Video Games Live: a renascença de Assassin’s Creed II


Por Alexei Barros

Nem sei se compensa continuar falando do VGL depois de tudo o que comentei nos últimos posts, mas de qualquer forma foi confirmado mais um segmento novo. É referente ao recém-lançado Assassin’s Creed II, cuja estreia acontecerá na apresentação em Paris, a acontecer amanhã, dia 21 de novembro. A série só havia sido representada anteriormente no Games in Concert 2 (2007), com a música “The Chosen” do primeiro Assassin’s Creed, tocada em uma performance altamente ousada e inusitada da banda Intwine e do rapper Brainpower (ambos da Holanda como o concerto) na companhia da Metropole Orchestra.

Tem dois fatos curiosos. O primeiro é que o jogo não fazia parte da promessa de dez segmentos inéditos para 2010 – aliás, ainda estou para ver Shenmue, Monkey Island, Super Smash Bros., entre outros; pensa que eu esqueci? –, apesar de já mencionado em fóruns do VGL. O outro é que o Assassin’s Creed II não consta na lista de franquias apresentadas no site oficial. Apenas esqueceram de atualizar você rebaterá. Acontece que nessa mesma relação há Gears of War, Portal, Earthworm Jim e Donkey Kong (segmento interativo), que jamais foram executados.

Depois das últimas novidades japonesas, volta uma adição à moda antiga de um jogo ocidental. A trilha é assinada pelo dinamarquês Jesper Kyd, da série Hitman, e foi gravada no Capitol Records Studio A em Hollywood, utilizando somente um pequeno grupo de 30 cordas e  coral de 13 vozes. Considerando o diminuto tamanho padrão das orquestras utilizadas no VGL, a escolha foi perfeita, pois deverão ser 30 instrumentistas interpretando um número feito para 30 musicistas, não 30 tentando fazer o som de 80 como acontece em outros segmentos.

[via Music 4 Games, Scoring Sessions]

Concerto ~Awakening~ da Video Game Orchestra será transmitido ao vivo via rádio

Video Game Orchestra ~Awakening~
Por Alexei Barros

Gravações oficiais em CD ou DVD dos concertos de games têm sido escassas, mas não tenho muito o que reclamar das transmissões de rádio, como a série holandesa Games in Concert, o Symphonic Shades (o primeiro ao vivo) e o Symphonic Fantasies (também em vídeo).

A exemplo de iniciativas como essas, a pró-amadora Video Game Orchestra também terá a apresentação em Boston, EUA, do dia 5 de dezembro, ~Awakening~, veiculada ao vivo no rádio, na estação Berklee Internet Radio Network, no canal BIRN 2. Eu achando que teria que esperar alguns meses para as gravações pipocarem no YouTube, quando todo o espetáculo poderá ser apreciado no exato momento em que estiver acontecendo a partir das 15h30 no Brasil (19h30 locais), conforme não me deixa enganar o 24 Time Zones.

Eis o link da transmissão: BIRN.

“The Next Door” – Street Fighter IV (EXILE Live Tour 2009 “The Monster”)

Por Alexei Barros

Já faz tempo que os videogames se tornaram antes um negócio do que qualquer coisa, e muitas produtoras não têm feito o menor esforço para esconder isso ao utilizar artistas de estilo sem muita relação com as franquias, descaracterizando as séries sem o menor pudor. Não é mesmo, Square Enix?

A Capcom também não deixou por menos na trilha de Street Fighter IV, e escalou o grupo vocal EXILE, que cantou o tema de abertura “The Next Door”. A canção fez parte da mais recente turnê e foi registrada no DVD EXILE Live Tour 2009 “The Monster”, lançado há pouco, no dia 28 de outubro de 2009. Se a canção sozinha não tinha cara de Street Fighter, no show ficou ainda mais difícil estabelecer a relação. Em meio à pirotecnia de fogos e luzes, os integrantes do conjunto interpretam o tema à la Backstreet Boys paramentados com armaduras e espadas. Comparado com a original, esta versão foi estendida e apresenta um final prolongado.

Que saudade da abertura do Street Fighter II…

Canção-tema da versão ocidental de Final Fantasy XIII será música licenciada

Por Alexei Barros

Longe de achar a “Kimi ga iru kara” memorável – ainda mais comparando com faixas promissoras da trilha do Final Fantasy XIII como “Battle Theme” e, quem diria, “Chocobo Theme” – , fiquei estarrecido com a revelação feita no vídeo que confirmou a data do lançamento ocidental (EUA e Europa): 9 de março de 2010 (82 dias depois da edição japonesa, a localização mais rápida da série entre os episódios numerados, conforme o Fabão comentou no Twitter).

Leona Lewis - EchoEm vez de traduzida, a composição do Masashi Hamauzu cantada pela Sayuri Sugawara será substituída na versão ocidental pela “My Hands”. Assinada pela dupla Ina Wroldsen e Arnthor Birgisson, é a sexta faixa do álbum Echo, o segundo da carreira da cantora inglesa Leona Lewis lançado dia 9 de novembro de 2009. Ou seja, vão trocar uma música original, feita para o jogo, com a letra escrita para a história do jogo, por uma canção pronta, sem qualquer relação com a trama, para ser tocada na rádio. Qual o sentido disso?

Fico pensando: a canção-tema originalmente seria composta pelo Nobuo Uematsu, que acabou deixando a missão para o próprio Hamauzu porque ele já estava muito atarefado com a trilha de Final Fantasy XIV. Será que se a música fosse do Uematsu, a Square Enix faria essa alteração torpe? Eu duvido.

“Today” – Burnout Revenge (Games in Concert)

Burnout Revenge
Por Alexei Barros

O que eu, que sempre reclamo quando aparece uma música licenciada em um concerto e me chateio quando me falam que a trilha de qualquer FIFA ou GTA é game music, venho fazer com esse post?

Calma. Assim como a série alemã Symphonic Game Music Concert rendia homenagem anualmente ao maior compositor local Chris Huelsbeck, a holandesa Games in Concert traz em todas as edições faixas de compositores dos Países Baixos.

Um dos holandeses mais proeminentes – e não apenas pelas colaborações em game music –, é Tom Holkenborg, mais conhecido pelo cognome Junkie XL. A canção “Today”, que empresta o nome para o quarto álbum, consta nas trilhas de Burnout Revenge e Burnout Legends, e é interpretada por Nathan Mader. Vale ressaltar um detalhe: a primeira aparição se deu nos jogos, visto que os dois títulos saíram em 13 de setembro de 2005 e o CD em 18 de abril em 2006.

Floor JansenPor ser dance, poderia receber o prêmio de escolha mais insólita de um concerto de games já feita. Martin Fondse não arranjou a música, e sim REVOLUCIONOU a música. Se eu escrevesse em caixa baixa não conseguiria expressar suficientemente o efeito da releitura.

A guitarra atordoante, as batidas eletrônicas e o vocal masculino são suprimidos em favor de baixo elétrico, bateria física, uma profusão de metais e a voz poderosa da Floor Jansen em uma toada mais pop com pitada jazzística. Devo revelar que a original não está de acordo com o meu gosto. Em contrapartida, a versão da Metropole Orchestra preservou a nata da composição (cerca de dois minutos e meio foram limados) e ficou espetacular, sem deixar de ser reconhecível. Quem me dera se todas as licenciadas fossem tocadas assim.

Infelizmente, o link abaixo é da gravação da plateia, já que esta canção não foi transmitida pelo rádio.

- “Today” (Burnout Revenge, Games in Concert)

“Seiken Densetsu: Legend of Mana Piano Quartet” – Legend of Mana (Ensemble Game Classica)

Por Alexei Barros

Vou poupá-lo de qualquer outro comentário sobre o meu desinteresse com Legend of Mana (quem sabe um dia me animo) para me limitar às observações sobre a trilha, a sempre exaltada trilha de Yoko Shimomura que recebeu uma merecida homenagem na mais recente apresentação da Ensemble Game Classica, que nesta performance recebeu o reforço do piano.

É o instrumento quem dita os passos da renomada “Legend of Mana ~Title Theme~”, ora solando, ora com o acompanhamento do trio de cordas. Uma passagem tênue para a emotiva “Nostalgic Song” com o solo de viola – o arranjo lembra a versão “Nostalgic Song ~Ending Theme for Mana’s Story~” e, depois, há uma transição menos refinada para a “Sparkling City Of Ruin”, novamente com ênfase no piano, fechando o afável medley de seis minutos que poderia ser 12, 20…

“Seiken Densetsu: Legend of Mana Piano Quartet”
“Legend of Mana ~Title Theme~”
~ “Nostalgic Song” ~ “Sparkling City Of Ruin”

“Revenge Of Mr. X” – Streets of Rage 2 (Rigor Mortis)

Por Alexei Barros

Aproveite o momento ímpar, porque performances amadoras de Streets of Rage são incomuns. Não me espanta que tal escolha parta do ousado Rigor Mortis, um dos poucos ocidentais que costumam escapar do óbvio.

Mesmo sem, evidentemente, todas as batidas e o peso da original, a “Revenge Of Mr. X” do Streets of Rage 2 teve a melodia adaptada ao piano de maneira muito convincente e empolgante.  Não há rodeios desnecessários, e o vídeo acaba em pouco mais de um minuto. E me deixa com a vontade de ouvir outras da trilha. Que venha “Under Logic”!

O despertar da Video Game Orchestra

Video Game Orchestra ~Awakening~Por Alexei Barros

O ano ainda não acabou para os eventos de game music. No dia 5 de dezembro de 2009, sábado, a Video Game Orchestra voltará ao palco do Berklee Performance Center em Boston, EUA, nove meses após a realização da maior apresentação do grupo nesse mesmo local que reuniu 5000 pessoas. O próximo concerto é intitulado ~Awakening~. Clique no cartaz ao lado para vê-lo maior. Muito maior, aliás.

Como naquele espetáculo, será a formação completa da VGO, com quase 100 pessoas – calcule algo em torno de 45 da orquestra, 40 do coral e cinco da banda – conduzidas por Yohei Sato para executar arranjos novos de clássicos como Mario e Final Fantasy, e jogos mais recentes, a exemplo de Metal Gear Solid, God of War e Silent Hill.

O convidado da noite será o compositor Wataru Hokoyama, que regerá uma suíte do Afrika, o que já aconteceu no A Night in Fantasia 2009 e no Video Game Soundtracks GSPO. De acordo com Shota Nakama, fundador e diretor da VGO, diversos estilos de música serão apresentados e o estilo rock sinfônico que caracterizou o grupo foi aprimorado, e a promessa é surpreender os espectadores.

Para estudantes ou pessoas com menos de 18 anos o ingresso à venda antecipadamente no ticketmaster.com é de 10 dólares, e o público em geral paga 15. Se forem comprados no dia da apresentação, saem por 15 e 20 dólares, respectivamente.

[via release]

“Super Mario Bros. Trio String” – Super Mario Bros. (Ensemble Game Classica)

Por Alexei Barros

Estava sentido falta das orquestras e conjuntos pró-amadores japoneses. Fazia tempo que não surgia nada novo. Sempre sinônimos de audácia e criatividade. E como pode isso ser possível com um medley de Super Mario Bros., a trilha mais batida de todas?

Em um momento raro da natureza tão extraordinário quanto um eclipse, foi gravada uma apresentação de um espetáculo nipônico e publicada no Nico Nico Douga. Aqui, trata-se da mais recente, realizada em agosto, do grupo Ensemble Game Classica, o qual cheguei a compartilhar registros do ensaio.

Por ser um trio de cordas formado por violino, viola e violoncelo, a qualidade dos instrumentistas deve ser maior, afinal não há como encobrir os erros como aconteceria numa orquestra. Pelo que escutei, os três são muito bons – que surpresa serem japoneses. O único problema não diz respeito a eles, mas a um ruído de fundo, causado talvez pela câmera, talvez pelo ar condicionado. Não atrapalha tanto.

Em relação ao medley, a intenção foi recriar a experiência de jogo de maneira muito mais detalhada do que o normal. Por exemplo, quando vem a hora da fase 1-2, em vez de partir direto para a “Underworld” (repare nos sons das moedas), o trecho da música no começo do estágio é lembrado e, mais genial, até o efeito do Mario entrando no cano. O que torna esse medley especial, todavia, é a inclusão da “Castle”, o tema do castelo que não apareceu na suíte “Super Mario Bros.”, feita pelo Nobuo Kurita para o Orchestral Game Concert, possivelmente o arranjo definitivo do jogo dada a quantidade gigantesca de vezes em que foi executado. Por isso, até imaginei que a música não pudesse ser traduzida de maneira convincente para as cordas – e se pode para uma trinca de cordas, também pode para uma orquestra completa.

Ainda estou para ver ocidentais amadores com o mesmo talento e inventividade.

- “Super Mario Bros. Trio String”
“Overworld” ~ “Invincible” ~ “Overworld” ~ “Course Clear” ~ “Underworld Entrance” ~ “Underworld” ~ “Underwater” ~ “Overworld” ~ “Castle” ~ “World Clear” ~ “Game Over”

Projeto de DKC2 do OCRemix terá a participação de três compositores profissionais – incluindo o autor da trilha original

Donkey Kong Country 2
Por Alexei Barros

Não é novidade – se não sabia, fique sabendo – que não sou fã número 1 dos arranjos do OverClocked Remix por questão de gosto musical (não me apetecem as experimentações muito cabeludas), mas devo reconhecer (seria tolice ignorar) que a comunidade de fãs conseguiu feitos incríveis. O primeiro, até onde eu sei, é a versão  da “Terra’s Theme” intitulada “Squaresoft Variation”, preparada pelo Jeremy Soule (Secret of Evermore, Guild Wars, The Elder Scrolls IV: Oblivion e outros).

O segundo, e a maior façanha de todas, foi o trabalho das releituras do Super Street Fighter II Turbo HD Remix. Eles não lançaram digitalmente apenas um álbum de remixes, e sim fizeram a trilha que está no remake. A próxima realização (talvez até tenham acontecido outras que desconheça) é a participação de três compositores de jogos da Rare no Serious Monkey Business, ainda sem data de lançamento definida, que cobrirá as músicas do Donkey Kong Country 2.

São eles: Grant Kirkhope (Banjo-Kazooie, Grabbed by the Ghoulies), Robin Beanland (Killer Instinct 2, Conker’s Bad Fur Day) e, mais admirável, David Wise, o compositor original do jogo e criador de obras-primas como “Aquatic Ambiance” (DKC) e “Stickerbush Symphony (Bramble Blast)” (DKC2). Farei questão de ouvir.

[via OSV]

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