
Por Claudio Prandoni
Lembro de quando numa longínqua EGM o Quartermann falou que um tal de Warren Spector estava cuidando de um jogo novo do Mickey Mouse. Rápida pesquisa mental e na celulose impressa do passado, resgatei que o cara é o crânio responsável por Deus EX, jogo de ação em primeira pessoa o qual nunca pude apreciar tanto quanto gostaria, mas que sempre admirei pela temática futurista cyberpunk e a liberdade absurda para jogar como quiser.
Dizia eu que a aritmética ainda o artigo que seria um jogo de plataforma feito para competir com ninguém menos que Super Mario. Lembro bem de Castle of Illusion e outras tantas divertidas aventuras plataformas da Disney, somando a isso minha admiração absoluta por tio Walt e todo o legado do cara não teve jeito: hype.
Mas ficou por aí durante até meses até esta semana. Uma galera descobriu nos sites de dois artistas – Fred Gambino e Gary Glover – ilustrações conceituais que combinam demais com cenas descritas pelo Gamasutra como sendo do jogo Epic Mickey, codinome do projeto de Warren Spector.
A proposta é fabulosa. Uma releitura pós-apocalíptica e steampunk, com pitadas de retrô, de todo o acervo Disney. Essa imagem que ilustra o post demonstra bem isso: uma praia devastada, bizarra máquinas remendadas com o rosto dos setes anões de Branca de Neve e versões em preto e branco de personagens da empresa vagando pela areia.
Sinistro. Bizarro. Apaixonante. Exatamente aquilo que Kingdom Hearts tão bem esboça em pouquíssimos momentos, mas sempre acaba abrindo mão – provavelmente por questões de direitos autorais.
Agora não, a parada vem da própria Disney. Warren Spector encabeça o estúdio Junction Point, que por sua vez foi adquirido meio que silenciosamente pela Disney lá no meio de 2007. Rá! Ninguém percebeu, provavelmente lá atrás a meninada começou a mandar bala no jogo e boas chances de vermos algo que faz jus à palavra Epic do título.
Como fã de games, da Disney e de propostas ousadas e inovadoras fico muito feliz e surpreso com Epic Disney. Aparentemente, é a própria casa do ratinho deixando de lado pudores e conservadorismos – lembre-se, trata-se de uma empresa que durante a Segunda Guerra Mundial fez desenhos animados pró-Aliados (não importa se por opção ou pressão política).
Fico preocupado apenas com o fato de alegarem que o jogo é para Wii. É uma faca de dois gumes: o brilhantismo de Warren Spector pode ajudar a dar luz a um sistema de controle interessante com o Wii Remote, mas a falta de potencial gráfico pode impedir que o título realize plenamente o maravilhoso conceito proposto nas ilustrações.
Na galeria abaixo, outras coisas bem soturnas, como um pateta zumbi, um monstro de várias cabeças de bichos (incluindo uma do pateta), um Micley robô com garras malvadas, o icônico castelo de Cinderela sobre um fiapo de terra e um altíssimo precipício e destroços do Epcot Center navegando sobre a baleia Monstro (do Pinóquio) amparada por um barco a vapor (Steamboat Willie, alguém?). Níveis cósmicos de fantabulosidade nessa última imagem descrita.

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