Arquivo para a categoria 'Video Games Live'

“The Legend of Zelda 25th Anniversary Medley” – série The Legend of Zelda (VGL 2011 no Rio de Janeiro)

Por Alexei Barros

Há muitos anos achava que o segmento de Zelda do Video Games Live – baseado no arranjo do Orchestral Game Concert 1 referente ao A Link to the Past –, deveria dar lugar a um número que fizesse por merecer toda a série e não reduzisse tudo a uma única faixa, mesmo que a mais famosa. Coube ao Rio de Janeiro, cidade que iniciou a excursão brasileira de 2011, receber a estreia mundial do novo arranjo da série elaborado pela Laura Intravia, que já havia apresentado um número cômico tocando flauta em 2009. A indumentária de Link e o instrumento se mantêm, mas se trata de uma iniciativa mais séria, por assim dizer. Honestíssima, devo adiantar.

O problema é o debute acontecer só agora, em 2011, quando já foram feitos os medleys orquestrados “The Legend of Zelda Medley 2006″ no Press Start 2006 (e reprisado em 2007), dois no Play! A Video Game Symphony (o primeiro do Jonne Valtonen baseado no The Legend of Zelda: Ocarina of Time Hyrule Symphony e o outro do Chad Seiter), um Poema Sinfônico no Symphonic Legends/LEGENDS e, para completar, uma turnê só de Zelda. Não tem muito o que se surpreender a essa altura do campeonato.

Para mim, todas as transições ficaram decentes – para você ver que eu não reclamo por reclamar. A icônica “Title Theme” do Ocarina of Time é uma escolha excelente para o solo de flauta, afinal a composição original procurava simular a impressão de que uma ocarina estava sendo tocada no meio da floresta. Utilizando a melodia do despertar do dia do Ocarina é feita a emenda para o tema principal, trecho em que Intravia não toca, mas o público sempre faz questão de cantarolar. Numa variação o clima fica mais carregado, viajando para a tristeza de “Midna’s Theme”, seguida pela popular “Princess Zelda’s Rescue”, ambas com a decisiva participação da flauta. The Wind Waker é lembrado com a “Dragon Island” e Twilight Princess com a “Hyrule Field Main Theme”, que enfim recebeu a orquestração que merece, não aquela versão em MIDI. De maneira muito apropriada, parte do “Staff Credits” do Twilight Princess é utilizado para o encerramento do segmento. Atrasado, mas com substância.

Grato ao Thales Nunes Moreira pela consultoria Zeldística no reconhecimento das faixas.

“The Legend of Zelda 25th Anniversary Medley”

“Title Theme” (The Legend of Zelda: Ocarina of Time) ~ “Overworld” (The Legend of Zelda) ~ “Midna’s Theme” (The Legend of Zelda: Twilight Princess) ~ “Princess Zelda’s Rescue” (The Legend of Zelda: A Link to the Past) ~ “Dragon Island” (The Legend of Zelda: The Wind Waker) ~ “Hyrule Field Main Theme” ~ “Staff Credits” (The Legend of Zelda: Twilight Princess)

“Pokémon Medley” – Pokémon Red Version & Blue Version (VGL 2011 no Rio de Janeiro)

Por Alexei Barros

Pelo que disse o apresentador Tommy Tallarico antes da performance, Pokémon foi um dos jogos mais requisitados nos seis anos de visitas do Video Games Live ao Brasil. Em contrapartida, é curioso constatar que, antes de 2011, mesmo com tamanha popularidade da franquia, existia somente um arranjo orquestrado oficial: “Pokémon Medley” do Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert, ainda por cima por ocasião do Super Smash Bros. Melee.

E, então, em setembro enfim teve Pokémon no Press Start 2011, coincidentemente na sexta edição do evento. E em outubro o VGL reservou para a excursão brasileira a estreia mundial da turnê do segmento de Pokémon.

Como sou uma completa negação de Pokémon não me sinto apto a avaliar a escolha de faixas. Quanto ao arranjo, o trabalho, se não é fenomenal, é minimamente decente, com começo, meio e fim. A “~Opening~”, música de introdução do Pokémon Red e Blue do Junichi Masuda confere todo o impacto necessário para fazer com que os fãs reconheçam de cara a sequência de notas inicial e fiquem mais interessados em gritar, bater palmas e cantar junto a melodia – de uma música instrumental – em vez de simplesmente ouvir.

Ovazio após a introdução poderia ser considerado um bom exemplo de como não se fazer uma transição – ainda bem que a original é assim. Não que tenha sido feita uma passagem para a “Battle (VS Trainer)”. Nesse caso, porém, eu abro uma exceção: como o combate é aleatório, uma mudança ríspida de música no arranjo passa a mesma sensação de surpresa do jogo.

A segunda metade provém totalmente do anime – não vi tanto problema nisso, dada a proximidade do jogo com o desenho animado. Depois de um buraco, a mensagem do telão pede, ao som da “Prepare for Trouble”, que o público recite o lema do Team Rocket. No Rio de Janeiro a dublagem era em inglês, mas depois das reclamações pelas vozes em português, a produção do VGL conseguiu colocar a tempo nas apresentações em Porto Alegre e em São Paulo, só que mantendo o “Say it with us!” em inglês. Depois dessa parte interativa o medley finaliza com a magnífica “I Got a Victory Badge!”, cuja original exprime por que eu gosto tanto de música orquestrada japonesa, seja qual for a origem das composições.

Nada muito elaborado, mas respeitável. Agora… essa guitarra pré-gravada é o fim da picada.

“Pokémon Medley”

“~Opening~” ~ “Battle (VS Trainer)” (Pokémon Red Version & Blue Version) ~ “Prepare for Trouble” ~ “I Got a Victory Badge!” (anime)

Video Games Live: a turnê no Brasil em 2011


Por Alexei Barros

Não é a maior de todas e nem com a maior quantidade de convidados, mas certamente é a excursão no Brasil mais comentada e divulgada: a do Video Games Live no Brasil deste ano que começa hoje (09/10) às 18h no Centro de Convenções no Rio de Janeiro, visita pela primeira vez Porto Alegre (Teatro do SESI) às 19h na quarta-feira (12/10) e sábado (15/10) às 21h fecha em São Paulo (HSBC Brasil; argh), as três com performance da Simphonica Villa Lobos.

Comparado com o que fazem as produções locais em outros países, sempre achei a nacional muito tímida. Na França, por exemplo, em 2009 foi realizado um concurso de performances amadoras publicadas no Daily Motion, e o vencedor ganhava o direito de se apresentar no palco no dia do show-concerto.

Em 2011, contudo, o pessoal da Conexão Cultural mostrou uma empolgação muito grande na divulgação nas mídias sociais, com constantes promoções e respondendo as dúvidas do público no Facebook e Twitter, incluindo os chatos que só pegam no pé do evento. O site oficial brasileiro do VGL foi reformulado e ficou muito mais caprichado.

A única ressalva que faço foi a frustrada tentativa de trazer o Nobuo Uematsu ao Brasil. Na minha humilde opinião, isso não deveria ser público se não fosse 100% confirmado. Mas, mesmo que os convidados já tenham sido nomes mais de peso nos anos anteriores (considero 2010 o ápice nesse quesito por serem dois compositores, Akira Yamaoka e Gerard Marino), é elogiável que, pelo terceiro ano consecutivo, tenhamos a vinda de pelo menos um músico: Russell Brower, com participações nas trilhas das expansões de World of Warcraft, StarCraft II e Diablo III. Não considero tão bombástico como o Norihiko Hibino em 2009, mas é um cara importante. Antes que você pergunte: “e o Wataru Hokoyama?”. Apesar de ser a primeira vez que vem ao Brasil, ele já é o maestro titular do VGL, portanto não há nada de extraordinário. Seria o mesmo que dizer que o Jack Wall era convidado anos atrás. De volta está a flautista Laura Intravia, que participou do VGL 2009 por aqui com aquele segmento cômico de Zelda. Mas não há motivo para colocá-la no patamar dos compositores supramencionados.

Incrível que mesmo São Paulo recebendo VGL desde 2006, com exceção de 2008, os ingressos foram esgotados. No Rio de Janeiro, única cidade presente que recebeu o show-concerto em todas as visitas, e Porto Alegre, que contará com a turnê pela primeira vez ainda há alguns ingressos disponíveis.

No Twitter brasileiro foram prometidas muitas novidades no repertório. Embora nenhuma tenha sido citada nominalmente, ressalto que a última apresentação do VGL em 2011 foi a da E3, dia 8 de junho. Quatro meses é um tempo mais do que suficiente para preparar uma boa quantidade de arranjos novos. Que sejam minimamente decentes. Faço a ressalva, porém, que mesmo se o repertório for 100% inédito não vai ser desta vez que vou me empolgar se a reação do público for a de sempre, exacerbada e exagerada, acobertando o som da orquestra. Também não tenho muito o que criticar se não irei neste ano.

[via release]

“Wind of Madness” – Resident Evil 5 (VGL 2011 em Los Angeles)

Por Alexei Barros

Até que enfim! Resident Evil 5 prometia ser a mais chamativa novidade reservada para o show do Video Games Live na E3 em 8 de junho, mas só há poucos dias alguém compartilhou um vídeo decente. Não era expectativa, apenas curiosidade. Depois de ver? Desinteresse.

Em vez de um medley interligando duas ou mais faixas, como aconteceu nos números com músicas nativamente orquestradas de Uncharted 2, o segmento é baseado, a exemplo de Afrika, em apenas uma, a “Wind of Madness”, assinada por Kota Suzuki e arranjada por Wataru Hokoyama, o atual maestro titular do VGL. A exemplo do medley de Metal Gear Solid, a intenção de reproduzir fielmente a original transcende a limitação do que pode ser realizado ao vivo, resultando no infame uso do playback para a percussão eletrônica. É como ver um trailer qualquer do jogo no telão com som surround. E com uma orquestra na frente.

Video Games Live: World of Warcraft: Cataclysm, Resident Evil 5 e Red Dead Redemption


Por Alexei Barros

Desde o começo do ano há um bombardeio de notícias dos concertos de game music de diversas partes do mundo. Estranhava que o mais famoso deles, Video Games Live, estivesse em silêncio, com raras atualizações no site e menos adições ainda no set list. Quase metade de 2011, e apenas “The Battle Begins” (Halo: Reach) e “Tetris Opera”. E eis que jogaram uma bomba semana passada, com a quantidade absurda de novidades e convidados para a apresentação especial de número 200 que acontecerá durante a E3, dia 8 de junho, no Nokia Theatre, com performance da Golden State Pops Orchestra e Southern California Master Chorale (cerca de 50 integrantes).

Diversas atrações não são exatamente inéditas, então primeiro devo reforçar o que é mesmo nunca visto:
- “Invincible” (World of Warcraft: Cataclysm): estreia mundial da canção com regência do compositor Russell Brower. Como de praxe, muita pompa, coral, mas sem uma melodia marcante tendo a não ser impactado.
- Resident Evil 5: considerando a fama da série é um bom reforço, é um nome de peso. Musicalmente nem tanto pela tradicional ênfase na ambiência. Porém, levando em conta que o chamariz do VGL é mais o que se vê do que o que se ouve… Assim como Afrika, a trilha foi gravada com a Hollywood Studio Symphony Orchestra, que possui em torno de 100 indivíduos. Em entrevista publicada no extinto site Music 4 Games foi levantada a pergunta se as músicas do jogo seriam tocadas em um concerto, sugerindo o VGL. O compositor Tetsuya Shibata respondeu: “Sim, seria algo para ficar ansioso. Mas muitas das faixas são muito difíceis de tocar, então muito treino pode ser necessário”. Aquilo de sempre: sabendo que a agenda do VGL é abarrotada e mesmo para as ocasiões especiais são escassos os ensaios, temo pelas outras apresentações. Wataru Hokoyama, que fez a orquestração da trilha original e conduziu a gravação, evidentemente regerá a orquestra, como integra a equipe da turnê desde o ano passado.
- Red Dead Redemption: escolha interessante, com a performance da guitarra do compositor Bill Elm,  uma vez que jogos da Rockstar costumam passar longe por costumeiramente utilizarem faixas licenciadas. Paro por aqui os comentários, como não estou familiarizado com a trilha.
- Solos de piano: foram prometidos novos de Final Fantasy e Mario e a estreia de Zelda – ou será o mesmo medley mostrado em San Diego? Estranho não ter feito isso antes, como há vídeos não-VGLísticos do Martin Leung tocando Zelda.

De resto, o espetáculo vai agrupar várias atrações de apresentações anteriores que compartilhei:
- Civilization IV: com um dos vocalistas do especial da PBS e do CD, DVD e Blu-ray, Kendrew Heriveaux. Pela primeira vez, o compositor Christopher Tin, recém-ganhador do Grammy, regerá a canção premiada;
- Street Fighter II: estreou no Brasil em 2010 com direito a torcida de futebol, novamente com Tommy Tallarico na guitarra e no show performático;
- Castlevania: com a compositora Kinuyo Yamashita no órgão. Desde que se mudou para Nova Jersey, tornaram-se comuns as participações dela no evento;
- Heroes of Might & Magic: debutou em Paris em 2010, e foi um dos poucos segmentos que gostei verdadeiramente, coisa que não acontecia desde o Sonic (2005);
- “The Battle Begins” (Halo: Reach): a supracitada adição estreando em Los Angeles;
- Lair: aquele malfadado jogo da Factor-5, com condução do compositor John Debney;
- “Snake Eater” (Metal Gear Solid 3: Snake Eater): com o vocal da Laura Intravia em vez do saxofone do Norihiko Hibino;
- End of Nations: conhecido desde o show em San Diego em 2010, com Frank Klepacki na guitarra;
- “Tetris Opera”: agora pela primeira vez em Los Angeles;
- “Still Alive” (Portal): também havia estreado no Brasil;

Impressiona a lista de convidados: desde os japoneses Akira Yamaoka, Hirokazu Tanaka e Yasunori Mitsuda até ocidentais de grande envergadura como Richard Jacques e Christopher Lennertz. Veja a relação completa no site oficial.

Dica do Fabão, que, aliás, embarcará em nova empreitada.

[via Video Games Live]

“Tetris Opera” – Tetris (VGL 2011 em Bethesda)

Por Alexei Barros

De tempos pra cá venho questionando a falta de substância de solos virtuoses de piano, como a “Type A” / “Korobeiniki” do Tetris de Game Boy na interpretação lépida de Martin Leung. Desgosto que aumenta com a repetição. No show realizado dia 26 de fevereiro – soube da novidade somente pelo release da apresentação na E3, cujo post virá na sequência, visto que tal adição não foi comunicada no site oficial –, o Video Games Live mostrou a “Tetris Opera”, versão orquestrada que busca recuperar as raízes russas das composição ao incrementar um solo de ópera cantado no idioma. Sabendo do histórico de pobreza, literalidade e ausência de imaginação dos arranjos do VGL, eu duvidaria que a ideia partisse da própria equipe da turnê. E não foi mesmo. A releitura é obra de Greg Cox, membro da University of Maryland Gamer Symphony Orchestra, a qual publiquei duas performances há três anos: “Sonic Mix AB” e “Donkey Kong Country 2 Medley”. Uma orquestra de estudantes muito bem intencionada e voluntariosa, mas crua na execução.

No vídeo a performance é da National Philharmonic e o vocal de Chris Apple, integrante do Gamer Symphony Orchestra Chorus, coro que acompanha a UMD GSO, mas em outras apresentações a Laura Intravia, a flautista polivalente, tem feito essa parte.  O arranjo que também envolve coral não é ruim, só não achei nada de especial. O clima festivo, as palmas fora de hora e sobretudo as imagens das capas dos jogos no telão – até então, um elemento que muitos julgariam isento de críticas e que geralmente não dou tanta importância–, colaboraram para tanto. Sou chato.

Mais do que nunca, reforço para que veja a “Tetris” tocada no Games in Concert 2 (2007) que inclui a esquecida “Type B”.

“Snake Eater” – Metal Gear Solid 3: Snake Eater (VGL 2011 em Seattle)

Por Alexei Barros

Quando a “Snake Eater” foi apresentada em solo brasileiro na turnê 2009 do Video Games Live suponho que a maioria do público não se importou com o fato de a voz ter sido substituída pelo saxofone do próprio compositor da canção, Norihiko Hibino. Mas havia dois senões. O primeiro é depender do Hibino, que está cada vez mais atarefado – motivo que levou à saída da The Outer Rim. O outro é que o VGL tem a filosofia de executar as faixas com a maior fidelidade possível.

Provavelmente será uma constante a partir de agora. Em Seattle, a “Snake Eater” foi entoada pela versátil Laura Intravia, que ficou popular pela alcunha Flute Link na mesma excursão de 2009 do VGL no Brasil. Polivalente não somente porque toca flauta e canta. A música que ela emprestou a voz para a  “God of War Montage”, era uma peça erudita, não pop como a faixa-tema do Metal Gear Solid 3.

Pela potência, afinação e interpretação, Intravia se saiu muito bem na performance. Impressionantemente eu diria. Mas, como sempre, faço uma ressalva. De novo a banda invisível. Guitarra, baixo, bateria. Tudo playback.

“The Battle Begins” – Halo: Reach (VGL 2011 em Seattle)

Por Alexei Barros

Às vezes dá a impressão de que a coloração verde do logo do Video Games Live foi escolhida em deferência à cor da armadura do ser simpaticíssimo que é o Master Chief pela rapidez com que segmentos da série Halo são implementados no programa. Vamos relembrar.

Quando o VGL fez a estreia mundial em 2005, Halo: Combat Evolved (2001) e Halo 2 (2004) tinham sido lançados para Xbox, então de cara o segmento possuía músicas dos dois jogos. Halo 3 saiu em 2008 para X360. Pois bem, o VGL tocava a “Finish the Fight”, tema do trailer, desde 2006! Halo 3: ODST chegou em setembro de 2009 e, em janeiro daquele ano, a “Prepare to Drop” já aparecia no concerto-show. Halo: Reach sobreveio em setembro de 2010, e nada. Enfim, na segunda apresentação da turnê do ano, feita em 22 de janeiro em Seattle, debutou o número correspondente ao recente jogo da franquia que é o último com composição da dupla Martin O’Donnell e Michael Salvatori, uma vez que a Bungie não trabalha mais com a Microsoft.

Se não viajo, é uma reprodução literal do trecho “The Battle Begins” da faixa da Halo: Reach Original Soundtrack intitulada “Winter Contingency”. A trilha é organizada no CD de uma forma que não me agrada muito, agrupando diversas músicas em suítes que correspondem às missões do jogo, respeitando a ordem com que são escutadas. Preferiria que estivessem separadas.

Muita percussão, o coral vem, o coral vai… durante a jogatina tem tudo para cair bem. Separadamente me soou um tanto sem sal, sem vida, sem melodia. Além disso, olhando a gravação não consigo deixar de me chocar com a incrível pequenez da orquestra (nome não divulgado no site oficial), que deve ter pouco mais de 20 integrantes.

Grato ao Lucas Patrício por me alertar para a novidade.

“Heroes of Might and Magic Medley” – HoMaM II: The Price Of Loyalty, II: The Succession Wars, IV, V e VI (VGL 2010 em Paris)

Por Alexei Barros

Se normalmente os posts sobre o Video Games Live não costumam ser favoráveis, no final de ano então eu costumo soltar os cachorros ao acumular em um desabafo algumas informações que vem à tona e não valiam posts separados, como foi o caso de 2009. Neste ano de menos apresentações (25, contando duas que estão para acontecer) que as loucuras de 2008 (47 shows) e 2009 (56 shows), a saída de Jack Wall e a entrada de Wataru Hokoyama na regência, o lançamento da trinca DVD, Blu-ray do CD Video Games Live Level 2, meu único senão, afora aquilo que você já sabe, é o silencioso cancelamento de uma visita que aconteceria em São Petersburgo na Rússia. Tirando isso, aproveite esse momento raro: um elogio meu ao VGL.

No dia 17 de dezembro aconteceu o quarto espetáculo (dois em 2008, um em 2009 e agora) em Paris, a capital francesa (o Seu Madruga diria que França é a capital de Paris, mas tudo bem) que costuma guardar boas novidades da turnê. Nesta mensagem no fórum do VGL, Tommy Tallarico afirmou que o famigerado segmento de Earthworm Jim estrearia. Pelo que vasculhei no YouTube não chegou a acontecer. Em vez disso, o debute de um medley de Heroes of Might and Magic, longeva saga de estratégia por turnos. Logo pensaria anos atrás: uma série que conheço de nome e olhe lá poderia muito bem dar lugar a algum jogo japonês de maior fama. Acontece que o arranjo não é bom… é sublime!

Contrariando a máxima das trilhas de ambiência ocidentais, as músicas de Heroes of Might and Magic são melódicas e encantadoras, com forte influência do período barroco. Foram os próprios compositores Rob King e Paul Romero os autores do arranjo, criando uma cadência coerente com cinco seleções da série que ignora Heroes of Might and Magic: A Strategic Quest e Heroes of Might and Magic III e adianta Might and Magic: Heroes VI, a ser lançado em 2011. Em uma dessas raras ocasiões, a notícia do VGL sobre a novidade até detalhou quais faixas fazem parte do segmento. Para falar resumidamente, a “Knight Town” (0:14) abre a miscelânea de maneira afável quando a “Sorceress Town” (0:44) enleva até a aparição da “Academy Town Theme” (2:00).  Pouco depois, a “Credits Theme” (2:28) confere grandiosidade até a imponente “Haven Theme” (3:19), em que a peça atinge o cume. Enxuto, direto e impoluto o segmento.

Veja, ouça e comprove:

- “Heroes of Might and Magic Medley”
“Knight Town” (Heroes of Might and Magic II: The Price Of Loyalty) ~ “Sorceress Town” (Heroes of Might and Magic II: The Succession Wars) ~  “Academy Town Theme” (Heroes of Might and Magic IV) ~ “Credits Theme” (Heroes of Might and Magic V) ~ “Haven Theme” (Might and Magic: Heroes VI)

Wataru Hokoyama assume a batuta do Video Games Live

Por Alexei Barros

Como comentado por aqui em outras ocasiões, o maestro Jack Wall anunciou em junho de 2010 a sua saída do time do VGL para se dedicar à composição de trilhas sonoras. Pouco antes do egresso, quem vinha regendo as orquestras era Emmanuel Fratianni, a exemplo das últimas duas visitas ao Brasil.

Mas Fratianni é agora o regente-assistente, uma vez que Wataru Hokoyama passou a ser o principal condutor das apresentações. O compositor japonês radicado nos EUA já havia regido uma música de sua autoria, a “Afrika”, do jogo de mesmo nome para PlayStation 3, no VGL em Los Angeles em junho de 2010. Mas desde o show em Detroit, realizado dia 4 de novembro, Hokoyama tem sido o maestro. Vale lembrar que ele também participou da criação da trilha de Resident Evil 5, portanto não me surpreenderia se algum segmento do jogo fosse incluído no repertório.

Ano passado Hokoyama teve extensiva participação no A Night in Fantasia 2009, concerto o qual arranjou diversos segmentos, a saber, “Afrika Symphonic Suite” (aqui também na regência), “Gears of War 2 Symphonic Suite” e “Ace Combat 5: The Unsung War” na parte de games. Na seleção de trilhas de animes, arranjou uma trinca de composições do Joe Hisaishi: “Laputa, the Castle in the Sky Symphonic Suite”, “Princess Mononoke Symphonic Suite” e “My Neighbour Totoro Symphonic Suite”.

Eu queria acreditar que com isso melhoraria alguma coisa a pequenez das orquestras na maioria dos shows (lembre-se daquele vídeo em que ele conduziu os  cerca de 100 membros da Hollywood Studio Symphony) ou a pobreza de certos arranjos, mas seria otimismo exacerbado. Na verdade, fico surpreso que um músico promissor como Hokoyama tenha se unido ao VGL, mesmo a turnê apresentando deficiências tão elementares na maioria das vezes.

[via SEMO]


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