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Press Start 2012: variado como nunca, competente como sempre

Por Alexei Barros

No dia 23 de setembro, aconteceu em Tóquio a sétima edição do concerto Press Start em duas apresentações, ambas com a performance da Tokyo Philharmonic Orchestra sob a batuta do maestro Taizo Takemoto. Até aqui, nada de muito surpreendente, mas, confirmando a expectativa causada pelas excelentes seleções de jogos, o espetáculo neste ano aparentou ser dos mais inspirados.

Minhas impressões baseadas nas fotos do concerto e nas poucas informações compreensíveis pelo tradutor do Google foram publicadas depois do Hadouken.
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“Heavens Divide” – Metal Gear Solid: Peace Walker (Press Start 2010 ~Symphony of Games~)

Por Alexei Barros

E não é que depois de tantos anos de secretismo e reclusão, o Press Start abriu os cofres e está liberando mais gravações em vídeo? Tudo isso poderia acontecer em DVD que já seria excelente e requisitado há muito tempo. Agora… de graça e no YouTube?

O melhor é que desta vez trata-se de uma performance que não havia sido liberada antes: a canção “Heavens Divide” do Metal Gear Solid: Peace Walker tocada no Press Start 2010 – o jogo tinha sido lançado em abril daquele ano. Mesmo que a execução da música seja basicamente a mesma da versão da trilha sonora original, é outra coisa ver e ouvir não só a voz potente da Donna Burke, como as cordas majestosas da Kanagawa Philharmonic Orchestra e o pungente violão de Haruo Kubota. O acompanhamento da bateria, que vai crescendo de potência, ficou ótimo e, ainda bem, não atropelou a solista e o restante da orquestra como é muito comum de acontecer nesse tipo de apresentação. Isso é que é concerto!

“Okami” – Okami (Press Start 2009 ~Symphony of Games~)

Por Alexei Barros

A série de concertos Press Start, que desde a sua concepção em 2006 é uma das minhas preferidas, sempre sofreu com a falta de lançamentos oficiais das performances. Essa queixa em parte foi resolvida com a coletânea Press Start The 5th Anniversary, publicada em 2010. Por mais que fosse um álbum curto e com mixagem cheia de reverberação, era um registro, sem contar os CDs promocionais com uma faixa ou outra (do Professor Layton, Mario e Muramasa). Em vídeo? Absolutamente nada. Zero. O máximo que deu para ver eram vídeos amadores da edição chinesa em 2008, mas, apesar de contar com os mesmos arranjos do original japonês, a performance foi muito pobre, parecendo até que era uma orquestra amadora a contratada.

Até que, enfim, seis anos depois, surge o vídeo do medley de Okami no Press Start 2009; vídeo oficial, com várias câmeras e tudo mais. Verdade que, na parte musical, não há muita novidade, como o segmento arranjado por Shuhei Kamimura esteve no Press Start The 5th Anniversary. Porém, a gravação permite ter uma ideia melhor de toda a magnitude da Tokyo City Philharmonic Orchestra. Com a regência do maestro Taizo Takemoto, o número conta ainda com as intervenções tocantes do duo Hide-Hide, com Hideki Ishigaki no shamisen e Hideki Onoue no hakuhachi. Tais artistas no palco do Tokyo Metropolitan Art Space nos conduzem aos tempos do Japão feudal, uma sensação que também aconteceu com o arranjo do Muramasa. Com uma performance soberana do naipe de cordas (gigantesco!), o ponto alto é mesmo a rendição da “Reset” ~”Thank You” Version~, em versão instrumental da canção “Reset”. Como disse milhares de vezes, orquestrar temas J-pop nunca dão errado.

Aproveitando o ensejo (e o futuro relançamento em HD de Okami na PSN), também foi anunciado o álbum Okami Goju no Onchou para o dia 31 de outubro, embora não esteja claro do que se trata exatamente.

- “Okami”
“The Beginning” ~ “Ryoshima Plains II” ~ “Reset” ~”Thank You” Version~

Press Start 2012: os artistas do concerto

Por Alexei Barros

Neste ano, o Press Start acontecerá em duas datas: 23 de setembro (com duas apresentações) e 10 de novembro. A menos de um mês da primeira exibição do espetáculo em Tóquio, o site oficial liberou a lista de cantoras e instrumentistas que vão solar nos espetáculos. A relação é mais breve, com quatro nomes apenas, três deles já conhecidos de edições anteriores. Antes, só gostaria de recapitular os 14 números do set list, que ficou muito equilibrado entre jogos velhos, novos, famosos e obscuros, apesar do dissabor causado por duas reprises (Muramasa e Phoenix Wright).

01 – “Save the Princess Famicom Medley”
02 – Kid Icarus: Uprising
03 – Gravity Rush
04 – God Eater
05 – The Legend of Zelda: Skyward Sword
06 – Nora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo
07 – Muramasa: The Demon Blade
08 – Phoenix Wright: Ace Attorney
09 – Ihatovo Monogatari
10 – Darius
11 – Legend of Mana
12 – Final Fantasy XI
13 – Heracles no Eikou IV: Kamigami kara no Okurimono
14 – The Elder Scrolls V: Skyrim

Acompanhe o que consegui filtrar do texto em japonês:

Donna Burke

A polivalente cantora e dubladora australiana subiu ao palco do Press Start em 2010 para interpretar a excelente “Heavens Divide” do Metal Gear Solid: Peace Walker, ela que gravou a versão original na trilha. Em 2012, está na cara de que vai ser a “God and Man Vocal Ver.” do God Eater, música a qual também é cantada por ela na trilha sonora original. É provável que ainda a ouviremos em outras ocasiões, dada a versatilidade da voz encantadora que cai bem com jazz, pop, rock e celta.

Sofi Persson

Originária da Suécia, desde a infância participou de corais, sempre fazendo solos. Estudou técnicas vocais na Suécia e Dinamarca e sobressaiu em diversos concursos musicais. Atualmente, reside em Tóquio, atuando como compositora e cantora (acompanhada pelo violão, pelo que vi nos vídeos do YouTube). O site não deu nenhuma dica de qual número ela participará. Fui excluindo um por um dentro das possibilidades até que… me lembrei de um fato curioso sobre a trilha do Legend of Mana. As ótimas canções “Song of Mana ~Opening Theme~” e “Song of Mana ~Ending Theme~” assinadas pela Yoko Shimomura são cantadas em sueco pela cantora Annika Ljungberg, que também é da Suécia. Há forte indício que a Sofi Persson a substitua no Press Start 2012. Se não for isso… eu não sei o que poderá ser.

Takemi Hirohara

Comandando o tsugaru shamisen, Hirohara participou do Press Start 2008 no segmento do Samurai Shodown e do Muramasa: The Demon Blade no Press Start 2010. Como o segundo será reprisado, é patente que ele tocará neste ano. Já que falei dele outras vezes, vai ficar meio repetitivo voltar a discorrerr sobre a carreira de Hirohara, que reúne gravações de álbuns, apresentações ao vivo e ainda aulas sobre o instrumento.

Kohei Matsumoto

Tocando o shakuhachi, o instrumento de sopro feito de bambu, Matsumoto fez dupla com Takemi Hirohara no Muramasa: The Demon Blade em 2010, portanto mais uma vez ele tocará nesse número. Mas fica a dúvida se de repente ele também vai participar do segmento de Nora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo, aquele jogo para DS com trilha da Michiko Naruke que prima pelas músicas celtas. Quem sabe.

[via PRESS START]

Press Start 2012: Heracles no Eikou IV: Kamigami kara no Okurimono e The Elder Scrolls V: Skyrim

Por Alexei Barros

Completando a lista de revelações do set list do Press Start 2012, temos mais dois jogos que, embora tenham sido anunciados em semanas diferentes, não faria muito sentido se eu escrevesse sobre eles em posts separados. Com isso, eu saldo minha dívida e fico no aguardo só da atualização referente aos artistas do espetáculo.

- Heracles no Eikou IV: Kamigami kara no Okurimono

Difícil de entender por que este RPG só apareceu em 2012. Considerando que dois dos organizadores do Press Start (Kazushige Nojima e Shogo Sakai) participaram da produção nos tempos de Data East, o jogo poderia ter sido lembrado antes. Sem falar que recentemente a série voltou no Nintendo DS, com Glory of Heracles, o primeiro episódio lançado nos EUA. A exemplo do Ihatovo Monogatari, o Heracles no Eikou IV foi tocado no Orchestral Game Concert 5. O segmento “Heracles no Eikou IV: Kamigami kara no Okurimono” inclusive foi arranjado e regido pelo Shogo Sakai, que escreveu o texto no site do concerto para mergulhar nas memórias do jogo. Para variar, deu para entender pouca coisa. Só me chamou a atenção o Sakai ter dito que mesmo no Japão algumas pessoas podem não se recordar do jogo. Caso seja de seu interesse, recomendo ouvir a trilha no formato SPC no SNESmusic.org, porque há belas composições com uma abordagem mais erudita.

- The Elder Scrolls V: Skyrim

Os japoneses geralmente são xenofóbicos com jogos americanos e europeus, mas, se tem um título que caiu nas graças dos nipônicos, este é Skyrim. Foi o primeiro jogo ocidental a receber a nota 40/40 na Famitsu inclusive. Porém, a escolha não é uma surpresa; é apenas uma atualização: o antecessor The Elder Scrolls IV: Oblivion, que nem chegou perto do hype e da onipotência do Skyrim, já havia sido tocado em 2007.  Fora esses, de jogos ocidentais no set list do Press Start, só houve o Portal em 2009 e o Spelunker em 2008 e 2011, apesar de não contar muito por ser praticamente um japonês naturalizado de tanto que os nipônicos gostam da versão de Famicom. Seria uma ironia grande se a performance no Press Start 2012 fosse a première mundial, mas, na verdade, o Video Games Live já tocou a música na E3 2012 (veja só, a primeira vez que falo do VGL neste ano, isso em julho!), além do Video Games Unplugged: Symphony of Legends. E a flechada atingiu até o joelho dos japoneses: Masahiro Sakurai fez uma alusão àquele meme que infestou o mundo no final do ano passado. Tudo leva a crer que a “Dragonborn” será a música escolhida. Se não entendi errado, haverá um coral de 30 vozes no palco, informação que deverá dar para confirmar se revelarem de fato os artistas antes da apresentação.

Set list até o momento:

01 – “Save the Princess Famicom Medley”
02 – Kid Icarus: Uprising
03 – Gravity Rush
04 – God Eater
05 – The Legend of Zelda: Skyward Sword
06 – Nora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo
07 – Muramasa: The Demon Blade
08 – Phoenix Wright: Ace Attorney
09 – Ihatovo Monogatari
10 – Darius
11 – Legend of Mana
12 – Final Fantasy XI

[via PRESS START]

Press Start 2012: um pouco de tudo na segunda meia-dúzia de segmentos

Por Alexei Barros

Se nas primeiras seis atualizações do Press Start 2012 havia especialmente títulos portáteis, nesta segunda atualização, que trouxe mais meia-dúzia de novidades, há uma boa diversidade de jogos antigos e novos para diversos sistemas diferentes. Vamos a elas:

- Muramasa: The Demon Blade: “Introduction” ~ “Impermanence”

Eu normalmente não gosto quando o Press Start reprisa segmentos, mas, quando não existe um registro oficial do número, aumentam as chances de a performance sair em algum CD. O problema é que isso já aconteceu com o Muramasa no álbum Oboromuramasa Ongakushuu Hensou no Maku. Inclusive comentei em detalhes a  “Muramasa: The Demon Blade”, executada anteriormente no Press Start 2010 aqui. O maestro Taizo Takemoto relembrou a ocasião com saudade no texto de revelação, exaltando a mistura de orquestra com guitarra e instrumentos japoneses (tsugaru shamisen e shakuhachi). A escolha mostra como a organização nem sempre se importa com o hype, visto que o Wii já está em vias de se despedir.

- Phoenix Wright: Ace Attorney: “Great Revival ~ Reiji Mitsurugi” (Phoenix Wright: Ace Attorney – Justice for All) ~ “Ryuuichi Naruhodou ~ Objection!” ~ “Investigation ~ Overtaked“ (Phoenix Wright: Ace Attorney)

Eu normalmente não gosto quando o Press Start… não preciso repetir a primeira frase do segmento anterior, né? Mais uma reprise, desta vez do Press Start 2008. A diferença é que o número arranjado pelo Noriyuki Iwadare não chegou a ser registrado oficialmente. Não que faça uma falta absurda, de outro mundo. As três faixas que formam o medley, talvez as mais icônicas da série, foram orquestradas separadamente nos concertos da saga de advocacia virtual realizados naquele mesmo ano de 2008. Milagre: consegui entender alguma coisa aproveitável no Google Translator; Kazushige Nojima lembrou que o primeiro Gyakuten Saiban (como o jogo é conhecido originalmente) saiu em 2001 (para Game Boy Advance) e que parece que foi outro dia que isso aconteceu. Inclusive ele soube do jogo pela Famitsu e ficou bastante impressionado pelo conceito na ocasião – “Objection!”, “Hold It” e todos aqueles impropérios. Mas será que não valeria mais a pena se fosse tocada alguma do Gyakuten Kenji 2 (aquele que a Capcom se recusa a localizar para o Ocidente)?

- Ihatovo Monogatari

O adventure da desconhecida Hect com toques de RPG do Super Famicom está um passo mais fundo da obscuridade dos jogos nunca lançados nos EUA, porque nem tradução de fãs o título recebeu. Nobuo Uematsu disse que a trilha tem o seu lugar na história da game music, com músicas ternas que simulam as cordas (eu achei relativamente convincentes, como mostra a “Ihatovo Praise (from Opening)”, levando em conta que é o SNES). Além disso, ele lembrou que o compositor do Ihatovo Monogatary, Tsukasa Tawada, participou do álbum colaborativo Ten Plants, que possui músicas originais de compositores de games. Apesar de essa lembrança parecer única, o jogo foi homenageado no Orchestral Game Concert 5, o último da série de concertos, com a faixa “Ihatovo Hymn”, em arranjo do próprio Tsukasa Tawada.

- Darius


Uma atualização do tipo “só tem no Press Start”. O mais legal é que isso mostra como eles gostam de volta e meia pegar um shump para colocar no repertório como teve Fantasy Zone em 2009 e Gradius em 2011; isso sem contar, o “Shooting Medley” de 2007, que, inclusive, tocava a “Captain Neo” do Darius. Pelo que dá a entender no texto do Masahiro Sakurai, o arranjo do jogo da Taito de três telas no arcade terá essa e a “Main Theme – Chaos”. Que venham outros shmups!

- Legend of Mana

Até que enfim! Legend of Mana é um desses casos (Shenmue é outro) de um jogo japonês já executado em concertos ocidentais que não apareceram em um espetáculo nipônico. Na verdade, isso só aconteceu uma vez: no Sinfonia Drammatica, realizado na Suécia em 2009, concerto que teve os quatro arranjos do Legend of Mana do álbum drammatica tocados ao vivo. Kazushige Nojima falou sobre a revelação e, pelo que li, será um medley com cinco faixas selecionadas pela compositora Yoko Shimomura. Acredito que “Legend of Mana ~Title Theme~”“Hometown Domina” estejam entre essas como foram citadas. Com essa recordação da série, desde já fica a torcida para o Secret of Mana (com “Danger”) nos próximos anos.

- Final Fantasy XI

Em todas as edições do Press Start, sempre teve um segmento de Final Fantasy. Até 2010, foi meio desanimador: reprises, reprises, reprises. E de segmentos bastante conhecidos. O cenário mudou em 2011, quando foi feito um arranjo novo e exclusivo do Final Fantasy IV. E, de acordo com o que diz o site, mais uma vez será feito um arranjo inédito, desta vez do MMORPG Final Fantasy XI, que completou dez anos de vida em 2012 (considerando o lançamento original para PlayStation 2 no Japão), como lembrou o Nobuo Uematsu. O número será um medley com três faixas, sendo que “Vana’diel March” e “The Republic of Bastok” foram citadas. Como a primeira é do Naoshi Mizuta e a outra da Kumi Tanioka, aparentemente há a intenção de ter uma música de cada compositor. Sabendo que a terceira é do Nobuo Uematsu, deve ser a Final Fantasy XI Opening Theme”. A despeito de eu somente ter citado brevemente o concerto de FFXI no anúncio da apresentação, o espetáculo gerou o DVD Final Fantasy XI Vana♪Con Anniversary 11.11.11 e é sensacional – espero comentar as melhores faixas sem muita demora.

Set list até o momento:

01 – “Save the Princess Famicom Medley”
02 – Kid Icarus: Uprising
03 – Gravity Rush
04 – God Eater
05 – The Legend of Zelda: Skyward Sword
06 – Nora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo

[via PRESS START]

Press Start 2012 anunciado; supremacia portátil na primeira meia-dúzia de seleções

Por Alexei Barros

Vem ano, passa ano e chega essa época temos o quê? Anúncio de uma nova edição da série japonesa de concertos Press Start. Em 2012, isso aconteceu mais de um mês atrás, mas venho reparar essa falta. Para não ficar um post muito grande com todos os números do programa anunciados até agora, vou respeitar a ordem de atualizações em posts avulsos.

Como em 2011, serão três apresentações. As duas primeiras vão ocorrer em Tóquio no Bunkamura Orchard Hall dia 23 de setembro, às 14h00 e 18h30 locais, ambas com Taizo Takemoto na regência da Tokyo Philharmonic Orchestra. A última vai ser bem depois, dia 10 de novembro, em Nagoya, no Chukyo University Civic Center Cultural Hall. Takemoto voltará à condução, regendo a Nagoya Philharmonic Orchestra.

Como sempre há jogos japoneses recentes no programa, e a primeira rodada de atualizações serve quase como um parâmetro de tendências da indústria nipônica de games: quatro dos seis selecionados são de títulos para portáteis.

- “Save the Princess Famicom Medley”

Diria que a equipe organizadora do Press Start já foi mais criativa nas temáticas dos medleys – gostava especialmente dos que agrupavam jogos por gêneros ou produtoras. Neste segmento, a intenção é reunir músicas de jogos do Famicom que tenham o mote de salvar a princesa. Seria leviano dizer que são todos daquela saudosa geração dos 8-bit ou a maioria, mas, sem forçar a memória, dá para lembrar uma infinidade. Entre os títulos, temos “surpresas”, como Super Mario Bros. e The Legend of Zelda. Sinceramente, consegui compreender pouca coisa aproveitável do texto de revelação do Kazushige Nojima. A única informação, talvez não tão interessante assim, é que alguns desses jogos são conversões de arcades da época.

- Kid Icarus: Uprising: “Chapter 12: Wrath of the Reset Bomb”

Kid Icarus, o original de NES, foi tocado no bis em 2011, uma lembrança em virtude da iminência do lançamento de Kid Icarus: Uprising. O jogo do Nintendo 3DS veio, tirou 40/40 na Famitsu, a desenvolvedora Project Sora acabou e a trilha sonora é formidável. Não poderia ser diferente, considerando os envolvidos. Só a nata: Noriyuki Iwadare, Motoi Sakuraba, Masafumi Takada, Yasunori Mitsuda e Yuzo Koshiro. Dentre tantas músicas magistrais, a escolhida é assinada por este último, o Koshirão para os mais íntimos. A “Chapter 12: Wrath of the Reset Bomb” já é orquestrada por natureza e valerá a experiência para quem estiver lá in loco mesmo. Pelo pouco que entendi no texto do Masahiro Sakurai, a mente por trás do Uprising, ele enalteceu o fato de que a música muda de pegada ao longo das viagens aéreas. Para representar isso, a faixa selecionada não poderia ser melhor, porque parece que são umas cinco músicas em uma tamanha a variação de motivos na mesma peça. Confesso que, das que me recordo, a “Chapter 15: Mysterious Invaders”, também do Koshiro, foi a que mais me impressionou, mas poderia perder graça ao vivo sem os efeitos eletrônicos.

- Gravity Rush

Conhecido por Gravity Daze no Japão, o jogo do PS Vita acabou empolgando tanto o Shogo Sakai que ele quase se esqueceu de falar da trilha sonora no texto do anúncio. Como nenhuma música foi citada especificamente, tudo leva a crer que será um medley. O autor, Kouhei Tanaka, é pródigo em fazer faixas que misturam orquestra e banda não só em jogos (as trilhas da série Alundra são dele), como também em animes e tokusatsus. Inclusive ele é o compositor do Flashman, e a espetacular “Star Condor, Take off!!” mostra bem isso o que comentei da mescla de instrumentos. O número do Gravity Daze promete. Faixas boas não faltam: a faixa-título “Gravity Daze” (bela virada com a entrada da bateria), “Clearly Dangerous” (guitarras em destaque… e o que é aquele saxofone rouco?), “Trump Card” (a pompa, a glória), entre outras. O jogo inclusive já foi tocado no Video Games Unplugged: Symphony of Legends.

- God Eater: “God and Man Vocal Ver.”

Curioso esse jogo só aparecer agora, sendo que, no Japão, foi lançado em 2010. Apesar de não considerar a obra-prima do talentoso compositor Go Shiina, é uma boa escolha. Embora eu ache que seleção melhor, depois do Tales of Legendia, seria o Mr. Driller Drill Land. Mas uma coisa de cada vez. A canção escolhida é a maravilhosa “God and Man Vocal Ver.”, interpretada pela australiana Donna Burke, que havia cantado a “Heaven’s Divide” (MGS: Peace Walker) no Press Start 2010. De acordo com Masahiro Sakurai, a música foi usada em comerciais e até foi nomeada na categoria “Melhor canção original de videogame” no Music Award Hollywood 2010. Isso pode ser considerado uma façanha para uma composição japonesa, visto que esse tipo de premiação ocidental ignora o oriente, como se, atualmente, apenas compositores americanos e europeus fossem bons.

- The Legend of Zelda: Skyward Sword: “Skyward Sword Main Theme”

De novo Zelda, mas, pela primeira vez, Skyward Sword. Ainda na onda dos 25 anos da série comemorados no The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony, o Press Start 2012 vai mostrar a “Skyward Sword Main Theme” (aquela do trailer, da Zelda’s Lullaby ao contrário), executada como bis no concerto comemorativo. O maestro Taizo Takemoto, que assinou a revelação, foi quem regeu inclusive a apresentação no Japão da turnê. Muito legal isso tudo, só não entendo por quê, falando da Nintendo, a resistência às músicas de Metroid e Donkey Kong.

- Nora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo

Assim como o Super Nintendo, o DS possui uma safra gigante de J-RPGs nunca lançados no ocidente, o que também ajuda a criar a sensação nesta geração de que há uma escassez desse gênero que foi tão prolífico no PlayStation. Lançado em 2011, Noora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo é um RPG da Atlus o qual nunca tinha ouvido falar antes do Press Start 2012, mesmo constatando que a trilha sonora é criada pela Michiko Naruke, a compositora principal da série Wild Arms. As faixas têm estilo celta e, sabendo você que não me embeveço tanto com esse tipo de música (claro, sempre há exceções), ouvi a OST inteira, mas não arriscaria apontar uma que se destaque. Tá bom, uma vai: “Everyday Lifestyle”. Pela paz e serenidade, fica no ar um clima bem pastoral, do campo. Uma novidade? Não entendi o que o Shogo Sakai disse no site. De todo modo, foi uma boa seleção para dar variedade ao programa.

[via PRESS START]

Álbum com arranjos de Muramasa traz faixa executada no Press Start 2010


Por Alexei Barros

Se há um compositor consagrado que é negligenciado nos concertos de games este é Hitoshi Sakimoto. Uma das raras ocasiões em que ele teve uma música executada foi no Press Start 2010, apresentação que contou com uma inusitada performance de Muramasa: The Demon Blade, aquele RPG de ação da Vanillaware para Wii. A trilha não é só dele; também participaram outros compositores da Basiscape, como Masaharu Iwata e Azusa Chiba. O medley, porém, compreende somente duas faixas assinadas pelo Sakimoto.

Um acontecimento raro desses não podia se perder no tempo e, felizmente, a gravação foi incluída no álbum Oboromuramasa Ongakushuu Hensou no Maku, lançado dia 1º de outubro de 2011. Isso que o jogo saiu em 2009. Dane-se o hype! O CD conta com versões arranjadas dessa mesma galera da Basiscape enfatizando as raízes do Japão Feudal com o uso de instrumentos típicos como erhu e shakuhachi, a exemplo das fabulosas trilhas de Okami e da série Samurai Shodown já homenageadas em edições anteriores do espetáculo nipônico. Todavia, eu me limitarei a comentar o segmento do Press Start 2010 que é arranjado por Shuhei Kamimura, do time interno da Company AZA, o qual também fez o arranjo da “Professor Layton and the Curious Village”.

- “Muramasa: The Demon Blade” (Press Start 2010)
Originais: “Introduction” ~ “Impermanence”

Composição: Hitoshi Sakimoto
Arranjo: Shuhei Kamimura
Tsugaru Shamisen: Takemi Hirohara
Shakuhachi: Kohei Matsumoto
Guitarra: Haruo Kubota

Não é fácil conciliar orquestra e guitarra em uma performance ao vivo. Também não é fácil conciliar orquestra e instrumentos folclóricos japoneses ao vivo. E o que dizer de uma execução ao vivo com orquestra, guitarra, tsugaru shamisen e shakuhachi? Somente o arrojo por conciliar elementos tão díspares é digno de aplausos, ainda que o resultado não seja exatamente memorável.

A primeira diferença para ambas as originais são as intervenções da guitarra durante a peça, instrumento que inexistia anteriormente. Sem coral na apresentação, não há algum elemento que remeta aos timbres de coro da composição do jogo.

Na “Introduction”, o tsugaru shamisen não toca desde o início, entrando apenas em um trecho mais incisivo. Apesar do vazio no momento em que surge a “Impermanence” (em 2:19), a colagem entre uma e outra foi feita sutilmente, sem pressa. O shakuhachi faz o solo, imitando a original (a partir de 1:39), com a mesma participação recorrente da harpa. Depois de alternâncias do shakuhachi e orquestra, todos os instrumentos se juntam no desfecho, e a mistura incrivelmente funciona. Gostaria de ouvir uma segunda opinião, mas minha impressão é que a reverberação, ainda que não seja a ideal, não ficou tão alta como no Press Start The 5th Anniversary.

Press Start 2011: contemporâneo e nostálgico; épico e diversificado

Por Alexei Barros

Após o lançamento do mediano álbum Press Start 5th Anniversary e as enfadonhas reprises na comemoração dos cinco anos de existência dos concertos no Press Start 2010, o Press Start 2011 veio para retomar no dia 14 de agosto o principal motivo de estima pela série japonesa de récitas: seleções magistrais de jogos japoneses, velhos e novos, alguns difíceis de imaginar em outros espetáculos do gênero.

Comentarei as escolhas de faixas mais detalhadamente após o Hadouken, mas pareceu ter sido um evento extraordinário, o que faz aumentar o desejo pelo segundo CD. Na condução de Taizo Takemoto, a Kanagawa Philharmonic Orchestra tocou no Shinjuku Bunka Center Hall, em Tóquio, às 14 e depois às 18 horas locais. Vale lembrar que, pela primeira vez, será realizada uma terceira apresentação no Japão, marcada para o dia 19 de setembro em Nagoya, com a Nagoya Philharmonic Orchestra no Century Hall do Nagoya International Conference Hall e regência de Kosuke Tsunoda. Continuar lendo ‘Press Start 2011: contemporâneo e nostálgico; épico e diversificado’

Press Start 2011: os artistas do concerto

Por Alexei Barros

Como em 2009 e 2010, o site do Press Start publicou a relação de instrumentistas e vocalistas que participará do espetáculo, o que permite imaginar de que maneira será realizada cada performance. Neste ano, os segmentos de cada artista estão especificados, como se não bastasse a facilidade de previsão pela presença de vários artistas das trilhas originais.

Antes vale recapitular o set list. Com 12 números confirmados (duas ou três surpresas ficam reservadas para o bis), está muito mais interessante do que no ano passado, com apenas dois jogos reprisados: “Okami”, que eu não vejo o menor objetivo na repetição por estar devidamente registrado no Press Start 5th Anniversary, e Spelunker, que também consta no mesmo álbum, mas pelo menos o arranjo foi reformulado. A saber, levando em conta que o programa segue a ordem de revelação:

01 – El Shaddai: Ascension of the Metatron
02 – Gradius
03 – Super Mario Galaxy 2
04 – Xenoblade Chronicles
05 – NieR
06 – Final Fantasy IV
07 – Pokémon
08 – The Last Story
09 – Okami (2009)
10 – Medley de músicas eruditas
11 – 428 ~Fuusasareta Shibuya de~
12 – Spelunker (2008; reformulado)

O violonista e guitarrista Haruo Kubota, presente em todos os concertos anteriores, não tocará desta vez. Como não foi confirmado um coral (de adultos só no Press Start 2007), não espero pela “Torn Heart” de El Shaddai e “Fateful Decisive Battle” do Super Mario Galaxy 2. Nada impede que apareçam em versões instrumentais, mas isso não é muito comum no Press Start.

Kanagawa Philharmonic Orchestra

Na ativa desde março de 1970, é uma orquestra premiada que atua em performances de música erudita, trilhas de filmes, balé e pop. Em games também é versada: Orchestral Game Concert 5, Distant Worlds Returning home, além do Press Start 2008 e 2010, tornando-se a orquestra mais atuante na série de concertos japonesa. Em 2011, tocará dia 14 de agosto, nas apresentações das 14 e 18 horas locais no Shinjuku Bunka Center Hall. Ambas sob a batuta de Taizo Takemoto.

Kosuke Tsunoda

Nascido em Nagoya em 1980, vai substituir Takemoto na regência na apresentação no Century Hall do Nagoya International Conference Hall em Nagoya no dia 19 de setembro, às 17 horas. Graduou-se na State University for Music and the Arts em Tóquio e já conduziu orquestras como a Berlin Konzerthaus Orchestra, Brandenburg Symphony Orchestra, MDR Symphony Orchestra e Hof Symphony Orchestra. Não é primeira vez que ele participa da série nipônica de concertos; Tsunoda foi o maestro do Press Start 2008 em Xangai, o último a acontecer na China.

Nagoya Philharmonic Orchestra

Constituída em 1966, tem como maestro laureado Ken-Ichiro Kobayashi, maestro emérito Moshe Atzmon e diretor musical Bob Sakuma. O suíço Thierry Fischer é o atual maestro convidado honorário. Já fez quatro turnês no ocidente e costuma realizar 120 apresentações por ano. Aparentemente, a orquestra tem pouca intimidade com game music, tanto em concertos, quanto em gravações de trilhas originais.

ACE

Dupla formada por CHiCO Yamanaka e Tomori Kudo, participou das trilhas de Tamagotchi 64: Minna de Tamagotchi World, Bomberman 64: The Second Attack e Emil Chronicle Online. O duo também arranjou as composições de Nobuo Uematsu no álbum solo Nobuo Uematsu’s 10 Short Stories. Com o reforço de Kenji Hiramatsu, tornou-se o trio ACE+ na trilha de Xenoblade Chronicles. Mas somente CHiCO e Tomori Kudo vão participar da performance: a primeira no vocal e o outro no piano.

Manami Kiyota

Cantora que se notabilizou no álbum com arranjos Final Fantasy Song Book [mahoroba] e na performance da Sen no hana, sen no sora, música composta por Nobuo Uematsu para o programa de rádio e TV da NHK Minna no Uta. Mais bizarro, ela é a autora de canções com proteções de tela interativas para as máquinas da JAXA, a agência espacial japonesa. Seu mais recente álbum solo Hoshi no Kashu possui uma faixa arranjada por Kenichiro Fukui. Recentemente, colaborou na trilha de PokéPark Wii: Pikachu’s Adventure. Compositora de diversas músicas de Xenoblade Chronicles, participando ainda do coral, fica a dúvida como será a performance na companhia da CHiCO.

Emi Evans

Artistas ocidentais não são exatamente uma novidade no Press Start, haja vista a australiana Donna Burke em 2010. Nascida em Londres, Inglaterra, Emiko Rebbeca Evans é filha de pai britânico e mãe japonesa, o que explica os leves traços orientais, e mora desde 2000 no arquipélago nipônico. É cantora, letrista, compositora, violoncelista e com Hiroyuki Muneta forma o duo de música eletrônica de ambiente freesscape. Participou de diversos comerciais de TV, como das TVs 3D Viera da Panasonic. É autora da canção “Light” do J-Drama Honcho 4 da TBS e da música-tema do telejornal Ohayou da NHK. Aos poucos, entrou no mundo dos games com as performances vocais na “Town – The Roadside Trees Outside the Window [Town Facility - Etria Plaza - Day]” e “Town – Bird-Shaped Vane on the Triangular Roof [Town Facility - Etria Plaza - Day 2]” do Sekaiju no MeiQ Super Arrange Version e “Labyrinth IV – Cherry Tree Bridge [Dungeon 16 ~ 20F]” do Sekaiju no MeiQ² *shoou no seihai* Super Arrange Version. No álbum Octave Theory da Earthbound Papas, tocou cello na composição original “The Forest of Thousand Years”. E então finalmente chegamos na trilha de NieR. Além de cantar várias faixas, ela também escreveu as letras das canções em idiomas fictícios baseados nos idiomas gaélico, português, espanhol, italiano, francês, inglês e japonês. Sabe se lá quais composições haverá no segmento, mas a “Grandma” é obrigatória.

Kanon

Nascida em março de 1980, a cantora se projetou com a canção “Wings to Fly ~ Tsubasa wo Kudasai” do J-Drama Chiritotechin da NHK. Nos dias 15 e 16 de abril de 2011, Kanon chegou a participar das apresentações no Sydney Opera House na Austrália da turnê Distant Worlds, interpretando a “Suteki da ne” (como no jogo, em japonês mesmo; a música havia recebido uma versão inglês com performance vocal da Susan Calloway) e a “Memoro de la Stono~Distant Worlds” (em inglês). Em abril, lançou o álbum A New Story com sete das 12 faixas compostas por Nobuo Uematsu: “Prelude”, “Final Fantasy”, “Eyes On Me”, “Guin Saga Medley (Marius’ Song ~ This is my Road)”, “Taisetsunakoto” (composição original), “Nakama wo Motomete” e “Toberumono”, a canção que ela canta na trilha original de The Last Story e que será apresentada. O Symphonic Odysseys já mostrou a mesma faixa, “The Last Story (Spreading Your Wings)”, com arranjo do finlandês Jani Laaksonen baseado na versão instrumental.

HIDE-HIDE

De novo… fazer o quê. Hideki Ishigaki no shakuhachi e Hideki Onoue no shamisen participaram da supracitada “Okami” no Press Start 2009 e nos dois últimos anos ficaram mais famosos do que quando foram convidados pela primeira vez, e vem ganhando fama na Rússia especialmente. Em junho lançaram o terceiro CD da carreira, Onkochishin, com versões de músicas eruditas executadas por esses instrumentos japoneses. No dia 20 de agosto ainda vão tocar no Monster Hunter Hunting Music Festival 2011.

[via Press Start]


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