Arquivo de julho \31\UTC 2011

“Snake Eater” – Metal Gear Solid 3: Snake Eater (Ensemble Game Classica)

Por Alexei Barros

Arranjo, arranjo, arranjo. Escrevo tantas vezes a palavra, mas vale frisar sua etimologia: “adaptação de uma composição a vozes ou instrumentos para os quais originalmente não havia sido escrita”. Para a maioria dos concertos de games isso não vale, porque muitas vezes são tocadas versões idênticas às músicas que se ouve no jogo. Isso só ganha um significado especial ao vivo, evidentemente, ou em vídeos. Do contrário é um tanto redundante.

Mais irônico é que o VGL, notório por reproduzir músicas fiéis às originais, fez de certa forma um arranjo ao substituir o vocal da “Snake Eater” pelo saxofone de Norihiko Hibino, ainda que a canção tenha sido interpretada por uma cantora, Laura Intravia, em apresentações mais recentes. Mas apaga tudo: o sax, a voz, os metais. A Ensemble Game Classica adaptou a contento a música para um quarteto de cordas. Toda aquela multiplicidade de instrumentos foi incrivelmente vertida para dois violinos, uma viola e um violoncelo. Nenhum detalhe foi deixado de fora. Eu gostei, fiquei satisfeito. Detalhe é que eles usaram como base a versão americana, não a “Snake Eater (Japanese version)”, que acho menos inspirada.

The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony: turnê terá número de 18 minutos de Twilight Princess


Por Alexei Barros

Desde a E3 2011 não falei mais sobre a The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony, a turnê comemorativa da série que excursionará por Japão, Europa e EUA, mas provavelmente você foi mais atento que eu e não perdeu os detalhes. Relembro apenas o que já havia dito: a primeira apresentação acontecerá dia 10 de outubro, no Sumida Triphony Hall em Tóquio, com performance da Tokyo Philharmonic Orchestra e regência de Taizo Takemoto. Os ingressos só poderão ser adquiridos se antes você comprar o The Legend of Zelda Ocarina of Time 3D. Que coisa, não?

Agora as novidades apregoadas nesse meio tempo:

- Dia 21 de outubro ocorrerá uma apresentação em Los Angeles, EUA, no Pantages Theatre. Sem informações sobre orquestra e maestro.

- Embora o site nipônico da turnê seja diferente do americano, tudo leva a crer que a excursão inteira, em âmbito mundial (ou melhor, do hemisfério norte) e não somente as apresentações no ocidente como eu achava, é produzida pela Jason Michael Paul Productions. Sinceridade? Não sei por que a Nintendo o procurou, tendo em vista as inconstâncias do Play! A Video Game Symphony.

- Concluo assim, porque neste tuíte, Chad Seiter disse que ele e Koji Kondo são os arranjadores. Para quem não se recorda, Seiter é o responsável pelos novos números de Mario, Zelda, Metroid e Castlevania, entre outros, do Play! Apesar da boa impressão inicial da releitura vampiresca, achei as versões da Nintendo em um nível inferior. E outra: estranha a informação que o Kondo também vai arranjar, a não ser que ele, Seiter, faça a orquestração – não me lembro de arranjos para orquestra do Kondo. De toda forma, fico surpreso por Mahito Yokota não estar envolvido de alguma maneira como é o orquestrador número 1 da Nintendo. Talvez revelem depois.

- A única informação verdadeiramente empolgante e relevante é a revelação neste tuíte de que o segundo movimento do concerto será de um segmento enfocado no The Legend of Zelda: Twilight  Princess com 18 minutos. Essa extensão lembra alguma coisa? Symphonic Fantasies, Symphonic Odysseys? Aliás, o tempo é metade dos 36 minutos do Symphonic Poem de Zelda do Symphonic Legends, estendidos para 40 no LEGENDS. Vamos ver como será um número extenso que não é produzido na série germânica Symphonic. Não é só enfileirar várias músicas aleatórias como acontece nos medleys de orquestras amadoras que publico; para ser uma suíte é necessário que o segmento conte uma história, com começo, meio e fim, que seja cativante durante todo esse tempo e que mantenha um equilíbrio entre estilos de músicas.  Sabendo o quanto os concertos alemães demandam de ensaios, em apresentações únicas, realizadas no máximo no mesmo dia ou final de semana, fico com o receio por não haver tempo hábil para treinos, como se trata de uma turnê, ainda que poucas visitas tenham sido marcadas. Não contente em soltar a informação, o tuíte também linkou para uma imagem de uma janela de um software utilizado para o arranjo, corroborando a presença da “Midna’s Theme”.

Fico atiçado para mais novidades, só espero que a divulgação seja um pouco mais organizada com notas no site em vez de novidades no Twitter.

[via My Nintendo News]

“Lufia II Medley” – Lufia II: Rise of the Sinistrals (Ensemble Game Classica)

Por Alexei Barros

Mario, Zelda, Final Fantasy, Dragon Quest, SaGa, Chrono. Mesmo que os japoneses pró-amadores sejam mais ecléticos em geral que os ocidentais, a maioria das performances é dessas séries. É revigorante quando surge a execução de um jogo não muito comentado como Lufia II: Rise of the Sinistrals (Estpolis Denki II no Japão), que testei apenas alguns minutos, não posso esconder. Coisa rara: um RPG que saiu nos Estados Unidos para Super Nintendo sem o selo da Squaresoft, o que aconteceu até com o primeiro Breath of Fire da Capcom. É obra do estúdio Neverland, com publicação da Natsume. Ironicamente, o jogo recebeu uma reimaginação para DS em 2010 sob o nome Lufia: Curse of the Sinistrals, com participação da Square Enix no desenvolvimento da Neverland.

Penei um bocado para identificar todas as faixas executadas, mas, assim como no “Fire Emblem: Genealogy of Holy War Medley”, fiquei com a sensação que a Ensemble Game Classica começa com boa cadência e ritmo, e no final as composições acabam sendo meio que socadas, aludidas muito brevemente. Nada comprometedor, já que a seleção de músicas é das mais felizes, com referências aos temas de batalha que, nas versões originais, puxam para o rock, e arranjos sinfônicos de rock dificilmente dão errado.

De maneira apropriada, a “Main Theme” começa o medley, e dos quase sete minutos originais, os dois iniciais foram aproveitados, o que achei positivo, preservando a essência da faixa e eliminando eventuais excessos. A “Battle theme #1” (2:41) surge bruscamente, como se quisesse passar a surpresa do combate aleatório, o que não procede no jogo, curiosamente. Pouco importa porque na sequência, em uma transição genial, vem a empolgação da “Battle theme #2” (3:56), com um belo rebusque no arranjo dos dois violinos, viola e violoncelo. A miscelânea tinha tudo para acabar com a sensibilidade da “Ending motif” (5:05) – somente uma tranquilidade temporária. “The mystery lady” (6:39) passa todo o… mistério no violino de fundo e no solo de viola. Rapidamente é feita a transição para “The turret forgotten” (7:08), que parece transmitir um perigo cada vez mais iminente.  “The last duel” (7:52), aproveitando o trecho a partir de 0:40 na original – o tanto que demorei para descobrir isso… –, prepara o espaço para o vigor da “Battle theme #3” (8:20) e da tensão da “For the savior” (9:32). No desfecho “Pulifia” (10:40) recupera a emotividade da “Ending motif”. Bem que eu queria compartilhar pérolas perdidas com maior frequência se existissem mais trabalhos assim, mas para isso as pessoas precisam começar a se interessar por coisas novas ou pouco conhecidas…

- “Lufia II Medley”

“Main Theme” ~ “Battle theme #1” ~ “Battle theme #2” ~ “Ending motif” ~ “The mystery lady” ~ “The turret forgotten” ~ “The last duel” ~ “Battle theme #3” ~ “For the savior” ~ “Pulifia”

Press Start 2011: os artistas do concerto

Por Alexei Barros

Como em 2009 e 2010, o site do Press Start publicou a relação de instrumentistas e vocalistas que participará do espetáculo, o que permite imaginar de que maneira será realizada cada performance. Neste ano, os segmentos de cada artista estão especificados, como se não bastasse a facilidade de previsão pela presença de vários artistas das trilhas originais.

Antes vale recapitular o set list. Com 12 números confirmados (duas ou três surpresas ficam reservadas para o bis), está muito mais interessante do que no ano passado, com apenas dois jogos reprisados: “Okami”, que eu não vejo o menor objetivo na repetição por estar devidamente registrado no Press Start 5th Anniversary, e Spelunker, que também consta no mesmo álbum, mas pelo menos o arranjo foi reformulado. A saber, levando em conta que o programa segue a ordem de revelação:

01 – El Shaddai: Ascension of the Metatron
02 – Gradius
03 – Super Mario Galaxy 2
04 – Xenoblade Chronicles
05 – NieR
06 – Final Fantasy IV
07 – Pokémon
08 – The Last Story
09 – Okami (2009)
10 – Medley de músicas eruditas
11 – 428 ~Fuusasareta Shibuya de~
12 – Spelunker (2008; reformulado)

O violonista e guitarrista Haruo Kubota, presente em todos os concertos anteriores, não tocará desta vez. Como não foi confirmado um coral (de adultos só no Press Start 2007), não espero pela “Torn Heart” de El Shaddai e “Fateful Decisive Battle” do Super Mario Galaxy 2. Nada impede que apareçam em versões instrumentais, mas isso não é muito comum no Press Start.

Kanagawa Philharmonic Orchestra

Na ativa desde março de 1970, é uma orquestra premiada que atua em performances de música erudita, trilhas de filmes, balé e pop. Em games também é versada: Orchestral Game Concert 5, Distant Worlds Returning home, além do Press Start 2008 e 2010, tornando-se a orquestra mais atuante na série de concertos japonesa. Em 2011, tocará dia 14 de agosto, nas apresentações das 14 e 18 horas locais no Shinjuku Bunka Center Hall. Ambas sob a batuta de Taizo Takemoto.

Kosuke Tsunoda

Nascido em Nagoya em 1980, vai substituir Takemoto na regência na apresentação no Century Hall do Nagoya International Conference Hall em Nagoya no dia 19 de setembro, às 17 horas. Graduou-se na State University for Music and the Arts em Tóquio e já conduziu orquestras como a Berlin Konzerthaus Orchestra, Brandenburg Symphony Orchestra, MDR Symphony Orchestra e Hof Symphony Orchestra. Não é primeira vez que ele participa da série nipônica de concertos; Tsunoda foi o maestro do Press Start 2008 em Xangai, o último a acontecer na China.

Nagoya Philharmonic Orchestra

Constituída em 1966, tem como maestro laureado Ken-Ichiro Kobayashi, maestro emérito Moshe Atzmon e diretor musical Bob Sakuma. O suíço Thierry Fischer é o atual maestro convidado honorário. Já fez quatro turnês no ocidente e costuma realizar 120 apresentações por ano. Aparentemente, a orquestra tem pouca intimidade com game music, tanto em concertos, quanto em gravações de trilhas originais.

ACE

Dupla formada por CHiCO Yamanaka e Tomori Kudo, participou das trilhas de Tamagotchi 64: Minna de Tamagotchi World, Bomberman 64: The Second Attack e Emil Chronicle Online. O duo também arranjou as composições de Nobuo Uematsu no álbum solo Nobuo Uematsu’s 10 Short Stories. Com o reforço de Kenji Hiramatsu, tornou-se o trio ACE+ na trilha de Xenoblade Chronicles. Mas somente CHiCO e Tomori Kudo vão participar da performance: a primeira no vocal e o outro no piano.

Manami Kiyota

Cantora que se notabilizou no álbum com arranjos Final Fantasy Song Book [mahoroba] e na performance da Sen no hana, sen no sora, música composta por Nobuo Uematsu para o programa de rádio e TV da NHK Minna no Uta. Mais bizarro, ela é a autora de canções com proteções de tela interativas para as máquinas da JAXA, a agência espacial japonesa. Seu mais recente álbum solo Hoshi no Kashu possui uma faixa arranjada por Kenichiro Fukui. Recentemente, colaborou na trilha de PokéPark Wii: Pikachu’s Adventure. Compositora de diversas músicas de Xenoblade Chronicles, participando ainda do coral, fica a dúvida como será a performance na companhia da CHiCO.

Emi Evans

Artistas ocidentais não são exatamente uma novidade no Press Start, haja vista a australiana Donna Burke em 2010. Nascida em Londres, Inglaterra, Emiko Rebbeca Evans é filha de pai britânico e mãe japonesa, o que explica os leves traços orientais, e mora desde 2000 no arquipélago nipônico. É cantora, letrista, compositora, violoncelista e com Hiroyuki Muneta forma o duo de música eletrônica de ambiente freesscape. Participou de diversos comerciais de TV, como das TVs 3D Viera da Panasonic. É autora da canção “Light” do J-Drama Honcho 4 da TBS e da música-tema do telejornal Ohayou da NHK. Aos poucos, entrou no mundo dos games com as performances vocais na “Town – The Roadside Trees Outside the Window [Town Facility - Etria Plaza - Day]” e “Town – Bird-Shaped Vane on the Triangular Roof [Town Facility - Etria Plaza - Day 2]” do Sekaiju no MeiQ Super Arrange Version e “Labyrinth IV – Cherry Tree Bridge [Dungeon 16 ~ 20F]” do Sekaiju no MeiQ² *shoou no seihai* Super Arrange Version. No álbum Octave Theory da Earthbound Papas, tocou cello na composição original “The Forest of Thousand Years”. E então finalmente chegamos na trilha de NieR. Além de cantar várias faixas, ela também escreveu as letras das canções em idiomas fictícios baseados nos idiomas gaélico, português, espanhol, italiano, francês, inglês e japonês. Sabe se lá quais composições haverá no segmento, mas a “Grandma” é obrigatória.

Kanon

Nascida em março de 1980, a cantora se projetou com a canção “Wings to Fly ~ Tsubasa wo Kudasai” do J-Drama Chiritotechin da NHK. Nos dias 15 e 16 de abril de 2011, Kanon chegou a participar das apresentações no Sydney Opera House na Austrália da turnê Distant Worlds, interpretando a “Suteki da ne” (como no jogo, em japonês mesmo; a música havia recebido uma versão inglês com performance vocal da Susan Calloway) e a “Memoro de la Stono~Distant Worlds” (em inglês). Em abril, lançou o álbum A New Story com sete das 12 faixas compostas por Nobuo Uematsu: “Prelude”, “Final Fantasy”, “Eyes On Me”, “Guin Saga Medley (Marius’ Song ~ This is my Road)”, “Taisetsunakoto” (composição original), “Nakama wo Motomete” e “Toberumono”, a canção que ela canta na trilha original de The Last Story e que será apresentada. O Symphonic Odysseys já mostrou a mesma faixa, “The Last Story (Spreading Your Wings)”, com arranjo do finlandês Jani Laaksonen baseado na versão instrumental.

HIDE-HIDE

De novo… fazer o quê. Hideki Ishigaki no shakuhachi e Hideki Onoue no shamisen participaram da supracitada “Okami” no Press Start 2009 e nos dois últimos anos ficaram mais famosos do que quando foram convidados pela primeira vez, e vem ganhando fama na Rússia especialmente. Em junho lançaram o terceiro CD da carreira, Onkochishin, com versões de músicas eruditas executadas por esses instrumentos japoneses. No dia 20 de agosto ainda vão tocar no Monster Hunter Hunting Music Festival 2011.

[via Press Start]

Symphonic Odysseys: 2011: Uma Odisseia do Uematsu


Por Alexei Barros

Odisseia. Como a de Homero, narra uma extensa epopeia, repleta de aventuras extraordinárias e acontecimentos dramáticos. Como a de Stanley Kubrick, um épico espacial com trilha sonora memorável. Como a de Nobuo Uematsu. Que palavra seria mais apropriada para nomear um espetáculo em tributo à portentosa carreira de um compositor como ele? Melhor: odisseias. Odisseias sinfônicas. Se cada jogo da série que mais se dedicou traz uma história diferente da outra, o plural é mais indicado para alguém de tamanha envergadura (o singular no título foi só para não perder a chance do trocadilho).

Já que cada concerto de Final Fantasy pode ser considerado uma homenagem a Uematsu na maioria das vezes, não é de estranhar que tenha demorado tanto tempo para isso acontecer, afinal, só em 2004, como freelancer, a variedade de franquias aumentou efetivamente. A primeira vez foi em 2007, na Itália, o Nobuo Uematsu Show, que se limitou a executar partituras conhecidas de Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey. Agora, em 2011, o Symphonic Odysseys não tem nem comparação, com todos os arranjos novos em folha, oferecendo um recorte de sua trajetória.

Antes mesmo da realização do Symphonic Legends, o Symphonic Odysseys foi anunciado pelo então administrador da WDR Radio Orchestra Cologne, Winfried Fechner, em março de 2010 – ambos concertos que nasceram por consequência do sucesso espantoso do Symphonic Fantasies em 2009. Em dezembro do ano passado, os ingressos para os 2000 assentos do Cologne Philharmonic Hall do espetáculo às 20 horas locais esgotaram em 12 horas, um recorde para os concertos de games em Colônia. Uma nova apresentação às 15 horas foi marcada para o mesmo dia, 9 de julho, e também teve todos os bilhetes comprados. A alta demanda se explica por Square Enix, Nobuo Uematsu e Final Fantasy: a maioria das pessoas estava lá especialmente por conta do terceiro item.

E então chegamos ao set list. O primeiro ato corresponde ao passado do Uematsu e o segundo ao presente (exceção aos dois números do bis). Antevendo a realização do concerto, eu procurei ouvir as trilhas antigas do Uematsu e pude constatar que a discografia dele é mais variada do que aparenta, o problema é que muitos jogos são pulgas se comparados com a supremacia de Final Fantasy.

Obscuridades como Genesis, Alpha, Cruise Chaser Blassty, Cleopatra no Mahou, The 3-D Battles of WorldRunner, Nakayama Miho no Tokimeki High School, Square’s Tom Sawyer, Aliens 2, The Square’s Tom Sawyer… Além disso, confesso que da leva pré-histórica da Square tem pouca coisa verdadeiramente aproveitável. King’s Knight é um representante digno dessa era, assim como The Final Fantasy Legend e Final Fantasy Legend II. Os três nem saíram na Europa, uma área com lançamentos bem específicos e que recorrentemente sofre com a ausência de localizações. Por exemplo, Chrono Trigger só foi publicado por lá em 2009, na versão para Nintendo DS, como já havia comentado no relato do Symphonic Fantasies. Isso vale também para o segundo ato, com as colaborações para jogos da Mistwalker: The Last Story ainda não saiu na Europa; Blue Dragon e Lost Odyssey não se comparam com FF em popularidade. Anata wo Yurusanai, Away: Shuffle Dungeon, Lord of Vermilion, Sakura Note: Ima ni Tsunagaru são ainda mais desconhecidos, considerando os trabalhos recentes. Aliás, tudo foi considerando no início, inclusive trabalhos sem relação com jogos, como a trilha do anime Guin Saga, e Nobuo Uematsu deu total liberdade para a seleção de títulos e músicas.

Seria de meu agrado que Hanjuku Hero, por ter uma trilha melódica e grudenta, Rad Racer, por ser um jogo de corrida, e Front Mission: Gun Hazard, por diferenciar do que Uematsu fez naquela época, mas compreendo as ausências como o Symphonic Odysseys já traz um montante de jogos poucos conhecidos que não apareceria normalmente em outras produções. São raras as performances de Nobuo Uematsu que não de Final Fantasy, especialmente no ocidente: “Main Theme” do Blue Dragon e a “Main Theme” do Lost Odyssey pipocaram na turnê Play! A Video Game Symphony; em 2007, a Microsoft promoveu no Japão o concerto Orchestral Pieces From Lost Odyssey & Blue Dragon, com oito segmentos do Blue Dragon e sete do Lost Odyssey; no ano seguinte, no Press Start 2008, teve um medley de músicas antigas, com Alpha, King’s Knight, 3-D WorldRunner, Makai Toushi SaGa e Hanjuku Hero. O resto é tudo Final Fantasy.

O concerto leva em conta o quanto Uematsu compôs para a série, mas não foram executadas faixas de todos os episódios que ele participou. Assim como no Symphonic Fantasies, não teve FFVIII, FFIX, FFXI e FFXII (somente a “Kiss Me Good-Bye”) e não senti falta. O foco das apresentações recentes da série é nos capítulos de FFI a FFVII e FFX, e a prioridade era de músicas ainda não executadas (claro que existem tantas outras desses que ainda merecem ser tocadas).

A maioria dos arranjos foi feita por Jonne Valtonen (seis segmentos e uma suíte) e Roger Wanamo (dois números e outra suíte), ambos os finlandeses do time do Merregnon Studios do produtor Thomas Boecker. Mesmo assim, teve dois convidados: Jani Laaksonen, que também é da Finlândia e estudou na mesma universidade de Valtonen e Wanamo, a Tampere University of Applied Sciences, e é amigo dos dois; e Masashi Hamauzu, que elaborou três arranjos para o LEGENDS (Kirby e Pikmin, além de Donkey Kong Country, que constava no Symphonic Legends). Estreando na série Symphonic outro finlandês, o letrista Mikko Laine, que trabalhou com Valtonen anteriormente e participou do LEGENDS também com versos em inglês.

As partituras foram preparadas especificamente para o tamanho da WDR Radio Orchestra Cologne (representada por 72 instrumentistas, incluindo a pianista) e WDR Radio Choir Cologne (45 coristas), que retorna do Symphonic Fantasies após a ausência no Symphonic Legends. Repare que desta vez o coral esteve, por conta da falta de espaço, no andar de cima do palco, que é a maneira mais convencional; no Symphonic Fantasies e no Symphonic Legends o coro ficava posicionado no canto esquerdo, no mesmo andar da orquestra. A complexidade dos arranjos exigiu cinco dias de ensaios (geralmente duravam das 10h até às 14h30), bem menos que os 14 do Symphonic Fantasies, mas ainda assim mais do que o normal de concertos eruditos, que é dois dias. Ausente do Symphonic Legends, Arnie Roth voltou à batuta e sua regência tem o fator especial de ele ser amigo do Uematsu, uma parceria que se fortaleceu na turnê Distant Worlds. A mesma amizade vale para o pianista de uma suíte e dos dois bis, Benyamin Nuss, pelo álbum Benyamin Nuss Plays Uematsu, uma coletânea de piano dedicada ao compositor.

Foi um alívio ver a transmissão em vídeo da WDR funcionando perfeitamente como no Symphonic Fantasies, e todo o concerto pôde ser acompanhado ao vivo. A apresentação das 20h inclusive atrasou alguns minutos em decorrência da longa fila da sessão de autógrafos. Não por acaso: Nobuo Uematsu é uma celebridade, é carismático, é uma figura. Vê-lo em pessoa já é uma satisfação.

Depois do Hadouken, minhas extensas considerações sobre o Symphonic Odysseys. Em vez de colocar um monte de números dos contadores, optei por colocar links em alguns trechos específicos para você entender melhor o que quero dizer.
Continue lendo ‘Symphonic Odysseys: 2011: Uma Odisseia do Uematsu’

Hadoukast #09: Sobre os jogos que jogamos nos últimos dois anos

Por Claudio Prandoni

E lá se foram dois anos. Ou quase isso.

No piscar de olhos dos bits & bytes das interwebz, um disco voador biênio já se foi desde que os Toperas hadoukeiros se reuniram para a oitava edição do podcast. Governos ruíram, consoles foram lançados, madeixas encaracoladas do Gustavo Hitz caíram, mas cá está o Hadoukast de volta, em todo seu brilho e esplendor – ou se pá algo que lembra isso.

Novamente sem o Sira – entregue a devaneios californianos, vivendo a vida de cinema com o destino de ser star – Hitz, Prandas e Maestro Alexei soltam o verbo, dão nome aos bois e discorrem sobre infinitas baboseiras: mais especificamente, neste podcast tentamos estabelecer como tema os três jogos mais legais que cada um jogou nos últimos dois anos. A gente quase consegue manter o foco, pode conferir.

A fim de tornar prática a parada, a trilha sonora resgata o sempre eterno e conveniente disco Gyakuten Saiban Jazz Album ~Gyakuten Saiban Meets Jazz Soul~, com músicas da favoritona série Ace Attorney arranjadas em estilo jazz.

Ouça, comente, compartilhe e vibre conosco com a volta do Hadoukast. Será que o próximo também demora dois anos pra sair?

Hadoukast #09: Sobre os jogos que jogamos nos últimos dois anos

Take That! Primeira foto oficial do filme de Ace Attorney

Por Claudio Prandoni

Não mostra muito, mas para os advogados virtuais de plantão já é assaz empolgante vai: a primeira imagem oficial do filme da série Ace Attorney!

Ao menos, o local é dos mais apropriados, visto que mostra a bancada onde fica o juiz nos julgamentos, vulgo os momentos mais empolgantes e emocionantes em toda a franquia.

Pena que não dá pra ver nenhum personagem em cena, mas ao menos já há uma fotinhas oficial de Feenie – e outra pseudo-oficial da Maya.

Aliás, que saudades de Ace Attorney…

Bem que a Capcom podia deixar de regular a parada e anunciar logo um quinto episódio estrelado pelo Apollo – ou mesmo a Level-5 falar de uma vez que vai lançar Professor Layton vs Ace Attorney por acá.

Samples de Unchain Blades Rexx; música-tema é do Nobuo Uematsu


Por Alexei Barros

Desde que saiu da Squaresoft, Nobuo Uematsu vem expandindo o seu portfólio com jogos de outras séries além de Final Fantasy, e muitos destes são portáteis e acabam não chamando tanto a atenção como Blue Dragon, Lost Odyssey e The Last Story. Por exemplo, Anata wo Yurusanai (PSP), Away: Shuffle Dungeon (DS), Sakura Note: Ima ni Tsunagaru Mirai (DS) e futuramente Fantasy Life (3DS). Outro para ser adicionado à lista é Unchain Blades Rexx, jogo no estilo dungeon crawler que sai hoje, 14 de julho, no Japão para PSP e Nintendo 3DS.

Com um disco de 20 músicas, a trilha sonora Unchain Blades Rexx Original SoundTrack tem lançamento programado para o dia 27 de julho com publicação do selo Dog Ear Records, número de catálogo DERP-10016 e preço de 2300 ienes. Como dito no título do post, somente o tema-principal é de autoria do Uematsu, e creio que na relação de amostras disponíveis no site oficial, correspondem às faixas de número 1 e 20 (a última é intitulada assim, mas como a primeira compartilha a melodia, creio ser uma variação). As BGMs, por sua vez, são assinadas por Tsutomu Narita, tecladista da Earthbound Papas e envolvido no arranjo de todos os segmentos de Final Fantasy XIV da turnê Distant Worlds até agora. São igualmente promissoras. Peço atenção à faixa 7, com flauta simpática e baixo marcado, lembrando um pouco Hiroki Kikuta, e especialmente à faixa 10, um rock pesado com o a energia melódica digna da nova jdk Band.

Entre aqui para baixar os 12 samples de cerca de 40 segundos cada.

[via Nobuooo]

“Super Mario Medley” – Super Mario Bros., Super Mario Bros. 3, New Super Mario Bros., Super Mario Galaxy e Super Mario Galaxy 2 (Play! 2011 em Vienna)

Por Alexei Barros

Foi só eu clamar pelos bootleggers que eles brotaram: se os concertos em Seattle do Play! A Video Game Symphony mal foram gravados, a apresentação em Vienna no último dia 8 de julho foi mais bem registrada, com vídeos dos números novos. Ainda não é ideal pela qualidade meia-boca do áudio, o que impede de analisar a qualidade da performance da National Symphony Orchestra. Por isso, eu me limito a comentar o arranjo e a seleção de faixas.

Evidentemente, Mario fazia parte do repertório da turnê desde o início. Em vez de reaproveitar o arranjo do Nobuo Kurita do OGC1 como fizeram muitos concertos, foi feito um novo exclusivo, “Super Mario Bros. Suite”, preparado por Jonne Valtonen. Com as mudanças promovidas nas últimas apresentações, o segmento de Mario foi reformulado e desta vez foi arranjado de Chad Seiter. Logo de cara afirmo sem medo: não gostei.

Por mais que eu entenda que uma excursão tende a focar em seleções mainstream, não consigo engolir a primeira parte referente ao Super Mario Bros. cumprida de maneira muito igual a tudo o que foi feito dezenas de vezes em outros espetáculos, sem nenhuma novidade ou resquício de criatividade. Tem um “Main Theme” do New Super Mario Bros. ali (1:14) e a “Airship” (Super Mario Bros. 3) aqui (2:17), mas ambas já são conhecidas e poderiam dar lugar para tantas músicas boas nunca executadas antes – o que as pessoas têm contra “Enemy Battle” e “Fortress Boss”? Se você me permitir contundência maior, a rendição da “Castle” do Super Mario Bros. ficou ridícula; além de estupidamente curta, tanto a entrada (1:41) quanto a saída (1:50) são abruptas. O medley ganha pontos por executar a magnificente “Fateful Decisive Battle” do Ryo Nagamatsu do Super Mario Galaxy 2, com coral como na original. Antes ainda tem a “Egg Planet” do primeiro SMG e um trecho de 4:26 a 4:39 que não faço ideia de onde veio.

Mas há um bom motivo para nunca terem tocado os Marios antigos e os Marios Galaxy em um mesmo segmento: são de estilos diferentes. Em uma peça não há um sentido de unidade. Sinceridade? Fiquei com saudade de alguns arranjos amadores que publiquei por aqui…

Outra coisa que me incomodou sobremaneira foi a reação do público às cenas dos jogos no telão durante a execução. A forma banal com que a nostalgia é evocada me faz perguntar se estou ficando velho demais para não me extasiar mais com frases tão “desconhecidas” como “Thank You Mario! But Our Princess Is In Another Castle!”. Será que a turnê vai ter que mudar o nome para Play! A Video Games Live Symphony? Espero que não aconteça a fusão.

- “Super Mario Medley”

“Course Clear” ~ “Overworld” (Super Mario Bros.) ~ “Main Theme” (New Super Mario Bros.) ~ “Castle” ~ “Underworld” (Super Mario Bros.) ~ “Airship” (Super Mario Bros. 3) ~ “Underwater”(Super Mario Bros.) ~ “Egg Planet” (Super Mario Galaxy) ~ “Fateful Decisive Battle” (Super Mario Galaxy 2)

Symphonic Fantasies terá duas reprises em 2012


Por Alexei Barros

Agora que a tetralogia de concertos tributo foi encerrada com o Symphonic Odysseys, eleger o melhor varia da opinião de cada um, mas acho difícil de tirar o posto de apresentação mais impactante do Symphonic Fantasies em 2009 por conta do formato inovador de quatro suítes extensas e, para quem não pôde estar em Colônia na Alemanha, a inédita transmissão ao vivo em vídeo. Tudo devidamente registrado em um impoluto CD.

De fato, o Symphonic Legends e o Symphonic Odysseys são frutos do sucesso do Symphonic Fantasies. Na ocasião, a produção recebeu muitos convites para que o concerto fosse executado em outros países, incluindo o Japão, já que os ex-compositores da Square Enix compartilharam o interesse de levar a récita ao país natal. O problema é que para realizar um espetáculo desse nível foram necessários 14 dias de ensaios, dada a complexidade das partituras e outros detalhes, isso para orquestra e coral de primeiro nível como são os casos da WDR Radio Orchestra Cologne e do WDR Radio Choir Cologne. Tempo inviável para uma turnê, por exemplo.

Sendo assim, o Symphonic Fantasies terá reapresentações no mesmo Cologne Philharmonic Hall nos dias 5 e 6 de julho de 2012 para que mais pessoas possam assistir ao espetáculo in loco. A batuta da regência desta vez será do maestro sueco Niklas Willén, o mesmo que conduziu o Symphonic Legends, e Rony Barrak está confirmado na percussão. Por enquanto, não há planos de modificação dos arranjos. As vendas dos ingressos começarão em dezembro de 2011.

[via VGM Lounge]


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