Press Start 2012: variado como nunca, competente como sempre

Por Alexei Barros

No dia 23 de setembro, aconteceu em Tóquio a sétima edição do concerto Press Start em duas apresentações, ambas com a performance da Tokyo Philharmonic Orchestra sob a batuta do maestro Taizo Takemoto. Até aqui, nada de muito surpreendente, mas, confirmando a expectativa causada pelas excelentes seleções de jogos, o espetáculo neste ano aparentou ser dos mais inspirados.

Minhas impressões baseadas nas fotos do concerto e nas poucas informações compreensíveis pelo tradutor do Google foram publicadas depois do Hadouken.

Ato I

01 – The Elder Scrolls V: Skyrim: “Dragonborn”
02 – Final Fantasy XI: “Vana’diel March” ~ “Ronfaure” ~ “The Republic of Bastok” ~ “Sarutabaruta”
03 – Nora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo: “Workshop of Time” ~ “Everyday Lifestyle” ~ “A Time to Fight”
04 – Darius: “Main Theme – Chaos (Van Allen Belt)” ~ “Boss Scene 3″ ~ “Boss Scene 5″ ~ “Boss Scene 7″
05 – Ace Attorney: “Great Revival ~ Reiji Mitsurugi” (Phoenix Wright: Ace Attorney – Justice for All) ~ “Ryuuichi Naruhodou ~ Objection!” ~ “Investigation ~ Overtaked“ (Phoenix Wright: Ace Attorney)
06 – “Save the Princess Famicom Medley”:
– Donkey Kong
– Challenger
– Dragon Spirit
– Dragon Buster
– The Legend of Zelda
– The Tower of Druaga
– Ghosts’n Goblins
– Legend of Kage
– Super Mario Bros.
– Super Mario Bros. 2
07 – Legend of Mana: “Legend of Mana ~Title Theme~” ~ “Colored Earth” ~ “Hometown Domina” ~ “Ruined Sparkling City” ~ “Song of Mana ~Opening Theme~”

Ato II

08 – Glory of Heracles IV: “Opening” ~ “Beyond the Horizon” ~ “A New Sky” ~ “Battle with Monsters”
09 – The Legend of Zelda: Skyward Sword: “Skyward Sword Main Theme”
10 – Kid Icarus: Uprising: “Chapter 12: Wrath of the Reset Bomb”
11 – Ihatovo Monogatari: “Ihatovo Praise”
12 – Muramasa: The Demon Blade: “Introduction” ~ “Impermanence”
13 – Gravity Rush: “Gravity Daze” ~ “Old Town” ~ “Resistance and Extermination”
14 – God Eater: “God and Man Vocal Ver.”
15 – [Bis] Final Fantasy XI: “FFXI Opening Theme”
16 – [Bis] Kirby Air Ride: “Checknight” ~ “Sandoola” ~ “Legendary Air Ride Machine”


– Vergonhosamente, eu ainda não me aventurei nas terras gélidas de Skyrim (costumo ser meio alheio ao hype), mas ainda pretendo tirar a minha própria conclusão acerca do jogo. Só acho curioso que, com o passar do tempo, a estima que as pessoas tinham pelo jogo foi caindo, caindo… Isso não impediu, pela primeira vez na série japonesa de concertos, de um jogo ocidental abrir um Press Start. Por ser uma música épica, é ideal mesmo para impactar o público. No fundão do palco, meio espremido, um coral não muito grande (pelas fotos, estimo cerca de 20 vozes) cantou a música-tema de Skyrim na companhia da Donna Burke, com direito à letra da composição no telão.

- Outra coisa diferente deste ano foi colocar Final Fantasy já na primeira parte no espetáculo e com um arranjo novo, apesar de algumas faixas já serem homenageadas em outras performances orquestradas.

- As três faixas do medley de Nora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo mostram que eu não ouvi direito essa trilha quando fiz o post de revelação. Felizmente, eles não se esqueceram da “A Time to Fight”, que, pelo violino em relevo, deveria ter destacado anteriormente. A compositora desse RPG, a Michiko Naruke, esteve presente e subiu ao palco.

- Como disse antes, Darius é um tipo de escolha que só tem no Press Start, por isso espero que um dia o medley do shmup da Taito seja registrado em um CD. Pelo que entendi, o segmento reuniu apenas os temas de chefes, que tinham suas imagens projetadas no telão. Só não entendo por que não incluir a “Captain Neo”, que, inclusive tinha sido lembrada no “Shooting Medley”. Não há fotos, mas aparentemente o texto diz que o compositor Hisayoshi Ogura também deu uma subidinha no palco para rememorar os seus tempos de Zuntata e Taito.

- Ace Attorney e Muramasa: The Demon Blade foram reprises de 2008 e 2010, respectivamente, como já imaginava. Dispensável especialmente a segunda, que já foi mostrada no CD Oboromuramasa Ongakushuu Hensou no Maku.

- Tudo bem que o NES é um furacão de popularidade no Japão, mas parece que eles já não sabem que temática inventar para reunir várias músicas 8-bit em um mesmo medley. A não ser que esteja cometendo uma grande injustiça, nenhum dos jogos selecionados me chamou muito a atenção.

- E esse medley do Legend of Mana, hein? Das cinco faixas escolhidas, quatro já tinham sido arranjadas separadamente no drammatica, mas, além de elas estarem agora concatenadas em medley, tem a adição da maravilhosa, da sensacional “Song of Mana ~Opening Theme~” cantado em sueco, como já estava na cara, pela sueca Sofi Persson. Que a Square Enix tenha a bondade de um dia liberar essa gravação. No final da peça, a Yoko Shimomura conversou bastante com o Nobuo Uematsu para travar um bate-papo aparentemente interessantíssimo sobre a criação da trilha e a rotina da Square na época em que o RPG foi feito e que… não conseguir entender direito. Vai ficar arquivado.

- Para trazer boas lembranças do Orchestral Game Concert, o medley do RPG do Super Famicom Glory of Heracles IV pareceu ser épico e ainda teve coral, o que não aconteceu em nenhuma edição do OGC. Fico devendo as faixas originais.

- Nenhuma surpresa a respeito da performance do tema principal de The Legend of Zelda: Skyward Sword, daquela música do trailer que, se tocada ao contrário, vira a Zelda’s Lullaby, a não ser por quem deu as caras no palco. Além do Hajime Wakai, em uma raríssima aparição, o Eiji Aonuma também falou a respeito de todos os mistérios envolvendo a faixa do vídeo que, para variar, não consegui compreender exatamente.

- Como já previsto, a música escolhida do Kid Icarus: Uprising é assinada pelo Yuzo Koshiro, que desta vez se ausentou.

- O Nobuo Uematsu disse que desde que começou o Press Start sempre quis colocar a música do Ihatovo Monogatari, adventure obscuríssimo do Super Famicom. Ele também rasgou elogios ao compositor Tsukasa Tawada, que apareceu no palco.

- Gravity Rush é uma das grandes trilhas do ano, e a lembrança ao jogo do PS Vita só ajuda a reforçar como foi excelente o trabalho de Kouhei Tanaka. A seleção foi muito boa, pegando a música-tema “Gravity Daze”, uma faixa tranquila (“Old Town”) e um tema mais nervoso (“Resistance and Extermination”, com ressonâncias, arriscaria dizer, do Koichi Sugiyama em Dragon Quest). Mas eu vou ficar sonhando com o sax rouco da “Clearly Dangerous”

- Donna Burke solou na “God and Man Vocal Ver.”, canção já registrada pela própria na trilha do God Eater. Pelo que entendi, o arranjo foi feito pela Sachiko Miyano, que costuma fazer releituras para a turnê Distant Worlds. O compositor Go Shiina apareceu por lá também.

- O primeiro bis foi um pouco decepcionante, por ser de um arranjo já conhecido de Final Fantasy e de um jogo, o FFXI, já representado anteriormente na primeira parte do programa. Pelo menos a música ainda não é tão manjada e teve coral para acompanhar.

- E o segundo bis me pegou de surpresa: Kirby Air Ride, o jogo de corrida da pelota rosa para GameCube. Fugiu do óbvio e as músicas me pareceram ser muito boas.

Claro que ano que vem deve ter mais Press Start. E espero que mais um CD também.

[via Famitsu]

10 Responses to “Press Start 2012: variado como nunca, competente como sempre”


  1. 1 Farinha 17/10/2012 às 6:48 am

    Certamente a emoção ao ouvir esses grandes sons do mundo dos games deve ser nostálgico! O interessante é que tem várias músicas de jogos mais atuais também. Belo post.

  2. 2 Farley 18/10/2012 às 10:53 am

    Variado e inusitado. Gostaria muito de ver esse medley do Legend of Mana, Kid Icarus: Uprising e principalmente Kirby’s Air Ride (“Sandoola” é uma das minhas músicas favoritas do game). E acho incrível o quanto você consegue fazer uma análise tão detalhada só em cima de fotos e informações traduzidas pelo Google :]

    Aproveitando o comentário (já que é a única maneira que tenho de me comunicar com você, haha), chegou a ouvir a trilha do Bravely Default: Flying Fairy? Eu gostei muito da trilha, achei algo extremamente inusitado, principalmente pelo compositor ser Revo, o líder de uma banda de rock.

    Ah, fui no Video Games Live desse ano e até gostei. Claro, nada excepcionalmente incrível, mas achei bem melhor que as outras edições que fui. Fiz um post com impressões aqui.

    T+!

  3. 3 Marcelo Martins 18/10/2012 às 4:49 pm

    Alexei,

    Muitíssimo obrigado por compartilhar tantas informações legais sobre esse concerto. O setlist é realmente muito diversificado e valoriza jogos que outros concertos, por questões de marketing, provavelmente não levariam em consideração.

    Para mim, a grata surpresa nesse post foi a até então desconhecida trilha de Nora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo. As composições que ouvi aqui no post são muito bonitas e de uma sensibilidade muito rara. Sei que você não é muito fã da pegada celta, mas particularmente aprendi a gostar muito desse “gênero”! Everyday Lifestyle é demais!

    Deveriam existir mais mulheres fazendo música para videogames no ocidente também…

    Essas músicas do Gradius são muito malucas. Eu queria ver como seriam os arranjos de orquestra delas.

    Bem legal também a trilha do Gravity Rush, hein? Não conhecia o jogo nem a trilha e achei fantástico.

  4. 4 Alexei Barros 18/10/2012 às 6:14 pm

    @ Farinha

    Você falou em “nostalgia”. Para mim, o Press Start é o concerto que trata a nostalgia com mais respeito, ao mesmo tempo em que integra novidades japonesas que normalmente os concertos ocidentais ignorariam.

    @ Farley

    Valeu, Farley! Na verdade, o detalhamento só é possível porque os reports de concertos japoneses sempre são muito minuciosos, detalhando faixa por faixa dos medleys. Daí só precisa ter uma dose de paciência de copiar e colar os nomes das músicas no VGMdb para descobrir exatamente quais são tocadas. Eu faria isso com muito mais empolgação se tivesse uma gravação amadora, como em 2006 e 2007…

    Bravely Default: Flying Fairy? Putz, eu escutei o comecinho esses dias e fiquei maravilhado… Até onde ouvi, achei a “Conflict’s Chime” espetacular. Eu tinha ouvido falar do Revo, mas não sabia que ele tocava numa banda de rock…

    Ah! Eu vi o seu post tanto no seu blog, quanto no Nintendo/PlayStation Blast. Fiquei de comentar lá, porque queria saber de algumas coisas depois que li o seu relato.

    @ Marcelo

    Interessante o que você falou sobre o marketing, hehe… Mas eu acho que é até mais questão de alguns jogos não serem tão populares no resto do mundo. Ace Attorney, por exemplo. Não tenho dúvidas que muitos conhecem no ocidente, mas talvez não tão o bastante para aparecer em um concerto.

    É, mas acho que aos poucos estou gostando de celta por trilhas como a do Nora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo…rs Sem falar de muitas músicas do Yasunori Mitsuda no estilo que gosto… Talvez tenha exagerado um pouco quando disse que não curtia, hehe…

    Bem notado isso das compositoras… No Japão, isso é uma tradição há tanto tempo que estranho quando dizem que há poucas mulheres trabalhando na indústria… Mas no ocidente é outra história mesmo. São bem poucas.

    Ah, você quis dizer do Darius? Esse acho que é o jogo que mais queria ouvir do concerto.

    Por fim, recomendo a trilha do Gravity Rush fortemente. Me falaram que o jogo é muito bom também.

  5. 5 Farinha 18/10/2012 às 9:03 pm

    @Alexei Barros

    Exatamente, mas é natural o oriente tratar desse assunto de maneira mais séria do que o oriente. Digo a respeito disso por causa da própria cultura que existe lá. Mas essa “seriedade” é mais que respeitável pela minha pessoa. Postei meu comentário pois reconheci várias músicas não somente da minha infância como atuais também, mas confesso que não me aprofundei nesse assunto e não entendo dessa área, principalmente em questões de nomenclatura de músicas, etc.

    Falei a palavra “nostalgia” por ser algo que refletiu na minha pessoa, como um leigo total no assunto. Com certeza algo parecido existe no ocidente, mas digo parecido, pois em questão de dimensão e seriedade existe um mar de diferença.

  6. 6 MajoraMan28 02/11/2012 às 3:01 pm

    Ninguém gravou nada do concerto?? :(

  7. 7 Alexei Barros 10/11/2012 às 2:58 pm

    @ Farinha

    Que isso, não se intimide! Dá para ir bem longe com a discussão sobre as diferenças de tratamento da nostalgia dessas culturas. Só para citar um exemplo prático disso: o serviço de manutenção de Famicoms no Japão funcionou lá até 2003, e certamente muita gente deve jogar os títulos 8-bit até hoje, afinal existe um mercado forte de jogos usados…

    @ MajoraMan28

    Pelo que sei, não, uma lástima… =( Aliás, a última gravação amadora que foi compartilhada é de 2007. Há alguns anos eu já nem espero mais para não ficar tão decepcionado.

    Ao menos, como prêmio de consolação, algumas faixas já foram lançadas em CD, né (mesmo que com uma mixagem não muito boa). Só não entendo mais hoje por que eles não lançam um CD de cada ano. Lembro que o motivo para isso acontecer eram problemas de licenciamento das músicas da Nintendo e da Square Enix. De alguma forma, o Video Games Live: Level 2 e o The Greatest Video Game Music 2 superaram esses entraves e colocaram Mario, Final Fantasy VII e outros. Não entendo por que o Press Start não conseguiria, ainda mais sendo os caras do Japão.

    • 8 MajoraMan28 15/11/2012 às 1:26 pm

      @Alexei Barros

      Putz…. Que droga! :( Eu queria MUITO ouvir a peça do Super Mario Galaxy 2 de 2011 e o Encore do Kirby Air Ride….

      Como vc relatou, poucas músicas que foram lançadas em CD valeram a pena (a peça do New Super Mario Bros Wii e Okami sendo algumas delas). Mas a nata, aquilo que diferencia isso daquele show que, na minha opinião, se tornou um clichê e uma monótona seleção de músicas que, juntas, não se misturam bem, chamado “Videogames Live”. O Play!, Press Start e os shows da Rundfunkorchester Cologne são aqueles que repercutem aquilo que há de clássico na música de videogames.
      Acho estranho eles terem problemas de lincenciamento com a Nintendo, já que eles sempre foram liberais quanto a isso. Agora, com a Square-Enix é um caso compreensível. Aliás, vc me lembrou do “The Greatest Video Game Music” e achei aquilo tão superficial quanto o VGL…. Pelo menos essa é a minha opinião. Eu tb acho isso estranho…

      Aliás, uma pergunta: onde assisto o Soundtrack Cologne: East meets West???

      • 9 Alexei Barros 15/11/2012 às 4:46 pm

        Precisamente! Esses são os melhores mesmo, mas também sinto saudades do Games in Concert na Holanda. Ah, os concertos suecos são muito bons também.

        Bom, nem sempre a Nintendo foi muito liberal, tanto que nem foi possível o lançamento do CD do Symphonic Legends ou mesmo do LEGENDS.

        O primeiro The Greatest Video Game Music achei bem manjado, o 2 que saiu agora pouco superior, apesar de alguns deslizes. Eu ainda queria fazer um post sobre o 2 para comentar mais profundamente.

        Sobre o Soundtrack Cologne você poderá ouvir apenas. Não vai ter transmissão em vídeo, apenas em áudio. Vou fazer um post com os links da transmissão.

        • 10 Alexei Barros 16/11/2012 às 4:32 pm

          P.S. Desculpe a informação equivocada, mas só me dei conta hoje de que a transmissão para o resto do mundo do concerto vai ser só no sábado dia 24/11, daí achei melhor apagar o post.


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