Archive for the 'Video Games Live' Category

Considerações sobre o Video Games Live: Level 3


Por Alexei Barros

Desde novembro de 2011 não faço um post sobre o Video Games Live, afinal não valia a pena repetir as mesmas coisas que cansei de falar em outras oportunidades. O que me motivou a voltar a abordar o VGL foi um fato novo, que me causou suprema estranheza: a notícia de que Tommy Tallarico usaria o Kickstarter para financiar coletivamente o terceiro CD da turnê. Daí eu pergunto: Kickstarter do Video Games Live? Quê? Como pode quase ninguém achar isso estranho?

Como o próprio nome já sugere, o Kickstarter é uma ferramenta bastante útil para dar aquele “pontapé inicial” em um projeto que não conseguiria ser financiado pelos métodos convencionais que exigem grande investimento. Quando o Tim Schafer teve a ideia de usar o Kickstarter para bancar o seu adventure, o projeto foi um sucesso avassalador de arrecadação, atingindo 834% do valor necessário para produzir o jogo. Foi como se as portas se abrissem para qualquer jogo novo que não podia sair do papel por falta de apoio das grandes publishers.

A partir daí, o Kickstarter mostrou também a sua validade para quem já era experiente, mas prefere atuar de maneira independente e quer obter mais liberdade em suas decisões. Com isso, designers de jogos que estavam fora dos holofotes voltaram a dar as caras e séries meio que sepultadas, como Carmageddon, Shadowrun e Tex Murphy, puderam voltar graças ao Kickstarter. Mais incrível ainda, um console surgiu via Kickstarter, o Ouya. Onde eu quero chegar: por um acaso, uma Electronic Arts, uma Blizzard, uma Activision ou uma Nintendo usam o Kickstarter para financiar seus projetos? Óbvio que não. O Kickstarter não é voltado para projetos mainstream ou para alguém esteja já na praça, fazendo sucesso.

Considerando tudo isso, simplesmente não via o menor sentido no fato de o Video Games Live precisar do Kickstarter para financiar o seu terceiro álbum. O VGL não tem nada de independente (por mais ambígua que hoje seja a definição de projeto independente) e tampouco saiu da berlinda desde a primeira apresentação datada de 2005 (e não 2002, como o emblema ao lado sugere, citando o ano de criação da turnê). Ou seja, o VGL se apresenta há oito anos e, segundo o seu próprio site, enchia muitas casas de espetáculo pelo mundo (estranhamente, a informação “Sold lots!”/”Sold out!” de vendas de ingressos foi excluída de praticamente todas as apresentações na tabela de shows do site oficial). Além disso, para completar, já foram lançados dois álbuns do VGL, um em 2008 e outro em 2010, sem depender do Kickstarter ou coisa do tipo. É como se a Nintendo lançasse o Metroid Prime, fizesse o Metroid Prime 2: Echoes graças ao sucesso do original e, do nada, decidisse usar o Kickstarter para bancar o Metroid Prime 3: Corruption.

Ressabiado, muito mais do que o normal, assisto ao vídeo de apresentação do projeto já vacinado com todos os exageros que permeiam o show. Logo no começo do vídeo, Tallarico justifica esse estranhamento natural, falando que a indústria musical está em baixa e as empresas não acreditam que as pessoas  ainda estejam dispostas a pagar por músicas de jogos se elas podem ouvi-las no YouTube ou baixá-las de graça na internet. De acordo com ele, o Video Games Live: Level Two, que corresponde ao segundo CD e primeiro DVD e Blu-ray, só atingiu 75% do valor investido (especialmente porque a gravação em vídeo deve ter sido uma nota). Além disso, ele não queria limitar a qualidade do projeto por causa de um orçamento pequeno. Digamos que essa explicação me convenceu, já que as coisas andam meio difíceis no mercado ocidental de game music – quem sou eu para questionar a viabilidade comercial de um CD desses.

Mas daí chegamos na segunda metade e parte mais crítica deste post, parte sobre a qual me revoltou muito mais do que questionamento do uso do Kickstarter. O projeto do Video Games Live: Level 3 começou no dia 14 de agosto com diversas faixas de preço para os financiadores e as recompensas das mais variadas possíveis. Tudo explicado nos mínimos detalhes: os custos de cada parte inerente à produção do álbum, que, felizmente, será uma gravação em estúdio, sem os gritos fora de hora do Level 2 que não se justificam em um CD; orquestra de 60 a 72 pessoas e coral de 60 ou mais vozes; e um total de 15 a 18 faixas que seriam escolhidas dentre uma vasta seleção de franquias listadas.

Entretanto, os detalhes talvez seja excessivos, com quilômetros de texto, o que pode ter afastado as pessoas mais ocupadas ou impacientes, mesmo com um vídeo procurando esclarecer melhor as coisas. Não sei se foi porque ninguém liga para isso ou ninguém leu (aliás, ninguém lê nada mesmo), mas o que eu quero chamar atenção é para a seguinte frase publicada no primeiro post do projeto: “Cada segmento musical do Video Games Live é pessoalmente arranjado e orquestrado pelos compositores originais e também usa contribuições dos próprios designers de jogo, produtores, desenvolvedores e publishers.”

De cara, antes mesmo das atualizações do conteúdo do álbum, dava para dizer que isso é inviável, simplesmente porque nem todos os compositores de game music sabem arranjar e orquestrar. Aliás, muito poucos. Para citar alguns nomes: é extremamente raro ver o Nobuo Uematsu fazer arranjos para orquestra; isso só aconteceu, até onde eu sei, no Orchestral Game Concert 2.  Da mesma forma, não me recordo de o Koji Kondo orquestrar músicas, e é por isso que quem cuida dessa área nos jogos recentes do Mario e Zelda é o Mahito Yokota. Sendo mais rigoroso, é um absurdo o Tetris estar na lista de jogos representados do CD e falar que o compositor original do título vai arranjar pessoalmente o segmento, porque a “Type A” é uma música folclórica russa. “Larga a mão de ser chato”, você pensa. Mas o texto diz “cada segmento” e não “a maioria dos segmentos”. Ah, se Tetris fosse o único problema…

Na sexta atualização, foi postado um mock-up do arranjo do Street Fighter II, que já é conhecido da turnê e inclusive estreou no Brasil em 2010, em meio aos berros da torcida para o Blanka vencer as lutas. Quem compôs as músicas do Street Fighter II foi a Yoko Shimomura. Que participação ela teve nesse arranjo? De novo: “cada segmento musical do Video Games Live é pessoalmente arranjado e orquestrado pelos compositores originais…”

Outra atualização duvidosa foi a décima: “Estou orgulhoso em anunciar que o Shadow of the Colossus e o Beyond Good & Evil vão ser parte do Video Games Live Level: 3. Ambos os arranjos são completamente exclusivos do Video Games Live e esta vai ser a primeira e única gravação profissional dessas versões! Nós trabalhamos exclusivamente com ambos compositores para criar arranjos únicos que capturam a essência de cada projeto.” Aqui não é nem o caso de questionar a participação dos compositores originais – até porque, o Tommy Tallarico se encontrou pessoalmente com o Kow Otani em 2009 no Japão –, mas o completo exagero sobre o arranjo do Shadow of the Colossus, que também não é inédito e estreou justamente nessa apresentação em Tóquio em 2009. Eu não chamaria uma colagem simples de duas faixas, com uma terrível transição entre elas e com a mesma instrumentação das originais, de “arranjo único”. Questão de opinião.

Mas nada se compara com a 13ª atualização, que vai de encontro àquela frase já repetida. “Esta é a primeira vez que este arranjo vai ser ouvido por qualquer pessoa no mundo…incluindo a Nintendo. Minha esperança e sonho é que esse projeto seja financiado para que possamos mostrar esse arranjo à Nintendo para uma possível inclusão na nossa turnê e no álbum. Eles ainda não me deram a permissão até este momento (já que eles ainda precisam ouvir!) e absolutamente não há garantia que o arranjo vai entrar no projeto final.” Se é que preciso questionar: como que o Koji Kondo arranjou pessoalmente se a Nintendo não ouviu? “Você leva tudo a ferro e fogo”, você questiona novamente. Mais uma vez: “Cada segmento musical do Video Games Live é pessoalmente arranjado e orquestrado pelos compositores originais e também usa contribuições dos próprios designers de jogo, produtores, desenvolvedores e publishers.” Essa não é uma frase dita por alguém que se empolgou, mas se confundiu. É uma afirmação que deveria ser proferida com plena garantia de realização.

Não obstante, justiça seja feita: o arranjo do Super Mario World é o primeiro em muitos anos que remete aos primórdios do VGL (2005~2007, mais ou menos). Nessa época, parecia haver um padrão de qualidade muito maior das partituras, com arranjos mais elaborados, haja vista o arranjo do Sonic do Richard Jacques, tocado desde a estreia em 2005. Como cansei de dizer, muitos segmentos recentes pecam pelas transições grosseiras ou então reciclam arranjos já existentes, como Metroid e Chrono Trigger e Cross. Salvo alguma transição um pouquinho mais abrupta ou outra, devo reconhecer que esse medley do Super Mario World é competente, seja lá quem tenha feito – a única certeza é que não foi feito pelo Koji Kondo.

Se você sobreviveu por aqui, meus parabéns, porque acabaram as ponderações mais contundentes – isso que nem entrei no mérito de o Tallarico exaustivamente citar todos os seus feitos e pioneirismos na indústria de games nos posts do Kickstarter. Só me chamou a atenção, mesmo com os milhares de fãs, a fama do VGL e a capacidade de aliciar pessoas do Tallarico, a imensa dificuldade de conseguir arrecadar os US$ 250 mil necessários para o projeto, que, segundo ele, ainda não bancam todas as despesas. O valor só foi alcançado a menos de 48 horas do prazo final, que é hoje, dia 13 de setembro. Enquanto isso, guardadas as devidas proporções e diferenças de propostas, o Kickstarter do Mighty No. 9, novo projeto do Keiji Inafune, alcançou a meta de US$ 900 mil em apenas dois dias e provavelmente vai quebrar o recorde de arrecadação do adventure do Tim Schafer de mais de US$ 3 milhões. Na semana passada, confesso ter achado que a meta não seria alcançada, o que seria um vexame de proporções cavalares. Fiquei com a impressão que, no início, o projeto foi tocado sem muita preocupação, na confiança de que seria pago em pouco tempo e, na base do desespero, mais para o término do prazo, várias atualizações foram feitas na correria.

Por fim, lamento que tantas pessoas vejam esse terceiro álbum como algo inovador e promissor; não tenho o mesmo otimismo, considerando que os dois primeiros CDs não foram grande coisa, apenas álbuns que você escuta e não fica com vontade de ouvir de novo, o que é diferente de outros discos com músicas orquestradas muito mais competentes e caprichados por aí.

“The Legend of Zelda 25th Anniversary Medley” – série The Legend of Zelda (VGL 2011 no Rio de Janeiro)

Por Alexei Barros

Há muitos anos achava que o segmento de Zelda do Video Games Live – baseado no arranjo do Orchestral Game Concert 1 referente ao A Link to the Past –, deveria dar lugar a um número que fizesse por merecer toda a série e não reduzisse tudo a uma única faixa, mesmo que a mais famosa. Coube ao Rio de Janeiro, cidade que iniciou a excursão brasileira de 2011, receber a estreia mundial do novo arranjo da série elaborado pela Laura Intravia, que já havia apresentado um número cômico tocando flauta em 2009. A indumentária de Link e o instrumento se mantêm, mas se trata de uma iniciativa mais séria, por assim dizer. Honestíssima, devo adiantar.

O problema é o debute acontecer só agora, em 2011, quando já foram feitos os medleys orquestrados “The Legend of Zelda Medley 2006″ no Press Start 2006 (e reprisado em 2007), dois no Play! A Video Game Symphony (o primeiro do Jonne Valtonen baseado no The Legend of Zelda: Ocarina of Time Hyrule Symphony e o outro do Chad Seiter), um Poema Sinfônico no Symphonic Legends/LEGENDS e, para completar, uma turnê só de Zelda. Não tem muito o que se surpreender a essa altura do campeonato.

Para mim, todas as transições ficaram decentes – para você ver que eu não reclamo por reclamar. A icônica “Title Theme” do Ocarina of Time é uma escolha excelente para o solo de flauta, afinal a composição original procurava simular a impressão de que uma ocarina estava sendo tocada no meio da floresta. Utilizando a melodia do despertar do dia do Ocarina é feita a emenda para o tema principal, trecho em que Intravia não toca, mas o público sempre faz questão de cantarolar. Numa variação o clima fica mais carregado, viajando para a tristeza de “Midna’s Theme”, seguida pela popular “Princess Zelda’s Rescue”, ambas com a decisiva participação da flauta. The Wind Waker é lembrado com a “Dragon Island” e Twilight Princess com a “Hyrule Field Main Theme”, que enfim recebeu a orquestração que merece, não aquela versão em MIDI. De maneira muito apropriada, parte do “Staff Credits” do Twilight Princess é utilizado para o encerramento do segmento. Atrasado, mas com substância.

Grato ao Thales Nunes Moreira pela consultoria Zeldística no reconhecimento das faixas.

“The Legend of Zelda 25th Anniversary Medley”

“Title Theme” (The Legend of Zelda: Ocarina of Time) ~ “Overworld” (The Legend of Zelda) ~ “Midna’s Theme” (The Legend of Zelda: Twilight Princess) ~ “Princess Zelda’s Rescue” (The Legend of Zelda: A Link to the Past) ~ “Dragon Island” (The Legend of Zelda: The Wind Waker) ~ “Hyrule Field Main Theme” ~ “Staff Credits” (The Legend of Zelda: Twilight Princess)

“Pokémon Medley” – Pokémon Red Version & Blue Version (VGL 2011 no Rio de Janeiro)

Por Alexei Barros

Pelo que disse o apresentador Tommy Tallarico antes da performance, Pokémon foi um dos jogos mais requisitados nos seis anos de visitas do Video Games Live ao Brasil. Em contrapartida, é curioso constatar que, antes de 2011, mesmo com tamanha popularidade da franquia, existia somente um arranjo orquestrado oficial: “Pokémon Medley” do Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert, ainda por cima por ocasião do Super Smash Bros. Melee.

E, então, em setembro enfim teve Pokémon no Press Start 2011, coincidentemente na sexta edição do evento. E em outubro o VGL reservou para a excursão brasileira a estreia mundial da turnê do segmento de Pokémon.

Como sou uma completa negação de Pokémon não me sinto apto a avaliar a escolha de faixas. Quanto ao arranjo, o trabalho, se não é fenomenal, é minimamente decente, com começo, meio e fim. A “~Opening~”, música de introdução do Pokémon Red e Blue do Junichi Masuda confere todo o impacto necessário para fazer com que os fãs reconheçam de cara a sequência de notas inicial e fiquem mais interessados em gritar, bater palmas e cantar junto a melodia – de uma música instrumental – em vez de simplesmente ouvir.

Ovazio após a introdução poderia ser considerado um bom exemplo de como não se fazer uma transição – ainda bem que a original é assim. Não que tenha sido feita uma passagem para a “Battle (VS Trainer)”. Nesse caso, porém, eu abro uma exceção: como o combate é aleatório, uma mudança ríspida de música no arranjo passa a mesma sensação de surpresa do jogo.

A segunda metade provém totalmente do anime – não vi tanto problema nisso, dada a proximidade do jogo com o desenho animado. Depois de um buraco, a mensagem do telão pede, ao som da “Prepare for Trouble”, que o público recite o lema do Team Rocket. No Rio de Janeiro a dublagem era em inglês, mas depois das reclamações pelas vozes em português, a produção do VGL conseguiu colocar a tempo nas apresentações em Porto Alegre e em São Paulo, só que mantendo o “Say it with us!” em inglês. Depois dessa parte interativa o medley finaliza com a magnífica “I Got a Victory Badge!”, cuja original exprime por que eu gosto tanto de música orquestrada japonesa, seja qual for a origem das composições.

Nada muito elaborado, mas respeitável. Agora… essa guitarra pré-gravada é o fim da picada.

“Pokémon Medley”

“~Opening~” ~ “Battle (VS Trainer)” (Pokémon Red Version & Blue Version) ~ “Prepare for Trouble” ~ “I Got a Victory Badge!” (anime)

Video Games Live: a turnê no Brasil em 2011


Por Alexei Barros

Não é a maior de todas e nem com a maior quantidade de convidados, mas certamente é a excursão no Brasil mais comentada e divulgada: a do Video Games Live no Brasil deste ano que começa hoje (09/10) às 18h no Centro de Convenções no Rio de Janeiro, visita pela primeira vez Porto Alegre (Teatro do SESI) às 19h na quarta-feira (12/10) e sábado (15/10) às 21h fecha em São Paulo (HSBC Brasil; argh), as três com performance da Simphonica Villa Lobos.

Comparado com o que fazem as produções locais em outros países, sempre achei a nacional muito tímida. Na França, por exemplo, em 2009 foi realizado um concurso de performances amadoras publicadas no Daily Motion, e o vencedor ganhava o direito de se apresentar no palco no dia do show-concerto.

Em 2011, contudo, o pessoal da Conexão Cultural mostrou uma empolgação muito grande na divulgação nas mídias sociais, com constantes promoções e respondendo as dúvidas do público no Facebook e Twitter, incluindo os chatos que só pegam no pé do evento. O site oficial brasileiro do VGL foi reformulado e ficou muito mais caprichado.

A única ressalva que faço foi a frustrada tentativa de trazer o Nobuo Uematsu ao Brasil. Na minha humilde opinião, isso não deveria ser público se não fosse 100% confirmado. Mas, mesmo que os convidados já tenham sido nomes mais de peso nos anos anteriores (considero 2010 o ápice nesse quesito por serem dois compositores, Akira Yamaoka e Gerard Marino), é elogiável que, pelo terceiro ano consecutivo, tenhamos a vinda de pelo menos um músico: Russell Brower, com participações nas trilhas das expansões de World of Warcraft, StarCraft II e Diablo III. Não considero tão bombástico como o Norihiko Hibino em 2009, mas é um cara importante. Antes que você pergunte: “e o Wataru Hokoyama?”. Apesar de ser a primeira vez que vem ao Brasil, ele já é o maestro titular do VGL, portanto não há nada de extraordinário. Seria o mesmo que dizer que o Jack Wall era convidado anos atrás. De volta está a flautista Laura Intravia, que participou do VGL 2009 por aqui com aquele segmento cômico de Zelda. Mas não há motivo para colocá-la no patamar dos compositores supramencionados.

Incrível que mesmo São Paulo recebendo VGL desde 2006, com exceção de 2008, os ingressos foram esgotados. No Rio de Janeiro, única cidade presente que recebeu o show-concerto em todas as visitas, e Porto Alegre, que contará com a turnê pela primeira vez ainda há alguns ingressos disponíveis.

No Twitter brasileiro foram prometidas muitas novidades no repertório. Embora nenhuma tenha sido citada nominalmente, ressalto que a última apresentação do VGL em 2011 foi a da E3, dia 8 de junho. Quatro meses é um tempo mais do que suficiente para preparar uma boa quantidade de arranjos novos. Que sejam minimamente decentes. Faço a ressalva, porém, que mesmo se o repertório for 100% inédito não vai ser desta vez que vou me empolgar se a reação do público for a de sempre, exacerbada e exagerada, acobertando o som da orquestra. Também não tenho muito o que criticar se não irei neste ano.

[via release]

“Wind of Madness” – Resident Evil 5 (VGL 2011 em Los Angeles)

Por Alexei Barros

Até que enfim! Resident Evil 5 prometia ser a mais chamativa novidade reservada para o show do Video Games Live na E3 em 8 de junho, mas só há poucos dias alguém compartilhou um vídeo decente. Não era expectativa, apenas curiosidade. Depois de ver? Desinteresse.

Em vez de um medley interligando duas ou mais faixas, como aconteceu nos números com músicas nativamente orquestradas de Uncharted 2, o segmento é baseado, a exemplo de Afrika, em apenas uma, a “Wind of Madness”, assinada por Kota Suzuki e arranjada por Wataru Hokoyama, o atual maestro titular do VGL. A exemplo do medley de Metal Gear Solid, a intenção de reproduzir fielmente a original transcende a limitação do que pode ser realizado ao vivo, resultando no infame uso do playback para a percussão eletrônica. É como ver um trailer qualquer do jogo no telão com som surround. E com uma orquestra na frente.

Video Games Live: World of Warcraft: Cataclysm, Resident Evil 5 e Red Dead Redemption


Por Alexei Barros

Desde o começo do ano há um bombardeio de notícias dos concertos de game music de diversas partes do mundo. Estranhava que o mais famoso deles, Video Games Live, estivesse em silêncio, com raras atualizações no site e menos adições ainda no set list. Quase metade de 2011, e apenas “The Battle Begins” (Halo: Reach) e “Tetris Opera”. E eis que jogaram uma bomba semana passada, com a quantidade absurda de novidades e convidados para a apresentação especial de número 200 que acontecerá durante a E3, dia 8 de junho, no Nokia Theatre, com performance da Golden State Pops Orchestra e Southern California Master Chorale (cerca de 50 integrantes).

Diversas atrações não são exatamente inéditas, então primeiro devo reforçar o que é mesmo nunca visto:
- “Invincible” (World of Warcraft: Cataclysm): estreia mundial da canção com regência do compositor Russell Brower. Como de praxe, muita pompa, coral, mas sem uma melodia marcante tendo a não ser impactado.
- Resident Evil 5: considerando a fama da série é um bom reforço, é um nome de peso. Musicalmente nem tanto pela tradicional ênfase na ambiência. Porém, levando em conta que o chamariz do VGL é mais o que se vê do que o que se ouve… Assim como Afrika, a trilha foi gravada com a Hollywood Studio Symphony Orchestra, que possui em torno de 100 indivíduos. Em entrevista publicada no extinto site Music 4 Games foi levantada a pergunta se as músicas do jogo seriam tocadas em um concerto, sugerindo o VGL. O compositor Tetsuya Shibata respondeu: “Sim, seria algo para ficar ansioso. Mas muitas das faixas são muito difíceis de tocar, então muito treino pode ser necessário”. Aquilo de sempre: sabendo que a agenda do VGL é abarrotada e mesmo para as ocasiões especiais são escassos os ensaios, temo pelas outras apresentações. Wataru Hokoyama, que fez a orquestração da trilha original e conduziu a gravação, evidentemente regerá a orquestra, como integra a equipe da turnê desde o ano passado.
- Red Dead Redemption: escolha interessante, com a performance da guitarra do compositor Bill Elm,  uma vez que jogos da Rockstar costumam passar longe por costumeiramente utilizarem faixas licenciadas. Paro por aqui os comentários, como não estou familiarizado com a trilha.
- Solos de piano: foram prometidos novos de Final Fantasy e Mario e a estreia de Zelda – ou será o mesmo medley mostrado em San Diego? Estranho não ter feito isso antes, como há vídeos não-VGLísticos do Martin Leung tocando Zelda.

De resto, o espetáculo vai agrupar várias atrações de apresentações anteriores que compartilhei:
- Civilization IV: com um dos vocalistas do especial da PBS e do CD, DVD e Blu-ray, Kendrew Heriveaux. Pela primeira vez, o compositor Christopher Tin, recém-ganhador do Grammy, regerá a canção premiada;
Street Fighter II: estreou no Brasil em 2010 com direito a torcida de futebol, novamente com Tommy Tallarico na guitarra e no show performático;
- Castlevania: com a compositora Kinuyo Yamashita no órgão. Desde que se mudou para Nova Jersey, tornaram-se comuns as participações dela no evento;
Heroes of Might & Magic: debutou em Paris em 2010, e foi um dos poucos segmentos que gostei verdadeiramente, coisa que não acontecia desde o Sonic (2005);
“The Battle Begins” (Halo: Reach): a supracitada adição estreando em Los Angeles;
- Lair: aquele malfadado jogo da Factor-5, com condução do compositor John Debney;
- “Snake Eater” (Metal Gear Solid 3: Snake Eater): com o vocal da Laura Intravia em vez do saxofone do Norihiko Hibino;
End of Nations: conhecido desde o show em San Diego em 2010, com Frank Klepacki na guitarra;
“Tetris Opera”: agora pela primeira vez em Los Angeles;
“Still Alive” (Portal): também havia estreado no Brasil;

Impressiona a lista de convidados: desde os japoneses Akira Yamaoka, Hirokazu Tanaka e Yasunori Mitsuda até ocidentais de grande envergadura como Richard Jacques e Christopher Lennertz. Veja a relação completa no site oficial.

Dica do Fabão, que, aliás, embarcará em nova empreitada.

[via Video Games Live]

“Tetris Opera” – Tetris (VGL 2011 em Bethesda)

Por Alexei Barros

De tempos pra cá venho questionando a falta de substância de solos virtuoses de piano, como a “Type A” / “Korobeiniki” do Tetris de Game Boy na interpretação lépida de Martin Leung. Desgosto que aumenta com a repetição. No show realizado dia 26 de fevereiro – soube da novidade somente pelo release da apresentação na E3, cujo post virá na sequência, visto que tal adição não foi comunicada no site oficial –, o Video Games Live mostrou a “Tetris Opera”, versão orquestrada que busca recuperar as raízes russas das composição ao incrementar um solo de ópera cantado no idioma. Sabendo do histórico de pobreza, literalidade e ausência de imaginação dos arranjos do VGL, eu duvidaria que a ideia partisse da própria equipe da turnê. E não foi mesmo. A releitura é obra de Greg Cox, membro da University of Maryland Gamer Symphony Orchestra, a qual publiquei duas performances há três anos: “Sonic Mix AB” e “Donkey Kong Country 2 Medley”. Uma orquestra de estudantes muito bem intencionada e voluntariosa, mas crua na execução.

No vídeo a performance é da National Philharmonic e o vocal de Chris Apple, integrante do Gamer Symphony Orchestra Chorus, coro que acompanha a UMD GSO, mas em outras apresentações a Laura Intravia, a flautista polivalente, tem feito essa parte.  O arranjo que também envolve coral não é ruim, só não achei nada de especial. O clima festivo, as palmas fora de hora e sobretudo as imagens das capas dos jogos no telão – até então, um elemento que muitos julgariam isento de críticas e que geralmente não dou tanta importância–, colaboraram para tanto. Sou chato.

Mais do que nunca, reforço para que veja a “Tetris” tocada no Games in Concert 2 (2007) que inclui a esquecida “Type B”.


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