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“Game Medley” – Zelda, Tetris, Street Fighter II, Sonic e Mario (Game Music Brasil)

Por Alexei Barros

E então… Game Music Brasil. Durante o festival de músicas de jogos realizado 8 de abril, um dia antes do Video Games Live no Rio de Janeiro, foi apresentado um medley preparado especialmente para o evento. O autor do arranjo é o Lucas Lima, músico integrante da Família Lima que tem relação com videogames: além de jogador, chegou a compor as trilhas dos títulos para computador Winemaker Extraordinaire e Avalon desenvolvidos pelo estúdio nacional Overplay.

Como a performance foi da Orquestra Simphonica Villa Lobos, que executou toda a turnê brasileira do VGL em 2011, com imagens sincronizadas de jogos no telão, a miscelânea regida pelo Lucas Lima meio que serviu para mostrar, grosso modo, como seria um Video Games Live totalmente feito no Brasil, a não ser, claro, pela origem japonesa (e russa) dos jogos homenageados.

O problema é que… há muitos problemas. Por favor, sem indulgências ufanistas. Para começo de conversa, é aleatório a peça ter simplesmente o tema “videogame” ou “jogos que todo mundo conhece” ou ainda “jogos preferidos do Lucas Lima”. Repare que em todos os medleys que publiquei, amadores, pró-amadores ou profissionais, sempre teve um elemento comum: gênero, série, produtora, plataforma, compositor, mesmo que o número não apresente uma coerência e seja uma mera sucessão de melodias. Qual o sentido em juntar Mario e Sonic? Tetris e Street Fighter II? Já que foram somente cinco séries escolhidas (as quatro mencionadas e Zelda), preferiria pequenos segmentos para cada uma, em vez de um gigante, de 18 minutos.

Na maioria das mudanças de música, não há transições e sim vazios entre uma faixa e outra. Para mim, isso só é tolerável quando há o intento de recriar a experiência de jogo, afinal de contas a composição de fundo muda abruptamente de um cenário para outro em um Mario da vida.

Prova disso é abrir com “Overworld” de Zelda e pular para a “Type A” do Tetris logo na abertura. A parte que vem na sequência, do Street Fighter II, até que ficou interessante, porque “Title” e “Player Select” (bacanas as linhas graves nos violoncelos), que considero essenciais, não estão no “Street Fighter II Medley” do VGL, além da “Here Comes a New Challenger” e “Chun-Li Stage”. A lembrança de músicas não arranjadas anteriormente também salvou a seção seguinte, do Sonic: não há a “Special Stage” (bela nas cordas e flautas) na obra-prima “Sonic the Hedgehog: Staff Credits” do Richard Jacques. Só que a vinheta “Sega” instrumental perdeu toda a graça sem coral. O sentimento de novidade, apesar de tantos títulos famosos, repete-se com a fatia Mario, pela alusão ao vilipendiado Super Mario Bros. 2. De resto, nada de mais, com tantas interpretações melhores por aí, e o mesmo vale para as seleções do Ocarina of Time que fecharam o extenso medley.

A proximidade da organização do VGL fez com que o GMB importasse um dos pontos negativos (do meu ponto de vista) do afamado show-concerto: a gritaria. De novo, os berros de êxtase nostálgico são exagerados, mais pelo telão do que propriamente pelas lembranças das faixas. Como temia, o VGL deixou o público mal acostumado para apresentações com orquestra, nas quais se deve primeiro ouvir para depois urrar e aplaudir, não tudo simultaneamente, gerando uma salada de sons indecifráveis.

Em contrapartida, a execução abdicou do detestável subterfúgio do VGL: o playback, o que escancarou algumas deficiências:  a falta de sincronia (aqui, momento em que os violinos embolaram legal; ou aqui, instante em que o xilofone se perdeu) e desafinação (atente para os violinos) em alguns momentos. Estranhamente, a Villa Lobos, que, segundo o release do VGL, possui 43 integrantes, parecia estar representada por ainda menos gente pelo que se nota nos vídeos e nas fotos. Inclusive é possível ver uma violinista se assentar quando a performance já havia começado (repare na esquerda do palco). Mais autêntico que o VGL, mas carente de muito polimento.

- “Game Medley”

“Overworld” (The Legend of Zelda) ~ “Type A” (Tetris) ~ “Title” ~ “Player Select” ~ “Ryu Stage” ~ “Chun-Li Stage” ~ “Here Comes a New Challenger” ~ “Guile Stage” (Street Fighter II) ~ “Title” ~ “Green Hill Zone” ~ “1UP” ~ “Green Hill Zone” ~ “Stage Clear” ~ “Special Stage” ~“Green Hill Zone”“Boss” (Sonic the Hedgehog) ~ “Overworld” ~ “Underwater” (Super Mario Bros.) ~ “Overworld” ~ “Invincible” (Super Mario Bros. 2) ~ “Overworld” ~ “Underworld” (Super Mario Bros. 3) ~ “Overworld” (Super Mario World) ~ “World Clear” (Super Mario Bros.) ~ “Hyrule Field Main Theme” ~ “Zelda’s Theme” ~ “Great Fairy’s Fountain” (The Legend of Zelda: Ocarina of Time) ~ “Overworld” (The Legend of Zelda)

Game music em um concerto de música erudita, de graça, no Brasil


Por Alexei Barros

Apesar da quantidade imensa de jogadores de videogame, a cidade de Porto Alegre costuma ser deixada de lado nos eventos de jogos eletrônicos, haja vista o que disse há três anos (como o tempo passa!) o gaúcho (naturalizado argentino) Geraldo Figueras: “Do jeito que as coisas são em Porto Alegre, se o Nolan Bushnell viesse pra cá e ligasse um Atari 2600 em umas caixas amplificadas, eu já acharia o evento do ano.”

Quem diria que quatro dias depois da capital do Rio Grande do Sul entrar pela primeira vez na rota da excursão do Video Games Live, o que aconteceu na última quarta-feira, dia 12 de outubro, haveria uma orquestra tocando game music em um concerto de música erudita?

Será 16 de outubro, às 11 horas no Salão de Atos da UFRGS, com performance da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e regência do maestro Manfredo Schmiedt. Com entrada franca, o Concerto para Juventude trará no programa a Sinfonia nº 1, de Carl August Nielsen, História del Tango – Night Club 1960, de Astor Piazzolla, West Side Story – Selections for Orchestra, de Leonard Bernstein, e o segmento Play the Game – Clássicos do videogame. Com arranjo de Alexandre Ostrovski Jr., trompista da orquestra, o número trará faixas de Mario, Sonic, Zelda e Top Gear. Tudo bem que pode ser um pouco aleatório ter o videogame como elemento comum da peça – dou um desconto por game music não ser o foco principal do concerto. Também não colocaria Top Gear no mesmo patamar musical das outras séries, mas ficarei na expectativa de algum vídeo pintar no YouTube.

[via OSPA]

The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony: Kousuke Yamashita está envolvido nos arranjos

Por Alexei Barros

Como a divulgação do The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony está fragmentada, demorei um tanto para comentar todas as novidades confirmadas até o momento. O problema é que eu esperei demais para fazer o post…

Mas, enfim, digo o que foi dito de novo em relação à nota anterior:

- Além das apresentações em Tóquio (10/10) e Los Angeles (21/10), foi apregoado um concerto em Londres para o dia 25 de outubro no HMV Hammersmith Apollo. Ao que tudo indica, o programa inglês será similar ao americano. Interessante que, de uma hora para a outra, a Inglaterra passou de um país morto para espetáculos de games a muito ativo: 5 de novembro o Distant Worlds fará uma visita à mesma cidade.

- No site japonês, Mahito Yokota confirmou a presença de dois segmentos. A memorável “Gerudo Valley” de The Legend of Zelda: Ocarina of Time é uma boa escolha, porque, por incrível que pareça, a faixa jamais foi tocada em um concerto, e representa um desafio para orquestração satisfatória. Só chegou a ser arranjada por Ryuichi Katsumata para cordas no álbum The Legend of Zelda: Ocarina of Time Hyrule Symphony. O outro é um medley de temas de batalhas contra chefe, sendo que as faixas selecionadas foram mantidas em segredo. A única iniciativa similar é o ato IV. Battlefield do “The Legend of Zelda (Symphonic Poem)” do Symphonic Legends, o qual foi estendido em quatro minutos para o LEGENDS.

- De acordo com Yokota, a performance em Tóquio terá uma orquestra de 100 instrumentistas e um coral de 50 vozes, marca que, se não me falha a memória, não tem precedentes em concertos de games japoneses.

- E a novidade que mais me deixou empolgado é a informação da capa da partitura da sessão de gravações dos dias 23 e 24 de agosto em Seattle (imagino que para o prometido álbum) compartilhada pelo produtor Jason Michael Paul no Twitter: a participação de Kousuke Yamashita em três arranjos, complementando o trabalho de Chad Seiter. Para o Press Start, Yamashita fez a orquestração da “Metal Gear Solid 2 Main Theme” (2006) e os arranjos “Ys – Ys II” (2006 e 2008) e “Suikoden” (2009), este baseado na partitura da “Into a World of Illusions” do álbum Genso Suikoden Music Collection Produced by Kentaro Haneda. Isso entre os arranjos creditados, porque ainda não consegui descobrir todos. Ultimamente, pude comprovar a genialidade dele como compositor em diferentes mídias, como a assombrosa “The Awakening of Time” do Nobunaga’s Ambition Tendou (PC, Xbox 360 e PlayStation 3), a fantástica “Battle in Digital World” do anime Digimon Xros Wars ou a memorável “Embracing Hope” do filme Kurosagi. Não sei como a JMP Productions chegou ao nome dele, tampouco se os três arranjos farão parte da apresentação japonesa.

- Os mais atentos vão reparar também que a capa da partitura da foto credita apenas a composição ao Koji Kondo. Eu não desistiria tão cedo de ouvir músicas de outros compositores, como o Toru Minegishi, já que acontece com frequência em concertos de apenas o Kondo estar creditado, mesmo que outros tenham se envolvido na composição. Como, por exemplo, o “Encore (Currendo, Saltando, Ludendo)” no site do LEGENDS que resume faixas de diferentes autorais ao Koji Kondo.

[via GoNintendo]

The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony: turnê terá número de 18 minutos de Twilight Princess


Por Alexei Barros

Desde a E3 2011 não falei mais sobre a The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony, a turnê comemorativa da série que excursionará por Japão, Europa e EUA, mas provavelmente você foi mais atento que eu e não perdeu os detalhes. Relembro apenas o que já havia dito: a primeira apresentação acontecerá dia 10 de outubro, no Sumida Triphony Hall em Tóquio, com performance da Tokyo Philharmonic Orchestra e regência de Taizo Takemoto. Os ingressos só poderão ser adquiridos se antes você comprar o The Legend of Zelda Ocarina of Time 3D. Que coisa, não?

Agora as novidades apregoadas nesse meio tempo:

- Dia 21 de outubro ocorrerá uma apresentação em Los Angeles, EUA, no Pantages Theatre. Sem informações sobre orquestra e maestro.

- Embora o site nipônico da turnê seja diferente do americano, tudo leva a crer que a excursão inteira, em âmbito mundial (ou melhor, do hemisfério norte) e não somente as apresentações no ocidente como eu achava, é produzida pela Jason Michael Paul Productions. Sinceridade? Não sei por que a Nintendo o procurou, tendo em vista as inconstâncias do Play! A Video Game Symphony.

- Concluo assim, porque neste tuíte, Chad Seiter disse que ele e Koji Kondo são os arranjadores. Para quem não se recorda, Seiter é o responsável pelos novos números de Mario, Zelda, Metroid e Castlevania, entre outros, do Play! Apesar da boa impressão inicial da releitura vampiresca, achei as versões da Nintendo em um nível inferior. E outra: estranha a informação que o Kondo também vai arranjar, a não ser que ele, Seiter, faça a orquestração – não me lembro de arranjos para orquestra do Kondo. De toda forma, fico surpreso por Mahito Yokota não estar envolvido de alguma maneira como é o orquestrador número 1 da Nintendo. Talvez revelem depois.

- A única informação verdadeiramente empolgante e relevante é a revelação neste tuíte de que o segundo movimento do concerto será de um segmento enfocado no The Legend of Zelda: Twilight  Princess com 18 minutos. Essa extensão lembra alguma coisa? Symphonic Fantasies, Symphonic Odysseys? Aliás, o tempo é metade dos 36 minutos do Symphonic Poem de Zelda do Symphonic Legends, estendidos para 40 no LEGENDS. Vamos ver como será um número extenso que não é produzido na série germânica Symphonic. Não é só enfileirar várias músicas aleatórias como acontece nos medleys de orquestras amadoras que publico; para ser uma suíte é necessário que o segmento conte uma história, com começo, meio e fim, que seja cativante durante todo esse tempo e que mantenha um equilíbrio entre estilos de músicas.  Sabendo o quanto os concertos alemães demandam de ensaios, em apresentações únicas, realizadas no máximo no mesmo dia ou final de semana, fico com o receio por não haver tempo hábil para treinos, como se trata de uma turnê, ainda que poucas visitas tenham sido marcadas. Não contente em soltar a informação, o tuíte também linkou para uma imagem de uma janela de um software utilizado para o arranjo, corroborando a presença da “Midna’s Theme”.

Fico atiçado para mais novidades, só espero que a divulgação seja um pouco mais organizada com notas no site em vez de novidades no Twitter.

[via My Nintendo News]

“Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)” – LEGENDS

Por Alexei Barros

O que poderia ser um mero bônus despretensioso do concerto acabou se tornando um dos segmentos favoritos de muitos (eu incluso) do Symphonic Legends, o “Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)”, que encadeia, mistura e alterna diferentes melodias, em especial temas de encerramento, de jogos da Nintendo. Surpreende que a origem das músicas não seguiu necessariamente os títulos representados ao longo do concerto. Por exemplo, teve uma suíte somente de Super Metroid, mas a trilogia Metroid Prime foi aludida no bis. São tantos detalhes que as repetidas apreciações se tornam um imperativo – numa iniciativa inusitada, o arranjo foi pensado prevendo que seria publicado no YouTube para que os fãs tentassem descobrir as referências que chegaram até Super Mario Galaxy 2, que saiu em maio de 2010 – o concerto se deu em setembro do mesmo ano.

O número não foi anunciado para a expansão LEGENDS, então fiquei curioso para conferir o vídeo a fim de cumprir tabela. O começo é igual: o piano fazendo dupla com a percussão (desta vez o próprio integrante da orquestra, não Rony Barrak) na “Staff Credits” do The Wind Waker, seguido por uma alusão a Pikmin (que não sei o momento exato) e, com o coral, pelos três temas dos créditos em ordem decrescente da trinca Metroid Prime. Não obstante o registro amador, foi possível ouvir a densidade da “Theme of Super Metroid” no órgão de tubos, o que, curiosamente, não dava para perceber muito bem na gravação da transmissão. O piano alude à faixa “Super Mario Galaxy” como de praxe, e… opa! A partitura tinha sido alterada.

Eu achei que todas as mudanças foram para melhor. Já era um estrondo e ficou ainda mais, e vou dar meus motivos. Conforme detalhado aí embaixo, as músicas com a seta para esquerda que estavam no Symphonic Legends deram lugar para as da direita no LEGENDS. Como Kirby foi uma adição no repertório, justo que também fosse lembrado no desfecho, apesar de não ter encontrado o ponto certo no vídeo. A “Opening” do Star Fox 64 era uma sutilíssima referência no trombone e, com a “Main Theme” do Star Fox, a série teve homenagem estendida de forma merecida. Na primeira versão, não havia nada relativo a Donkey Kong, aliás, a única franquia do concerto que não despontava no bis. Por menor que seja, é sensacional perceber o trompete tocar um trecho da “Donkey Kong Rescued” de um título marcante como Donkey Kong Country 2. Todas as melodias vinham de temas de encerramento (algumas apareciam antes, em outros momentos dos jogos, mas sempre figuravam no final), com exceção de Star Fox, que era breve como comentei acima, e F-Zero, que foi simbolizado pela “Big Blue”. Daí… que choque tomei quando ouvi a “Ending Theme” nos metais reproduzindo a melodia, com um tempero jazzístico um tanto incomum em concertos eruditos. Esses segundos, acredite, valeram todo o LEGENDS para mim, porque não esperava de jeito algum tal inclusão. Sobre a retirada da “Overworld” do Zelda, a série já teve o primeiro bis só para ela com a “Healing”, além do poema sinfônico, e sem falar que este segmento começa com Zelda. Lembro que por ocasião do Symphonic Legends, quase enfartei com a “Ending” do Super Mario Bros. 3 com coral em latim, mas foi bom terem incluído o tema dos créditos do F-Zero só agora, porque muito possivelmente não resistiria a dois enfartos em sequência. E, de novo, o que é esse final? Fez me lembrar da introdução cantada dos jogos da Sega, mas claro com o coral entoando “Nintendo”.

Coloco ambos os vídeos para comparação, e o mais legal é que no segundo dá para avistar a maravilhosa arquitetura do Konserthuset em Estocolmo e ver subirem no palco David Wise, Masashi Hamauzu, Jonne Valtonen e Roger Wanamo.

- “Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)”
Originais:
“Staff Credits” (The Legend of Zelda: The Wind Waker)
“A Panoramic View” (Pikmin)
“Ending Staff Roll” (Metroid Prime 3: Corruption)
“Ending Staff Roll” (Metroid Prime 2: Echoes)
“Ending Staff Roll” (Metroid Prime)
“Theme of Super Metroid” (Super Metroid)
“Super Mario Galaxy” (Super Mario Galaxy)
<– “Opening” (Star Fox 64)
<– “Overworld” (The Legend of Zelda)
<– “Big Blue” (F-Zero)
–> “Ending” (Kirby’s Dream Land)
–> “Main Theme” (Star Fox)
–> “Donkey Kong Rescued” (Donkey Kong Country 2)
–> “Ending Theme” (F-Zero)
“Ending” (Super Mario Bros. 3)
“Super Mario Galaxy 2” (Super Mario Galaxy 2)

Composição: diversos
Arranjo: Roger Wanamo

Symphonic Legends

LEGENDS

“The Legend of Zelda: A Link to the Past (Healing)” – The Legend of Zelda: A Link to the Past (LEGENDS)

Por Alexei Barros

Não bastassem os segmentos novos de Star Fox, Pikmin, Super Metroid, F-Zero e da inclusão de Kirby, jogo não representado no Symphonic Legends, a revisão LEGENDS adicionou outro número inédito em relação ao concerto em Colônia. Total surpresa, o primeiro bis, logo após a execução do poema sinfônico de Zelda. E, depois de uma jornada musical de 40 minutos, nada melhor do que contemplar uma doce melodia, um bálsamo para recuperar as energias: “Healing”, arranjo do Jonne Valtonen da faixa que estreou como “Select Screen” no A Link to the Past, figurando no Ocarina of Time com o título “Great Fairy’s Fountain”.

Sinceramente? Talvez nunca tenha externado por aqui, mas dentro da minha limitada experiência da série, não me conformava como uma música tão icônica, que me fazia demorar um bocado para começar a jogar, passasse batido pelas partituras oficiais no passado. Mal comparando, seria como se, por cerca de 20 anos de existência, só agora fosse arranjada a “Prelude” do Final Fantasy. Especialmente porque a composição é incrivelmente simples, profundamente tocante.

A simplicidade da melodia favorece a criatividade, ainda mais com o tempo de um segmento inteiro para trabalhar. As notas cintilantes do piano de Benyamin Nuss, interpolados com o pizzicato dos violinos, o solo de flauta e o crescendo da orquestra formam uma peça encantadora, que termina com sutil participação das cordas e das trompas.

Só lamento a deficiência da única gravação completa do número no YouTube. Além de a tomada da câmera não favorecer a visibilidade da orquestra, há um ruído de fundo. Quem sabe um dia não possamos escutá-la com a qualidade que a performance merece…

-“The Legend of Zelda: A Link to the Past (Healing)”
Original: “Select Screen”

Composição: Koji Kondo
Arranjo: Jonne Valtonen
Piano: Benyamin Nuss

“Hyrule Field Main Theme” – The Legend of Zelda: Ocarina of Time (Computerspiel-Sounds live in concert)

Por Alexei Barros

Dia 7 de junho. Se em Los Angeles acontecia uma apresentação com Zelda na E3 2011, em Leverkusen… também! O Computerspiel-Sounds live in concert, que comentei aqui, ocorreu na terça-feira no Bayer Kulturhaus e, mesmo que todos os assentos não estivessem ocupados, a recepção do público foi ótima. Não para menos: se arranjos de Kingdom Hearts e Final Fantasy eram os de sempre, de Mario e Zelda foram novos em folha, preparados pelo finlandês Roger Wanamo, com a performance da Bayer Philharmoniker. E se é Bayer, é bom… desculpe a lembrança infame do slogan.

“Hyrule Field Main Theme” é, para mim, uma das maiores obras-primas do Koji Kondo, conseguindo transmitir toda a epicidade da aventura de Ocarina of Time. Estranhamente, a única vez em que foi arranjada em um concerto licenciado: no “Legend of Zelda 2006”, em um medley do Mahito Yokota tocado no Press Start 2006 e repetido no Press Start 2007. Abrindo o leque para big bands, apareceu no “The Legend of Zelda Medley 2006” do Mario & Zelda Big Band Live.

Enfim a faixa ganha um segmento próprio em uma orquestração bastante fiel à original, traduzindo para a orquestra a timbragem sintetizada, sem a tradicional ambição artística dos concertos Symphonic na Alemanha nos quais Wanamo tem se projetado. Ficou fantástico, e olha que a Bayer Philharmoniker nem é tão grande assim pelo que se vê no vídeo.

Agora é torcer para compartilharem a suíte do A Link to the Past…

Zelda: 25 anos, dois discos, uma turnê e muitos jogos


Por Alexei Barros

Quem sentia falta de pompa e circunstância para a efeméride dos 25 anos de Zelda não teve o que reclamar com os anúncios reservados aos minutos iniciais da conferência da Nintendo na E3 2011. Surpreendente a revelação de uma turnê de concertos e álbuns das trilhas sonoras no palco de um evento em que normalmente são divulgadas novidades de jogos e consoles somente. Seria um indício da retomada da produtora à fartura de lançamentos de game music na década de 1990? Não sei e faço algumas ressalvas.

Aniversário de 25 anos de Zelda na E3 2011

Para abrir, orquestra e coral de nomes desconhecidos tocaram um medley de músicas da série contendo as faixas “Overworld”, “Ganondorf’s Theme”, “Zelda’s Theme”, “Hyrule Field Main Theme” e o tema do trailer do Skyward Sword. De cara, não achei nada demais a performance com uma qualidade aquém da perfeição de que se espera da Nintendo. Nem era grande pela limitação de espaço, e a própria técnica dos instrumentistas não é das melhores, com deficiências no violino e coro sem potência. Confirmando um rumor espalhado dias antes da conferência, tratava-se de um coral de estudantes. Você pode pensar que sou muito exigente e ter achado o máximo. Eu não me empolguei tanto assim.

Shigeru Miyamoto entrou no palco com o indefectível sorriso acompanhado por uma fanfarra da orquestra. Pouco depois, chamou o intérprete Bill Trinen, que tinha a irritante mania de não esperar o designer acabar de falar para começar a traduzir. Em um vídeo, não haveria o problema, porque o áudio do Miyamoto seria deixado em segundo plano. Duas vozes estavam no mesmo volume de altura, criando uma confusão mental digna da Torre de Babel. O criador da série ressaltou a importância das músicas para a experiência de Zelda e solicitou que a orquestra reproduzisse as breves melodias instantaneamente reconhecíveis. Foi tocada a vinheta da resolução de puzzles, da coleta de item especial e o tema da Fairy Fountain. Daí o Miyamoto solicitou que tocassem novamente a da coleta de artefato… para quê? O pedido aparentemente fugiu do combinado e pegou de surpresa a maestrina, que perguntou qual era a música. Para piorar, a flautista começou a tocar a Fairy Fountain até a orquestra entrar em sintonia.

Pularei as novidades referentes aos jogos – entre no Andria Sang (em inglês) se quiser se aprofundar –, para enfocar nos anúncios musicais. O mais inusitado: a turnê comemorativa The Legend of Zelda 25th Anniversary Orchestra Concert, que imaginava ser produzida por uma companhia japonesa, como a Company AZA, do Press Start e do Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert. Conforme divulgado pelo OSV, a excursão é produzida pela JMP Productions, do Dear Friends: music from Final Fantasy, More Friends: music from Final Fantasy e Play! A Video Game Symphony – e aqui a minha expectativa caiu um bocado por causa do controverso CD, ainda que tenha apreciado os últimos arranjos da turnê. Terá passagens nos Estados Unidos, Europa e Japão, e a visita ao arquipélago nipônico já foi marcada para o dia 10 de outubro no Sumida Triphony Hall, com a Tokyo Philharmonic Orchestra sob a batuta de Taizo Takemoto. Ingressos de 1.500 a 3.000 ienes que estarão disponíveis para quem adquirir The Legend of Zelda Ocarina of Time 3D. Com isso, acredito que a JMP Productions será responsável somente pelas apresentações nos EUA.

Em seguida, foi a vez da divulgação de dois álbuns de game music, o que não me lembro de acontecer antes na E3. Um deles é baseado justamente na récita, com lançamento em conjunto com o The Legend of Zelda: Skyward Sword, que sai no final de 2011. O outro é o The Legend of Zelda Ocarina of Time 3D Official Soundtrack, disco promocional que pode ser conseguido via Club Nintendo.

[ATUALIZAÇÃO] O álbum terá 50 faixas no total, sendo que muitas jamais foram lançadas antes. O medley orquestrado que cito na sequência está incluso, assim como o encarte com ilustrações especiais para a releitura do 3DS e comentários do Miyamoto e do Kondo. Quem adquirir o Ocarina of Time 3D e ser filiado ao Club Nintendo pode seguir os passos no site e receber o disco gratuitamente.

The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D

Acabada a parte da E3, aproveito o ensejo para comentar o bate-papo do Iwata Asks com Koji Kondo e Mahito Yokota sobre o vindouro remake agendado para 19 de junho. Inicialmente, a trilha do Ocarina of Time 3D ficaria sob a responsabilidade de compositores novatos, e Kondo falou para Yokota os supervisionar, mas ele não conseguia só ficar olhando porque sempre foi fã de Ocarina of Time, então pediu que cuidasse de tudo. A intenção inicial era arranjar as músicas para modernizar os timbres. Com cerca de metade do trabalho pronto, Kondo disse subitamente para deixar fiel ao som do Nintendo 64…

Parece fácil pelo fato de as faixas soarem hoje passadas, porém foi realmente difícil recriar o áudio do N64 para um portátil como o Nintendo 3DS. A qualidade pode ser um pouco melhor no remake de acordo com Kondo, que deu os seus pitacos como autor da obra. Para ele, a ocarina da “Title Theme” estava muito alta, sem reverberação. Kondo queria passar a ideia que o instrumento fosse tocado de bem longe, no meio da floresta. Comentou-se que o jogo exigiu bastante capacidade do 3DS pelo dinamismo e interatividade das músicas, uma das grandes inovações do original, levando em consideração que os efeitos de som e outros ruídos precisaram ser readequados para a taxa de quadros por segundo, que passou de 20 para 30.

Yokota colocou uma faixa orquestrada no jogo e manteve o segredo para que os jogadores descobrissem… nem saiu e encontraram. Toca nos créditos e é um medley com a “Zelda’s Theme”, “Hyrule Field Main Theme” e “Overworld”. E já riparam. Se quiser ouvir por sua conta e risco, basta clicar no link para o Goear abaixo. Coloquei o trailer abaixo também.

- “Staff Credits Theme” (The Legend of Zelda: Ocarina of Time 3D)

The Legend of Zelda: Skyward Sword

Na mesma entrevista, Yokota afirmou que trabalhou em dois Zeldas simultaneamente, sendo Skyward Sword o outro, logo depois do Super Mario Galaxy 2. Para o trailer da E3 2010, evento que revelou o jogo, ele discutiu com Miyamoto sobre a utilização de uma música orquestrada, mas Miyamoto-san não achou que seria necessário. Refresque sua memória:

No intervalo do verão japonês, finalmente decidiram colocar músicas orquestradas no Skyward Sword, e Yokota se juntou ao time, usando a técnica de carregar as faixas em streaming do Super Mario Galaxy. O toque mágico do Yokota na orquestração pôde enfim ser contemplado no trailer da E3 2011. Quanta diferença:

Agradecimentos ao DGC pelas dicas via e-mail.

[via Andria Sang, OSV, The Legend of Zelda 25th Anniversary Orchestra Concert, Iwata Asks; crédito da foto: AVS Forum]

LEGENDS: as 100.000 notas lendárias de Zelda

Por Alexei Barros

Antes do Symphonic Fantasies, eram raros segmentos de dez minutos em concertos de games. As suítes de 18 minutos de duração pavimentaram o caminho para que o produtor Thomas Boecker e o arranjador Jonne Valtonen idealizassem algo ainda mais ambicioso, um poema sinfônico de Zelda que contava uma história por meio dos 36 minutos de música no Symphonic Legends. História esta que vai ser contada de novo no LEGENDS.

“O Poema Sinfônico conta a lenda de Zelda por uma sinfonia em cinco atos. É uma história de como Link, a jovem princesa cresce, eles se encontram e aceitam o destino para finalmente confrontar o pior inimigo”, diz Valtonen. “Com esta peça eu quis inspirar o ouvinte para encontrar a sua própria história. A melhor coisa sobre a música é quanto menos se explica mais pessoal e única é a experiência”.

Após discutir com Boecker os objetivos e discutirem a seleção de faixas, Valtonen levou mais de seis meses para concluir o trabalho, alcançando uma marca incrível. “Um total de 100.000 notas foram escritas na partitura, e eu trabalhei cuidadosamente em cada uma delas. Todos conhecemos a música original e, com o meu arranjo, eu tento expandir o universo de The Legend of Zelda. Eu quis criar novos lugares e situações que não existiam  antes.  E acima de tudo eu quis descobrir lugares onde eu nunca estive antes – talvez lugares que você já tenha visitado”, comenta.

Pensa que acabou aí?  O Poema Sinfônico foi totalmente revisado para o LEGENDS e, como se não bastasse tamanho perfeccionismo, o quarto ato, “IV. Battlefield”, ganhou em torno de dois a quatro minutos adicionais em relação ao que foi apresentado em Colônia. Outra diferença é que desta vez Rony Barrak não participará da performance.

Não deixe de ler a entrevista do SEMO feita em outubro de 2010 com Thomas Boecker e Jonne Valtonen sobre o processo de confecção do Poema Sinfônico. Depois do Hadouken, publico de novo a gravação do número.

[via Facebook]

Play!: as estreias de Halo: Reach, Dragon Age II, Metroid e dos novos números de Mario e Zelda


Por Alexei Barros

Gostou da “Terra’s Theme” e do “Castlevania Medley” do Play! A Video Game Symphony? Ambos os arranjos são de Chad Seiter (informação atualizada no primeiro post), um dos compositores do FPS Fracture. O que dizer então quando o seu talento for direcionado para a sacrossanta tríade de franquias da Nintendo, além de Halo: Reach e Dragon Age II? Altamente promissor. Os cinco segmentos estão marcados para debutar em 21 de junho em Seattle, com uma reprise no dia 22.

Metroid jamais esteve representado no programa da turnê. Tenho esperanças que façam justiça à trilha do Hirokazu Tanaka, na maioria das vezes esquecida em favor do trabalho do Kenji Yamamoto e da Minako Hamano em Super Metroid. Alguma(s) da trilogia Metroid Prime não fariam mal a ninguém. “Super Mario Bros. Suite” e “The Legend of Zelda Suite” eram duas partituras exclusivas, preparadas por Jonne Valtonen, mas ainda assim vão investir nas novidades. Zelda, aliás, será a “Overture” orquestrada do ZREO: Twilight Symphony.

O Play! já contava com o medley “Halo”, arranjo de Arnie Roth com faixas da trilogia e agora terá um segmento dedicado ao Halo: Reach. E se em Dayton ocorreu a estreia de Dragon Age: Origins (não mostrei aqui pela baixíssima qualidade do único registro disponível no YouTube), haverá Dragon Age II em Seattle – isso se o site não estiver se confundindo e for o mesmo número –, com a performance vocal da cantora Aubrey Ashburn. Ela, o compositor de Halo Martin O’Donnell e Chad Seiter estarão presentes na sessão de autógrafos também.

[via Play!]


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