nipônicos que passaram pela empresa na Alemanha. Transmitido para todo o mundo ao vivo via streaming em áudio. Em vídeo. Gratuitamente. Parecia uma fantasia ensandecida demais para ser verdade, e de fato foi no dia 12 de setembro de 2009.

Symphonic FantasiesUm ano antes, em setembro de 2008, a ideia do Symphonic Fantasies foi levada à Square Enix pelo produtor Thomas Boecker, como terceira parte do acordo inicial com o administrador da WDR Radio Orchestra Cologne, Winfried Fechner, para a realização de três concertos de games que fossem únicos e distintos dos outros espetáculos. O primeiro, PROMS That’s sound, that’s rhythm (fevereiro de 2008), que mesclou música erudita com Castlevania, Shenmue, Grand Monster Slam e Final Fantasy VIII serviu mais de teste. Era a primeira vez que a WDR Radio executava game music. O segundo, Symphonic Shades (agosto de 2008), prestou homenagem ao compositor alemão Chris Huelsbeck, e o terceiro, Symphonic Fantasies, ofereceria tributo a uma produtora, Square Enix. O sucesso foi tamanho que um novo concerto já foi anunciado para setembro de 2010. A princípio, o Symphonic Fantasies coincidiria com a Gamescon, que acabou passando para os dias 19 a 23 de agosto, deixando o concerto sem o apoio de um grande evento de games. Nem precisava. Ainda em novembro de 2008 ocorreu a revelação, ainda que vaga, e em janeiro de 2009 a confirmação de que as séries Mana, Chrono, Final Fantasy e Kingdom Hearts seriam as selecionadas, e que três compositores (quatro no final das contas) viriam especialmente para a ocasião.

Surpreende que nunca tenha acontecido um concerto da Square Enix no Japão, apenas com apresentações exclusivas de Dragon Quest e Final Fantasy, que estiveram juntas na série Orchestral Game Concert no início da década de 1990, ironicamente quando Square e Enix eram separadas. Por isso, SaGa raramente aparece. Nunca existiram performances em concertos profissionais de Front Mission, Xenogears e Vagrant Story. Das séries de outros estúdios que a produtora faz a publicação, como Star Ocean e Valkyrie Profile da tri-Ace, e Grandia da Game Arts, idem.

Voltando para a Alemanha, as escolhas do quarteto foram baseadas na popularidade local. Isso explica porque a suíte de Mana ficou restrita à Secret of Mana – Seiken Densetsu 3, como o nome mostra, não teve versão em inglês, e Legend of Mana nem foi lançado na Europa. Chrono Cross também não, é verdade, mas o jogo foi poderoso o bastante para superar qualquer deficiência de localização. E sabe quando Chrono Trigger foi lançado oficialmente na Europa? Em 2009! Só agora, na versão de DS.  Se Final Fantasy por si só justifica uma apresentação própria, estaria lá para sustentar as outras séries que não tem a mesma representatividade. Por mais que Kingdom Hearts, Mana e Chrono sejam conhecidas, sozinhas não garantiriam concertos exclusivos fora do Japão – em termos de público mainstream, não de fartura musical, é claro.

Definidas as séries, me intrigava o porquê das músicas não terem sido anunciadas se não no começo, nos próximos meses após a revelação. Resposta: o formato das suítes. “Esse tipo de abordagem aberta se tornou impossível anunciar as músicas de início – simplesmente porque nós nunca podíamos falar se certas músicas planejadas realmente fariam parte do arranjo ou não”, afirma Thomas Boecker. “Nós queríamos total liberdade – e não nos sentiríamos confortáveis em colocar certas músicas simplesmente porque um anúncio antecipado nos obrigaria a fazê-lo”.

Jonne ValtonenLevando em consideração a maioria das favoritas dos compositores, as faixas foram escolhidas imaginando a ordem em que seriam apresentadas em cada suíte, sempre com espaço para alterações. “Durante o desenvolvimento você percebe que as mudanças fazem sentido – e que a ideia original poderia ter sido boa, mas há soluções melhores”, diz. Para o arranjo e a orquestração das músicas, o produtor escalou o finlandês Jonne Valtonen, que teve seis meses para completar a tarefa de grande responsabilidade, afinal mexeria com algumas das mais geniais composições de game music. Ele fez a maior parte do exaustivo trabalho, e no segmento de Chrono Trigger & Cross e no Encore recebeu o amparo de Roger Wanamo, também da Finlândia.

O principal diferencial das suítes do Symphonic Fantasies é que não foram pensadas como medleys convencionais, que possuem uma sequência lógica em que uma música acaba e inicia a outra. Ao longo da peça há diversas interpretações de uma mesma faixa em diferentes momentos, o que exige muito mais criatividade. As músicas não foram simplesmente amontoadas e socadas para caber o máximo possível em segmentos de 17 minutos, mas sim houve um trabalho em cada faixa, com variações na instrumentação e no ritmo que são muito mais complexos do que a maioria das orquestrações que primam pela literalidade. Tudo isso exige um número de ensaios maior (em torno de 14 dias cheios), que o convencional, e só foi possível porque houve tempo suficiente que normalmente inexistiria, por exemplo, em uma turnê de concertos de games com agenda apertada. Também dependeu muito da qualidade suprema da WDR Radio Orchestra Cologne e do WDR Radio Choir Cologne, que totalizam mais de 120 pessoas (cerca de 80 da orquestra e 40 do coral), em perfeito entrosamento com o experiente maestro Arnie Roth, que considerou o Symphonic Fantasies o concerto mais difícil que regeu.

As cerca de 2000 pessoas que assistiram in loco no Philharmonic Cologne Hall tiveram a oportunidade de pegar autógrafos de Nobuo Uematsu, Yasunori Mitsuda, Yoko Shimomura e Hiroki Kikuta. Não é todo dia que se vê o quarteto reunido, principalmente porque hoje todos não trabalham mais na Square Enix. O vídeo abaixo mostra uma fração da experiência do Symphonic Fantasies antes da apresentação. De acordo com a organização do local, nunca houve tantas pessoas numa sessão de autógrafos, e foi elogiado o comportamento sereno dos fãs, sem quaisquer gritos ou escândalos. Além dos compositores, é possível ver em certo momento, próximo de Uematsu, o diretor da Dog Ear Records, Hiroki Ogawa, conversando com o produtor Thomas Boecker.

Ainda é difícil acreditar que a apresentação preparada com capricho durante tanto tempo foi transmitida pela internet – pude ver na melhor qualidade, de banda larga, sem nenhum tropeço na conexão. Geralmente os concertos de games demoram meses para o lançamento em CD ou DVD, isso quando são lançados. As três câmeras da WDR captaram os instrumentistas e coristas em todos os detalhes, com um senso artístico nos enquadramentos que seria difícil de imaginar que não era um DVD. Tem um errinho aqui, outro acolá, mas, puxa vida, era ao vivo, e se esvaem diante de toda a experiência. Incrível ver os compositores na plateia, em especial Hiroki Kikuta, que nunca havia acompanhado antes uma performance orquestrada de uma música dele, e estava fora dos holofotes, compondo trilhas para jogos hentai dos mais obscuros no ocidente.

Depois da extensa introdução, os comentários após o Hadouken sobre cada suíte com links para a essencial apreciação no Goear (ininterruptamente) e YouTube (dividido). Alerto que quando cito o tempo das músicas me refiro ao contador do Goear.

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Symphonic Fantasies: mais quatro seleções do concerto

Symphonic Fantasies
Por Alexei Barros

Depois de sabermos três faixas para cada uma das quatro suítes de cerca de 17 minutos do Symphonic FantasiesKingdom Hearts, Secret of Mana, Chrono Trigger & Cross e Final Fantasy –, foi anunciado mais um quarteto de músicas, as últimas antes da realização do concerto alemão que acontecerá nos dias 11 e 12 de setembro. As suítes ainda têm outros temas na manga para surpreender quem assistirá às apresentações.

Todas as últimas reveladas se enquadram no caso de músicas que foram negligenciadas ao longo dos anos e finalmente receberão o seu devido valor nos intricados arranjos do finlandês Jonne Valtonen.

- “Hand in Hand” (Kingdom Hearts)

Kingdom HeartsLembre-se: a suíte da série Kingdom Hearts terá ênfase no piano, que será tocado pelo jovem Benyamin Nuss. Sabendo disso, logo vislumbrei a possibilidade de que a “Hand in Hand”, presente no primeiro, na continuação e no Chain of Memories, fosse inclusa, afinal a música ficou soberba no arranjo da Sachiko Miyano e performance do Hiroyuki Nakayama na Piano Collections Kingdom Hearts. Imagino então como ficará orquestrada (talvez com harpa) e com todos os floreios no piano. Parecerá com a versão do Takahito Eguchi, “Hand in Hand -Reprise-”?

- “Prophecy” (Secret of Mana)

Secret of ManaAinda que esta suíte seja de um só jogo, a gama de opções é grande por conta da duração pequena das faixas da trilha. Ainda assim, não esperava pela “Prophecy”, que é tocada em um momento chave, e para evitar spoilers só posso dizer que tem a ver com o dragão Flammie. Pelas características da original, imagino o arranjo enfocando a flauta. Também terá a participação do WDR Radio Choir entoando letras em latim, o que considero uma audácia do arranjo, já que as músicas originais, à primeira vista, não possuem timbres que simulem vozes.

- “Prisoners of Fate” (Chrono Cross)

Chrono CrossSe você falar para alguém que nunca jogou Chrono Cross que a “Prisoners of Fate” é um tema de batalha, talvez ache monótona demais. A questão é que a composição, melancólica e emocionante, casou perfeitamente no combate contra o personagem Miguel. E a luta é travada após um sem-número de alusões (umas sutis, outras descaradas) ao Chrono Trigger. Momento épico. A original, embora seja sintetizada, já possui timbres fiéis às cordas de verdade, e não é difícil vislumbrá-la orquestrada, com maior vivacidade. Não sei se o percussionista Ronny Barrak tocará especificamente no excerto da “Prisoners of Fate”, mas ele terá papel importante na suíte.

- “The Mystic Forest” (Final Fantasy VI)

Final Fantasy VITenho carinho especial por FFVI não só porque é o meu preferido da série, como acho o ápice da inspiração musical de Nobuo Uematsu. Apesar de muitos fãs também compartilharem da minha opinião (alguns deles, da Little Jack Orchestra, são aficionados a ponto de organizarem um concerto do jogo), a trajetória de FFVI nos concertos é bem limitada: as duas versões da ópera, “The Dream Oath ‘Maria and Draco’” (Orchestral Game Concert 4) e Opera “Mario and Draco” (debutou no Tour de Japon), “Terra’s Theme” (estreou no 20020220) e “Dancing Mad” (Fourth Symphonic Game Music Concert). Muito pouco. Dentre as muitas opções, eu acreditava na revelação de um tema de personagem, quando, para minha surpresa, surgiu a “The Mystic Forest”, tocada na labiríntica floresta (os cenários palustres são um espetáculo até hoje) que leva ao trem fantasma. Enigmática, sombria… Fantástica.

No site oficial é possível baixar o programa do concerto em PDF. Dia 3 de setembro, na quinta-feira (já na quarta no Brasil), haverá uma nova revelação referente ao Symphonic Fantasies. Se não é mais nenhuma música, o que poderia ser? De acordo com o SEMO, é uma notícia bombástica.

[via Symphonic Fantasies, SEMO]

“Destati” – Kingdom Hearts (Sinfonia Drammatica)

Por Alexei Barros

Quando a Yoko Shimomura fez as seleções para o álbum drammatica, ela levou em consideração três critérios: 1) popularidade das composições entre os jogadores, 2) possibilidade de serem orquestradas e 3) a vontade de ouvir arranjadas as músicas nunca antes orquestradas.

Mesmo sabendo disso, é curiosa a inclusão da “Destati”, que não se ouve durante toda a aventura do Kingdom Hearts. Faixa-bônus da Kingdom Hearts Original Soundtrack entoada em latim pelo Tokyo Philharmonic Chorus, a música na verdade provém dos primeiros trailers. No jogo mesmo só há variações, como a “Dive into the Heart -Destati-”.

E se no drammatica a “Destati” foi executada pela WDR Radio Orchestra e pelo coral Kettwiger Bach-Ensemble, ao vivo, no Sinfonia Drammatica, teve performance da Royal Stockholm Philharmonic Orchestra e do Stockholm Singers. Ainda que não tão grandioso, o coro sueco garantiu a magnitude na introdução, passando para os enigmáticos e assombrosos versos em latim. A orquestra é igualmente perfeita na execução.

Symphonic Fantasies: três das seleções de Kingdom Hearts

Por Alexei Barros

Como previsto, foi revelada uma trinca das músicas da suíte de Kingdom Hearts no Symphonic Fantasies – music from Square Enix. Evidente que a suíte, que terá 15 minutos de duração, também abarcará muitas outras composições da Yoko Shimomura que serão reveladas apenas na hora das apresentações, que acontecerão nos dias 11 e 12 de setembro. No vídeo, o maestro Arnie Roth tratou de revelá-las. Comentarei-as individualmente:

- “Dearly Beloved” (Kingdom Hearts)

Kingdom HeartsO icônico solo de piano da tema da tela-título é uma música maravilhosa que curiosamente foi lembrada somente no “Kingdom Hearts Medley” (de 1:58 a 2:32) do Press Start 2007. Pela própria singeleza, eu imagino que a “Dearly Beloved” abrirá a suíte (até porque é a primeira música que você ouve no jogo, e cada segmento procura recriar a experiência), a não ser que a faixa seja tocada numa interpretação mais energética, no estilo da Concert Paraphrase on “Dearly Beloved” da Piano Collections Kingdom Hearts.

- “The Other Promise” (Kingdom Hearts II Final Mix +)

Kingdom Hearts II Final Mix +A WDR Radio Orchestra do Symphonic Fantasies havia tocado a “The Other Promise”, em arranjo da própria Yoko Shimomura e orquestração da Natsumi Kameoka no álbum drammatica: The Very Best of Yoko Shimomura. Porém, será uma releitura diferente, com abordagem distinta, preparada pelo finlandês Jonne Valtonen. Além disso, a escolha é um pouco ousada porque a faixa foi inclusa na versão Final Mix + de KH II, que apenas foi lançada no Japão – talvez somente os hardcores conheçam com mais profundidade. Aliás, a “The Other Promise” também está na Piano Collections Kingdom Hearts.

- “A Fight to the Death” (Kingdom Hearts II)

Kingdom Hearts IIConforme Arnie Roth revelou no vídeo, o pianista Benyamin Nuss, que tocou a “Turrican 3 – Payment Day (Piano Suite)” na versão que está registrada no CD do Symphonic Shades, será a estrela da performance, e certamente a faixa demonstrará a habilidade virtuosística do talento de apenas 20 anos de idade. De fato, Nuss tocará piano durante toda a suíte de Kingdom Hearts, então a ênfase será no instrumento.

Semana que vem é a vez de três faixas de Secret of Mana serem reveladas. Mal posso esperar.

[via Symphonic Fantasies]

Symphonic Fantasies: a presença de Yoko Shimomura

Yoko Shimomura

Por Alexei Barros

Há quase quatro meses não falava do Symphonic Fantasies – music from Square Enix. Recapitulando, será um concerto que prestará tributo às séries Final Fantasy, Chrono, Mana e Kingdom Hearts, a acontecer em 12 de setembro no Philharmonic Hall em Colônia, Alemanha. Nesse meio tempo, foi confirmada uma nova apresentação para o dia 11 do mesmo mês no König Pilsener Arena em Oberhausen. Um dos maiores atrativos da récita – e uma constante nas produções do Thomas Boecker –, é a presença de compositores japoneses na plateia. Serão três: a identidade deles estava mantida em segredo até então.

A primeira da lista é ninguém menos do que Yoko Shimomura, aquela que fez trilhas do naipe de Street Fighter II, Super Mario RPG, Parasite Eve, Legend of Mana, Kingdom Hearts… Surpreende? “Ano passado gravei um álbum juntamente com a WDR Radio Orchestra. Agora será uma grande honra para mim ouvir as músicas ao vivo, dessa vez junto com os fãs!”, é a mensagem que ela deixou. Pois então, o álbum citado é o drammatica: The Very Best of Yoko Shimomura, cuja gravação da WDR Radio Orchestra, a mesma do Symphonic Fantasies, foi acompanhada por Shimomura na Alemanha. Com os coralistas do WDR Radio Choir, serão cerca de 120 instrumentistas sob a regência de Arnie Roth.

No dia 4 de agosto, a mestra também estará na Suécia para acompanhar o concerto Sinfonia Drammatica, e o repertório incluirá oito das 16 presentes no disco, sendo quatro de Legend of Mana, três da série Kingdom Hearts e uma de Live a Live. Ressalto, porém, que todos os arranjos do Symphonic Fantasies serão novos, aos cuidados do meticuloso Jonne Valtonen, e portanto diferentes do drammatica. Minha maior dúvida, sempre referente ao set list: haverá Kingdom Hearts, Heroes of Mana e Legend of Mana ou apenas Kingdom Hearts? Porque o Legend e o Heroes não são mencionados no release, somente Secret of Mana da série Seiken Densetsu, o que acho positivo, porque assim haverá mais espaço para as melodiosas composições do Hiroki Kikuta, além do que Legend será homenageado como nunca no espetáculo sueco.

[via release]

O vídeo promocional de Piano Collections Kingdom Hearts

Por Alexei Barros

No evento em que a track list do Piano Collections Kingdom Hearts foi anunciada, ocorreu a gravação do vídeo promocional do álbum agendado para o dia 27 de maio no Japão. Contém excertos das performances pianísticas de “Dearly Beloved”, “Working Together” e “The Other Promise” por Miwa Sato e Hiroyuki Nakayama. A princípio, ouvindo as amostras, estão todas ótimas, em especial a segunda citada que desfecha a sonata inclusa no disco com andamento Allegro vivace.

A track list da Piano Collections Kingdom Hearts

Piano Collections Kingdom Hearts
Por Alexei Barros

Depois da gravação do vídeo promocional da Piano Collections Kingdom Hearts, enfim vieram à baila as informações detalhadas do álbum, além da já sabida data de lançamento, 27 de maio de 2009.

Dois arranjadores e dois intérpretes. Sachiko Miyano (arranjo adicional do tema de abertura do RIZ-ZOAWD) e Natsumi Kameoka (Chrono Trigger Orchestra Extra, drammatica, Echoes of War) – confirmando a minha conjectura – adaptaram as músicas para piano, enquanto que Miwa Sato e Hiroyuki “Chopin” Nakayama (arranjador de Final Fantasy III DS, Blue Dragon e Lost Odyssey) tocaram.

Yoko ShimomuraO evento foi presenciado por 50 afortunados indivíduos da Square Enix Members, que tiveram a oportunidade de sabatinar a mestra Yoko Shimomura, e ainda assistir a performance de “Dearly Beloved”, “Working Together” e “The Other Promise”.  Falando nas faixas, finalmente sabemos a relação completa das 12 selecionadas pelos fãs.

Confesso que não sou um profundo conhecedor das trilhas da série Kingdom Hearts, então não tenho restrições quanto às escolhas, a não ser duas ausências. Não há os temas “Hikari” e “Passion” assinados pela Hikaru Utada. Interessante o conceito de sonata no intermédio do CD, com interpretações alternando entre diferentes andamentos. Estranhamente, não encontrei a “The 13th Side” nos álbuns da franquia.

Eis a track list, com os tradicionais links das versões originais:

01 “Dearly Beloved” (Kingdom Hearts)
02 “Traverse Town” (Kingdom Hearts)
03 “Hand in Hand” (Kingdom Hearts)
04 “Missing You” ~ “Namine” (Kingdom Hearts II e Kingdom Hearts: Chain of Memories)

-Sonata on Themes of Kingdom Hearts-
05 1st Mov.: “Sora” – Allegro con brio (Kingdom Hearts II)
06 2nd Mov.: “Kairi” – Andante sostenuto (Kingdom Hearts II)
07 3rd Mov.: “Riku” – Scherzo a Intermezzo (Kingdom Hearts II)
08 Finale : “Working Together” – Allegro vivace (Kingdom Hearts II)

09 “The 13th Side” (?)
10 “Roxas” (Kingdom Hearts II)
11 “The Other Promise” (Kingdom Hearts II -Final Mix-)
12 Concert Paraphrase on “Dearly Beloved” (Kingdom Hearts)

Agradecido ao Fabão pelos detalhes na tradução.

[via Famitsu]

Piano Collections Kingdom Hearts: antes tarde do que nunca


Por Alexei Barros

E antes tarde do que nunca falarei da Piano Collections Kingdom Hearts. Estava no aguardo por maior quantidade de informações, mas aí percebi que dei muita atenção para o bisonho Final Fantasy Remix ano passado. Por favor, nem se compara com esse álbum.

Por mais que a Square Enix seja uma das empresas que mais lança coletâneas no piano de suas séries, como Final Fantasy e Dragon Quest, curioso perceber como jamais Kingdom Hearts teve semelhante tratamento pianístico. Evidente que os fãs trataram de tapar a lacuna em dezenas (quiçá centenas) de performances amadoras no YouTube. O trabalho mais respeitável é a excelente antologia de faixas arranjadas por Josh Barron que o Fabão me apresentou e já lembrou nos comentários no Hadouken. Escute a versão dele da “Hollow Bastion”.

Depois de tanto tempo, enfim a Square Enix fará o CD no piano. As músicas do Piano Collections Kingdom Hearts foram selecionadas por uma votação dos fãs ano passado no Square Enix Members, mas a relação completa ainda não foi divulgada. Uma música está confirmada, totalmente obrigatória, afinal de contas é praticamente um solo de piano, a “Dearly Beloved”, que pode ser ouvida no site oficial. Arranjador? Intérprete? Ainda não se sabe. Será lançado dia 27 de maio, com número de catálogo SQEX-10144.

Na página também chegou a ser veiculada uma mensagem da Yoko Shimomura – é a primeira vez que vejo a mestra em vídeo –, comentando acerca do projeto.

[via SEMO]


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