Posts Tagged 'Benyamin Nuss'

Final Symphony: report in loco do concerto alemão com Final Fantasy VI, VII e X

Por Alexei Barros

Não, eu não ia passar batido, claro: no sábado passado, dia 11 de maio, foi apresentado na Alemanha o Final Symphony, o novo concerto com a mesma turma da série Symphonic e que tanto já mencionei aqui: Thomas Boecker, Jonne Valtonen, Roger Wanamo, Benyamin Nuss etc. Desta vez, porém, a apresentação não teve a performance da WDR Radio Orchestra, que tocou diferentes programas de games de 2008 a 2012. A simples presença dessa orquestra garantia que o concerto sempre fosse transmitido ao vivo – o que até então era um ineditismo – não só pelo rádio, como em algumas ocasiões em vídeo também. Neste ano, o espetáculo foi executado pela Sinfonieorchester Wuppertal, curiosamente sem a companhia de nenhum coral como nas outras oportunidades. Com isso, o privilégio de ouvir as músicas em interpretações sinfônicas ficou restrito aos espectadores da apresentação, privilégio que coube ao Luiz “Radical Dreamer” Macedo, frequente comentarista aqui no blog (os posts é que não são tão mais frequentes). O Luiz já havia assistido in loco, em Colônia, ao Symphonic Odysseys em 2011 e, se vocês se lembrarem bem, ainda descolou autógrafos do Nobuo Uematsu em três CDs. Agora, aproveitando o intercâmbio na França, ele repetiu a dose e esteve presente no concerto na cidade de Wuppertal, no que acredito ter sido uma experiência ímpar, porque sei da admiração dele pelo Masashi Hamauzu. A novidade é que o Luiz escreveu um report da experiência para compartilhar no Hadouken! Para não deixar os leitores apenas na vontade, eu disponibilizo logo aqui no começo o set list completo do Final Symphony, com links para uma gravação amadora compartilhada pela internet de ótima qualidade que permite ter uma bela noção do que foi o espetáculo. Como faço com os meus reports à distância, também linkei as músicas originais que o Luiz mencionou ao longo da análise.
Ato I

01 – “Fantasy Overture: Circle Within a Circle Within a Circle”
02 – “Final Fantasy VI Symphonic Poem (Born with the Gift of Magic)”
03A  – “Final Fantasy X Piano Concerto: I. Zanarkand”
03B – “Final Fantasy X Piano Concerto: II. Inori”
03C – “Final Fantasy X Piano Concerto: III. III. Kessen”

Ato II

04A – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: I. Nibelheim Incident”
04B – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: II. Words Drowned by Fireworks”
04C – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: III. The Planet’s Crisis”
05 – “Encore I: Final Fantasy VII”
06 – “Encore II: Final Fantasy VI” Continue lendo ‘Final Symphony: report in loco do concerto alemão com Final Fantasy VI, VII e X’

Symphonic Fantasies Tokyo: as já conhecidas fantasias sinfônicas em interpretações mais que perfeitas na Terra do Sol Nascente


Por Alexei Barros

Por mais tempo que um indivíduo se dedique a uma determinada obra, sempre há espaço para melhorias. Quem é perfeccionista e vê o que foi feito anos depois, fica com vontade de mexer aqui, retocar ali e até, por que não, começar do zero. Isso em qualquer atividade. Nos videogames, esse aperfeiçoamento vem na forma das atualizações online. Na música e, especialmente, nas músicas orquestrais, o trabalho de aprimoramento é muito maior. Já imaginou ter que imprimir todas as partituras dos instrumentistas de novo? Pelo tempo e dinheiro que se gasta com isso, os polimentos são raros nos concertos de games.

Mas, quando o Symphonic Fantasies, originalmente executado em 2009 na Colônia, Alemanha, é frequentemente exaltado – “absoluto” e “impoluto” foram adjetivos frequentes quando me referi ao concerto e depois ao álbum publicado em 2010 –, logo você vai imaginar que a produção do espetáculo se acostumará com os elogios, repousando na confortável zona de conforto das reprises idênticas à primeira apresentação. Porém, nada disso aconteceu quando o Symphonic Fantasies foi mostrado em Tóquio em janeiro de 2012, récita esta registrada no álbum Symphonic Fantasies Tokyo, lançado em 11 de junho deste ano.

O impacto causado pelo Symphonic Fantasies foi muito grande há três anos. De uma só vez, o concerto revolucionou nas suítes gigantes (de cerca de 18 minutos), na transmissão em vídeo ao vivo para todo o mundo e na qualidade impecável da performance. Dessa forma, foram feitos convites para apresentações em outros países, e o próprio Nobuo Uematsu sugeriu levar o Symphonic Fantasies ao Japão. Mas, para chegar nesse nível, foram necessários 14 dias cheios de ensaios. Ter todo esse tempo livre nas agendas de orquestras pelo mundo não é comum.

Enquanto isso, graças ao êxito do Symphonic Fantasies, aconteceram mais dois concertos-tributo em Colônia: o Symphonic Legends, em homenagem à Nintendo, em 2010, e o Symphonic Odysseys, em reverência ao Nobuo Uematsu, em 2011. Ainda no ano passado aconteceu o LEGENDS, uma revisão do Symphonic Legends na Suécia que serviu para o produtor Thomas Boecker tirar a conclusão de que seria possível ter a mesma qualidade apresentada na Alemanha com apenas dois dias de ensaio. “A experiência em Estocolmo com LEGENDS me mostrou que, se as partituras forem bem-feitas e os músicos estiverem motivados e forem bons, vai funcionar”, disse antes da realização do Symphonic Fantasies em Tóquio. Além disso, os arranjos foram ajustados para otimizar a performance. “Quanto mais conhecimento o arranjador tiver, ele pode encontrar soluções para fazer soar bem sem ser MUITO difícil de tocar. Então é isso que vamos fazer. O tempo que vamos ganhar dessa forma será gasto para fazer soar ainda mais emocionante, mais bonito.”

Com isso, Boecker decidiu investir em 2012 no Symphonic Fantasies em Tóquio, no décimo ano consecutivo em que ele produz concertos de games, chegando ao país onde tudo começou. O primeiro dessa dezena, o First Symphonic Game Music Concert, em 2003, foi também primeiro espetáculo de game music fora do Japão. Para tanto, ele contratou a Tokyo Philharmonic Orchestra, a mais antiga orquestra de música erudita nipônica (formada em 1901), e o Tokyo Philharmonic Chorus, ambos recorrentes em álbuns e récitas de jogos eletrônicos. Benyamin Nuss no piano e Rony Barrak na darbuka voltaram ao palco e, no lugar do norte-americano Arnie Roth, o alemão Eckehard Stier assumiu a regência. Foram realizadas apresentações nos dias 7 e 8 de janeiro no Tokyo Bunka Kaikan, o mesmo local do Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert. No primeiro dia, estiveram presentes Hiroki Kikuta (Secret of Mana) e Yasunori Mitsuda (Chrono Trigger e Cross) e, no outro, além dos dois, a mestra Yoko Shimomura (Kingdom Hearts). Para completar o quarteto de compositores da Square que haviam comparecido ao espetáculo em Colônia, só ficou faltando mesmo o Nobuo Uematsu.

Como o Symphonic Fantasies original já tinha sido lançado em CD na Europa e no Japão, não seria de esperar que a versão mostrada em Tóquio também fosse. Eis que inesperadamente em maio de 2012 o álbum Symphonic Fantasies Tokyo foi anunciado e em junho foi lançado – por enquanto, somente com publicação no continente europeu.

A principal diferença é que, enquanto o álbum do Symphonic Fantasies original condensava todo o concerto em um CD e deixava o segmento do bis para lançamento digital, o álbum do Symphonic Fantasies Tokyo cobre o espetáculo na íntegra, forçando a divisão do programa em dois discos. O primeiro, com a abertura e as suítes de Kingdom Hearts e Secret of Mana; o outro com as suítes de Chrono e Final Fantasy e o novo bis.

O encarte, com 20 páginas repletas de fotos das apresentações e perfis dos envolvidos, possui agora um prefácio assinado pelo Masashi Hamauzu, que não teve músicas executadas no concerto, mas vem se tornando cada vez mais frequente nas produções do Thomas Boecker. Aliás, só de ver o nome dele, já me deu vontade de que fosse feita uma suíte da série SaGa – obscura no ocidente, mas popular no Japão –, com os seus trabalhos no SaGa Frontier II e especialmente no Unlimited Saga. Mas essa vontade fica para uma próxima. Outra decisão que achei acertada foi a adoção do inglês no texto, dada a universalidade do idioma, visto que, no álbum gravado na Alemanha, a edição japonesa estava escrita na língua local e, na europeia, em alemão. O único ponto um pouco chato disso é a dificuldade de retirar o encarte da caixa do álbum, porque ficou bastante justo, no limite. Se você conseguiu tirar uma vez, é provável que não vai querer fazer isso de novo com medo de estragar o papel.

Uma grande vantagem do Symphonic Fantasies Tokyo em relação ao Symphonic Fantasies é justamente o fato de o concerto ter sido gravado no Japão. Como dito aqui tantas vezes, o público nipônico é extremamente acanhado e, verdade seja dita, educado. Uma plateia inteligente, que respeita a performance e quer apreciá-la, quer fazer valer o ingresso. Durante os dois CDs não há um pio sequer da plateia e nem mesmo aplausos ao final da execução de cada número, o que dá ao Symphonic Fantasies Tokyo a impressão de ter sido gravado em estúdio tamanho o silêncio. No CD do Symphonic Fantasies dá para ouvir, durante a execução do tema dos Chocobos, um “woow” proferido por um fã tresloucado. Hoje, esse cara deve estar muito por feliz por ter o grito eternizado e arranhado a perfeição da performance. Aqui não há nada disso, muito felizmente. Por isso… viva os japoneses!

Já adianto que, excetuando o Encore, todo o resto da seleção de músicas arranjadas é similar ao primeiro Symphonic Fantasies. Mesmo que continue achando que algumas faixas poderiam entrar (nada vai me tirar da cabeça que fez muita falta a “Danger” no Secret of Mana e talvez mais alguma música animada do jogo), não vou repetir tudo o que já falei. É tudo uma questão de comparações. Se na ocasião do concerto eu confrontei os arranjos orquestrais com as originais e no review do álbum coloquei frente a frente os arranjos da mixagem do CD com a versão transmitida, o cotejo agora será entre os dois álbuns. As novidades do Symphonic Fantasies Tokyo estão nas entrelinhas, nas interpretações, nas sutilezas, portanto vamos revisitar aos poucos, com calma, as histórias contadas pelas suítes no palco do concerto realizado na Terra do Sol Nascente.

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Como em um sonho, o autógrafo do Nobuo Uematsu

Por Alexei Barros

Em fóruns e blogues estrangeiros, já vi muitas imagens de cópias dos CDs autografados pelos compositores nipônicos após a realização dos concertos Symphonic na Alemanha. Com exceção do Symphonic Legends, que não teve convidados do Japão, quem foi a Colônia pôde conseguir assinaturas sem precisar viajar para o arquipélago no oriente. Yuzo Koshiro e Takenobu Mitsuyoshi no Symphonic Shades, Yoko Shimomura, Hiroki Kikuta, Yasunori Mitsuda e Nobuo Uematsu no Symphonic Fantasies e, finalmente, de novo o Uematsu no Symphonic Odysseys.

Por oportunidades únicas como essas, não raro li pessoas que compraram alguns álbuns só para ter as assinaturas das lendas japonesas.  E foi o caso do leitor e assíduo comentarista do Hadouken, também sempre presente no fórum do SEMO (isso quando existia), Luiz “Radical Dreamer” Macedo, que aproveitou a estadia na Europa para assistir às duas apresentações do Symphonic Odysseys, às 15h e 20h locais. Apesar das longas filas, o Radical Dreamer conseguiu a assinatura na segunda sessão de autógrafos do Nobuo Uematsu do CD do Symphonic Fantasies e da Final Fantasy IX Original Soundtrack, além do pianista Benyamin Nuss do álbum Benyamin Nuss Plays Uematsu.

As fotos das cópias autógrafadas foram gentilmente enviadas pelo Radical Dreamer e podem ser conferidas na galeria:

Symphonic Odysseys: 2011: Uma Odisseia do Uematsu


Por Alexei Barros

Odisseia. Como a de Homero, narra uma extensa epopeia, repleta de aventuras extraordinárias e acontecimentos dramáticos. Como a de Stanley Kubrick, um épico espacial com trilha sonora memorável. Como a de Nobuo Uematsu. Que palavra seria mais apropriada para nomear um espetáculo em tributo à portentosa carreira de um compositor como ele? Melhor: odisseias. Odisseias sinfônicas. Se cada jogo da série que mais se dedicou traz uma história diferente da outra, o plural é mais indicado para alguém de tamanha envergadura (o singular no título foi só para não perder a chance do trocadilho).

Já que cada concerto de Final Fantasy pode ser considerado uma homenagem a Uematsu na maioria das vezes, não é de estranhar que tenha demorado tanto tempo para isso acontecer, afinal, só em 2004, como freelancer, a variedade de franquias aumentou efetivamente. A primeira vez foi em 2007, na Itália, o Nobuo Uematsu Show, que se limitou a executar partituras conhecidas de Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey. Agora, em 2011, o Symphonic Odysseys não tem nem comparação, com todos os arranjos novos em folha, oferecendo um recorte de sua trajetória.

Antes mesmo da realização do Symphonic Legends, o Symphonic Odysseys foi anunciado pelo então administrador da WDR Radio Orchestra Cologne, Winfried Fechner, em março de 2010 – ambos concertos que nasceram por consequência do sucesso espantoso do Symphonic Fantasies em 2009. Em dezembro do ano passado, os ingressos para os 2000 assentos do Cologne Philharmonic Hall do espetáculo às 20 horas locais esgotaram em 12 horas, um recorde para os concertos de games em Colônia. Uma nova apresentação às 15 horas foi marcada para o mesmo dia, 9 de julho, e também teve todos os bilhetes comprados. A alta demanda se explica por Square Enix, Nobuo Uematsu e Final Fantasy: a maioria das pessoas estava lá especialmente por conta do terceiro item.

E então chegamos ao set list. O primeiro ato corresponde ao passado do Uematsu e o segundo ao presente (exceção aos dois números do bis). Antevendo a realização do concerto, eu procurei ouvir as trilhas antigas do Uematsu e pude constatar que a discografia dele é mais variada do que aparenta, o problema é que muitos jogos são pulgas se comparados com a supremacia de Final Fantasy.

Obscuridades como Genesis, Alpha, Cruise Chaser Blassty, Cleopatra no Mahou, The 3-D Battles of WorldRunner, Nakayama Miho no Tokimeki High School, Square’s Tom Sawyer, Aliens 2, The Square’s Tom Sawyer… Além disso, confesso que da leva pré-histórica da Square tem pouca coisa verdadeiramente aproveitável. King’s Knight é um representante digno dessa era, assim como The Final Fantasy Legend e Final Fantasy Legend II. Os três nem saíram na Europa, uma área com lançamentos bem específicos e que recorrentemente sofre com a ausência de localizações. Por exemplo, Chrono Trigger só foi publicado por lá em 2009, na versão para Nintendo DS, como já havia comentado no relato do Symphonic Fantasies. Isso vale também para o segundo ato, com as colaborações para jogos da Mistwalker: The Last Story ainda não saiu na Europa; Blue Dragon e Lost Odyssey não se comparam com FF em popularidade. Anata wo Yurusanai, Away: Shuffle Dungeon, Lord of Vermilion, Sakura Note: Ima ni Tsunagaru são ainda mais desconhecidos, considerando os trabalhos recentes. Aliás, tudo foi considerando no início, inclusive trabalhos sem relação com jogos, como a trilha do anime Guin Saga, e Nobuo Uematsu deu total liberdade para a seleção de títulos e músicas.

Seria de meu agrado que Hanjuku Hero, por ter uma trilha melódica e grudenta, Rad Racer, por ser um jogo de corrida, e Front Mission: Gun Hazard, por diferenciar do que Uematsu fez naquela época, mas compreendo as ausências como o Symphonic Odysseys já traz um montante de jogos poucos conhecidos que não apareceria normalmente em outras produções. São raras as performances de Nobuo Uematsu que não de Final Fantasy, especialmente no ocidente: “Main Theme” do Blue Dragon e a “Main Theme” do Lost Odyssey pipocaram na turnê Play! A Video Game Symphony; em 2007, a Microsoft promoveu no Japão o concerto Orchestral Pieces From Lost Odyssey & Blue Dragon, com oito segmentos do Blue Dragon e sete do Lost Odyssey; no ano seguinte, no Press Start 2008, teve um medley de músicas antigas, com Alpha, King’s Knight, 3-D WorldRunner, Makai Toushi SaGa e Hanjuku Hero. O resto é tudo Final Fantasy.

O concerto leva em conta o quanto Uematsu compôs para a série, mas não foram executadas faixas de todos os episódios que ele participou. Assim como no Symphonic Fantasies, não teve FFVIII, FFIX, FFXI e FFXII (somente a “Kiss Me Good-Bye”) e não senti falta. O foco das apresentações recentes da série é nos capítulos de FFI a FFVII e FFX, e a prioridade era de músicas ainda não executadas (claro que existem tantas outras desses que ainda merecem ser tocadas).

A maioria dos arranjos foi feita por Jonne Valtonen (seis segmentos e uma suíte) e Roger Wanamo (dois números e outra suíte), ambos os finlandeses do time do Merregnon Studios do produtor Thomas Boecker. Mesmo assim, teve dois convidados: Jani Laaksonen, que também é da Finlândia e estudou na mesma universidade de Valtonen e Wanamo, a Tampere University of Applied Sciences, e é amigo dos dois; e Masashi Hamauzu, que elaborou três arranjos para o LEGENDS (Kirby e Pikmin, além de Donkey Kong Country, que constava no Symphonic Legends). Estreando na série Symphonic outro finlandês, o letrista Mikko Laine, que trabalhou com Valtonen anteriormente e participou do LEGENDS também com versos em inglês.

As partituras foram preparadas especificamente para o tamanho da WDR Radio Orchestra Cologne (representada por 72 instrumentistas, incluindo a pianista) e WDR Radio Choir Cologne (45 coristas), que retorna do Symphonic Fantasies após a ausência no Symphonic Legends. Repare que desta vez o coral esteve, por conta da falta de espaço, no andar de cima do palco, que é a maneira mais convencional; no Symphonic Fantasies e no Symphonic Legends o coro ficava posicionado no canto esquerdo, no mesmo andar da orquestra. A complexidade dos arranjos exigiu cinco dias de ensaios (geralmente duravam das 10h até às 14h30), bem menos que os 14 do Symphonic Fantasies, mas ainda assim mais do que o normal de concertos eruditos, que é dois dias. Ausente do Symphonic Legends, Arnie Roth voltou à batuta e sua regência tem o fator especial de ele ser amigo do Uematsu, uma parceria que se fortaleceu na turnê Distant Worlds. A mesma amizade vale para o pianista de uma suíte e dos dois bis, Benyamin Nuss, pelo álbum Benyamin Nuss Plays Uematsu, uma coletânea de piano dedicada ao compositor.

Foi um alívio ver a transmissão em vídeo da WDR funcionando perfeitamente como no Symphonic Fantasies, e todo o concerto pôde ser acompanhado ao vivo. A apresentação das 20h inclusive atrasou alguns minutos em decorrência da longa fila da sessão de autógrafos. Não por acaso: Nobuo Uematsu é uma celebridade, é carismático, é uma figura. Vê-lo em pessoa já é uma satisfação.

Depois do Hadouken, minhas extensas considerações sobre o Symphonic Odysseys. Em vez de colocar um monte de números dos contadores, optei por colocar links em alguns trechos específicos para você entender melhor o que quero dizer.
Continue lendo ‘Symphonic Odysseys: 2011: Uma Odisseia do Uematsu’

Symphonic Odysseys: suíte de Final Fantasy será um concerto para piano; duas faixas reveladas

Pr Alexei Barros

Como dito anteriormente, quase metade do Symphonic Odysseys será de Final Fantasy, mas só se sabia da existência, além de números avulsos, de uma suíte dedicada à série de aproximadamente 15 minutos arranjada por Roger Wanamo. Com as novidades divulgadas hoje, é possível ter uma ideia da abordagem deste segmento do espetáculo a ser apresentado daqui a uma semana, dia 9 de julho, em Colônia na Alemanha.

Trata-se de um concerto para piano, instrumento este que será tocado pelo prodígio Benyamin Nuss. Desta maneira, o segmento extenso de Final Fantasy misturará elementos de três suítes do Symphonic Fantasies: o solista da “Fantasy I: Kingdom Hearts”, o coarranjador da “Fantasy III: Chrono Trigger/Chrono Cross” e, evidentemente, os mesmos compositor e série da “Fantasy IV: Final Fantasy”.

Vale lembrar que a “Fantasy I: Kingdom Hearts” não poderia ser exatamente classificada de concerto para piano por apresentar as faixas de maneira branda, ainda que o instrumento tenha ficado em evidência. Já que foi chamado assim, imagino que haverá trechos contundentes e virtuosísticos, como os concertos para piano “Turrican II – The Final Fight (Renderings: Main Theme)” do Symphonic Shades e “F-Zero (Race for Piano and Orchestra)” do LEGENDS, este segundo também com arranjo de Roger Wanamo.

Além disso, foram adiantadas duas seleções, ambas inéditas em espetáculos oficiais e que não despontaram nas coletâneas de piano (FFIII nem sequer teve um álbum do tipo). Importante frisar que a suíte mostrará tantas outras músicas além da dessas.

- “The Boundless Ocean” (Final Fantasy III)

FFIII aparece raramente nos concertos, então é de ficar impressionado com a escolha. Como o nome sugere, a faixa é ouvida na exploração das profundezas do oceano no Surface World (um dos mundos do jogo) com o veículo subaquático. Este tipo de composição, tanto pela duração diminuta como pela emotividade, a meu ver favorece o trabalho artístico para o arranjador inventar como bem entender sem correr o risco de prejudicar o reconhecimento da melodia.

- “The Fierce Battle” (Final Fantasy VI)

Existe algum tema de batalha do FFVI que seja não menos que excelente? “The Fierce Battle” é escutada somente em um momento específico, mais precisamente na sequência de três combates contra as estátuas Demon, Fiend e Goddess do Warring Triad. Melodia memorável, transmitindo a situação caótica pela qual passa o jogo naquele ponto da história.

[via Symphonic Odysseys]

“The Legend of Zelda: A Link to the Past (Healing)” – The Legend of Zelda: A Link to the Past (LEGENDS)

Por Alexei Barros

Não bastassem os segmentos novos de Star Fox, Pikmin, Super Metroid, F-Zero e da inclusão de Kirby, jogo não representado no Symphonic Legends, a revisão LEGENDS adicionou outro número inédito em relação ao concerto em Colônia. Total surpresa, o primeiro bis, logo após a execução do poema sinfônico de Zelda. E, depois de uma jornada musical de 40 minutos, nada melhor do que contemplar uma doce melodia, um bálsamo para recuperar as energias: “Healing”, arranjo do Jonne Valtonen da faixa que estreou como “Select Screen” no A Link to the Past, figurando no Ocarina of Time com o título “Great Fairy’s Fountain”.

Sinceramente? Talvez nunca tenha externado por aqui, mas dentro da minha limitada experiência da série, não me conformava como uma música tão icônica, que me fazia demorar um bocado para começar a jogar, passasse batido pelas partituras oficiais no passado. Mal comparando, seria como se, por cerca de 20 anos de existência, só agora fosse arranjada a “Prelude” do Final Fantasy. Especialmente porque a composição é incrivelmente simples, profundamente tocante.

A simplicidade da melodia favorece a criatividade, ainda mais com o tempo de um segmento inteiro para trabalhar. As notas cintilantes do piano de Benyamin Nuss, interpolados com o pizzicato dos violinos, o solo de flauta e o crescendo da orquestra formam uma peça encantadora, que termina com sutil participação das cordas e das trompas.

Só lamento a deficiência da única gravação completa do número no YouTube. Além de a tomada da câmera não favorecer a visibilidade da orquestra, há um ruído de fundo. Quem sabe um dia não possamos escutá-la com a qualidade que a performance merece…

-“The Legend of Zelda: A Link to the Past (Healing)”
Original: “Select Screen”

Composição: Koji Kondo
Arranjo: Jonne Valtonen
Piano: Benyamin Nuss

“F-Zero (Race for Piano and Orchestra)” – F-Zero (LEGENDS)

Por Alexei Barros

Um dos assuntos que me fascinam nos concertos de games são as dificuldades de verter as músicas para orquestra, seja arranjos literais ou ousados. Melodias frenéticas e ritmos acelerados dificultam a adaptação do que antes era reproduzido por um chip e agora é feito por dezenas de instrumentistas. Do que acompanhei, já se comentou que “Clash on the Big Bridge” (Final Fantasy V) e a trilha do Mega Man 2 são difíceis de serem traduzidos para o idioma sinfônico. As duas foram relidas sem grandes traumas no Symphonic Fantasies e Distant Worlds no caso da primeira e Press Start no da outra, e gostei de todos os resultados.

A “Mute City” vem se mostrando muito mais avessa à orquestração, impressão esta confirmada pelo Eric “Cosmonal” Fraga. A música parece simples, mas esconde certa complexidade, desde a introdução até o diálogo entre dois instrumentos sintetizados. No primeiro arranjo oficial, “F-Zero (Race Suite)” do Shiro Hamaguchi para o Symphonic Legends, não me agradou a parte introdutória que parece oriunda de um filme sci-fi  e a inserção de outros enxertos originais que atrapalharam o reconhecimento da melodia e desaceleraram a escalada da música. Além disso, o andamento não correspondia à velocidade que exige um tema ingame de jogo de corrida. Não à toa, o segmento foi reformulado para a revisão LEGENDS com arranjo do finlandês Roger Wanamo.

De fato, se os arranjos fossem os hovercars de F-Zero, o veículo de Wanamo daria três voltas de vantagem no de Hamaguchi. A nova versão, um concerto para piano, é inegavelmente mais lépida e com todas as nuances que caracterizam uma ferrenha disputa do título do Super Nintendo. Em vez de abordar a “Mute City” em sua totalidade, o arranjo se concentra em um trecho, o intermédio da melodia (0:20 a 0:37), abandonando a introdução e o diálogo que vem na sequência, imagino que para privilegiar a fluidez. O piano de Benyamin Nuss se opõe às cordas, madeiras e trompas em alternâncias impressionantes, às vezes com a companhia do xilofone. A “Mute City” é encadeada maravilhosamente na “Big Blue” a partir de 3:15, em referência breve e pulando a introdução, para culminar em um solo virtuosístico de Nuss anunciando a retomada da “Mute City”. A orquestra regressa, cruzando a linha de chegada.

Por mais que as originais já deem uma sugestão para passagens pianísticas (como 0:48 a 0:54 na “Mute City” e 0:50 a 0:54 e “Big Blue”), não há tais alusões. É interessante perceber o desenvolvimento e o conflito de toda a peça, que se desenrola com um tom artístico. Porém, mesmo que excepcional e tão associável a F-Zero a ponto de se imaginar uma corrida com a performance, o segmento não me deixou plenamente satisfeito como fã das músicas originais. Aqui novamente evoco trabalhos pregressos. O único momento da “F-Zero (Race Suite)” que, para mim, foi capaz de captar a empolgação da sintetizada é o diálogo que se estabelece entre flautas e trompas. Pois bem: o tão repetido diálogo é, falando por uma opinião estritamente pessoal, se é que uma opinião pode ser impessoal, a minha parte favorita da melodia da “Mute City”. Sobre a “Big Blue”, a aparição da faixa no “Smash Bros. Great Medley” do Shogo Sakai vai mais ao encontro do impacto que se aproxima do rock que as sintetizadas do SNES pendiam e que se cristalizou na “Endless Challenge” de F-Zero X. Entre a velocidade de Wanamo, a adaptação do diálogo do Hamaguchi e o impacto do Sakai, ainda não há um candidato que possa chamá-lo de definitivo.

De todo modo, aproveite o vídeo, porque é um dos poucos disponíveis dos números inéditos do LEGENDS.

[ATUALIZAÇÃO] Pois bem, chega das minhas especulações. Há sim uma explicação para o concerto para piano omitir o trecho do diálogo dos trompetes sintetizados da “Mute City”. Agradeço ao produtor Thomas Boecker por obter a explicação com o próprio autor do arranjo. Com as palavras, Roger Wanamo:

“Você deve ter notado que a melodia da “Mute City” ficou cerca de 50% mais rápida que a original. Depois de um monte de testes, eu cheguei à conclusão de que tinha que acelerar o tempo para expressar a sensação de velocidade e corrida intensa com o piano. Com esse novo ritmo mais rápido, a outra metade da melodia da “Mute City” não funcionou em minha opinião. Eu tentei incluí-la, mas tive de cortá-la quando ficou bagunçada e não soou bem de jeito nenhum.”

- “F-Zero (Race for Piano and Orchestra)”
Originais: “Mute City” ~ “Big Blue” ~ “Mute City”

Composição: Yumiko Kanki e Naoto Ishida
Arranjo: Roger Wanamo
Piano: Benyamin Nuss


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