Archive for the 'News' Category

Game Music Tribute Live: mais um novo Game Music Festival?


Por Alexei Barros

Repito a dizer: lá para, 2005, 2006, quando soube da existência da série de shows Game Music Festival, além de me lamentar eternamente pela falta de gravações lançadas das apresentações, também havia uma espécie de conformismo de que os compositores de game music jamais voltariam a formar bandas e subir no palco para tocar suas músicas… Ainda mais porque o pessoal daquela época saiu de cena, ou melhor, das produtoras onde trabalhavam e, quando muito, viraram freelancers. Mas não é que, depois do Japan Game Music Festival realizado em julho, vamos ter OUTRO show com bandas japonesas de game music em 2013? Com vocês, o Game Music Tribute Live, que vai acontecer dias 2 e 3 de agosto.

Ao mesmo tempo em que fiquei satisfeito de ler nomes como jdk Band, Zuntata, Crush 40 e [H.] no programa do JGMF 2013, também senti a ausência de algumas bandas. É não é que justamente as que faltaram no JGMF 2013 vão estar no Game Music Tribute Live? Só me pergunto por que eles não juntam tudo e fazem um show ainda maior, mas cada um deve ter os seus motivos…

A maior surpresa, definitivamente, é o retorno da Gamadelic, a banda da falecida Data East. Apenas peço que ouça a “SHOOOT!!” (do Windjammers) ou então a “Operations Thunder Zone” (do Thunder Zone) para ver como era o som dos caras – um hard rock de primeira qualidade. Só imagino essa competência com uma sonoridade mais moderna. Por favor, lancem álbuns. Eles voltaram para valer mesmo, com direito a site oficial, Facebook e Twitter. E até publicaram no YouTube um vídeo promocional com clipes antigos que eu nunca imaginei que veria na vida:

O JGMF 2013 não tinha a Blind Spot? Aqui está ela, a antiga S.S.T. Band. Aliás, é incrível pensar que a Sega consegue ter TRÊS bandas diferentes tamanha é a sua fartura musical. Impressionante. O JGMF 2013 não tinha o Motoaki Furukawa? Aqui está ele, com a Voyager, fazendo a vez da extinta Kukeiha Club da Konami. Seria muito pedir que ele voltasse a usar o timbre de 1992 (de músicas como a “Fantastic Offroader” do Sound Locomotive), que incrivelmente soa mais atual do que ele vinha usando nos álbuns mais recentes? (Ainda bem que é a primeira vez que falo isso). Eu confesso que nunca entendi muito a razão de existir o Koji Hayama com suas músicas excêntricas para a série Cho-Aniki, mas ele também chegou a tocar no Game Music Festival 94 e vai estar aqui. Meh…

O detalhe é que o site ainda tem um espaço vago com a mensagem “Here comes a new artist!”… Não me diga que é a Alph Lyla da Capcom? Ou então a… Shinsekai Gakkyoku Zatsugidan Special Band da SNK? Melhor não sonhar muito alto porque sei de pessoas que enfartariam caso isso acontecesse.

Para completar, o Game Music Tribute Live também vai ter a participação de quatro cantoras J-pop: Chisa Yokoyama, Mami Kingetsu, Junko Noda e Haruka Shimotsuki. Com exceção da última, que cantou, sei lá, milhões de músicas para jogos diferentes, as outras três são nomes relativamente conhecidos da colossal discografia da série Tokimeki Memorial e tiveram vários álbuns lançados pela Konami (vários deles com músicas originais, sem relação com jogos).

Só vai ser chato acontecer tudo isso e não ser lançada nenhuma gravação…

[via Game Music Tribute Live]

A revelação de Donkey Kong Country: Tropical Freeze e o retorno de David Wise à composição

Por Alexei Barros

Eu me lembro do choque que foi o anúncio do regresso de Donkey Kong Country na E3 2010… Por mais que houvesse outros jogos do gorila de gravata vermelha nos anos 2000, eu era órfão da trilogia DKC que abrilhantou o SNES de 1994 a 1996. DKC Returns veio para Wii em 2010 e pude constatar (mesmo com algum tempo de atraso) o talento da Retro Studios em manter a essência da trinca de jogos criados pela Rare.

Três anos depois, sem aquela tradicional apresentação gigante realizada pelas fabricantes de consoles, a Nintendo revelou a nova sequência em sua conferência online Nintendo Direct comandada pelo presidente da empresa, Satoru Iwata. Eu disse nova? Não sei se era porque estava meio por fora ou se a edição do vídeo não fez por merecer as novidades, quando o jogo foi apresentado, eu imaginei que, por qualquer motivo, eles ainda estavam falando do Donkey Kong Country Returns 3D, versão do supracitado jogo para 3DS lançada em maio de 2013.

Só fui me ligar que era um jogo novo quando o Donkey Kong entrou na água, uma vez que não havia seções subaquáticas no DKC Returns, diferentemente da trilogia original 16-bit. Sei que é toperice minha, mas eu achei os dois jogos, o DKC Returns e o recém-anunciado Donkey Kong Country: Tropical Freeze, também desenvolvido pela Retro Studios, muito parecidos visualmente. A mim, à primeira vista, não pareceu haver aquele frescor de continuações como Super Mario Galaxy 2 e o próprio Donkey Kong Country 2. Isso que eu não tenho nada contra continuações (desde que elas respeitem o bom senso). Outra novidade foi a inclusão de Dixie Kong como personagem auxiliar de Donkey Kong, além do Diddy. Tudo leva a crer que o jogo manterá a ideia de deixar um símio ajudante nas costas, da mesma maneira que no primeiro DKC Returns.

Mas a melhor novidade foi revelada depois da Nintendo Direct, no estande da produtora na E3, com a confirmação de David Wise como compositor do jogo. Na época de sua revelação, o DKC Returns teve o nome de Kenji Yamamoto anunciado para esse cargo, mas os créditos também deram os nomes de Minako Hamano, Masaru Tajima, Shinji Ushiroda e Daisuke Matsuoka, sem especificações de funções. Nem mesmo o encarte do álbum da trilha sonora Donkey Kong Returns Original Sound Track permite saber quem são os compositores e os arranjadores. Seja como for, nem de longe, nem mesmo utilizando músicas antigas arranjadas, a trilha do Returns causou o impacto das trilhas do DKC 16-bit. Eles já deveriam tê-lo chamado na ocasião, já que Wise saiu da Rare e nada impediria que ele voltasse de onde nunca deveria ter saído. DKC sem David Wise é Mario sem Koji Kondo ou Chrono sem Yasunori Mitsuda. Agora, com o regresso de Wise a um jogo que lembra os seus bons tempos da Rare, a história é totalmente diferente e já sonho com composições novas do nível de “Aquatic Ambiance” e “Stickerbush Symphony”.

[ATUALIZAÇÃO] A Nintendo também liberou um vídeo com declarações do produtor Kensuke Tanabe, falando mais sobre as novidades do jogo. Além da Dixie e do Diddy, haverá um terceiro personagem secundário ainda não revelado.

[via GoNintendo, WiiClube]

Soul Sacrifice: para ouvir sem nenhum sacrifício

Por Alexei Barros

Há uns 10 anos, ter uma trilha orquestrada em um jogo para consoles de mesa não era comum. Em 2006, eu me lembro do quão surpreendente foi o ouvir o tema de abertura orquestrado do remake do Final Fantasy III para Nintendo DS. Hoje já é algo tão convencional que jogos portáteis apresentam não só uma música, mas a trilha inteira gravada por instrumentistas de verdade.

Um bom exemplo desses novos tempos é o RPG de ação Soul Sacrifice, uma nova empreitada de Keiji Inafune fora dos domínios da Capcom para o PS Vita. Já saiu no Japão, aqui chega dia 30 de abril. O álbum com as músicas Soul Sacrifice Original Soundtrack aterrissa dia 13 de março, vulgo amanhã, e é justamente esse o motivo do post.

Assinada por uma inusitada dobradinha de Wataru Hokoyama (Afrika, Resident Evil 5) e Yasunori Mitsuda (Chrono, Xenogears etc.), a trilha foi gravada no Skywalker Sound nos EUA e, ao que tudo indica, a Skywalker Symphony Orchestra, formada por músicos freelancers de São Francisco, realizou a performance. Não dou certeza porque foram feitos três vídeos para promover só essa parte de áudio do jogo, mas nenhum deles confirma mesmo que foi essa a orquestra utilizada – não é só a Skywalker Symphony que grava no Skywalker Sound. Ambos os compositores já lidaram com orquestras desse naipe (Hollywood Studio Symphony no caso do Afrika e RE5 e London Philharmonic Orchestra no XenoSaga) e dessas proporções – segundo a Famitsu, foram mais de 100 instrumentistas.

Enquanto o primeiro vídeo dá um panorama geral, o segundo mostra uma impactante composição do Hokoyama e o terceiro uma música do Mitsuda – com guitarra e coral, mas só em áudio, em uma faixa fora dos padrões dele. O quarto, caso você não tenha visto, mostra os compositores comentando o trabalho no evento de revelação do jogo realizado em maio de 2012.

Enfim, estamos de olhos e ouvidos atentos.

The Music of Soul Sacrifice

“Beginning of the End” – Wataru Hokoyama

“Melody of the Souls – main theme” – Yasunori Mitsuda

Soul Sacrifice Presentation Summary

Segata Sanshiro ressurge em show da [H.]

Por Alexei Barros

Quem acompanhou os passos finais da Sega como fabricante de consoles na era Saturn, deve se lembrar do saudoso Segata Sanshiro, o herói-propaganda interpretado por Hiroshi Fujioka que estrelou diversos comerciais promovendo o videogame 32-bit. A Sega levou o negócio tão a sério que Segata veio a falecer em um dos comerciais, encerrando uma carreira, o mito, a lenda até que…

Em 2013, a [H.], a atual banda da Sega – não confunda com a recém-retomada Blind Spot -, vai fazer um show com o Segata Sanshiro que será transmitido via Nico Live… Mas não se anime muito, porque a transmissão é paga. Nem sequer há pistas sobre o set list, mas tudo leva a crer que será tocado o eterno hino “Sega Saturn, Shiro!”, desta vez na companhia da banda formada por Takenobu Mitsuyoshi, Hiro e outros comparsas. Com sorte, alguém poderá compartilhar depois algum trecho do show, o que, se acontecer, evidentemente avisarei neste espaço tão pouco atualizado.

Espero também que o show sirva para dar uma animada na [H.], que depois do lançamento do álbum Sega Sound Unit [H.] 1st Album, está meio parada, chegando ao cúmulo de não ter feito nenhum arranjo nas coletâneas da Sega em 2012.

[via Game Watch]

Seis anos depois de hiato, o inacreditável retorno do Casiopea – com direito a novo DVD

Casiopea
Por Alexei Barros

Uma estatística baseada no puro achismo: se oito em cada dez compositores japoneses de game music foram influenciados pela Yellow Magic Orchestra, os dois restantes tem a banda Casiopea como principal fonte de inspiração. O pioneirismo da YMO ainda está à frente pelo lançamento do álbum homônimo com duas faixas de game music, mas o Casiopea tem a sua importância na história com um jazz fusion altamente melódico e envolvente, hits e medleys de mais de 20 minutos. A rica trajetória da banda que debutou em 1979 foi misteriosamente interrompida em agosto de 2006, passando em branco (a não ser pelo site especial) da comemoração dos 30 anos em 2009.

Quando muitos já tinham perdido as esperanças e se conformavam apenas com as inúmeras coletâneas e os álbuns solo dos seus integrantes, surpreendentemente foi anunciado o retorno em abril de 2012 (é, eu demorei um pouco para fazer o post), com direito a diversos shows e ao DVD, que saiu dia 26 de dezembro. Antes dos detalhes do regresso, os motivos para tanta alegria.

Justamente no ano de 2006 foi quando eu passei a procurar com mais veemência por álbuns de game music oficiais (em 2005 já me interessava mais pelo assunto), praticamente abandonando os poucos arranjos que me agradavam no OverClocked ReMix. Em meio a tantas descobertas, notei que possuía uma predileção pelo gênero jazz fusion, mesmo sem entender a razão. Entre um álbum e outro, acabei conhecendo as bandas Kukeiha Club, da Konami, e S.S.T. Band, da Sega, e todas as histórias ocultas envolvendo o Game Music Festival que já não são mais tão obscuras assim.

Foi então que nesse tópico do Slightly Dark recomendaram a fonte de inspiração delas: T-Square e Casiopea. O T-Square eu já conhecia de nome ao pesquisar a origem de Masahiro Andoh, o guitarrista, por gostar das trilhas de Gran Turismo, mas que nunca tinha conseguido ouvir. As duas bandas tinham feito um show de nome Casiopea Vs The Square não muito tempo antes, lançado em DVD em 2003. Por sorte, havia breves amostras em sample do DVD das faixas “Omens of Love” e “Tokimeki”, entre outras. Bastaram poucos segundos para eu ficar completamente estupefato e virar instantaneamente fã das duas. Então eu mendiguei para um canadense do fórum GamingForce Interactive que havia conseguido todas as faixas do show em um serviço obscuro de compartilhamento de músicas. Escutando tudo, novo choque. Uma música melhor e mais bem tocada que a outra por instrumentistas talentosíssimos. A “Mid-Manhattan” é uma das minhas favoritas até hoje, misturando integrantes do Casiopea e do T-Square. Afinal, duas baterias (e ainda sincronizadas!) só podem ser melhores do que uma…

http://www.youtube.com/watch?v=uTV6GrfIQN8

O Casiopea também sempre me chamou a atenção pela duração de algumas músicas. Alguns medleys passam dos 30 minutos! A respeito de músicas avulsas, a maior de todas é a transcendental “Universe”, do álbum Marble (2004), com 25 minutos.

http://www.youtube.com/watch?v=TSJ5HpE8jhA

De maneira voraz, corri atrás das discografias de ambas as bandas, dos álbuns solo dos instrumentistas dessas bandas, das bandas formadas pelos dissidentes e ainda dos projetos paralelos dos músicos dessas bandas (como Trix, Pyramid, Ottottrio e Synchronized DNA que misturam integrantes e ex-integrantes). Haja banda, haja música! O YouTube ainda não era tão popular, e mal conhecia pessoas que ao menos tivessem ouvido falar do Casiopea e do T-Square. Hoje, felizmente, a história é totalmente diferente. Mas, enquanto o T-Square continuava ano após ano na ativa – até hoje –, alimentando em mim certa dose de ansiedade a cada álbum lançado, eu nunca cheguei a ter o mesmo sentimento com o Casiopea.

Nesse meio tempo, não me dei por feliz e procurei pesquisar mais detalhes sobre o Casiopea e, para minha completa surpresa, descobri no site do baixista Tetsuo Sakurai que a banda fez uma turnê brasileira em 1987, visitando as cidades de São Paulo, Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre (veja a propaganda ao lado).

Vasculhando o excepcional Acervo da Folha, encontrei uma reportagem do dia 9 de abril de 1987 sobre a primeira vinda deles, informando que o Gilberto Gil foi o responsável por trazê-los para o Brasil. Tem até uma entrevista (apesar de creditada como se todos os integrantes fossem uma coisa só):

O jazz rock japonês do Casiopea estreia sábado em São Paulo

Trazido ao país por inicativa de Gilberto Gil, o grupo japonês Casiopea chegou ontem de manhã a São Paulo, onde inicia uma turnê por seis cidades brasileiras, com produção do Projeto SP. A estreia, que estava marcada para amanhã foi transferida para o sábado, às 21h, no auditório Elis Regina do Palácio das Covenções do Anhembi. Depois o grupo segue para Salvador (onde se apresenta dia 14), Recife (dia 15), Rio de Janeiro (dias 20 e 21), Curitiba (dia 22) e Porto Alegre (dia 24).

A ideia de promover a vinda do grupo surgiu em 85, na Alemanha, quando Gilberto Gil ouviu pela primeira vez o jazz-rock do Casiopea. A Gege Produções Artísticas promete para breve o lançamento do primeiro disco do grupo no país, Halle, através do selo Geleia Gera, que editou o recente LP de Gil, Em Concerto. No domingo, às 14h, também no Anhembi, o grupo trocará improvisos com músico brasileiros, numa “jam session” que poderá assistida apenas por convidados e pela imprensa. Já estão confirmados os nomes de Nelson Ayres (teclados), Nico Assunção (baixo), Cláudio Celso (guitarra), Lino Simão (sax) e Duda Neves (bateria).

O Casiopea foi formado há dez anos pelos ainda estudantes Issei Noro (guitarra, arranjos e letras), Tetsuo Sakurai (baixo) e Minoru Mukaiya (teclados) que se reuniam para “jam sessions” informais. O comprometimento com o grupo foi crescendo e em 79 gravaram seu primeiro disco, Casiopea. A base da atual formação foi completada no ano seguinte com o ingresso do baterista Akira Jimbo, que também é especializado em sintetizadores.

Em 82, o grupo já era sucesso nacional, fazendo turnês pelo Japão que incluíam mais de cinquenta cidades. O primeiro passo para o lançamento do Casiopea no exterior foi dado em Londres, no ano seguinte, e, em 84, acontecia uma significativa apresentação no Festival de Jazz de Montreux, na Suiça, logo após o show de Miles Davis. As turnês se sucederam: Holanda no North Sea Jazz Festival, em Suécia, Dimanarca, Indonésia e EUA. Além do aval de Gil, a agência de serviços do grupo inclui gravações ao lado de conhecidos músicos norte-americanos como o guitarrista Lee Ritenour e o baterista Harvey Mason, ou mesmo do saxofonista japonês Sadao Watanabe.

Muito interesse pela música brasileira

O Casiopea concedeu uma entrevista exclusiva à Folha, no último fim de semana, pouco antes de deixar o Japão. O “manager” do grupo, Masato Arai, transmitiu as seguintes perguntas ao quinteto japonês:

Folha – Vocês conhecem a música brasileira?
Casiopea - Sim, conhecemos bastante a música brasileira e estamos muito interessados nela. Ouvimos Djavan, Gilberto Gil, Airto Moreira, Milton Nascimento e outros, sempre que conseguimos discos importados no Japão. Na verdade, a seção rítmica do Casiopea está ansiosa por adotar sons brasileiros em nossas composições e arranjos.

Folha – Quais são as influências musicais do grupo?
Casiopea - Todos os ambientes que nos cercam, nossas vidas diárias e as experiências individuais de cada integrante – somos influenciados por tudo isso. Especialmente pelos contatos que fazemos nos lugares que visitamos, já que estamos sempre viajando ou gravando em algum lugar do Japão ou do mundo. Somos influenciados pelas coisas que vemos, pelas coisas que ouvimos. Nesses lugares, às vezes escrevemos uma canção baseada nas comunicações que fazemos com pessoas do local.

Folha – Há elementos tradicionais japoneses na música do Casiopea?
Casiopea - Não estamos particularmente preocupados com isso. De fato somos todos japoneses com características inatas japonesas. Há momentos em que notamos alguns elementos “japoneses” em nossas canções depois de escrevê-las.

Folha – Por que os recursos eletrônicos predominam no trabalho do grupo? Vocês têm algum preconceito contra instrumentos acústicos?
Casiopea - Não temos preconceito contra instrumentos acústicos, ou que quer que seja. Temos interesse em vários instrumentos folclóricos que ouvimos em várias partes do mundo. Estamos simplesmente usando o que está disponível ao nosso redor. Embora utilizemos um método eletrônico, não queremos soar mecânicos e buscamos sempre capturar ou atingir o coração das pessoas. Na realidade, somos seres humanos com corpos vivos, ou seja, existências acústicas, para começar…

Nos dias 17 e 18 de janeiro do ano seguinte, a extinta TV Manchete chegou a exibir o programa “Casiopea Especial”, que mostrava um show gravado no Japão. E, então, em 1988, eles voltaram como parte da turnê mundial, desta vez tocando em São Paulo, Londrina, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Duas músicas apresentadas em São Paulo, “Taiyo-Fu” e “Red Zone”, estão registradas no álbum World Live ’88. Além dessas, a “Palco”, do Gilberto Gil, foi cantada por ele na companhia do Pepeu Gomes  na guitarra, Oswaldinho do Acordeon e do Casiopea, conforme mostra o vídeo. Ao descobrir tudo isso tantos anos depois, me sinto um fã completamente tardio, juvenil e amador, como já havia muitos fãs brasileiros antes de mim (vide o comparsa Eric “Cosmonal” Fraga, do Cosmic Effect).

http://www.youtube.com/watch?v=E-byavxra_M

Nessa segunda visita, a Folha fez outra reportagem no dia 24/06/1988:

Casiopea faz show acompanhando Gil

Um brasileiro influi nos rumos de um grupo japonês. É o que os integrantes do grupo de jazz-rock Casiopea deram a entender ao falar sobre seu último LP, na coletiva que concederam ontem à tarde no Ginásio do Ibirapuera. O grupo está no Brasil para fazer sua segunda turnê pelo país. A estreia da temporada, hoje no mesmo local, contará com a participação do compositor, cantor e candidato à prefeitura de Salvador, Gilberto Gil. O show em São Paulo integra a Expo Brasil/Japão, que prossegue até 3 de julho.

Foi Gil, ausente da coletiva, o responsável pela primeira vinda do grupo, em 87. E foi também o baiano que sugeriu a orientação que o grupo tomou em seu último LP, Euphony, lançado no Japão em abril e o 16º em 11 anos de existência da banda. Segundo o tecladista Minoru Mukaiya, Gil teria aconselhado o grupo a tentar transmitir mais da cultura japonesa contemporânea, para diferenciar o som da banda. Tal feito eles fazem ter alcançado no uso de sons de instrumentos típicos japoneses nos muitos teclados e sintetizadores de última geração que utilizavam. Nos dias 13 e 14 de julho, deverão estar no Rio para a gravação de duas faixas do próximo disco do cantor, com lançamento previsto para outubro.

Sem definição

Atrasados pelo voo, os quatro integrantes do Casiopea (além de Mukaiya, Issei Noro, guitarra, Tetsuo Sakurai, baixo e Akira Jimbo, bateria) só deram respostas gerais às perguntas dos jornalistas. Não definiram quais ou quantas músicas tocarão com Gil, dizendo que a decisão final ficaria para o ensaio de hoje à tarde. Só adiantaram que iriam submeter à aprovação do cantor alguns arranjos, querendo “respeitar as características” de Gil. O repertório da excursão pelo Brasil vai ser só de música instrumental, se concentrando em “Euphony”, e incluindo uma seleção das principais músicas de outros dicos, como Halle, único lançado no Brasil.

Gil não é o único contato dos quatro nipônicos com a música brasileira. Revelam gosto eclético ao desfilarem nomes como Tom Jobim, Milton Nascimento, Gal Costa, Joyce, Djavan e Sergio Mendes. Alguns eles conheceram pessoalmente quando se apresentaram no Rio, ano passado.

Nascidos e criados em Tóquio, os músicos do Casiopea dizem ter recebido influências musicais muito variadas. Antes de formar o grupo, todos tinham preferência por pop e rock. Afirmam ser um dos poucos grupos no Japão atual a insistir na música instrumental e contribuir para impor uma imagem positiva do gênero, quando a maioria se dedica a acompanhar cantores. Também acham que investem na evolução musical ao não se debruçarem sobre as raízes da música de seu país.

Como podemos ver abaixo, a vinda do Casiopea em 1988 atraiu bastante atenção não só da Folha, como de toda a mídia brasileira. Uma façanha, dada a obscuridade de artistas japoneses – o que dirá japoneses de música instrumental!

http://www.youtube.com/watch?v=jolKEelvDdM

Para completar, há músicas do Casiopea em português (“Samba Mania”, “Teatro Saudade” e outras) e até o Djavan participou da música “Me Espere” do álbum Platinum (1987). Com toda essa proximidade com o Brasil – isso que não vou me aprofundar nas histórias e participações dos álbuns solo Vida do Issei Noro e Cartas do Brasil do Tetsuo Sakurai –, foi incrível perceber que todos os seus integrantes estavam relacionados de alguma forma com game music. Muitas dessas participações eram em performances de álbuns e, naquela época, não existia o VGMdb, então tentar compilar informações do tipo exigia buscar várias fontes japonesas. Hoje, dá uma alegria ver tudo organizado, reunindo as discografias de cada instrumentista, e saber: que o baterista Akira Jimbo e o baixista Tetsuo Sakurai tocaram em álbuns como Kukeiha Club, Rockman X Alph-Lyla with Toshiaki Ohtsubo e The King of Fighters ’96 Arrange Sound Trax. Ou então que o baixista Yoshihiro Naruse participou do Sorcerian Super Arrange Version. Melhor, que o guitarrista Issei Noro arranjou e tocou a “Rush a Difficulty” no álbum Super Sonic Team -G.S.M. Sega 3- da S.S.T. Band, arranjando músicas nos CDs seguintes e ainda participando como convidado em shows da banda. Como uma espécie de homenagem, a “Galactic Funk” inclusive foi tocada no bis no Game Music Festival 1992.

E, para completar, o tecladista Minoru Mukaiya, que efetivamente compôs trilhas para games, colaborando para Koei para jogos como Romance of the Three Kingdoms III e Romance of the Three Kingdoms II, cujo “Main Theme” inclusive foi tocado no Orchestral Game Concert. Mais do que isso, Mukaiya é o CEO do estúdio Ongakukan, que produz simuladores de trem para videogames. O mundo é pequeno mesmo. Aliás, o bônus de um desses títulos (não me pergunte qual) traz como bônus a performance de uma música do Casiopea (exclusiva do jogo):

http://www.youtube.com/watch?v=TTP8A1hPlRU

Se tamanha contribuição por si só não fosse suficiente, enfim chego ao terreno das influências. Pesquisando a respeito e muitas vezes trombando sem querer com esse detalhe, sei que nomes como Ayako Saso, Motoaki Furukawa, Shoji Meguro, Hiroyuki Iwatsuki e nada menos do que Koji Kondo assumidamente se inspiraram no Casiopea ao longo de suas carreiras.

Dito tudo isso, entre várias novas apresentações, o show do dia 19 de outubro rendeu um DVD, de nome Casiopea 3rd Live Liftoff 2012. Quem achou que a banda voltaria em peso pode se decepcionar um pouco, já que Minoru Mukaiya, o primeiro tecladista da fase profissional da banda (na era amadora, teve antes o Hidehiko Koike, que chegou a participar do show 20th, de 20 anos de aniversário) deixou o Casiopea. Em seu lugar, entrou a Kiyomi Otaka, a primeira mulher do grupo. Fica a torcida para que ele participe dos shows comemorativos de aniversário, como aconteceu com ex-membros em outras ocasiões (como o Tetsuo Sakurai) para tocar algumas de suas composições. Minha sugestão: a “Lucky Stars” do álbum Material (1999), o meu preferido.

Inicia-se, portanto, a terceira fase do Casiopea – daí o “3rd” no nome –, sendo a segunda etapa a iniciada em 1990, quando, na ocasião, Tetsuo Sakurai e Akira Jimbo deram lugar a Yoshihiro Naruse e Masaaki Hiyama para formar a dupla Jimsaku.

Meu único desapontamento é com a falta de novidades do set list do DVD. Aliás, isso eu até esperava, como o último álbum, Signal, é de 2005. Mas o problema é a obviedade das seleções musicais, pegando mais as famosonas, embora eles mereçam um desconto por não tocarem essas músicas juntos há vários anos.

Metade do espetáculo pode ser conferido abaixo, como o show foi transmitido na TV japonesa (inveja? Magina…). Os cabelos do guitarrista Issei Noro deram uma boa esbranquiçada, caso você não o tenha visto durante esses seis anos. Dá para ver que o Yoshihiro Naruse no baixo e o Akira Jimbo na bateria também estão tão bons quanto antes – o que é óbvio. Com a entrada da Otaka, a sonoridade da banda mudou bastante, causando um certo estranhamento, confesso – pudera, depois de 27 anos de Mukaiya não tinha como ser diferente. A maior diferença, além das preferências de timbres, é que a Otaka gosta de centrar as atenções no órgão Hammond e aparentemente ela não se arrisca no vocoder. Todavia, ela já mostrou um grande entrosamento com o restante da banda.

http://www.youtube.com/watch?v=MQRD7vqJPAE

No mais, já na expectativa pelo provável próximo álbum em 2013, inclusive para ver melhor como a nova tecladista vai se sair.

Seja bem-vindo de volta, Casiopea!

The Greatest Video Game Music 2 revelado com track list imbatível; poemas sinfônicos de Castlevania, Sonic, Street Fighter II e Super Metroid inclusos

Por Alexei Barros

Falha minha: nem cheguei a escrever um post sobre o álbum The Greatest Video Game Music.Trata-se de um CD com performances registradas em um estúdio pela London Philharmonic Orchestra, e parte dos arranjos foi executada no concerto londrino Video Game Heroes. A track list, para o meu gosto, era razoavelmente sem sal nas seleções ocidentais e clichê do clichê nas japonesas (Mario, Zelda, Metal Gear Solid 2…). O principal problema, isso valendo para ambas as escolas musicais, era a escolha de faixas únicas (não medleys) de composições já orquestradas naturalmente nas trilhas sonoras originais e com uma instrumentação, se não igual, bastante parecidas. Muita redundância.

As coisas prometem melhorar bastante no The Greatest Video Game Music 2, que será lançado dia 6 de novembro de 2012. Castlevania, Sonic the Hedgehog (espero que não só o primeiro), Street Fighter II e Super Metroid vão ter cada um o seu poema sinfônico – olha a influência do “The Legend of Zelda (Symphonic Poem)” apresentado no Symphonic Legends surtindo efeito. Se caprichar o Andrew Skeet, arranjador e maestro do CD, possivelmente teremos um novo álbum para entrar na galeria dos maiores de game music. Bem verdade que ainda tem umas faixas que caem no mesmo contratempo supracitado – “Main Theme” (Chrono Trigger) e a praga “One-Winged Angel” (Final Fantasy VII) –, mas estou na expectativa.

A track list completa:

01 Assassin’s Creed: Revelations – Main Theme
02 The Elder Scrolls V: Skyrim – Far Horizons
03 The Legend of Zelda: Wind Waker – Dragon Roost Island
04 Castlevania – A Symphonic Poem
05 Final Fantasy VII – One-Winged Angel
06 Mass Effect 3 – A Future for the Krogan/An End Once And For All
07 Halo – Never Forget/Peril
08 Sonic the Hedgehog – A Symphonic Suite
09 Chrono Trigger – Main Theme
10 Luigi’s Mansion – Main Theme
11 Metal Gear Solid 3 – Snake Eater
12 Street Fighter II – A Symphonic Suite
13 Kingdom Hearts – Fate of the Unknown
14 Super Metroid – A Symphonic Poem
15 Diablo III – Overture
16 Batman: Arkham City – Main Theme
17 Deus Ex: Human Revolution – Icarus Main Theme
18 Fez – Adventure
19 Portal – Still Alive
20 Little Big Planet – Orb Of Dreamers (The Cosmic Imagisphere)

O melhor de tudo é que fizeram uma breve amostra em vídeo da gravação do álbum do segmento do Super Metroid que aqui estranhamente está nomeado “Super Metroid Suite” e não “Super Metroid – A Symphonic Poem” como consta na track list. Ouço a “Theme of Super Metroid” no arranjo mais John Williams a que a faixa tem direito… não me surpreende. O arranjo do OGC4, “Theme~Space Warrior Samus Aran’s Theme~Big Boss BGM~Ending”, já tinha essa pegada. Mas daí… aparece a “Opening (Destroyed Science Academy Research Station)” numa versão muito melhor do que o arranjo do Play! A Video Game Symphony… promete.

Gagá, Cosmonal e demais seguistas enfartam: anunciado concerto comemorativo dos 25 anos da série Phantasy Star


Por Alexei Barros

Olha, eu gosto de Final Fantasy, mas quando surge uma coisa diferente de Final Fantasy (e Dragon Quest) em concertos, dá um ânimo que mostra que no mundo há tantas outras séries de RPG que também merecem ter a sua vez. E chegou a vez de quem? Phantasy Star, a saga muito querida no Brasil graças à bravura da Tec Toy (no tempo em que se escrevia o nome dela separado), que localizou o jogo em português na época do Master System. Apesar de gostar da novidade, devo informar que vivi o outro lado daquela geração e, além disso, nem sonhava em jogar um RPG àquela época.

Mas não é o caso dos comparsas Orakio, o Gagá, e o Eric “Cosmonal” Fraga, entre outros seguistas espalhados pelo país que se aventuraram em labirintos claustrofóbicos do RPG da Sega. Eles, se sobreviveram após ler o título do post, gostarão de saber que no dia 30 de março de 2013 será apresentado o Sympathy 2013 Phantasy Star 25th Anniversary no Hibiya Kokaido, em Tóquio, Japão. Trata-se do concerto comemorativo dos 25 anos da série, considerando o lançamento original japonês em 1987 (o jogo chegou ao Brasil apenas em 1991). A execução será da Tokyo Philharmonic Orchestra com a regência do Masamichi Amano, que participou de arranjos da trilha do Phantasy Star Universe.

Mas não pense você que apenas músicas da fase mais recente da série serão tocadas. Além dos clássicos Phantasy Star de I a IV, entrarão no programa todos os jogos das vertentes Phantasy Star Online e Phantasy Star Universe (incluindo o Portable), além do portátil Phantasy Star 0. E o melhor de tudo: a Sega abriu uma votação para que os fãs escolham as suas composições favoritas de cada jogo, oferecendo um fan service impensável.

Vale lembrar que jamais as trilhas dos primeiros episódios foram orquestradas oficialmente, o que é estranho, considerando que os dois primeiros da série Shining Force, também da Sega, tiveram álbuns orquestrados.

Agradecido ao Fabão por comunicar a notícia bombástica.

[via Sega; site da votação]


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