“Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)” – LEGENDS

Por Alexei Barros

O que poderia ser um mero bônus despretensioso do concerto acabou se tornando um dos segmentos favoritos de muitos (eu incluso) do Symphonic Legends, o “Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)”, que encadeia, mistura e alterna diferentes melodias, em especial temas de encerramento, de jogos da Nintendo. Surpreende que a origem das músicas não seguiu necessariamente os títulos representados ao longo do concerto. Por exemplo, teve uma suíte somente de Super Metroid, mas a trilogia Metroid Prime foi aludida no bis. São tantos detalhes que as repetidas apreciações se tornam um imperativo – numa iniciativa inusitada, o arranjo foi pensado prevendo que seria publicado no YouTube para que os fãs tentassem descobrir as referências que chegaram até Super Mario Galaxy 2, que saiu em maio de 2010 – o concerto se deu em setembro do mesmo ano.

O número não foi anunciado para a expansão LEGENDS, então fiquei curioso para conferir o vídeo a fim de cumprir tabela. O começo é igual: o piano fazendo dupla com a percussão (desta vez o próprio integrante da orquestra, não Rony Barrak) na “Staff Credits” do The Wind Waker, seguido por uma alusão a Pikmin (que não sei o momento exato) e, com o coral, pelos três temas dos créditos em ordem decrescente da trinca Metroid Prime. Não obstante o registro amador, foi possível ouvir a densidade da “Theme of Super Metroid” no órgão de tubos, o que, curiosamente, não dava para perceber muito bem na gravação da transmissão. O piano alude à faixa “Super Mario Galaxy” como de praxe, e… opa! A partitura tinha sido alterada.

Eu achei que todas as mudanças foram para melhor. Já era um estrondo e ficou ainda mais, e vou dar meus motivos. Conforme detalhado aí embaixo, as músicas com a seta para esquerda que estavam no Symphonic Legends deram lugar para as da direita no LEGENDS. Como Kirby foi uma adição no repertório, justo que também fosse lembrado no desfecho, apesar de não ter encontrado o ponto certo no vídeo. A “Opening” do Star Fox 64 era uma sutilíssima referência no trombone e, com a “Main Theme” do Star Fox, a série teve homenagem estendida de forma merecida. Na primeira versão, não havia nada relativo a Donkey Kong, aliás, a única franquia do concerto que não despontava no bis. Por menor que seja, é sensacional perceber o trompete tocar um trecho da “Donkey Kong Rescued” de um título marcante como Donkey Kong Country 2. Todas as melodias vinham de temas de encerramento (algumas apareciam antes, em outros momentos dos jogos, mas sempre figuravam no final), com exceção de Star Fox, que era breve como comentei acima, e F-Zero, que foi simbolizado pela “Big Blue”. Daí… que choque tomei quando ouvi a “Ending Theme” nos metais reproduzindo a melodia, com um tempero jazzístico um tanto incomum em concertos eruditos. Esses segundos, acredite, valeram todo o LEGENDS para mim, porque não esperava de jeito algum tal inclusão. Sobre a retirada da “Overworld” do Zelda, a série já teve o primeiro bis só para ela com a “Healing”, além do poema sinfônico, e sem falar que este segmento começa com Zelda. Lembro que por ocasião do Symphonic Legends, quase enfartei com a “Ending” do Super Mario Bros. 3 com coral em latim, mas foi bom terem incluído o tema dos créditos do F-Zero só agora, porque muito possivelmente não resistiria a dois enfartos em sequência. E, de novo, o que é esse final? Fez me lembrar da introdução cantada dos jogos da Sega, mas claro com o coral entoando “Nintendo”.

Coloco ambos os vídeos para comparação, e o mais legal é que no segundo dá para avistar a maravilhosa arquitetura do Konserthuset em Estocolmo e ver subirem no palco David Wise, Masashi Hamauzu, Jonne Valtonen e Roger Wanamo.

- “Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)”
Originais:
“Staff Credits” (The Legend of Zelda: The Wind Waker)
“A Panoramic View” (Pikmin)
“Ending Staff Roll” (Metroid Prime 3: Corruption)
“Ending Staff Roll” (Metroid Prime 2: Echoes)
“Ending Staff Roll” (Metroid Prime)
“Theme of Super Metroid” (Super Metroid)
“Super Mario Galaxy” (Super Mario Galaxy)
<– “Opening” (Star Fox 64)
<– “Overworld” (The Legend of Zelda)
<– “Big Blue” (F-Zero)
–> “Ending” (Kirby’s Dream Land)
–> “Main Theme” (Star Fox)
–> “Donkey Kong Rescued” (Donkey Kong Country 2)
–> “Ending Theme” (F-Zero)
“Ending” (Super Mario Bros. 3)
“Super Mario Galaxy 2” (Super Mario Galaxy 2)

Composição: diversos
Arranjo: Roger Wanamo

Symphonic Legends

LEGENDS

3 Responses to ““Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)” – LEGENDS”


  1. 1 DGC 17/06/2011 às 11:27 am

    *0*
    O que posso dizer afinal?

    O “Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)” continua no topo da minha lista desde o Symphonic Legends.
    E de fato, só não posso fazer melhor justiça em dizer qual versão é superior, pois não seria justo comparando com esta gravação do LEGENDS. Ainda mais após ter apreciado a original tantas vezes numa qualidade ímpar.

    As adições substitutas ficaram lindas, simplesmente maravilhosas. Especialmente quando entra Star Fox e o tema final de DKC2.

    No mais, é nada menos uma belíssima homenagem e que traduz o sentimento de admiração e, sejamos francos, se você gosta verdadeiramente de videogames, paixão pelo maior sinônimo da coisa toda: NINTENDO. Como entoa épica e divinamente o coral ao final.

    Bravo!!

    • 2 Radical Dreamer 17/06/2011 às 1:56 pm

      Tenho que concordar! Desde a poderosa exposição dos temas de Metroid até a entrada de Star Fox seguido de DKC2, ficou tudo emocionante mesmo. Isso porque a Nintendo é umas das poucas companhias com um repertório tão rico e vasto, e pensar que há ainda tanto a ser explorado! Não decidi qual dos dois encores é meu favorito, nem sei se vou conseguir, mas a qualidade do segundo só reforça que esse é um dos melhores segmentos do LEGENDS.

  2. 3 Alexei Barros 17/06/2011 às 11:50 pm

    @ DGC / Radical Dreamer

    Falaram tudo. Só esperava que fosse barbada a predileção pelo bis do LEGENDS – é que o tema do encerramento do F-Zero me pegou de jeito. Mas eu sei que o RD especialmente achou a rendição do tema do Zelda até mais fiel às origens aventureiras do que o próprio poema sinfônico.

    Desculpe-me quem não gosta de medleys, acho genial ver tantas músicas assim serem entrelaçadas com transições perfeitas e, mais importante, evocando a nostalgia de forma substancial.


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