
Por Alexei Barros
Logo menos, dia 2 de novembro, vão ser lançados dois jogos de James Bond – GoldenEye 007 para Wii e 007: Blood Stone para PC, Xbox 360 e PlayStation 3 (para não esquecer da versão de DS) –, e estou com altas expectativas para ambos. O primeiro por recriar um dos FPSs mais influentes da história e outro porque repete a diretriz do fantástico James Bond 007: Everything or Nothing por apresentar uma história original, o que livra da responsabilidade de seguir uma trama já existente e apressar o projeto para coincidir o lançamento com o advento do filme.
Alimentado pelo hype duplo, recupero mais uma performance oculta do espetáculo holandês Games in Concert, a única vez em que um título da franquia foi lembrado em um concerto de games. De games? À primeira vista, causa estranheza que um jogo baseado em filme apareça em uma apresentação do tipo. Não vejo problema, com a condição de que a música faça por merecer a aparição, e não seja um merchandising deslavado. Além disso, a faixa foi escolhida por um motivo especial. Quem regeu a polivalente e magistral Metropole Orchestra na ocasião foi o compositor Christopher Lennertz, que teve tocados três segmentos de trilhas de sua autoria: Gun, Medal of Honor: European Assault e From Russia With Love.
Há de se ressalvar, no entanto, que a faixa escolhida, “Bond Theme”, nada mais é do que o icônico tema criado pelo compositor cinematográfico Monty Norman para o primeiro filme do personagem, 007 Contra o Satânico Dr. No, com o arranjo, se é que mudou alguma coisa, do Christopher Lennertz para o jogo.
Se há dificuldade para a Metropole Orchestra tocar a “Bond Theme” com tudo o que tem direito? Nenhuma. Todos os instrumentos reproduzem o tema com perfeição, e a guitarra teve a escolha de timbre muito feliz porque é simplesmente idêntico à versão original.
A gravação é da transmissão do rádio, portanto não há o que reclamar da qualidade.
- “Bond Theme” (From Russia With Love, Games in Concert)

Aqui, todavia, não está fiel à original. Está muito melhor! A vocalista de cabelos vermelhos Roos Rebergen da banda holandesa 

Por ser dance, poderia receber o prêmio de escolha mais insólita de um concerto de games já feita. Martin Fondse não arranjou a música, e sim REVOLUCIONOU a música. Se eu escrevesse em caixa baixa não conseguiria expressar suficientemente o efeito da releitura.

O atrativo de reproduzir game music ao vivo nem sempre é imitar todos os instrumentos da original, mas sim encontrar saídas dentre as possibilidades disponíveis para que fique parecido, apesar de não 100% idêntico. Não raro, o resultado supera a versão do jogo. Para isso é preciso criatividade. Solução encontrada: o kokyu foi satisfatoriamente substituído pela guitarra. Apurada e sutil, não sobressai de maneira estridente. Mistura-se à sinfonia com naturalidade.
Para completar, a canção divinal é em português, o que torna tudo ainda mais singular. Se na original era interpretada com uma pronúncia terrível pela japonesa Kaori Kawasumi, ao vivo foi cantada pela portuguesa Cristina Branco. Como é o seu idioma nativo, a canção soa muito mais natural e fluida.

















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