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Distant Worlds: turnê fará a estreia mundial de Final Fantasy XIV

Final Fantasy XIV
Por Alexei Barros

Quando a turnê Distant Worlds: music from Final Fantasy foi revelada em 2007 minha empolgação beirava o zero. No entanto, aos poucos, o produtor executivo, diretor musical e maestro Arnie Roth e o Nobuo Uematsu estão deixando a excursão mundial cada vez mais interessante.

A apresentação em Chicago, EUA, marcada para o dia 12 de dezembro, já estava anotada na minha agenda porque marcará os debutes de “Dancing Mad” e “J-E-N-O-V-A” com arranjos do próprio Arnie Roth. Aliás, olha o que ele deixou escapar em recente entrevista ao site polonês GameMusic.net: “Nobuo Uematsu está me instigando a fazer um terceiro [arranjo], no entanto. Ele quer também a “Clash on a Big Bridge”, mas vamos ver (risos)”. Bom saber que se os fãs não a escolhem, Uematsu faz uma força para que seja orquestrada. Com certeza a vontade aumentou depois de ver o arranjo do Jonne Valtonen da música na suíte “Fantasy IV (Final Fantasy)” (09:18 a 11:17) do Symphonic Fantasies.

Não bastassem as duas novidades e a possibilidade de uma terceira, foi revelado que será executada uma música nunca antes ouvida (por isso, suponho que não é o tema do trailer da E3 2009 e nem o da TGS 2009) do MMORPG Final Fantasy XIV. Não faço ideia quem seja o arranjador, se o Shiro Hamaguchi, como foi no passado, ou o Hiroyuki Nakayama, como tem sido nos trabalhos recentes – o mais provável.

Repete o que aconteceu com os temas de Blue Dragon e Lost Odyssey tocados no PLAY! A Video Game Symphony antes de os jogos chegarem ao mercado e da “Kiss Me Good-Bye” do Voices: music from Final Fantasy, executada um mês antes (fevereiro de 2006) de Final Fantasy XII sair no Japão (março de 2006). Falando no PLAY!, a orquestra e o local serão os mesmos do espetáculo de debute em 2006: a Chicagoland Pops Orchestra no Rosemont Theatre. O Elmhurst College Concert Choir também acompanhará a performance, que ainda terá as participações da banda Chicago Mages e da cantora Susan Calloway. Mais de 100 pessoas estarão no palco.

Mas sou chato e vou ver o lado ruim: só por que o Nobuo Uematsu voltou para o papel de compositor em FFXIV vão pular as músicas do FFXII (fora a “Kiss Me Good-Bye”) e do FFXIII? Imaginava que o fato de uma faixa não ser dele automaticamente excluía a possibilidade de aparecer na turnê Distant Worlds. Não necessariamente. “Estamos pensando se podemos trazer mais compositores. Só tivemos músicas do Nobuo Uematsu até agora, mas não esgotamos o seu catálogo ainda. As pessoas ainda querem mais dele”, diz Arnie Roth na mesma entrevista supracitada. “Mas você tem razão, há muitos outros compositores ligados à franquia Final Fantasy. Trabalhei com alguns deles anteriormente, em outros concertos. (…) Não estou tentando dizer ‘não’ para os outros”.

Não poderia concordar mais.

[via Distant Worlds]

A canção-tema e as quatro novas músicas do site oficial de Final Fantasy XIII

Final Fantasy XIII

Por Alexei Barros

As novidades da parte musical de Final Fantasy XIII não param de aparecer em decorrência da iminência do lançamento do jogo. A expectativa só aumenta…

Em recente nota em seu blog, o compositor Masashi Hamauzu revelou que a trilha sonora conta com performance da Warsaw National Philharmonic Orchestra, que tem um currículo considerável de jogos japoneses, como Suikoden II, Ominusha 3, Ace Combat V: The Unsung War, Phantasy Star Universe e Ragnarok Online II. Além da popularidade entre compositores nipônicos, Hamauzu comentou que a orquestra polonesa foi usada em doramas (novelas) e animes, e se especializou nas músicas de Karol Szymanowski.

No que se refere à gravação, os engenheiros e o maestro compreenderam rapidamente o que os japoneses ambicionavam, e o regente achou as músicas empolgantes e muito intensas.  Yoshihisa Hirano (Dirge of Cerberus), que cuidou da orquestração, disse que a gravação não foi muito fácil. De volta ao Japão, os responsáveis pela trilha ficaram satisfeitos com o resultado. O trabalho principal está cumprido, mas falta Hamauzu definir as ordens das faixas, o que é uma tarefa complexa dado o grande volume de músicas, e escrever as liner notes do álbum que sai dia 27 de janeiro.

Ademais, o site oficial trouxe quatro novas composições (os nomes abaixo não são os oficiais), devidamente separadas e comentadas abaixo. Também já é possível ouvir a versão completa da canção-tema com a voz da Sayuri Sugawara.

- “Kimi ga iru kara”

O single Kimi ga iru kara só sairá no dia 2 de dezembro, mas uma figura solidária ripou a faixa de uma transmissão de rádio, e um usuário do fórum do SEMO tratou de avisar a boa notícia. Para completar, o Fabão não se contentou em transcrever a letra da canção para o alfabeto romano, como a verteu para português no Gamer Lifestyle.

Genérica é um termo forte, porém achei a canção apenas OK. É uma balada J-pop à moda de Nobuo Uematsu, só que a composição foi feita pelo Masashi Hamauzu, que poderia ter ousado um pouco mais – se bem que ele deve ter sido impelido pelos produtores a escrever uma música nos moldes dos temas anteriores.

- “Battle Theme (Piano & Strings)”

Lembra-se do “Battle Theme”? Das conhecidas, é uma das músicas mais marcantes até agora, que ficou sublime nessa versão mais tranquila, salientando as notas no piano e a singeleza das cordas. Se o álbum Vielen Dank tivesse faixas do FFXIII o arranjo ficaria muito perto disso.

- “Valliant”

Uma música que remete ao estilo característico do Hayato Matsuo, com ênfase na percussão ditando o compasso da orquestra. Transmite tensão, nervosismo.

- “Patriotic (Variation)”

Minimalista a princípio, a faixa começa de fato a partir de 1:30, com as cordas majestosas reproduzindo uma melodia lindíssima, até o minimalismo retomar a música.

- “Chocobo Theme”

Por favor me responda: o que é esse tema do Chocobo? Não sei nem se a composição será creditada ao Nobuo Uematsu, porque é uma injustiça dar somente o crédito de arranjo ao Hamauzu. Ele simplesmente reinventou a música. Guiada por uma levada jazzística ainda mais inspirada que a “Brass de Chocobo” do Final Fantasy X, a percussão e os trompetes soam maravilhosos. A melhor versão da faixa dos Chocobos.

Extremamente grato ao Fabão pela tradução das informações.

“Sound of Wind” – Final Fantasy Crystal Chronicles (Games in Concert)

Final Fantasy Crystal Chronicles
Por Alexei Barros

Como cansei de falar por tantas oportunidades, é muito raro ver em concertos músicas de Final Fantasy que não sejam do Nobuo Uematsu. Se já é difícil com composições do Hitoshi Sakimoto ou Masashi Hamauzu da série principal, imagina os spin-offs.

Logo no primeiro Games in Concert em 2006 os holandeses tiveram a ousadia de colocar a onírica canção de abertura do Final Fantasy Crystal Chronicles do GameCube assinada pela Kumi Taneoka. A “Sound of Wind” (originalmente intitulada “Kaze No Ne”) na versão japonesa tem a voz da Yae Fujimoto, enquanto a “Sound of Wind (English Version)” americana é interpretada pela cantora australiana Donna Burke. O melhor é que a faixa foge do padrão de baladas pop de Final Fantasy seguido até por faixas que não são do Uematsu, como a “1000 Words Orchestra Version” escrita pela dupla Noriko Matsueda e Takahito Eguchi e tocada no Beginning of Fantasy.

Como sempre, impressiona a aptidão da Metropole Orchestra seja qual for o estilo executado. Harpa e violão na introdução são exímios, bem como baixo elétrico, bateria e percussão. Mas quem comanda mesmo é a amazona Floor Jansen, vocalista da recém-extinta banda de metal holandesa After Forever. Ouvi outras atuações dela, e é incrível a sua versatilidade porque consegue cantar tanto no pop quanto no erudito com semelhante aptidão. Uma outra moça, que não consegui identificar, ainda faz o contracanto. Não por menos, para mim, a performance ao vivo  ficou melhor do que a versão do jogo em inglês e quiçá em japonês por ser mais animada.

O link do Goear provém da transmissão do rádio, e abaixo há também um vídeo do ensaio. Não causa surpresa que tenha cantado tão bem: cerca de dois meses antes dessa gravação ela recebeu a música em MP3 do arranjador Martin Fondse para ouvir reiteradas vezes no iPod.

- “Sound of Wind” (Final Fantasy Crystal Chronicles, Games in Concert)

Final Fantasy XIII Original Soundtrack anunciada

Final Fantasy XIII Original Soundtrack
Por Alexei Barros

Lançamento que já era esperado e finalmente foi confirmado: Final Fantasy XIII Original Soundtrack, trilha sonora original de FFXIII. Quando? Dia 27 de janeiro de 2010 em duas versões. No Japão, o jogo chega ao PlayStation 3 em 17 de dezembro de 2009.

A primeira tiragem, de número de catálogo SQEX-10178~82 (foto), incluirá embalagem especial, livro de artes de 32 páginas e o CD drama “FINAL FANTASY XIII Episode Zero-Promise-Story01-ENCOUNTER-”, que contém a versão narrada da novelização que está sendo publicada no site oficial, com a participação dos dubladores do jogo e roteiro de Kazushige Nojima e Motomu Toriyama. Custará 5250 ienes (quase 99 reais, ignorando impostos), ao passo que a versão normal, de catálogo SQEX-10183~86, sairá por 3990 ienes (75 reais) com quatro discos ao todo. Antes, dia 2 de dezembro, será publicado o single Kimi ga iru kara, com as duas canções interpretadas pela Sayuri Sugawara: “Kimi ga iru kara” e “Eternal Love”.

Desta vez a trilha não trará nenhuma composição inédita do Nobuo Uematsu, que concentra todos os seus esforços nas músicas de Final Fantasy XIV. Como se sabe, Masashi Hamauzu assumiu o encargo e pelas amostras do site, da demo e da FFXIII Premiere Party tem tudo para ser um dos maiores trabalhos dele, quem sabe ombreando ou até superando Unlimited SaGa.

Grato ao Fabão pela confirmação das informações.

[via Neowing]

“At Zanarkand” – Final Fantasy X (Muta)

Por Alexei Barros

Há algumas semanas travei uma ferrenha discussão sobre o uso do saxofone com o fezones, e é provável que ele aproveite o vídeo abaixo como argumento a favor. A verdade é que piano e saxofone foram feitos um para o outro no que se refere a músicas melosas. O emocionante solo de piano “At Zanarkand” teve a dramaticidade aumentada com o aditivo do envolvente sax soprano do Muta em mais uma performance amadora de alta qualidade. Encantador.

“Fighting ~ Bombing Mission” – Final Fantasy VII (VGO Chamber Group @ Anime Boston)

Por Alexei Barros

No dia 23 de maio a Video Game Orchestra Chamber Group realizou o seu mais recente show, e coincidentemente tocou as mesmas músicas do Final Fantasy VII selecionadas para a suíte “Fantasy IV “(Final Fantasy)” do Symphonic Fantasies: “Fighting” e “Bombing Mission”. Seria até injusto comparar não só porque esses dois excertos são, repito, um dos melhores arranjos que ouvi na vida (em especial o primeiro), como são propostas completamente diferentes.

Fico estarrecido ao constatar que a “Fighting”, sobretudo por ser do mais popular episódio da série, nunca foi arranjada pelos Black Mages. Em relação àquela “Fighting” tocada pela VGO Chamber Group no IGC East, há as implementações de duas guitarras, teclado (no lugar do piano) e bateria (baixo elétrico já tinha) na companhia das cordas e das madeiras. A maior novidade é a inclusão da “Bombing Mission”, essa sim relida pelos Black Mages no The Black Mages III Darkness and Starlight junto com a música de abertura: “Opening ~ Bombing Mission”. A transição para uma e outra é feita de maneira muito natural (1:12 a 1:15), e no geral o medley ficou coerente por reunir duas faixas aceleradas, de ação. Pena que aparentemente a acústica do local não é das melhores.

“Fighting” ~ “Bombing Mission”

Os destaques musicais da Final Fantasy XIII Premiere Party

Final Fantasy XIII Premiere Party

Por Alexei Barros

Aconteceu há tanto tempo que até dá vergonha de voltar a falar. Mas ao menos a demora foi o suficiente para informações serem confirmadas e o trailer divulgado. No dia 8 de setembro aconteceu em Tóquio, Japão a Final Fantasy XIII Premiere Party para maiores novidades referentes ao lançamento que no Japão acontecerá dia 7 de dezembro. Provável que já nesse ano seja publicada a Original Soundtrack. Aqui no Brasil aconteceu às 7 horas da manhã, e se soubesse que haveria novidades das músicas – não só novidades, mas uma apresentação – também acordaria mais cedo.

Como a princípio toda a trilha seria do Masashi Hamauzu e a canção assinada pelo Nobuo Uematsu, logo chamou a atenção a ausência do segundo no evento. Porém, o SEMO confirmou com o compositor em entrevista feita na Alemanha em decorrência do Symphonic Fantasies que ele não mais participará de Final Fantasy XIII, tornando-se o primeiro jogo da série principal (FFX-2 conta?) sem faixas novas de Uematsu – como no FFXII, acho pouco provável que sejam ignorados os temas icônicos “Prelude”, “Final Fantasy”, “Chocobo!” e “Fanfare”. De acordo com o diretor da Dog Ear Records, Hiroki Ogawa, Uematsu decidiu deixar a trilha inteira a cargo do Hamauzu depois que ele foi escalado para o FFXIV, que será o seu primeiro trabalho solo desde FFIX. Com isso, tenho quase certeza de que jamais haverá FFXIII em uma apresentação da série se prevalecer a tradição do monopólio do Uematsu. Nunca ouviremos versões ao vivo de obras-primas como o concerto para piano “Decisive Battle” (FFX).

Sayuri SugawaraHamauzu então compôs duas canções para o jogo: “Kimi ga Iru Kara” (“Because You Are” em inglês) e “Eternal Love”, ambas cantadas pela pouco conhecida artista J-pop Sayuri Sugawara, que escreveu as letras juntamente com a Yukino Nakajima. O musicista sin fez o arranjo. O single com as canções está programado para sair dia 2 de dezembro.

Em relação ao restante, Hamauzu completou a maior parte da trilha no ano passado. Como a mixagem, arranjo, orquestração e gravação foram terceirizados, foi possível que ele composse de 20 a 30 músicas por mês, um feito e tanto. O site do compositor Yoshihasa Hirano revelou que foram gravadas performances da Warsaw Symphony Orchestra na Polônia. Embora não tenha sido confirmado, é provável que Hirano repetiu a participação no Dirge of Cerberus: Final Fantasy VII.

Na FFXIII Premiere Party, a “Kimi ga Iru Kara” foi tocada na hora e outras faixas orquestradas com um grupo de cerca de 30 instrumentistas. Nenhum relato lista detalhadamente quais músicas foram tocadas e, para piorar, todos os registros estão picotados – como odeio isso. Mas também do que reclamo, esse tipo de apresentação não costuma ser gravada. Sei que há outros, mas me concentrei em três vídeos: o primeiro com panorama geral, o segundo com a performance completa da “Boss Battle” e o outro com o trailer revelado na TGS 2009, já com outras músicas e a amostragem da canção-tema.

Flashes da apresentação

Tema de chefe

Trailer da TGS 2009

Agradecimentos ao Fabão por muitas das informações aqui publicadas.

[via Square Enix, SEMO e 4Gamer.net]

Symphonic Fantasies: as fantasias que se tornam realidade

Symphonic Fantasies
Por Alexei Barros

Era bom demais para ser verdade. Um concerto exclusivo da Square Enix com arranjos 100% inéditos presenciado por quatro dos principais compositores nipônicos que passaram pela empresa na Alemanha. Transmitido para todo o mundo ao vivo via streaming em áudio. Em vídeo. Gratuitamente. Parecia uma fantasia ensandecida demais para ser verdade, e de fato foi no dia 12 de setembro de 2009.

Symphonic FantasiesUm ano antes, em setembro de 2008, a ideia do Symphonic Fantasies foi levada à Square Enix pelo produtor Thomas Boecker, como terceira parte do acordo inicial com o administrador da WDR Radio Orchestra, Winfried Fechner, para a realização de três concertos de games que fossem únicos e distintos dos outros espetáculos. O primeiro, PROMS That’s sound, that’s rhythm (fevereiro de 2008), que mesclou música erudita com Castlevania, Shenmue, Grand Monster Slam e Final Fantasy VIII serviu mais de teste. Era a primeira vez que a WDR Radio executava game music. O segundo, Symphonic Shades (agosto de 2008), prestou homenagem ao compositor alemão Chris Huelsbeck, e o terceiro, Symphonic Fantasies, ofereceria tributo a uma produtora, Square Enix. O sucesso foi tamanho que um novo concerto já foi anunciado para setembro de 2010. A princípio, o Symphonic Fantasies coincidiria com a Gamescon, que acabou passando para os dias 19 a 23 de agosto, deixando o concerto sem o apoio de um grande evento de games. Nem precisava. Ainda em novembro de 2008 ocorreu a revelação, ainda que vaga, e em janeiro de 2009 a confirmação de que as séries Mana, Chrono, Final Fantasy e Kingdom Hearts seriam as selecionadas, e que três compositores (quatro no final das contas) viriam especialmente para a ocasião.

Surpreende que nunca tenha acontecido um concerto da Square Enix no Japão, apenas com apresentações exclusivas de Dragon Quest e Final Fantasy, que estiveram juntas na série Orchestral Game Concert no início da década de 1990, ironicamente quando Square e Enix eram separadas. Por isso, SaGa raramente aparece. Nunca existiram performances em concertos profissionais de Front Mission, Xenogears e Vagrant Story. Das séries de outros estúdios que a produtora faz a publicação, como Star Ocean e Valkyrie Profile da tri-Ace, e Grandia da Game Arts, idem.

Voltando para a Alemanha, as escolhas do quarteto foram baseadas na popularidade local. Isso explica porque a suíte de Mana ficou restrita à Secret of Mana – Seiken Densetsu 3, como o nome mostra, não teve versão em inglês, e Legend of Mana nem foi lançado na Europa. Chrono Cross também não, é verdade, mas o jogo foi poderoso o bastante para superar qualquer deficiência de localização. E sabe quando Chrono Trigger foi lançado oficialmente na Europa? Em 2009! Só agora, na versão de DS.  Se Final Fantasy por si só justifica uma apresentação própria, estaria lá para sustentar as outras séries que não tem a mesma representatividade. Por mais que Kingdom Hearts, Mana e Chrono sejam conhecidas, sozinhas não garantiriam concertos exclusivos fora do Japão – em termos de público mainstream, não de fartura musical, é claro.

Definidas as séries, me intrigava o porquê das músicas não terem sido anunciadas se não no começo, nos próximos meses após a revelação. Resposta: o formato das suítes. “Esse tipo de abordagem aberta se tornou impossível anunciar as músicas de início – simplesmente porque nós nunca podíamos falar se certas músicas planejadas realmente fariam parte do arranjo ou não”, afirma Thomas Boecker. “Nós queríamos total liberdade – e não nos sentiríamos confortáveis em colocar certas músicas simplesmente porque um anúncio antecipado nos obrigaria a fazê-lo”.

Jonne ValtonenLevando em consideração a maioria das favoritas dos compositores, as faixas foram escolhidas imaginando a ordem em que seriam apresentadas em cada suíte, sempre com espaço para alterações. “Durante o desenvolvimento você percebe que as mudanças fazem sentido – e que a ideia original poderia ter sido boa, mas há soluções melhores”, diz. Para o arranjo e a orquestração das músicas, o produtor escalou o finlandês Jonne Valtonen, que teve seis meses para completar a tarefa de grande responsabilidade, afinal mexeria com algumas das mais geniais composições de game music. Ele fez a maior parte do exaustivo trabalho, e nos segmentos de Chrono Trigger & Cross e Encore recebeu o amparo de Roger Wanamo, também da Finlândia.

O principal diferencial das suítes do Symphonic Fantasies é que não foram pensadas como medleys convencionais, que possuem uma sequência lógica em que uma música acaba e inicia a outra. Ao longo da peça há diversas interpretações de uma mesma faixa em diferentes momentos, o que exige muito mais criatividade. As músicas não foram simplesmente amontoadas e socadas para caber o máximo possível em segmentos de 17 minutos, mas sim houve um trabalho em cada faixa, com variações na instrumentação e no ritmo que são muito mais complexos do que a maioria das orquestrações que primam pela literalidade. Tudo isso exige um número de ensaios maior (em torno de 14 dias cheios), que o convencional, e só foi possível porque houve tempo suficiente que normalmente inexistiria, por exemplo, em uma turnê de concertos de games com agenda apertada. Também dependeu muito da qualidade suprema da WDR Radio Orchestra e do WDR Radio Choir, que totalizam mais de 120 pessoas (cerca de 80 da orquestra e 40 do coral), em perfeito entrosamento com o experiente maestro Arnie Roth, que considerou o Symphonic Fantasies o concerto mais difícil que regeu.

As cerca de 2000 pessoas que assistiram in loco no Philharmonic Cologne Hall tiveram a oportunidade de pegar autógrafos de Nobuo Uematsu, Yasunori Mitsuda, Yoko Shimomura e Hiroki Kikuta. Não é todo dia que se vê o quarteto reunido, principalmente porque hoje todos não trabalham mais na Square Enix. O vídeo abaixo mostra uma fração da experiência do Symphonic Fantasies antes da apresentação. De acordo com a organização do local, nunca houve tantas pessoas numa sessão de autógrafos, e foi elogiado o comportamento sereno dos fãs, sem quaisquer gritos ou escândalos. Além dos compositores, é possível ver em certo momento, próximo de Uematsu, o diretor da Dog Ear Records, Hiroki Ogawa, conversando com o produtor Thomas Boecker.

Ainda é difícil acreditar que a apresentação preparada com capricho durante tanto tempo foi transmitida pela internet – pude ver na melhor qualidade, de banda larga, sem nenhum tropeço na conexão. Geralmente os concertos de games demoram meses para o lançamento em CD ou DVD, isso quando são lançados. As três câmeras da WDR captaram os instrumentistas e coristas em todos os detalhes, com um senso artístico nos enquadramentos que seria difícil de imaginar que não era um DVD. Tem um errinho aqui, outro acolá, mas, puxa vida, era ao vivo, e se esvaem diante de toda a experiência. Incrível ver os compositores na plateia, em especial Hiroki Kikuta, que nunca havia acompanhado antes uma performance orquestrada de uma música dele, e estava fora dos holofotes, compondo trilhas para jogos hentai dos mais obscuros no ocidente.

Nobuo Uematsu foi o compositor mais ovacionado do quarteto

Depois da extensa introdução, os comentários após o Hadouken sobre cada suíte com links para a essencial apreciação no Goear (ininterruptamente) e YouTube (dividido) . Alerto que quando cito o tempo das músicas me refiro ao contador do Goear.

Continue lendo ‘Symphonic Fantasies: as fantasias que se tornam realidade’

O inacreditável concerto pró-amador de Final Fantasy VI

Little Jack Orchestra

Por Alexei Barros

Tem tanta coisa acontecendo e nem estou dando conta de falar de tudo. Aos poucos tentarei colocar em dia…

Porque não podia passar batido o concerto de Final Fantasy VI da Little Jack Orchestra ocorrido no dia 23 de agosto em Yokohama. Fiquei surpreso que essa apresentação recebeu uma atenção maior entre a seara de fãs hardcore de game music do que o costumeiro. Veja você,  há dois relatos em inglês. Os espetáculos anteriores eram cerceados ao público nipônico local, e quando muito se viam descrições somente nos blogs japoneses.

Embora a Little Jack seja amadora, dois fatores praticamente gabaritam o profissionalismo da orquestra, excetuando o fato, é claro, que o evento não tem o aval da Square Enix. Primeiro, o próprio Nobuo Uematsu assistiu a apresentação. Ele não apareceria lá por qualquer porcaria. E outra: tudo aconteceu no Minato Mirai Hall, casa de espetáculos que já abrigou um concerto oficial da série, a apresentação de estreia da turnê Tour de Japon – music from Final Fantasy. O local ostenta um órgão da marca americana C.B. Fisk que possui nada menos do que 4.623 tubos para tremer as paredes com o som poderoso, como aconteceu em “Opening Theme” e “Dancing Mad”.

Pelo que li, a performance não foi 100% perfeita, normal em se tratando de amadores, mas é algo especial ouvir as músicas tocadas por instrumentistas que conhecem o jogo e gostam delas sobremaneira, de acordo com as próprias palavras do Uematsu ao fim do evento. Os arranjos procuraram imitar às originais, sem grandes arroubos, baseando-se nos timbres simulados nas sintetizadas. As cordas foram as que mais impressionaram.

Little Jack OrchestraJá que foram pontuais as vezes em que as faixas de Final Fantasy VI foram arranjadas em concertos profissionais (a mais recente delas, “The Mystic Forest”, no Symphonic Fantasies), a maioria ainda possui um teor nostálgico valioso pelo ineditismo – aquela sequência de temas de combate do quarto segmento é mancada. Como não poderia deixar de ser, a “Ending Theme” orquestrada foi uma das mais aclamadas com os seus 21 minutos em todo o seu esplendor. Se apenas com aquele conjunto de cordas Nico Nico Quartet a performance da “Ending Theme” foi soberba, imagino então com toda a instrumentação de uma orquestra. Seria difícil resistir até o fim, infartando em cada lembrança dos temas dos personagens.

Se não bastasse tudo isso, a Little Jack tocou no bis um trio de músicas sem relação com FFVI: “Roaming Sheep”, do álbum Final Fantasy 1987 – 1994 – a canção originalmente está na “Montage” do CD arranjado Final Fantasy III Legend of the Eternal Wind – em versão instrumental; “Waterside ~for Piano and Orchestra~”, o que mostra que Blue Dragon tem certo reconhecimento no Japão, e no final de tudo um segmento do FFIV com “Golbeza Clad in the Dark”, claro que no órgão de tubo, e “The Dreadful Fight”, que sempre clamou para ser orquestrada. Pouco sensacional.

E as gravações do concerto, você deve se perguntar. De acordo com o Adam Corn, em seu relato no Soundtrack Central: “havia gravações em vídeo e sem dúvidas gravações em áudio…”. Essa é a razão para procurar por “Little Jack” no Nico Nico Douga quase que diariamente. Mas levando em conta que nunca surgiu um vídeo dos concertos anteriores (este é o sexto), não sei se será dessa vez que aparecerão registros.

Para outubro de 2010 já foi confirmado o sétimo concerto anual da Little Jack Orchestra com… adivinha, um dos jogos preferidos das orquestras pró-amadoras:  Chrono Trigger!

Set list:

01 “Opening Theme” ~ “Terra’s Theme”
02 “Battle Theme” ~ “Fanfare”
03 “Kids Run Through the City Corner”
04 “Kefka” ~ “Save Them!” ~ “The Decisive Battle” ~ “The Fierce Battle”

Intevalo I

05 “The Wedding Waltz ~ Duel” ~ “Grand Finale?”
06 “The Mystic Forest” ~ “Rest in Peace” ~ “Epitaph” ~ “Searching for Friends”

Intervalo II

07 “Dancing Mad” ~ “Ending Theme”
08 “Prelude”

Bis

09 “Roaming Sheep” (Final Fantasy III)
10 “Waterside ~for Piano and Orchestra~” (Blue Dragon)
11 “Golbeza Clad in the Dark” ~ “The Dreadful Fight” (Final Fantasy IV)

[via Soundtrack Central, OSV]

Lembrete: Symphonic Fantasies – music from Square Enix

Hiroki Kikuta, Yoko Shimomura, Nobuo Uematsu, Yasunori Mitsuda

Por Alexei Barros

A foto acima bem que poderia ter sido tirada no Japão, mas não, foi na Alemanha. A essa altura, já aconteceu no König Pilsener Arena na cidade de Oberhausen a primeira apresentação do Symphonic Fantasies – music from Square Enix. Porém, a principal é a que ocorrerá amanhã às 20 horas locais (15 horas aqui no Brasil) no Cologne Philharmonic Hall, em Colônia. Se é que ainda é preciso lembrar, o concerto será transmitido em vídeo via streaming pela internet. E também pelo rádio, caso a sua conexão não seja muito boa.

O quarteto fantástico de compositores Hiroki Kikuta, Yoko Shimomura, Nobuo Uematsu e Yasunori Mitsuda estará lá no concerto para presenciar as suítes de Secret of Mana, Kingdom Hearts, Final Fantasy e Chrono Trigger e Cross, cada qual com aproximadamente 17 minutos de duração, contendo somente as respectivas músicas assinadas por eles. Ou seja, não espere por alguma das nove faixas de Uematsu para o Chrono Trigger no segmento de Chrono, os temas principais da Hikaru Utada na peça de Kingdom Hearts ou então qualquer uma do Hitoshi Sakimoto, Masashi Hamauzu e outros que não do Uematsu em Final Fantasy. Todos os arranjos são do talentoso Jonne Valtonen, o principal orquestrador do Symphonic Shades.

Executada pela WDR Radio Orchestra e WDR Radio Choir, que cantará em Secret of Mana e Final Fantasy, a apresentação terá a regência do maestro Arnie Roth. Para complementar a performance, o pianista de apenas 20 anos Benyamin Nuss tocará em Kingdom Hearts e o percussionista Rony Barrak em Chrono Trigger e Cross. De acordo com o produtor Thomas Boecker, Barrak disse a ele que é a peça mais difícil que tocou na vida. Também haverá muitas surpresas – tenho uma vaga ideia do que poderá acontecer…

Até o momento, sabemos apenas quatro músicas de cada suíte, e o restante será revelado na hora. Já fiz uma wishlist das minhas preferidas, e quero comparar depois com as seleções, feitas em parceria com os compositores. E cansei de pensar nas possibilidades e vislumbrar como foram orquestradas. Enfim, mal vejo a hora de assistir e ouvir, já que a primeira vez que li sobre o Symphonic Fantasies foi em novembro de 2008 no SEMO. Haja expectativa!

Abaixo, o set list. Note que cada suíte é intitulada “Fantasy I”, “Fantasy II” e assim por diante:  nada mais apropriado que Final Fantasy terminasse o concerto. Além dos links das originais, também coloco o vídeo, agora no Vimeo, da “Fanfare overture”, composta pelo Jonne Valtonen, que abrirá o concerto.

E não se esqueça de visitar o site oficial para entrar os links da transmissão.

Set list:

01 – “Fanfare overture” (composição original)

02 – “Fantasy I” (Kingdom Hearts)

- “Dearly Beloved” (Kingdom Hearts)
- “The Other Promise” (Kingdom Hearts II Final Mix +)
- “A Fight to the Death” (Kingdom Hearts II)
- “Hand in Hand” (Kingdom Hearts)

03 – “Fantasy II” (Secret of Mana)

- “Angel’s Fear”
- “Into the Thick of It”
- “The Oracle”
- “Prophecy”

Intervalo

04 – “Fantasy III” (Chrono Trigger e Cross)

- “Chrono Trigger” (Chrono Trigger)
- “Scars of Time” (Chrono Cross)
- “Battle with Magus” (Chrono Trigger)
- “Prisoners of Fate” (Chrono Cross)

05 – “Fantasy IV” (Final Fantasy)

- “Prelude” (Final Fantasy)
- “Bombing Mission” (Final Fantasy VII)
- “Clash on the Big Bridge” (Final Fantasy V)
- “The Mystic Forest” (Final Fantasy VI)

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