Arquivo de julho \31\UTC 2012

“Secret of Mana Medley” – Secret of Mana (Game Addict’s Music Ensemble 3rd Concert)

Por Alexei Barros

Acabou. Comentário após comentário, post após post… Para cada vez que citava Secret of Mana, eu teimosamente questionava: quando vão orquestrar a “Danger”, o tema que embala as batalhas contra chefes no RPG do Super Nintendo? Enfim a espera se encerrou na apresentação Game Addict’s Music Ensemble 3rd Concert, com a performance da Game Band, uma orquestra pró-amadora (evidentemente) japonesa que já desfilou por aqui algumas poucas vezes.

Como em outras oportunidades, isso é sinônimo de que o arranjo em si não é tão elaborado ou arrojado e mais fiel na emulação de timbres. A primeira constatação sobre a simplicidade da releitura se observa na total ausência de transições, com pausas entre uma faixa e outra. Porém, a seleção de músicas capta a experiência do jogo como um todo, a ponto de não me lastimar por determinadas ausências.

Com o piano e as madeiras, a Game Band começa obviamente pela “Angel’s Fear”, da tela-título. Mas, quando entram as trompas, elas não vêm sozinhas. Junto chega o baixo elétrico, instrumento que eu acho indispensável para qualquer execução de Secret of Mana, uma vez que a maioria das músicas do jogo apresenta linhas de baixo alucinantes.

Em seguida, tenho a primeira morte decretada com a “The Color of the Summer Sky”, um tema animado reproduzido primeiro no saxofone e depois com outros metais, acompanhados pelo xilofone essencial. Passando para a exploração nos gramados verdejantes, a simpática “Into the Thick of It” se destaca pelo violão e a incidência de outros instrumentos. Eis então que…

“Danger”! A performance mostrou que a faixa pode ser plenamente tocada por uma orquestra sem nenhuma perda na empolgação da música – basta escolher os instrumentos certos. Até mesmo o começo, que é um pouco mais repetitivo, ficou perfeito com a guitarra caótica. Mas são os metais que reproduzem a melodia avassaladora, com as incríveis alternações do xilofone e do baixo e guitarra. Morri mais uma vez. Para não cansar, a ideia de mostrar apenas um looping da faixa foi acertada.

Para acalmar o clima, a “Still of the Night” me faz lembrar dos cenários abertos iluminados apenas pelo luar com a parceria do piano e da flauta. Para avisar de que um perigo está por vir, a “The Dark Star” chega com os metais, terminando com mais calmaria. Nem precisava me matar de novo, mas a breve alusão da “Leave Time for Love” me cativou com os metais afiados.

A “Meridian Dance”, a faixa que costuma ser a mais escolhida depois da “Angel’s Fear”, aparece em uma ótima rendição nas madeiras e depois metais. As madeiras, inclusive, são as responsáveis pela reprodução da progressão harmônica, dando lugar para o domínio completo dos metais.

Eu já estava morto desde a “Danger”, mas, como se isso tudo não fosse bastante, a Game Band finaliza com o tema de encerramento “The Second Truth from the Left” para fazer eu me revirar na tumba. O pique jazzístico caiu muito bem aqui, incluindo aquela intermissão com piano, bateria e solo de baixo que aparece do nada na música original, ainda que não perfeitamente reproduzido (especialmente o baixo).

Depois de tantos óbitos, não me resta outra opção senão a de aplaudir como fez o público local. Essa performance merece ser de pé, porque preencheu muitas lacunas e cumpriu vontades que vinham de anos.

“Secret of Mana Medley”

“Angel’s Fear”“The Color of the Summer Sky”“Into the Thick of It”“Danger”“Still of the Night”“The Dark Star”“Leave Time for Love”“Meridian Dance”“The Second Truth from the Left”

Indie grátis da semana: A story about my uncle

Por Gustavo Hitzschky

É impressionante como os alunos de cursos de criação de jogos espalhados mundo afora desenvolvem games absolutamente sensacionais. Agora foi a vez do pessoal de um curso de 11 semanas divididos em três etapas da faculdade pública sueca Södertörns Högskola.

A story about my uncle começa com uma filha pedindo para que seu pai lhe conte uma história antes de dormir. Ele então fala sobre o tio Fred, aventureiro e inventor habilidoso que criou uma roupa especial que confere a quem a veste um pulo tunado, por assim dizer. Além disso, também podemos usar um gancho para nos deslocarmos pelos cenários.

O jogo foi feito com o Unreal engine e se trata da primeira vez que os alunos trabalharam com a ferramenta. A ideia era bolar um FPS sem violência e o time acabou confeccionando cinco fases muito, muito bonitas. A história começa com uma abordagem mais realista, apesar da roupa poderosa, no laboratório do tio e depois adquire um tom mais fantasioso.

A story about my uncle

http://www.youtube.com/watch?v=lmDxko0htS0

Press Start 2012: Heracles no Eikou IV: Kamigami kara no Okurimono e The Elder Scrolls V: Skyrim

Por Alexei Barros

Completando a lista de revelações do set list do Press Start 2012, temos mais dois jogos que, embora tenham sido anunciados em semanas diferentes, não faria muito sentido se eu escrevesse sobre eles em posts separados. Com isso, eu saldo minha dívida e fico no aguardo só da atualização referente aos artistas do espetáculo.

- Heracles no Eikou IV: Kamigami kara no Okurimono

Difícil de entender por que este RPG só apareceu em 2012. Considerando que dois dos organizadores do Press Start (Kazushige Nojima e Shogo Sakai) participaram da produção nos tempos de Data East, o jogo poderia ter sido lembrado antes. Sem falar que recentemente a série voltou no Nintendo DS, com Glory of Heracles, o primeiro episódio lançado nos EUA. A exemplo do Ihatovo Monogatari, o Heracles no Eikou IV foi tocado no Orchestral Game Concert 5. O segmento “Heracles no Eikou IV: Kamigami kara no Okurimono” inclusive foi arranjado e regido pelo Shogo Sakai, que escreveu o texto no site do concerto para mergulhar nas memórias do jogo. Para variar, deu para entender pouca coisa. Só me chamou a atenção o Sakai ter dito que mesmo no Japão algumas pessoas podem não se recordar do jogo. Caso seja de seu interesse, recomendo ouvir a trilha no formato SPC no SNESmusic.org, porque há belas composições com uma abordagem mais erudita.

- The Elder Scrolls V: Skyrim

Os japoneses geralmente são xenofóbicos com jogos americanos e europeus, mas, se tem um título que caiu nas graças dos nipônicos, este é Skyrim. Foi o primeiro jogo ocidental a receber a nota 40/40 na Famitsu inclusive. Porém, a escolha não é uma surpresa; é apenas uma atualização: o antecessor The Elder Scrolls IV: Oblivion, que nem chegou perto do hype e da onipotência do Skyrim, já havia sido tocado em 2007.  Fora esses, de jogos ocidentais no set list do Press Start, só houve o Portal em 2009 e o Spelunker em 2008 e 2011, apesar de não contar muito por ser praticamente um japonês naturalizado de tanto que os nipônicos gostam da versão de Famicom. Seria uma ironia grande se a performance no Press Start 2012 fosse a première mundial, mas, na verdade, o Video Games Live já tocou a música na E3 2012 (veja só, a primeira vez que falo do VGL neste ano, isso em julho!), além do Video Games Unplugged: Symphony of Legends. E a flechada atingiu até o joelho dos japoneses: Masahiro Sakurai fez uma alusão àquele meme que infestou o mundo no final do ano passado. Tudo leva a crer que a “Dragonborn” será a música escolhida. Se não entendi errado, haverá um coral de 30 vozes no palco, informação que deverá dar para confirmar se revelarem de fato os artistas antes da apresentação.

Set list até o momento:

01 – “Save the Princess Famicom Medley”
02 – Kid Icarus: Uprising
03 – Gravity Rush
04 – God Eater
05 – The Legend of Zelda: Skyward Sword
06 – Nora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo
07 – Muramasa: The Demon Blade
08 – Phoenix Wright: Ace Attorney
09 – Ihatovo Monogatari
10 – Darius
11 – Legend of Mana
12 – Final Fantasy XI

[via PRESS START]

Gritos, sussurros e um pouco sobre Anna

Por Gustavo Hitzschky

Fico incomodado ao ver que hoje há uma escassez lamentável de jogos que nos fazem pensar. E com “pensar” não me refiro a simplesmente criar uma estratégia eficaz para derrotar um determinado inimigo ou desenvolver um plano de ação para tomar uma fortaleza, por exemplo. Falo sobretudo dos quebra-cabeças engenhosos, daqueles que nos exigem meia hora para enfim atingir a solução e dos games que não apresentam hordas adversárias que precisam ser exterminadas.

Deparei-me há alguns dias com um post bem bacana do IndieGames.com que trata da relevância dos indies para o gênero Survival Horror. Já no segundo parágrafo, o blog cita uma entrevista do Gamasutra com o produtor de Resident Evil Revelations, Masachika Kawata, que teceu comentários justamente sobre a alteração do foco da franquia (outrora) de terror.

“Especialmente no mercado norte-americano, acho que a série precisa tomar essa direção [baseada na ação]. [Os jogos principais da série Resident Evil] precisam ser uma extensão das mudanças feitas em Resident Evil 4 e 5. [...] Temos que nos manter nessa direção e levá-la um passo adiante”.

Isso me entristece sinceramente. Não é segredo que sou uma das viúvas dos RE clássicos para PS one e que gostaria que a franquia enveredasse por essa via. Não fiz pesquisa de mercado, portanto pode ser que eu esteja errado, mas será mesmo que não há mais um público amplo e pronto para consumir títulos com uma narrativa mais lenta, cadenciada, e acima de tudo, inteligente?

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Press Start 2012: um pouco de tudo na segunda meia-dúzia de segmentos

Por Alexei Barros

Se nas primeiras seis atualizações do Press Start 2012 havia especialmente títulos portáteis, nesta segunda atualização, que trouxe mais meia-dúzia de novidades, há uma boa diversidade de jogos antigos e novos para diversos sistemas diferentes. Vamos a elas:

- Muramasa: The Demon Blade: “Introduction” ~ “Impermanence”

Eu normalmente não gosto quando o Press Start reprisa segmentos, mas, quando não existe um registro oficial do número, aumentam as chances de a performance sair em algum CD. O problema é que isso já aconteceu com o Muramasa no álbum Oboromuramasa Ongakushuu Hensou no Maku. Inclusive comentei em detalhes a  “Muramasa: The Demon Blade”, executada anteriormente no Press Start 2010 aqui. O maestro Taizo Takemoto relembrou a ocasião com saudade no texto de revelação, exaltando a mistura de orquestra com guitarra e instrumentos japoneses (tsugaru shamisen e shakuhachi). A escolha mostra como a organização nem sempre se importa com o hype, visto que o Wii já está em vias de se despedir.

- Phoenix Wright: Ace Attorney: “Great Revival ~ Reiji Mitsurugi” (Phoenix Wright: Ace Attorney – Justice for All) ~ “Ryuuichi Naruhodou ~ Objection!” ~ “Investigation ~ Overtaked“ (Phoenix Wright: Ace Attorney)

Eu normalmente não gosto quando o Press Start… não preciso repetir a primeira frase do segmento anterior, né? Mais uma reprise, desta vez do Press Start 2008. A diferença é que o número arranjado pelo Noriyuki Iwadare não chegou a ser registrado oficialmente. Não que faça uma falta absurda, de outro mundo. As três faixas que formam o medley, talvez as mais icônicas da série, foram orquestradas separadamente nos concertos da saga de advocacia virtual realizados naquele mesmo ano de 2008. Milagre: consegui entender alguma coisa aproveitável no Google Translator; Kazushige Nojima lembrou que o primeiro Gyakuten Saiban (como o jogo é conhecido originalmente) saiu em 2001 (para Game Boy Advance) e que parece que foi outro dia que isso aconteceu. Inclusive ele soube do jogo pela Famitsu e ficou bastante impressionado pelo conceito na ocasião – “Objection!”, “Hold It” e todos aqueles impropérios. Mas será que não valeria mais a pena se fosse tocada alguma do Gyakuten Kenji 2 (aquele que a Capcom se recusa a localizar para o Ocidente)?

- Ihatovo Monogatari

O adventure da desconhecida Hect com toques de RPG do Super Famicom está um passo mais fundo da obscuridade dos jogos nunca lançados nos EUA, porque nem tradução de fãs o título recebeu. Nobuo Uematsu disse que a trilha tem o seu lugar na história da game music, com músicas ternas que simulam as cordas (eu achei relativamente convincentes, como mostra a “Ihatovo Praise (from Opening)”, levando em conta que é o SNES). Além disso, ele lembrou que o compositor do Ihatovo Monogatary, Tsukasa Tawada, participou do álbum colaborativo Ten Plants, que possui músicas originais de compositores de games. Apesar de essa lembrança parecer única, o jogo foi homenageado no Orchestral Game Concert 5, o último da série de concertos, com a faixa “Ihatovo Hymn”, em arranjo do próprio Tsukasa Tawada.

- Darius


Uma atualização do tipo “só tem no Press Start”. O mais legal é que isso mostra como eles gostam de volta e meia pegar um shump para colocar no repertório como teve Fantasy Zone em 2009 e Gradius em 2011; isso sem contar, o “Shooting Medley” de 2007, que, inclusive, tocava a “Captain Neo” do Darius. Pelo que dá a entender no texto do Masahiro Sakurai, o arranjo do jogo da Taito de três telas no arcade terá essa e a “Main Theme – Chaos”. Que venham outros shmups!

- Legend of Mana

Até que enfim! Legend of Mana é um desses casos (Shenmue é outro) de um jogo japonês já executado em concertos ocidentais que não apareceram em um espetáculo nipônico. Na verdade, isso só aconteceu uma vez: no Sinfonia Drammatica, realizado na Suécia em 2009, concerto que teve os quatro arranjos do Legend of Mana do álbum drammatica tocados ao vivo. Kazushige Nojima falou sobre a revelação e, pelo que li, será um medley com cinco faixas selecionadas pela compositora Yoko Shimomura. Acredito que “Legend of Mana ~Title Theme~”“Hometown Domina” estejam entre essas como foram citadas. Com essa recordação da série, desde já fica a torcida para o Secret of Mana (com “Danger”) nos próximos anos.

- Final Fantasy XI

Em todas as edições do Press Start, sempre teve um segmento de Final Fantasy. Até 2010, foi meio desanimador: reprises, reprises, reprises. E de segmentos bastante conhecidos. O cenário mudou em 2011, quando foi feito um arranjo novo e exclusivo do Final Fantasy IV. E, de acordo com o que diz o site, mais uma vez será feito um arranjo inédito, desta vez do MMORPG Final Fantasy XI, que completou dez anos de vida em 2012 (considerando o lançamento original para PlayStation 2 no Japão), como lembrou o Nobuo Uematsu. O número será um medley com três faixas, sendo que “Vana’diel March” e “The Republic of Bastok” foram citadas. Como a primeira é do Naoshi Mizuta e a outra da Kumi Tanioka, aparentemente há a intenção de ter uma música de cada compositor. Sabendo que a terceira é do Nobuo Uematsu, deve ser a Final Fantasy XI Opening Theme”. A despeito de eu somente ter citado brevemente o concerto de FFXI no anúncio da apresentação, o espetáculo gerou o DVD Final Fantasy XI Vana♪Con Anniversary 11.11.11 e é sensacional – espero comentar as melhores faixas sem muita demora.

Set list até o momento:

01 – “Save the Princess Famicom Medley”
02 – Kid Icarus: Uprising
03 – Gravity Rush
04 – God Eater
05 – The Legend of Zelda: Skyward Sword
06 – Nora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo

[via PRESS START]

“After Burner” – After Burner (Blind Spot The Shibuya Concert)

Por Alexei Barros

Das memórias perdidas do Game Music Festival, como em um sonho, a S.S.T. Band renasceu com o nome Blind Spot. E, como em outro sonho, a banda não parou de fazer apresentações. Mais incrível: há registro em vídeo disso. E em boa qualidade.

Eu gosto mais até da “After Burner Medley” pelo trecho da empolgante “City 202” na guitarra do Koichi Namiki, mas a “After Burner” tem uma significação especial: foi a primeira faixa tocada pela banda e também marcou a despedida anunciada no palco do GMF’93.

É sensacional ver os caras em ação de novo mais de 20 anos depois, mesmo que desfalcados do Takenobu Mitsuyoshi e/ou do Hiroshi Kawaguchi (ambos continuam na Sega). Pelo menos, o substituto no teclado, Shoji Morifuji, mostrou a que veio, emulando o timbre que um dos dois faziam. Só não dá para deixar de reclamar, na verdade, do que não escutei pela mixagem do vídeo: o baixo elétrico do Masato Saitoh. Cadê? Não deu para ouvir.

Antes que surja a dúvida, um esclarecimento: o vídeo não é do anúncio de um DVD, mas apenas serve de divulgação para as vindouras apresentações.

Cegamente agradecido ao Rafael Fernandes, que, quando me passou esse vídeo, devia estar com os olhos marejados, quase ardendo – seja por emoção ou por algum problema na vista mesmo.

Press Start 2012 anunciado; supremacia portátil na primeira meia-dúzia de seleções

Por Alexei Barros

Vem ano, passa ano e chega essa época temos o quê? Anúncio de uma nova edição da série japonesa de concertos Press Start. Em 2012, isso aconteceu mais de um mês atrás, mas venho reparar essa falta. Para não ficar um post muito grande com todos os números do programa anunciados até agora, vou respeitar a ordem de atualizações em posts avulsos.

Como em 2011, serão três apresentações. As duas primeiras vão ocorrer em Tóquio no Bunkamura Orchard Hall dia 23 de setembro, às 14h00 e 18h30 locais, ambas com Taizo Takemoto na regência da Tokyo Philharmonic Orchestra. A última vai ser bem depois, dia 10 de novembro, em Nagoya, no Chukyo University Civic Center Cultural Hall. Takemoto voltará à condução, regendo a Nagoya Philharmonic Orchestra.

Como sempre há jogos japoneses recentes no programa, e a primeira rodada de atualizações serve quase como um parâmetro de tendências da indústria nipônica de games: quatro dos seis selecionados são de títulos para portáteis.

- “Save the Princess Famicom Medley”

Diria que a equipe organizadora do Press Start já foi mais criativa nas temáticas dos medleys – gostava especialmente dos que agrupavam jogos por gêneros ou produtoras. Neste segmento, a intenção é reunir músicas de jogos do Famicom que tenham o mote de salvar a princesa. Seria leviano dizer que são todos daquela saudosa geração dos 8-bit ou a maioria, mas, sem forçar a memória, dá para lembrar uma infinidade. Entre os títulos, temos “surpresas”, como Super Mario Bros. e The Legend of Zelda. Sinceramente, consegui compreender pouca coisa aproveitável do texto de revelação do Kazushige Nojima. A única informação, talvez não tão interessante assim, é que alguns desses jogos são conversões de arcades da época.

- Kid Icarus: Uprising: “Chapter 12: Wrath of the Reset Bomb”

Kid Icarus, o original de NES, foi tocado no bis em 2011, uma lembrança em virtude da iminência do lançamento de Kid Icarus: Uprising. O jogo do Nintendo 3DS veio, tirou 40/40 na Famitsu, a desenvolvedora Project Sora acabou e a trilha sonora é formidável. Não poderia ser diferente, considerando os envolvidos. Só a nata: Noriyuki Iwadare, Motoi Sakuraba, Masafumi Takada, Yasunori Mitsuda e Yuzo Koshiro. Dentre tantas músicas magistrais, a escolhida é assinada por este último, o Koshirão para os mais íntimos. A “Chapter 12: Wrath of the Reset Bomb” já é orquestrada por natureza e valerá a experiência para quem estiver lá in loco mesmo. Pelo pouco que entendi no texto do Masahiro Sakurai, a mente por trás do Uprising, ele enalteceu o fato de que a música muda de pegada ao longo das viagens aéreas. Para representar isso, a faixa selecionada não poderia ser melhor, porque parece que são umas cinco músicas em uma tamanha a variação de motivos na mesma peça. Confesso que, das que me recordo, a “Chapter 15: Mysterious Invaders”, também do Koshiro, foi a que mais me impressionou, mas poderia perder graça ao vivo sem os efeitos eletrônicos.

- Gravity Rush

Conhecido por Gravity Daze no Japão, o jogo do PS Vita acabou empolgando tanto o Shogo Sakai que ele quase se esqueceu de falar da trilha sonora no texto do anúncio. Como nenhuma música foi citada especificamente, tudo leva a crer que será um medley. O autor, Kouhei Tanaka, é pródigo em fazer faixas que misturam orquestra e banda não só em jogos (as trilhas da série Alundra são dele), como também em animes e tokusatsus. Inclusive ele é o compositor do Flashman, e a espetacular “Star Condor, Take off!!” mostra bem isso o que comentei da mescla de instrumentos. O número do Gravity Daze promete. Faixas boas não faltam: a faixa-título “Gravity Daze” (bela virada com a entrada da bateria), “Clearly Dangerous” (guitarras em destaque… e o que é aquele saxofone rouco?), “Trump Card” (a pompa, a glória), entre outras. O jogo inclusive já foi tocado no Video Games Unplugged: Symphony of Legends.

- God Eater: “God and Man Vocal Ver.”

Curioso esse jogo só aparecer agora, sendo que, no Japão, foi lançado em 2010. Apesar de não considerar a obra-prima do talentoso compositor Go Shiina, é uma boa escolha. Embora eu ache que seleção melhor, depois do Tales of Legendia, seria o Mr. Driller Drill Land. Mas uma coisa de cada vez. A canção escolhida é a maravilhosa “God and Man Vocal Ver.”, interpretada pela australiana Donna Burke, que havia cantado a “Heaven’s Divide” (MGS: Peace Walker) no Press Start 2010. De acordo com Masahiro Sakurai, a música foi usada em comerciais e até foi nomeada na categoria “Melhor canção original de videogame” no Music Award Hollywood 2010. Isso pode ser considerado uma façanha para uma composição japonesa, visto que esse tipo de premiação ocidental ignora o oriente, como se, atualmente, apenas compositores americanos e europeus fossem bons.

- The Legend of Zelda: Skyward Sword: “Skyward Sword Main Theme”

De novo Zelda, mas, pela primeira vez, Skyward Sword. Ainda na onda dos 25 anos da série comemorados no The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony, o Press Start 2012 vai mostrar a “Skyward Sword Main Theme” (aquela do trailer, da Zelda’s Lullaby ao contrário), executada como bis no concerto comemorativo. O maestro Taizo Takemoto, que assinou a revelação, foi quem regeu inclusive a apresentação no Japão da turnê. Muito legal isso tudo, só não entendo por quê, falando da Nintendo, a resistência às músicas de Metroid e Donkey Kong.

- Nora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo

Assim como o Super Nintendo, o DS possui uma safra gigante de J-RPGs nunca lançados no ocidente, o que também ajuda a criar a sensação nesta geração de que há uma escassez desse gênero que foi tão prolífico no PlayStation. Lançado em 2011, Noora to Toki no Koubou: Kiri no Mori no Majo é um RPG da Atlus o qual nunca tinha ouvido falar antes do Press Start 2012, mesmo constatando que a trilha sonora é criada pela Michiko Naruke, a compositora principal da série Wild Arms. As faixas têm estilo celta e, sabendo você que não me embeveço tanto com esse tipo de música (claro, sempre há exceções), ouvi a OST inteira, mas não arriscaria apontar uma que se destaque. Tá bom, uma vai: “Everyday Lifestyle”. Pela paz e serenidade, fica no ar um clima bem pastoral, do campo. Uma novidade? Não entendi o que o Shogo Sakai disse no site. De todo modo, foi uma boa seleção para dar variedade ao programa.

[via PRESS START]

Symphonic Fantasies Tokyo: as já conhecidas fantasias sinfônicas em interpretações mais que perfeitas na Terra do Sol Nascente


Por Alexei Barros

Por mais tempo que um indivíduo se dedique a uma determinada obra, sempre há espaço para melhorias. Quem é perfeccionista e vê o que foi feito anos depois, fica com vontade de mexer aqui, retocar ali e até, por que não, começar do zero. Isso em qualquer atividade. Nos videogames, esse aperfeiçoamento vem na forma das atualizações online. Na música e, especialmente, nas músicas orquestrais, o trabalho de aprimoramento é muito maior. Já imaginou ter que imprimir todas as partituras dos instrumentistas de novo? Pelo tempo e dinheiro que se gasta com isso, os polimentos são raros nos concertos de games.

Mas, quando o Symphonic Fantasies, originalmente executado em 2009 na Colônia, Alemanha, é frequentemente exaltado – “absoluto” e “impoluto” foram adjetivos frequentes quando me referi ao concerto e depois ao álbum publicado em 2010 –, logo você vai imaginar que a produção do espetáculo se acostumará com os elogios, repousando na confortável zona de conforto das reprises idênticas à primeira apresentação. Porém, nada disso aconteceu quando o Symphonic Fantasies foi mostrado em Tóquio em janeiro de 2012, récita esta registrada no álbum Symphonic Fantasies Tokyo, lançado em 11 de junho deste ano.

O impacto causado pelo Symphonic Fantasies foi muito grande há três anos. De uma só vez, o concerto revolucionou nas suítes gigantes (de cerca de 18 minutos), na transmissão em vídeo ao vivo para todo o mundo e na qualidade impecável da performance. Dessa forma, foram feitos convites para apresentações em outros países, e o próprio Nobuo Uematsu sugeriu levar o Symphonic Fantasies ao Japão. Mas, para chegar nesse nível, foram necessários 14 dias cheios de ensaios. Ter todo esse tempo livre nas agendas de orquestras pelo mundo não é comum.

Enquanto isso, graças ao êxito do Symphonic Fantasies, aconteceram mais dois concertos-tributo em Colônia: o Symphonic Legends, em homenagem à Nintendo, em 2010, e o Symphonic Odysseys, em reverência ao Nobuo Uematsu, em 2011. Ainda no ano passado aconteceu o LEGENDS, uma revisão do Symphonic Legends na Suécia que serviu para o produtor Thomas Boecker tirar a conclusão de que seria possível ter a mesma qualidade apresentada na Alemanha com apenas dois dias de ensaio. “A experiência em Estocolmo com LEGENDS me mostrou que, se as partituras forem bem-feitas e os músicos estiverem motivados e forem bons, vai funcionar”, disse antes da realização do Symphonic Fantasies em Tóquio. Além disso, os arranjos foram ajustados para otimizar a performance. “Quanto mais conhecimento o arranjador tiver, ele pode encontrar soluções para fazer soar bem sem ser MUITO difícil de tocar. Então é isso que vamos fazer. O tempo que vamos ganhar dessa forma será gasto para fazer soar ainda mais emocionante, mais bonito.”

Com isso, Boecker decidiu investir em 2012 no Symphonic Fantasies em Tóquio, no décimo ano consecutivo em que ele produz concertos de games, chegando ao país onde tudo começou. O primeiro dessa dezena, o First Symphonic Game Music Concert, em 2003, foi também primeiro espetáculo de game music fora do Japão. Para tanto, ele contratou a Tokyo Philharmonic Orchestra, a mais antiga orquestra de música erudita nipônica (formada em 1901), e o Tokyo Philharmonic Chorus, ambos recorrentes em álbuns e récitas de jogos eletrônicos. Benyamin Nuss no piano e Rony Barrak na darbuka voltaram ao palco e, no lugar do norte-americano Arnie Roth, o alemão Eckehard Stier assumiu a regência. Foram realizadas apresentações nos dias 7 e 8 de janeiro no Tokyo Bunka Kaikan, o mesmo local do Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert. No primeiro dia, estiveram presentes Hiroki Kikuta (Secret of Mana) e Yasunori Mitsuda (Chrono Trigger e Cross) e, no outro, além dos dois, a mestra Yoko Shimomura (Kingdom Hearts). Para completar o quarteto de compositores da Square que haviam comparecido ao espetáculo em Colônia, só ficou faltando mesmo o Nobuo Uematsu.

Como o Symphonic Fantasies original já tinha sido lançado em CD na Europa e no Japão, não seria de esperar que a versão mostrada em Tóquio também fosse. Eis que inesperadamente em maio de 2012 o álbum Symphonic Fantasies Tokyo foi anunciado e em junho foi lançado – por enquanto, somente com publicação no continente europeu.

A principal diferença é que, enquanto o álbum do Symphonic Fantasies original condensava todo o concerto em um CD e deixava o segmento do bis para lançamento digital, o álbum do Symphonic Fantasies Tokyo cobre o espetáculo na íntegra, forçando a divisão do programa em dois discos. O primeiro, com a abertura e as suítes de Kingdom Hearts e Secret of Mana; o outro com as suítes de Chrono e Final Fantasy e o novo bis.

O encarte, com 20 páginas repletas de fotos das apresentações e perfis dos envolvidos, possui agora um prefácio assinado pelo Masashi Hamauzu, que não teve músicas executadas no concerto, mas vem se tornando cada vez mais frequente nas produções do Thomas Boecker. Aliás, só de ver o nome dele, já me deu vontade de que fosse feita uma suíte da série SaGa – obscura no ocidente, mas popular no Japão –, com os seus trabalhos no SaGa Frontier II e especialmente no Unlimited Saga. Mas essa vontade fica para uma próxima. Outra decisão que achei acertada foi a adoção do inglês no texto, dada a universalidade do idioma, visto que, no álbum gravado na Alemanha, a edição japonesa estava escrita na língua local e, na europeia, em alemão. O único ponto um pouco chato disso é a dificuldade de retirar o encarte da caixa do álbum, porque ficou bastante justo, no limite. Se você conseguiu tirar uma vez, é provável que não vai querer fazer isso de novo com medo de estragar o papel.

Uma grande vantagem do Symphonic Fantasies Tokyo em relação ao Symphonic Fantasies é justamente o fato de o concerto ter sido gravado no Japão. Como dito aqui tantas vezes, o público nipônico é extremamente acanhado e, verdade seja dita, educado. Uma plateia inteligente, que respeita a performance e quer apreciá-la, quer fazer valer o ingresso. Durante os dois CDs não há um pio sequer da plateia e nem mesmo aplausos ao final da execução de cada número, o que dá ao Symphonic Fantasies Tokyo a impressão de ter sido gravado em estúdio tamanho o silêncio. No CD do Symphonic Fantasies dá para ouvir, durante a execução do tema dos Chocobos, um “woow” proferido por um fã tresloucado. Hoje, esse cara deve estar muito por feliz por ter o grito eternizado e arranhado a perfeição da performance. Aqui não há nada disso, muito felizmente. Por isso… viva os japoneses!

Já adianto que, excetuando o Encore, todo o resto da seleção de músicas arranjadas é similar ao primeiro Symphonic Fantasies. Mesmo que continue achando que algumas faixas poderiam entrar (nada vai me tirar da cabeça que fez muita falta a “Danger” no Secret of Mana e talvez mais alguma música animada do jogo), não vou repetir tudo o que já falei. É tudo uma questão de comparações. Se na ocasião do concerto eu confrontei os arranjos orquestrais com as originais e no review do álbum coloquei frente a frente os arranjos da mixagem do CD com a versão transmitida, o cotejo agora será entre os dois álbuns. As novidades do Symphonic Fantasies Tokyo estão nas entrelinhas, nas interpretações, nas sutilezas, portanto vamos revisitar aos poucos, com calma, as histórias contadas pelas suítes no palco do concerto realizado na Terra do Sol Nascente.

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Preste atenção em Adventure Time: HIKWYSOG, para 3DS e DS!

Por Claudio Prandoni

Depois de um começo pra lá de sonolento, o Nintendo 3DS emplacou jogos excelentes no final de 2011 e tem mantido um ótimo ritmo nesta temporada.

Para o segundo semestre, a safra é excelente: Kingdom Hearts, Epic Mickey, Castlevania, New Super Mario Bros. 2 e muito mais.

Nem preciso ficar puxando a sardinha desses aí: certamente serão todos jogaços ou, no minimo, boas versões de séries consagradas.

O tópico de hoje é para não deixar passar batido um dos prováveis slepeer hits do 3DS em 2012 – aqueles jogos que ninguém dá bola e são incríveis, tipo Henry Hatsworth in the Puzzling Adventure, do DS original.

Anote esse nome: Adventure Time: Hey Ice King, Why’d You Steal Our Garbage?.

De novo, pra fixar na memória o longo título: Adventure Time: Hey Ice King, Why’d You Steal Our Garbage?.

Baseado em um dos desenhos mais bacanas a aparecer no Cartoon Network nos últimos anos – conhecido por aqui como Hora de Aventura – o game sai no final do ano em versões para DS e 3DS e, veja só, tem jogabilidade inspirada em Legend of Zelda II: O Esquisito Renegado Adventure of Link.

Com mapinhas de visão aérea e trechos de plataforma 2D, o cartuchito traz Jake e Finn e mais uma turma do barulho em mil e uma confusões. Sério mesmo, o desenho é por aí. Aventuras hilárias e totalmente aleatórias com um traço pitoresco e divertido.

Vai ter até uma edição especial, com caixinha de metal, livreto de arte, caneta stylus especial e um pôster.

Out There Somewhere e Oniken: o Brasil tem excelentes jogos indies

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Por Claudio Prandoni

Já que o escolástico Hitz tem desfilado por aqui algumas pérolas indígenas indies, faço questão aqui de deixar dois pitacos, ambos para PC.

O primeiro deles é o Out There Somewhere, primeiro jogo completo lançado pela galera do estúdio Miniboss e que apresenta um delicioso jeito retrô de ser.

A premissa remete a antigas aventuras 8-bit, partindo direto para a ação, sem enrolar demais – e com direito até a uma homenagem ao inebriante meme All Your Base Are Belong To Us.

A mecânica, porém, tem tempero de Portal, com uma arma muito doida de teletransporte aprontando mil e uma confusões do barulho. Confira com seus próprios olhos no empolgante trailer abaixo.

Mais informações e métodos de compra você encontra no site oficial.

O outro petardo é bem recente e absurdamente empolgante também. No forno há alguns anos, Oniken resgata também um estilo 8-bits, trazendo de “brinde” a dificuldade lazarenta daquela época.

Como a própria galera do estúdio Joymasher, a produtora do game, diz: é uma dificuldade ao estilo NES. Ou coisa do tipo.

Para entender, vale também assistir ao trailer ou ir logo baixar a demo, que traz duas fases completas. Novamente, mais detalhes sobre a parada e como comprar estão no site oficial.

Vale notar, os dois jogos estão também no Desura, que é tipo um Steam, ou seja, um serviço de download de jogos, mas focado em produções independentes.


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