Archive for the 'Distant Worlds' Category

“Balance is Restored” – Final Fantasy VI (Distant Worlds 2014 em Londres)

Por Alexei Barros

Além do “Character Medley”, o outro segmento do Final Fantasy VI que estreou na apresentação de agosto em Chicago da turnê Distant Worlds para comemorar o aniversário de 20 anos do jogo foi o “Balance is Restored”. “Balance is Restored”? Não há uma música com esse nome na Final Fantasy VI Original Soundtrack

No post anterior eu não havia dito que era a oportunidade perfeita para enfim orquestrarem a “Ending Theme” em seus 21 minutos de duração? Por ora, a “Balance is Restored” é o que chega mais perto disso, pois é o trecho original do tema de encerramento que começa por volta de 11 minutos – depois disso toca o tema principal da série. Está longe do que considero o ideal, que evidentemente é a música em sua totalidade, mas ao menos dá um gostinho. O arranjo me pareceu muito decente pelas ótimas participações da flauta e não feito no improviso como outros segmentos da turnê. Se não me equivoco, o desfecho dessa versão orquestrada não é similar ao da faixa sintetizada. Curioso para saber quem foi o arranjador.

Como no outro vídeo, a gravação foi feita na apresentação em Londres e está em boa qualidade.

“Character Medley” – Final Fantasy VI (Distant Worlds 2014 em Londres)

Por Alexei Barros

Em 2014, Final Fantasy VI comemora 20 anos de existência, e felizmente a turnê Distant Worlds não deixou essa data passar em branco implementando novos segmentos do jogo no programa. O número que mais me chamou a atenção foi o “Character Medley”. Parecia promissor: o RPG do SNES é conhecido até hoje pelo maior elenco de personagens jogáveis da série, alcançando um total de 14 heróis. Mas… O problema é que o medley faz referência a apenas três deles e mais o vilão Kefka. Com só isso, fica fácil reclamar de qualquer um dos temas que faltaram, mas às vezes sinto que sou um fã solitário da “Edgar and Sabin”

A decepção aumenta ainda mais porque essa era a ocasião apropriada para enfim orquestrar oficialmente a “Ending Theme” na glória dos seus 21 minutos de duração, com alusões a todos os temas dos personagens e transições já prontas na faixa original. Tudo bem que um colosso desse tamanho complicaria a montagem do programa e é difícil de arranjar tanto tempo para ensaiar em uma turnê, mas acho que valeria a pena o sacrifício.

Ainda se os temas dos personagens escolhidos para o “Character Medley” fossem inesperados… A composição “Terra” já aparecia em um segmento próprio desde o 20020220 e “Celes” é uma variação da “Aria Di Mezzo Carattere”, que abre a ópera exaustivamente reproduzida em concertos da série. E não vejo muito sentido em colocar “Kefka” aí no meio. Evidentemente ele é um personagem do jogo, mas se supõe que um medley assim faça alusão aos heróis, não ao vilão… Fora que o mesmo tema já apareceu em versões mais refinadas no “Encore: Final Boss Suite” do Symphonic Fantasies Tokyo e no “Final Fantasy VI Symphonic Poem (Born with the Gift of Magic)” do Final Symphony.

A única surpresa é “Locke”, cuja orquestração exaltou o heroísmo e coragem do personagem. Se a transição da “Terra” e da “Kefka” ficou ok, dessa segunda para a “Celes” há um vazio. A única passagem realmente competente é da “Celes” para a “Locke”, o que não é coincidência: essa é a ordem na qual os temas dos dois personagens aparecem na “Ending Theme”.

O arranjo foi tocado pela primeira vez em agosto de 2014, na apresentação do Distant Worlds em Chicago, mas esse vídeo gravado em Londres em novembro está em qualidade superior em relação aos registros que encontrei da estreia. A performance é da Royal Philharmonic Concert Orchestra.

“Character Medley”
“Terra” ~ “Kefka” ~ “Celes” ~ “Locke”

Distant Worlds: music from Final Fantasy The Celebration: uma celebração aquém das tradições da série

Por Alexei Barros

O que faço comentando um Blu-ray que saiu há mais de um ano? Eu não deveria me importar tanto com a data de lançamento dos álbuns de game music, até porque as trilhas são atemporais. Mas o principal motivo é que a turnê Distant Worlds recentemente adicionou novos números no programa e quando fui ver os posts antigos percebi que passei batido por algumas novidades do ano passado. Então senti que devia reparar essa lacuna.

Lançado em junho de 2013, o Distant Worlds: music from Final Fantasy The Celebration registra o espetáculo comemorativo de 25 anos da série da Square Enix realizado no Japão com a Kanagawa Philharmonic Orchestra e o Real Singers of Tokyo sob a regência de Arnie Roth. Algumas partituras novas que estrearam no Final Fantasy Orchestral Album foram gravadas oficialmente em vídeo pela primeira vez, como “The Dreadful Fight” (FFIV), “The Mystic Forest” (FFVI) e “The Dalmasca Estersand” (FFXII) – segmentos que, se me dissessem que foram tocados uns anos atrás, eu acharia uma mentira. Fora isso, o concerto é carente de novidades mais relevantes, mas, ainda assim, há dois medleys mais ou menos inéditos. Mesmo que eles não sejam tão bons quanto deveriam, eles reservam algumas curiosidades interessantes.

10. “Chocobo Medley 2012″
Originais: “Choc-a-bye Baby” (Final Fantasy XI) ~ “Mambo de Chocobo!” (Final Fantasy V) ~ “Chocobos of Pulse” (Final Fantasy XIII)
Composição: Naoshi Mizuta, Nobuo Uematsu e Masashi Hamauzu
Arranjo: Arnie Roth e Eric Roth

A versão anterior do medley dos chocobos, “Chocobo Medley 2010″, combinava a “Bo-down” (FFXIV) e a “Brass de Chocobo” (FFX), que, por sua vez, era um segmento próprio de nome “Swing de Chobo” tocado desde o More Friends. A nova edição foi totalmente reformulada, agora com três faixas relacionadas às aves da série. A primeira delas, do FFXI, não traz a icônica melodia dos chocobos e, na realidade, é uma música cortada do jogo, embora tenha sido lançada no Final Fantasy XI Original Soundtrack Premium Box (ela está no sexto disco, que contém 18 faixas não aproveitadas). É a segunda vez que uma composição excluída foi orquestrada, já que a “Battle Scene 3″ (FFII) foi arranjada no Symphonic Odysseys. Se isso virar uma tendência, espero que não se esqueçam das faixas excluídas do FFIV e FFV.

Mas voltando aos chocobos… A  “Choc-a-bye Baby” é tocada em toda a sua singeleza, imitando com fidelidade os timbres da composição do Naoshi Mizuta. Essa delicadeza vai embora com a animação da “Mambo de Chocobo!” (FFV), em uma performance lúdica do coral que imita os urros da sintetizada. Com os coristas soletrando “chocobo”, é feita a transição para a fantástica “Chocobos of Pulse” (Final Fantasy XIII), que considero a melhor versão do tema dos chocobos e enfim encontrou seu lugar no Distant Worlds.

18. “Battle & Victory Theme Medley”
Originais: “Clash on the Big Bridge” (Final Fantasy V) ~ “Seymour Battle” (Final Fantasy X) ~ “Those Who Fight” (Final Fantasy VII) ~ “Fanfare” (Final Fantasy)
Arranjo: Arnie Roth e Eric Roth

Por mais que seja atraente a ideia de juntar três temas de batalha e mais a fanfarra da vitória, esse segmento parece feito no improviso, meio amador, meio aleatório. As transições não ficaram nada boas, e não tenho dúvidas que um arranjador do nível de um Shiro Hamaguchi faria algo muito melhor, isso se a ideia fosse apresentar um arranjo similar às originais. A “Clash on the Big Bridge” já aparecia em um segmento próprio e a “Those Who Fight” foi arranjada em releituras superiores (no Symphonic Fantasies e Symphonic Odysseys). A única novidade é a “Seymour Battle” (FFX), que havia participado uns anos atrás de uma enquete feita com o público para decidir qual música devesse ser arranjada. O trecho desse tema ficou decente, com boa participação da bateria e dos metais. Não sei se ela merecia um número só para ela, mas talvez o potencial da faixa não foi completamente explorado no meio das outras duas.

Ah, a apresentação está inteirinha no YouTube. Ou pelo menos enquanto a Square Enix não solicitar a retirada do vídeo.

Final Fantasy Orchestral Album: tudo por um medley

Por Alexei Barros

Ouvir as 23 faixas do Final Fantasy Orchestra Album me deixa um sentimento duvidoso: ao mesmo tempo em que o álbum traz coisas que vinha pedindo desde o início da turnê Distant Worlds (mais faixas da era 16-bit, uma faixinha do FXII que fosse), essas novidades se diluem em arranjos já tocados, repetidos e exaustivamente gravados (alguns há uma década).

Essa sensação já estava presente no Distant Worlds: music from Final Fantasy (2007) e depois Distant Worlds II: more music from Final Fantasy (2010). A desculpa era: “agora os arranjos vão receber gravações definitivas em estúdio, sem qualquer interferência da plateia”. Daí veio o Distant Worlds: music from Final Fantasy Returning Home. A desculpa foi: “gravação de concerto no Japão, desde 2006 não acontecia nada lá”.  E agora com o Final Fantasy Orchestral Album (mesmo que o álbum não seja da turnê, é dos mesmos produtores) passou a ser: “todas as músicas vão estar em uma qualidade superior, em Blu-ray de áudio”. Eu me pergunto se em 2013 haverá outro lançamento requentado – porque as desculpas, com todo o respeito, já acabaram. Se for levada adiante a tradição de publicações anuais de álbuns, não deve fugir muito disso.

Para completar, a produção fez um expediente que eu considero ainda pior que é incluir as músicas orquestradas já presentes nas trilhas originais ou álbuns arranjos antigos, tendo como subterfúgio a qualidade 24bit/96kHz. É o que acontece com oito faixas do álbum, como a “Memory of the Wind ~Legend of the Eternal Wind~” do Final Fantasy III Original Soundtrack ou a a “Fang’s Theme” do Final Fantasy XIII Original Soundtrack. Os créditos não deixam enganar que são as mesmas gravações dos álbuns citados, mas em qualidade superior. Misturar essas faixas com as novas não é algo que considero digno de um álbum de aniversário de 25 anos da série.

Com isso passado a limpo, finalmente me sinto mais confortável para falar dos novos segmentos gravados pela FILMharmonic Orchestra Prague no Rudolfinum, Dvorak Hall, na República Tcheca. Não todos, porque outra leva se resume a novas gravações de arranjos já conhecidos, como o “Medley 2002”. Espremendo a laranja, temos isto de arranjos seminovos ou inéditos (alguns eu já comentei em posts passados nas apresentações do Distant Worlds):

04 – “The Dreadful Fight” (Final Fantasy IV)
Original: “The Dreadful Fight”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Rika Ishige

Final Fantasy IV? Tô dentro. Todo o impacto, a emoção e o sentimento de perigo deste tema de batalha contra chefes do primeiro episódio da série para SNES está aqui, traduzido para as nuances da orquestra. Como já havia afirmado, a faixa original é bastante curta e isso permite variações um pouco mais ousadas na interpretação. A novata Rika Ishige fez isso, explorando a percussão, o naipe de cordas e as alternâncias de metais. Um estouro. Não achei que viveria para ouvir mais FFIV orquestrado em pleno 2013 – não preciso contar de novo o quanto o jogo foi negligenciado através desses anos, preciso?

08 – “Opera “Maria and Draco” Full Version” (Final Fantasy VI)
Originais: “Overture” ~ “Aria Di Mezzo Carattere” ~ “The Wedding Waltz ~ Duel” ~ “Aria Di Mezzo Carattere”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Shiro Hamaguchi e Tsutomu Narita
Solistas: Etsuya Ota (mezzo soprano), Tomoaki Watanabe (tenor), Tetsuya Odagawa (baixo)
Coral: Taeko Saito, Eri Ichikawa, Saeco Suzuki, Maiko Tachibana
Narração: Masao Koori

Este número está intitulado “Full Version” porque à versão arranjada por Shiro Hamaguchi que estreou no Tour de Japon, foram acrescentadas as novidades implementadas no arranjo “Darkness and Starlight”, presente no último álbum da finada banda The Black Mages: narração (cadê o balde para eu vomitar?) e um novo excerto que não existia no jogo e inclui a participação do coral. Basicamente, essa parte que só conhecíamos por meio das guitarras e pelo coro formado pelos integrantes do Black Mages foi orquestrada pelo Tsutomu Narita – é um tema de batalha bastante empolgante. Talvez pelo fato de agora serem coristas profissionais e não os próprios músicos dos Black Mages e, justiça seja feita, a narração, na companhia da orquestra, não soar tão deslocada quanto com a banda, o resultado foi melhor. Porém, ainda fico com a épica, avassaladora e paradigmática versão “The Dream Oath ‘Maria and Draco’” de 23 minutos do Orchestral Game Concert 4, única de todas a incluir a “Grand Finale?” (da batalha contra o Ultros), mesmo que não exista um consenso de que essa música faz parte da ópera.

09 – “The Mystic Forest” (Final Fantasy VI)
Original: “The Mystic Forest”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Posso fazer uma confissão: por mais que o FFVI seja o meu favorito e não exista, na minha opinião, uma faixa ruim desse jogo, eu não morro de amores pela “The Mystic Forest” a ponto de querer que ela fosse orquestradas antes de tantas outras. Mas, tudo bem, não há o que reclamar se este é um arranjo novo da era 16-bit. Mesmo que a versão do Symphonic Fantasies soe mais misteriosa pelo coral, esta tem o seu valor. O trecho na flauta é uma pintura e as cordas nos levam de volta às florestas labirínticas do FFVI.

13 – “Eyes On Me” (Final Fantasy VIII)
Original: “Eyes On Me”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Shiro Hamaguchi e Tsutomu Narita
Vocal: Crystal Kay

Chega a ser inacreditável que uma das mais famosas composições do Nobuo Uematsu não vinha sendo tocada nos concertos da série. A única vez em que isso aconteceu, acredite, foi no Voices (2006), em uma interpretação voz e piano da Angela Aki. Versão orquestrada? Jamais executada ao vivo, incrivelmente. A canção original já tinha cordas e banda, e agora o Tsutomu Narita deu uma leve enriquecida na orquestração (agora tem umas trompas bem inseridas) e, como sempre acontece nos concertos de Final Fantasy, limando a bateria, o baixo e a guitarra. A graciosa voz da Crystal Kay combinou bem com a música, talvez deixando menos melosa do que com a Faye Wong.

17 – “Unfulfilled Feelings” (Final Fantasy IX)
Original: “Unfulfilled Feelings”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Tamanha a minha satisfação com os novos arranjos da era 16-bit, eu quase passei despercebido por este segmento. A música introspectiva e sintetizada com timbres que remetem ao cravo ganhou novas dimensões no arranjo do Nakayama, soando até bombástica e grandiosa em alguns momentos. Boa releitura, mas não me comoveu tanto.

21 – “The Dalmasca Estersand” (Final Fantasy XII)
Original: “The Dalmasca Estersand”

Composição: Hitoshi Sakimoto
Arranjo: Arnie Roth e Eric Roth

Neste momento ímpar, enfim temos o registro oficial da música orquestrada que foi originalmente assinada pelo Hitoshi Sakimoto. Ainda que não seja pelas mãos de um arranjador de excelência como o Hayato Matsuo, que tanto sabe lidar com o estilo do Sakimoto, a dupla de pai e filho Roth fez um bom trabalho arroz e feijão, isto é, um arranjo literal da faixa sintetizada (uma ótima escolha, aliás). Que a turnê Distant Worlds explore mais o mundo de Ivallice.

23 – “Battle Medley 2012” (Final Fantasy I~XIV)
Originais: “Prelude” ~ “Battle Scene” (Final Fantasy) ~ “Battle 1″ (Final Fantasy II) ~ “Battle 2″ (Final Fantasy III) ~ “Fight 2″ (Final Fantasy IV) ~ “The Last Battle” (Final Fantasy V) ~ “The Decisive Battle” (Final Fantasy VI) ~ “Those Who Fight” (Final Fantasy VII) ~ “Force Your Way” (Final Fantasy VIII) ~ “Battle 1″ (Final Fantasy IX) ~ “Otherworld” (Final Fantasy X) ~ “Awakening” (Final Fantasy XI) ~ “Boss Battle” (Final Fantasy XII) ~ “Blinded by Light” (Final Fantasy XIII) ~ “Prelude” (Final Fantasy)

Composição: Nobuo Uematsu, Kumi Tanioka, Hitoshi Sakimoto e Masashi Hamauzu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Todo e qualquer aborrecimento se dissipou com a magnitude deste medley de temas de combate. Isso é algo que sempre me perguntei. As músicas de batalha são as que o jogador vai ouvir por mais vezes durante o jogo. Por que então a maioria delas nunca sequer foi arranjada oficialmente?

Por mais que a “Prelude” seja um início clichê para qualquer medley de diferentes jogos da série, o negócio vai esquentando até culminar em explosões de nostalgia. A “Battle Scene”, tema convencional das batalhas do primeiro FF, ficou estrondosa, e logo passa o bastão para a “Battle 1″ do FFII, outro tema de batalha normal, que, com as mesmas alternâncias entre flautas e metais, cativa principalmente quem tem na memória os temas em versão 8-bit. No crescendo, a faixa alterna para a “Battle 2″ do FFIII, desta vez um tema de chefe que me faz repensar em todos os milagres que o Uematsu concebia no NES. A música dá uma acalmada, mas só para enganar, indo para a geração 16-bit, com a caótica “Fight 2″ (FFIV), mais um tema de chefe… Nessa, devo confessar que quase vim a falecer. O que é aquela tuba, penetrando as memórias, atravessando as emoções?

Mas pode ficar melhor na passagem para a “The Last Battle” (FFV), que toca na segunda metade da última batalha. Os metais se destacam no trecho mais fantástico da melodia, enquanto as cordas começam a tocar a… “The Decisive Battle” do FFVI! Há até um solo de piano, posteriormente acompanhado pela flauta, quando os metais voltam a tomar conta. Eis que surge…

A “Those Who Fight”, tema de combate normal do FFVII, já foi arranjada várias vezes, inclusive em versões melhores do que esta (como nas rendições com coral no Symphonic Fantasies e Symphonic Odysseys), mas o que importa? É arrepio atrás de arrepio. Depois de tanta empolgação, o medley dá uma esfriada com uma versão anticlimática da “Force Your Way”, tema de batalha de chefe do FFVIII, que começa no solo de piano e ganha o acompanhamento da orquestra e ficou… calmo demais. Em vez de entrar a 200 km/h e aproveitar o piano para tocar a introdução, essa parte começa a 20 km/h e termina a uns 50 km/h. Soa tão fora da rota que a seguinte já recupera a empolgação: a “Battle 1″, dos combates normais do FFIX. Daí a seguinte, meu amigo, foi um choque equiparável ao ouvir os temas 16-bit: a “Otherworld” do FFX! As guitarras e o vocal da canção heavy metal adaptadas para os metais da orquestra. Verdadeiramente chocante.

Mais uma nova desaceleração acontece com a “Awakening” do FFXI, que adquire mais empolgação com a entrada da percussão e as cordas afiadas. Na sequência, temos a redenção de Hitoshi Sakimoto com a “Boss Battle” do FFXII, mas, infelizmente, esse trecho não pega o tema por inteiro, deixando a parte que considero a melhor, de fora, para privilegiar a transição para a “Blinded by Light” do FFXIII, que não impacta como as demais por já ser orquestrada na trilha original, embora tenha uma ênfase maior nos metais.

O que deveria vir agora é um tema do FFXIV, certo? Só que de maneira picareta, pelo que li no fórum do VGMdb, essa repetição da “Prelude” é considerada a homenagem ao FFXIV. Aparece o logo de cada jogo em cada tema quando o Blu-ray é reproduzido, e nessa hora aparece o logo do MMORPG. Esses grandes momentos compensam os pontos baixos do medley e, por que não do álbum todo, deixando a impressão geral positiva.

Final Fantasy Orchestral Album: o Blu-ray de áudio comemorativo de 25 anos da série

Final Fantasy Orchestra Album
Por Alexei Barros

Com o aniversário de 25 anos de Final Fantasy, qualquer fã acostumado com as tradições fantasiosas estranharia a ausência de álbuns e concertos relacionados à série. Bom, espetáculo, especial mesmo, vai ser ano que vem com o Final Symphony. Mas a série FF é tão grande que tem o luxo de receber outra comemoração de uma frente diferente: a dos responsáveis pela turnê Distant Worlds, equipe liderada pelo maestro Arnie Roth.

Desta vez, o pessoal exagerou: em vez de um CD, o Final Fantasy Orchestra Album, disco que celebra o ¼ de século da série, é um ignorante Blu-ray de áudio que sai hoje, dia 26 de dezembro, no Japão. A edição limitada vem com um vinil, que contem cinco faixas já presentes no Blu-ray. Além de, evidentemente, permitir mais do que 74 minutos de música, o álbum conta com a estúpida qualidade 24bit/96kHz para contemplar a performance da FILMharmonic Orchestra Prague, conhecida pela participação na série alemã de concertos Symphonig Game Music Concert em Leipzig.

De nada isso tudo ia adiantar se a track list não fosse interessante. Bom, eu diria que é parcialmente interessante. Lamentável que, das 23 faixas, 18 sejam meros repetecos já registrados, inclusive, nos dois álbuns em estúdio Distant Worlds e no DVD Returning Home. Espero que, com a desculpa da melhor qualidade, seja a última oportunidade em que haverá músicas como “One-Winged Angel” e “Eyes on Me”. Já deu, né? A segunda canção, aliás, será gravada pela cantora Crystal Kay, que é filha de americano com uma coreana. Além da discografia como cantora J-pop, a artista já gravou temas de Pokémon e Fullmetal Alchemist. Não entendi bem o motivo, mas essa música tem, no arranjo, creditado o nome do Tsutomu Narita, tecladista da Earthbound Papas, então é provável que a partitura tenha sido modificada. Outro número requentado é a ópera do FFVI, que também traz o crédito do Narita. Pelo que vi nos vídeos, agora a ópera tem… narração, recurso que esteve presente na versão dos Black Mages. É, fazer o quê….

Já as cinco restantes, as inéditas em álbuns orquestrados de Final Fantasy, são promissoras, embora menos impactantes para quem acompanhou a sequência de posts da apresentação da turnê em Londres. “The Dreadful Fight” (FFIV), “The Mystic Forest” (FFVI), “The Dalmasca Eastersand” (FFXII), todas já publicadas aqui, recebem versões em estúdio para plena apreciação. Somadas a essas três, temos a “Unfulfilled Feelings” (FFIX), que, pelo que me consta, jamais foi tocada ao vivo por concertos antigos e pela turnê Distant Worlds, aparecendo agora em um arranjo do Hiroyuki Nakayama. Completando a conta, há outro segmento não executado: o “Battle Medley 2012”. O detalhe é que essa miscelânea vai do FFI ao FFXIV, passando por músicas do Nobuo Uematsu, da Kumi Tanioka, do Masashi Hamauzu e até do Hitoshi Sakimoto. Morri!

Todas as 23 faixas do álbum podem ser parcialmente apreciadas nos samples do site, e a “Battle Medley 2012” (a última da lista) já mostra a que veio, pegando o trecho da “The Decisive Battle” (FFVI), seguida pela “Those Who Fight” (FFVII), que mesmo após as rendições do Symphonic Fantasies e do Symphonic Odysseys, conseguiu me cativar de novo.

Ouça os samples aqui. Veja no VGMdb a track list completa e, abaixo, o vídeo promocional.

“The Mystic Forest” – Final Fantasy VI (Distant Worlds 2012 em Londres)

Por Alexei Barros

Completando o trio de adições inesperadas e bombásticas da turnê Distant Worlds em Londres, a Royal Philharmonic Concert Orchestra tocou também a fantasmagórica “The Mystic Forest” do Final Fantasy VI. A mesma faixa esteve presente na suíte da série no Symphonic Fantasies no arranjo de Jonne Valtonen que também contou com a participação assombrosa do coral – por isso, muitos consideraram essa abordagem uma reminiscência da suíte de Secret of Mana apresentada no mesmo concerto que trazia essa característica peculiar, considerando que a original não sugere vozes.

Desta vez, o arranjo instrumental, sem participação do coral, é obra de Hiroyuki Nakayama, que entre tantas releituras e performances para coletâneas de piano, já orquestrou músicas do Nobuo Uematsu nas trilhas originais do Blue Dragon e Lost Odyssey. A flauta faz a vez do timbre dominante da sintetizada com maestria, enquanto as cordas ajudam a sustentar o ambiente atmosférico. Sutis intervenções das madeiras também deixam o clima mais assustador neste competente arranjo.

“The Dreadful Fight” – Final Fantasy IV (Distant Worlds 2012 em Londres)

Por Alexei Barros

Espera aí: então quer dizer que no mesmo concerto em que finalmente foi tocada uma música do Hitoshi Sakimoto no Distant Worlds, do nada estreou um novo arranjo de uma música da era do SNES? Sim, e do Final Fantasy IV ainda por cima, talvez o jogo com a trilha de maior qualidade menos homenageada da série.

Depois que três faixas do RPG foram arranjadas no Orchestral Game Concert, somente a “Theme of Love” apareceu no 20020220, época em que a maioria dos fãs já clamava por mais faixas do FFVII. Esse descaso melhorou um pouco em 2011, quando o Press Start 2011, em comemoração dos 20 anos do jogo, executou um medley que ainda não me conformo de não ter ouvido; e em breve alusões no terceiro movimento no concerto para piano de FF no Symphonic Odysseys. Em ambas as situações, esteve presente a “The Dreadful Fight”, tema de chefe imbatível do qual não consigo me cansar.

Essa mesma faixa milagrosamente foi tocada no Distant Worlds em Londres, agora em um segmento todo voltado para ela, com o arranjo da novata Rika Ishige. O fato de termos uma arranjadora nata e não o próprio maestro Arnie Roth, como no caso da faixa do FFXII, garantiu que a releitura não fosse uma simples adaptação dos timbres para instrumentos de orquestra, mas um arranjo mesmo, que não tem a pretensão de seguir os passos da original. Ainda mais uma música curta como a “The Dreadful Fight”, que tem apenas 1 minuto e 39 segundos, sobrando tempo para diferentes interpretações na peça.

Com participação contundente da percussão e dos metais, a performance começa bombástica, apresentando também um naipe de cordas refinado. Antes de o primeiro looping completar, aos cerca de 54 segundos do vídeo, o clima da uma acalmada para, aos 1:12, voltar com tudo. Essa dinâmica continua até 2:20, momento em que a outra metade da faixa finalmente dá o ar da graça, seguido por novas alternâncias entre momentos calmos e nervosos. Um arranjo muito bom, mas talvez preferisse um mais tradicional no estilo do Shiro Hamaguchi.


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