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“Chrono Medley” – Chrono Trigger e Cross (VGO Chamber Group @ Anime Boston)

Por Alexei Barros

Lembra daquele “Chrono Trigger Medley” da Video Game Orchestra Chamber Group? E dessa “Scars of Time”? Pois então, os dois foram fundidos no show do Anime Boston para a versão definitiva do segmento chronológico da VGO.

Tal qual antes, o “Chrono Trigger Medley ~Orchestra Version~” é utilizado como base. A novidade em relação à apresentação no IGC East é a inserção da guitarra do Shota Nakama, fazendo participações sutis, e do teclado em vez do piano. Não me canso de destacar o uso do baixo elétrico, ausente na orquestração da Natsumi Kameoka, pontuando “A Premonition”“Guardia Millenial Fair” e “Frog’s Theme”. Após o tema “Chrono Trigger”, encaixado muito bem após a “Frog’s Theme”, naturalmente vem a “Scars of Time” sem um trecho da introdução, mas com aquela mesma improvisação feita com sapiência. Performance vistosa, mistura adequada de instrumentos elétricos e acústicos… é mais um medley com o selo de qualidade pró-amadora da VGO.

“Chrono Medley”

“A Premonition” ~ “Guardia Millenial Fair” ~ “Wind Scene” ~ “Frog’s Theme” ~ “Chrono Trigger” (Chrono Trigger) ~ “Scars of Time” (Chrono Cross)

“Chrono Trigger & Cross Medley” – Chrono Trigger & Cross (VGL 2009 em Tóquio)

Por Alexei Barros

Fiquei intrigado nos relatos japoneses (alguns não muito felizes) do Video Games Live em Tóquio que na listagem das músicas do “Chrono Trigger & Cross Medley” havia uma menção à “Battle with Magus”, música que não existia na primeira versão do segmento. Imaginei que a partir de então seria o arranjo tocado nas apresentações posteriores, mas por algum motivo bizarro, essa adaptação foi executada exclusivamente no Japão, já que nos shows em Augusta e na turnê brasileira retornou o medley antigo sem a “Battle with Magus”. Aliás, no Brasil a “Scars of Time” vem sendo tocada com um violão em vez de dois, já que o Jack Wall não veio.

No mais, o medley japonês é, como antes, uma reciclagem da orquestração da Natsumi Kameoka do “Chrono Trigger Medley ~Orchestra Version~”, novamente excluindo a “Guardia Millenial Fair”, o que causa uma passagem violenta entre “A Premonition” e “Wind Scene”. Como na versão anterior, a “Frog’s Theme” é um pouco estendida em relação ao Chrono Trigger Extra, transitando para a supracitada “Battle with Magus”.

Então vem a “Scars of Time”… precisa mesmo que o próprio maestro toque violão? É para chamar a atenção? Parece que funcionou como se notam as palmas, mas é totalmente precário e sem sentido no meu entendimento. Não vejo o menor objetivo. Já comentei isso antes, enfim. Diferentemente da outra versão, o Tallarico não acompanhou no violão como fazia em todo o medley. A bem da verdade, a “Scars of Time” ficou menos pior (não há aqueles excertos irreconhecíveis de antes), apesar da minha birra quanto ao abandono da regência no fim, o que não tira o fato de ser o segundo mais fraco dos medleys de Chrono – o primeiro é o segmento  tocado nos outros países com dois violões e sem a “Battle with Magus”. O que Yasunori Mitsuda, que acompanhou a performance na plateia, deve ter achado?

“Chrono Trigger & Cross Medley”

“A Premonition” ~ “Wind Scene” ~ “Frog’s Theme” ~ “Battle with Magus” (Chrono Trigger) ~ “Scars of Time” (Chrono Cross)

P.S.: Como é bom ver vídeos sem berros tresloucados por tão pouca coisa. Pronto, falei.

A Night in Fantasia 2009: o regresso eminente

A Night in Fantasia 2009
Por Alexei Barros

Depois da ausência em 2008, ano ocupado pela gravação das trilhas de Diablo III, Soulcalibur IV, Valkyria Chronicles e do álbum Echoes of War, a série de concertos australiana A Night in Fantasia retornou neste ano em Sidnei, no Sydney Entertainment Centre no sábado passado, dia 26 de setembro. A despeito de algumas informações desencontradas (Diablo III, Valkyria Chronicles, o anime de The Tower of Druga e a presença de Hitoshi Sakimoto nem se confirmaram como anunciado de início), aparentemente a récita foi caprichada, mesmo porque foi realizada em um único espetáculo.

Do total de 20 executadas, 13 serão lançadas no CD A Night in Fantasia 2009 no dia 12 de dezembro. Muito melhor do que fazer várias apresentações na Austrália e restringir a eminência sinfônica para o público local. Como disse antes, o set list possui mais jogos ocidentais e, muito possivelmente para evitar problemas de direitos autorais, não há músicas de títulos da Nintendo e Square Enix – os direitos autorais da trilha de Chrono Cross são do próprio Yasunori Mitsuda.

Em relação àquela lista de convidados comentada no post anterior do A Night in Fantasia 2009, nada muito sério a acrescentar, senão pela ausência de Steve Jablonsky (Gears of War 2), que não pode comparecer e deixou uma mensagem em vídeo. De resto, Yasunori Mitsuda (Chrono Cross), Masaru Shiina (THE iDOLM@STER), Inon Zur (Dragon Age: Origins e Prince of Persia), Cris Velasco (God of War II), Wataru Hokoyama (Afrika) e Kow Otani (Shadow of the Colossus) estavam lá.

Como os relatos australianos costumam ter o péssimo hábito de não citar nominalmente as faixas tocadas, diferentemente dos blogs e sites japoneses, poderia encerrar por aqui se não fosse por uma gravação da plateia que encontrei de quatro músicas, algumas das que estava mais curioso para ouvir – faltou God of War II, Ace Combat V e Soulcalibur. Não é perfeito, mas audível e permite ter uma ideia dos arranjos – alguns que poderão ser futuramente apreciados no CD em todo o esplendor.

- “Radical Dreamers” (Chrono Cross)
Original: “Radical Dreamers”

Chrono CrossParece até que foi combinado. A faixa selecionada é exatamente uma que não apareceu no antológico “Fantasy III (Chrono Trigger & Cross)” do Symphonic Fantasies, o que demonstra a fartura de músicas de Chrono Cross. Isso que ainda há tantas outras não aproveitadas. A singela canção dos créditos, originalmente apenas voz (da cantora Noriko Mitose) e violão, já havia sido traduzida para violino, violoncelo e piano no evento Destiny Reunion da própria Eminence, e adquiriu maiores proporções no opulento arranjo de Hayato Matsuo. Mais interessante, ele usou o mesmo recurso do Jonne Valtonen ao verter as partes do violão para a harpa. Aos poucos, o tema é repetido e variado, com forte utilização de metais graves e flautas, explodindo até o apogeu, e encerrando de maneira comedida na harpa. Meu veredicto definitivo só poderá ser dado na versão do CD.

- “Shadow of the Colossus”

Shadow of the ColossusVerdade seja dita: o A Night in Fantasia é o concerto que mais rende homenagem à trilha do Shadow of the Colossus, não por menos o spalla Hiroaki Yura é amigo pessoal do compositor Kow Otani. Em todos as apresentações feitas pelo mundo, os segmentos reproduziam uma original ou emendavam várias músicas. Esse é o primeiro arranjo de fato, ou seja, uma interpretação alternativa, não literal, do Shadow. Uma ambiciosa suíte com dez minutos de duração, com Otani ao piano.

De início, me causou aflição por saber da participação da cantora Aika Tsuneoka, a mesma do Echoes of War, por não existir nenhum solo de vocal na trilha inteira. O pessimismo me acometeu quando a primeira intervenção dela me lembrou a “Children of the Worldstone”, mas felizmente aqui não parece que ela está cantando direto da garganta como no Echoes of War. O coral também atua, conferindo um clima sagrado.

Contudo, meu reconhecimento de faixas falhou, e só consegui identificar lembranças de “The Sunlith Earth” (3:00), “Prologue to the Ancient Land” (6:30), e acredito até que existam trechos originais, por isso também nem me arrisquei a detalhar por completo. Outra que precisa ser conferida no CD.

- “Tonari ni…” (THE iDOLM@STER)
Original: “Tonari ni…”

Chiaki TakahashiTocar uma canção J-pop de um jogo de karaokê lançado apenas no Japão e para Xbox 360 é o que chamo de uma escolha audaciosa. Como a maioria das composições do Masaru Shiina, a “Tonari ni…”, que está registrada no álbum THE iDOLM@STER Master Artist 07 Azusa Miura, é pontuada por metais jazzísticos e baixo elétrico – que desapareceram na versão de Kazuhiko Sawaguchi. As palmas, o contracanto e outros elementos também foram suprimidos. Apesar da participação da cantora original Chiaki Takahashi e do coral, parece até outra canção. Ficou menos pop e mais erudito. Prefiro a original.

- “Metal Gear Solid 2 / 3 Theme” (Metal Gear Solid 2 e 3)
Originais: “Metal Gear Solid Main Theme MGS 3 Version” ~ “Metal Gear Solid Main Theme” ~ “Metal Gear Solid Main Theme MGS 3 Version”

Metal Gear Solid 3: Snake EaterEsse arranjo não é novo, é o mesmo apresentado no A Night in Fantasia 2007: Symphonic Games Edition que alterna entre os temas principais do Metal Gear Solid 2 e 3. Inclusive havia publicado antes. Só não sabia que era da Natsumi Kameoka. Foi executado no encerramento, com Hiroaki Yura de bandana e tudo. A participação da bateria, reproduzindo as batidas sintetizadas das originais, é a melhor parte, sem esquecer do emocionante solo de violão no final.

Set list, agora com a ordem da apresentação:

Ato I

01 – Command and Conquer: Red Alert 3*
Composição: James Hannigan
Arranjo: Kazuhiko Sawaguchi

02 – Laputa, Castle in the Sky
Composição: Joe Hisaishi
Arranjo: Wataru Hokoyama

03 – My Neighbour Totoro
Composição: Joe Hisaishi
Arranjo: Wataru Hokoyama

04 – Princess Mononoke
Composição: Joe Hisaishi
Arranjo: Wataru Hokoyama

05 – Darksiders*
Composição e arranjo: Cris Velasco

06 – God of War II*
Composição e arranjo: Cris Velasco

07 – Soulcalibur
Composição: Junichi Nakatsuru
Arranjo: Shiro Hamaguchi

08 – Astro Boy
Composição: Tatsuo Takai
Arranjo: Shiro Hamaguchi

09 – Melancholy of Haruhi Suzumiya*
Composição: Satoru Kousaki
Arranjo: Shiro Hamaguchi

10 – Tsubasa Chronicles
Composição: Yuki Kajiura
Arranjo: Kazuhiko Sawaguchi

11 – Ace Combat V: The Unsung War
Composição: Keiki Kobayashi
Arranjo: Wataru Hokoyama

Ato II

12 – Death Note
Composição: Yuki Kajiura
Arranjo: Kazuhiko Sawaguchi

13 – Afrika
Composição, arranjo e regência: Wataru Hokoyama

14 – Chrono Cross
Composição: Yasunori Mitsuda
Arranjo: Hayato Matsuo

15 – Dragon Age: Origins*
Composição e arranjo: Inon Zur
Vocal: Aubrey Ashburn

16 – Prince of Persia
Composição e arranjo: Inon Zur

17 – Shadow of the Colossus
Composição, arranjo e piano: Kow Otani
Vocal: Aika Tsuneoka

18 – THE iDOLM@STER*
Composição: Masaru Shiina
Arranjo: Kazuhiko Sawaguchi
Vocal: Chiaki Takahashi

19 – Gears of War 2
Composição: Steve Jablonsky
Arranjo: Wataru Hokoyama

Bis

20 – Metal Gear Solid 2 / Metal Gear Solid 3*
Composição: Tappy Iwase e Harry Gregson-Williams
Arranjo: Natsumi Kameoka

* Não estarão registrados no CD.

A Night in Fantasia 2009

[via PALGN]

Symphonic Fantasies: as fantasias que se tornam realidade

Symphonic Fantasies
Por Alexei Barros

Era bom demais para ser verdade. Um concerto exclusivo da Square Enix com arranjos 100% inéditos presenciado por quatro dos principais compositores nipônicos que passaram pela empresa na Alemanha. Transmitido para todo o mundo ao vivo via streaming em áudio. Em vídeo. Gratuitamente. Parecia uma fantasia ensandecida demais para ser verdade, e de fato foi no dia 12 de setembro de 2009.

Symphonic FantasiesUm ano antes, em setembro de 2008, a ideia do Symphonic Fantasies foi levada à Square Enix pelo produtor Thomas Boecker, como terceira parte do acordo inicial com o administrador da WDR Radio Orchestra, Winfried Fechner, para a realização de três concertos de games que fossem únicos e distintos dos outros espetáculos. O primeiro, PROMS That’s sound, that’s rhythm (fevereiro de 2008), que mesclou música erudita com Castlevania, Shenmue, Grand Monster Slam e Final Fantasy VIII serviu mais de teste. Era a primeira vez que a WDR Radio executava game music. O segundo, Symphonic Shades (agosto de 2008), prestou homenagem ao compositor alemão Chris Huelsbeck, e o terceiro, Symphonic Fantasies, ofereceria tributo a uma produtora, Square Enix. O sucesso foi tamanho que um novo concerto já foi anunciado para setembro de 2010. A princípio, o Symphonic Fantasies coincidiria com a Gamescon, que acabou passando para os dias 19 a 23 de agosto, deixando o concerto sem o apoio de um grande evento de games. Nem precisava. Ainda em novembro de 2008 ocorreu a revelação, ainda que vaga, e em janeiro de 2009 a confirmação de que as séries Mana, Chrono, Final Fantasy e Kingdom Hearts seriam as selecionadas, e que três compositores (quatro no final das contas) viriam especialmente para a ocasião.

Surpreende que nunca tenha acontecido um concerto da Square Enix no Japão, apenas com apresentações exclusivas de Dragon Quest e Final Fantasy, que estiveram juntas na série Orchestral Game Concert no início da década de 1990, ironicamente quando Square e Enix eram separadas. Por isso, SaGa raramente aparece. Nunca existiram performances em concertos profissionais de Front Mission, Xenogears e Vagrant Story. Das séries de outros estúdios que a produtora faz a publicação, como Star Ocean e Valkyrie Profile da tri-Ace, e Grandia da Game Arts, idem.

Voltando para a Alemanha, as escolhas do quarteto foram baseadas na popularidade local. Isso explica porque a suíte de Mana ficou restrita à Secret of Mana – Seiken Densetsu 3, como o nome mostra, não teve versão em inglês, e Legend of Mana nem foi lançado na Europa. Chrono Cross também não, é verdade, mas o jogo foi poderoso o bastante para superar qualquer deficiência de localização. E sabe quando Chrono Trigger foi lançado oficialmente na Europa? Em 2009! Só agora, na versão de DS.  Se Final Fantasy por si só justifica uma apresentação própria, estaria lá para sustentar as outras séries que não tem a mesma representatividade. Por mais que Kingdom Hearts, Mana e Chrono sejam conhecidas, sozinhas não garantiriam concertos exclusivos fora do Japão – em termos de público mainstream, não de fartura musical, é claro.

Definidas as séries, me intrigava o porquê das músicas não terem sido anunciadas se não no começo, nos próximos meses após a revelação. Resposta: o formato das suítes. “Esse tipo de abordagem aberta se tornou impossível anunciar as músicas de início – simplesmente porque nós nunca podíamos falar se certas músicas planejadas realmente fariam parte do arranjo ou não”, afirma Thomas Boecker. “Nós queríamos total liberdade – e não nos sentiríamos confortáveis em colocar certas músicas simplesmente porque um anúncio antecipado nos obrigaria a fazê-lo”.

Jonne ValtonenLevando em consideração a maioria das favoritas dos compositores, as faixas foram escolhidas imaginando a ordem em que seriam apresentadas em cada suíte, sempre com espaço para alterações. “Durante o desenvolvimento você percebe que as mudanças fazem sentido – e que a ideia original poderia ter sido boa, mas há soluções melhores”, diz. Para o arranjo e a orquestração das músicas, o produtor escalou o finlandês Jonne Valtonen, que teve seis meses para completar a tarefa de grande responsabilidade, afinal mexeria com algumas das mais geniais composições de game music. Ele fez a maior parte do exaustivo trabalho, e nos segmentos de Chrono Trigger & Cross e Encore recebeu o amparo de Roger Wanamo, também da Finlândia.

O principal diferencial das suítes do Symphonic Fantasies é que não foram pensadas como medleys convencionais, que possuem uma sequência lógica em que uma música acaba e inicia a outra. Ao longo da peça há diversas interpretações de uma mesma faixa em diferentes momentos, o que exige muito mais criatividade. As músicas não foram simplesmente amontoadas e socadas para caber o máximo possível em segmentos de 17 minutos, mas sim houve um trabalho em cada faixa, com variações na instrumentação e no ritmo que são muito mais complexos do que a maioria das orquestrações que primam pela literalidade. Tudo isso exige um número de ensaios maior (em torno de 14 dias cheios), que o convencional, e só foi possível porque houve tempo suficiente que normalmente inexistiria, por exemplo, em uma turnê de concertos de games com agenda apertada. Também dependeu muito da qualidade suprema da WDR Radio Orchestra e do WDR Radio Choir, que totalizam mais de 120 pessoas (cerca de 80 da orquestra e 40 do coral), em perfeito entrosamento com o experiente maestro Arnie Roth, que considerou o Symphonic Fantasies o concerto mais difícil que regeu.

As cerca de 2000 pessoas que assistiram in loco no Philharmonic Cologne Hall tiveram a oportunidade de pegar autógrafos de Nobuo Uematsu, Yasunori Mitsuda, Yoko Shimomura e Hiroki Kikuta. Não é todo dia que se vê o quarteto reunido, principalmente porque hoje todos não trabalham mais na Square Enix. O vídeo abaixo mostra uma fração da experiência do Symphonic Fantasies antes da apresentação. De acordo com a organização do local, nunca houve tantas pessoas numa sessão de autógrafos, e foi elogiado o comportamento sereno dos fãs, sem quaisquer gritos ou escândalos. Além dos compositores, é possível ver em certo momento, próximo de Uematsu, o diretor da Dog Ear Records, Hiroki Ogawa, conversando com o produtor Thomas Boecker.

Ainda é difícil acreditar que a apresentação preparada com capricho durante tanto tempo foi transmitida pela internet – pude ver na melhor qualidade, de banda larga, sem nenhum tropeço na conexão. Geralmente os concertos de games demoram meses para o lançamento em CD ou DVD, isso quando são lançados. As três câmeras da WDR captaram os instrumentistas e coristas em todos os detalhes, com um senso artístico nos enquadramentos que seria difícil de imaginar que não era um DVD. Tem um errinho aqui, outro acolá, mas, puxa vida, era ao vivo, e se esvaem diante de toda a experiência. Incrível ver os compositores na plateia, em especial Hiroki Kikuta, que nunca havia acompanhado antes uma performance orquestrada de uma música dele, e estava fora dos holofotes, compondo trilhas para jogos hentai dos mais obscuros no ocidente.

Nobuo Uematsu foi o compositor mais ovacionado do quarteto

Depois da extensa introdução, os comentários após o Hadouken sobre cada suíte com links para a essencial apreciação no Goear (ininterruptamente) e YouTube (dividido) . Alerto que quando cito o tempo das músicas me refiro ao contador do Goear.

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Lembrete: Symphonic Fantasies – music from Square Enix

Hiroki Kikuta, Yoko Shimomura, Nobuo Uematsu, Yasunori Mitsuda

Por Alexei Barros

A foto acima bem que poderia ter sido tirada no Japão, mas não, foi na Alemanha. A essa altura, já aconteceu no König Pilsener Arena na cidade de Oberhausen a primeira apresentação do Symphonic Fantasies – music from Square Enix. Porém, a principal é a que ocorrerá amanhã às 20 horas locais (15 horas aqui no Brasil) no Cologne Philharmonic Hall, em Colônia. Se é que ainda é preciso lembrar, o concerto será transmitido em vídeo via streaming pela internet. E também pelo rádio, caso a sua conexão não seja muito boa.

O quarteto fantástico de compositores Hiroki Kikuta, Yoko Shimomura, Nobuo Uematsu e Yasunori Mitsuda estará lá no concerto para presenciar as suítes de Secret of Mana, Kingdom Hearts, Final Fantasy e Chrono Trigger e Cross, cada qual com aproximadamente 17 minutos de duração, contendo somente as respectivas músicas assinadas por eles. Ou seja, não espere por alguma das nove faixas de Uematsu para o Chrono Trigger no segmento de Chrono, os temas principais da Hikaru Utada na peça de Kingdom Hearts ou então qualquer uma do Hitoshi Sakimoto, Masashi Hamauzu e outros que não do Uematsu em Final Fantasy. Todos os arranjos são do talentoso Jonne Valtonen, o principal orquestrador do Symphonic Shades.

Executada pela WDR Radio Orchestra e WDR Radio Choir, que cantará em Secret of Mana e Final Fantasy, a apresentação terá a regência do maestro Arnie Roth. Para complementar a performance, o pianista de apenas 20 anos Benyamin Nuss tocará em Kingdom Hearts e o percussionista Rony Barrak em Chrono Trigger e Cross. De acordo com o produtor Thomas Boecker, Barrak disse a ele que é a peça mais difícil que tocou na vida. Também haverá muitas surpresas – tenho uma vaga ideia do que poderá acontecer…

Até o momento, sabemos apenas quatro músicas de cada suíte, e o restante será revelado na hora. Já fiz uma wishlist das minhas preferidas, e quero comparar depois com as seleções, feitas em parceria com os compositores. E cansei de pensar nas possibilidades e vislumbrar como foram orquestradas. Enfim, mal vejo a hora de assistir e ouvir, já que a primeira vez que li sobre o Symphonic Fantasies foi em novembro de 2008 no SEMO. Haja expectativa!

Abaixo, o set list. Note que cada suíte é intitulada “Fantasy I”, “Fantasy II” e assim por diante:  nada mais apropriado que Final Fantasy terminasse o concerto. Além dos links das originais, também coloco o vídeo, agora no Vimeo, da “Fanfare overture”, composta pelo Jonne Valtonen, que abrirá o concerto.

E não se esqueça de visitar o site oficial para entrar os links da transmissão.

Set list:

01 – “Fanfare overture” (composição original)

02 – “Fantasy I” (Kingdom Hearts)

- “Dearly Beloved” (Kingdom Hearts)
- “The Other Promise” (Kingdom Hearts II Final Mix +)
- “A Fight to the Death” (Kingdom Hearts II)
- “Hand in Hand” (Kingdom Hearts)

03 – “Fantasy II” (Secret of Mana)

- “Angel’s Fear”
- “Into the Thick of It”
- “The Oracle”
- “Prophecy”

Intervalo

04 – “Fantasy III” (Chrono Trigger e Cross)

- “Chrono Trigger” (Chrono Trigger)
- “Scars of Time” (Chrono Cross)
- “Battle with Magus” (Chrono Trigger)
- “Prisoners of Fate” (Chrono Cross)

05 – “Fantasy IV” (Final Fantasy)

- “Prelude” (Final Fantasy)
- “Bombing Mission” (Final Fantasy VII)
- “Clash on the Big Bridge” (Final Fantasy V)
- “The Mystic Forest” (Final Fantasy VI)

Symphonic Fantasies: mais quatro seleções do concerto

Symphonic Fantasies
Por Alexei Barros

Depois de sabermos três faixas para cada uma das quatro suítes de cerca de 17 minutos do Symphonic FantasiesKingdom Hearts, Secret of Mana, Chrono Trigger & Cross e Final Fantasy –, foi anunciado mais um quarteto de músicas, as últimas antes da realização do concerto alemão que acontecerá nos dias 11 e 12 de setembro. As suítes ainda têm outros temas na manga para surpreender quem assistirá às apresentações.

Todas as últimas reveladas se enquadram no caso de músicas que foram negligenciadas ao longo dos anos e finalmente receberão o seu devido valor nos intricados arranjos do finlandês Jonne Valtonen.

- “Hand in Hand” (Kingdom Hearts)

Kingdom HeartsLembre-se: a suíte da série Kingdom Hearts terá ênfase no piano, que será tocado pelo jovem Benyamin Nuss. Sabendo disso, logo vislumbrei a possibilidade de que a “Hand in Hand”, presente no primeiro, na continuação e no Chain of Memories, fosse inclusa, afinal a música ficou soberba no arranjo da Sachiko Miyano e performance do Hiroyuki Nakayama na Piano Collections Kingdom Hearts. Imagino então como ficará orquestrada (talvez com harpa) e com todos os floreios no piano. Parecerá com a versão do Takahito Eguchi, “Hand in Hand -Reprise-”?

- “Prophecy” (Secret of Mana)

Secret of ManaAinda que esta suíte seja de um só jogo, a gama de opções é grande por conta da duração pequena das faixas da trilha. Ainda assim, não esperava pela “Prophecy”, que é tocada em um momento chave, e para evitar spoilers só posso dizer que tem a ver com o dragão Flammie. Pelas características da original, imagino o arranjo enfocando a flauta. Também terá a participação do WDR Radio Choir entoando letras em latim, o que considero uma audácia do arranjo, já que as músicas originais, à primeira vista, não possuem timbres que simulem vozes.

- “Prisoners of Fate” (Chrono Cross)

Chrono CrossSe você falar para alguém que nunca jogou Chrono Cross que a “Prisoners of Fate” é um tema de batalha, talvez ache monótona demais. A questão é que a composição, melancólica e emocionante, casou perfeitamente no combate contra o personagem Miguel. E a luta é travada após um sem-número de alusões (umas sutis, outras descaradas) ao Chrono Trigger. Momento épico. A original, embora seja sintetizada, já possui timbres fiéis às cordas de verdade, e não é difícil vislumbrá-la orquestrada, com maior vivacidade. Não sei se o percussionista Ronny Barrak tocará especificamente no excerto da “Prisoners of Fate”, mas ele terá papel importante na suíte.

- “The Mystic Forest” (Final Fantasy VI)

Final Fantasy VITenho carinho especial por FFVI não só porque é o meu preferido da série, como acho o ápice da inspiração musical de Nobuo Uematsu. Apesar de muitos fãs também compartilharem da minha opinião (alguns deles, da Little Jack Orchestra, são aficionados a ponto de organizarem um concerto do jogo), a trajetória de FFVI nos concertos é bem limitada: as duas versões da ópera, “The Dream Oath ‘Maria and Draco’” (Orchestral Game Concert 4) e Opera “Mario and Draco” (debutou no Tour de Japon), “Terra’s Theme” (estreou no 20020220) e “Dancing Mad” (Fourth Symphonic Game Music Concert). Muito pouco. Dentre as muitas opções, eu acreditava na revelação de um tema de personagem, quando, para minha surpresa, surgiu a “The Mystic Forest”, tocada na labiríntica floresta (os cenários palustres são um espetáculo até hoje) que leva ao trem fantasma. Enigmática, sombria… Fantástica.

No site oficial é possível baixar o programa do concerto em PDF. Dia 3 de setembro, na quinta-feira (já na quarta no Brasil), haverá uma nova revelação referente ao Symphonic Fantasies. Se não é mais nenhuma música, o que poderia ser? De acordo com o SEMO, é uma notícia bombástica.

[via Symphonic Fantasies, SEMO]

Os extras da Chrono Trigger DS OST

Por Alexei Barros

Ainda que a trilha de Chrono Trigger de DS seja praticamente idêntica à versão do Super Nintendo, a Square Enix lançou dia 29 de julho a CT DS Original Sound Track, incluindo também as faixas adicionais compostas pelo Tsuyoshi Sekito para a edição do PlayStation.

Além dos três CDs, o pacote inclui um DVD exclusivo, que contém uma entrevista (em japonês) de Yasunori Mitsuda, um vídeo da “Chrono Trigger ~Orchestra Version~” com cenas do jogo e outro vídeo da “Chrono Trigger Medley ~Orchestra Version~”, mostrando por trás dos os bastidores da gravação do Chrono Trigger Orchestra Extra Soundtrack. Ao lado de Mitsuda é possível ver a prolífica arranjadora Natsumi Kameoka, também do drammatica, Echoes of War e Piano Collections Kingdom Hearts.

Felizmente, pessoas solidárias se predisporam a subir os três vídeos no YouTube (clique no link da janela para ver o último, disponível em HD). Obrigado.

“Chrono Trigger Medley” – Chrono Trigger (VGO Chamber Group @ IGC East)

Por Alexei Barros

Estava com saudade dos vídeos da Video Game Orchestra. Finalmente foram publicados novos, referentes à apresentação ocorrida no dia 8 de maio no evento IGC East (Independent Game Conference) no The Fenway Center. Esse espetáculo marcou o debute da VGO Chamber Group, um grupo reduzido que reúne os melhores musicistas da VGO, e executa arranjos diferentes da orquestra, mesmo porque não há metais e outros instrumentos.

Começo com o “Chrono Trigger Medley”. Apesar de todas as músicas da miscelânea já terem sido arranjadas profissionalmente, algumas anos atrás, outras há pouco tempo, pequenos detalhes deixam a performance criativa. As primeiras quatro faixas são levemente inspiradas na orquestração do “Chrono Trigger Medley ~ Orchestra Version” (que continua com outras músicas), mas aqui foi emendada no tema principal “Chrono Trigger” de maneira propícia e natural.

Na instrumentação, a principal diferença é o uso do baixo elétrico de Jon Kolar, que fez o acompanhamento em “Guardia Millenial Fair”, “Frog’s Theme” e “Chrono Trigger”, conferindo peso à performance ao tocar as linhas graves correspodentes das originais que costumeiramente são ignoradas nos arranjos sinfônicos. Aproveitando que a VGO utiliza baixo, aliás, não há música mais perfeita na trilha do Chrono Trigger para incluir em um medley do jogo que a “Secret of the Forest”.

Outra novidade são os sussurros nas pausas da “Guardia Millenial Fair”. Sussurros no plural, já que na original há uma espécie de grito somente durante o primeiro respiro – os integrantes da VGO murmuraram durante as outras duas interrupções também. Por fim, a “Chrono Trigger” ganhou uma leve inspiração jazzística no saxofone soprano de Zac Zinger.

“Chrono Trigger Medley”

“A Premonition” ~ “Guardia Millenial Fair” ~ “Wind Scene” ~ “Frog’s Theme” ~ “Chrono Trigger”

Symphonic Fantasies: três das seleções de Chrono Trigger e Cross

Por Alexei Barros

Não foram poucos os concertos que tocaram músicas orquestradas da série Chrono: Orchestral Game Concert 5, Third Symphonic Game Music Concert, PLAY! A Video Game Symphony, Press Start 2007 ~Symphony of Games~, A Night in Fantasia 2007: Symphonic Games Edition… A relação aumentou ainda mais depois do lançamento de Chrono Trigger para DS, com Press Start 2008 e Video Games Live, sem esquecer do disco promocional Chrono Trigger Orchestra Extra Soundtrack.

Porém, a suíte de Chrono Trigger e Cross do Symphonic Fantasies tem tudo para superar todos esses arranjos pela própria duração de 17 minutos do segmento. São músicas que não acabam mais. Para efeito de comparação, os maiores até então, do PLAY! e do Press Start 2008,  possuem em torno de 7 minutos.

Como disse o maestro Arnie Roth no vídeo, o percussionista libanês Rony Barrak terá papel importante na performance, que será executada sem a participação do coral após o intervalo. Já era previsto não só porque ele costumeiramente toca darbuka no “Chrono Trigger/Cross Suite” do PLAY!, como a trilha de Chrono Cross tem ênfase em percussão, como fica exemplificado em “The Brink of Death” e “Hydra’s Swamp”.

As três primeiras músicas apregoadas são previsíveis, até por serem as mais representativas da série.  Torço para que faixas jamais orquestradas (cruzando os dedos para “Robo’s Theme”, “Epoch ~Wings that Cross Time~” e “Black Omen”) sejam algumas das surpresas da suíte.

- “Chrono Trigger” (Chrono Trigger)

Chrono TriggerO tema principal da série foi tocado pela primeira vez no arranjo “Theme of Chrono Trigger” do OGC5 e reprisado no Press Start 2007, ambos com uma pausa para “Crono and Marle”. Também tem no Chrono Trigger Orchestra Extra como “Chrono Trigger ~Orchestra Version~” e aparece nos medleys do PLAY! e do Press Start 2008. É uma das músicas mais difundidas, e fico na dúvida se o arranjo do Jonne Valtonen se diferenciará muito dos anteriores, que, grosso modo, são relativamente parecidos, sem diferenças muito consideráveis. Será que vai abrir a suíte?

- “Scars of Time” (Chrono Cross)

Chrono CrossNão vou lembrar todas as ocasiões em que a música de abertura do Chrono Cross foi executada porque definitivamente foram muitas. A bem da verdade, poucas procuraram recriar o tema celta com total fidelidade, respeitando a instrumentação original com todas as invenções do Yasunori Mitsuda: teclado, baixo, shinobue, shakuhachi, violão, bouzouki… Novamente me pergunto como tudo isso foi adaptado por Valtonen, que já mostrou ser capaz de implementar elementos sem descaracterizar as faixas em arranjos passados. A mesma pergunta da anterior: será que vai ser a primeira da suíte?

- “Battle with Magus” (Chrono Trigger)

Chrono TriggerA menos conhecida da trinca só foi rememorada mais recentemente nos medleys do Chrono Trigger Orchestra Extra e do Press Start 2008, e é um dos melhores temas de batalha, ouvido somente em uma peleja durante todo o jogo. Confrontando a original e o arranjo no “Chrono Trigger Medley ~Orchestra Version~” do Extra, que o que está em melhor qualidade dos dois, nota-se que a arranjadora Natsumi Kameoka ignorou uma batida sintetizada, que deve ter sido aproveitada por Valtonen para implementar a percussão de Barrak.

Semana que vem as seleções de Final Fantasy. Não faço ideia do que possa vir por aí.

[via Symphonic Fantasies]

Artwork do dia: Chrono, Marle e Lucca chegam em Zeal

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Por Claudio Prandoni

Domingos frios como o de hoje me lembram de minha jovem juventude juvenil. Lá pelos idos de meus dez, onze anos tive a sorte de jogar Chrono Trigger no Super Nintendo. Alugava na locadora e eu meu irmão jogávamos freneticamente – principalmente nos domingos de manhã.

A nível de Em tom de homenagem, vai essa linda artwork da artista Steph Laberis que retrata o momento em que Crono, Marle e Lucca encontram o reino encantado voador ultra zen de Zeal. Detalhe para o Nu assustado no canto com um gatinho na cabeça.

A arte é pôster promocional do álbum Chronotorious, que o grupo de remixers Bad Dudes lançará em breve. Aliás, os caras já fizeram esse tipo de trabalho musical com outras trilhas de jogos – incluindo o fantabuloso Castlevania: Symphony of the Night e o retro-cult Super Dodgeball, do Nintendinho.

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