Arquivo de junho \30\UTC 2011

“Danger” – Secret of Mana (Game Music Laboratory Tokyo 2nd [unplugged])

Por Alexei Barros

Pela raridade com que a “Danger” aparece nas miscelâneas de Secret of Mana, pensei que fosse um dos poucos fãs do alucinante tema de batalha com chefes. Percebi que não estava sozinho quando foi eleita a 139ª na votação das 700 melhores faixas de games de acordo com os japoneses. A terceira colocada do total de cinco músicas do Secret of Mana que apareceram na relação: atrás de “Prophecy” (67ª) e “Meridian Dance” (86ª) e à frente de “Angel’s Fear”(164ª) e “Into the Thick of It” (205ª).

Mais satisfeito fiquei com o arranjo tocado no show Game Music Laboratory Tokyo 2nd [unplugged], realizado no dia 6 de fevereiro de 2011 e que só não mencionei antes porque não seria conveniente falar do evento se não houvesse vídeos. Felizmente, há. De tudo. Nem tudo é tão interessante; muitos solos de teclado manjados do Final Fantasy VII.

Pela gravação e depois pesquisando, reconheci alguns dos instrumentistas do grupo, aparentemente batizado de kikutaband pela hashtag proliferada no Twitter: Hiroaki Yura, o spalla da Eminence Symphony Orchestra, no violino; Akifumi Tada, arranjador do estúdio Imagine na keytar; Jem Harding no teclado; e Ko Omura na bateria. Ainda teve baixista e guitarrista, os quais não consegui descobrir quem são. Pela formação, com violino no meio de uma banda normal, já se esperaria alguma coisa parecida com a jdk Band; diferentemente da atual banda da Falcom, a guitarra é relegada ao segundo plano.

Com o violino em destaque, esta versão ganha pontos em ousadia, afinal é muito mais difícil tocar a sucessão frenética de acordes da “Danger” neste instrumento do que em uma guitarra, por exemplo. A introdução, que é um bocado repetitiva, é feita convincentemente no violino, mas, na hora do trecho dissonante, a impressão é que a sequência precisou ser simplificada. Na virada da música, o violino fica em relevo mais do que nunca, no ponto alto da performance, parando logo em seguida para o solos de teclado e guitarra (embora o timbre da sintetizada claramente simule um baixo elétrico). O violino retoma a melodia para encerrar o primeiro looping com o teclado em evidência. Na repetição da introdução o baixo se solta mais. Já que a intenção era imitar a original, a batida da bateria poderia ser mais rápida e menos forte no meu entendimento. Todavia, de modo geral, o resultado ficou esplendoroso, dada a complexidade da composição. E, com isso, eu me pergunto se um dia a “Danger” será totalmente orquestrada…

“Super Mario Medley” – Super Mario Bros., Super Mario Bros. 3, Super Mario World e Super Mario 64 (Last Elixir Wind Orchestra)


Por Alexei Barros

Mais um arranjo da banda de sopro japonesa Last Elixir Wind Orchestra, mais seleções sapientes. Não obstante a simplicidade do medley, nota-se um esforço maior em elaborar transições. Abrir com Super Mario Bros. dá a impressão que vai ser uma daquelas performances básicas. Não se engane, é apenas o começo. E mesmo com músicas tão famosas a LEWO consegue proporcionar uma sensação diferente. É o caso da “Overworld” do Mario 1, em que cada tipo de instrumento toca a melodia alternadamente. Depois de um vazio, vem a “Underworld” embalada pelas batidas da bateria. Em seguida, o medley é só alegria: a essencial “Overworld” do Mario 3 surge e acelera para embarcar no ritmo da “Athletic”. A sequência do  Super Mario World, cumprida com bom encadeamento, para mim ficou especial por escolher duas faixas que sempre almejei arranjadas após o trio “Title”, “Map 1 (Yoster Island)” e “Overworld”: “Bonus Screen” (perfeita a percussão) e “Map 4 (Native Star)” (que poderia ficar um pouco mais rápida até). Paralelamente é tocada a  “Powerful Mario”, emendando na “Main Theme”, que parece ter sido criada para uma big band, e na “Slider”, que transita para a “Course Clear Fanfare” do Super Mario World com desenvoltura.

- “Super Mario Medley”
“Overworld”~ “Underworld” (Super Mario Bros.) ~ “Overworld” ~ “Athletic” (Super Mario Bros. 3) ~ “Title” ~ “Map 1 (Yoster Island)” ~ “Overworld” ~ “Bonus Screen” ~ “Map 4 (Native Star)” ~ (Super Mario World) ~ “Powerful Mario” ~ “Main Theme” ~ “Slider” (Super Mario 64) ~ “Course Clear Fanfare” (Super Mario World)

“Dark World” – Final Fantasy VI (Distant Worlds 2011 em Chicago)

Por Alexei Barros

Mesmo com uma boa quantidade de novidades na visita a Tóquio no ano passado, o Distant Worlds não repousa no sucesso e já reservou uma estreia para a apresentação ocorrida em Chicago no dia 26 de junho. Olha que o programa poderá eventualmente ser reforçado por alguns arranjos do Symphonic Odysseys, uma vez que foram prometidos números avulsos de Final Fantasy, além da suíte de 15 minutos dedicada à série. Apesar de exigir mais ensaios que o convencional de uma excursão mundial pela complexidade das partituras, a ideia não está totalmente descartada, como dito na última entrevista com o produtor Thomas Boecker ao SEMO.

Enquanto não ocorre o concerto tributo ao Nobuo Uematsu, devo dizer que era o que eu sempre quis ver no Distant Worlds: faixas esquecidas da fase FFI-FFVI. A princípio, a despeito do meu entusiasmo por ser uma composição do Final Fantasy VI, não me empolgou muito a ideia que a “Dark World” fosse inteiramente reproduzida no órgão (ou teclado, a julgar pela foto do ensaio) pelo Nobuo Uematsu e violino pelo Arnie Roth, instrumento este de origem do maestro. O enfoque é sim no duo, e a orquestra, aqui no caso a Chicagoland Pops Orchestra, não deixa de tocar. Aos poucos, ajuntam-se o clarinete, as cordas e depois as trompas. Depois os holofotes regressam para a dupla e o som de nevasca encerra uma das mais inusitadas performances da turnê. Impressionante!

Agora pense comigo: “Terra’s Theme”, o primeiro tema do mapa-múndi, estava desde o início no repertório, “Dark World”, a música seguinte do mapa recebeu uma honrosa rendição e o próxima? Deveriam incluir a “Searching for Friends” – que ficou em segundo lugar na eleição das 700 melhores faixas de games realizada no Japão –, isso se o Symphonic Odysseys não fizer antes.

O vídeo não é bom (nem é possível ver a performance direito), mas insisti pela escassez de registros que ataca os concertos de games.

[imagem via Facebook]

Bate-papo com integrantes da [H.] às 10 horas na sexta-feira ao vivo no Ustream

Por Alexei Barros

Com saudade das transmissões de espetáculos gamísticos no Ustream? Depois de uma overdose vivemos um tempo ocioso, mas a vindoura apresentação promete: show da [H.] que vai celebrar os dez anos da banda. Dez anos?

Para um grupo convencional já seria um bom período e mais ainda para bandas de games, que costumam ser efêmeras: The Black Mages durou oito anos e S.S.T. Band, a predecessora espiritual da [H.], meros seis. Ressalvo que nessa década nunca foi lançado um álbum completo como essas outras duas já fizeram, apenas inserindo uma faixa em coletâneas. E, para completar, a última vez que isso aconteceu foi em fevereiro de 2009 na Vermilion vs Rent a Hero Original Soundtrack, e a “Light Song -[H.] Arrange Ver.-” é bem fraquinha por sinal.

Ao menos, o horário não será insalubre como o show da TGS 2010 que aconteceu às 4 horas da madrugada. Está marcado para as 22 horas no Japão do dia 1 de julho, o que equivale, se não tiver errado mais uma vez nos cálculos, às 10 horas da manhã no horário de Brasília desta sexta-feira.

Não foi divulgada nenhuma pista sobre o set list, mas como é uma comemoração não deve faltar o maior hit da banda, “Let’s Go Away” (Daytona USA). E torço pela aparição das faixas comprovadamente executadas em shows passados que não foram registradas oficialmente, tais como “Like The Wind” (Power Drift) (no Sega Game Jam 2005) e “Main Theme” (Space Harrier) (no Hyper Game Music Event 2008).

Se há dúvidas sobre o programa, a Famitsu já adiantou quais integrantes estarão no show: Hiro (teclado e às vezes violão), Takenobu Mitsuyoshi (baixo e vocal), Hidenori Shoji (guitarra), Mitsuharu Fukuyama (trompete e teclado) e Takahiro Kai (teclado). São os integrantes mais comuns na formação ao vivo da [H.], visto que Shoji não participa dos arranjos em estúdio e nunca vi nos relatos dos eventos o Keitaro Hanada, guitarrista recorrentemente creditado nos álbuns. Ah, com isso, também se confirma que não haverá bateria física como de praxe.

O link da transmissão que acontecerá, repito, às 10 horas na sexta-feira, pode ser conferido aqui.

[ATUALIZAÇÃO] Como bem reparado pelo Rafael “00 Agent” Fernandes nos comentários, não será exatamente um show, mas um bate-papo com os membros da [H.]. Mesmo que não compreenda o idioma japonês como no meu caso, pode ser uma experiência interessante, já que, aparentemente, haverá a exibição de vídeos antigos da banda. E não é só isso. Disse que o grupo não tinha lançado um álbum? Está programado um CD comemorativo de dez anos com votação para escolha da track list.

[via Famitsu]

Trilha de Lord of Vermilion Re:2 é quase um tributo à Square Enix

Por Alexei Barros

Passada quase uma década da fusão entre Square e Enix – marca que será completada em 2013 –, faço o questionamento: será que as séries, designers e compositores das duas empresas interagiram tanto quanto se imaginava? Verdade que os jogos de tabuleiro virtual Dragon Quest & Final Fantasy in Itadaki Street saíram em três iterações para diferentes sistemas, mas não é muito se pensarmos que Chrono Trigger reuniu integrantes das equipes de Dragon Quest e Final Fantasy em 1995, oito anos antes da união. Pior quando lembramos que por trás da Enix havia as séries que a empresa se encarregava da publicação, como as da tri-Ace.

Tudo isso para dizer que o álbum Lord of Vermilion Re:2 Fan Kit, previsto para agosto de 2011 e referente à nova versão do arcade com cartas colecionáveis, trará medleys arranjados de séries antigas da casa e, entre elas, está Valkyrie Profile! Para quem não se recorda, já falei com imenso desgosto da Lord of Vermilion Original Soundtrack, cuja autoria é do Nobuo Uematsu em estilo hard rock, e acabei nem comentando por aqui acerca da Lord of Vermilion II Original Soundtrack, com músicas assinadas pelo Hitoshi Sakimoto e arranjos dos integrantes do estúdio Basiscape.

Ainda é pouco apenas VP, mas já é um começo. A parte referente à Square me deixou pasmo: medleys do Final Fantasy IV, VI, IX, XI e XIV, além de Romancing SaGa 2 e 3 e Secret of Mana, este com a “Danger”, uma das minhas favoritas de todos os tempos. Como arranjadores há Hitoshi Sakimoto, os ex-Black Mages Tsuyoshi Sekito e Keiji Kawamori e outros nomes mais conhecidos dos fãs hardcore da Square Enix: Ryo Yamazaki, Mitsuto Suzuki e Yasuhiro Yamanaka.

Se você acha que minha empolgação é precoce é porque você ainda não escutou os samples. No medley do Valkyrie Profile se reconhece um trecho do tema de combate convencional “Unfinished Battle with God Syndrome”. Da versão original, que era toda sintetizada, a música foi tocada com teclado, baixo e bateria nos shows do Motoi Sakuraba. Pois bem: nesse arranjo do Keiji Kawamori há guitarra, o que confere um panorama totalmente diferente. A faixa que abre o número do FFXIV soa ainda melhor do que a “15” do vazamento alpha e a miscelânea do FFIV parece promissora como não poderia ser diferente. Até mesmo as composições originais do Lord of Vermilion ganham nova vida, como a “Dawn of Vermilion ~Opening Theme~” na versão do Sakimoto. Não sei se Lord of Vermilion fará parte do Symphonic Odysseys, o que acho pouco provável, mas mostra como rende uma bela adaptação sinfônica.

Para apreciar os samples, entre no site oficial do álbum e prossiga ao VGMdb se quiser conferir a track list traduzida e detalhada com todas as faixas dos medleys. Em caso de atualizações na página procurarei mantê-lo informado.

[via Square Enix]

“Super Metroid Medley” – Super Metroid (Play! 2011 em Seattle)

Por Alexei Barros

Antes de tudo, um questionamento: bootleggers, onde estão vocês? De uma hora para outra começaram a rarear os registros de todos os concertos de games, justamente agora que estreou um monte de arranjos inéditos. É o caso do Play! A Video Game Symphony: para as apresentações em Seattle com a Seattle Symphony e o Seattle Choral Company, ocorridas dias 21 e 22 de junho, foram prometidas cinco novidades, e apenas Metroid foi gravado e, ainda assim, a qualidade nem está tão boa.

Sinceridade? Devo ter uma noção distorcida das trilhas série Metroid. Anta que só, não conheci Super Metroid na época certa do SNES, mas fiz questão de terminar os capítulos 2D há alguns anos e, quando cumpri a missão, exceção ao Metroid II: Return of Samus, que passei batido, joguei na ordem da história: Metroid: Zero Mission, Super Metroid e Metroid: Fusion. Nem se compara o impacto da trilha do Hirokazu Tanaka modernizada no remake comparado com as músicas do jogo do SNES. Meu apreço pelas faixas da aventura original vem se mostrando completamente contrário à preferência da maioria das pessoas pelo Super Metroid. Talvez por jogar antes o primeiro… ou porque seja do contra.

Evidente que não questiono se um segmento é focado no Super Metroid, a exemplo do “Theme~Space Warrior Samus Aran’s Theme~Big Boss BGM~Ending” do Toshihiko Sahashi para o Orchestral Game Concert 4 que voltarei a falar, do “Super Metroid (Suite: Samus Aran – Galactic Warrior)” do Torsten Rasch para o Symphonic Legends e “Super Metroid (Into Red, Into Dark)” do Jonne Valtonen para o LEGENDS que não tive a oportunidade de ouvir. Porém, se a ideia era homenagear a franquia inteira eu sinto falta da “Brinstar”. Bom, só no começo era a intenção. Em entrevista ao site Shinesparkers, o produtor do Play! Jeron Moore comenta que descobriu a supramencionada versão do OGC4 quando tinha em torno de 14 anos e, como fã da série, Metroid foi uma das atribuições iniciais depois que ele e o produtor executivo Jason Michael Paul convidaram o arranjador Chad Seiter para se juntar ao time, já que não havia Metroid no programa da turnê. De início, eles quiseram abarrotar faixas desde o primeiro, passando pelo Super Metroid, e pela trilogia Metroid Prime. Seiter jogou obsessivamente Super Metroid na sua infância e selecionou algumas até Moore fechar em um contexto que fizesse sentido para uma peça de sete minutos. Por fim, o número acabou sendo baseado no Super Metroid.

Pelo menos as faixas são diferentes do OGC4, somente com a “Theme of Super Metroid” em comum. (Bisonhamente, as músicas que compõem o “Theme~Space Warrior Samus Aran’s Theme~Big Boss BGM~Ending” não são as que estão arroladas no título). A “Opening (Destroyed Science Academy Research Station)” abre o medley com a intermitência misteriosa da tela-título, no momento em que o coral faz a incursão em um trecho apavorante. As trompas dão sequência ao tema, enquanto as cordas, simultaneamente, entoam brevemente a “Theme of Super Metroid”, que em seguida aparece em seu instante apoteótico nos metais. O suspense toma conta com as intervenções esparsas da flauta imitando os sons da sala de save. Com coral e o peso do tímpano, a “Ancient Ruins (Norfair Area)” ficou estrondosa, e dá para dizer o mesmo quando entra a carregada “Mother Brain”, no qual as tubas e as cordas transmitem toda a imponência do combate com o chefe final. Batalha vencida, retorna a “Theme of Super Metroid”, desta vez com coro. Regressam os ruídos da sala de save, com cordas e tudo mais, encerrando com a “Theme of Super Metroid”.

Veredicto: não saberia explicar exatamente a razão, mas não me agradou a utilização do coral nesse arranjo – suspeito, uma mera conjectura, que foi, falando especificamente dessa abordagem, por conta do canto vocalizado, sem articular uma letra, seja lá qual for o idioma. Não que coral não combine com as músicas de Metroid. Penso que aproveitar, por exemplo, o coral Chozo como no Metroid: Zero Mission deve ser uma ideia de jerico para nunca ninguém ter feito isso. Fiquei com a sensação de que o medley não engrena e até se arrastou pelo estilo pesado das duas faixas do meio. Em suma: o “Theme~Space Warrior Samus Aran’s Theme~Big Boss BGM~Ending” do OGC4 segue como meu preferido se for somente o Super Metroid. Expandindo para toda a série, o “Depth of Brinstar” do Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert é o que melhor conseguiu, a meu ver, reproduzir a identidade sonora de Metroid, apenas com músicas do primeiro jogo, ainda que muito menos ambicioso.

- “Super Metroid Medley”
“Opening (Destroyed Science Academy Research Station)” ~ “Theme of Super Metroid” ~ “Ancient Ruins (Norfair Area)” ~ “Mother Brain” ~ “Theme of Super Metroid”

The Last Story Original Soundtrack: senta que lá vem a última história hollywoodiana


Por Alexei Barros

Pela rapidez com que The Last Story foi adicionado nos repertórios do Symphonic Odysseys e do Press Start 2011, precedendo a localização ocidental (que não foi anunciada), eu imaginava – já que enrolei para ouvir – que seria, no mínimo, a melhor das trilhas do Nobuo Uematsu para jogos da Mistwalker, superando Blue Dragon, Lost Odyssey e, não podemos esquecer, dos títulos para portáteis Blue Dragon Plus, Blue Dragon: Awakened Shadow e Away: Shuffle Dungeon.

Terminada a apreciação, a sensação foi inversa: achei a menos inspirada de todas da Mistwalker, prevalecendo estranhamento se o que ouvi era para um RPG e não para um Metal Gear Solid. A resposta de minha hesitação veio em uma declaração do Nobuo Uematsu ao site Eurogamer.de. “As primeiras três faixas que eu compus para o jogo foram: o tema principal, o tema de batalha e a música de fundo para a cidade. Todas as três foram rejeitadas”, afirma. “Então tentei pelo princípio de tentativa e erro muitas abordagens diferentes. Depois de hesitar, eu finalmente tentei me orientar com o som de uma trilha de Hollywood.”

Aproveito para fazer uma confissão: minha estima por game music não se estende, com algumas exceções, às trilhas de filmes. Em parte, é explicado pela preponderância em jogos de compositores japoneses, que focam suas obras na melodia. E quando um dos principais nomes do meio, reconhecido justamente pelo poder de criar melodias fantásticas se limita a imitar o estilo cinematográfico? É como se Hideo Kojima tivesse chamado Uematsu para um Metal Gear. E de fato um dos arranjadores do álbum colaborou para a série: direto do estúdio GEM Impact, Yoshitaka Suzuki, com participações em Metal Gear Solid Portable Ops e Metal Gear Solid 4 Guns of the Patriots. Mesmo assim, faixas do velho Uematsu sobreviveram e imagino que nessas os arranjos dos concertos. O que considero necessário: uma das maiores decepções é que a trilha faz uso reduzido de instrumentistas (entre no VGMdb se quiser ler mais detalhes), abusando de faixas sintetizadas que emulam timbres sinfônicos. Não há desculpa de limitação do espaço de mídia, muito menos de orçamento para a contratação de uma orquestra ou de musicistas avulsos, como foi o caso da Lost Odyssey Original Soundtrack.

Após o Hadouken, comento as músicas que mais gostei da The Last Story Original Soundtrack, formada por três discos com 15, 14 e 13 faixas que, dizem, não abarcam todas as músicas do jogo.
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