Arquivo de outubro \29\UTC 2011

“Pokémon Medley” – Pokémon Red Version & Blue Version (VGL 2011 no Rio de Janeiro)

Por Alexei Barros

Pelo que disse o apresentador Tommy Tallarico antes da performance, Pokémon foi um dos jogos mais requisitados nos seis anos de visitas do Video Games Live ao Brasil. Em contrapartida, é curioso constatar que, antes de 2011, mesmo com tamanha popularidade da franquia, existia somente um arranjo orquestrado oficial: “Pokémon Medley” do Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert, ainda por cima por ocasião do Super Smash Bros. Melee.

E, então, em setembro enfim teve Pokémon no Press Start 2011, coincidentemente na sexta edição do evento. E em outubro o VGL reservou para a excursão brasileira a estreia mundial da turnê do segmento de Pokémon.

Como sou uma completa negação de Pokémon não me sinto apto a avaliar a escolha de faixas. Quanto ao arranjo, o trabalho, se não é fenomenal, é minimamente decente, com começo, meio e fim. A “~Opening~”, música de introdução do Pokémon Red e Blue do Junichi Masuda confere todo o impacto necessário para fazer com que os fãs reconheçam de cara a sequência de notas inicial e fiquem mais interessados em gritar, bater palmas e cantar junto a melodia – de uma música instrumental – em vez de simplesmente ouvir.

Ovazio após a introdução poderia ser considerado um bom exemplo de como não se fazer uma transição – ainda bem que a original é assim. Não que tenha sido feita uma passagem para a “Battle (VS Trainer)”. Nesse caso, porém, eu abro uma exceção: como o combate é aleatório, uma mudança ríspida de música no arranjo passa a mesma sensação de surpresa do jogo.

A segunda metade provém totalmente do anime – não vi tanto problema nisso, dada a proximidade do jogo com o desenho animado. Depois de um buraco, a mensagem do telão pede, ao som da “Prepare for Trouble”, que o público recite o lema do Team Rocket. No Rio de Janeiro a dublagem era em inglês, mas depois das reclamações pelas vozes em português, a produção do VGL conseguiu colocar a tempo nas apresentações em Porto Alegre e em São Paulo, só que mantendo o “Say it with us!” em inglês. Depois dessa parte interativa o medley finaliza com a magnífica “I Got a Victory Badge!”, cuja original exprime por que eu gosto tanto de música orquestrada japonesa, seja qual for a origem das composições.

Nada muito elaborado, mas respeitável. Agora… essa guitarra pré-gravada é o fim da picada.

“Pokémon Medley”

“~Opening~” ~ “Battle (VS Trainer)” (Pokémon Red Version & Blue Version) ~ “Prepare for Trouble” ~ “I Got a Victory Badge!” (anime)

The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony: entre gritos e aplausos, uma efeméride exemplar


Por Alexei Barros

Enfim foi completada a primeira rodada de récitas comemorativas da The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony em Tóquio (10/10), Los Angeles (21/10) e Londres (25/10). Para adiantar a resposta da minha maior dúvida, o set list foi o mesmo nas quatro apresentações (duas no Japão), com 16 segmentos em um total de 80 minutos de música. Antes dos detalhes, vale ressaltar como surgiu a concepção do espetáculo. As informações vieram à tona na entrevista do produtor Jeron Moore à revista Official Nintendo Magazine.

Ele, o arranjador e orquestrador Chad Seiter e o produtor executivo Jason Michael Paul – os três principais nomes da turnê Play! A Video Game Symphony –, estavam trabalhando secretamente na ideia de levar as músicas de Zelda para uma sala de concerto. O conceito foi apresentado à Nintendo, que, por sua vez, pensava em algo similar na comemoração dos 25 anos da série. Então os projetos foram combinados, e o projeto foi levado adiante com o envolvimento dos criadores da franquia, sendo que o próprio Koji Kondo supervisionou o trabalho. Os arranjos seguiram com fidelidade as contrapartes originais, mas em versões maiores, mais grandiosas e mais imersivas.

Para você não se perder com tantas informações, detalho abaixo as particularidades de cada apresentação. Em todas houve um coral, mas, estranhamente, não estão creditados no encarte, somente a orquestra. Por um acaso, descobri que o Capital Voices foi quem cantou em Londres.

Tóquio, Japão (10/10):
Orquestra: Tokyo Philharmonic Orchestra
Regência: Taizo Takemoto
Local: Sumida Triphony Hall
Apresentação: Ryuji Miyamoto e Shoko Nakagawa
Convidados: Shigeru Miyamoto, Eiji Aonuma e Koji Kondo
Produção: Nintendo

Los Angeles, EUA (21/10):
Orquestra: Orchestra Nova
Regência: Eímear Noone
Local: Pantages Theater
Convidados: Eiji Aonuma e Koji Kondo
Produção: Nintendo e Jason Michael Paul Productions

Londres, Inglaterra (25/10):
Orquestra: Royal Philharmonic Orchestra
Regência: Eímear Noone
Local: HMV Hammersmith Apollo
Convidados: Eiji Aonuma, Koji Kondo e Zelda Williams
Produção: Nintendo e Jason Michael Paul Productions

Atente que, apesar do envolvimento do Chad Seiter nos arranjos, a produção do espetáculo japonês foi feita somente pela Nintendo como comprova o programa (主催: 任天堂株式会社). Como os espetáculos em Los Angeles e Londres foram produzidos pela JMP, ambos tiveram telão, o que não aconteceu no Japão. Muitas pessoas lamentaram nos relatos pela ausência de Shigeru Miyamoto nas apresentações ocidentais, mas já foi fantástico ter o produtor Eiji Aonuma e o compositor Koji Kondo. Nos EUA, o intérprete foi o mesmo da E3 2011, Bill Trinen. Fiquei com o receio que ele atropelasse a pessoa quem está falando como em junho. Felizmente, apenas um microfone era passado de mão em mão para cada fala. Ah, bom, então assim, sim!

No Japão, o concerto teve como anfitriões o ator e apresentador Ryuji Miyamoto (sem parentesco com o Shigeru) e a dubladora e cantora Shoko Nakagawa, que entre milhares de coisas (ela cantou vários temas do anime de Pokémon), é fã de Zelda. Na Inglaterra, a Zelda esteve em pessoa: a Zelda Williams, filha do ator Robin Williams que foi batizada assim porque o pai era aficionado pela série.


Agora me sinto mais confortável para discorrer sobre o set list, levando em conta que não sou um profundo conhecedor de Zelda (vergonha!). O encarte em inglês foi abençoadamente escaneado em alta resolução no The Bit Beacon, e é possível ver que o negócio é caprichado (essa foto do pessoal da Nintendo formando a Triforce ficou sensacional), com detalhamento das faixas dos segmentos, o que é bastante incomum em concertos ocidentais. Porém, eu achei o texto meio pobre – poderia ser um estilo mais poético, inspirado nas fábulas do jogo. E fraco em informações em alguns casos. Por exemplo: “O concerto abre com o tema de Hyrule do jogo de Super NES A Link to the Past. Aprecie a atmosfera desse arranjo maravilhoso”. Além de a primeira frase ser extremamente redundante, considerando que a música e o jogo já estão especificados logo acima deste textículo, por que não dizer que a mesma faixa (não o mesmo arranjo) foi tocado no Orchestral Game Concert 1 no dia 15 de setembro de 1991, antes do lançamento do A Link to the Past (que ocorreria em 21 de novembro daquele ano)? Seria uma justa referência ao primeiro concerto que teve Zelda no repertório.

Repare que no programa há dois movimentos sinfônicos: “The Wind Waker Symphonic Movement”“Twilight Princess Symphonic Movement”, correspondentes aos dois últimos episódios lançados da série para consoles de mesa. Segundo Moore, a turnê que efetivamente começará em 2012 terá uma sinfonia de quatro movimentos. Fica a dúvida: faltou tempo ou já é uma vontade de renovar o repertório? Será meio chato que o álbum prometido pelo Shigeru Miyamoto na E3 2011 não inclua os dois movimentos que faltam (do Ocarina of Time e Majora’s Mask, talvez? Ou do Skyward Sword?). Em oposição aos movimentos que denotam uma densidade maior, a suíte com as melodias tocadas na ocarina e especialmente a suíte de temas curtos não tem muito pé nem cabeça. Só vale pela nostalgia.


De maneira geral, o concerto cobre bem a série, não se limitando aos temas do Koji Kondo. Kenta Nagata, Hajime Wakai, Toru Minegishi e Asuka Ota também estão creditados. Em termos de jogos, dá para dizer o mesmo. Além dos óbvios – o primeiro, A Link to the Past, Ocarina of Time, The Wind Waker e Twilight Princess –, foram lembrados o sempre pedido Majora’s Mask e o único dentre os diversos capítulos portáteis, Spirit Tracks. Sei que vou querer achar pelo em ovo nesse aspecto, mas se tem alguma coisa que é boa no Zelda II: Adventure of Link é a trilha sonora. Uma que fosse não faria mal. E depois desse concerto chego à conclusão que deve ser um dos poucos que gosta da “Dark Mountain Forest” do A Link to the Past.

Os links do set list abaixo são para uma milagrosa gravação da plateia do concerto nos Estados Unidos, oferecendo uma primeira impressão, que, para mim, foi positiva da qualidade dos arranjos. No YouTube tem alguns vídeos, só que a Nintendo já mandou retirar muitas gravações pelo que acompanhei.

Você vai reparar que há intensos gritos durante a execução das faixas. Incomoda ter peças tão belas atrapalhadas por manifestações fora de hora, coisa importada do VGL para o Play! e do Play! para a The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony. É simplesmente deplorável em um concerto com orquestra, algo que foi muito criticado nos relatos que li. Mais lamentável foi a declaração do produtor Jeron Moore sobre isso: “Quanto aos gritos, estou contando com isso! Se você não está gritando, poderíamos ter que medir a sua pulsação!” Que tivesse uma ambulância para os Zeldistas, não um incentivo para esse comportamento incompatível com a sonoridade de uma orquestra.

Por isso, torço para que o álbum, se não em estúdio, tenha sido gravado na apresentação japonesa (até porque o coral no Japão me pareceu o maior), porque tradicionalmente o público nipônico é mais tímido e acanhado, mesmo que esteja adorando a performance.

Peço desculpas por não trazer o detalhamento das faixas dos segmentos – um misto de preguiça e falta de tempo e paciência em decorrência das diferenças de tradução dos nomes, somada à inexistência dos álbuns oficiais de outras trilhas, como do Twilight Princess e Spirit Tracks. Ainda assim, espero destrinchá-los quando comentar o CD. Apesar de o programa não especificar os créditos dos arranjos, aquela foto compartilhada no Twitter revela que os números 12, 14 e 16 foram arranjados pelo genial (repito: genial) Kousuke Yamashita. Como já dito, o restante das partituras é do Chad Seiter. O primeiro bis foi um solo de piano do Koji Kondo, que se mostrou muito mais desenvolto do que no VGL 2009 no Japão.

Pela quantidade de relatos e comentários, a turnê de Zelda mostra que a Nintendo perdeu muito tempo. Só no aniversário de 25 anos aniversário promoveu um concerto dedicado à série, coisa que os contemporâneos Final Fantasy e Dragon Quest possuem há mais de duas décadas.

Parte I

01 – “Hyrule Castle Theme”
02 – “Princess Zelda’s Theme”
03 – “The Wind Waker Symphonic Movement”
04 – “Ocarina Melody Suite”
05 – “Boss Battle Medley”
06 – “Kakariko Village”
07 – “The Legend of Zelda 25th Anniversary Medley”

Parte II

08 – “Ganondorf’s Theme”
09 – “The Legend of Zelda: Selected Shorts Suite”
10 – “Gerudo Valley”
11 – “Hyrule Field”
12 – “Great Fairy’s Fountain Theme”
13 – “Twilight Princess Symphonic Movement”
14 – “The Legend of Zelda Main Theme Medley”

Bis

15 – “Grandma’s Theme”
16 – “Skyward Sword Main Theme”

[via Official Nintendo Magazine, Zelda Informer, Destructoid, Nintendo World Report, Gamemusic Garden, smame.jugem.jp, Nintendo Universe, OSV, The Bit Beacon]

“Super Mario Medley” – Super Mario Bros. e Super Mario World (Video Game Music)

Por Alexei Barros

É, alguma coisa está muito errada. Ao ver os vídeos do Video Game Music, concerto ocorrido nos dias 13 e 14 de outubro em Limeira, sinto que deveria ter viajado 148 quilômetros daqui da capital de São Paulo até a cidade do interior no final de semana passado. Diferentemente de certas turnês, este espetáculo não usa playback, não tem gritos ensandecidos da plateia e possui uma orquestra de tamanho condizente com as partituras executadas, de pouco mais de 50 pessoas. Importante: o ingresso custou irrisórios 10 reais.

Há um telão para quem tem essa necessidade tremenda de ver a projeção dos jogos, mas as imagens são um mero detalhe, não o foco. Alguém realmente se importa com o fato de as cenas não serem sincronizadas? O cerne foi a performance musical. Mais incrivelmente, o arranjo é próprio. E com algumas músicas que nunca tinham sido orquestradas.

A “World Clear” é usada sabiamente como abertura, seguida pela “Overworld” nos trompetes e trombones, com o flautim fazendo o efeito de som da coleta de moedas – surpreendentemente, o número de risadas das pessoas que reconheceram a melodia foi pequeno perto do que costuma acontecer. A passagem foi um pouco brusca para a seguinte, uma faixa esquecida: “Underwater” do Super Mario World. Nas cordas, ficou majestosa. Daí me vem uma ótima transição para… ah, não. Não brinca. Arranjaram a “Castle” do SMW! Morri. Com a base das cordas, a tuba e o trombone criam todo o pavor de uma das maiores (e pouco executadas) obras-primas do Koji Kondo.

De novo um tanto bruscamente, vem a conhecida “Athletic” – fiquei com a impressão de que os fagotes e clarinetes se atrapalharam um pouco. O flautim toca a melodia, com o acompanhamento essencial da bateria, guiando para a “Invincible”, na qual os metais voltam a brilhar. Melhor ainda são as participações dos metais e da bateria lembrando a batida da “Underworld” na versão do Super Mario Bros. 3. O tema do Mario regressa, com uma nova alusão da “Underworld” no solo de tuba, seguido por todos os metais. Sensacional! A “Overworld” retorna em uma variação, mostrando a criatividade do arranjo, com flautas em destaque. De uma transição um pouco abrupta surge a “Castle” do primeiro Mario, para a consagração da “Overworld”, com a bateria cada vez melhor e cordas maravilhosas. O desfecho é com a “Game Over”.

Quando poderia acreditar que isso um dia ocorreu no Brasil?

- “Super Mario Medley”

“World Clear” ~ “Overworld” (Super Mario Bros.) ~ “Underwater” ~ “Castle” ~ “Athletic” (Super Mario World) ~ “Invincible” (Super Mario Bros.) ~ “Underworld” (Super Mario Bros. 3) ~ “Overworld” (Super Mario Bros.) ~ “Underworld” (Super Mario Bros. 3) ~ “Overworld” (Super Mario Bros.) ~ “Castle” ~ “Overworld” ~ “Game Over” (Super Mario Bros.)

Álbum com arranjos de Muramasa traz faixa executada no Press Start 2010


Por Alexei Barros

Se há um compositor consagrado que é negligenciado nos concertos de games este é Hitoshi Sakimoto. Uma das raras ocasiões em que ele teve uma música executada foi no Press Start 2010, apresentação que contou com uma inusitada performance de Muramasa: The Demon Blade, aquele RPG de ação da Vanillaware para Wii. A trilha não é só dele; também participaram outros compositores da Basiscape, como Masaharu Iwata e Azusa Chiba. O medley, porém, compreende somente duas faixas assinadas pelo Sakimoto.

Um acontecimento raro desses não podia se perder no tempo e, felizmente, a gravação foi incluída no álbum Oboromuramasa Ongakushuu Hensou no Maku, lançado dia 1º de outubro de 2011. Isso que o jogo saiu em 2009. Dane-se o hype! O CD conta com versões arranjadas dessa mesma galera da Basiscape enfatizando as raízes do Japão Feudal com o uso de instrumentos típicos como erhu e shakuhachi, a exemplo das fabulosas trilhas de Okami e da série Samurai Shodown já homenageadas em edições anteriores do espetáculo nipônico. Todavia, eu me limitarei a comentar o segmento do Press Start 2010 que é arranjado por Shuhei Kamimura, do time interno da Company AZA, o qual também fez o arranjo da “Professor Layton and the Curious Village”.

- “Muramasa: The Demon Blade” (Press Start 2010)
Originais: “Introduction” ~ “Impermanence”

Composição: Hitoshi Sakimoto
Arranjo: Shuhei Kamimura
Tsugaru Shamisen: Takemi Hirohara
Shakuhachi: Kohei Matsumoto
Guitarra: Haruo Kubota

Não é fácil conciliar orquestra e guitarra em uma performance ao vivo. Também não é fácil conciliar orquestra e instrumentos folclóricos japoneses ao vivo. E o que dizer de uma execução ao vivo com orquestra, guitarra, tsugaru shamisen e shakuhachi? Somente o arrojo por conciliar elementos tão díspares é digno de aplausos, ainda que o resultado não seja exatamente memorável.

A primeira diferença para ambas as originais são as intervenções da guitarra durante a peça, instrumento que inexistia anteriormente. Sem coral na apresentação, não há algum elemento que remeta aos timbres de coro da composição do jogo.

Na “Introduction”, o tsugaru shamisen não toca desde o início, entrando apenas em um trecho mais incisivo. Apesar do vazio no momento em que surge a “Impermanence” (em 2:19), a colagem entre uma e outra foi feita sutilmente, sem pressa. O shakuhachi faz o solo, imitando a original (a partir de 1:39), com a mesma participação recorrente da harpa. Depois de alternâncias do shakuhachi e orquestra, todos os instrumentos se juntam no desfecho, e a mistura incrivelmente funciona. Gostaria de ouvir uma segunda opinião, mas minha impressão é que a reverberação, ainda que não seja a ideal, não ficou tão alta como no Press Start The 5th Anniversary.

Artwork do dia: Zelda Skyward Sword nem saiu – mas já tem fan art

por Claudio Prandoni
Provavelmente daqui um mês vou mudar de ideia, mas confesso que não estou nem um pouco empolgado com esse iminente Legend of Zelda: Skyward Sword.
A princípio, faltam o frescor e novidade que os últimos episódios conseguiram transmitir logo de cara, seja pelos seus gráficos, pela proposta mais madura ou coisa do tipo. O lance dos controles com o Wii MotionPlus até é maneiro, mas não acho que vai ser toda aquela revolução que a Nintendo pinta.
Enfim, enquanto a Big N vai tentando aí hypar a parada, achei pelas interwebz essa arte linda sobre o game – aliás, com estilo muito mais bonito do que o “cartoon cel shading sem graça” que ele tem de verdade. Veio direto do Pixiv.

“Game Medley” – Zelda, Tetris, Street Fighter II, Sonic e Mario (Game Music Brasil)

Por Alexei Barros

E então… Game Music Brasil. Durante o festival de músicas de jogos realizado 8 de abril, um dia antes do Video Games Live no Rio de Janeiro, foi apresentado um medley preparado especialmente para o evento. O autor do arranjo é o Lucas Lima, músico integrante da Família Lima que tem relação com videogames: além de jogador, chegou a compor as trilhas dos títulos para computador Winemaker Extraordinaire e Avalon desenvolvidos pelo estúdio nacional Overplay.

Como a performance foi da Orquestra Simphonica Villa Lobos, que executou toda a turnê brasileira do VGL em 2011, com imagens sincronizadas de jogos no telão, a miscelânea regida pelo Lucas Lima meio que serviu para mostrar, grosso modo, como seria um Video Games Live totalmente feito no Brasil, a não ser, claro, pela origem japonesa (e russa) dos jogos homenageados.

O problema é que… há muitos problemas. Por favor, sem indulgências ufanistas. Para começo de conversa, é aleatório a peça ter simplesmente o tema “videogame” ou “jogos que todo mundo conhece” ou ainda “jogos preferidos do Lucas Lima”. Repare que em todos os medleys que publiquei, amadores, pró-amadores ou profissionais, sempre teve um elemento comum: gênero, série, produtora, plataforma, compositor, mesmo que o número não apresente uma coerência e seja uma mera sucessão de melodias. Qual o sentido em juntar Mario e Sonic? Tetris e Street Fighter II? Já que foram somente cinco séries escolhidas (as quatro mencionadas e Zelda), preferiria pequenos segmentos para cada uma, em vez de um gigante, de 18 minutos.

Na maioria das mudanças de música, não há transições e sim vazios entre uma faixa e outra. Para mim, isso só é tolerável quando há o intento de recriar a experiência de jogo, afinal de contas a composição de fundo muda abruptamente de um cenário para outro em um Mario da vida.

Prova disso é abrir com “Overworld” de Zelda e pular para a “Type A” do Tetris logo na abertura. A parte que vem na sequência, do Street Fighter II, até que ficou interessante, porque “Title” e “Player Select” (bacanas as linhas graves nos violoncelos), que considero essenciais, não estão no “Street Fighter II Medley” do VGL, além da “Here Comes a New Challenger” e “Chun-Li Stage”. A lembrança de músicas não arranjadas anteriormente também salvou a seção seguinte, do Sonic: não há a “Special Stage” (bela nas cordas e flautas) na obra-prima “Sonic the Hedgehog: Staff Credits” do Richard Jacques. Só que a vinheta “Sega” instrumental perdeu toda a graça sem coral. O sentimento de novidade, apesar de tantos títulos famosos, repete-se com a fatia Mario, pela alusão ao vilipendiado Super Mario Bros. 2. De resto, nada de mais, com tantas interpretações melhores por aí, e o mesmo vale para as seleções do Ocarina of Time que fecharam o extenso medley.

A proximidade da organização do VGL fez com que o GMB importasse um dos pontos negativos (do meu ponto de vista) do afamado show-concerto: a gritaria. De novo, os berros de êxtase nostálgico são exagerados, mais pelo telão do que propriamente pelas lembranças das faixas. Como temia, o VGL deixou o público mal acostumado para apresentações com orquestra, nas quais se deve primeiro ouvir para depois urrar e aplaudir, não tudo simultaneamente, gerando uma salada de sons indecifráveis.

Em contrapartida, a execução abdicou do detestável subterfúgio do VGL: o playback, o que escancarou algumas deficiências:  a falta de sincronia (aqui, momento em que os violinos embolaram legal; ou aqui, instante em que o xilofone se perdeu) e desafinação (atente para os violinos) em alguns momentos. Estranhamente, a Villa Lobos, que, segundo o release do VGL, possui 43 integrantes, parecia estar representada por ainda menos gente pelo que se nota nos vídeos e nas fotos. Inclusive é possível ver uma violinista se assentar quando a performance já havia começado (repare na esquerda do palco). Mais autêntico que o VGL, mas carente de muito polimento.

- “Game Medley”

“Overworld” (The Legend of Zelda) ~ “Type A” (Tetris) ~ “Title” ~ “Player Select” ~ “Ryu Stage” ~ “Chun-Li Stage” ~ “Here Comes a New Challenger” ~ “Guile Stage” (Street Fighter II) ~ “Title” ~ “Green Hill Zone” ~ “1UP” ~ “Green Hill Zone” ~ “Stage Clear” ~ “Special Stage” ~“Green Hill Zone”“Boss” (Sonic the Hedgehog) ~ “Overworld” ~ “Underwater” (Super Mario Bros.) ~ “Overworld” ~ “Invincible” (Super Mario Bros. 2) ~ “Overworld” ~ “Underworld” (Super Mario Bros. 3) ~ “Overworld” (Super Mario World) ~ “World Clear” (Super Mario Bros.) ~ “Hyrule Field Main Theme” ~ “Zelda’s Theme” ~ “Great Fairy’s Fountain” (The Legend of Zelda: Ocarina of Time) ~ “Overworld” (The Legend of Zelda)

Um raro e excepcional EP com arranjos de Grandia II


Por Alexei Barros

Se já foi um acontecimento do ano (de 2007) a aparição da “A Deus” do Grandia II em um concerto de games, o que dirá um EP amador com músicas do RPG da Game Arts? De um aficionado ocidental, ainda por cima – é algo muito incomum. E de muita qualidade.

Não surpreende que a inusitada ação não ocorreu por meios normais – dos arranjadores e/ou instrumentistas serem fãs do jogo, por exemplo. Em março de 2011, no evento MAGfest, foi promovido um leilão entre os participantes a fim de arrecadar dinheiro para ajudar as vítimas dos terremotos no Japão. O vencedor tinha o direito de escolher uma música para que fosse arranjada. (Aliás, uma iniciativa similar foi feita por ocasião das chuvas torrenciais no Rio de Janeiro, não é mesmo Gagá / Cosmonal?). Por sorte, o ganhador escolheu Grandia II e sugeriu algumas músicas para Grant “Stemage” Henry, que ficou conhecido pelo trabalho na série de álbuns Metroid Metal. Então Stemage arranjou quatro faixas e lançou dia 14 de outubro o Frets of Valmar: Grandia II no Bandcamp. Todas as músicas podem ser ouvidas inteiras e em qualquer momento gratuitamente. Para baixá-las, você define um preço, e todo o valor é redirecionado à Cruz Vermelha Japonesa.

Não comentarei as faixas muito minuciosamente, mas os links para cada uma estão aí no fim do post, acompanhados das originais. A primeira que ouvi foi o tema de combate, que contava com uma guitarra real totalmente alucinante. O Stemage conseguiu melhorar o que já era incrível com a guitarra base e a guitarra solo. É a minha favorita do EP. A mencionada “A Deus” ganhou uma versão instrumental lembrando a “Distant Worlds” do Black Mages: uma canção que originou um arranjo acústico, mais calmo e com violões. “Dangerous Zone” tem um vocal metal, que, felizmente (para mim, falo pelo meu gosto) aparece muito pouco. A música é permeada por solos dos integrantes da banda Arm Cannon e do Chunkstyle. Para fechar, a “Purification of Darkness ~ Battle with the Parts” recebeu uma bela atualização, na tradução da sinfonia sintetizada para um show de guitarras.

01 – “A Deus”
Original: “A Deus”

02 – “FIGHT!”
Original: “FIGHT!! Ver.1″

03 – “Dangerous Zone (featuring Arm Cannon and Chunkstyle)”
Original: “Dangerous Zone”

04 – “Purification of Darkness”
Original: “Purification of Darkness ~ Battle with the Parts”

Concerto de game music ontem… e hoje em Limeira

Por Alexei Barros

Já virou epidemia! Meio em cima da hora (ou melhor, atrasado), mas é digno de nota: nos dias 13 e 14 de outubro, vulgo ontem e hoje, às 20h30, acontece(u) o concerto Video Game Music no Teatro Vitória, na cidade de Limeira, interior de São Paulo, com a Orquestra Sinfônica de Limeira e Coro da Osli (cerca de 30 vozes). A regência e direção artística são do maestro Rodrigo Müller e os arranjos de Diego S. Lago, o regente do coral. Os ingressos custam 10 reais (inteira) e 5 reais (meia).

No ano passado a mesma orquestra realizou um espetáculo de músicas de filmes e, com o sucesso da apresentação, surgiu a ideia de fazer uma récita similar enfocada nos jogos por conta do mês em que é celebrado o Dia das Crianças. Tudo bem que muitos jogadores não são (a maioria, na verdade), mas estávamos na infância quando jogamos alguns dos títulos que mais marcaram nossas vidas.

O repertório conta com nomes famosos como Super Mario Bros., Sonic e Mortal Kombat, faixas pomposas como Medal of Honor e God of War, além de escolhas inusitadas por serem de jogos com trilhas licenciadas: Guitar Hero e FIFA Champions League (seria o arrepiante tema da UEFA Champions League?). No aguardo por vídeos!

Agradecimentos ao Edu Shiroma pela novidade.

[ATUALIZAÇÃO] Minientrevista com o maestro Rodrigo Müller no programa Região Notícias:

[via Jovem Nerd]

Game music em um concerto de música erudita, de graça, no Brasil


Por Alexei Barros

Apesar da quantidade imensa de jogadores de videogame, a cidade de Porto Alegre costuma ser deixada de lado nos eventos de jogos eletrônicos, haja vista o que disse há três anos (como o tempo passa!) o gaúcho (naturalizado argentino) Geraldo Figueras: “Do jeito que as coisas são em Porto Alegre, se o Nolan Bushnell viesse pra cá e ligasse um Atari 2600 em umas caixas amplificadas, eu já acharia o evento do ano.”

Quem diria que quatro dias depois da capital do Rio Grande do Sul entrar pela primeira vez na rota da excursão do Video Games Live, o que aconteceu na última quarta-feira, dia 12 de outubro, haveria uma orquestra tocando game music em um concerto de música erudita?

Será 16 de outubro, às 11 horas no Salão de Atos da UFRGS, com performance da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e regência do maestro Manfredo Schmiedt. Com entrada franca, o Concerto para Juventude trará no programa a Sinfonia nº 1, de Carl August Nielsen, História del Tango – Night Club 1960, de Astor Piazzolla, West Side Story – Selections for Orchestra, de Leonard Bernstein, e o segmento Play the Game – Clássicos do videogame. Com arranjo de Alexandre Ostrovski Jr., trompista da orquestra, o número trará faixas de Mario, Sonic, Zelda e Top Gear. Tudo bem que pode ser um pouco aleatório ter o videogame como elemento comum da peça – dou um desconto por game music não ser o foco principal do concerto. Também não colocaria Top Gear no mesmo patamar musical das outras séries, mas ficarei na expectativa de algum vídeo pintar no YouTube.

[via OSPA]

Datas do Symphonic Fantasies no Japão

Por Alexei Barros

Mês passado foram anunciadas as apresentações em 2012 no Japão do Symphonic Fantasies, concerto originalmente executado em 2009 em Colônia na Alemanha. Sabia-se que Tokyo Philharmonic Orchestra, Tokyo Philharmonic Chorus, além dos solistas Benyamin Nuss e Rony Barrak, sob a regência de Eckehard Stier, seriam os responsáveis pelo espetáculo.

A mais recente novidade é a revelação de quando e onde acontecerão as récitas: dias 7 e 8 de janeiro no Tokyo Bunka Kaikan, casa de espetáculos famosa pela acústica excelente. No mesmo local ocorreu o Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert em 2002 e, mais recentemente, em agosto de 2011, o Family Classic Concert “Dragon Quest World”. Há algo em torno de 2300 assentos, então a expectativa é que 4600 japoneses assistam ao Symphonic Fantasies, isto é, se não houver ninguém que compareça aos dois espetáculos. A venda de ingressos começará no dia 19 de outubro.

Sem dúvidas promete ser um espetáculo tão épico como antes em um período meio morno dos concertos de games como é o começo de ano.


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