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Press Start 2013: do início ao fim, só no vale a pena ouvir de novo


Por Alexei Barros

Apenas para deixar registrado e não se fala mais nisso: dia 30 de agosto o Tokyo Metropolitan Art Space sediou a realização do Press Start 2013, oitava edição da série japonesa de concertos. Como já adiantado nos posts anteriores, neste ano a equipe organizadora decidiu fazer algo não muito empolgante: dedicar o set list todo às reprises. Para quem não esteve lá ao vivo, realmente não é nada animador. Sob a batuta de Taizo Takemoto, a Tokyo Philharmonic Orchestra tocou as dez faixas mais votadas do público em ordem crescente e mais quatro segmentos adicionais. Tinha a expectativa de que pelo menos os dois números do bis fossem inéditos, mas também foram desanimadores repetecos.

Para não ficar muito repetitivo, o post vai ser menor do que o dos anos anteriores. Apenas algumas poucas observações após o set list.

Ato I

01. Super Mario Bros.: “Overworld” ~ “Underwater” ~ “Underworld” ~ “Overworld” (2009)
02. [10º] Kirby’s Dream Land: “Title” ~ “Green Greens” ~ “Float Islands” ~ “Sweet Potato Shooting” ~ “King Dedede’s Theme” ~ “Ending” (2009)
03. [9º] Xenogears: “Knight of Fire” ~ “In a Prison of Peace and Regret” ~ “Flight” (2011)
04. [8º] Okami: “The Beginning” ~ “Ryoshima Plains II” ~ “Reset” ~”Thank You” Version~ (2009 e 2011)
05. [7º] Legend of Mana: “Legend of Mana ~Title Theme~” ~ “Colored Earth” ~ “Hometown Domina” ~ “Ruined Sparkling City” ~ “Song of Mana ~Opening Theme~” (2012)
06. [6º] Baten Kaitos: “To the End of the Journey of Glittering Stars” (2008)
07. [5º] Mother Medley: “Eight Melodies” (Mother) ~ “Eight Melodies” (EarthBound) ~ “Snowman” (Mother) ~ “LOG-O-TYPE” ~ “Porky’s Theme” ~ “MOTHER 3 ‘Love Theme” (Mother 3) (2006)

Ato II

08. [4º] Wild Arms: “Wild Arms 2nd Ignition” Medley (Intro) ~ “Battle vs Lord Blazer” (Wild Arms 2) ~ “Into the Wilderness” (Wild Arms) ~ “First Ignition” (Wild Arms 2) (2008 e 2010)
09. Rhythm Heaven: “Ninja” (2009 e 2010)
10. [3º] NieR: “Shadowlord” ~ “Emil” ~ “Kainé” ~ “Song of the Ancients” (2011)
11. [2º] Chrono Trigger e Chrono Cross: “A Premonition” ~ “Chrono Trigger” ~ “Wind Scene” ~ “Frog’s Theme” ~ “Decisive Battle with Magus” ~ “Epilogue ~ To Beloved Friends” (Chrono Trigger) ~ “Frozen Flame” ~ “Marbule: Home” ~ “Scars of Time” (Chrono Cross) (2010)
12. [1º] Xenoblade Chronicles: “Xenoblade” ~ “Gaur Plains” ~ “Mechanical Rhythm” ~ “Riki the Legendary Hero” ~ “Sator, Phosphorescent Land / Night” ~ “Those Who Bear Their Name” ~ “Confrontation with the Enemy” (2011)

Bis

13. Final Fantasy X: “At Zanarkand” (2009 e 2010)
14. Monster Hunter: “Proof of a Hero” (2006 e 2008)

- Tirando o Super Mario Bros., que abriu o concerto, o segmento interativo do Rhythm Heaven, “At Zanarkand” e “Proof of a Hero”, o programa segue a ordem dos números favoritos do público japonês como detalhei acima. Fiquei um pouco surpreso por Xenoblade Chronicles na liderança, porque o jogo é recente e os japoneses costumam ser nostálgicos nessas votações. Fora isso, o Yasunori Mitsuda aparece duas vezes na lista, com Chrono em segundo e Xenogears em nono, assim como a Yoko Shimomura com Legend of Mana e Xenoblade Chronicles (este com outros compositores).

- De última hora, a sueca Sofi Persson não pôde comparecer para cantar a “Song of Mana ~Opening Theme~” do Legend of Mana, como ela fez no Press Start 2012. Em vez de improvisar com outra artista, a performance foi instrumental, só com a orquestra.

- De resto, foram todas aquelas participações especiais já previstas: Hide-Hide (Okami), Emi Evans (NieR), Manami Kiyota e ACE (Xenoblade Chronicles), Akihiro Hayakawa (Wild Arms), além do Haruo Kubota (violão) e Vagabond Suzuki (contrabaixo).

- Diferentemente dos anos anteriores, parece que não houve bate-papos com os compositores originais. Pelas fotos, não vi ninguém de diferente.

- Espero que a apresentação tenha servido para gravarem um CD, já que o último, Press Start the 5th Anniversary,  foi lançado lá em 2010. E, por favor, que no próximo ano compensem essa avalanche de repetecos só com novidades.

[via Famitsu]

Press Start 2013 confirmado; por enquanto apenas cinco reprises no set list

Por Alexei Barros

Passa ano, vem ano, mais Press Start. Desde 2006 tem sido assim, com pelo menos uma apresentação anual no Japão. Em 2013, o concerto acontecerá dia 30 de agosto no Tokyo Metropolitan Art Space, com capacidade para 2000 assentos, e performance da Tokyo Philharmonic Orchestra sob a condução de Taizo Takemoto. Nesta oitava edição confesso não ter nada de muito novo para falar: “espero pelo segundo CD”, “aguardo novidades japonesas”, “quando vocês vão tocar Donkey Kong e Metroid?” etc. O de sempre. Ou seja, nada de novo.

Se eu não tenho grandes novidades para compartilhar sobre o Press Start 2013, o set list parece incorporar esse espírito da mesmice, com, até o momento, decepcionantes cinco reprises. Espero, pelo menos, que daqui em diante sejam somente novidades, com aquelas seleções marotas que só o Press Start possui. Por enquanto, só me resta comentar os números requentados e, para não ficar mais monótono do que já está, coloquei sugestões de números inéditos para cada uma.

- Okami: “The Beginning” ~ “Ryoshima Plains II” ~ “Reset” ~”Thank You” Version~

Já executado no Press Start 2009 e 2011, considero um repeteco altamente dispensável porque é um dos poucos que já tivemos a oportunidade de ouvir e ver também, com um vídeo oficial mostrando a primeira vez em que o Okami foi tocado. Se pudesse trocar por outro jogo da Clover Studio/Platinum Games, optaria sem pestanejar pelo Bayonetta, que inclusive compartilha alguns compositores com o Okami, como o Hiroshi Yamaguchi, autor da “One Of A Kind”.

- Chrono Trigger e Chrono Cross: “A Premonition” ~ “Chrono Trigger” ~ “Wind Scene” ~ “Frog’s Theme” ~ “Decisive Battle with Magus” ~ “Epilogue ~ To Beloved Friends” ~ “Frozen Flame” ~ “Marbule: Home” ~ “Scars of Time”

Acho que só se justificaria um medley da série se fosse novo – como, por exemplo, fez muito bem a Cosmosky Orchestra, com músicas pouco usuais do Chrono Cross. Já teve Chrono em 2008 e 2010 com duas seleções de faixas diferentes, mas o site do concerto afirma que a reprise será idêntica à segunda vez que o jogo foi apresentado. No lugar, podiam fazer algo com o… Radical Dreamers.

- Legend of Mana: “Legend of Mana ~Title Theme~” ~ “Colored Earth” ~ “Hometown Domina” ~ “Ruined Sparkling City” ~ “Song of Mana ~Opening Theme~”

Pela escolha feliz de composições, deve ter sido um dos melhores números do Press Start 2012. Com certeza isso os levou a quererem repetir sem muita demora já neste ano. Resta saber se haverá de novo a cantora sueca radicada no Japão Sofi Persson como em 2012. Mas, Shimomura por Shimomura, talvez pudessem tocar um medley do Kingdom Hearts mais caprichado que o de 2007.

- Xenogears: “Knight of Fire” ~ “In a Prison of Peace and Regret” ~ “Flight”

Yasunori Mitsuda mais uma vez representado com um medley executado no Press Start 2011. Muito provavelmente a escolha se deu por Xenogears ter ficado na berlinda após o lançamento do Myth: The Xenogears Orchestral Album no mesmo ano. Inclusive o medley tem faixas não arranjadas nesse CD. Se pudesse trocar, ficaria evidentemente com Xenosaga, o qual o concerto Score já fez uma belíssima apresentação.

- NieR: “Shadowlord” ~ “Emil” ~ “Kainé” ~ “Song of the Ancients”

Outra repetição do Press Start 2011. Lembro na época como a trilha original polarizou opiniões em fóruns de discussão na internet. Ironicamente, eu fico no meio desses polos, porque há boas músicas, mas chega uma hora que a repetição começa a imperar. Como há dois anos, não teremos a “Grandma”, que, por uma nova ironia, considero a melhor da trilha. Para continuar com um jogo desenvolvido pela Cavia, que, aliás, fechou as portas após o lançamento do NieR, eu voltaria para a geração PlayStation 2 para se lembrar da transcendental trilha de Drakengard 2 por músicas como a “Fate”.

[via PRESS START]

“Chrono Cross Medley” – Chrono Cross (Cosmosky Orchestra in Bunkyo Civic Hall)

Por Alexei Barros

Eu sei que já passei da linha do insuportável elogiando os japoneses e suas performances, mas, me desculpe, serei obrigado afirmar de novo: os japoneses são os melhores.

Se você procurar por Chrono Cross no YouTube, certamente vai se deparar com uma pletora de gravações de concertos. A maioria será da “Scars of Time”, a música que, se repetida mais umas mil vezes, deverá empatar com a quantidade de execuções da “One-Winged Angel”.

Mas eis que surge a Cosmosky Orchestra em sua primeira aparição em vídeo na internet e toca um medley não só com a “Scars of Time”, mas com outras faixas do RPG do PlayStation que muitos nem se arriscaram chegar perto. Não só com orquestra. Com banda. E com coral – nunca vi tocarem Chrono Cross com coral. Antes mesmo de apertar o play lá embaixo, a imagem geral do palco já levanta dúvidas sobre o amadorismo (onde?) da apresentação. A Cosmosky Orchestra, contando por cima, deve ter cerca de 70 instrumentistas e o Chor Crystal Mana cerca de 40 vozes.

O começo do arranjo exclusivo, do Tomomi Hakamata, já é fora dos padrões, com a sublime “Garden of God” – como puderam ignorá-la esse tempo todo? Apenas ao som do xilofone e da harpa as mulheres entoam a música, climatizando o ambiente etéreo. A orquestra mostra a que veio, com um naipe gigantesco de cordas. Em seguida, a badalada “Scars of Time” é lembrada na flauta, com a harpa e, lá no fundão (do palco e da mixagem) o baixo elétrico, em uma participação mais tímida que na original. Na hora da virada e a percussão a toda, há uma diferença para a maioria dos concertos que tocam a música: a melodia é tocada pelas flautas e não em um solo de violino como é mais comum. No finalzinho, sim, tem o solo de violino, mas competindo com o coral. Deveria ser um ou outro, até porque a mixagem da gravação enterrou o violino.

Depois, vem a calmaria da “Arni Village ~ Home”, que representa o primeiro momento mais tranquilo depois da tensão do prólogo, chegando com a flauta e oboé acompanhados pelas flautas. Um pouco abruptamente surge a curtíssima “Grief”, seguida pela explosão da “The Brink of Death”. A rendição dessa música, devo confessar, ficou bem aquém do esperado pela lerdeza do andamento (basta lembrar a versão da suíte de Chrono no Symphonic Fantasies, com o andamento condizente com a composição). A emocionante “Prisoners of Fate” ganha uma nova dimensão de dramaticidade com o coral, que não existia na original.

O operador de câmera inclusive já sabia: a “Beginning of a Dream” é tocada em um solo de guitarra (sim, tem guitarra ainda por cima), mesmo que, na original, o timbre lembrasse mais uma flauta. A participação do instrumento é até mais justificada com a “Magical Dreamers ~The Wind, the Stars, and the Sea~”, que tinha guitarra mesmo, estabelecendo um diálogo com a orquestra. Daí depois entra, imitando a original, a bateria e o baixo elétrico… estupendo!

Com a percussão a mil, a “The Dream that Time Dreams” é tocada, inclusive com a enfartante alusão ao tema “Chrono Trigger” do predecessor já existente na original e com coral, além de breves ressonâncias da melodia da “Radical Dreamers”. Para fechar, a “Scars of Time” ganha uma rendição completamente diferente, com maior uso do coral.

Evidentemente, não é uma performance perfeita, mas mostra o abismo de qualidade do que temos de mais badalado por aí. Não ouço nenhum playback, não vejo nenhum telão, ninguém chutando cadeira ou tentando agitar a galera. Apenas uma apresentação de fãs que se sustenta pela música e nada mais do que a música.

 “Chrono Cross Medley”
“Garden of God” ~ “Scars of Time” ~ “Arni Village ~ Home” ~ “Grief” ~ “The Brink of Death” ~ “Prisoners of Fate” ~ “Beginning of a Dream” ~ “Magical Dreamers ~The Wind, the Stars, and the Sea~” ~ “The Dream that Time Dreams” ~ “Radical Dreamers” ~ “Scars of Time”

Symphonic Fantasies Tokyo: as já conhecidas fantasias sinfônicas em interpretações mais que perfeitas na Terra do Sol Nascente


Por Alexei Barros

Por mais tempo que um indivíduo se dedique a uma determinada obra, sempre há espaço para melhorias. Quem é perfeccionista e vê o que foi feito anos depois, fica com vontade de mexer aqui, retocar ali e até, por que não, começar do zero. Isso em qualquer atividade. Nos videogames, esse aperfeiçoamento vem na forma das atualizações online. Na música e, especialmente, nas músicas orquestrais, o trabalho de aprimoramento é muito maior. Já imaginou ter que imprimir todas as partituras dos instrumentistas de novo? Pelo tempo e dinheiro que se gasta com isso, os polimentos são raros nos concertos de games.

Mas, quando o Symphonic Fantasies, originalmente executado em 2009 na Colônia, Alemanha, é frequentemente exaltado – “absoluto” e “impoluto” foram adjetivos frequentes quando me referi ao concerto e depois ao álbum publicado em 2010 –, logo você vai imaginar que a produção do espetáculo se acostumará com os elogios, repousando na confortável zona de conforto das reprises idênticas à primeira apresentação. Porém, nada disso aconteceu quando o Symphonic Fantasies foi mostrado em Tóquio em janeiro de 2012, récita esta registrada no álbum Symphonic Fantasies Tokyo, lançado em 11 de junho deste ano.

O impacto causado pelo Symphonic Fantasies foi muito grande há três anos. De uma só vez, o concerto revolucionou nas suítes gigantes (de cerca de 18 minutos), na transmissão em vídeo ao vivo para todo o mundo e na qualidade impecável da performance. Dessa forma, foram feitos convites para apresentações em outros países, e o próprio Nobuo Uematsu sugeriu levar o Symphonic Fantasies ao Japão. Mas, para chegar nesse nível, foram necessários 14 dias cheios de ensaios. Ter todo esse tempo livre nas agendas de orquestras pelo mundo não é comum.

Enquanto isso, graças ao êxito do Symphonic Fantasies, aconteceram mais dois concertos-tributo em Colônia: o Symphonic Legends, em homenagem à Nintendo, em 2010, e o Symphonic Odysseys, em reverência ao Nobuo Uematsu, em 2011. Ainda no ano passado aconteceu o LEGENDS, uma revisão do Symphonic Legends na Suécia que serviu para o produtor Thomas Boecker tirar a conclusão de que seria possível ter a mesma qualidade apresentada na Alemanha com apenas dois dias de ensaio. “A experiência em Estocolmo com LEGENDS me mostrou que, se as partituras forem bem-feitas e os músicos estiverem motivados e forem bons, vai funcionar”, disse antes da realização do Symphonic Fantasies em Tóquio. Além disso, os arranjos foram ajustados para otimizar a performance. “Quanto mais conhecimento o arranjador tiver, ele pode encontrar soluções para fazer soar bem sem ser MUITO difícil de tocar. Então é isso que vamos fazer. O tempo que vamos ganhar dessa forma será gasto para fazer soar ainda mais emocionante, mais bonito.”

Com isso, Boecker decidiu investir em 2012 no Symphonic Fantasies em Tóquio, no décimo ano consecutivo em que ele produz concertos de games, chegando ao país onde tudo começou. O primeiro dessa dezena, o First Symphonic Game Music Concert, em 2003, foi também primeiro espetáculo de game music fora do Japão. Para tanto, ele contratou a Tokyo Philharmonic Orchestra, a mais antiga orquestra de música erudita nipônica (formada em 1901), e o Tokyo Philharmonic Chorus, ambos recorrentes em álbuns e récitas de jogos eletrônicos. Benyamin Nuss no piano e Rony Barrak na darbuka voltaram ao palco e, no lugar do norte-americano Arnie Roth, o alemão Eckehard Stier assumiu a regência. Foram realizadas apresentações nos dias 7 e 8 de janeiro no Tokyo Bunka Kaikan, o mesmo local do Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert. No primeiro dia, estiveram presentes Hiroki Kikuta (Secret of Mana) e Yasunori Mitsuda (Chrono Trigger e Cross) e, no outro, além dos dois, a mestra Yoko Shimomura (Kingdom Hearts). Para completar o quarteto de compositores da Square que haviam comparecido ao espetáculo em Colônia, só ficou faltando mesmo o Nobuo Uematsu.

Como o Symphonic Fantasies original já tinha sido lançado em CD na Europa e no Japão, não seria de esperar que a versão mostrada em Tóquio também fosse. Eis que inesperadamente em maio de 2012 o álbum Symphonic Fantasies Tokyo foi anunciado e em junho foi lançado – por enquanto, somente com publicação no continente europeu.

A principal diferença é que, enquanto o álbum do Symphonic Fantasies original condensava todo o concerto em um CD e deixava o segmento do bis para lançamento digital, o álbum do Symphonic Fantasies Tokyo cobre o espetáculo na íntegra, forçando a divisão do programa em dois discos. O primeiro, com a abertura e as suítes de Kingdom Hearts e Secret of Mana; o outro com as suítes de Chrono e Final Fantasy e o novo bis.

O encarte, com 20 páginas repletas de fotos das apresentações e perfis dos envolvidos, possui agora um prefácio assinado pelo Masashi Hamauzu, que não teve músicas executadas no concerto, mas vem se tornando cada vez mais frequente nas produções do Thomas Boecker. Aliás, só de ver o nome dele, já me deu vontade de que fosse feita uma suíte da série SaGa – obscura no ocidente, mas popular no Japão –, com os seus trabalhos no SaGa Frontier II e especialmente no Unlimited Saga. Mas essa vontade fica para uma próxima. Outra decisão que achei acertada foi a adoção do inglês no texto, dada a universalidade do idioma, visto que, no álbum gravado na Alemanha, a edição japonesa estava escrita na língua local e, na europeia, em alemão. O único ponto um pouco chato disso é a dificuldade de retirar o encarte da caixa do álbum, porque ficou bastante justo, no limite. Se você conseguiu tirar uma vez, é provável que não vai querer fazer isso de novo com medo de estragar o papel.

Uma grande vantagem do Symphonic Fantasies Tokyo em relação ao Symphonic Fantasies é justamente o fato de o concerto ter sido gravado no Japão. Como dito aqui tantas vezes, o público nipônico é extremamente acanhado e, verdade seja dita, educado. Uma plateia inteligente, que respeita a performance e quer apreciá-la, quer fazer valer o ingresso. Durante os dois CDs não há um pio sequer da plateia e nem mesmo aplausos ao final da execução de cada número, o que dá ao Symphonic Fantasies Tokyo a impressão de ter sido gravado em estúdio tamanho o silêncio. No CD do Symphonic Fantasies dá para ouvir, durante a execução do tema dos Chocobos, um “woow” proferido por um fã tresloucado. Hoje, esse cara deve estar muito por feliz por ter o grito eternizado e arranhado a perfeição da performance. Aqui não há nada disso, muito felizmente. Por isso… viva os japoneses!

Já adianto que, excetuando o Encore, todo o resto da seleção de músicas arranjadas é similar ao primeiro Symphonic Fantasies. Mesmo que continue achando que algumas faixas poderiam entrar (nada vai me tirar da cabeça que fez muita falta a “Danger” no Secret of Mana e talvez mais alguma música animada do jogo), não vou repetir tudo o que já falei. É tudo uma questão de comparações. Se na ocasião do concerto eu confrontei os arranjos orquestrais com as originais e no review do álbum coloquei frente a frente os arranjos da mixagem do CD com a versão transmitida, o cotejo agora será entre os dois álbuns. As novidades do Symphonic Fantasies Tokyo estão nas entrelinhas, nas interpretações, nas sutilezas, portanto vamos revisitar aos poucos, com calma, as histórias contadas pelas suítes no palco do concerto realizado na Terra do Sol Nascente.

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Yasunori Mitsuda cutuca ferida e reabre cicatriz temporal do Chrono Cross Arrange Album; ouça a “Dimension Break”

Por Alexei Barros

Os mais atentos devem estar cientes do Play for Japan: The Album, projeto que congregou diversos compositores de games de todo o mundo para ajudar as vítimas do terremoto no Japão. Akira Yamaoka é o líder da empreitada, e ele conseguiu reunir nomes como Nobuo Uematsu, Koji Kondo, Hirokazu Tanaka, Jason Graves, Tommy Tallarico e até mesmo a simpática Laura Shigihara, conhecida na cena indie pela trilha do jogo Plants vs. Zombies. Lançada dia 15 de julho, a coletânea é vendida digitalmente no Amazon e iTunes por dez dólares.

À parte a iniciativa salutar do Yamaoka e a reunião de nomes ocidentais e japoneses em um mesmo álbum, o detalhe mais interessante é referente à participação do Yasunori Mitsuda. Volto para dezembro de 2008, quando, surpreendentemente, ele liberou uma amostra da “A Narrow Space Between Dimensions” que seria parte do aguardado Chrono Cross Arrange Album, que vem se arrastando desde 2006. A mesma faixa renasceu, em versão completa, no Play for Japan: The Album agora chamada “Dimension Break”. São apenas dois minutos, mas dois minutos altamente gratificantes. Um belo arranjo para cordas de uma música executada originalmente apenas no violão – se quiser comparar: “A Narrow Space Between Dimensions”. Não acabou por aqui. Em entrevista ao IndieGames.com, Mitsuda disse que chegou um momento em que ele havia desistido de fazer o Chrono Cross Arrange Album… (depois de tudo isso, era só o que faltava). Felizmente, os pedidos dos fãs foram tantos, imagino que com o Twitter isso deve ter aumentado ainda mais, que ele quer fazer, pouco a pouco. Mitsuda não deveria, mas prometeu uma previsão de lançamento: inverno japonês (nosso verão); no pior dos casos, próximo verão (inverno por aqui). Não entendo sinceramente por que tanta dificuldade, visto que o Myth: The Xenogears Orchestral Album foi publicado sem nenhuma demora – o que está demorando é o post sobre o álbum.

[via IndieGames.com]

Little Jack Orchestra e o sétimo concerto secreto pró-amador


Por Alexei Barros

Em agosto de 2009 a Little Jack Orchestra realizou um concerto de Final Fantasy VI. No final do post, escrevi: “Para outubro de 2010 já foi confirmado o sétimo concerto anual da Little Jack Orchestra com… adivinha, um dos jogos preferidos das orquestras pró-amadoras:  Chrono Trigger!”

Pois é o que aconteceu. A apresentação presenciada por Yasunori Mitsuda acabou ocorrendo dia 14 de novembro de 2010 e ainda envolveu Dragon Quest e um pouco de Chrono Cross no Parthenon Tama, Tóquio, local com 1400 assentos e ingressos a 1000 ienes (20 reais). Foram poucos os detalhes que consegui desvendar nos relatos japoneses sobre a performance, então me limito a comentar o set list.

Mesmo com tantos concertos profissionais tocando Chrono Trigger é incrível como ainda tem músicas excelentes a serem aproveitadas. Por exemplo, “Guardia Castle ~Courage and Pride~”, “Boss Battle 2″ e…“Black Omen”! As composições do Nobuo Uematsu estão entre as esquecidas e, em um momento raro, três faixas dele foram tocadas em diferentes medleys: “Tyrano’s Castle”, “Sealed Door” e “Burn! Bobonga!”. A “Guardia Millenial Fair” foi executada duas vezes: na primeira os próprios instrumentistas da Little Jack bradaram o “Ha!”, e na outra a plateia foi convidada a acompanhar a orquestra. No número de despedida, foi tocado o medley “Ending – Burn! Bobonga!~Frog’s Theme~To Far Away Times” inserido na adaptação de PlayStation e Nintendo DS.

O próximo concerto da Little Jack Orchestra está marcado para 28 de agosto de 2011, ainda com programa a ser definido.

Ato I

01 – “Overture March” (Dragon Quest)
02 – “Chateau Ladutorm” (Dragon Quest)
03 – “People” (Dragon Quest)
04 – “Unknown World” (Dragon Quest)
05 – “Fight” (Dragon Quest)
06 – “Dungeon” (Dragon Quest)
07 – “King Dragon” (Dragon Quest)
08 – “Finale” (Dragon Quest)

Ato II

09 – “A Premonition” ~ “Chrono Trigger” (Chrono Trigger)
10 – “Peaceful Days” ~ “Guardia Millenial Fair” (Chrono Trigger)
11 – “Wind Scene” (Chrono Trigger)
12 – “The Royal Trial” ~ “The Hidden Truth” (Chrono Trigger)
13 – “Guardia Castle ~Courage and Pride~” ~ “Frog’s Theme” ~ “Battle with Magus” (Chrono Trigger)
14 – “Tyrano’s Castle” ~ “Boss Battle 2″ (Chrono Trigger)

Ato III

15 – “The Brink of Time” ~ “Corridors of Time” (Chrono Trigger)
16 – “Singing Mountain” (Chrono Trigger)
17 – “Sealed Door” ~ “Epoch ~Wings that Cross Time~” (Chrono Trigger)
18 – “Black Omen” ~ “World Revolution” ~ “Last Battle” (Chrono Trigger)
19 – “Epilogue ~ To Beloved Friends” ~ “To Far Away Times” Chrono Trigger)
20 – “Schala’s Theme” ~ ““Scars of Time” ~ “The Dream that Time Dreams” (Chrono Trigger e Chrono Cross)

Bis

21 – “Guardia Millenial Fair” (Chrono Trigger)
22 – “Ending – Burn! Bobonga!~Frog’s Theme~To Far Away Times” (Chrono Trigger)

Agradecido ao Fabão, que enviou os links dos reports semanas atrás.

[via nijiiroleina.blog49.fc2.com, miri in japan e Nonsense Zone]

Video Games Live: Level 2: seria ótimo se ainda estivéssemos em 2006


Por Alexei Barros

Mais de dois anos depois do Video Games Live: Volume One, lançado em julho de 2008, sai a sequência, sem os atrasos e aparentemente livre das controvérsias. Continuação? Sete números já tinham sido registrados no primeiro álbum, sendo que outros cinco estariam quando o CD era nomeado Video Games Live: Greatest Hits – Volume One, e acabaram ficando de fora por problemas de licenciamento, o que obrigou a remoção do “Greatest Hits” do título. Fica para mais do mesmo.

Gravado dia 1 de abril em Nova Orleans, EUA, no Pontchartrain Center com performance da The Louisiana Philharmonic Orchestra e de um coral sem nome de 34 vozes, o Video Games Live: Level 2 é o álbum que melhor sintetiza o repertório mainstream do show. Os principais hits estão presentes, com exceção, eu diria de Kingdom Hearts, que seria o ápice da redundância, pois segue a partitura original e já apareceu no VGL: Volume One, e do Metal Gear Solid, uma ausência compreensível pela acusação de plágio, pois a própria Konami abandonou a música. Mesmo assim, é uma track list que seria interessante para 2005 ou 2006. Hoje não tem a mesma graça.

Se o VGL: Volume One possuía somente três números de jogos japoneses e oito ocidentais, no Level 2 ficou mais equilibrado: nove nipônicos e sete americanos. Falta variedade, todavia. Desses sete, três são da Blizzard, e dois da mesma franquia, Warcraft. É de se elogiar a façanha de licenciar as músicas da Nintendo no CD, ainda que não faça tanta diferença assim no fim das contas, já que os dois arranjos orquestrados foram lançados anteriormente no Orchestral Game Concert. Diferentemente do que se supunha, não é tão complicado assim licenciar Final Fantasy em um álbum com faixas de outras produtoras, e o que facilitou neste caso é o fato de o arranjo da “One-Winged Angel” ser próprio do VGL, por mais parecido que possa ser com as outras versões. Isso não aconteceu no PLAY! A Video Game Symphony Live! porque a turnê concorrente usa as partituras dos concertos oficiais da série, que pertencem à Square Enix. Quanto ao Chrono Trigger, a inclusão agora se tornou possível porque a marca foi registrada por ocasião da transmissão em vídeo do Symphonic Fantasies. Tudo isso é para se empolgar não com o VGL, mas com as portas que se abrem para os CDs de outras produções.

Aquela crítica de o VGL: Volume One ter somente três das 11 faixas gravadas ao vivo, levando em consideração o “Live” do nome do espetáculo, e o restante em estúdio eu retiro. A tão proclamada “emoção de um show de rock” na descrição do Video Games Live pode ser sentida muito bem, até demais no VGL: Level 2. Como disse quando os samples foram liberados, os gritos não chegam ao nível da torcida brasileira (não consigo chamar de plateia espectadores que torcem para um personagem ganhar uma luta), mas aparecem em todos os números, exceção aos solos de piano. Antes, durante e depois das performances.

Eu disse show? Nos segmentos com guitarra, baixo elétrico e bateria – estes dois últimos são de verdade, não playback como na maioria das apresentações –, em especial Mega Man, Castlevania e Final Fantasy VII, a orquestra não pode ser ouvida em sua plenitude por conta do conflito de instrumentos de sonoridade forte e baixa. Não há uma homogeneidade como na Metropole Orchestra da série holandesa Games in Concert em que guitarra, baixo e bateria atuam como instrumentos da orquestra, não uma parte alheia ao restante. Falei do baixo. Tocado pelo próprio contrabaixista da orquestra, David Anderson, o baixo elétrico só aparece quando a guitarra toca, nos  arranjos com pendor para o rock. Ridículo! Como se o baixo só combinasse com o gênero. Não acabou aqui a minha indignação sobre esse tópico como você verá nos segmentos de Chrono e Sonic.

Mesmo quando não está acompanhada da banda, a mixagem não proporciona uma experiência sinfônica que torna as performances orquestradas tão especiais, que é de testemunhar dezenas de instrumentistas reproduzindo a música. Chega a ser irônico que nas declarações em vídeo Jack Wall e Tommy Tallarico salientam que muitos pais os agradeceram porque graças ao Video Games Live seus filhos viram uma orquestra pela primeira vez, e que isso normalmente não aconteceria se não fossem tocadas músicas de videogame. Como se o VGL fosse um baita concerto.

Após o Hadouken, comento cada uma das 16 faixas do Video Games Live: Level 2, e espero fazer isso pela última vez de determinados números. Agora não tem mais aquela desculpa de que as gravações amadoras são horrendas e o YouTube piora a qualidade.

Vale lembrar que a versão digital possui ainda Mass Effect e Myst, e o DVD e Blu-ray contam com os dois além do “Classic Arcade Medley” (em versão depenada, somente com Pong, “Cavalgada das Valquírias”, Dragon’s Lair e Tetris), “Sweet Emotion” (Guitar Hero: Aerosmith) e “Tetris Solo Piano Medley”. Em compensação, em vídeo não tem nada da Nintendo e nem da Square Enix, menos Chrono Cross.
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Symphonic Fantasies: as fantasias reais eternizadas em um CD imaculado

Por Alexei Barros

Seis meses de arranjo e orquestração. Catorze dias de ensaios. Para pouco mais de 1 hora e 20 minutos de apresentação. Compensa tanto tempo e labor? Respondo com um decisivo sim (sem esquecer o processo de seleção de faixas, a parte burocrática de licenciamento e a fadiga dos instrumentistas e envolvidos). Vale não apenas pela experiência musical ímpar que se vivencia naquela hora – inesquecível para os 2000 espectadores in loco; memorável para tantos outros mundo afora –, como também porque agora o resultado do processo esmeroso ficou imortalizado em um disco para infindáveis apreciações.

Falo evidentemente do Symphonic Fantasies, concerto em homenagem à Square Enix que foi aclamado em diversas partes do planeta graças à inédita transmissão em streaming de vídeo, a ponto de ser elogiado pelos responsáveis de outras produções, como Tommy Tallarico, do Video Games Live, e Hiroaki Yura, do A Night in Fantasia. A fórmula inovadora delineada pelo produtor Thomas Boecker e idealizada pelo arranjador Jonne Valtonen de coadunar temas das mesmas séries em suítes longas de alto valor artístico se mostrou muito mais acessível do que se poderia imaginar para um público acostumado com arranjos presos aos temas originais, que é o que os concertos de games, em sua imensa maioria, costumam oferecer.

Tudo aconteceu no dia 12 de setembro de 2009, no suntuoso Philharmonic Cologne Hall na cidade de Colônia, Alemanha, com a performance da WDR Radio Orchestra Cologne, com aproximadamente 80 integrantes, e do WDR Radio Choir Cologne, formado por 40 coristas, sob a regência de Arnie Roth. Na plateia, estavam Yoko Shimomura, representando a série Kingdom Hearts; Hiroki Kikuta, Secret of Mana; Yasunori Mitsuda, Chrono Trigger e Chrono Cross; e, finalmente, Nobuo Uematsu, a série Final Fantasy.

Depois de rumores esparsos, o disco foi anunciado pelo administrador da WDR Orchestra, Winfried Fechner, em entrevista ao SEMO realizada em março de 2010. A data de lançamento foi veiculada pelo site da Amazon alemã inicialmente para dia 21 de maio com publicação da Sony Classical Germany. Todavia, tratava-se de um equívoco da loja virtual, que alterou a data para 31 de dezembro. Posteriormente ocorreu a revelação oficial para setembro, desta vez com o selo da Decca (Universal Music). Em seguida, o lançamento alemão foi precisado para o dia 24 e, numa decisão rara, adiantado para uma semana antes, 17 de setembro, pouco mais de um ano depois da realização do concerto. Dois dias antes, a Square Enix publicou o álbum no Japão com número de catálogo SQEX-10202.

O conteúdo musical é o mesmo, a diferença é o encarte. A edição germânica possui na capa um estiloso controle-violino de madeira, ao passo que a japonesa possui a imagem da lateral de uma espécie de enciclopédia com os nomes dos compositores em destaque. No livreto há perfis dos principais envolvidos, mas infelizmente a compreensão do texto é limitada aos entendedores dos dois idiomas locais. Um detalhe que poderia ser acrescentado são as letras em latim e tradução das suítes de Secret of Mana e Final Fantasy como foram escritas especialmente para o concerto de acordo com os universos dos respectivos jogos e séries. Cada suíte tem quatro faixas detalhadas (exatamente as anunciadas antes do concerto), e não seria muito pedir que fossem arroladas todas as músicas homenageadas – a ordem é impossível, eu sei, pelo menos a lista completa, ainda que na maioria dos álbuns a informação não seja divulgada oficialmente.

Apesar de planejado para ser executado ao vivo, o conceito do Symphonic Fantasies está muito mais de acordo com um álbum. Explico. Exceção à suíte de Final Fantasy, que segue formato mais simples de medley, ou seja, faixa A + faixa B + faixa C e assim por diante com devidas transições, as outras três suítes são quebra-cabeças, com idas e vindas, variações, sobreposições de melodias e alusões sutis. É impossível absorver tudo de primeira, por isso é um imperativo novas audições. Por que então ouvir o CD se as gravações estão no YouTube e afins?

Primeiro porque é muito mais recompensador possuir uma recordação material de um espetáculo histórico e caprichado como o Symphonic Fantasies, e outro porque a qualidade está ainda melhor, acredite você, como se não bastasse a perfeição da transmissão ao vivo. Editada e mixada no WDR Radio Studios, a gravação passou pelo crivo do arranjador e dos quatro compositores e foi masterizada no Abbey Road Studios. Parece gravado em estúdio pela nitidez de som estonteante, e só se percebe que é ao vivo pelos aplausos no final de cada um dos cinco números e pelos risos ao fundo acompanhado de um “woow!” de um infeliz da plateia quando é tocado o tema dos Chocobos.

Falei cinco números. O sexto, “Encore (Symphonic Fantasies)”, que era um medley convencional de oito minutos com quatro temas de batalha contra chefe, acabou não cabendo no CD e está somente disponível na versão digital. Embora preferisse dois discos para que fosse registrada a experiência do concerto em sua plenitude, não é uma ausência vital. Não deixa de ser uma decisão ousada, visto que a miscelânea acabava com a “One-Winged Angel”, e não é todo dia que sai um álbum de um concerto relacionado com Final Fantasy sem o tema considerado muitas vezes pelos fãs casuais como obrigatório.

Posto isso tudo, revisitei a abertura e as quatro suítes com o perdão da sua paciência porque há muitos detalhes que vieram à tona com a mixagem do CD. Não mencionei novamente as músicas que senti falta ou então comparei com outros arranjos. Seria redundante, sem falar que um ano depois, passo a compreender a ausência de algumas, porque cada segmento possui a própria vibração e complementa o outro no contexto do concerto, em uma escala gradativa. Foi tudo planejado e equilibrado para não enfastiar ou cansar os ouvidos no decorrer das suítes e na récita como um todo.

Depois do Hadouken você também pode conferir no Goear as suítes nas versões do álbum, mas fica o aviso: nada se compara ao CD, que está superior evidentemente. Um concerto com semelhante perfeição de performance suplica para ser apreciado na melhor qualidade possível.

Continuar lendo ‘Symphonic Fantasies: as fantasias reais eternizadas em um CD imaculado’

Press Start 2010: Chrono Trigger & Cross, NES Medley, Muramasa: The Demon Blade e Mother

Por Alexei Barros

Desde que o site oficial do Press Start 2010 foi inaugurado para a revelação do concerto tudo estava inerte, às moscas, mesmo tendo passado muito tempo após o fim da eleição da reprise que findou dia 30 de abril. Até que hoje a página foi atualizada não com um, nem dois, mas já adiantando quatro segmentos do programa, infelizmente sem detalhar quais as faixas de cada número como em 2009. E os ingressos estão à venda. Não fiquei muito empolgado com as novidades (ou seriam meias-novidades?), com exceção de uma deveras interessante que constava na minha wishlist. Além dos comentários dos organizadores foram publicadas mensagens dos fãs. Vamos ver o pouco que entendi:

- Chrono Trigger & Cross

De novo? Será a terceira vez que o Press Start toca algo da série. Em 2007 foi um segmento arroz com feijão do Trigger, adaptado do Orchestral Game Concert 5, e em 2008 um medley abarcando músicas também do Cross que foi executado no bis. Trata-se de uma das reprises escolhidas pelo público, e me refiro evidentemente ao medley que há dois anos foi presenciado por Yasunori Mitsuda. De acordo com o maestro Taizo Takemoto, a performance foi bem recebida na ocasião e ainda impressiona. A título de curiosidade, eis a seleção:

- “Epilogue ~ To Beloved Friends” (Chrono Trigger)
- “Chrono Trigger” (Chrono Trigger)
- “Frog’s Theme” (Chrono Trigger)
- “Decisive Battle with Magus” (Chrono Trigger)
- “Radical Dreamers” (Chrono Cross)
- “To Far Away Times” (Chrono Trigger)
- “The Scars of Time” (Chrono Cross)

Não apenas pelas faixas, principalmente pelo arranjo, se é que dá para considerar muito o que escutei pela apresentação chinesa do Press Start, não tem nem comparação com a “Fantasy III (Chrono Trigger & Cross)” do Symphonic Fantasies. Justo por isso que não consigo ficar animado, ainda mais sendo uma reprise.

- NES Medley

Em 2009, o Press Start estreou um segmento que mais se aproxima do Video Games Live pela interação com o público. Era um medley de jogos do NES, não só da Nintendo como de outras produtoras. Conforme se ouvia a música, o espectador era instigado a acompanhar a melodia com as palmas caso a reconhecesse até que o telão mostrava o nome do jogo para conferir se estava correto. Foram duas configurações diferentes para cada apresentação, tarde e noite, com seleções interessantes, como Kid Icarus, Ghosts ‘n Goblins, Mappy e Yie Ar Kung-Fu. A fórmula deu certo de acordo com o roteirista Kazushige Nojima. E se entendi corretamente, os títulos deste ano serão diferentes. Ainda bem!

- Muramasa: The Demon Blade

Opa, aqui começou o Press Start 2010. Antes de mais nada, é preciso frisar este momento raro da natureza porque enfim um concerto japonês profissional vai tocar Hitoshi Sakimoto! Ogre Battle, Final Fantasy Tactics, Valkyria Chronicles e, claro, Final Fantasy XII seriam algumas das escolhas que se imaginaria em um primeiro momento, mas o que importa no caso não é o compositor, e sim um estilo preponderante da trilha do jogo de plataforma do Wii conhecido no Japão como Oboromuramasa, que foi recomendada a mim pelo Farley. Seguindo a tradição iniciada por Samurai Shodown (2008) e Okami (2009), o segmento de Muramasa: The Demon Blade trará na companhia da orquestra, instrumentos nipônicos tradicionais, como o shamisen.  Se compreendi bem o texto do Masahiro Sakurai, será um medley com duas faixas, “Introduction” e “Impermanence”, ambas de autoria do Sakimoto – outros instrumentistas do estúdio Basiscape o auxiliaram neste trabalho.

- Mother

Dos retornos foi o que mais gostei, afinal aquele sensacional “Mother Medley” é do hoje longínquo Press Start 2006. E detalhe muito importante: o arranjo será totalmente inédito, é intitulado “Mother 2010”, e possui músicas do primeiro Mother e não do Earthbound e Mother 3 como há quatro anos. Shogo Sakai, que muito provavelmente é o arranjador, lembrou que a “Eight Melodies” é utilizada no aprendizado de música no Japão e recordou do álbum Mother de 1989, ressaltando a vocalista e o coral de crianças. Será que o segmento deste ano terá os mesmos elementos?

[via PRESS START]

A Night in Fantasia 2009: eminente só no mundo da fantasia


Por Alexei Barros

Parece até um milagre hoje em dia: o lançamento da gravação de um concerto com arranjos inéditos e exclusivos em meio ao oceano de restrições de direitos autorais que aterrorizam as apresentações de game music, a maioria com versões recicladas. Mas minha empolgação é contida. Serei franco: ainda que o currículo da Eminence seja respeitável, eles ainda têm muito o que aprender com a produção, organização e divulgação, áreas que resistem em permanecer com um pé no amadorismo. Por exemplo, o que aconteceu com Valkyria Chronicles e Diablo III no set list e o Hitoshi Sakimoto na plateia, que chegaram a ser anunciados no site oficial?

Vou além. Mesmo a performance, sempre exaltada, não é tão exímia quanto deveria. Isso me leva a questionar as autopropagandas e o hype exagerado  no site oficial, Facebook e Twitter – na maioria das vezes dispensáveis, como aqui –, e os elogios exacerbados do grande séquito de fanboys espalhados pelo mundo. Eu me incluía no grupo de admiradores (ainda me mantenho, com ressalvas) mais extasiado pelas exclusividades do set list (Final Fantasy XII e The Legend of Zelda: Twilight Princess especialmente) do que pela primazia ou arrojo da execução, muito porque os registros são escassos.

O CD duplo do A Night in Fantasia 2009, que foi oficialmente anunciado para sair no dia 8 de janeiro de 2010, atrasou um pouco, nada digno de nota. Uns dois meses. Quem comprou por pré-venda no site da Eminence recebeu o álbum no final de março e início de abril. Considerando que a apresentação ocorreu dia 26 de setembro de 2009, seis meses é um tempo habitual que separa o concerto do lançamento do CD, então por que anunciar a data de maneira tão precoce? Além disso, em um primeiro momento a gravação seria feita em estúdio, não ao vivo – felizmente a qualidade de áudio é elogiável, com alguns aplausos mais efusivos no final de determinadas performances.

Como fiz na ocasião do concerto, quando comentei sobre as músicas de uma gravação amadora, falarei sobre cada faixa do disco 1 intitulado “Symphonic selection from Video Games” – seleção porque Command and Conquer: Red Alert 3, Darksiders, God of War II, Dragon Age: Origins e Metal Gear Solid 2 / 3 não entraram no CD. O disco 2 traz os segmentos de animes que tomei a liberdade de passar batido. É uma mistura interessante de quatro seleções de jogos japoneses e duas de ocidentais, sendo que estas nunca foram lembradas em outra oportunidade.

Pelo título do post, alguns podem pensar que o CD é um desastre. Claro que não é assim. Tem pontos positivos e negativos. É bom, mas não é tão eminente como comento depois do Hadouken.

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