Final Symphony: report in loco do concerto alemão com Final Fantasy VI, VII e X


Por Alexei Barros

Não, eu não ia passar batido, claro: no sábado passado, dia 11 de maio, foi apresentado na Alemanha o Final Symphony, o novo concerto com a mesma turma da série Symphonic e que tanto já mencionei aqui: Thomas Boecker, Jonne Valtonen, Roger Wanamo, Benyamin Nuss etc.

Desta vez, porém, a apresentação não teve a performance da WDR Radio Orchestra, que tocou diferentes programas de games de 2008 a 2012. A simples presença dessa orquestra garantia que o concerto sempre fosse transmitido ao vivo – o que até então era um ineditismo – não só pelo rádio, como em algumas ocasiões em vídeo também. Neste ano, o espetáculo foi executado pela Sinfonieorchester Wuppertal, curiosamente sem a companhia de nenhum coral como nas outras oportunidades.

Com isso, o privilégio de ouvir as músicas em interpretações sinfônicas ficou restrito aos espectadores da apresentação, privilégio que coube ao Luiz “Radical Dreamer” Macedo, frequente comentarista aqui no blog (os posts é que não são tão mais frequentes). O Luiz já havia assistido in loco, em Colônia, ao Symphonic Odysseys em 2011 e, se vocês se lembrarem bem, ainda descolou autógrafos do Nobuo Uematsu em três CDs. Agora, aproveitando o intercâmbio na França, ele repetiu a dose e esteve presente no concerto na cidade de Wuppertal, no que acredito ter sido uma experiência ímpar, porque sei da admiração dele pelo Masashi Hamauzu. A novidade é que o Luiz escreveu um report da experiência para compartilhar no Hadouken!

Para não deixar os leitores apenas na vontade, eu disponibilizo logo aqui no começo o set list completo do Final Symphony, com links para uma gravação amadora compartilhada pela internet de ótima qualidade que permite ter uma bela noção do que foi o espetáculo. Como faço com os meus reports à distância, também linkei as músicas originais que o Luiz mencionou ao longo da análise.

Ato I

01 – “Fantasy Overture: Circle Within a Circle Within a Circle”
02 – “Final Fantasy VI Symphonic Poem (Born with the Gift of Magic)”
03A  – “Final Fantasy X Piano Concerto: I. Zanarkand”
03B – “Final Fantasy X Piano Concerto: II. Inori”
03C – “Final Fantasy X Piano Concerto: III. III. Kessen”

Ato II

04A – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: I. Nibelheim Incident”
04B – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: II. Words Drowned by Fireworks”
04C – “Final Fantasy VII: Symphony in Three Movements: III. The Planet’s Crisis”
05 – “Encore I: Final Fantasy VII”
06 – “Encore II: Final Fantasy VI”
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Soul Sacrifice: para ouvir sem nenhum sacrifício

Por Alexei Barros

Há uns 10 anos, ter uma trilha orquestrada em um jogo para consoles de mesa não era comum. Em 2006, eu me lembro do quão surpreendente foi o ouvir o tema de abertura orquestrado do remake do Final Fantasy III para Nintendo DS. Hoje já é algo tão convencional que jogos portáteis apresentam não só uma música, mas a trilha inteira gravada por instrumentistas de verdade.

Um bom exemplo desses novos tempos é o RPG de ação Soul Sacrifice, uma nova empreitada de Keiji Inafune fora dos domínios da Capcom para o PS Vita. Já saiu no Japão, aqui chega dia 30 de abril. O álbum com as músicas Soul Sacrifice Original Soundtrack aterrissa dia 13 de março, vulgo amanhã, e é justamente esse o motivo do post.

Assinada por uma inusitada dobradinha de Wataru Hokoyama (Afrika, Resident Evil 5) e Yasunori Mitsuda (Chrono, Xenogears etc.), a trilha foi gravada no Skywalker Sound nos EUA e, ao que tudo indica, a Skywalker Symphony Orchestra, formada por músicos freelancers de São Francisco, realizou a performance. Não dou certeza porque foram feitos três vídeos para promover só essa parte de áudio do jogo, mas nenhum deles confirma mesmo que foi essa a orquestra utilizada – não é só a Skywalker Symphony que grava no Skywalker Sound. Ambos os compositores já lidaram com orquestras desse naipe (Hollywood Studio Symphony no caso do Afrika e RE5 e London Philharmonic Orchestra no XenoSaga) e dessas proporções – segundo a Famitsu, foram mais de 100 instrumentistas.

Enquanto o primeiro vídeo dá um panorama geral, o segundo mostra uma impactante composição do Hokoyama e o terceiro uma música do Mitsuda – com guitarra e coral, mas só em áudio, em uma faixa fora dos padrões dele. O quarto, caso você não tenha visto, mostra os compositores comentando o trabalho no evento de revelação do jogo realizado em maio de 2012.

Enfim, estamos de olhos e ouvidos atentos.

The Music of Soul Sacrifice

“Beginning of the End” – Wataru Hokoyama

“Melody of the Souls – main theme” – Yasunori Mitsuda

Soul Sacrifice Presentation Summary

Segata Sanshiro ressurge em show da [H.]

Por Alexei Barros

Quem acompanhou os passos finais da Sega como fabricante de consoles na era Saturn, deve se lembrar do saudoso Segata Sanshiro, o herói-propaganda interpretado por Hiroshi Fujioka que estrelou diversos comerciais promovendo o videogame 32-bit. A Sega levou o negócio tão a sério que Segata veio a falecer em um dos comerciais, encerrando uma carreira, o mito, a lenda até que…

Em 2013, a [H.], a atual banda da Sega – não confunda com a recém-retomada Blind Spot -, vai fazer um show com o Segata Sanshiro que será transmitido via Nico Live… Mas não se anime muito, porque a transmissão é paga. Nem sequer há pistas sobre o set list, mas tudo leva a crer que será tocado o eterno hino “Sega Saturn, Shiro!”, desta vez na companhia da banda formada por Takenobu Mitsuyoshi, Hiro e outros comparsas. Com sorte, alguém poderá compartilhar depois algum trecho do show, o que, se acontecer, evidentemente avisarei neste espaço tão pouco atualizado.

Espero também que o show sirva para dar uma animada na [H.], que depois do lançamento do álbum Sega Sound Unit [H.] 1st Album, está meio parada, chegando ao cúmulo de não ter feito nenhum arranjo nas coletâneas da Sega em 2012.

[via Game Watch]

Quando o T-Square veio ao Brasil


Por Alexei Barros

Já que eu me empolguei relembrando as duas visitas do Casiopea ao nosso país e é difícil falar deles sem citar o T-Square pela proximidade dos integrantes, serei obrigado a ressaltar um acontecimento que (quase) passou despercebido em 2001: a obscura passagem do T-Square pelo Brasil.

Sim, já tínhamos conhecimento que nesse ano a banda liderada por Masahiro Andoh, o compositor da “Moon Over the Castle”, o tema de Gran Turismo, lançou um álbum com o nome Brasil; sabíamos também que o CD, conforme comprovado pelo encarte, foi gravado no Mosh Studios em São Paulo (e também no Castle Oaks Studio em Los Angeles). Nessa época, o T-Square era apenas uma dupla (em sua formação inicial da fase profissional, em 1978, eram oito!), com Masahiro Andoh na guitarra/violão e Takeshi Itoh no saxofone/EWI/flauta. Músicos convidados completavam a formação da banda. Na ocasião, os instrumentistas foram brasileiros. Tudo isso eu já sabia.

Mas o que desconhecia era o fato de essa gravação ter sido noticiada pela imprensa brasileira na época. Leia a reportagem do dia 12 de fevereiro de 2001 da Folha de S. Paulo assinada por Carlos Bozzo Junior:

Japoneses do T-Square se unem a músicos brasileiros em São Paulo

O grupo de música instrumental T-Square, formado pelos japoneses Masahiro Andoh, 47, e Takeshi Itoh, 47, acaba de gravar seu 27º CD em São Paulo com músicos brasileiros.

Desconhecidos no Brasil, os músicos do grupo são muito populares no Japão, bem conhecidos nos Estados Unidos e bastante respeitados na Europa, por apresentarem, desde 76, dentro do gênero fusion, muita criatividade e energia em suas composições e performances.

O som de Andoh, guitarrista e arranjador, traz influências de George Benson, Larry Carlton e Lee Ritenour, que se misturam às do saxofonista e flautista Itoh, fã de Cannonball Adderley (1928-1975) e Herbie Mann.

“Esperávamos misturar nossa música com a dos brasileiros, mas não imaginávamos que o resultado fosse tão bom”, disse Itoh, que se surpreendeu com a dedicação e a qualidade dos músicos brasileiros escolhidos para a gravação.

Os japoneses contaram com instrumentistas arregimentados pelo produtor brasileiro, que há 22 anos mora no Japão, Osny Melo. “Procurei os nomes pela versatilidade, além, é claro, de levar em consideração o currículo de cada um”, falou Melo, que prepara mais dois projetos de CDs para os japoneses.

No CD, que está sendo gravado no Brasil, Toninho Horta foi escolhido para tocar guitarra em duas faixas. As outras oito faixas ficam a cargo de um grupo especialmente formado para este trabalho: o maestro e guitarrista Natan Marques, “Maguinho”, na bateria; Pedro Ivo, no contrabaixo elétrico; Guedes, no contrabaixo acústico; Papete, na percussão e Beto Paciello, nos teclados.

“Quando olhei para o material, com músicas de sete minutos de duração e cheias de divisões, pensei em ficar doente ou matar uma tia, mas a vontade de cada um de tocar música de qualidade, colaborou muito para que chegássemos ao fim do trabalho”, disse o baterista Maguinho, que acompanha Chitãozinho e Xororó.

Entre as poucas exigências feitas pelos japoneses, estavam uma visita ao túmulo de Ayrton Senna e o comando da mesa de som a cargo do técnico brasileiro, radicado em Los Angeles, Antonio “Mug” Canazio, homem de confiança do compositor baiano João Gilberto.

O disco deve ficar pronto neste semestre e será lançado pelo selo Village da Sony Music japonesa.

O álbum em si é bastante diferentão do restante da discografia do T-Square – tanto que, se não me falhe a memória, nenhuma das músicas desse CD foi reprisada nos shows de aniversário. A maioria delas, por razões óbvias, apresenta títulos em português, não que isso não tenha acontecido em outras ocasiões, como a “Copacabana”, do Natsu No Wakusei (1994). A primeira faixa “A Caminho De Casa”, inclusive, não é muito convencional por ser cantada (em português) – a maioria das músicas do T-Square é instrumental, e até mesmo algumas músicas originalmente cantadas, como a “It’s Magic”, são tocadas sem vocal. No geral, o álbum é bastante acústico, com uso de violão e flauta com muito mais frequência que o habitual.

Sobre o último parágrafo, tamanho respeito pela memória do Ayrton Senna não é apenas por ele ser famoso, havia uma relação. O T-Square, que ficou especialmente famoso pela música “Truth”, tema das transmissões de F-1 na TV Fuji, também é o responsável pelo tema da vitória do Senna, a “Faces”, presente no álbum Impressive (1992). Da mesma maneira, ficou a cargo do T-Square o tema da vitória do francês e rival ferrenho do Senna, Alain Prost, a “Ashita Heno Tobira”, do álbum Human (1993).

Com a morte do ídolo brasileiro em 1994, o T-Square lançou, no mesmo ano, um álbum em sua homenagem, o Solitude -Dedicated to Senna-. Não tivemos a mesma sorte com o concerto Senna Forever, que o T-Square tocou com a New Japan Philharmonic Orchestra e não foi lançado em CD, mas pelo menos o concerto completo pode ser visto no YouTube.

[via Folha de S. Paulo]

No final de fevereiro, o primeiro DVD da Blind Spot, a quase S.S.T. Band

Por Alexei Barros

Se há alguns anos o mais alucinado fã da S.S.T. Band sonhasse com o retorno da banda da Sega – a primeira de game music do mundo; não aceite os genéricos –, esse aficionado seria tachado de maluco. Afinal de contas, em 2013, vão se completar 20 anos do anúncio do fim da S.S.T. Band no palco do Game Music Festival ‘93. Mas as notícias não podiam ser mais animadoras: desde 2011, a S.S.T. Band renasceu como Blind Spot, não por acaso o mesmo nome do álbum formado por músicas originais, sem relação com games lançado em 1992.

O melhor vem agora: em 27 de fevereiro será lançado o primeiro produto que marca a redenção da Blind Spot, o DVD Blind Spot Live!, que, por enquanto, está à venda na Amazon e pode ser encomendado por outros lugares do mundo. É o registro do show no Takadanobaba Club Phase realizado dia 29 de setembro de 2012.

São generosas 18 faixas, conforme listado abaixo, e peço que você escute trecho delas, uma a uma, para ler os meus comentários depois. O melhor é que, diferentemente daquele vídeo promocional do After Burner (que, por sinal, já foi retirado do ar), o som não parece embolado, e, o baixo do Masato Saitoh, que estava quase mudo, agora pode ser ouvido com mais realce.

01. Wave Motion (original)
02. I Can Survive (original)
03. Sword of Vermilion (Sword of Vermilion)
04. Earth Frame G (G-LOC: Air Battle)
05. Wilderness (Golden Axe)
06. Last Wave (Out Run)
07. Passing Breeze (Out Run)
08. Blue Moon (S.D.I.)
09. System Down (S.D.I.)
10. Theme From Super Monaco GP
11. Tachyon (original)
12. Beyond the Galaxy (Galaxy Force)
13. Thunder Blade Medley (Thunder Blade)
14. Space Harrier Main Theme (Space Harrier)
15. Outride a Crisis (Super Hang-On)
16. Like The Wind (Power Drift)
17. Magical Sound Shower (Out Run)
18. After Burner (After Burner)

Em meio às músicas da Sega, há as composições provenientes do supracitado álbum Blind Spot, como “Wave Motion”, “Tachyon” e “I Can Survive”. Com exceção da última, não havia registro de performances ao vivo dessas faixas. Todas tinham sido tocadas no GMF ’92, mas somente a “I Can Survive”… sobreviveu no CD do evento. Até tinha me esquecido o quanto eu gosto da “Wave Motion”, que, aliás, é assinada pelo Takenobu Mitsuyoshi, o que mostra que eles não se prenderam somente às músicas assinadas por integrantes atuais da Blind Spot, até porque, não tocar as composições do Hiro só porque ele não está mais na banda seria um pecado.

Na parte de jogos da Sega – ainda bem que conseguiram licenciar as músicas –, a maior surpresa é a “Theme From Super Monaco GP”, não aquele do Ayrton Senna, que é a continuação, mas o original mesmo. Enquanto existe uma versão em estúdio no Super Sonic Team -G.S.M. SEGA 3-, nenhum dos álbuns ao vivo contém a música. Nas mesmas condições, há a “Passing Breeze” do Out Run.

Para completar, o “Thunder Blade Medley”, se seguir a track list daquele show do retorno, é o mesmo que o Koichi Namiki tocou no Galaxy Force II & Thunder Blade Original Sound Track. Tem também a “Outride a Crisis”, do Super Hang-On. Desse jogo, a S.S.T. Band só tinha a “Sprinter”. Agora a Blind Spot incorporou o arranjo fenomenal que o mesmo Namiki havia feito na coletânea de aniversário Super Hang-On 20th Anniversary Collection.

O cenário atual é bastante animador porque temos dois filhotes da S.S.T. Band: além da Blind Spot, não podemos nos esquecer da [H.], que anda meio preguiçosa ultimamente, mas já tem mais de dez anos. Quem diria que, em pleno 2013, com muitos se referindo à Sega como uma empresa morta, teríamos DUAS bandas tocando músicas antigas do imenso legado da empresa?

Grato ao Rafael “S.S.T. Band” Fernandes por transmitir a novidade.

Artwork do dia: Final Symphony

Por Alexei Barros

Dos cinco primeiros jogos da série Final Fantasy, todos, com exceção do FFII, apresentam um enredo que girava em torno dos cristais mágicos que mantinham o equilíbrio do mundo e protegiam o planeta das forças malignas.

Ainda que esses episódios não façam parte do programa do Final Symphony, o cristal está lapidado na forma de um violoncelo na artwork oficial do concerto que acontecerá em maio de 2013, por enquanto com duas apresentações na Alemanha e uma na Inglaterra. A semelhança com a o controle-violino da capa do Symphonic Fantasies e a espada com cabo de violoncelo do Symphonic Odysseys não é coincidência, visto que o artista anônimo da agência schech.net é o mesmo. Só espero que essa arte também esteja no CD desse concerto que terá músicas do FFVI, FFVII e FFX – antes o álbum precisa ser anunciado.

Final Fantasy Orchestral Album: tudo por um medley

Por Alexei Barros

Ouvir as 23 faixas do Final Fantasy Orchestra Album me deixa um sentimento duvidoso: ao mesmo tempo em que o álbum traz coisas que vinha pedindo desde o início da turnê Distant Worlds (mais faixas da era 16-bit, uma faixinha do FXII que fosse), essas novidades se diluem em arranjos já tocados, repetidos e exaustivamente gravados (alguns há uma década).

Essa sensação já estava presente no Distant Worlds: music from Final Fantasy (2007) e depois Distant Worlds II: more music from Final Fantasy (2010). A desculpa era: “agora os arranjos vão receber gravações definitivas em estúdio, sem qualquer interferência da plateia”. Daí veio o Distant Worlds: music from Final Fantasy Returning Home. A desculpa foi: “gravação de concerto no Japão, desde 2006 não acontecia nada lá”.  E agora com o Final Fantasy Orchestral Album (mesmo que o álbum não seja da turnê, é dos mesmos produtores) passou a ser: “todas as músicas vão estar em uma qualidade superior, em Blu-ray de áudio”. Eu me pergunto se em 2013 haverá outro lançamento requentado – porque as desculpas, com todo o respeito, já acabaram. Se for levada adiante a tradição de publicações anuais de álbuns, não deve fugir muito disso.

Para completar, a produção fez um expediente que eu considero ainda pior que é incluir as músicas orquestradas já presentes nas trilhas originais ou álbuns arranjos antigos, tendo como subterfúgio a qualidade 24bit/96kHz. É o que acontece com oito faixas do álbum, como a “Memory of the Wind ~Legend of the Eternal Wind~” do Final Fantasy III Original Soundtrack ou a a “Fang’s Theme” do Final Fantasy XIII Original Soundtrack. Os créditos não deixam enganar que são as mesmas gravações dos álbuns citados, mas em qualidade superior. Misturar essas faixas com as novas não é algo que considero digno de um álbum de aniversário de 25 anos da série.

Com isso passado a limpo, finalmente me sinto mais confortável para falar dos novos segmentos gravados pela FILMharmonic Orchestra Prague no Rudolfinum, Dvorak Hall, na República Tcheca. Não todos, porque outra leva se resume a novas gravações de arranjos já conhecidos, como o “Medley 2002”. Espremendo a laranja, temos isto de arranjos seminovos ou inéditos (alguns eu já comentei em posts passados nas apresentações do Distant Worlds):

04 – “The Dreadful Fight” (Final Fantasy IV)
Original: “The Dreadful Fight”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Rika Ishige

Final Fantasy IV? Tô dentro. Todo o impacto, a emoção e o sentimento de perigo deste tema de batalha contra chefes do primeiro episódio da série para SNES está aqui, traduzido para as nuances da orquestra. Como já havia afirmado, a faixa original é bastante curta e isso permite variações um pouco mais ousadas na interpretação. A novata Rika Ishige fez isso, explorando a percussão, o naipe de cordas e as alternâncias de metais. Um estouro. Não achei que viveria para ouvir mais FFIV orquestrado em pleno 2013 – não preciso contar de novo o quanto o jogo foi negligenciado através desses anos, preciso?

08 – “Opera “Maria and Draco” Full Version” (Final Fantasy VI)
Originais: “Overture” ~ “Aria Di Mezzo Carattere” ~ “The Wedding Waltz ~ Duel” ~ “Aria Di Mezzo Carattere”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Shiro Hamaguchi e Tsutomu Narita
Solistas: Etsuya Ota (mezzo soprano), Tomoaki Watanabe (tenor), Tetsuya Odagawa (baixo)
Coral: Taeko Saito, Eri Ichikawa, Saeco Suzuki, Maiko Tachibana
Narração: Masao Koori

Este número está intitulado “Full Version” porque à versão arranjada por Shiro Hamaguchi que estreou no Tour de Japon, foram acrescentadas as novidades implementadas no arranjo “Darkness and Starlight”, presente no último álbum da finada banda The Black Mages: narração (cadê o balde para eu vomitar?) e um novo excerto que não existia no jogo e inclui a participação do coral. Basicamente, essa parte que só conhecíamos por meio das guitarras e pelo coro formado pelos integrantes do Black Mages foi orquestrada pelo Tsutomu Narita – é um tema de batalha bastante empolgante. Talvez pelo fato de agora serem coristas profissionais e não os próprios músicos dos Black Mages e, justiça seja feita, a narração, na companhia da orquestra, não soar tão deslocada quanto com a banda, o resultado foi melhor. Porém, ainda fico com a épica, avassaladora e paradigmática versão “The Dream Oath ‘Maria and Draco’” de 23 minutos do Orchestral Game Concert 4, única de todas a incluir a “Grand Finale?” (da batalha contra o Ultros), mesmo que não exista um consenso de que essa música faz parte da ópera.

09 – “The Mystic Forest” (Final Fantasy VI)
Original: “The Mystic Forest”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Posso fazer uma confissão: por mais que o FFVI seja o meu favorito e não exista, na minha opinião, uma faixa ruim desse jogo, eu não morro de amores pela “The Mystic Forest” a ponto de querer que ela fosse orquestradas antes de tantas outras. Mas, tudo bem, não há o que reclamar se este é um arranjo novo da era 16-bit. Mesmo que a versão do Symphonic Fantasies soe mais misteriosa pelo coral, esta tem o seu valor. O trecho na flauta é uma pintura e as cordas nos levam de volta às florestas labirínticas do FFVI.

13 – “Eyes On Me” (Final Fantasy VIII)
Original: “Eyes On Me”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Shiro Hamaguchi e Tsutomu Narita
Vocal: Crystal Kay

Chega a ser inacreditável que uma das mais famosas composições do Nobuo Uematsu não vinha sendo tocada nos concertos da série. A única vez em que isso aconteceu, acredite, foi no Voices (2006), em uma interpretação voz e piano da Angela Aki. Versão orquestrada? Jamais executada ao vivo, incrivelmente. A canção original já tinha cordas e banda, e agora o Tsutomu Narita deu uma leve enriquecida na orquestração (agora tem umas trompas bem inseridas) e, como sempre acontece nos concertos de Final Fantasy, limando a bateria, o baixo e a guitarra. A graciosa voz da Crystal Kay combinou bem com a música, talvez deixando menos melosa do que com a Faye Wong.

17 – “Unfulfilled Feelings” (Final Fantasy IX)
Original: “Unfulfilled Feelings”

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Tamanha a minha satisfação com os novos arranjos da era 16-bit, eu quase passei despercebido por este segmento. A música introspectiva e sintetizada com timbres que remetem ao cravo ganhou novas dimensões no arranjo do Nakayama, soando até bombástica e grandiosa em alguns momentos. Boa releitura, mas não me comoveu tanto.

21 – “The Dalmasca Estersand” (Final Fantasy XII)
Original: “The Dalmasca Estersand”

Composição: Hitoshi Sakimoto
Arranjo: Arnie Roth e Eric Roth

Neste momento ímpar, enfim temos o registro oficial da música orquestrada que foi originalmente assinada pelo Hitoshi Sakimoto. Ainda que não seja pelas mãos de um arranjador de excelência como o Hayato Matsuo, que tanto sabe lidar com o estilo do Sakimoto, a dupla de pai e filho Roth fez um bom trabalho arroz e feijão, isto é, um arranjo literal da faixa sintetizada (uma ótima escolha, aliás). Que a turnê Distant Worlds explore mais o mundo de Ivallice.

23 – “Battle Medley 2012” (Final Fantasy I~XIV)
Originais: “Prelude” ~ “Battle Scene” (Final Fantasy) ~ “Battle 1″ (Final Fantasy II) ~ “Battle 2″ (Final Fantasy III) ~ “Fight 2″ (Final Fantasy IV) ~ “The Last Battle” (Final Fantasy V) ~ “The Decisive Battle” (Final Fantasy VI) ~ “Those Who Fight” (Final Fantasy VII) ~ “Force Your Way” (Final Fantasy VIII) ~ “Battle 1″ (Final Fantasy IX) ~ “Otherworld” (Final Fantasy X) ~ “Awakening” (Final Fantasy XI) ~ “Boss Battle” (Final Fantasy XII) ~ “Blinded by Light” (Final Fantasy XIII) ~ “Prelude” (Final Fantasy)

Composição: Nobuo Uematsu, Kumi Tanioka, Hitoshi Sakimoto e Masashi Hamauzu
Arranjo: Hiroyuki Nakayama

Todo e qualquer aborrecimento se dissipou com a magnitude deste medley de temas de combate. Isso é algo que sempre me perguntei. As músicas de batalha são as que o jogador vai ouvir por mais vezes durante o jogo. Por que então a maioria delas nunca sequer foi arranjada oficialmente?

Por mais que a “Prelude” seja um início clichê para qualquer medley de diferentes jogos da série, o negócio vai esquentando até culminar em explosões de nostalgia. A “Battle Scene”, tema convencional das batalhas do primeiro FF, ficou estrondosa, e logo passa o bastão para a “Battle 1″ do FFII, outro tema de batalha normal, que, com as mesmas alternâncias entre flautas e metais, cativa principalmente quem tem na memória os temas em versão 8-bit. No crescendo, a faixa alterna para a “Battle 2″ do FFIII, desta vez um tema de chefe que me faz repensar em todos os milagres que o Uematsu concebia no NES. A música dá uma acalmada, mas só para enganar, indo para a geração 16-bit, com a caótica “Fight 2″ (FFIV), mais um tema de chefe… Nessa, devo confessar que quase vim a falecer. O que é aquela tuba, penetrando as memórias, atravessando as emoções?

Mas pode ficar melhor na passagem para a “The Last Battle” (FFV), que toca na segunda metade da última batalha. Os metais se destacam no trecho mais fantástico da melodia, enquanto as cordas começam a tocar a… “The Decisive Battle” do FFVI! Há até um solo de piano, posteriormente acompanhado pela flauta, quando os metais voltam a tomar conta. Eis que surge…

A “Those Who Fight”, tema de combate normal do FFVII, já foi arranjada várias vezes, inclusive em versões melhores do que esta (como nas rendições com coral no Symphonic Fantasies e Symphonic Odysseys), mas o que importa? É arrepio atrás de arrepio. Depois de tanta empolgação, o medley dá uma esfriada com uma versão anticlimática da “Force Your Way”, tema de batalha de chefe do FFVIII, que começa no solo de piano e ganha o acompanhamento da orquestra e ficou… calmo demais. Em vez de entrar a 200 km/h e aproveitar o piano para tocar a introdução, essa parte começa a 20 km/h e termina a uns 50 km/h. Soa tão fora da rota que a seguinte já recupera a empolgação: a “Battle 1″, dos combates normais do FFIX. Daí a seguinte, meu amigo, foi um choque equiparável ao ouvir os temas 16-bit: a “Otherworld” do FFX! As guitarras e o vocal da canção heavy metal adaptadas para os metais da orquestra. Verdadeiramente chocante.

Mais uma nova desaceleração acontece com a “Awakening” do FFXI, que adquire mais empolgação com a entrada da percussão e as cordas afiadas. Na sequência, temos a redenção de Hitoshi Sakimoto com a “Boss Battle” do FFXII, mas, infelizmente, esse trecho não pega o tema por inteiro, deixando a parte que considero a melhor, de fora, para privilegiar a transição para a “Blinded by Light” do FFXIII, que não impacta como as demais por já ser orquestrada na trilha original, embora tenha uma ênfase maior nos metais.

O que deveria vir agora é um tema do FFXIV, certo? Só que de maneira picareta, pelo que li no fórum do VGMdb, essa repetição da “Prelude” é considerada a homenagem ao FFXIV. Aparece o logo de cada jogo em cada tema quando o Blu-ray é reproduzido, e nessa hora aparece o logo do MMORPG. Esses grandes momentos compensam os pontos baixos do medley e, por que não do álbum todo, deixando a impressão geral positiva.

Seis anos depois de hiato, o inacreditável retorno do Casiopea – com direito a novo DVD

Casiopea
Por Alexei Barros

Uma estatística baseada no puro achismo: se oito em cada dez compositores japoneses de game music foram influenciados pela Yellow Magic Orchestra, os dois restantes tem a banda Casiopea como principal fonte de inspiração. O pioneirismo da YMO ainda está à frente pelo lançamento do álbum homônimo com duas faixas de game music, mas o Casiopea tem a sua importância na história com um jazz fusion altamente melódico e envolvente, hits e medleys de mais de 20 minutos. A rica trajetória da banda que debutou em 1979 foi misteriosamente interrompida em agosto de 2006, passando em branco (a não ser pelo site especial) da comemoração dos 30 anos em 2009.

Quando muitos já tinham perdido as esperanças e se conformavam apenas com as inúmeras coletâneas e os álbuns solo dos seus integrantes, surpreendentemente foi anunciado o retorno em abril de 2012 (é, eu demorei um pouco para fazer o post), com direito a diversos shows e ao DVD, que saiu dia 26 de dezembro. Antes dos detalhes do regresso, os motivos para tanta alegria.

Justamente no ano de 2006 foi quando eu passei a procurar com mais veemência por álbuns de game music oficiais (em 2005 já me interessava mais pelo assunto), praticamente abandonando os poucos arranjos que me agradavam no OverClocked ReMix. Em meio a tantas descobertas, notei que possuía uma predileção pelo gênero jazz fusion, mesmo sem entender a razão. Entre um álbum e outro, acabei conhecendo as bandas Kukeiha Club, da Konami, e S.S.T. Band, da Sega, e todas as histórias ocultas envolvendo o Game Music Festival que já não são mais tão obscuras assim.

Foi então que nesse tópico do Slightly Dark recomendaram a fonte de inspiração delas: T-Square e Casiopea. O T-Square eu já conhecia de nome ao pesquisar a origem de Masahiro Andoh, o guitarrista, por gostar das trilhas de Gran Turismo, mas que nunca tinha conseguido ouvir. As duas bandas tinham feito um show de nome Casiopea Vs The Square não muito tempo antes, lançado em DVD em 2003. Por sorte, havia breves amostras em sample do DVD das faixas “Omens of Love” e “Tokimeki”, entre outras. Bastaram poucos segundos para eu ficar completamente estupefato e virar instantaneamente fã das duas. Então eu mendiguei para um canadense do fórum GamingForce Interactive que havia conseguido todas as faixas do show em um serviço obscuro de compartilhamento de músicas. Escutando tudo, novo choque. Uma música melhor e mais bem tocada que a outra por instrumentistas talentosíssimos. A “Mid-Manhattan” é uma das minhas favoritas até hoje, misturando integrantes do Casiopea e do T-Square. Afinal, duas baterias (e ainda sincronizadas!) só podem ser melhores do que uma…

O Casiopea também sempre me chamou a atenção pela duração de algumas músicas. Alguns medleys passam dos 30 minutos! A respeito de músicas avulsas, a maior de todas é a transcendental “Universe”, do álbum Marble (2004), com 25 minutos.

De maneira voraz, corri atrás das discografias de ambas as bandas, dos álbuns solo dos instrumentistas dessas bandas, das bandas formadas pelos dissidentes e ainda dos projetos paralelos dos músicos dessas bandas (como Trix, Pyramid, Ottottrio e Synchronized DNA que misturam integrantes e ex-integrantes). Haja banda, haja música! O YouTube ainda não era tão popular, e mal conhecia pessoas que ao menos tivessem ouvido falar do Casiopea e do T-Square. Hoje, felizmente, a história é totalmente diferente. Mas, enquanto o T-Square continuava ano após ano na ativa – até hoje –, alimentando em mim certa dose de ansiedade a cada álbum lançado, eu nunca cheguei a ter o mesmo sentimento com o Casiopea.

Nesse meio tempo, não me dei por feliz e procurei pesquisar mais detalhes sobre o Casiopea e, para minha completa surpresa, descobri no site do baixista Tetsuo Sakurai que a banda fez uma turnê brasileira em 1987, visitando as cidades de São Paulo, Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre (veja a propaganda ao lado).

Vasculhando o excepcional Acervo da Folha, encontrei uma reportagem do dia 9 de abril de 1987 sobre a primeira vinda deles, informando que o Gilberto Gil foi o responsável por trazê-los para o Brasil. Tem até uma entrevista (apesar de creditada como se todos os integrantes fossem uma coisa só):

O jazz rock japonês do Casiopea estreia sábado em São Paulo

Trazido ao país por inicativa de Gilberto Gil, o grupo japonês Casiopea chegou ontem de manhã a São Paulo, onde inicia uma turnê por seis cidades brasileiras, com produção do Projeto SP. A estreia, que estava marcada para amanhã foi transferida para o sábado, às 21h, no auditório Elis Regina do Palácio das Covenções do Anhembi. Depois o grupo segue para Salvador (onde se apresenta dia 14), Recife (dia 15), Rio de Janeiro (dias 20 e 21), Curitiba (dia 22) e Porto Alegre (dia 24).

A ideia de promover a vinda do grupo surgiu em 85, na Alemanha, quando Gilberto Gil ouviu pela primeira vez o jazz-rock do Casiopea. A Gege Produções Artísticas promete para breve o lançamento do primeiro disco do grupo no país, Halle, através do selo Geleia Gera, que editou o recente LP de Gil, Em Concerto. No domingo, às 14h, também no Anhembi, o grupo trocará improvisos com músico brasileiros, numa “jam session” que poderá assistida apenas por convidados e pela imprensa. Já estão confirmados os nomes de Nelson Ayres (teclados), Nico Assunção (baixo), Cláudio Celso (guitarra), Lino Simão (sax) e Duda Neves (bateria).

O Casiopea foi formado há dez anos pelos ainda estudantes Issei Noro (guitarra, arranjos e letras), Tetsuo Sakurai (baixo) e Minoru Mukaiya (teclados) que se reuniam para “jam sessions” informais. O comprometimento com o grupo foi crescendo e em 79 gravaram seu primeiro disco, Casiopea. A base da atual formação foi completada no ano seguinte com o ingresso do baterista Akira Jimbo, que também é especializado em sintetizadores.

Em 82, o grupo já era sucesso nacional, fazendo turnês pelo Japão que incluíam mais de cinquenta cidades. O primeiro passo para o lançamento do Casiopea no exterior foi dado em Londres, no ano seguinte, e, em 84, acontecia uma significativa apresentação no Festival de Jazz de Montreux, na Suiça, logo após o show de Miles Davis. As turnês se sucederam: Holanda no North Sea Jazz Festival, em Suécia, Dimanarca, Indonésia e EUA. Além do aval de Gil, a agência de serviços do grupo inclui gravações ao lado de conhecidos músicos norte-americanos como o guitarrista Lee Ritenour e o baterista Harvey Mason, ou mesmo do saxofonista japonês Sadao Watanabe.

Muito interesse pela música brasileira

O Casiopea concedeu uma entrevista exclusiva à Folha, no último fim de semana, pouco antes de deixar o Japão. O “manager” do grupo, Masato Arai, transmitiu as seguintes perguntas ao quinteto japonês:

Folha – Vocês conhecem a música brasileira?
Casiopea - Sim, conhecemos bastante a música brasileira e estamos muito interessados nela. Ouvimos Djavan, Gilberto Gil, Airto Moreira, Milton Nascimento e outros, sempre que conseguimos discos importados no Japão. Na verdade, a seção rítmica do Casiopea está ansiosa por adotar sons brasileiros em nossas composições e arranjos.

Folha – Quais são as influências musicais do grupo?
Casiopea - Todos os ambientes que nos cercam, nossas vidas diárias e as experiências individuais de cada integrante – somos influenciados por tudo isso. Especialmente pelos contatos que fazemos nos lugares que visitamos, já que estamos sempre viajando ou gravando em algum lugar do Japão ou do mundo. Somos influenciados pelas coisas que vemos, pelas coisas que ouvimos. Nesses lugares, às vezes escrevemos uma canção baseada nas comunicações que fazemos com pessoas do local.

Folha – Há elementos tradicionais japoneses na música do Casiopea?
Casiopea - Não estamos particularmente preocupados com isso. De fato somos todos japoneses com características inatas japonesas. Há momentos em que notamos alguns elementos “japoneses” em nossas canções depois de escrevê-las.

Folha – Por que os recursos eletrônicos predominam no trabalho do grupo? Vocês têm algum preconceito contra instrumentos acústicos?
Casiopea - Não temos preconceito contra instrumentos acústicos, ou que quer que seja. Temos interesse em vários instrumentos folclóricos que ouvimos em várias partes do mundo. Estamos simplesmente usando o que está disponível ao nosso redor. Embora utilizemos um método eletrônico, não queremos soar mecânicos e buscamos sempre capturar ou atingir o coração das pessoas. Na realidade, somos seres humanos com corpos vivos, ou seja, existências acústicas, para começar…

Nos dias 17 e 18 de janeiro do ano seguinte, a extinta TV Manchete chegou a exibir o programa “Casiopea Especial”, que mostrava um show gravado no Japão. E, então, em 1988, eles voltaram como parte da turnê mundial, desta vez tocando em São Paulo, Londrina, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Duas músicas apresentadas em São Paulo, “Taiyo-Fu” e “Red Zone”, estão registradas no álbum World Live ’88. Além dessas, a “Palco”, do Gilberto Gil, foi cantada por ele na companhia do Pepeu Gomes  na guitarra, Oswaldinho do Acordeon e do Casiopea, conforme mostra o vídeo. Ao descobrir tudo isso tantos anos depois, me sinto um fã completamente tardio, juvenil e amador, como já havia muitos fãs brasileiros antes de mim (vide o comparsa Eric “Cosmonal” Fraga, do Cosmic Effect).

Nessa segunda visita, a Folha fez outra reportagem no dia 24/06/1988:

Casiopea faz show acompanhando Gil

Um brasileiro influi nos rumos de um grupo japonês. É o que os integrantes do grupo de jazz-rock Casiopea deram a entender ao falar sobre seu último LP, na coletiva que concederam ontem à tarde no Ginásio do Ibirapuera. O grupo está no Brasil para fazer sua segunda turnê pelo país. A estreia da temporada, hoje no mesmo local, contará com a participação do compositor, cantor e candidato à prefeitura de Salvador, Gilberto Gil. O show em São Paulo integra a Expo Brasil/Japão, que prossegue até 3 de julho.

Foi Gil, ausente da coletiva, o responsável pela primeira vinda do grupo, em 87. E foi também o baiano que sugeriu a orientação que o grupo tomou em seu último LP, Euphony, lançado no Japão em abril e o 16º em 11 anos de existência da banda. Segundo o tecladista Minoru Mukaiya, Gil teria aconselhado o grupo a tentar transmitir mais da cultura japonesa contemporânea, para diferenciar o som da banda. Tal feito eles fazem ter alcançado no uso de sons de instrumentos típicos japoneses nos muitos teclados e sintetizadores de última geração que utilizavam. Nos dias 13 e 14 de julho, deverão estar no Rio para a gravação de duas faixas do próximo disco do cantor, com lançamento previsto para outubro.

Sem definição

Atrasados pelo voo, os quatro integrantes do Casiopea (além de Mukaiya, Issei Noro, guitarra, Tetsuo Sakurai, baixo e Akira Jimbo, bateria) só deram respostas gerais às perguntas dos jornalistas. Não definiram quais ou quantas músicas tocarão com Gil, dizendo que a decisão final ficaria para o ensaio de hoje à tarde. Só adiantaram que iriam submeter à aprovação do cantor alguns arranjos, querendo “respeitar as características” de Gil. O repertório da excursão pelo Brasil vai ser só de música instrumental, se concentrando em “Euphony”, e incluindo uma seleção das principais músicas de outros dicos, como Halle, único lançado no Brasil.

Gil não é o único contato dos quatro nipônicos com a música brasileira. Revelam gosto eclético ao desfilarem nomes como Tom Jobim, Milton Nascimento, Gal Costa, Joyce, Djavan e Sergio Mendes. Alguns eles conheceram pessoalmente quando se apresentaram no Rio, ano passado.

Nascidos e criados em Tóquio, os músicos do Casiopea dizem ter recebido influências musicais muito variadas. Antes de formar o grupo, todos tinham preferência por pop e rock. Afirmam ser um dos poucos grupos no Japão atual a insistir na música instrumental e contribuir para impor uma imagem positiva do gênero, quando a maioria se dedica a acompanhar cantores. Também acham que investem na evolução musical ao não se debruçarem sobre as raízes da música de seu país.

Como podemos ver abaixo, a vinda do Casiopea em 1988 atraiu bastante atenção não só da Folha, como de toda a mídia brasileira. Uma façanha, dada a obscuridade de artistas japoneses – o que dirá japoneses de música instrumental!

Para completar, há músicas do Casiopea em português (“Samba Mania”, “Teatro Saudade” e outras) e até o Djavan participou da música “Me Espere” do álbum Platinum (1987). Com toda essa proximidade com o Brasil – isso que não vou me aprofundar nas histórias e participações dos álbuns solo Vida do Issei Noro e Cartas do Brasil do Tetsuo Sakurai –, foi incrível perceber que todos os seus integrantes estavam relacionados de alguma forma com game music. Muitas dessas participações eram em performances de álbuns e, naquela época, não existia o VGMdb, então tentar compilar informações do tipo exigia buscar várias fontes japonesas. Hoje, dá uma alegria ver tudo organizado, reunindo as discografias de cada instrumentista, e saber: que o baterista Akira Jimbo e o baixista Tetsuo Sakurai tocaram em álbuns como Kukeiha Club, Rockman X Alph-Lyla with Toshiaki Ohtsubo e The King of Fighters ’96 Arrange Sound Trax. Ou então que o baixista Yoshihiro Naruse participou do Sorcerian Super Arrange Version. Melhor, que o guitarrista Issei Noro arranjou e tocou a “Rush a Difficulty” no álbum Super Sonic Team -G.S.M. Sega 3- da S.S.T. Band, arranjando músicas nos CDs seguintes e ainda participando como convidado em shows da banda. Como uma espécie de homenagem, a “Galactic Funk” inclusive foi tocada no bis no Game Music Festival 1992.

E, para completar, o tecladista Minoru Mukaiya, que efetivamente compôs trilhas para games, colaborando para Koei para jogos como Romance of the Three Kingdoms III e Romance of the Three Kingdoms II, cujo “Main Theme” inclusive foi tocado no Orchestral Game Concert. Mais do que isso, Mukaiya é o CEO do estúdio Ongakukan, que produz simuladores de trem para videogames. O mundo é pequeno mesmo. Aliás, o bônus de um desses títulos (não me pergunte qual) traz como bônus a performance de uma música do Casiopea (exclusiva do jogo):

Se tamanha contribuição por si só não fosse suficiente, enfim chego ao terreno das influências. Pesquisando a respeito e muitas vezes trombando sem querer com esse detalhe, sei que nomes como Ayako Saso, Motoaki Furukawa, Shoji Meguro, Hiroyuki Iwatsuki e nada menos do que Koji Kondo assumidamente se inspiraram no Casiopea ao longo de suas carreiras.

Dito tudo isso, entre várias novas apresentações, o show do dia 19 de outubro rendeu um DVD, de nome Casiopea 3rd Live Liftoff 2012. Quem achou que a banda voltaria em peso pode se decepcionar um pouco, já que Minoru Mukaiya, o primeiro tecladista da fase profissional da banda (na era amadora, teve antes o Hidehiko Koike, que chegou a participar do show 20th, de 20 anos de aniversário) deixou o Casiopea. Em seu lugar, entrou a Kiyomi Otaka, a primeira mulher do grupo. Fica a torcida para que ele participe dos shows comemorativos de aniversário, como aconteceu com ex-membros em outras ocasiões (como o Tetsuo Sakurai) para tocar algumas de suas composições. Minha sugestão: a “Lucky Stars” do álbum Material (1999), o meu preferido.

Inicia-se, portanto, a terceira fase do Casiopea – daí o “3rd” no nome –, sendo a segunda etapa a iniciada em 1990, quando, na ocasião, Tetsuo Sakurai e Akira Jimbo deram lugar a Yoshihiro Naruse e Takashi Sasaki para formar a dupla Jimsaku.

Meu único desapontamento é com a falta de novidades do set list do DVD. Aliás, isso eu até esperava, como o último álbum, Signal, é de 2005. Mas o problema é a obviedade das seleções musicais, pegando mais as famosonas, embora eles mereçam um desconto por não tocarem essas músicas juntos há vários anos.

Metade do espetáculo pode ser conferido abaixo, como o show foi transmitido na TV japonesa (inveja? Magina…). Os cabelos do guitarrista Issei Noro deram uma boa esbranquiçada, caso você não o tenha visto durante esses seis anos. Dá para ver que o Yoshihiro Naruse no baixo e o Akira Jimbo na bateria também estão tão bons quanto antes – o que é óbvio. Com a entrada da Otaka, a sonoridade da banda mudou bastante, causando um certo estranhamento, confesso – pudera, depois de 27 anos de Mukaiya não tinha como ser diferente. A maior diferença, além das preferências de timbres, é que a Otaka gosta de centrar as atenções no órgão Hammond e aparentemente ela não se arrisca no vocoder. Todavia, ela já mostrou um grande entrosamento com o restante da banda.

No mais, já na expectativa pelo provável próximo álbum em 2013, inclusive para ver melhor como a nova tecladista vai se sair.

Seja bem-vindo de volta, Casiopea!

Final Fantasy Orchestral Album: o Blu-ray de áudio comemorativo de 25 anos da série

Final Fantasy Orchestra Album
Por Alexei Barros

Com o aniversário de 25 anos de Final Fantasy, qualquer fã acostumado com as tradições fantasiosas estranharia a ausência de álbuns e concertos relacionados à série. Bom, espetáculo, especial mesmo, vai ser ano que vem com o Final Symphony. Mas a série FF é tão grande que tem o luxo de receber outra comemoração de uma frente diferente: a dos responsáveis pela turnê Distant Worlds, equipe liderada pelo maestro Arnie Roth.

Desta vez, o pessoal exagerou: em vez de um CD, o Final Fantasy Orchestra Album, disco que celebra o ¼ de século da série, é um ignorante Blu-ray de áudio que sai hoje, dia 26 de dezembro, no Japão. A edição limitada vem com um vinil, que contem cinco faixas já presentes no Blu-ray. Além de, evidentemente, permitir mais do que 74 minutos de música, o álbum conta com a estúpida qualidade 24bit/96kHz para contemplar a performance da FILMharmonic Orchestra Prague, conhecida pela participação na série alemã de concertos Symphonig Game Music Concert em Leipzig.

De nada isso tudo ia adiantar se a track list não fosse interessante. Bom, eu diria que é parcialmente interessante. Lamentável que, das 23 faixas, 18 sejam meros repetecos já registrados, inclusive, nos dois álbuns em estúdio Distant Worlds e no DVD Returning Home. Espero que, com a desculpa da melhor qualidade, seja a última oportunidade em que haverá músicas como “One-Winged Angel” e “Eyes on Me”. Já deu, né? A segunda canção, aliás, será gravada pela cantora Crystal Kay, que é filha de americano com uma coreana. Além da discografia como cantora J-pop, a artista já gravou temas de Pokémon e Fullmetal Alchemist. Não entendi bem o motivo, mas essa música tem, no arranjo, creditado o nome do Tsutomu Narita, tecladista da Earthbound Papas, então é provável que a partitura tenha sido modificada. Outro número requentado é a ópera do FFVI, que também traz o crédito do Narita. Pelo que vi nos vídeos, agora a ópera tem… narração, recurso que esteve presente na versão dos Black Mages. É, fazer o quê….

Já as cinco restantes, as inéditas em álbuns orquestrados de Final Fantasy, são promissoras, embora menos impactantes para quem acompanhou a sequência de posts da apresentação da turnê em Londres. “The Dreadful Fight” (FFIV), “The Mystic Forest” (FFVI), “The Dalmasca Eastersand” (FFXII), todas já publicadas aqui, recebem versões em estúdio para plena apreciação. Somadas a essas três, temos a “Unfulfilled Feelings” (FFIX), que, pelo que me consta, jamais foi tocada ao vivo por concertos antigos e pela turnê Distant Worlds, aparecendo agora em um arranjo do Hiroyuki Nakayama. Completando a conta, há outro segmento não executado: o “Battle Medley 2012”. O detalhe é que essa miscelânea vai do FFI ao FFXIV, passando por músicas do Nobuo Uematsu, da Kumi Tanioka, do Masashi Hamauzu e até do Hitoshi Sakimoto. Morri!

Todas as 23 faixas do álbum podem ser parcialmente apreciadas nos samples do site, e a “Battle Medley 2012” (a última da lista) já mostra a que veio, pegando o trecho da “The Decisive Battle” (FFVI), seguida pela “Those Who Fight” (FFVII), que mesmo após as rendições do Symphonic Fantasies e do Symphonic Odysseys, conseguiu me cativar de novo.

Ouça os samples aqui. Veja no VGMdb a track list completa e, abaixo, o vídeo promocional.

“Four Nations, One Sky ~ A Tribute to the Cities” – Final Fantasy XI (Final Fantasy XI Vana♪Con Anniversary 11.11.11)

Por Alexei Barros

Aos poucos, os concertos de Final Fantasy vão se desgarrando da supremacia de Nobuo Uematsu para se lembrar das músicas de outros compositores. Hitoshi Sakimoto (FFXII) e Masashi Hamauzu (FFXIII) são os caras que mais fácil vêm à mente por honrar a camisa da série com belas composições. Mas tem mais gente. Meio que relegada a segundo, terceiro plano está o nome da Kumi Tanioka, que fez a trilha de FFXI com Naoshi Mizuta e o próprio Uematsu.

Mas no concerto Final Fantasy XI Vana♪Con Anniversary 11.11.11, realizado na efeméride dos dez anos do MMORPG, a compositora recebeu os merecidos holofotes quando, depois de apresentar músicas solo no piano, acompanhou a Tokyo Philharmonic Orchestra no mesmo instrumento com o “Four Nations, One Sky ~ A Tribute to the Cities”. Melodias belíssimas, solos belíssimos, intervenções belíssimas. Tudo belíssimo. Me deu até vontade de jogar o FFXI… não, deu não. Das quatro faixas, apenas uma é de fato assinada por ela, sendo o restante de autoria do Naoshi Mizuta, como veremos a seguir.

“The Kingdom of San d’Oria” tem timbres do que parece ser uma gaita de fole um tanto quanto áspera. Quando esse mesmo trecho passa a ser reproduzido na graciosidade dos clarinetes, oboés e fagotes, a faixa melhora 100%. Como se não bastasse, a Tanioka se aproxima da celebração musical, com o seu piano, seguido pela imponência dos metais. Viajando pelo mundo de FFXI, chegamos a “The Republic of Bastok”, a única assinada pela Tanioka – que melodia, que pintura. Nessa parte, o piano não se destaca tanto, ficando emparelhado com as flautas. No momento em que surge a “The Federation of Windurst”, após uma transição, devo confessar, no mínimo pouco criativa, a Tanioka mostra a que veio, com uma passagem cintilante no piano, instrumento que inexistia entre os timbres presentes na original. Simplesmente sublime. E é ela que faz a transição que culmina na formidável “The Grand Duchy of Jeuno”, praticamente uma valsa. Tanioka volta a ficar em evidência em certo trecho e no finzinho a peça dá uma acelerada. O arranjo da Sachiko Miyano não se desprendeu muito das originais, mas apenas a felicíssima seleção de faixas garante uma bela turnê musical pelo mundo online de Final Fantasy XI.

E o melhor: tudo isso pode ser visto na gravação com o mesmo nível de precisão do DVD do Monster Hunter, com vários ângulos e cortes precisos de câmera. Assistir ao vídeo em 720p é uma ordem. Faça o favor:

“Four Nations, One Sky ~ A Tribute to the Cities”
“The Kingdom of San d’Oria” ~ “The Republic of Bastok”“The Federation of Windurst” ~ “The Grand Duchy of Jeuno”


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