Posts Tagged 'Castlevania'

Akumajo Dracula Tribute Vol.1 e 2: tributo sem tribulação

Por Alexei Barros

Vasta, rica e altamente qualificada: é a discografia de Castlevania. Qualquer tributo a composições antigas deve ser justificado, para ombrear álbuns do nível de Drabula Battle Perfect Selection I e II. Se for um tributo preguiçoso, como o Gradius Tribute, com alguns arranjadores praticamente desconhecidos no meio, é melhor nem fazer. A Konami aprendeu a lição e publicou a dupla Akumajo Dracula Tribute Vol.1 e Akumajo Dracula Tribute Vol.2, ambos 13 de janeiro de 2011, emprestando as músicas vampirescas para nomes de primeiro gabarito. Entre outros, Motoi Sakuraba, Masashi Hamauzu e Hiroki Kikuta.

Não que todas as 26 faixas (13 de cada disco) sejam magistrais, pelo contrário – “Vampire Killer ~Castlevania (Nintendo Entertainment System)~” é digno do detestável Perfect Selection Dracula. Por isso, passei rapidamente apenas pelas que mais me agradaram, ignorando o fato que os dois discos saíram em janeiro e comento só agora.
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“Castlevania Medley” – Castlevania, Castlevania II: Simon’s Quest, Castlevania: Bloodlines, Castlevania: Symphony of the Night e Castlevania: Lords of Shadow (Play! 2011 em Dayton)

Por Alexei Barros

Um dilema me consome. Na maioria das ocasiões, preparam-se arranjos novos para apresentações únicas, enquanto que nas turnês, em que os números são repetidos diversas vezes, costumam-se reciclar partituras conhecidas, a exemplo do “Castlevania Suite” do Play! A Video Game Symphony, já que um excerto do segmento é baseado no álbum Perfect Selection Dracula ~New Classic~.

Mas isso vem mudando. O Play! está se aperfeiçoando. Como prometido, e com número maior de composições que o anunciado, foi mostrado um arranjo inédito da série vampiresca no concerto em Dayton. Antes de embarcar no vídeo, adianto duas coisas: 1) Em nenhum instante do medley senti o mesmo deleite nostálgico da “Dracula’s Castle” do Castlevania the Concert; 2) Ainda gosto mais, falando de miscelâneas de toda a saga, do enxuto “Castlevania Medley” do Press Start 2007, apesar de que alguns possam achar que as faixas foram socadas pelo pouco tempo total. De jeito algum isso fere o trabalho de Chad Seiter, que sinaliza um novo passo no processo de maturação dos arranjos dos concertos de games, sem a obrigação de se prender à literalidade, percurso capitaneado pelos concertos Symphonic da Alemanha.

De cara se nota isso: a “Vampire Killer” é homenageada brevemente, o suficiente para vir à mente a melodia. “Moonlight Nocturne” (0:25) surge calmamente com as coristas femininas, as flautas, os coristas masculinos, no momento em que o Play! tem um momento Video Games Live no telão, com a aparição da impagável mensagem “What a terrible night to have a curse” do Castlevania II: Simon’s Quest, arrancando risadas do público. “Iron Blue Intention” (1:30) surge de leve e, com as batidas da percussão, vira uma marcha e fica sublime nas cordas e melhor com o coral. “Message of Darkness” (3:41) adiciona um clima de nervosismo, especialmente quando, de novo, o coro invade a performance, o que também acontece com a “Bloody Tears” (4:15), que ficou fantástica dividida entre os sussurros, os metais e os violinos. A “Vampire Killer” (5:59), em nova rendição, é emendada naturalmente, fechando com a “The Last Battle” (6:47), que não soou deslocada como temia por ser do Lords of Shadow, de um compositor de estilo diferente dos demais, Óscar Araujo.

Se na “Terra’s Theme” a Dayton Philharmonic é que mostrava excelência, agora é o Dayton Chorus que causa admiração, especialmente porque, pelo alto custo de contratação, nem sempre são usados os melhores corais em apresentações de turnês. É, Play!, seja bem-vindo de volta.

- “Castlevania Medley”
“Vampire Killer” (Castlevania) ~ “Moonlight Nocturne” (Castlevania: Symphony of the Night) ~ “Iron Blue Intention” (Castlevania: Bloodlines) ~ “Message of Darkness” ~ “Bloody Tears” (Castlevania II: Simon’s Quest) ~ “Vampire Killer” (Castlevania) ~ “The Last Battle” (Castlevania: Lords of Shadow)

P.S.: Eventualmente, posso ter esquecido de alguma música ou me confundido de faixa do Lords of Shadow. Caso isso aconteça, não deixe de bradar nos comentários.

Video Games Live: Level 2: seria ótimo se ainda estivéssemos em 2006


Por Alexei Barros

Mais de dois anos depois do Video Games Live: Volume One, lançado em julho de 2008, sai a sequência, sem os atrasos e aparentemente livre das controvérsias. Continuação? Sete números já tinham sido registrados no primeiro álbum, sendo que outros cinco estariam quando o CD era nomeado Video Games Live: Greatest Hits – Volume One, e acabaram ficando de fora por problemas de licenciamento, o que obrigou a remoção do “Greatest Hits” do título. Fica para mais do mesmo.

Gravado dia 1 de abril em Nova Orleans, EUA, no Pontchartrain Center com performance da The Louisiana Philharmonic Orchestra e de um coral sem nome de 34 vozes, o Video Games Live: Level 2 é o álbum que melhor sintetiza o repertório mainstream do show. Os principais hits estão presentes, com exceção, eu diria de Kingdom Hearts, que seria o ápice da redundância, pois segue a partitura original e já apareceu no VGL: Volume One, e do Metal Gear Solid, uma ausência compreensível pela acusação de plágio, pois a própria Konami abandonou a música. Mesmo assim, é uma track list que seria interessante para 2005 ou 2006. Hoje não tem a mesma graça.

Se o VGL: Volume One possuía somente três números de jogos japoneses e oito ocidentais, no Level 2 ficou mais equilibrado: nove nipônicos e sete americanos. Falta variedade, todavia. Desses sete, três são da Blizzard, e dois da mesma franquia, Warcraft. É de se elogiar a façanha de licenciar as músicas da Nintendo no CD, ainda que não faça tanta diferença assim no fim das contas, já que os dois arranjos orquestrados foram lançados anteriormente no Orchestral Game Concert. Diferentemente do que se supunha, não é tão complicado assim licenciar Final Fantasy em um álbum com faixas de outras produtoras, e o que facilitou neste caso é o fato de o arranjo da “One-Winged Angel” ser próprio do VGL, por mais parecido que possa ser com as outras versões. Isso não aconteceu no PLAY! A Video Game Symphony Live! porque a turnê concorrente usa as partituras dos concertos oficiais da série, que pertencem à Square Enix. Quanto ao Chrono Trigger, a inclusão agora se tornou possível porque a marca foi registrada por ocasião da transmissão em vídeo do Symphonic Fantasies. Tudo isso é para se empolgar não com o VGL, mas com as portas que se abrem para os CDs de outras produções.

Aquela crítica de o VGL: Volume One ter somente três das 11 faixas gravadas ao vivo, levando em consideração o “Live” do nome do espetáculo, e o restante em estúdio eu retiro. A tão proclamada “emoção de um show de rock” na descrição do Video Games Live pode ser sentida muito bem, até demais no VGL: Level 2. Como disse quando os samples foram liberados, os gritos não chegam ao nível da torcida brasileira (não consigo chamar de plateia espectadores que torcem para um personagem ganhar uma luta), mas aparecem em todos os números, exceção aos solos de piano. Antes, durante e depois das performances.

Eu disse show? Nos segmentos com guitarra, baixo elétrico e bateria – estes dois últimos são de verdade, não playback como na maioria das apresentações –, em especial Mega Man, Castlevania e Final Fantasy VII, a orquestra não pode ser ouvida em sua plenitude por conta do conflito de instrumentos de sonoridade forte e baixa. Não há uma homogeneidade como na Metropole Orchestra da série holandesa Games in Concert em que guitarra, baixo e bateria atuam como instrumentos da orquestra, não uma parte alheia ao restante. Falei do baixo. Tocado pelo próprio contrabaixista da orquestra, David Anderson, o baixo elétrico só aparece quando a guitarra toca, nos  arranjos com pendor para o rock. Ridículo! Como se o baixo só combinasse com o gênero. Não acabou aqui a minha indignação sobre esse tópico como você verá nos segmentos de Chrono e Sonic.

Mesmo quando não está acompanhada da banda, a mixagem não proporciona uma experiência sinfônica que torna as performances orquestradas tão especiais, que é de testemunhar dezenas de instrumentistas reproduzindo a música. Chega a ser irônico que nas declarações em vídeo Jack Wall e Tommy Tallarico salientam que muitos pais os agradeceram porque graças ao Video Games Live seus filhos viram uma orquestra pela primeira vez, e que isso normalmente não aconteceria se não fossem tocadas músicas de videogame. Como se o VGL fosse um baita concerto.

Após o Hadouken, comento cada uma das 16 faixas do Video Games Live: Level 2, e espero fazer isso pela última vez de determinados números. Agora não tem mais aquela desculpa de que as gravações amadoras são horrendas e o YouTube piora a qualidade.

Vale lembrar que a versão digital possui ainda Mass Effect e Myst, e o DVD e Blu-ray contam com os dois além do “Classic Arcade Medley” (em versão depenada, somente com Pong, “Cavalgada das Valquírias”, Dragon’s Lair e Tetris), “Sweet Emotion” (Guitar Hero: Aerosmith) e “Tetris Solo Piano Medley”. Em compensação, em vídeo não tem nada da Nintendo e nem da Square Enix, menos Chrono Cross.
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“Old-School Medley” – Castlevania, Castlevania II: Simon’s Quest, Castlevania III: Dracula’s Curse (Castlevania the Concert)

Por Alexei Barros

Os três vídeos que publiquei do Castlevania the Concert representavam parte da fase mais recente da série, todos do Symphony of the Night. Ou não tão recente assim, já que tem quase 13 anos de vida. Mas definitivamente a tradição vampiresca no que tange às músicas foi construída logo nos primeiros jogos do NES, graças a nomes como Kinuyo Yamashita, Kenichi Matsubara, Hidenori Maezawa e ilustres obscuros – quando vamos saber quem é S. Terashima?

Por isso, os chiptunes primordiais não poderiam faltar no concerto da série, e foram compilados em um único segmento intitulado “Old-School Medley”. Reúne os temas da primeira fase de cada capítulo da trilogia 8-bits, menos do Simon’s Quest: em vez da “The Silence of Daylight” – às vezes acho que sou o único que gosta dela –, a “Bloody Tears”, o que de forma alguma é ruim. Também é uma música fantástica, evidente.

Se os outros posts foram praticamente só elogios, aqui algumas coisas não me agradaram, em parte porque estava com outras referências na cabeça. Fazia tempo que não falava delas, sempre elas, as transições. A passagem da “Vampire Killer” para a “Bloody Tears” (2:35) não ficou muito boa, com um buraco no tempo destacado. Em contrapartida, a mudança da segunda para a “Beginning” (5:17) ficou adequada.

O arranjo é ousado porque mistura em uma mesma performance orquestra, banda e órgão de tubo. E para elementos aparentemente tão díspares funcionarem juntos requer muitos ensaios. Emulando os chiptunes, o sintetizador dialoga com a orquestra na icônica “Vampire Killer”, mas é a guitarra quem estrela. Depois da supracitada transição áspera, o órgão de tubo toca a introdução da “Bloody Tears” como nenhum outro instrumento poderia fazer. Na primeira vez a banda acompanha a orquestra – especialmente impressionante de 3:27 a 3:34 (exceção à leve engasgada dos metais no final deste trecho) com a percussão –, e na segunda a guitarra mais uma vez fica em primeiro plano tocando a melodia.

Depois do solo de órgão, surge a “Beginning” como deveria entrar, e não como faz o Video Games Live no “Castlevania Rock”. Complicado eu sempre acabar esbarrando no VGL, mas esta adaptação ficou bem mais fiel à velocidade da original. Não me agradou o timbre do sintetizador no excerto, que não foi dos mais bem escolhidos e confere um aspecto amador à performance. Para compensar, a guitarra faz a melhor participação do medley, e o arranjo consegue captar bem a empolgação, mas uma pena que de novo os metais não sejam tão afiados assim no trecho de 5:42 a 5:49. Não gostei do final também, é um tanto quanto clichê e tenta conferir uma grandiosidade forçada que não combina com a “Beginning”.

O principal ponto para não ter achado grande coisa é que o “Castlevania Medley” do Press Start 2007 tem as mesmas músicas e outras mais (a “Prologue” era uma imposição) em menos tempo – alguns poderiam considerar isso ruim, mas não vejo dessa forma, desde que as transições sejam naturais –, seguindo uma cadência muito coerente.

Com alguns ajustes o medley ficaria excepcional. Do jeito que está ficou longe de repetir o resultado da “Dracula’s Castle”.

“Old-School Medley”

“Vampire Killer” (Castlevania) ~ “Bloody Tears” (Castlevania II: Simon’s Quest) ~ “Beginning” (Castlevania III: Dracula’s Curse)

O magnânimo box de 18 CDs de Castlevania

Por Alexei Barros

As caixas especiais de game music não passam despercebidas pelos atentos (ou desatentos ultimamente) radares hadoukenianos, e este não poderia definitivamente ser ignorado: Akumajo Dracula Best Music Collections BOX.

Agendado para o dia 24 de março de 2010, o box vampiresco não tem qualquer relação com um aniversário da série Castlevania (considerando comemorações de anos redondos) que despertou do caixão em 1986. Por isso, até soa meio aleatória a revelação do produto – coincidentemente, sai um mês depois do concerto amador Castlevania The Concert. De qualquer forma é o tipo de lançamento que deixam os inveterados colecionadores de game music atiçados. Custará 21.000 ienes, o que hoje equivaleria quase a 405 reais, sem impostos e taxas adicionais. O número de catálogo é GFCA-195~213. Por apenas dois discos a caixa não iguala o recorde do SaGa Series 20th Anniversary Original Soundtrack -PREMIUM BOX- com os escandalosos 20 CDs. Serão nada menos do que 18 discos, e o último trará oito arranjos inéditos da Michiru Yamane, que ainda será mostrada em uma entrevista em um DVD que acompanha o pacote.

Antes tenho de ressalvar o conteúdo porque não há exatamente tudo o que já foi lançado da franquia. Não há, entre outros, os álbuns arranjados: Perfect Selection Dracula, que concorre, para mim, ao posto de pior CD de game music de todos os tempos (tente ouvir a “Bloody Tears” sem devolver os panetones que você comeu hoje); o Perfect Selection Dracula ~New Classic~, com arranjos semiorquestrados (sintetizados com timbres de orquestra) que inspiraram os segmentos do PLAY! e VGL; e, principalmente, Perfect Selection Dracula Battle e Perfect Selection Dracula Battle II, dois dos melhores trabalhos de hard rock em game music (apesar da bateria sintetizada) em arranjos do baixista Naoto Shibata e performance da banda Naoto Shibata Project. Eric Ietsugu que o diga. Ainda senti a ausência do “Castlevania Medley” do Press Start 2007, o melhor arranjo orquestrado relacionado à série para mim. E, claro, também da “Wood Carving Partita” tocada pela Michiru Yamane no Fourth Symphonic Game Music Concert.

As trilhas originais da franquia estarão compiladas, não todas. Faltou só a do Castlevania: The Adventure ReBirth, que sairá no mesmo dia no disco Dracula Densetsu ReBirth & Contra ReBirth Original Soundtrack, e a Pachislot Akumajo Dracula Original Soundtrack, que  foi publicada em junho de 2009. A excelente Akumajo Dracula Judgment Original Soundtrack (não posso dizer o mesmo do jogo, entretanto), de janeiro de 2009, está inclusa no box.

As músicas do Vampire Killer (MSX2) e Castlevania: Legends (Game Boy) serão lançadas oficialmente pela primeira vez, assim como as faixas adicionais da versão do Castlevania: Symphony of the Night para Sega Saturn. Apesar do site da Konamistyle não dizer nada a respeito e se não estiver enganado, as trilhas do Castlevania: The Arcade e Akumajo Dracula: The Medal  nunca saíram antes. Bem que, de alguma forma, a caixa poderia incluir a trilha do cancelado Castlevania Resurrection (Dreamcast), que vagueia sem rumo pela internet em MP3.

Eu tentei detalhar os compositores, mas é praticamente impossível. Há músicos que sequer se sabe o primeiro nome (S. Terashima) ou nome verdadeiro (akiropito?), e há muitas informações desencontradas. Espero que o encarte esclareça a barafunda de dados, e traga os créditos de cada faixa, e não apenas “Konami Kukeiha Club” (nome do estúdio de som da produtora) para todas as trilhas antigas. A propósito, vou achar um tanto injusto se somente a Michiru Yamane aparecer no DVD. Ela é a compositora mais atrelada à série, mas não a única. Muitos nomes importantes já participaram, de Kinuyo Yamashita (Castlevania) a Hidenori Maezawa (Castlevania III: Dracula’s Curse), de Motoaki Furukawa (Castlevania 64) a Yuzo Koshiro (Castlevania: Portrait of Ruin).

Segue listado abaixo então o que cada disco trará, com os jogos e suas respectivas plataformas.

CD 01 – Castlevania (Disk System), Vampire Killer (MSX2), Castlevania II: Simon’s Quest (Disk System), Haunted Castle (Arcade), Castlevania: The Adventure (Game Boy)
CD 02 – Castlevania III: Dracula’s Curse (NES), Kid Dracula (NES), Castlevania II: Belmont’s Revenge (Game Boy)
CD 03 – Super Castlevania IV (SNES)
CD 04 – Akumajo Dracula (X68000), Castlevania: Rondo of Blood (PC-Engine)
CD 05 – Castlevania: Bloodlines (Mega Drive), Castlevania Legends (Game Boy)
CD 06 – Castlevania: Symphony of the Night (PlayStation, Sega Saturn)
CD 07 – Castlevania (Nintendo 64)
CD 08 – Castlevania: Circle of the Moon (Game Boy Advance)
Castlevania Chronicles (PlayStation)
CD 09 – Castlevania: Harmony of Dissonance (Game Boy Advance): Castlevania: Aria of Sorrow (Game Boy Advance)
CD 10 – Castlevania: Lament of Innocence (PlayStation 2)
CD 11 – Castlevania: Dawn of Sorrow (Nintendo DS)
CD 12 – Castlevania: Curse of Darkness (PlayStation 2)
CD 13 – Castlevania: Portrait of Ruin (Nintendo DS)
CD 14 – Castlevania: The Dracula X Chronicles (PSP)
CD 15 – Castlevania: Order of Ecclesia (Nintendo DS
CD 16 – Castlevania Judgment (Nintendo Wii)
CD 17 – Castlevania: The Arcade (Arcade), Akumajo Dracula The Medal (Arcade)
CD 18 – Michiru Yamane’s eight arranged tracks.

[via Konamistyle, VGMdb]

Violin de Hiitemita ep2 ~ Maou no Gyakushuu: a benção do violino de The Screamer

Violin de Hiitemita ep2 ~ Maou no Gyakushuu
Por Alexei Barros

Há certo tempo faço questão de enaltecer a excelência das performances do Nico Nico Douga, e ainda não comentei um lançamento interessante que descobri esses dias pelo VGMdb: no dia 1 de julho de 2009 foi publicada no Japão a Nico Nico Douga Selection ~A Waste of Talent~, coletânea que reúne arranjos de diversos jogos pouco conhecidos no ocidente (sempre com mil e uma versões do portentoso shmup doujin Touhou) dos artistas do site.

Todavia, nenhum dos pró-amadores do YouTube japonês adquiriu o mesmo status de popularidade do violinista mascarado The Screamer. Depois do CD de debute Violin de Hiitemita Makai no Shirabe com músicas de animes, ele retorna no Violin de Hiitemita ep2 ~ Maou no Gyakushuu (“Uma nova maldição”) com temas de games para derrubar de vez a barreira entre amadores e profissionais, pois se trata de um álbum licenciado e publicado pela SuperSweep, não feito no quintal de casa.

Se a lista inicial de quatro faixas era promissora, foi reforçada com duas músicas da Konami em um comunicado posterior e, como se não fosse o bastante, ainda há uma secreta. Poderia largar as faixas com os links do Goear aí e resumir tudo ao habitual “fantástico”, mas me senti na obrigação de comentar cada uma separadamente:

01 – “Morning Music” (Bubble System Warm-up Music)
Original: “Morning Music”

Composição: Miki Higashino
Arranjo: Ayako Saso
Segundo violino: Usako

A “Morning Music” é uma música de espera dos Arcades Bubble System da Konami que precisavam esquentar até poder funcionar. Apesar de também ser ouvida em máquinas do TwinBee e Galactic Warriors, está mais relacionada com Gradius, a exemplo da  “Morning Music ~Largo mix~” do Gradius Tribute. Lembra as composições do período barroco, e por isso combina perfeitamente com violino. Amparado pelo segundo violino da Usako (aquela vestida com máscara de coelho), The Screamer é sublime na interpretação. Serve como um contraponto erudito com o que virá na sequência.

02 – “Vampire Killer” (Castlevania)
Original: “Vampire Killer”

Composição: Kinuyo Yamashita
Arranjo: Takayuki Aihara

O The Screamer já havia gravado um vídeo da “Vampire Killer”, mas essa versão do Takayuki Aihara é menos acelerada e mais sombria – por que não, combina melhor com Castlevania. O violino é até entremeado por samples orquestrados e corais assombrosos. De início. Mais adiante, bateria e baixo conferem a base do tema. Uma demonstração virtuosística no desfecho mostra a habilidade sobrenatural do instrumentista oculto.

03 – “Daddy Mulk” (The Ninja Warriors)
Original: “Daddy Mulk”

Composição: Hisayoshi Ogura
Arranjo: Norihiro Furukawa
Segundo violino: Usako
Violão: Comoesta Takahashi

Nada melhor do que ter um ex-integrante da Zuntata para arranjar uma música que é um dos maiores hits da recém-ressurgida banda da Taito. Dialogando com as vozes bizarras do tema, o violino de The Screamer atinge o paroxismo quando reproduz o solo que costumava ser feito pelo shamisen (3:15 a 3:56), como o Takemi Hirohara no Press Start 2008. Nessa entrevista com o compositor Hisayoshi Ogura, ele afirmou que ninguém mais no mundo além de Norihiro Furukawa, coincidentemente o arranjador, seria capaz de reproduzir esse solo no teclado. Pois então nenhum outro é capaz de fazê-lo no violino que não o The Screamer.

04 – “Urban Trail” (Night Striker)
Original: “Urban Trail”

Composição: Masahiko Takaki
Arranjo: Takayuki Aihara

Quem disse que música techno não pode ser tocada no violino? Mais um sucesso da Zuntata é homenageado no arranjo psicodélico de Takayuki Aihara. Em meio às batidas eletrônicas, sussurros e piano cintilante, o violino de The Screamer brilha como nunca.

05 – “After Burner” (After Burner)
Original: “After Burner”

Composição: Hiro
Arranjo: Yousuke Yasui
Guitarra: Masayuki Ozaki

The Screamer também registrou um vídeo da “After Burner”, aliás, o primeiro que publiquei dele. A guitarra base de Masayuki Ozaki remete aos melhores tempos de Koichi Namiki na S.S.T. Band. E a parte do sintetizador, que fazia a melodia na versão da “After Burner” da antiga banda da Sega, é cumprido muito bem pelo violino.

06 – “Like the Wind” (Power Drift)
Original: “Like the Wind”

Composição: Hiro
Arranjo: Shinji Hosoe
Guitarra: Masayuki Ozaki

A música que mais esperava do álbum é uma prova de genialidade do Hiro ao compor uma melodia maravilhosamente memorável. Ficou um espetáculo no arranjo de Shinji Hosoe e performance do The Screamer, de novo com a guitarra base de Masayuki Ozaki. A releitura mais inspirada até hoje. Melhor que isso só se fosse integralmente orquestrada.

07 – “Last Wave” (OutRun)
Original: “Last Wave”

Composição: Hiro
Arranjo e piano: Taihei Sato

Se tem Hiro, OutRun é obrigatório. “Splash Wave”, “Magical Sound Shower” ou “Passing Breeze” ou ainda todas as três seriam as escolhas mais previsíveis, mas a faixa secreta é a “Last Wave”, em arranjo de Taihei Sato, ex-Gamadelic e compositor com participações em jogos como Derby Owners Club e Sonic the Hedgehog (2006). No solo de piano ficava triste, no dueto com violino então infunde a melancolia. Que essa não seja a última onda do The Screamer.

Michiru Yamane deixa a Konami

Por Alexei Barros

Aconteceu há dois meses, e quase que furtivamente: desde o dia 15 de maio, a compositora Michiru Yamane não trabalha mais nos aposentos da Konami. Caminho que foi seguido por outros músicos que passaram pela produtora, como Norihiko Hibino, Miki Higashino e Motoaki Furukawa.

A saída se deu no vigésimo ano de serviços prestados à empresa para trabalhar independentemente com música de forma mais ampla – talvez não só com videogames. Destacou-se mais notoriamente na série Castlevania, nos jogos Bloodlines, Symphony of the Night, Lament of Inoccence, Curse of Darkness e Order of Ecclesia (trabalhos solo) e Harmony of Dissonance, Aria of Sorrow, Dawn of Sorrow e Portrait of Ruin (com outros compositores). Também em trabalho conjunto com demais músicos, deixou a sua marca em Suikoden III e IV.

Em concertos, foram poucas as vezes que apareceram suas faixas, mas duas situações ficaram cravadas na história, ambas na Alemanha: no Fourth Symphonic Game Music Concert (2006), em que esteve ao cravo em “Wood Carving Partita” (Symphony of the Night), e no Fifth Symphonic Game Music Concert (2007), no qual apareceu de surpresa para tocar o órgão de tubo em “A Toccata into Blood Soaked Darkness” (Curse of Darkness).

Se compararmos com o que aconteceu com outros compositores que saíram de suas respectivas produtoras e continuaram a trabalhar nas séries (Yasunori Mitsuda e Chrono, Nobuo Uematsu e Final Fantasy, Yoko Shimomura e Kingdom Hearts), não vejo por que Yamane não possa continuar colaborando com Castlevania.

Abaixo, uma entrevista (em japonês), ainda na Konami, que mostra um pouco do seu antigo local de trabalho:

[via Michiru Yamane website]


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