Por Alexei Barros
Pelo que disse o apresentador Tommy Tallarico antes da performance, Pokémon foi um dos jogos mais requisitados nos seis anos de visitas do Video Games Live ao Brasil. Em contrapartida, é curioso constatar que, antes de 2011, mesmo com tamanha popularidade da franquia, existia somente um arranjo orquestrado oficial: “Pokémon Medley” do Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert, ainda por cima por ocasião do Super Smash Bros. Melee.
E, então, em setembro enfim teve Pokémon no Press Start 2011, coincidentemente na sexta edição do evento. E em outubro o VGL reservou para a excursão brasileira a estreia mundial da turnê do segmento de Pokémon.
Como sou uma completa negação de Pokémon não me sinto apto a avaliar a escolha de faixas. Quanto ao arranjo, o trabalho, se não é fenomenal, é minimamente decente, com começo, meio e fim. A “~Opening~”, música de introdução do Pokémon Red e Blue do Junichi Masuda confere todo o impacto necessário para fazer com que os fãs reconheçam de cara a sequência de notas inicial e fiquem mais interessados em gritar, bater palmas e cantar junto a melodia – de uma música instrumental – em vez de simplesmente ouvir.
O vazio após a introdução poderia ser considerado um bom exemplo de como não se fazer uma transição – ainda bem que a original é assim. Não que tenha sido feita uma passagem para a “Battle (VS Trainer)”. Nesse caso, porém, eu abro uma exceção: como o combate é aleatório, uma mudança ríspida de música no arranjo passa a mesma sensação de surpresa do jogo.
A segunda metade provém totalmente do anime – não vi tanto problema nisso, dada a proximidade do jogo com o desenho animado. Depois de um buraco, a mensagem do telão pede, ao som da “Prepare for Trouble”, que o público recite o lema do Team Rocket. No Rio de Janeiro a dublagem era em inglês, mas depois das reclamações pelas vozes em português, a produção do VGL conseguiu colocar a tempo nas apresentações em Porto Alegre e em São Paulo, só que mantendo o “Say it with us!” em inglês. Depois dessa parte interativa o medley finaliza com a magnífica “I Got a Victory Badge!”, cuja original exprime por que eu gosto tanto de música orquestrada japonesa, seja qual for a origem das composições.
Nada muito elaborado, mas respeitável. Agora… essa guitarra pré-gravada é o fim da picada.
“Pokémon Medley”
“~Opening~” ~ “Battle (VS Trainer)” (Pokémon Red Version & Blue Version) ~ “Prepare for Trouble” ~ “I Got a Victory Badge!” (anime)


















Olha, eu curti bastante o medley (e fui contagiado pelos gritos, fazendo o mesmo XD) mas tem coisas que eu pude ouvir (e muito bem, diga-se de passagem). Eu estava bem próximo ao palco, vi todos os instrumentistas…
No início foi tudo muito bem, obrigado. Mas durante a “Battle” eu pensei assim mesmo: “Cara, tá muito f*da, mas tá muito pomposa essa orquestra pequena aí… tem algo errado…”. Não sou nenhum especialista em música, mas parecia que tinha sample durante. E nem digo com relação a bateria invisível, que o próprio Tallarico falou que era o único playback que colocavam…
De resto, bom medley. E esperando pela crônica de “Zelda 25 Medley” XD
Alexei, achei estranho você não ter comentado isso:
Tirando as piadinhas e o preconceito recorrente, foi uma matéria morna, mas até que aceitável.
@ Vinicius
Exatamente. Não quis me comprometer ao dizer que toda a orquestra era playback, mas como a câmera está bem de perto dá para ver as fileiras de violinistas. Acho meio difícil de sair um som encorpado desses com tão poucos violinos. Playback ou não essa parte, não só a bateria é pré-gravada. A guitarra também.
@ Marcelo
Eu tinha visto, mas acabei esquecendo de comentar. Ou melhor, talvez nem tenha achado interessante de publicar. Não gostei muito da entonação do Tadeu Schmidt na narração – uma informalidade excessiva e artificial, o que tem sido muito recorrente em tantas reportagens da Rede Globo. Mas isso é uma birra minha.
Apesar disso, está morna, mais aceitável como você bem disse. Antes de tê-la visto, não sabia que o Lucas Lima já tinha composto três trilhas de games (creio que a terceira ainda não foi revelada), muito menos que o Dado Villa-Lobos enveredou nessa área.
Curioso, essa “I Got a Victory Badge!” me lembrou a trilha de Soul Calibur!
De fato tem toda a pompa de Soulcalibur. Você se lembra especificamente de alguma música?
Então Alexei, lembrei da Path of Destiny. Não que os temas sejam parecidos, mas o estilo das duas é bem semelhante. Me parece que ambas descrevem o mesmo sentimento, de “dever cumprido”.
Ah, saquei! Precisamente. Acho que o Shinji Miyazaki foi muito feliz na composição do tema, porque eu senti a mesma coisa, ainda que não tenha visto o anime.
O que mata o VGL são as faixas gravadas…. e não, eu não acho q tenha q ter faixas pré-gravadas para garantir os bons sons da música original!
O que eu mais gosto de orquestra e sinfônica é a espectativa de ver como fica as já conhecidas músicas aos sons de cordas, sopros e percurssão!
Concertos que ficam bem diferentes do original são os mais impressionantes! Me agrada infinitamente excelentes arranjos ou mesmo aqueles que se arriscaram! Eu quero sentir e ouvir a interpretação do arranjador! Por isso prefiro movimentos e números completos de concertos, e não simplesmente tocar as músicas iguais ao original, como acontece frequentemente no VGL… é legal por ser ao vivo, mas isso posso ouvir com a OST em casa!
Além disso, eu acho a orquestra do VGL muito pequena e por mim o Tallarico-estrelinha podia ficar de fora! :P