Final Symphony: Final Fantasy VI, VII e X em uma nova sinfonia

Por Alexei Barros

Desde o Symphonic Odysseys, discutia-se a possibilidade da realização do concerto nos mesmos moldes que visava à comemoração dos 25 anos da série Final Fantasy que se completarão em dezembro de 2012. Mas, com o anúncio do Symphonic Game Music Concert 2012, que já tem as confirmações de Journey e Turrican II no repertório, acreditei que a ideia seria descartada. E não foi. Em 2013, a mesma equipe capitaneada pelo produtor Thomas Boecker de apresentações como o Symphonic Fantasies vai trabalhar no espetáculo Final Symphony (o nome pode ser alterado).

Ainda sem dia e data definidos, será mais um concerto focado em Final Fantasy. Porém, a principal diferença para a turnê Distant Worlds, que cobre a série toda (com uma má vontade tremenda com o FFXII) selecionando muitas canções pop, é que a récita se enfocará em três episódios em uma abordagem mais erudita: Final Fantasy VI, Final Fantasy VII e Final Fantasy X. Opinião minha, não leve muito a sério: nem acho que o FFX se destaque pela trilha; a meu ver, o sistema de combate é o que sobressai diante da falta de carisma de alguns personagens e os retões com zero de exploração que o jogo possui – por favor, não atire em mim. Musicalmente eu preferiria o FFIV, mas entendo que o FFX seja muito mais popular e assim o concerto pega representantes da série em três gerações. Mas ainda tem um motivo a mais para me empolgar.

O Final Symphony terá três arranjadores e cada um deles se enfocará em um capítulo específico. Roger Wanamo vai cuidar de FFVI, Jonne Valtonen de FFVII e Masashi Hamauzu de FFX. Nobuo Uematsu estará envolvido na consultoria dos arranjos, o que não significa que somente músicas escritas por ele serão executadas. Ou seja, haverá faixas do FFX assinadas pelo Hamauzu no concerto. Desde já, ou melhor, desde sempre, sonho com a assombrosa “Decisive Battle” numa performance no piano do Benyamin Nuss – o jovem alemão inclusive está confirmado. “People of the North Pole”, também do Hamauzu, não seria nada mal.

Com o concerto voltado para três jogos somente, aumentam as chances de aparecerem faixas nunca ou raramente arranjadas dessa trinca. “Searching for Friends”, do FFVI, é uma que acredito ser uma das candidatas, visto que a composição tem aumentado de popularidade, se é que já não era famosa antes, especialmente entre os japoneses. A música ficou em segundo lugar na votação das 700 melhores faixas de games numa eleição entre os nipônicos e recentemente foi inclusa no álbum Piano Opera Final Fantasy IV/V/VI – demorei tanto para escrever um post sobre o CD e já saiu faz tempo; foi mal. Embora a limitação de tempo seja um potencial problema, desejo fortemente a presença da “Ending Theme”, em toda a glória dos seus 21 minutos de duração. E, em relação ao FVII, já chegou a hora de “Cid’s Theme”.

A orquestra escolhida para o Final Symphony ainda não foi anunciada, mas é uma orquestra classe A, com 80 instrumentistas. Vale ressaltar que não haverá uma única apresentação. Ainda que o espetáculo não vire uma turnê gigante, outros países além da Alemanha vão receber o concerto. De qualquer forma, o maestro Eckehard Stier está confirmado na regência.

[via SEMO]

“Sonic Medley” – Sonic the Hedgehog e Sonic the Hedgehog 2 (Joystick 4.0)

Por Alexei Barros

Além de desatualizado, também estou ficando desatento: aconteceu nos dias 16 e 17 de março o concerto Joystick 4.0 na Suécia e só soube dias desses. Já publiquei gravações das edições anteriores que impressionaram com orquestras grandiosas, com uma qualidade desproporcional à obscuridade da apresentação.

Pelo pouco que vi, alguns arranjos são os mesmos dos anos passados, mas há novos. E um dos novos é justamente de um personagem, digamos, maltratado pela Sega, de fama avassaladora no Brasil (eu arriscaria dizer maior que na Europa): o Sonic. E como o arranjo se sai comparado com a obra-prima “Sonic the Hedgehog: Staff Credits” do Richard Jacques para o VGL e o excelente trabalho da “Sonic the Hedgehog” do Yuzo Koshiro para o Play! A Video Game Symphony?

Para mim, não supera ambos, apesar de também incorporar músicas do Sonic 2. O maior problema é encarar esse medley como o representante definitivo de Sonic em um concerto com outras séries. Se fosse em uma apresentação exclusivamente dedicada ao Sonic, não haveria crítica em relação ao que considero o maior pecado: como ignorar a “Green Hill Zone”? E, por tabela, também omitir a “Emerald Hill Zone”? Mas vamos em frente.

Na abertura, a “Title” do Sonic 1 é reproduzida maravilhosamente nos metais, com as flautas fazendo breves intervenções. O belo excerto mostra que a partitura não é uma reprodução exata da sintetizada, mas uma verdadeira releitura orquestral. Após a explosão dos tímpanos, as cordas estupendas ensaiam aos poucos a entrada da “Final Zone”, e logo os metais graves avisam a chegada do Dr. Robotnik com a “Boss” do Sonic 1. De maneira apropriada, a peça emenda na “Boss” do Sonic 2! Está aí uma coisa que eu queria ouvir orquestrada há muito tempo. O clarinete e depois o oboé entoam essa melodia que remonta típicos ritmos russos, e os metais mais espalhafatosos combinam com a figura pitoresca do vilão. Na onda dessa pompa, com a glória dos tímpanos e dos metais, surge a majestosa “Wing Fortress Zone”. Terminando o medley muito bem, volta o Sonic 1 com a “Staff Credits”.

As transições são ótimas, o arranjo é muito bom, mas não consigo ouvir a performance e elegê-la como representante da identidade musical da série em sua totalidade. Se sobrou pompa, faltaram temas mais animados que combinaram tão bem com as trombetas jazzísticas no arranjo do Richard Jacques.

P.S.: O comecinho da peça está cortado, mas é o único vídeo disponível no YouTube desta performance até o momento.

“Sonic Medley”

“Title” ~ “Final Zone”“Boss” (Sonic the Hedgehog) ~ “Boss”“Wing Fortress Zone” (Sonic the Hedgehog 2) ~ “Staff Credits” (Sonic the Hedgehog)

As sinfonias sintetizadas que quase enganam

Por Alexei Barros

Eu sempre tive certa repulsa às músicas sintetizadas que emulam orquestras pelo artificialismo dos timbres. Apenas um Yuzo Koshiro – e olhe lá – consegue utilizar timbres verdadeiramente convincentes que deixam na dúvida se a gravação foi reproduzida por dezenas de instrumentistas ou simulada por computador – dúvida que é elucidada, na medida do possível, ao ver créditos ou não dos musicistas no encarte ou no próprio jogo.

Mas mudo meu conceito neste post. Nesse terreno de diversidade de conteúdo que é o YouTube, há arranjadores amadores, se é que já não viraram profissionais, que mostraram a excelência de versões sinfônicas sintetizadas. Se não nos enganam por completo, matam a avidez por arranjos de músicas que dificilmente entrariam em concertos. E, caso fossem escolhidas, demorariam muito pela natureza obscura de alguns jogos.

Em vez de redigir um post para cada arranjo, preferi concentrar todos os interessantes que encontrei em um, porque, apesar de tudo, uma versão sintetizada não tem o mesmo peso de uma verdadeira. Mas nada impede que, se surgirem outras, eu faça um post no estilo daquela série Músicas que não faltam… ah, deixa pra lá.

Alex Kidd in Miracle World – “Alex Kidd (Main Theme)”

Alex Kidd é um jogo meio ingrato para aparecer em concertos, porque é o tipo de título antigo que apareceria no Press Start, isso se o Master System não fosse uma pulga perto do colosso Famicom no Japão.

Blake Robinson, nome que você lerá muitas vezes neste post, fez uma versão bem curta do tema principal imitando uma orquestra. Só que ele não se deu por feliz e colocou um coro de crianças virtual. Combinou perfeitamente.

DuckTales – “The Moon”

“The Moon” é uma das faixas mais incríveis não só do NES, não só da Capcom, de toda a geração inteira 8-bit. Mas quem mandou fazer uma música tão boa em um jogo licenciado? Isso talvez poderia trazer alguma dificuldade na hora de a composição entrar em um concerto… ou não.

A vontade de ouvir a “The Moon” orquestrada é tanta que existem cerca de cinco ou seis arranjos orquestrais diferentes, mas, até que me convençam o contrário, este é o melhor de todos, com um bom jogo de pizzicatos edulcorados por um piano incidental.

Golden Axe II – “Boss (Stage 1-3)”

Ouvi antes o arranjo e fiquei espantado como, orquestrada, a música ganhou uma nova dimensão. A escolha dos metais para reproduzir a melodia é adequada, e é incrível que os trompetes simulados soem tão bem.

Mario Paint – “BGM 1″

Se nem todos os jogos da série principal do Mario foram lembrados nos concertos, o que dirá os títulos de outros gêneros que levam a assinatura bigoduda. Mario Paint é um desses e, convenhamos, com Hirokazu Tanaka envolvido na composição, não tem por que dar errado um arranjo desse tipo. Ah, se o Orchestral Game Concert tivesse mais dez edições…

Mario Party – “The Stolen Star”

Mario Party nem é, a meu ver, o jogo do Mario não canônico de maior expressão, mas tem algo interessante na composição na autoria desta trilha: é do Yasunori Mitsuda. O dia em que fizerem um concerto de tributo a ele, um arranjo competente como este daria uma bela variada em meio aos Chronos e Xenos.

Metal Gear: “Operation Intrude N313″ ~ “Theme of Tara” ~ “Red Alert”

Com toda a fama da vertente Solid, muitos podem estranhar que existe vida na série Metal Gear antes de 1998. E mais: que há músicas boas dos primeiros jogos da era MSX2. Este arranjo consegue transmitir a tensão e o nervosismo da missão de Snake, em uma tradução muito fiel para orquestra sintetizada das faixas originais. O autor do feito é o brasileiro André Colares, que já fez trilhas pra curtas e peças de teatro e almeja entrar na área de games. Se você curtiu, não deixe de entrar no canal do rapaz para ouvir composições originais. E eu se fosse você também pediria que ele fizesse mais arranjos de músicas de games.

Sonic the Hedgehog – “Final Zone”

O arranjo “Sonic the Hedgehog: Staff Credits” do Richard Jacques para o Video Games Live tem todas as músicas das zonas do Sonic 1, certo? Todas, menos a “Final Zone”. Assim como no Alex Kidd, Blake Robinson colocou timbres de coral, mas aqui no caso adulto mesmo. E mais uma vez foi uma escolha certeira. Deu um clima meio Super Mario Galaxy, não?

Sonic the Hedgehog 4: Episode I – “Splash Hill Zone Act 1”

Há um longo caminho (Sonic 2, Sonic 3…) até chegarmos às versões orquestradas do Sonic 4, mas o Blake Robinson já deu uma palhinha de como ficaria o tema da fase inicial do Episode I, provavelmente o melhor do jogo. Só deixaria num andamento mais rápido.

Streets of Rage 2 – “Back to The Industry”

A dificuldade para achar arranjos orquestrais de Streets of Rage não está no papel. Claro, não é uma tarefa fácil pela característica dançante das músicas. O arranjador ubergrau conseguiu extrair uma sinfonia da “Back to The Industry”, rendendo uma bela peça orquestral e sem descaracterizar a faixa. Nem está entre as minhas favoritas a original, mas se ele fizesse o mesmo com outras do Koshirão…

Se você conhecer outros arranjos do tipo, sinta-se à vontade para se manifestar nos comentários. Quem sabe eu não me anime a fazer uma segunda parte.

Agradeço secretamente o espião Rafael Fernandes pela indicação do canal do Blake Robinson.

Symphonic Fantasies Tokyo: novamente a fantasia suprema, agora direto do Japão

Por Alexei Barros

O ano de 2012 começou muito bem em matéria de concertos de games, e nos dias 7 e 8 de janeiro o Symphonic Fantasies foi apresentado pela primeira vez no Japão. Os arranjos foram aprimorados em relação à récita de 2009, e o Encore foi totalmente reformulado, utilizando as melodias sobrepostas da “Destati” (Kingdom Hearts), “Meridian Dance” (Secret of Mana), “World Revolution” (Chrono Trigger), que substituiu a “Lavos’ Theme”, “One-Winged Angel” (preciso mesmo dizer de qual jogo?), “Kefka”“Dancing Mad” (Final Fantasy VI). Nisso, Kefka e Sephiroth entraram em uma ferrenha batalha musical. Embate improvável de acontecer nos jogos… a não ser por Dissidia e variantes.

Esse banquete sinfônico não podia se perder no tempo e não vai, porque em junho, daqui a pouco, será lançado o Symphonic Fantasies Tokyo, álbum que traz a gravação baseada nas apresentações nipônicas. Os solistas Benyamin Nuss (piano) e Rony Barrak (percussão) participaram, assim como a Tokyo Philharmonic Orchestra e o Tokyo Philharmonic Chorus sob a regência do maestro Eckehard Stier.

O “Encore” está incluso no pacote, diferentemente do álbum original do Symphonic Fantasies, no qual o segmento do bis foi vendido digitalmente. Serão 80 minutos de música em dois CDs, e o produto inclui um encarte de 20 páginas, mostrando fotos dos ensaios e dos concertos – algo que, para mim, fez muita falta no lançamento alemão –, isso tudo com um prefácio escrito pelo Masashi Hamauzu. É o melhor do melhor, agora ainda melhor.

Symphonic Fantasies Tokyo está à venda no site da MAZ Sound Tools GmbH, que entrega para qualquer lugar do mundo.

Turrican Soundtrack Anthology anunciada; coletânea será financiada via Kickstarter


Por Alexei Barros

Quando Tim Schafer iniciou o seu bem-sucedido projeto de financiamento coletivo via Kickstarter, eu não me dei conta da revolução que ele causou. Pegando carona no adventure ainda sem nome da Double Fine Productions, vários responsáveis por séries cult, mas com nichos consideráveis de fãs órfãos, tiveram a mesma ideia, e devem voltar Shadowrun, Tex Murphy e Leisure Suit Larry. Eu só não esperava que isso pudesse atingir também o mercado de álbuns de game music. E ainda mais de uma série que virei admirador: Turrican.

Recentemente tive a oportunidade de jogar todos os Turricans e, com o perdão do jabá, fiz um texto sobre a série na revista OLD!Gamer #8 que ficou meio grande, com 26 páginas. Já conhecia algumas músicas por meio dos concertos, mas escutá-las e compreendê-las no contexto do jogo é outra história. Nessa brincadeira, eu virei ainda mais fã das trilhas e acabei acrescentando faixas às minhas preferidas de todos os tempos, como a imbatível “Wormland” do Super Turrican 2.

Pois então, o projeto em questão é o Turrican Soundtrack Anthology, que terá pelo menos três CDs. A intenção da antologia é incluir quase todas as músicas da série na coletânea. Além disso, o pacote pretende ter regravações do álbum lançado em 1993, Turrican Original Video Game Soundtrack, que quase alcançou a marca de 10.000 cópias vendidas na época. Uma gravação da “Turrican – Anthology Suite”, a ser apresentada em novembro no Symphonic Game Music Concert 2012, também está nos planos.

O custo disso tudo é de 75.000 dólares, o que não é muito comparado com os projetos de jogos. Sendo assim, o estilo de financiamento é “você não tem nada a perder”. Dependendo do valor que contribuir, evidentemente a sua recompensa será maior como detalhado na página do Kickstarter. E, se a marca não for atingida até 3 de junho de 2012, você recebe o reembolso.

Mal dá para imaginar o que poderá ser feito daqui em diante. Quem sabe até um novo jogo da série…

[ATUALIZAÇÃO] Assista aí embaixo ao vídeo de anúncio. Até o momento, o financiamento está indo em um ritmo excelente e o projeto tem tudo para vingar.

[via Kickstarter]

Symphonic Game Music Concert retorna depois de hiato; Journey e Turrican II: The Final Fight confirmados


Por Alexei Barros

Por melhor que tenham sido os concertos tributo na Alemanha e na Suécia organizados desde 2008, não nego que também gostava muito da série Symphonic Game Music Concert, apesar de acompanhar a distância e por raras gravações amadoras. Organizadas de 2003 a 2007 antes da Games Convention, as apresentações eram bastante ecléticas nas seleções, executando músicas de jogos europeus, americanos e japoneses. Não foram poucos os trabalhos que conheci por meio do set list desses espetáculos, em especial a melódica e majestosa trilha do RTS Anno 1701. Além disso, muitos jogos não se encaixam nesse conceito de tributo a um produtor ou compositor, como, por exemplo, Shadow of the Colossus, tocado em 2006 no Fourth Symphonic Game Music Concert.

O mais legal é que tudo isso vai voltar 16 de novembro. Nesse dia, no mesmo palco do Symphonic Shades, no Funkhaus Wallrafplatz em Colônia, Alemanha, acontecerá o Symphonic Game Music Concert 2012. O time de produção é aquele mesmo competente de sempre: o produtor Thomas Boecker e os arranjadores finlandeses Jonne Valtonen e Roger Wanamo. Os participantes também: WDR Radio Orchestra Cologne e WDR Radio Choir Cologne, com a regência do maestro sueco Niklas Willén. O pianista Benyamin Nuss também está confirmado.

Até o momento, o set list possui dois números. Journey, o jogo vendido na PlayStation Network em março de 2012, já foi adicionado ao programa. A música a ser executada é a sublime “Apotheosis”, uma ótima seleção desta trilha tão climática e atmosférica. A série SGMC manteve a tradição de apresentar todos os anos pelo menos um segmento do compositor alemão Chris Huelsbeck, e neste ano não será diferente, com a “Turrican – Anthology Suite”, em arranjo inédito de Roger Wanamo. A suíte abrange três composições do Turrican II: “The Final Fight” (tela-título), “The Great Bath” (das áreas submersas da fase 2-1) e “Concerto for Lasers and Enemies” (da primeira fase shmup do jogo, a 3-1). Todas já foram arranjadas anteriormente e por isso até desejava a lembrança de outras, como a “Traps” (fase 1-2) e “The Hero” (tela de high score).

De todo modo, essa suíte faz parte de outro projeto relacionado a Turrican que será detalhado no próximo post.

[via Facebook]

Games in Concert: novo espetáculo brasileiro a caminho

Por Alexei Barros

Enquanto o Brasil não entra na rota das turnês mundiais dos concertos de game music, com a óbvia exceção do Video Games Live, a atual tendência é a proliferação de produções produzidas aqui neste território subdesenvolvido, quem diria. O próximo espetáculo do gênero vai acontecer no dia 22 de abril, no Teatro Municipal de Santo André em Santo André, SP: o Games in Concert – o nome já ajuda bastante, é o mesmo da curta, mas soberba série de concertos na Holanda finalizada em 2008.

Serão duas apresentações, uma às 18h e a outra às 20h30, e o ingresso é de 35 reais – veja outras opções de compra. A performance será da Smash Bros., uma das mais conhecidas bandas nacionais de covers de game music, e da Across Orchestra, formada por seis violinos, três violoncelos, um contrabaixo, dois trompetes, um trombone, duas trompas, duas flautas, um clarinete e um oboé, além de um piano de cauda, este tocado por Marco Aurélio de Almeida. A regência é do maestro Rafael Waisman e a direção geral de Átila Cumagai. Apesar ser a estreia oficial do Games in Concert, não é a primeira vez que esse time se reúne. Em maio de 2011, no AnimABC, a Smash Bros. e a Across Orchestra (então Across Platinum Orchestra) executaram o piloto do Games in Concert. Ainda em dezembro do ano passado, a Across Orchestra também se juntou à banda Kazoku NiBan no Animes in Concert, voltado para músicas de animes.

O repertório do Games in Concert promete ser bastante diversificado. Entre os medalhões, haverá Super Mario World, Sonic the Hedgehog, Tetris, The Legend of Zelda, Kingdom Hearts e Castlevania II: Simon’s Quest. Escolhas menos comuns? Super Mario Galaxy, Super Smash Bros. Melee, Super Smash Bros. Brawl, Portal e Pokémon Red & Blue. Seleções completamente inusitadas? Tem também, que, a meu ver, são The House of the Dead, GoldenEye 007 e Mortal Kombat. Mas você não viu nada perto do medley de músicas no piano tocado pelo Marco Aurélio. É um pouco disso tudo, com Sunset Riders, Top Gear, Mega Man X, Chrono Trigger, Power Rangers e até Goof Troop.

Se você não mora nas adjacências de Santo André, não desanime: a ideia é levar o espetáculo para outros estados no futuro.

Entre no site oficial para mais informações, assista ao vídeo do Making of abaixo e também não deixe de conferir a entrevista que o produtor Átila Cumagai concedeu ao Arena.

[via release]

Kid Icarus: Uprising: Koshirão, Mitsuda, Sakuraba, Iwadare e Masafumi Takada são os compositores; ouça os primeiros samples


Por Alexei Barros

Eu sou fervorosamente favorável ao retorno de séries estimadas que estão há anos em letargia. Fico satisfeito com o regresso. Foi assim na E3 2010 com o anúncio de Kid Icarus: Uprising, terceiro jogo da franquia da Nintendo que possuía apenas dois jogos, o primeiro para NES (1987) e a continuação, Kid Icarus: Of Myths and Monsters, para Game Boy (1991). Como se não bastasse no mesmo evento ter sido anunciado Donkey Kong Country Returns.

Mas, se DKC Returns saiu para Wii em 2010, eu confesso ter desanimado ao saber que Uprising seria para 3DS. Nada contra o aparelho, é que eu pensei: “Com tanta coisa para jogar para DS ainda, por que eu compraria JÁ outro portátil?”. Claro que o descaso seria temporário. Temporário até sair o Professor Layton vs. Ace Attorney eu imaginava.

Nem acompanhava com muito afinco as novidades e vídeos de Kid Icarus: Uprising pela expectativa mediana. Daí notei que o meu desdém era descabido quando vi que: 1) O jogo tirou 40/40 da Famitsu. Certo que a nota máxima da revista ficou um pouco banalizada, mas muitos títulos AAA não gozaram da mesma avaliação; 2) Revelam os compositores da trilha, simplesmente: Yuzo Koshiro, Masafumi Takada, Motoi Sakuraba, Noriyuki Iwadare e Yasunori Mitsuda. Só isso. Os três últimos são mestres dos RPGs – fizeram as trilhas de Star Ocean, Grandia e Chrono Trigger, respectivamente. Takada acompanhou a loucura de Goichi Suda em jogos como killer7 e No More Heroes antes de virar freelancer e Koshirão não preciso dizer quem é.

Masahiro Sakurai, o líder da Project Sora, desenvolvedora do Uprising, realmente tem um cuidado especial com as músicas de suas produções. Não é de se estranhar que ele seja um dos responsáveis da série de concertos Press Start, que, aliás, tocou Kid Icarus em 2011, e tenha angariado 36 compositores para os arranjos da trilha de Super Smash Bros. Brawl.

Para criar expectativa, ele inclusive havia avisado que o compositor do Uprising trabalhou no jogo de (luta? Ou gênero indefinido?) de 2008. Isso dava margem para a participação de Hirokazu Tanaka, que criou, para variar, músicas soberbas no jogo original, tal como em Metroid.

Mesmo sem ele, como reclamar com um quinteto desses? O melhor é que o site oficial do jogo é bem generoso: até agora são sete faixas, e as amostras podem ser ouvidas na íntegra. Acompanhe na ordem.

As duas primeiras possuem um viés sinfônico (não arriscaria dizer que foram gravadas por uma orquestra de fato), e a segunda, do Koshirão, tem timbres de coral. A terceira, de novo do Sakuraba, tem potencial para ser uma nova “Gerudo Valley”, com um violão estilo flamenco simplesmente magnífico. Para quem reclama da mesmice Sakurabística no rock progressivo, aí está a resposta.

O Sakuraba volta a roubar a cena na quarta, com reminiscências do tema “Underworld” do Hip Tanaka que é a música-chave da série. Essas cordas ficaram uma pintura, e depois são reforçadas por uma guitarra alucinante. Guitarra? De novo na quinta, em uma promissoríssima faixa do Yasunori Mitsuda. Na sexta temos a pompa dos melhores tempos de Noriyuki Iwadare em Grandia – para você ver o nível do negócio. Do Masafumi Takada pode se esperar tudo. Tudo menos um solo de violino acompanhado por percussão, retomando o flamenco da terceira.

Abaixo os links diretos para as faixas, levando em conta que esses nomes não são as traduções oficiais.

01 – “Main Theme” (Motoi Sakuraba)
02 – “Magna Theme” (Yuzo Koshiro)
03 – “Black Pit Theme” (Motoi Sakuraba)
04 – “Chapter 4 Air Battle” (Motoi Sakuraba)
05 – “Boss Battle” (Yasunori Mitsuda)
06 – “Star Pirate Theme” (Noriyuki Iwadare)
07 – “Practice Room” (Masafumi Takada)

Com todo o respeito ao Final Fantasy XIII-2, já temos a trilha do ano?

[ATUALIZAÇÃO] Antes que eu ousasse reclamar do lançamento do álbum, a Nintendo anunciou a Shin Hikari Shinwa Palutena no Kagami Music Selection, que pode ser trocada na Club Nintendo nipônica por 400 pontos (ou 250 se você morar no Japão e tiver comprado o Uprising). Ou seja, não dependeremos dos ripadores do YouTube desta vez.

[via Andria Sang, My Nintendo News]

“Battle Medley” – Chrono Trigger (Meine Meinung)

Por Alexei Barros

Por mais que existam centenas e centenas de arranjos de Chrono Trigger, os temas de combate acabam sendo deixados para escanteio – exceção ao “Battle with Magus”, que de uns tempos para cá ganhou interpretações orquestrais.

Veja, por exemplo, a “Battle 1” . É uma das músicas que você mais escuta durante o jogo pela grande fartura de batalhas ao longo do jogo. Isso que os combates não são aleatórios. Outro caso é a “Boss Battle 1”, a única faixa da trilha assinada pela Noriko Matsueda. Por não ser do Yasunori Mitsuda e do Nobuo Uematsu, a ótima composição, acelerada e tudo mais, também não é muito lembrada. Justamente as duas estão presentes no medley da banda Meine Meinung. Excelente? Sem dúvidas. Japonesa? Evidente.

Vou fazer uma confissão: não sou lá muito fã de arranjos 100% acústicos. Sinto falta dos instrumentos elétricos. Mas, neste caso, a qualidade é tão suprema que não fiquei com saudade de baixo elétrico ou guitarra. Claro que muito se deve pela excelência dos instrumentistas e microfonação profissional na captação de áudio.

Dois violões, percussão e baixo acústico formam o quarteto plenamente entrosado e inspirado. Mal a “Battle 1” é tocada – destaque para as linhas graves reproduzidas pelo incansável contrabaixista –, um dos violões já faz um solo espetacular. Na sequência, vem a “Boss Battle 1”, na qual o contrabaixista toca em dado momento usando o arco do instrumento. Fugindo daquele formato convencional de uma única referência a cada música no medley, a peça volta rápido para a “Battle 1” , vai de novo para a “Boss Battle 1”, culminando na “Fanfare 1 (Lucca’s Theme)”. Uma perfeição.

- “Battle Medley”
“Battle 1”“Boss Battle 1”“Battle 1” ~ “Boss Battle 1” ~ “Fanfare 1 (Lucca’s Theme)”

Coletânea Piano Opera Final Fantasy IV/V/VI confirmada; vídeo-teaser e samples das 13 faixas do Piano Opera Final Fantasy I/II/III


Por Alexei Barros

Da última vez em que falei do Piano Opera Final Fantasy I/II/III, ainda no ano passado, o lançamento do álbum parecia muito distante. Esses dois meses passaram voando mais rápido do que as Airships de Final Fantasy e o CD vai sair quarta-feira que vem, vulgo dia 29 de fevereiro.

Se você não foi distraído como eu, notou muito antes da publicação do post que no site oficial há samples de todas as 13 faixas. Os arranjos que mais me agradaram foram os mais ousados. Se é para ter releituras de piano meramente literais, já existe uma infinidade no YouTube de performances amadoras. A “Gurgu Volcano” (faixa 4) me pareceu espetacular, mantendo o espírito da original. Difícil de não gostar de nada que não envolva os temas de combate da série, e “Battle Medley” (faixa 9) é no mínimo promissora. Até me deu saudades das batalhas incessantes da última dungeon do FFI. Não, não deu. Se bater a preguiça forte de clicar 13 vezes (ou mais, se quiser repetir as amostras), dá para ouvir algumas neste vídeo teaser aí embaixo.

E quem achava que acabou aqui, enganou-se. Antes mesmo do lançamento da Piano Opera Final Fantasy I/II/III, a Square Enix anunciou a chegada do Piano Opera Final Fantasy IV/V/VI, que vai aportar dia 16 de maio nas prateleiras japonesas. Não há track list completa ainda, mas um usuário do  VGMdb descobriu pelo site da Famitsu que “Theme of Love” (FFIV), “Dear Friends” (FFV) e “Searching for Friends” (FFVI) estão confirmadas. (Nenhuma surpresa até aqui.)

[via Famitsu]

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